quarta-feira, 31 de março de 2010

O leve sopro



"Embrasse-moi, mon amour, écrase tes lévres à la commissure sur mes lévres qui apprennent à emettre le souffle chanté de la plénitude"

Le retour, par Anne Tiddis

segunda-feira, 29 de março de 2010

do not interrogate silence



Do not interrogate silence because silence is mute; do not expect anything from the gods, nor should you try to bribe them with gifts, because it is in ourselves that we must look for liberation.

Buddha, V century b. C.

O meu encontro com Pu-Jie o irmão mais novo do Imperador da China


Estava no meu gabinete da empresa chinesa em Hong Kong aonde trabalhava, no 52º andar de uma torre na Central, quando nessa manhã, ao passar os olhos pelo South China Morning Post, deparo com uma pequena notícia de fundo de página, anunciando a estadia na Colónia, de Pu-Jie, o irmão mais novo do último Imperador da China, Pu-Yi.

Tinha lido a autobiografia do Imperador Pu-Yi, largamente encorajada por Mao e Zhou Enlai para que a escrevesse, chamada “ From Emperor to Citizen” e visto inúmeras vezes o magnífico filme de Bernardo Bertolucci “The Last Emperor”.

Vivendo e trabalhando na China, não podia perder a oportunidade de tentar falar com Pu-Jie. A notícia referia que estava instalado num modesto hotel, o “Lu Kwok” em Causeway Bay, não muito longe de onde eu estava.

Pus a minha secretária chinesa a falar para o hotel na expectativa de marcar antecipadamente uma visita, mas todas as vezes que ela tentava dizer o nome dele para a telefonista passar a chamada para o quarto, a resposta era a de que não estava ninguém registado com esse nome.

É preciso fazer aqui uma pausa e explicar o que eram “essas doces criaturinhas chinesas” a que chamávamos secretárias! Falavam um inglês macarrónico, aprendido nas escolas chinesas de Hong Kong – faça-se justiça à colonização britânica a qual para além de muitos outros aspectos positivos, obrigou a maioria dos residentes chineses na colónia a aprenderem a falar, escrever e ler na língua da velha Albion, - ao contrário da administração portuguesa em Macau.

Com o sistema de memorização utilizado na educação escolar chinesa, tudo quanto fosse para além do metricamente correcto em termos de sintaxe inglesa, as secretárias só pensavam em chinês e explicar a uma jovem de 18 anos, inculta em termos de história do passado do seu país, quem era tão excitante personagem a quem eu queria falar, era mesmo tarefa impossível.

Por mais que lhe tentasse dizer que se tratava do equivalente a imperador, rei, chefe ou governador (dando como exemplo o título do Governador de Hong Kong)………nada, sobretudo porque do lado da recepcionista do hotel a ignorância era ainda maior, aliada ao total desinteresse em identificar hóspedes num albergue muito modesto, em que o salário devia, presumivelmente, ser nada motivador para este tipo de serviços extras.

Desesperado, resolvi tentar lá ir directamente na manhã seguinte, arriscando que pudesse não estar por ter saído ou não me quisesse receber, ou até, ter uma barreira de protecção oficial, sei lá o que pensei, mas nada me demoveu!

Aproveitei o resto do dia para refrescar a minha informação sobre Pu-Jie e preparar umas quantas perguntas que gostaria de lhe fazer. Foi uma busca intensa, excitante e uma noite vivida com enorme ansiedade.

Fui reler tudo quanto tinha nos meus livros e fui comprar mais uns quantos sobre a China Imperial e um dos episódios curiosos que logo respiguei nas memórias foi o de que quando o trouxeram em criança para o Palácio Imperial para ser o companheiro de jogos e de infância do seu irmão o Imperador, numa das suas aulas com o preceptor escocês R.P.Johnston, Pu-Yi arremessa um objecto contundente para cima do irmão quando reparou que num dos forros da cabaia de seda de Pu-Jie a cor predominante era o amarelo, a qual era tradicionalmente reservada exclusivamente para o Imperador. Já naquela altura e de tenra idade o seu poder e temperamento eram quase “divinos”!

Na manhã seguinte dirigi-me para o “Lu Kwok” hotel em Causeway Bay. Tinha tido o cuidado de pedir na Livraria aonde comprara na véspera vários livros sobre Pu-Jie, que me escrevessem num papel o seu nome em mandarim, o que veio a verificar-se de grande ajuda, pois na recepção do hotel e sem a menor hesitação, indicaram-me o número do quarto e o andar. Confirmei o que já tinha lido, de que desde a implantação do comunismo de Mao, Pu-Jie tinha passado a ser mais um cidadão sem nenhuma importância devida ao seu estatuto no passado.

Ainda hoje recordo a emoção que senti ao ousar ir ao encontro de um personagem, pese os acontecimentos políticos que provocaram a sua queda em desgraça, que não deixava de ser descendente de dinastias milenares que governaram o Império do Meio e irmão do último Imperador da China!

MNA

A minha entrevista a Pu Jie - I parte



Uma vez sentado numa cadeira incómoda de um quarto amplo mas desconfortável, tentava explicar a Pu Jie que era um português que estava temporariamente a trabalhar para uma empresa chinesa relevante em Hong Kong, que tinha lido as memórias do irmão e visto o filme de Bertolucci e que…tinha-se feito um silêncio embaraçante da sua parte, tal como acontecera nos anteriores 20 minutos que me levaram a convencê-lo a abrir-me a porta e a deixar-me entrar para os seus aposentos para uma pequena conversa, depois de lhe ter assegurado que não era jornalista!

Tive a sensação de que se não quebrasse o silêncio estaria fora do quarto nos minutos seguintes, pois era uma cena patética!

Resolvi perguntar-lhe sobre os seus hobbies que tinha identificado na literatura lida e pareceu-me que seria uma introdução mais aceitável e não intrusiva.

Com espanto meu, a cara abriu-se num sorriso mais franco e começou a falar num inglês decente, lento e como que rebuscando na memória os tempos das aulas com o seu preceptor britânico:

- Gosto de fazer birdwatching que para mim é a observação e o estudo dos pássaros a olho nú ou com binóculos. Faço-o através dos dois meios e a estação do ano mais apropriada é na Primavera ou no Outono durante as grandes migrações, podendo-se ver uma grande variedade de pássaros. Nestas alturas levanto-me muito cedo de manhã pois é nestes momentos que os pássaros estão mais activos e os trinados tornam mais fácil localizá-los e observá-los.

Interrompi-o para lhe pedir respeitosamente que me explicasse o que o fazia ter este fascínio pelo birdwatching:

- Tenho estudado com profundidade a provável razão de ser deste interesse em birdwatching e creio que se pode tratar de mais uma expressão do instinto caçador do ser humano ao tentar observar a sua presa bem como a de revelar uma tendência do macho para a sistematização, pois havendo uma maioria significativa de homens em detrimento de mulheres, para estas é mais um exercício intelectual e de desafio do que partilha de informação – explicou.

- Faço-o por uma questão de ocupação do tempo e numa perspectiva mais estética do que utilitária (a de alimentar pássaros). É uma espécie de ciência praticada por cidadãos responsáveis que se preocupam pela protecção do bem-estar dos pássaros e na identificação de potenciais ameaças para espécies raras em risco de extinção.

Fez uma pequena pausa, olhou-me como se me visse pela primeira vez e disse:

- Também me dedico à caligrafia usando caracteres chineses. Este tipo de arte influenciou as pinturas a tinta-da-china e aguarela pois usam o mesmo tipo de utensílios. Curiosamente conduziu ao desenvolvimento de muitas formas de arte na China como os selos pessoais gravados, os pesa papéis ornamentados e os estilizados pilões em pedra para dissolverem a tinta sólida em líquida.

- A caligrafia é uma forma de eu expressar uma escrita correcta, concisa, harmoniosa e esteticamente agradável à vista.

- Utilizo o pincel de tinta, a tinta, o papel e o pilão para liquefazer a tinta, considerados como os “Quatro Tesouros para o Estudo”. Para além destes utensílios também uso pesa papéis ornamentados e bases para pousar o papel na minha secretária.

- Os meus pincéis de tinta são feitos de bambu (a base) e tenho alguns em sândalo vermelho ou vidro, também.

- A parte de cima dos meus pincéis é feita de penas ou cabelo de animais como o coelho, o gamo, o pato, de galinhas, mas há uma tradição curiosa na China de que ao fazer-se um pincel de tinta com o cabelo de um recém-nascido, será uma recordação única na vida para ele, quando for crescido.

Está ligada a uma lenda que narra que um investigador chinês ficou qualificado em primeiro lugar numas provas para a corte do Palácio Imperial dos meus antepassados, usando um pincel personalizado com o seu próprio cabelo de menino.

- O papel que utilizo é feito de arroz, bambu e de outros materiais. Os pesa papéis ornamentados servem-me para colocá-los no topo da página para evitar que deslizem enquanto desenho e também uso a minha mão esquerda firmada na base da folha para suporte da mão direita com que pinto. Tudo isto assenta numa base de feltro.

- O meu objectivo é o de pintar obras de arte de reputados calígrafos. Requer muitos anos de prática, a certeza de uma estrutura equilibrada em cada folha, ritmo, pinceladas com a tinta certa – e terminou este monólogo um pouco exausto, baixando os olhos para as mãos cruzadas no regaço.

Agradeci-lhe efusivamente as suas descrições e Pu Jie confiou-me que estes eram aspectos da sua vida que nesse momento lhe traziam tranquilidade e um pouco de esquecimento do passado.

(to be continued)

MNA

sábado, 27 de março de 2010

A minha entrevista a Pu Jie - II parte


(veja-se o meu anterior posting com o título "o meu encontro com Pu-Jie o irmão mais novo do Imperador da China ") bem como a parte I .

Perguntei-lhe se queria falar-me da sua infância e percurso até hoje, pois só conhecíamos a versão das memórias do irmão, Pu Yi.

- Desde muito jovem partilhei as lições de inglês com o meu irmão e assim que podíamos, fugíamos para os jardins da Cidade Proibida aonde brincávamos e fazíamos jogos, escapando ao estrito controlo e guarda dos tutores e eunucos. Aprendemos juntos a nadar, a remar e a usar trajes ingleses, tudo isto debaixo das instruções do nosso tutor britânico Johnston – disse com bonomia.

- O Imperador morreu em 1967, mas eu, um ano mais novo do que ele, vivo e trabalho em Pequim. A minha casa de 16 quartos, num hutong, tem uma porta como se fosse um arco em tijolos vermelhos e os beirados do telhado têm telhas pintadas em azul e verde. Tenho um pequeno pátio com algumas árvores não muito grandes, rodeadas por canteiros com flores. Os quartos dão para o pátio de todos os lados – acrescentou.

À entrada reparei que era pequeno de estatura, frágil – de certa maneira fazendo lembrar as fotografias do seu irmão, mas no entanto rápido e vigoroso nos movimentos.

Estava vestido com um leve “anorak”, calças azuis tipicamente chinesas e com uma espécie de chinelos. Aparentava estar mais confiante com a minha presença e com um constante e acolhedor sorriso.

- Estudei no Japão na minha mocidade e casei-me com uma japonesa, que era parente do Imperador do Japão. Tive duas filhas, ambas casadas com nobres japoneses, tendo uma delas sido assassinada, e a outra vive em Tóquio e tenho 5 netos. Trato do meu jardim e dos meus gatos – continuou.

- Tenho na minha casa, para além de móveis simples e confortáveis de bambu, alguns quadros com retratos a que dou alguma relevância pois são, uns de notáveis políticos chineses, e um especialmente que mostra um evento no topo da minha carreira – disse Pu Jie.

Perguntei-lhe se me podia dizer de quem eram e ele confessou-me que eram de Mao e de Hua, bem como de Zhou Enlai, a figura mais amada na China após a morte de Mao pela abertura e desenvolvimento que tinha prodigalizado ao povo chinês.

- Mas a fotografia de que mais me orgulho é de 1979, na 5ª Assembleia do Congresso do Povo: no meio de centenas de delegados, aparece a minha cara. O Presidente Zhou foi nosso amigo, de mim e do Imperador e a minha casa foi-me por ele atribuída, quando saí por ordem dele, da prisão em 1961- acrescentou.

Questionei-o sobre quantos anos tinham os dois passado na prisão e respondeu-me que para cima de 15 em vários estabelecimentos prisionais:

- Quando os Russos entraram na Manchúria em 1945, fomos ambos levados para paragens inóspitas e perdidas na Sibéria profunda, aonde ficámos 5 anos.

Interessei-me por saber se ele ou alguns dos membros da nobreza chinesa durante e depois das prisões, torturas e sofrimento teriam sido reprogramados pelos comunistas soviéticos.

Pu Jie riu-se e respondeu-me que os guardas das diferentes prisões não eram bons professores:

– Tinham o hábito de roubar o nosso simbólico pocket money de cada mês e apesar das condições não serem muito más, a comida razoável, o nosso pensamento manteve-se imutável. Continuámos a acreditar que era o dever da nossa vida, restaurarmos a dinastia Qing. Só quando voltámos para a China é que as autoridades prisionais foram gradualmente capazes de alterar as nossas atitudes. Em vez de nos aniquilarem e aos restantes aristocratas, os comunistas prenderam-nos e fomos ensinados a olharmo-nos como cidadãos vulgares, para podermos ser usados pela propaganda.

- Nas prisões chinesas aprendemos a ser auto-suficientes. O meu irmão Pu Yi tinha muitas dificuldades pois, como Imperador, nunca tinha mexido um dedo – não lhe era permitido vestir-se, não podia atar sequer os atilhos dos seus sapatos.

- Aprendemos também o princípio de servir o povo pelo trabalho em várias tarefas manuais. Tivemos que rever a nossa fé Budista. Para mim, que nunca fui muito devoto, não foi um grande problema. Mas para Pu Yi, foi diferente. Imagine que achou muito revoltante ter que matar moscas durante a campanha contra a peste aonde andou de máquina desinfectante às costas, e de facto, nunca perdeu realmente as suas crenças – acrescentou.

- Considerando que tivemos uma firme e persistente reeducação, foram-nos, no entanto, permitidos alguns privilégios. Podíamos jogar mah jong (cuja prática tinha sido banida no resto da China) e na alimentação tínhamos uma melhor qualidade de comida do que para os restantes prisioneiros.

Perguntei-lhe o que fizeram depois da sua libertação, pois tinha lido que para Pu Jie o perdão veio um ano mais tarde do que o do Imperador:

- Comecei por passar um ano como jardineiro no meu próprio Palácio, mas depois trabalhámos ambos nos Arquivos Nacionais como especialistas na nossa dinastia Qing e do Senhor da Guerra ( Manchus que governaram a China desde 1644 até 1911) e sobre os períodos de ocupação japonesa. Pela nossa educação, contactos que mantivemos no passado, e experiências internacionais, éramos considerados como as pessoas mais indicadas para recuperar esta parte da História, antes que se perdesse. Com este tipo de trabalho, recolhendo e classificando informações, recordando reminiscências do nosso passado e da nossa família, estivemos ocupados por largos anos e eu próprio ainda continuo a fazê-lo.

Não era possível resistir a perguntar-lhe sobre uma tentativa de comparação entre esses tempos e agora:

- Eu tinha nessa altura 10 anos – respondeu Pu Jie – quando fui levado pela primeira vez para me encontrar com o Imperador. Não fazia a menor ideia de que iria encontrar o meu irmão. Imaginava que iria encontrar um velho com uma barba branca, com uma coroa na cabeça. Fiquei muito admirado quando constatei que o Imperador era uma criança tal como eu.

- Achei natural a minha posição no Palácio Imperial e nem sequer a questionei. Pareceu-me correcto que devesse devotar as minhas forças ao serviço da restauração da dinastia Qing. A mesma ideia manteve-se inalterável no meu coração através dos anos, durante o período na Manchúria, depois da derrota do Japão, e durante a prisão na Rússia. Quando, depois da Libertação da Rússia, voltámos para a China, eu era como o cavalo que não podia ser forçado a beber água. Mas quando o cavalo tem sede é só preciso levá-lo até à fonte de água e ele bebe! Gradualmente acabei por ter consciência dos meus erros fundamentais.

Questionei-o sobre o queria dizer com o reconhecimento dos erros: seria uma consequência da reeducação e de lavagens ao cérebro:

- Em 1930 o Imperador e eu colaborámos com os invasores Japoneses e por isso fomos presos e considerados prisioneiros de guerra pelo regime comunista Chinês. Exprimi mais tarde e após a minha libertação a minha gratidão ao Governo Chinês e declarei-me contente com a minha nova vida. Que mais poderia ter feito. Era uma gota no oceano!

- No passado fui uma gota de água desviada do bom leito do oceano, e senti-me submerso no mar de mais de um bilião de cidadãos chineses.
Os tempos do passado foram um sonho e só pensava em mim e na restauração da dinastia Qing, mas agora sinto-me feliz e o meu objectivo é fazer o que possa em benefício do povo.

- Estive na prisão com muitos prisioneiros japoneses de guerra quando foram libertados no Nordeste da China. Muitos choraram por terem sido levados a pensar que a prisão era o lugar do seu re-nascimento! Para eles os guardas da prisão eram como os seus pais.

A nossa conversa estava a chegar ao fim e à laia de despedida, perguntei-lhe como antevia o futuro da China.

- Neste momento na China todos se sentem mais tranquilos desde a queda do “Bando dos Quatro”. Podem exprimir mais os seus pensamentos, no entanto prevejo muitas dificuldades, mas a confiança do povo no seu futuro é uma força importante – finalizou.

Pu Jie, morreu em Pequim com 87 anos.

Quando regressei ao meu escritório, passei os dias seguintes a organizar estes dados e ao escrevê-los lembrei-me desta frase: “o que amarelece por aí quando não existires!”

MNA

sexta-feira, 26 de março de 2010

A francesa


Um membro de uma família conhecida morava numa bonita casa pombalina, num dos bairos típicos de Lisboa.

Ficou viúvo muito cedo com três virtuosas filhas e sendo ainda um "bel homme" tomou-se de amores por uma francesa a quem pôs casa discreta em frente da sua. Tudo quanto a ela dava, igualmente comprava para a sua casa, nada faltando.

Todos os dias almoçava com elas e ia tomar café a casa da francesa, passando lá a tarde.

No fim de cada almoço, levantando-se da mesa dirigia-se à porta e todos os santos dias a três filhas seguiam-no pelo largo corredor até à saída, repetindo sem cessar:

- O papá está em pecado mortal! O papá está em pecado mortal!

Ele continuava impávido e chegando à porta voltava-se e com o dedo em riste apontado para elas dizia plácidamente:

- Calem-se, secantes criaturas!

MNA

segunda-feira, 22 de março de 2010

avatar



As for man, his days are as grass: as a flower of the field, so he flourishes. But the wind passes over, and soon all disappears; and his place will no more exist.

Salmos, Bíblia

domingo, 21 de março de 2010

A vida de uma boémia



Restaurant Man
- No please, no Miss, not tonight, please no!

Important Costumer - can't you go ?
Miss - Not tonight, can't have a scene with my giggolo!

Important Costumer - What?

Restaurant Man
- Go, please go!

Miss - Hello, sir !
Important Customer - No! Not tonight!

Restaurant Man
- You sit all night, you never buy!

Miss - That's a lie, that's a lie! I had a tea the other day

Restaurant Man
- You couldn't pay!

MNA

sexta-feira, 19 de março de 2010

Conversa entre Sócrates e Teixeira dos Santos


Extrait d'une conversation entre Colbert et Mazarin sous LOUIS XIV


Colbert : Pour trouver de l'argent il arrive un moment où tripoter ne suffit plus. J'aimerais que Monsieur le Surintendant m'explique comment on s'y prend pour dépenser encore quand on est déjà endetté jusqu'au cou ?

Mazarin : Quand on est un simple mortel, bien sûr, et qu'on est couvert de dettes, on va en prison. Mais l'Etat lui, c'est différent. On ne peut pas jeter l'Etat en prison. Alors, il continue, il creuse la dette ! Tous les Etats font ça.

Colbert : Ah oui ? Vous croyez ? Cependant, il nous faut de l'argent. Et comment en trouver quand on a déjà créé tous les impôts imaginables ?

Mazarin : On en crée d'autres.

Colbert : Nous ne pouvons pas taxer les pauvres plus qu'ils ne le sont déjà.

Mazarin : Oui, c'est impossible.

Colbert : Alors, les riches ?

Mazarin : Les riches, non plus. Ils ne dépenseraient plus. Un riche qui dépense fait vivre des centaines de pauvres.

Colbert : Alors, comment fait-on ?

Mazarin : Colbert, tu raisonnes comme un fromage (comme un pot de chambre sous le derrière d'un malade) ! Il y a quantité de gens qui sont entre les deux, ni pauvres, ni riches. Des Français qui travaillent, rêvant d'être riches et redoutant d'être pauvres ! C’est ceux-là que nous devons taxer, encore plus, toujours plus ! Ceux-là ! Plus tu leur prends, plus ils travaillent pour compenser c'est un réservoir inépuisable.

Il faut juste transférer de 4 siècles mais effectivement rien n'a changé dans ce monde ...

sábado, 13 de março de 2010

Y decirte alguna estupidez....


Y decirte alguna estupidez, por ejemplo, te quiero!

MNA

Journal



Christ
Voici plus d’un an que je n’ai plus pensé à Vous
Depuis que j’ai écrit mon avant-dernier poème Pâques
Ma vie a bien changé depuis
Mais je suis toujours le même
J’ai même voulu devenir peintre
Voici les tableaux que j’ai faits et qui ce soir pendent aux murs
Ils m’ouvrent d’étranges vues sur moi-même qui me font penser à Vous.

Christ
La vie
Voilà ce que j’ai fouillé
Mes peintures me font mal
Je suis trop passionné
Tout est orangé.

J’ai passé une triste journée à penser à mes amis
Et à lire le journal

Christ
Vie crucifiée dans le journal grand ouvert que je tiens les bras tendus
Envergures
Fusées
Ebullition
Cris.
On dirait un aéroplane qui tombe.
C’est moi.

Passion
Feu
Roman-feuilleton
Journal
On a beau ne pas vouloir de soi-même
Il faut parfois crier

Je suis l’autre
Trop sensible


Blaise CENDRARS, Du Monde entier

Almost lovers


Goodbye my almost lover
Goodbye my hopeless dream
I'm trying not to think about you
Can't you just let me be?

So long my luckless romance
My back is turned on you
Should've known you'd bring me heartache
Almost lovers always do!

quinta-feira, 11 de março de 2010

Olhó senhor polícia, psssst!



O Parlamento Europeu divulgou o que se presume poder vir a ser as fardas da "Polícia da União Europeia"!

É um azul entre a malva e a turquesa....

quarta-feira, 10 de março de 2010

doce e amargo sabor a canela...


Noite de loucura,
Improvisada na areia.
Em tamanha fervura,
Como que por uma teia,
Deixei-me envolver.
Rendi-me ao desejo
Desse teu beijo.
Deixei acontecer!

Senti o teu sabor a canela:
Doce e picante,
Intenso e excitante.

Varias ilusões
Há muito escondidas.
E ao chegar o amanhecer,
Lembro essa noite tão bela.
Doce e amargo sabor a canela.

Doces sensações,
Amargas recordações.

quinta-feira, 4 de março de 2010

indecência...



INDECENTE, É TER QUE TE OLHAR
E NÃO TE PODER TOCAR.
É JOGAR TANTO PARA TE TER
E NÃO TE GANHAR.

É ABRAÇAR O VENTO,
IMAGINANDO SER O TEU CORPO.
É ESTE CIÚME FORTE
QUE ME DEIXA QUASE LOUCO.

INDECENTE, É PENSAR
EM TI NUA
E SENTIR QUE ME ATRAIS,
MAIS DO QUE O BRILHO DA LUA.

É PRENDER-ME POR ALGUÉM,
QUE NEM SEI SE ME QUER.

INDECENTE, É TODAS AS NOITES,
VISITARES-ME NOS MEUS SONHOS,
COM A TUA BELEZA DE MULHER.

MAS O MAIS INDECENTE,
É QUERER VIVER ESTE SENTIMENTO,
DE MANEIRA TÃO DEMENTE.

os perigos da internet



Não resisti...mas sem malícia e esperando que o bom Deus me perdoe as faltas!

Robim dos Bosques moderno...



Que cara tão feia, mas se calhar para roubar aos ricos para dar aos pobres tem que meter medo!

Tenho ideia que cá pela nossa floresta é um pouco ao contrário....

quarta-feira, 3 de março de 2010

terça-feira, 2 de março de 2010

Tipping like Gentlemen



Proper tipping etiquette is still a trait rarely found in modern men yet, when perfected, it can actually become quite enjoyable. It’s a selfless act of giving to others based on the level of service you’ve received. A lot of these people get a pitiful wage and the tips they get go a long way to supplement their income. Make them happy and you’ll be looked after. Annoy them and you’d be best advised to eat your meal with caution!

Tipping really is an art form and when you’re giving your tip you want to be as discrete and gentlemanly as possible. Hand over the tip with your palm facing down and shake hands with the person you are tipping, simultaneously placing the money in their hand. What you want to avoid doing is waving the money around and making a big deal of it. You’ll look like an idiot for starts and if that isn’t enough, you’re going to make the person receiving the tip feel uncomfortable because, believe it or not, you’re coming across like a condescending jerk. You’re not throwing a treat for Fido here.

So how do you figure out how much to tip? Well the truth is there are no tipping rules per se, however there are guidelines which suggest how much is appropriate to give. Let’s investigate.

The restaurant waiter/waitress

This is the one that causes most debate because there is no hard and fast rule. It is also made even more difficult by waiting staff who have lost sight of the fact that a tip is a gratuity and is not actually required.

There are some occasions where you feel unjustified to give out a tip, but let me tell you why you should.

* The food was terrible. If the food was terrible, then complain to the manager (you might get a discount on the bill) but don’t take away the tip from the waiting staff because you’re punishing them for someone else’s mistake. Chances are they worked very hard for you and to not reward them would be unfavourable.

* The service was below par. If the service was below par then you should tip at a lower rate than normal. Usually, I’d speak to the waiter I’m tipping and politely explain the reasons for the lower tip. Just make sure you’ve eaten all your food before you tell them!

* You are a stingy and grumpy old man. So you don’t want to tip. Why not? You’re rewarding someone for doing good work. How would you feel if your boss decided to not give you the pay raise you’ve been asking for or taking your bonus away from you just because he felt like it? As the old saying goes, “Treat other people the way you expect to be treated yourself.”

segunda-feira, 1 de março de 2010

Em ninguém vendo no meio da água...cai sempre bem a sua batotazinha...



O ser humano tem esta atracção para ganhar com batota, mas só dentro de água! Nanja que em eleições, negócios, justiça, amor...tudo de grande virtude!

Strip cup...em Beijing



Pu-Jie reconhece que o seu povo está mudado! Nova modalidade de vela, a "strip cup" ou o rabo ao léu!

No fundo, justifica-se pois não podendo sair-se do lugar, há que ser pragmático depois de muitas horas!

Concursos da tv...



No último concurso de dança apresentado na tv, a vencedora ia esmagando com um beijo arrasador, o desgraçado do seu par!

Chopin


Frederic François Chopin nasceu no dia 22 de Fevereiro de 1810, em Zelazowa Wolam (Polónia), a cerca de uns trinta e cinco quilómetros da capital (Varsóvia). Era o segundo filho do casal Nicolas Chopin e Justina Krzyzanowska. O pai do compositor era de uma família de fabricantes de automóveis. Frederic Chopin teve uma infância feliz, e uma esmerada educação.

O seu pai notou logo desde muito cedo o interesse do jovem pela música, encarregando o checo Zywny da sua educação musical. O seu talento não era exclusivamente musical e em 1824 escreveu uma comédia em colaboração com a sua irmã Emília tendo até uma tendência para ser actor.

Antes de completar os oito anos, Chopin compôs sua primeira obra: uma Polonesa, várias danças e uma marcha militar. Finalizada a educação dada por Zywny, continuou os seus estudos de música com o professor Elsner prosseguindo depois os seus estudos no Liceu Local.

Em 1825, durante a visita a Varsóvia do Czar Alexandre I, tocou perante ele, recebendo diamantes como recompensa!

Com 19 anos de idade, em 1829, Chopin parte para Viena em busca do sucesso mas desolado com a guerra, emigra e parte para Paris.

Paris estava em plena ebulição artística. Para lá convergiam as mais diferentes correntes e tendências, com destaque para a romântica do começo do século. Chopin sente-se deslumbrado pelo mundo intelectual de Paris. É através do pianista Kalkbrenner que ele é apresentado à elite cultural de Paris.

Chopin começa a frequentar a sociedade e a ter contactos com compositores da estirpe de Berlioz, Bellini e Franz Liszt. São eles que o ajudam nessa primeira etapa da sua vida, para mais tarde consolidar-se como o grande génio musical romântico.

Durante a sua vida Chopin teve aventuras amorosas, entre elas uma com Maria Wodzinski, filha de um conde polaco. Em 1836 a relação é formalizada, e Chopin pede a mão de Maria em casamento, obtendo o consentimento da mãe, mas o pai dela nega-se a dá-lo. Isto traz uma profunda dor ao compositor que passa a levar uma vida retirada em Paris, pouco aparecendo na sociedade, e a sofrer de uma enfermidade crónica (um resfriado agudo).

Dedicou-lhe uma Valsa em lá bemol (Opus 69 N.º 1). Quando a ruptura com Maria Wodzinski era já evidente, Chopin resolveu ir para Londres, onde passa a isolar-se mas a sua produção musical aumenta consideravelmente: valsas, estudos, mazurcas, etc.

A saúde de Chopin foi sempre delicada. Corria um rumor de que ele estaria com sífilis. No hotel onde residia exigiram que fossem queimadas a cama e outros pertences e isolado o seu apartamento.

Foi nessa época que Lizst apresentou a Chopin a escritora Lucila Aurora Dupin, (Madame Dudevant). Sobre esse encontro ele expressou o seguinte comentário: " ...conheci uma grande celebridade, porém a sua cara não me é simpática, não gostei nada, inclusivé há algo nela que me repele".

Quando Chopin regressa a Paris sofre o assédio de George Sand (pseudónimo de Lucila Aurora Dupin) e enamoram-se loucamente e inicia-se uma nova fase de sua vida.

Para evitar um escândalo, pois era casada, os dois amantes acompanhados pelos filhos de George Sand (Solange y Maurício), viajam para Palma de Maiorca. Sentem-se encantados com o lugar e alugam uma casa "Son Vent" (a Casa do Vento).

No entanto, logo depois de uns dias de sol, ocorrem as piores chuvas daquele ano em Maiorca. A partir daí a saúde do compositor piora de forma preocupante. Assim em 11 de Fevereiro de 1839 empreendem um penoso regresso a França, indo para Nohant, fóra de Paris, onde George Sand tinha uma casa de campo.

É nesse período que Chopin compõe o que pode ser considerado a chave que encerra toda a sua obra. Termina a "sonata em si bemol menor", "Os prelúdios", "Os três estudos para piano" etc. O seu profundo romantismo, vê-se igualmente reflectido nas suas composições, e o seu amor por George Sand, a mulher que o acompanhou durante 11 anos de sua vida, também é reflectido na sua música, porém sempre com o sentimento nostálgico pela pátria e a percepção de um fim precoce.

Apesar do seu grave estado de saúde, volta a escrever, convertendo este período em um dos períodos mais profícuos.

A sua vida parece ser feliz: George entrega-se à sua paixão com um forte instinto maternal e Chopin deixa-se mimar como um filho.

A partir de 1847 a enfermidade piora e a isso sobrevém a ruptura definitiva com George Sand.

Em 13 de Outubro, Chopin recebe a extrema-unção e em 17 de Outubro de 1849, aos 39 anos de idade morre.

Sobre a sua tumba, e como ele mesmo havia solicitado no seu testamento, foi derramada terra polaca que a ele ofereceram os seus amigos.

Chopin foi um patriota sincero, um sonhador romântico num corpo minado pela doença.

Entre suas obras mais importantes ressaltaremos: Nocturnos: (N.º 2 em mi bemol maior); Valsas:(N.º 2 em La bemol); Baladas: ( N.º de 1 à 4, em sol, fa e La menor respectivamente); Estudos: (N.º 1 à 12 em do menor, La maior, fa maior); Polonesas: (N.º 3 em La maior); Mazurcas:(N.º 5 em si bemol maior, N.º 41 em do sustenido menor); Prelúdios:(N.º 24 em Re menor); Sonatas:( N.º 2 em si menor).