quarta-feira, 25 de setembro de 2013

carro de praça

Tomei um carro de praça com um motorista tagarela e a meio do blá, blá, blá...conta-me que foi no Domingo ao Algarve de camioneta e que é de lá...e que no percurso passou em Odemira " terra da minha falecida mãe"......ahahaahahaah

Aí achei a maior das graças, pois os tugas são de detalhes subservientes: fulano, que faz o favor de ser meu amigo...

Pensei em vários meus amigos descendentes de grandes figuras nacionais, nomeadamente do Primeiro-Ministro de D.José e ri-me interiormente se o Sebastião dissesse num táxi: Olhe se faz favor passe pelo Marquês de Pombal, aonde está a estátua do meu falecido 5º avô...ahaahaha

terça-feira, 24 de setembro de 2013

domingo, 22 de setembro de 2013

Shanghai English - Chinese hotel brochure .......

Shanghai English - Chinese hotel brochure .......

A friend went to Shanghai recently and was given this brochure by the hotel.

It is precious. She is keeping it and reading it whenever she feels depressed.

Obviously, it has been translated directly, word for word from Mandarin to English……….

Getting There: Our representative will make you wait at the airport. The bus to the hotel runs along the lake shore. Soon you will feel pleasure in passing water. You will know that you are getting near the hotel, because you will go round the bend. The manager will await you in the entrance hall. He always tries to have intercourse with all new guests.

The Hotel: This is a family hotel, so children are very welcome. We of course are always pleased to accept adultery. Highly skilled nurses are available in the evenings to put down your children. Guests are invited to conjugate in the bar and expose themselves to others. But please note that ladies are not allowed to have babies in the bar. We organize social games, so no guest is ever left alone to play with them self.

The Restaurant: Our menus have been carefully chosen to be ordinary and unexciting. At dinner, our quartet will circulate from table to table, and fiddle with you.

Your Room: Every room has excellent facilities for your private parts. In winter, every room is on heat. Each room has a balcony offering views of outstanding obscenity! You will not be disturbed by traffic noise, since the road between the hotel and the lake is used only by pederasts.

Bed: Your bed has been made in accordance with local tradition. If you have any other ideas please ring for the chambermaid. Please take advantage of her. She will be very pleased to squash your shirts, blouses and underwear. If asked, she will also squeeze your trousers.

Above all: When you leave us at the end of your holiday, you will have no hope. You will struggle to forget it."

Fui ao rio ver a corrente forte a deslizar entre as margens

Fui ao rio ver a corrente forte a deslizar entre as margens.
Estavam gaivotas na água.
Mau sinal: agoirenta indicação de tragédia iminente
De amor, de desprezo ou de pobreza.
Inclino-me mais para a última.
O poder é vão quando não resolve as carências
Palavras ocas leva-as o vento.
Vento que sopra dentro de nós
Sol perturbado pelas nuvens da descrença
Vi sangue imaginário na água limpa
Sangue de protesto, de vidas entregues por causas justas
Vi mudanças, fruto de revolução.
Será que estava no rio do meu país?

in " poesias perdidas" de Vicente Mais ou Menos de Souza.

sábado, 21 de setembro de 2013

Eu, eu mesmo...

Eu, eu mesmo...
Eu, cheio de todos os cansaços
Quantos o mundo pode dar. –
Eu...
Afinal tudo, porque tudo é eu,
E até as estrelas, ao que parece,
Me saíram da algibeira para deslumbrar crianças...
Que crianças não sei...
Eu...
Imperfeito? Incógnito? Divino?
Não sei...
Eu...
Tive um passado? Sem dúvida...
Tenho um presente? Sem dúvida...
Terei um futuro? Sem dúvida...
A vida que pare de aqui a pouco...
Mas eu, eu...
Eu sou eu,
Eu fico eu,
Eu...

Fernando Pessoa

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Este “grano salis” de fantasia, não vos incomoda, pois não?

Escreveu-me um amigo mais novo, que conheci nos meus tempos de política em Sintra, atento e desvelado leitor dos meus escritos a perguntar-me se eu tinha diminuído o meu ritmo de produção literária.

Respondi-lhe que era verdade e que tal facto se devia a muito trabalho, a umas quantas viagens, ao Verão, e a um progressivo cansaço de toda esta rotina de vida diária num país em que as “boas notícias” anunciadas são-no, quiçá, para apenas alguns pois o país ardeu de Norte a Sul, novas penalizações se aproximam sobre as já magras pensões e no bolso do português normal, nada se sente.

Por isso o desemprego real, aquele que se revela para jovens e adultos no bater em vão à porta de empresas e enviar curricula e nem sequer uma linha ter de resposta, não pode apelidar-se de melhoria nas vidas das gentes e portanto trata-se de mais fantasias, de que os políticos se precisam de alimentar.

Mas basta de queixas, pois também vários outros leitores me assinalaram que no meu blogue tenho postado lindíssimos, mas tristíssimos textos, frases, poemas, citações de grandes escritores e nada de divertido ou contos ou quejando.

Devo confessar que vários amigos meus e parentes, ainda novos, ou estão com doenças graves ou inclusivamente morreram. 

Que ave de mau agoiro me tornei! Prometo que vou repensar entrar numa nova fase de alegria estonteante e falsa, aonde chilrearão passarinhos e se ouvirão melodias harmoniosas….

Vou escrever ao meu primo Luís Bernardo. Quero-lhe contar do Papa Francisco e de como cada vez mais é um encorajamento para a minha fé. Tem dito tanto e tão importante e a imprensa em Portugal não lhe dá guarida ou pouco e publica imbecilidades através de notícias ou más ou falsas ou pior ainda, fúteis.

Mesmo a Igreja, como um todo, parece-me como que ciumenta que um Papa de repente ponha tudo a mexer com doçura, mas com firmeza, sem hesitar e com uma coragem admirável.

Temos que rezar para que nada lhe aconteça, pois está a tocar em muitos interesses instalados, dentro e fora da Igreja, e há bandidos e homens maus e vingativos.

Precisamos do Papa Francisco ainda durante mais alguns anos enquanto se sente com forças. O trabalho está “à peine” começado.

Vou ser cusco e fazer perguntas ao Luís Bernardo, sobre o que se fala lá em cima, as últimas novidades e também saber dos meus de quem tenho tantas saudades. No meu blogue, dentro de dias escrever-lhe-ei uma longa missiva.

Portanto já vêm que voltei ao meu estilo de dizer o que penso com a alegria de me sentir ser livre e o poder escrever sem atropelos, ao menos isso , se mantenha no nosso País.

Este “grano salis” de fantasia, não vos incomoda, pois não?

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Il n’est pas nécessaire de le dire aux enfants

Telle est la vie des hommes. Quelques joies, très vite effacées par d’inoubliables chagrins. Il n’est pas nécessaire de le dire aux enfants.

Marcel Pagnol

domingo, 8 de setembro de 2013

dar palpites sobre todas as coisas.

Pensei vagamente em estudar arquitetura, como todo o mundo. Acabaria como todos os que eu conheço que estudaram arquitetura, fazendo outra coisa. 

Poupei-me daquela outra coisa, mesmo que não me tenha formado em nada e acabado fazendo esta estranha outra coisa, que é dar palpites sobre todas as coisas.

Luis Fernando Veríssimo

Eu sei que o meu desespero não interessa a ninguém

Eu sei que o meu desespero não interessa a ninguém.
Cada um tem o seu, pessoal e intransmissível:
com ele se entretém
e se julga intangível.

Eu sei que a Humanidade é mais gente do que eu,
sei que o Mundo é maior do que o bairro onde habito,
que o respirar de um só, mesmo que seja o meu,
não pesa num total que tende para infinito.

Eu sei que as dimensões impiedosas da Vida
ignoram todo o homem, dissolvem-no, e, contudo,
nesta insignificância, gratuita e desvalida,
Universo sou eu, com nebulosas e tudo.

António Gedeão

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

se ao menos esta dor servisse

se ao menos esta dor servisse
se ela batesse nas paredes
abrisse portas
falasse
se ela cantasse e despenteasse os cabelos
se ao menos esta dor visse
se ela saltasse fora da garganta
como um grito
caísse da janela fizesse barulho
morresse
se a dor fosse um pedaço de pão duro
que a gente pudesse engolir com força
depois cuspir saliva fora
sujar a saliva fora
sujar a rua os carros o espaço o outro
esse outro escuro que passa indiferente
e que não sofre e tem o direito de não sofrer
se a dor fosse só a carne do dedo
que se esfrega na parede de pedra
para doer visível
doer penalizante
doer com lágrimas
se ao menos essa dor sangrasse…

Renata Palottini