quarta-feira, 16 de agosto de 2017

O PENINHA VAI PASSAR 10 DIAS AOS AÇORES


O PENINHA VAI PASSAR 10 DIAS AOS AÇORES

O Peninha e a Adélinha vão passar uns dias aos Açores a casa de uns amigos do Inatel local.

Ao fazer a mala a Adélinha, sem a menor noção de como é Ponta Delgada leva brocados, sedas, veludos e jóias falsas compradas no chinês e até espartilhos. Sapatos de verniz com saltos altos, vestidos compridos com decotes generosos mas coitada, serve-lhe de pouco pois como cantava Luiz Vaz, “o alvo peito branqueando” já está na cintura…bem compra soutiens alçados nas lojas dos paqui, mas com o peso ficam os seios espetados mas no rés-do-chão…ahhaha

O Peninha, leu umas coisas no Correio da Manhã e sabe que há romarias e festas de Verão nas povoações e lembrou-se de ir à campino de camisa branca, colete encarnado, uma faixa vermelha que usa na cintura, calça azul, meias brancas até ao joelho, sapato preto com esporas, uma jaqueta que coloca sobre o ombro esquerdo e por último o seu bastão (pampilho) que comprou no Ribatejo.

Para o caso de haver assim uma festa mais formal e dado que assistia à Adélinha, que nem uma doida, a encher a mala de viagem com roupa como se fosse cantar a S.Carlos, empacotou o smoking com um laço garrido e uma camisa de folhos.

Vão na AIR BERLIM, num voo muito barato às duas da manhã pois essa é a hora dos voos low-cost, e por isso foram deitar-se cedo.

Prometeu contar as aventuras.

Bon voyage casal Peninha!

Instantâneos

Instantâneos:

Vou de carro para o Chiado, não me apetece ir de metro. Algum trânsito junto à Misericórdia. Dois polícias barrigudos e velhos assistem impávidos à bagunça. Como é possível a esta hora camiões de descarga de mercadorias impedirem o trânsito? A autoridade não controla, não mexe um palmo a barriga. Apetece-me sair do carro, dirigir-me aos polícias e apresentar-me: fulano, tenente de cavalaria na disponibilidade e depois esbofeteá-los com as luvas até me cansar!!! Sigo para o parque do Camões e vejo na placa de peões em frente ao Loreto para atravessarem a rua, magotes de estrangeiros. Impressionante! Será que merecemos este boom?

Depois em frente do Paris em Lisboa impedindo a passagem, um guia espanhol rufia, rodeado de uns 60 castelhanos devia dizer coisas chistosas pois riam-se que nem uns alarves! Não é em vão que um meu Avô, Dom Thomaz de Noronha, Conde dos Arcos, foi um dos Conjurados de 1640! E mais outros Noronhas e Távoras! Ainda desembainhei a espada mas dou de caras com o mesmo cenário em frente dos Mártires. Mudei de táctica e pensei num petardo Molotoff!

Entrei exausto com tantas emoções na Bertrand e sentei-me ao fresquinho. Entram umas francesas rascas com um guia de Lisboa na mão e perguntam ao empregado: - quantos metros são da entrada até ao fundo da loja?

A empregada ficou confusa.
Pus -me de pé e apresentei- me:
- Luis Paixão (meu nome incógnito) e em um perfeito francês de Versalhes, respondi: - a distância é de 1,5Km. Olharam para mim com surpresa e acrescentaram: - como sabe?
- não sei, inventei!
- porquê?
- porque a uma pergunta idiota, a resposta é estúpida.
E inclinando-me saí.

O que me espera ainda até à FNAC?

sábado, 5 de agosto de 2017

O PENINHA VAI DE FÉRIAS PARA AS TERMAS


O PENINHA VAI DE FÉRIAS PARA AS TERMAS

Finalmente o Peninha dispôs de tempo para ir de férias. Anda muito maçado, com mau feitio, embirra por tudo e por nada e Adélia, já não o atura mais.

O Peninha tem direito a beneficiar dos privilégios dos sócios do Inatel, pois um tio dele, irmão da mãe, o tio Ramón sendo cigano, acampou durante muitos anos junto aos muros de uma quinta de lazer do Inatel. Sendo boa pessoa e cordato, foi acarinhado desde miúdo pelo sr. Jacinto e a d.Pulcheria, vigilantes da propriedade. Educaram-no muito bem e tornou-se o Ramón num garboso mocetão que se engraçou da Maria Engrácia, filha do casal. Não tiveram filhos e deixaram tudo ao sobrinho, o Peninha, incluindo a inscrição perpétua no Inatel.

Assim sendo, todos os anos o Peninha e a Adélinha aproveitam de excursões baratas e passam uns dias de férias com outros sócios em grande confraternização.

Pois este ano escolheram um plano de férias duplo: uma cura de uma semana nas termas dos Cucos e a segunda semana na praia de Mira.

O Peninha, pela mãe, tinha sangue cigano e Dulce marcara nele as cores e o garbo de uma gitana salerosa que tendo vindo de Toledo para Portugal, tornou-se uma cantadeira de renome. Era conhecida como a Dulcineia, só não era de Toboso como a do don Quijote, pois a mãe era de carne e osso e muito bem provida.

Quando foi esta discussão toda sobre algum racismo étnico contra os ciganos por parte de um candidato autárquico, Peninha enervou-se e chegou a ameaçar partir-lhe os cornos, nas suas palavras. Mas tudo acalmou e ele bem merece descansar.

Ao preparar a mala pensou ao detalhe que roupa levaria para os dois tão diferentes sítios de vilegiatura e dividiu em dois o espaço, a saber.

Termas dos Cucos:

- roupa branca, calças e colete e um casaco de alpaca fina para pôr de manhã, depois dos tratamentos. No fundo era beber auguinha pura da nascente para as doenças venéreas de que ele não padecia, mas ficava bem dizer que tinha estado a águas. Um chapéu de palhinha clara com uma fita em seda azul escura dava o contraste. Procurou na sapataria Oliveira, ao Chiado, comprar uns sapatos adequados mas já não se fazem daqueles de duas cores: beijes como se fosse palhinha em cima e carneira à volta.
Levava lenços, um frasco de lavanda Ach.de Brito e comprara uma caixa de charutos da marca da Fábrica Micaelense para fumar a seguir ao jantar no terraço, ao fresco, sentado numa cadeira cómoda de palhinha.

Praia de Mira:

- vira umas tangas/sungas de Tarzan em saldo na loja de roupa dos chineses e comprou umas quatro de várias cores aleopardadas e achou que seria um sucesso. Levava umas camisas de manga curta, de marca Tony Carreiro, e nos pés umas xanatas brasileiras.

Para se entreter em leituras, pensou em várias alternativas que adquiriu na livraria local, aconselhado pelo sr. Medeiros que mandava vir livros ao desbarato sem fazer escolha e tinha-os para ali, sem esperança nenhuma de ter compradores. Fazia descontos ao Peninha para se ver livre deles.

Ora então, para a Adélínha não maçar e estar calada absorvida na leitura:

- série completa de 2016 da revista Maria;
- As Pupilas do Senhor Reitor;
e para um género religioso, a Vida e Obra de São Vicente de Paula, um calhamaço volumoso que daria ainda para as férias dos dois anos a seguir.

Para o Peninha:

- de carácter sexual: encontrou num alfarrabista uns 6 números da Gaiola Dourada do Vilhena. Histórias sórdidas, picantes, muito bem desenhadas…rijo a valer. Pensara fazer esta leitura ao fim do dia.
- alguém lhe tinha sugerido como leitura de informação económica, os Pensamentos de Adam Smith. Parece que era nele que o Governo se inspirava, nomeadamente o Ministro das Finanças. Sempre daria sainete nas termas a seguir ao almoço, adormecer com este livro nos joelhos e os passantes lerem de soslaio o nome do autor. Chic a valer…
- Finalmente assim para mais divertido na praia debaixo do toldo do Inatel, o Tio Patinhas em vários números.

Tudo arrumado, pronto para a partida de autocarro com os companheiros de férias, pensou consoladinho para si mesmo:

- Isto de férias divertidas, só no INATEL. E talvez em Mira, na praia ainda encontre algum político. Deixa-me mas é levar mais um livro de política, assim um que dê nas vistas. Hesitou entre o Mein Kampf e o Das Kapital e acabou por levar as memórias de Christine Garnier “ As minhas férias com Salazar”! Sempre seria mais equilibrado no Norte!