sábado, 30 de dezembro de 2017

12 assédios virtuais


Só sei que levei uma séca da Graça até ao Marquês de 1,5h. Pelo caminho, parado, ia observando de tudo e também observado pelos condutores do outro lado. Contei 12 assédios virtuais, 8 de raparigas e quatro de moços e homens. Estendia o braço e entregava o meu cartão de bisita:

                                                                 Luis Paixão
                                                                   soldador


Senhor Roubado (pergunte por mim que toda a gente sabe aonde é a minha oficina.)


Ficavam admiradas/os e eu nesse momento arrancava pois não queria cá conversas no trânsito sobre a profissão.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

A MINHA RECEITA PARA 2018


A MINHA RECEITA PARA 2018

O que significa para mim um bom ano Novo? Dir-me-ão que não vos interessa saber, claro, aceito, não leiam nem espreitem. As simple as that.

Então vejamos:

1. saúde - importante tê-la se não o resto não tem a menor importância. Por isso é preciso vigiar, cuidar-nos e não dizer tolamente que o que interessa é gozar a vida. Já pensaram em passar uns dias ou meses ou anos nuns cuidados intensivos com a boca cheia de tubos e ligados a uma máquina. Eu já pensei e parece-me um cenário dantesco e de um grande sofrimento que ainda por cima na maior parte das vezes acaba na morte ou numa incapacidade quase total para uma vida normal. Sem falar na despesa, na tristeza dos familiares e amigos ou não...uff que alívio, o que também é chato só por beber mais copos, e comezainas sem moderação.

2. simplicidade - no sentido de se não ser um chato, complicado, sempre a queixar-se, a encontrar razões para embirrar. Ser simples implica para além de tudo quanto a palavra intui, ser-se pragmático e straightforward nas circunstâncias alegres ou dolorosas da vida. Ou seja, chamar as coisas pelos nomes. Está-se pobre, está-se doente, melhorámos a vida, tivémos uma boa nota, um novo emprego uma nova pessoa na vida, etc

3. alegria - mesmo. Ser-se bem disposto, sorridente e amável com os outros e ir ao seu encontro. Dar motivos de satisfação aos outros e a si próprio. Criar ambientes em que mesmo na dor e na tristeza, possa haver consolação na alegria do conforto e da amizade.

4. paz - nas famílias, nos empregos, no país, na Europa e no mundo. Paz significa o contrário de guerra que pode ser atómica, convencional ou psicológica. Todas elas.

5. compaixão - ter piedade pelo sofrimento dos outros, interessar-nos pelas suas dificuldades, ter paciência pela rotina de pessoas mais velhas, pobres, doentes, presas e sós. Não chega sentir mas actuar.

6. fundo de maneio - o dinheiro suficiente e justo para uma boa qualidade de vida merecida pelo fruto do trabalho e que seja bem e generosamente repartida.

7. emprego - aceitar que o que se tem é melhor do que não ter nenhum, tentar melhorar, ajudar em equipa. Nenhum patrão deixará de apreciar quem demonstre ter capacidades de contribuir para o bem-estar de todos.

8. honradez - significa ser-se verdadeiro, directo, sem truques nem esquemas nem mentiras nem golpes por detrás. Enfrentar com coragem a verdade.

9. valente - ter a coragem de defender com INTELIGÊNCIA E SEM RADICALISMOS de nenhuma sorte as nossas convicções, estando abertos à mudança, à modernidade e àquilo que os outros nos possam ensinar. Não temer ser bravo e lutador por causas que valham mesmo a pena. Não vale petições públicas estúpidas sobre temas pontuais e fulanizados.

10. se entretanto tivermos que morrer durante este ano, que ao menos estejamos preparados na aceitação da vinda da morte. E que façamos agora no fim do ano um rápido flashback sobre o passado sem dramas nem sofrimento e que sirva como que uma bagagem permanentemente feita para a partida. Sempre numa perspectiva positiva e não a desejando. Sempre me impressionou o lado poético/literário da Bíblia na passagem das virgens loucas que deviam ter o azeite suficiente para alumiarem as candeias quando o Senhor vier. Sejamos agnósticos, budistas, ateus, católicos, muçulmanos ou judeus.

E finalmente que haja um saldo positivo ou se o não houver, prometer ao accionista, que é cada um de nós que durante o ano a "empresa" fará um esforço para melhorar e no final distribuir os dividendos que não são mais do que tudo quanto acima disse em sede de amor.

Bom Ano de 2018

Os Pobrezinhos

OS POBREZINHOS

"Na minha família os animais domésticos não eram cães nem gatos nem pássaros. Na minha família os animais domésticos eram os pobres. Cada uma das minhas tias tinha o seu pobre pessoal e intransmissível, que vinha a casa dos meus avós uma vez por semana, buscar com um sorriso agradecido a ração de roupa e comida.
Os pobres, para além de serem obviamente pobres (de preferência descalços para poderem ser calçados pelos donos, de preferência rotos para poderem vestir camisas velhas que se salvavam desse modo de um destino natural de esfregões, de preferência doentes a fim de receberem uma embalagem de aspirina) deviam possuir outras características imprescindíveis: irem à missa, baptizarem os filhos, não andarem bêbedos e sobretudo manterem-se orgulhosamente fiéis à tia a quem pertenciam. Parece que ainda estou a ver um homem de sumptuosos farrapos, parecido com o Tolstoi até na barba, responder ofendido e soberbo a uma prima distraída que insistia em oferecer-lhe uma camisola que nenhum de nós queria
- Eu não sou o seu pobre eu sou o pobre da menina Teresinha.
O plural de pobre não era pobres. O plural de pobre era esta gente. No Natal e na Páscoa as tias reuniam-se em bando armadas de fatias de bolo-rei, saquinhos de amêndoas e outras delícias equivalentes e deslocavam-se piedosamente ao sítio em que os seus animais domésticos habitavam, isto é um bairro de casas de madeira da periferia de Benfica, nas Pedralvas e junto à estrada militar, a fim de distribuírem numa pompa de reis magos peúgas de lã, cuecas, sandálias que não serviam a ninguém, pagelas de Nossa Senhora de Fátima e outras maravilhas de igual calibre. Os pobres surgiam das suas barracas alvoraçados e gratos e as minhas tias preveniam-me logo enxotando-os com as costas da mão
- Não se chegue muito que esta gente tem piolhos.
Nessas alturas, e só nessas alturas, era permitido oferecer moedas aos pobres, presente sempre perigoso por correr o risco de ser gasto
( - Esta gente coitada não tem a noção do dinheiro)
de forma deletéria e irresponsável. O pobre da minha tia Carlota, por exemplo,foi proibido de entrar em casa dos meus avós porque quando ela lhe meteu dez tostões na palma, recomendando, maternal, preocupada com a saúde do seu animal doméstico
- Agora veja lá não gaste tudo em vinho
o atrevido lhe respondeu malcriadissimo
- Não minha senhora vou comprar um Alfa-Romeo.
Os filhos dos pobres definiam-se por não irem à escola, serem magrinhos e morrerem muito. Ao perguntar as razões destas características insólitas foi-me dito com um encolher de ombros
- O que é que o menino quer esta gente é assim
e eu entendi que ser pobre, mais que um destino, era uma espécie de vocação como ter jeito para jogar bridge ou para tocar piano.
Ao amor dos pobres presidiam duas criaturas do oratório da minha avó, uma em barro e outra em fotografia, que eram o Padre Cruz e a Sãozinha, as quais dirigiam a caridade sob um crucifixo de mogno. O Padre Cruz era um sujeito chupado, de batina, e a Sãozinha uma jovem cheia de medalhas com um sorriso alcoviteiro de actriz de cinema das pastilhas elásticas, que me informaram ter oferecido exemplarmente a vida a Deus em troca da saúde dos pais. A actriz bateu a bota, o pai ficou óptimo e a partir da altura em que me revelaram esse milagre tremia de pânico que a minha mãe, espirrando, me ordenasse
- Ora ofereça lá a vida que estou farta de me assoar
e eu fosse direitinho para o cemitério a fim de ela não ter de beber chás de limão.
Na minha ideia o padre Cruz e a Sãozinha eram casados tanto mais que num boletim que a minha família assinava, chamado Almanaque da Sãozinha, se narravam em comunhão de bens os milagres de ambos, que consistiam geralmente em curas de paralíticos e vigésimos premiados, milagres inacreditavelmente acompanhados de odores dulcíssimos de incenso.
Tanto pobre, tanta Sãozinha e tanto cheiro irritavam-me.
E creio que foi por essa época que principiei a olhar com afecto crescente uma gravura poeirenta atirada para o sótão que mostrava uma jubilosa multidão de pobres em torno da guilhotina onde cortavam a cabeça aos reis."

António Lobo Antunes

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

O PENINHA FOI VISITAR MARCELO AO CURRY CABRAL


O PENINHA FOI VISITAR MARCELO AO CURRY CABRAL

Tendo sabido que o Presidente Marcelo foi operado a uma hérnia no Hospital Curry Cabral, Peninha afogueado com preocupação foi direito a este estabelecimento hospitalar, aonde uma prima da Adélinha era auxiliar de limpeza e por isso tinha acesso mais fácil ao ilustre operado.

Xana, assim se chamava, disse-lhe que estava de serviço exactamente no piso do Presidente e que já lá tinha ido duas vezes tirar a arrastadeira e que quando ele meio acordado agradeceu ela lhe disse em sottovoce:

- Meu Presidente dos afectos todo o hospital e o país oram por si para que se restabeleça pronto, mas se puder prolongar uns dias mais a sua estadia faz um enorme sucesso entre todo o pessoal e junto dos doentes. Pode começar a visitar cada enfermaria, um a um.

Aí Marcelo sorriu com bonomia e disse que lhe parecia boa ideia e que iria falar ao seu médico dizendo que se sentia um pouco fraco e que precisaria de ter mais tempo no hospital. E sem muitas forças afagou-lhe a mão que Xana mostrou a Peninha envolta num saco de plástico com formol para manter mais tempo o suor do Presidente na sua mão.

Peninha pediu-lhe por tudo se mais tarde lhe trazia uma bata de enfermeiro e se o conduzia até à cama de Marcelo.

Pelas 11h já com as luzes apagadas Xana levou com facilidade Peninha até à enfermaria de Marcelo que estava um pouco agitado e não conseguia dormir.

Peninha avançou com um ar convicto e formal como se impunha mas com uma voz carinhosa perguntou:

- O Senhor Presidente deseja um comprimido para lhe tirar as dores e poder dormir descansado?

- Ó Costa ainda bem que vieste visitar-me – disse o Presidente que confundiu na escuridão Peninha com o PM.

- Temos que dar a volta aí a vários assuntos: -primeiro eleger o Rio para o PSD, pois o outro só vai fazer merda e criar-me problemas e então a ti!! O Rio pareceu gostar de ti nas conversatas que tiveram os dois no passado…ainda estou para saber de que falaram. Depois tenho que vetar essa lei dos financiamentos, eu disse-te para não exagerares…sempre quero ver como deduzindo o IVA a todos, vais arranjar dinheiro para cumprir todas as promessas e além disso vão começar os tubarões do costume a aproximar-se com donativos. Eu quero que sejas tu a mandar a lei para o tribunal Constitucional…finalmente manda a Paulinha para a prisão e mete lá dentro também o Vieira e o Secretário de Estado…ali anda gato.

Peninha atrapalhado ouvira estas conversas de Estado, devido ao estado febril do Presidente e à confusão de identidades.

Peninha disse-lhe baixinho: - assim será Sr. Presidente arriscando o tratamento formal não fossem eles tratarem-se por tu.

E ao afastar-se o Presidente chamou-o e disse-lhe:

- Já sabes o que gosto de ti e quando sair daqui temos que começar a preparar a operação eleições limpas. Aqueles dois coiros, o Jerónimo e a Mortágua, têm que sair para tu poderes governar com maioria absoluta entre ti e o Rio. Fico mais contente, mas vou cansar-me com os afectos que tenho que dar a uns e outros. Aí fina mais fino. Ora vai-te. Xiuuuuuuu…só entre nós!

Peninha rapidamente despiu a bata e entregou-a a Xana e agradeceu. Ela que não tinha estado cerca, perguntou-lhe se tinha corrido bem que os vira a conversarem em segredo. Ele disfarçou e saiu.

Foi direito ao Correio da Manhã e tendo narrado esta peripécia de aproximação a Marcelo disfarçado, exigiu uma quantia que o tiraria da vida mediana que levava com a Adélinha. Só que teria que partir para longe, para um país do tipo Yémen, ou Venezuela, ou Síria aonde o dinheiro e a qualidade de vida pudessem compensar a lonjura da Pátria bem-amada.

Disseram-lhe que iam dar-lhe cem euros para começar e que a edição já estava fechada só havendo um pequeno espaço para uma breve notícia e mandaram-no vir na manhã seguinte com calma.

Peninha voltou para casa enervado, cansado e desiludido e antes de se deitar tomou umas duas doses de MEMOFANTE para ter tudo bem fresco no dia seguinte.

O efeito do MEMOFANTE tomado em excesso produz o olvídio total dos últimos acontecimentos ocorridos.

Quando de manhã se levantou constatou que se tinha esquecido de tudo e ao ler a capa do Diário da Manhã, leu num canto do jornal em destaque: "Desejamos ao Senhor Presidente rápidas melhoras para que siga na sua fulgurante carreira e missão de afectos no nosso querido País".

- Manteigueiros de merda e teve um xelique e não fora a Adélinha que com o seu desvelo e carinho e fortes seios lhe desse um amplexo forte, tinha-se atirado pela janela…facto que não seria grave pois moram num rés-do-chão baixo.

deslizes


OVINOS SENHOR


PELAS MAROTEIRAS DOS PARTIDOS

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Escrita

Escrita

No fundo, um escritor é um bocado um ladrão, um gatuno de sentimentos, de emoções, de rostos, de situações.

António Lobo Antunes

A sabedoria e a Alegria


A Sabedoria e a Alegria

Vou ensinar-te agora o modo de entenderes que não és ainda um sábio. O sábio autêntico vive em plena alegria, contente, tranquilo, imperturbável; vive em pé de igualdade com os deuses. Analisa-te então a ti próprio: se nunca te sentes triste, se nenhuma esperança te aflige o ânimo na expectativa do futuro, se dia e noite a tua alma se mantém igual a si mesma, isto é, plena de elevação e contente de si própria, então conseguiste atingir o máximo bem possível ao homem! Mas se, em toda a parte e sob todas as formas, não buscas senão o prazer, fica sabendo que tão longe estás da sabedoria como da alegria verdadeira. Pretendes obter a alegria, mas falharás o alvo se pensas vir a alcançá-la por meio das riquezas ou das honras, pois isso será o mesmo que tentar encontrar a alegria no meio da angústia; riquezas e honras, que buscas como se fossem fontes de satisfação e prazer, são apenas motivos para futuras dores.  

Séneca

Já não houve mais Natais


" Depois o meu avô morreu, venderam a casa, a família dispersou-se e os Natais acabaram. Os Natais agora são o que vejo nas montras das lojas: as Boas Festas das gerências, as pastelarias com notas de quinhentos escudos presas aos pinheiros com molas de roupa, um Pai Natal triste à porta de um supermercado a distribuir prospetos de margarina e telemóveis.Os Natais agora sou eu atrás das palavras de um romance, de bloco nos joelhos, a cozinha sem mujique nenhum, os meus irmãos com cabelos brancos, sobrinhos que nunca ouviram falar de Cisco Kid. Mas pode ser que para o ano me ofereçam uma pistola de fulminantes e ao disparar o primeiro o meu avô reapareça, me volte a pousar a mão no ombro, me faça aquela festa que ele me fazia com o polegar na nuca
(— O meu netinho)
e eu sinta de novo a sua força e ternura, sinta de novo, como sempre senti, que estando junto dele nunca nenhuma coisa má, nenhuma coisa triste, nenhuma coisa reles me poderia acontecer porque o meu avô não havia de deixar."

António Lobo Antunes— Livro de Crónicas

Epicuro

Deus, ou quer impedir os males e não pode, ou pode e não quer, ou não quer nem pode, ou quer e pode.
Se quer e não pode, é impotente: o que é impossível em Deus.
Se pode e não quer, é invejoso: o que, do mesmo modo, é contrário a Deus.
Se nem quer nem pode, é invejoso e impotente: portanto nem sequer é Deus.
Se pode e quer, que é a única coisa compatível com Deus, donde provém então existência dos males?
Por que razão é que não os impede?

Epicuro

cobardes


... nós homens somos mais cobardes do que as mulheres.Elas,quando uma relação está acabada,dizem-nos na cara,enquanto os homens mentem,dizem que precisam de tempo para pensar,precisam de tempo para estar sozinhos e têm medo de dizer na cara de uma mulher “já não gosto de ti “.As mulheres não têm esse medo!Nós temos e arranjamos desculpas do género “preciso de uns momentos para pensar,dá -me uns tempos,um dia destes telefono”sabendo perfeitamente que não vamos fazê-lo e até deitamos fora o número do telefone.Nas relações somos mais cobardes do que as mulheres.”Não quero fazê-la sofrer...”Uma ova é mentira,temos é medo de ser fracos,porque um homem não deita nada fora,troca umas coisas por outras e é muito raro deixar uma mulher não tendo já outra para onde ir,enquanto elas não.Já reparou que há centenas de milhares de mulheres a viverem sós em Losboa?E quantos homens haverá a viver assim?Os homens aguentam muito mal a solidão,a casa de um homem sozinho parece uma messe de oficiais.É desagradável,não está cuidada,enquanto a casa de uma mulher é acolhedora.Nós não temos gosto nem aquele toque feminino e à ideia da palavra lar-que é feia-não existe.Há mais mulheres que homens em Portugal,a viverem sozinhas com muita dignidade e muito poucos homens a fazê-lo.

in “Uma longa viagem com António Lobo Antunes

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Rever o Natal

REVER O NATAL

Haveria que rever o lado "civil" e social do Natal: o religioso é a comemoração anual para os católicos de um evento que terá acontecido há milhares de anos.
Os seres humanos são atreitos a comemorações e mesmo em outras religiões festejam-se momentos importantes das respectivas origens ou martírios.
Nada a objectar. E todo o ritual solene e de beleza que o pode rodear torna mais viva a memória a que ninguém da nossa era assistiu.
Mas voltando ao tema inicial, verifico a cada ano que passa que os mais velhos estão menos frescos para tornar a celebração mais aggiornata e os mais novos têm as suas vidas e entre eles confraternizam.
Eu faço sempre o contrário: aproveito para me actualizar sobre a vida de sobrinhas ou sobrinhos e tenho largas conversas com eles sobre tudo: livros, ideias e opiniões sobre o mundo actual, as implicações que podem ter na vida deles (na minha pouco interessa) e escuto mais do que falo. E é óptimo e saio de jantares ou almoços óptimos de comeres mas fracos de conversa até porque o vinho sempre excelente vai fazendo o seu caminho e a asneira começa a frivolizar o ambiente.
Se calhar em vez de tanta comida e get togethers se pudesse para inovar, em cada família haver uma equipe misturada de idades, que num dado momento destas incontáveis horas tivesse preparado com tempo, uma qualquer actividade fóra ou dentro das casas, em que nos esquecêssemos de nós e dos presentes e das raivas e intrigas ou copos e pensássemos nos outros, no sentido restrito ou lato.
Enfim tudo isto me vem pela experiência que tive com o meu voluntariado na cadeia de Alta Segurança de Monsanto.
Há tantas "cadeias" nas nossas famílias, amigos, pessoas que precisam da nossa atenção.
Posso-lhes afirmar com modéstia que ao me ocupar de reclusos e nem tanto no campo judicial, mas entregar-me e viver a solidão e afastamento das famílias, do sentimento de culpa, me tornou sempre um homem melhor.
Just an idea for change.
Há muitas iniciativas que os mais novos com imaginação e generosidade nos podem sugerir.
Estão, eventualmente, mais atentos.
Escrito em Lisboa junto ao Tejo numa tarde cinzenta mas inspiradora.

Milhafres e marabuntas



INSTANTÂNEO ALUCINANTE

Vim pôr um casaco na tinturaria do CI. Então não estamos num mundo louco? Descontos de boxing day e milhafres e marabuntas nas compras OUTRA VEZ?

sábado, 23 de dezembro de 2017

Surpresa!


THREE WISE MEN


Simple Christmas


The Princess Michael of Kent and the jewel

What a stupid world we are living in. It is unacceptable that a woman in this case a Princess cannot put a private jewel no matter it pleases the world or not. This broche shows  something that existed in the past although both HRH and myself we deeply regret it existed but not in the present anymore. To criticise is absurd and ridiculous. The fact that Prince Harry's in laws would be present, so what? There are billion of Africans who are serious, competent and people like everybody that are descendents of persecuted black people but are now free and have equal rights.
The world is full of abnormal people!

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Cabeças de reis


Poder-se-ia a propósito da situação republicana desejada para a Catalunha, dizer em espanhol, como Shakespeare, em Henrique IV, Primeira parte, Acto V, Cena II escrevia:

" Caballeros: el tiempo de la vida es muy corto; si vivimos, vivimos para hollar cabezas de reyes"

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

INSTANTÂNEO

INSTANTÂNEO: avisto a 20 metros no passeio aonde ia um fedelho dos seus 10 anos dar um pontapé na mãe que ficou magoada na perna e nada fez. Entretanto fui-me aproximando a ferver e o miúdo continuava a falar mal com a mãe. Parei, olhei directo para o miúdo e disse-lhe: - se algum filho meu desse o pontapé que deste à tua mãe levava um estaladão e dois berros e ainda pedia desculpa...Ele provocadoramente ainda respondeu : e...
Aí respondi-lhe levavas uma sova daquelas que nunca mais esquecias.
Ficou calado e a mãe calada, com cara de que isto se repetia e não era a primeira vez.
Quero cá saber dos direitos da criança em não levarem estaladões! Nunca fizeram mal a nenhuma e educaram para o futuro, pois repetem com os filhos o mesmo. naturalmente com conta, peso e medida. Educaçãozinha e era o que faltava os filhos mandarem nos pais!

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Caso "RARÍSSIMAS"


EM DEFESA DE UM JULGAMENTO JUSTO ANTES DA CONDENAÇÃO

Como é possível este pobre país dar tanta importância ao caso "Raríssimas"?

É desolador o espírito vingativo, intriguista e comezinho de jornalistas e de comentadores.

Acontece que conheci a Paula quando foi logo no início da sua altruísta campanha à minha empresa pedir fundos para a construção da Casa na Moita. Muita gente ajudou e a obra fez-se. Fiquei eu e muita gente comovidos com a história do filho que tinha uma destas doenças raras. Era uma mulher modesta e simples e estava numa estanca a vender jornais. Fez o caminho das pedras. Como bem sabemos o êxito, o ego e a vaidade causam estragos, nomeadamente na reputação e em actos irreflectidos. Nada disto é uma tragédia com a importância que os meios de comunicação social estão a dar. Apuram-se os factos e tal como na velha história, em sendo meia-noite volta a gata borralheira ou não. É a isto que se chama Caridade sem ou com qualquer religião por detrás.

A minha amiga Marionela Gumão que sabe muito de moda, dizia com toda a razão que considerar um vestido de alta moda com o preço de €278,00 era um sinal de total ignorância e de saloiice.


E o Sócrates e todos os outros patifes do BPN do BES e dos diferentes Governos que roubaram milhões e prejudicaram o país? Continuam com o referido dinheiro e rodeados de caros advogados a fazerem render o tempo.


Este é um caso ridiculamente menor em que aliado ao trabalho meritório da organização, por azar para ela, confundiu funções.


Deixemos que venham a lume as provas e o castigo dela poderá vir a ser perder o emprego em funções que desempenhava muito bem, e voltar a ser uma triste violetera..

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Instantâneos


Instantâneos e logo dois opostos:

- almoço com um amigo recente de quem passei a apreciar muito e mais velho do que eu. A honestidade de comportamento, uma pessoa inteligente,com problemas de saúde ao nível do coração. Quero-o cá mais tempo por isso cuide-se! Obrigações avoengas a mais e sacrifícios por netos quando as obrigações são dos pais. É preciso ousar dizer com firmeza e solicitude aos filhos e eles que dêem soluções e ainda por cima, neste caso, podem. Repito a frase do inefável Arnaldo de Matos, o Educador do Povo: OUSAR LUTAR; OUSAR VENCER...ahahahah

- morte da Mãe de uma família muito intima e amiga, já velhinha, com 92 anos mas lutadora. Velório não muito numeroso mas cosy. O padre falou pouco e bem. As bem-aventuranças como plano de vida. Fiquei pensativo e vi-me um dia dentro de uma urna. Não foi medo, foi insegurança, mas também o que adianta especular. "Trop de temps perdu" se não há um raio de outra vida a seguir. O espectáculo das flores, das comoções repetitivas, nada disso me impressiona. Fiquei foi a pensar que talvez seja tempo de triar mais rigorosamente o essencial do acidental. Somos todos iguais na morte e com mais ou menos oiro nas coberturas da urnas, dali a uns dias seremos cinza, pó e nada. Uma chatice. Para os vaidosos ainda mais chato será pois dou 8 dias para o esquecimento dégradé ou seja progressivo.

Mas que raio passou pela cabeça da Eva em comer a maçã?

sábado, 9 de dezembro de 2017

Os Novais


Foi a alegria da família Novais, o nascimento do Rafael. A Mãe, a Susana tinha tido dificuldade em engravidar e em 1958 não havia grandes avanços nas técnicas de combate à infertilidade.

Os Novais, católicos ferventes sugeriram a Susana que fosse à Igreja da Conceição Velha e se sentasse num banco côncavo de pedra de tanto uso aonde as inférteis se sentavam por debaixo da imagem da Nossa Senhora do Bom Parto, numa capelinha pequena à entrada da igreja, e rezasse demoradamente certas preces para que desse à luz.

O Fábio Novais, o pai do Rafael não era nada dessas crenças e a única coisa que sabia era fazer filhos da forma que desde Adão e Eva se processava, ou seja, uma verdadeira cópula carnal. Podia haver variações, mas de resto essas crendices eram fantasia para ele.

Contrariado lá a levou à porta da Igreja e ficou fora a fumar um cigarro.

Fábio era caixeiro-viajante numa fábrica em Lisboa que fabricava roupa interior para o mercado da moda íntima. Nunca fora um estudante aturado e acabara por ter que se acomodar neste emprego modesto que lhe fora arranjado pelo padrinho, o Virgílio.

Susana, pelo contrário, era formada em farmácia e trabalhava na Amadora na “Ideal” que abrangia uma larga zona de moradores, pelo que o ordenado maior era o que ela trazia para casa.

O Rafael veio trazer enorme alegria ao casal e à família Novais que o tratavam com mimos e muitas carícias.

Na primeira ida ao pediatra do Hospital público logo a seguir ao nascimento, após um exame exaustivo à criança, o médico faz uma cara consternada e dirigindo-se aos pais, diz:

- Não sei se tiveram ocasião de reparar o pénis do vosso filho tem a ponta bifurcada como uma língua de cobra. Com o tempo e aumento do tamanho talvez se possa unir mas a ciência atribui este fenómeno raro a uma crença terrível: a de que quem tem esta deformidade foi possuído pelo diabo, neste caso como se fosse uma língua de serpente!

Os Novais saíram da consulta desolados e a Susana ouviu-a das boas do Fábio por ter ido àquele disparate da Igreja da Conceição sentar-se e pedir para ter um filho.

O Rafael, foi, porém, crescendo e tornou-se num rapaz normal, bom estudante e cumpridor e tendo acabado o curso de bailarino, manifestou o desejo aos Pais de se dedicar à profissão de strip teaser num bar de Lisboa.

Tinha muito sucesso junto das mulheres e era conhecido pelo “dupla pila” no meio artístico pois engatava duas mulheres ao mesmo tempo.

O Fábio e a Susana acabaram por aceitar os factos e ainda hoje se envaidecem pelos dotes do Rafael.

Vão aliás no dia dos anos do Fábio pôr um ramo de flores piedosamente junto à pedra parideira na Igreja da Conceição Velha.

As melhores citações para mim de Oscar Wilde


Cá vão algumas das splendorous máximas de Oscar Wilde que eu mais admiro:

-The truth is rarely pure and never simple.

- You can never be overdressed or overeducated.

- You don't love someone for their looks, or their clothes, or for their fancy car, but because they sing a song only you can hear.

- Yes: I am a dreamer. For a dreamer is one who can only find his way by moonlight, and his punishment is that he sees the dawn before the rest of the world.

- Never love anyone who treats you like you're ordinary.

- You will always be fond of me. I represent to you all the sins you never had the courage to commit.

- Death must be so beautiful. To lie in the soft brown earth, with the grasses waving above one's head, and listen to silence. To have no yesterday, and no tomorrow. To forget time, to forgive life, to be at peace.

- Some cause happiness wherever they go; others whenever they go.

- It is absurd to divide people into good and bad. People are either charming or tedious.

- To love oneself is the beginning of a lifelong romance.

and finally one of the best:

- Crying is for plain women. Pretty women go shopping.

Descarada


- Creio estar enganada, minha senhora - disse Artur com uma voz cortês.
- Mas não é a pessoa que me segue desde há anos, mal eu saio de casa até que volto? - perguntou Silvéria que servia a dias em casa do dr. Oliveira.
- Eu não sou nem magala nem polícia e estou por coincidência por aqui, nunca a encontrei antes. - respondeu Artur.
- Pois olhe é pena pois gostei do seu andar e as pisadas soavam exactamente às do homem que me seguia. Finalmente ia conhecê-lo.
- Se lhe posso fazer uma pergunta, nunca teve curiosidade de se voltar para trás e olhar de frente o seu seguidor?
- Se eu tivesse cara talvez o pudesse fazer, mas como vê sou uma descarada!

E Silvéria seguiu pelo passeio fora com um saco de plástico branco cheio de beringelas para o almoço.

In "prosas bárbaras" de Vicente Mais ou Menos de Souza

Luisa e Amália lesbianas do final do século XIX


Luísa prometeu a Amália que a amaria por toda a vida. Veio uma crise de ciúmes e de desentendimento e os sarilhos começaram. Silêncios prolongados. Horas desencontradas. Camas separadas. Discussões violentas e um desassossego interior permanente e intolerável.
A separação aproximava-se a passos largos. Eis senão quando, de surpresa, a mãe de Luísa faz-lhes uma visita e põe as coisas em pratos limpos. Infantis e mimadas não entendem que o amor é construído a cada dia, com luzes e sombras e que a discórdia cria a separação e que se não houver tolerância e paciência voltará a acontecer com outras parceiras.
E sossegam e mantém-se juntas e a tranquilidade volta à Rua dos Remolares…
Perdida, diria o pai de Luísa que não aceitava a homossexualidade da filha.


(extracto das memórias de duas lesbianas dos finais do século XIX encontradas em casa da herdeira do Paço da Contenda, em Sobral de Cima, na Beira Baixa)

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

DETESTO PESSOAS FALSAS


DETESTO PESSOAS FALSAS

Toda a vida houve inveja e maledicência e como se costuma dizer têm-se as costas largas para aguentar as críticas.

Agora com mais uns anos, estou-me a tornar vingativo e mau, não fora eu Escorpião, e apetece-me pancada....ahahah ou mesmo o que ilustro acima...ahahah

Pancada só a alguns, pois acima de um certo ranking, é mais eficaz usar a inteligência. Recrutei no LinkedIn um especialista em estratégia de contra-ataque, de nacionalidade russa, e perito em desfazer a vida política, social e pessoal do alvo a atacar.

Para além de lições em russo, tenho aprendido muito. Vou agora suspender durante a quadra natalícia, devido à solenidade da época, mas no princípio do ano, começar-se-ão a ver os efeitos em algumas pessoas específicas e eventualmente importantes.

Não chego ao alcance do Trump nem do Kimzinho nem do rapaz do Yémen, mas de nomeada em Portugal.

Naturalmente que adquiri um colete anti-bala, confissão dos meus pecados a cada semana e corrupção junto de alguns meios de comunicação, como os CTT e entregadores em mão...

MERDA DE BUROCRACIA NO SEF


MERDA DE BUROCRACIA NO SEF

Hoje tive no meu Consulado um meu cidadão africano, que tem trabalho, reside efectivamente em Portugal, é um rapaz novo de 29 anos e fez o pedido da emissão do cartão de residência ao SEF em Janeiro de 2015 tendo que passar por uma convocação pessoal junto dos serviços que NUNCA foi feita até agora.
Telefonei indignado para um número do SEF a que só os diplomatas têm acesso e a menina a quem eu disse que se está horas para se ligar para o número de atendimento que o SEF publicita na sua página oficial, respondeu-me que tinha ido consultar o processo e que estava tudo normal, mas que tinha que esperar!
Como esperar, disse eu irritado e indignado, é lá possível estar há 2 anos à espera para uma convocatória para uma reunião?
Estas merdas é que me irritam neste país que para umas coisas lá vai brilhando, Ronaldo, Centeno, Guterres goste-se ou não dos personagens e até Durão Barroso e depois espalhamo-nos nesta lama...
Vou escrever para o e-mail do PM que aparece no portal do Governo e mesmo que seja o Chefe de Gabinete que recebe, já no passado resultou sobre um outro assunto o envio da minha correspondência.

FACEBOOK QUE FUTURO?


FACEBOOK QUE FUTURO?

Tenho pena que o facebook se vá desvirtuando do seu objectivo que era o de criar um universo de diálogo entre as pessoas, habituando-as a escrever e a pronunciarem-se sobre assuntos que merecessem ser discutidos. Não interessa a vida privada de cada um, nem a cuscovilhice, nem radicalismos.
Havia um conjunto de intervenientes que aportavam saber e ideias e as conversas eram inteligentes e construtivas.
Não sei de quem é a culpa directa, mas seguramente a natureza humana, mesquinha e soez logo destrói em vez de construir e julga e culpa antes de ouvir.
Caminhamos para o desenlace de novos extremismos e radicalismos pelo mundo fora, porque há este desinteresse de a maioria participar na escolha de quem os governa.
Nada disto evitará nova Intifada, aliás já anunciada e iniciada, novas bombas e quiçá uma ou mais guerras.
O tal "buraco negro" hoje descoberto em que cabem cerca de 800 milhões de sóis, deve ter os seus habitantes a sorrir, aliás com uma beleza metálica, de como os terráqueos dão cabo de tudo.

Inteligência artificial


Tenho progredido muito na inteligência artificial numas lições que dou com duas robots: a Sofia e a Imelda. Têm em consideração a minha superioridade humana mas irrita-me quando começam a falar entre elas numa linguagem que não entendo! Já lhes disse que é má criação. Disfarçadamente dei dois beliscões no rabo de cada uma, naturalmente desapertando-lhes dois parafusos que causam dores de cabeça. Sempre é bom irmos sabendo uns truques.
A Sofia às tantas perguntou-me o que era um beijo à francesa e eu exemplifiquei, mas soube-me a metal oleado....está visto que já desde Afonso X o Sábio tem vindo a esmorecer o amor e já dele não se morre...que pena.A Sofia ficou indiferente ao meu beijo calliente e tive que desapertar novo parafuso para ela começar a exagerar e a dizer disparates...ahahahah

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Não somos insubstituíveis


A propósito da morte destas diversas personagens que foram morrendo e que fui conhecendo ao longo da vida profissional e pessoal (Amorim, Belmiro, Mário Soares, Jean d'Ormesson, o General de Milosevic no meu trabalho prisional em Monsanto incluindo outros reclusos de peso e tantos outros incluindo Khadaffi e alguns chefes de Estado africanos, entre eles o Presidente José Eduardo dos Santos) deixaram-me no momento a sensação de que foram bons no que fizeram, outros discutíveis e de quem discordei ou discordava, mas nunca me recusei por qualquer razão política ou de ética de encontrar fosse quem fosse.

A minha curiosidade pelo ser humano, é mais forte do que preconceitos radicais, até porque "não se pega"!

A minha liberdade e o direito de julgar, a que não atribuo grande importância, foram sempre preservadas e como no caso da maioria das pessoas acima indicadas foi por razões profissionais que os encontrei, só aguçaram o meu interesse em aprender e habituar-me a tratar de assuntos objectivos, claros e directos que mereciam sim ou não da parte deles, ainda que valorizado pela minha capacidade de negociação.

Chegado o momento da morte, como tantas vezes o tenho referido, fica para quem deles mais gostou a sensação difusa da saudade e da presença que se vai esbatendo a cada dia, para os outros um generoso olvídio que pode durar dias.

Por isso cada vez vou lendo mais sobre o "au-delà" ou seja o que pessoas inteligentes e estudiosas vão reunindo em livros sobre uma eventual outra vida. Nada por ter medo de vir algum "pagador de promessas" pedir-me contas do que fiz ou omiti. Está feito. Não me exime de ser cuidadoso e atento ao que faço mas por razões de aperfeiçoamento pessoal e não de temor de labaredas.

Será sempre grato comparar, observar e até eventualmente pôr em prática alguns ensinamentos ou ideias de quem já morreu e se notabilizou por obra feita.

Mas já pensaram na vertigem do tempo que passa? O filho de Belmiro e os descendentes de Amorim sabem o que fazem e melhor ou pior são eles que cá estão. Seria parar no tempo querer voltar atrás.
Fianalizo dizendo-vos que nada mais prosaico do que nos prepararmos para a ideia que não somos insubstituíveis ( há muito que o sabemos) mas não tanto na glória ou na desgraça mas mais ainda na PRESENÇA real neste mundo, no dia em que fecharmos os olhos.

MORREU JEAN d'ORMESSON

MORREU JEAN d'ORMESSON

Morreu Jean d'Ormesson. Como tanto escreveu sobre o tema da morte nos últimos livros, vai ter a resposta às suas dúvidas e ao mesmo tempo esperanças, do seu encontro com Deus.

Tudo o que li dele, gostei. Uns livros mais do que outros, mas reflectiam o ser inquieto que ele era.

Um dia apresentaram-mo no Clube Jockey, em Paris, e como eu estava lá hospedado, a seguir ao almoço tive tempo para lhe fazer companhia e estivémos à conversa até à hora do chá.

Conversa muito interessante em que, naturalmente, ouvia mais eu do que intervinha. Num dado momento, disse-me que era um conversador impossível pois não deixava os outros falar e perguntou-me uma série de coisas sobre a História de Portugal, a política, os costumes, e a literatura. Ouviu-me com atenção e delicadeza e fez comentários muito pertinentes, pois naturalmente era conhecedor e já tinha estado em Portugal. Isto foi por volta de 1989.

No dia seguinte encontrámo-nos de novo ao almoço e trazia um livro dos dele com uma dedicatória para mim que rezava assim:

Pour Manuel, un jeune portugais que j'ai rencontré au Jockey Club, qui a eu une patience infinie pour m'entendre pendant un bon moment. En retour, nous avons échangé des idées très intéressantes sur plusieurs sujets et je suis sûr que nous deviendrons amis. Je serai ravi de vous revoir bientôt au Portugal.
J.d'Ormesson

Voltei a encontrá-lo mais umas duas vezes em casa de amigos comuns.

Muito será dito sobre as luzes e sombras mas para além de ter lido o seu livro "Au plaisir de Dieu" várias vezes, comprei a série formidável sobre este livro.

Ficou-me sempre na memória este motto: "Au plaisir de Dieu"

É ao mesmo tempo humilde, disponível mas GRANDE.

O nome duplo


Fui à CUF Descobertas a uma consulta de dermatologia normal. À saída e ao meter-me no meu carro que tem um CC deribado a ser Cônsul, e por acaso tendo eu lavado na véspera, os pombos gostando de Mercedes navy blue, e tinham largado caca no capot, chega um cagão de chauffeur que sai para lhe abrir a porta de trás e ao olhar para mim e carro, diz em voz alta para o chauffeur:

-Vê se sabes quem é este gajo!

Depois de se afastar do carro eu dirigi -me ao chauffeur e disse-lhe:

- Mande um abraço apertado para o seu patrão. Diga-lhe que é da parte do Luís Paixão. (meu nome encoberto que uso nestes casos)

O PENINHA ANDA DESORIENTADO


O PENINHA ANDA DESORIENTADO

O Peninha ficou triste com o seu adorado Presidente Marcelo por ter tido palavras de menos congratulações para com a nomeação do Ministro Centeno.

Ele vibra a cada momento em que Portugal sai prestigiado internacionalmente e até comentou com a Adélinha : - olha que acho que o Presidente está com ciúmes!

É claro que Peninha tem uma forte admiração pelo Ronaldo e pelo papel de “embaixador” que desempenha na difusão do bom nome de Portugal.

Gosta da rapariga que ficou prenha dele, a Rita Soledade de Lima e Peres, e que já deu à luz a filha a quem escolheu um nome aristocrático: Mafalda do Sagrado Coração de Jesus de Aveiro. Foi uma indirecta para dar alguma importância ao trabalho da mãe Aveiro. Percebe-se.

Bem, mas voltando ao Peninha, tem andado a embirrar muito com a Adélinha. Ou é porque é contra a eutanásia, ou porque diz mal do PS, BE e PCP e até se atreve a desdenhar o PM Costa. Enfim, segundo ele, está uma fascista.

Adélia responde que nos tempos de Salazar é que era bom, pena é não haver uma ditadura, mesmo que fosse militar, que os comunas deviam ser aniquilados, etc..

Peninha não lhe contara que tinha sido iniciado numa loja maçónica de nome “ Lenine” pertencendo à ala mais progressista e de esquerda do GOL (Grande Oriente Lusitano) e que até tinha levado um avental da cozinha da Zara Home, de que Adélinha dera falta mas o assunto tinha morrido ali.

Na Loja "Lenine" tudo puxava à esquerda radical, colectivista e Peninha quando ouvia estes comentários da Adélinha estremecia de terror pois tinha medo de assim nunca chegar ao grau 35 que era o mais elevado na organização.

Começava a gostar do Costa, do Medina, do Louçã e da gente da esquerda e das feministas, dos vanguardistas e andava de preto todo o tempo.

Tivera que inventar uma desculpa de que tinha morrido alguém muito amigo no trabalho e que era um sinal de respeito.

Peninha começou a engendrar como se haveria de ver livre da Adélinha. Tinha três opções:

- ou matá-la como hoje em dia é vulgar e arranjar depois uma desculpa;
- sair de casa mas ela ia fazer-lhe falta com os petiscos que lhe fazia…ai aquele franguinho de fricassé, as mãozinhas de vitela, a língua estufada…
- arranjar uma gaja e força-la a divorciar-se.

A terceira opção era a mais simples e prazenteira, pois as carnes da Adélinha já estavam flácidas e para ele o sexo em casa era um suplício.

Quando na sessão da loja “Lenine” perguntassem se alguém precisava de ajuda ele poria o assunto em cima da mesa. Talvez uma maçona, mas não matreirona.

Adélia andava com uma má suspeita pois o Peninha saía para as sessões da loja uma vez por semana e não vinha jantar. Aonde andaria ele?

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Gosto sempre de voltar a esta história, interessante para quem não conhece.

Gosto sempre de voltar a esta história, interessante para quem não conhece. Em 2011, com 87 anos, morreu Danielle, a viúva de François Mitterand. Era uma mulher invulgar. Em 96, no enterro do marido, esteve lado a lado com Anne Pingeot, amante do Presidente - passe a expressão - e abraçou publicamente Mazarine Pingeot, filha secreta dessa ligação, que conheceu nesse dia. Foi duramente criticada pelo comportamento indigno de uma primeira-dama e, como resposta, endereçou uma carta ao povo francês que, por si só, vale uma biblioteca. E que lembra, também, que a classe não é exactamente um par de sapatos italianos. Só encontrei tradução em português do Brasil:

“Antes de mais nada, devo deixar claro que não é um pedido de desculpas. Muito menos um enunciado de justificativas vãs, comum aos covardes ou àqueles que vivem preocupados em excesso com a opinião dos outros. Aos 71 anos, vivendo a hora do balanço de uma existência que é um sulco bem traçado e profundo, já não mais preciso, e nem devo, correr atrás de possíveis enganos. Vivo o momento em que as sombras já esclarecem e que as ausências são lindas expressões de perenidade e criação. Sombras e ausências podem ser tudo, ao passo que luzes e presenças confundem os mais precipitados, os mais jovens.

Vivi com François 51 anos; estive com ele em muito desse tempo e me coloquei sempre. Há mulheres que não se colocam, embora estejam; que não se situam, embora componham o cenário da situação presumível. Uma vida de altos e baixos. Quando se vive assim em comum, cria-se uma solda e a consciência de que é preciso viver depressa. Concentrar talvez seja a palavra. Por isso tentei entendê-lo, relacionar-me com sua complexidade, com as variações de sua pessoa e não do seu caráter... Quem entende ou, pelo menos luta para compreender as variações do outro, o ama realmente. E nunca poderá dizer que foi enganada ou que jamais enganou. Não nos enganamos, nos confundimos quando nos perdemos da identidade vital do parceiro, familiar ou irmão. Ou jamais os conhecemos. Quem não conhece, não tem enganos. Nas variações do outro, não cabe o apaziguador que destrói tudo antes do tempo em forma de tranquilidade.

Uma relação a dois não deve ser apaziguada, mas vibrante, apaixonada, e não enfastiada. Nessa complexidade vi que meu marido era tão meu amante quanto da política. Vi, também, que como um homem sensível poderia se enamorar, se encantar com outras pessoas, sem deixar de me amar. Achar que somos feitos para um único e fiel amor é hipocrisia, conformismo. É preciso admitir docemente que um ser humano é capaz de amar apaixonadamente alguém e depois, com o passar dos anos, amar de forma diferente. Não somos o centro amorável do mundo do outro.

É preciso aceitar, também, outros amores que passam a fazer parte desse amor como mais uma gota d´água que se incorpora ao nosso lado. Aceitei a filha de meu marido e hoje recebo mensagens do mundo inteiro de filhos angustiados que me dizem “Obrigado por ter aberto um caminho. Meu pai vai morrer, mas eu não poderia ir ao enterro porque a mulher dele não aceitava”. É preciso viver sem mesquinhez, sem um sentido pequeno, lamacento, comum aos moralistas, aos caluniadores e aos paranóicos azedos que teimam em sujar tudo. Espero que as pessoas sejam generosas e amplas para compreender e amar seus parceiros em suas dúvidas, fragilidades, divisões e pequenas paixões. Isso é amar por inteiro e ter confiança em si mesmo.”

(Na foto, da esquerda para a direita: Danielle, de cachecol branco, e o filho, Jean-Christophe, Mazarinne e Anne, esta última de chapéu, um pouco atrás)

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Comboios


" Os comboios sempre me fizeram sonhar. Os comboios? Quase tudo me faz sonhar, que esquisito. Ás vezes parece-me que sou uma nuvem com raízes, sempre a partir e a ficar. Não abandono os sítios de que fui embora, coloquei a alma, escondida, sob cada objecto."

António Lobo Antunes

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

as relações sentimentais


As relações não são necessariamente falhadas, nós é que as falhamos. E depois os outros têm inveja do amor. (...) Não são nada solidários connosco quando somos felizes. As pessoas têm imensa inveja da felicidade dos outros.


António Lobo Antunes

sábado, 11 de novembro de 2017

HISTÓRIA VAGAMENTE ERÓTICA




HISTÓRIA VAGAMENTE ERÓTICA

Era uma vez…hoje apeteceu-me contar uma história curta de pessoas. Encontraram-se, foi amor à primeira vista. Gostas de gelado de cebola? Que horror quando dermos um beijo ficas com o cheiro. Então uma fumaça de charuto? Também não. Como será então? Agarramo-nos bem apertadinhos, e sentindo-nos até ao âmago e depois beijamo-nos. Saem línguas de víboras uma verde outra preta que se enrolam e lutam por ganhar a que dê maior prazer. Entretanto os dedos manipulam os corpos e deles saem faíscas que penetram na pele de cada um, fazendo estremecer de gozo. Sobre os corpos surge uma língua de fogo que diz: amem-se porra e deixem os telemóveis. FIM

In “histórias vagamente eróticas” de Vicente Mais ou Menos de Souza