quinta-feira, 30 de agosto de 2012

terça-feira, 28 de agosto de 2012

História de absoluto terror que me aconteceu há uns tempos ( parte 5)


Em suma, os “rapazes” propuseram-me eu guardar a pasta no cofre do meu escritório, em troca de dinheiro para eles mandarem vir uma nova garrafa de “líquido” que daria para limpar cerca de USD 100,000 e sucessivamente, com o pelo do próprio cão, se iriam pagando as restantes fases, até completarem o lote dos USD 4 milhões.

Do meu banco não houve notícias negativas sobre a veracidade das notas, posto o que eu fiquei mais confiante.

Recusei liminarmente o pagamento antecipado de qualquer quantia, que era bastante elevada, o que muito os enervou tendo eles acabado por me pedirem para eu falar para Londres com o “chefe” deles, para combinar a vinda dele a Lisboa, sendo portador de uma nova garrafa, que eu financiaria.

Assim fiz e pareceu-me pela voz e conversa que era um outro tipo de pessoa muito mais educada e profissional pelas respostas que deu às minhas perguntas - aliás não era africano, tratava-se de um egípcio.

No dia seguinte fomos esperá-lo ao aeroporto e de facto apresentava-se com um bom blaizer, calças de flanela cinzentas, com uma camisa branca de bom corte aberta e sem gravata.

A caminho do meu escritório, fui fazendo perguntas sobre ele próprio, quem era, se trabalhava para a CIA, querendo confirmar a versão dos “donativos” especiais dos EUA da América para os líderes dos países africanos, e ele era parco nas respostas, mas ia sorrindo com um ar de aquiescência.

Perguntou-me se eu já tinha o dinheiro em cash para pagar a garrafa e eu disse-lhe que primeiro queria ver a garrafa, segundo queria fazer um teste com mais notas da mala com o novo “líquido".

Acederam com reticências e ele propôs que eu alugasse um quarto no Hotel Sheraton para ele ficar essa noite e para no dia seguinte, no meu escritório, proceder à limpeza das notas que pudessem ser aproveitadas pelo conteúdo da garrafa.

Assim fiz, aluguei o quarto em meu nome – propus que ficasse no dele, mas ele recusou e seguramente teria um passaporte falso – e fui levantar o dinheiro para pagar a garrafa de “líquido” que ele trouxera.

A operação prévia de validação de umas quantas notas, segundo ele, não poderia exceder os USD 500,00 pois estaríamos desperdiçando “líquido”.

Foi efectuada na casa de banho do referido quarto. O egípcio retirou numa seringa e com mil cuidados, umas gotas do “lìquido” da nova garrafa e mais uma vez, 5 notas de papel preto, transformaram-se perante estes meus “olhos que a terra há-de comer”, em notas de USD 100,00 com muito mais rugosidade e consistência, que guardei. Eram, novas em folha!

Entreguei o montante pedido e fiquei com a garrafa que manuseei com mil cuidados numa mochila aonde trouxera o dinheiro e que agora, vazia, servia para a levar de volta ao meu escritório.

Pediram-me que os deixasse no Jumbo das Amoreiras pois iam ao supermercado comprar mantimentos para alguns deles passarem a noite no meu escritório a limpar as notas, e enquanto eu fui arrumar o carro no parque, eles saíram no piso térreo.

Esperei uma boa meia-hora e nada de aparecerem e nem o telemóvel quer do “chefe” quer do “líder” respondiam.

Finalmente, o telemóvel do “líder” tocou e ele com uma voz de pânico disse-me para eu fugir pois dois carros da polícia, quando eles saíam das Amoreiras, tinham-nos levado a todos presos, excepto ele que tinha conseguido escapar pois tinha-se atrasado.

Pediu-me por tudo para eu guardar bem a garrafa com o “líquido” e a pasta e que mais tarde se voltaria a por em contacto comigo.

Fiquei perplexo e aterrorizado e fui num ápice tirar a pasta do cofre e pô-la no carro com a garrafa e saí de Lisboa.

O meu pânico era que eles “falassem” e ter a polícia no meu encalço no escritório, apanhando-me com tudo na mão, sem eu ter uma explicação lógica.

(continua)



segunda-feira, 27 de agosto de 2012

História de absoluto terror que me aconteceu há uns tempos ( parte 4)


Quando chegaram a meio da manhã, voltaram a pousar a mala em cima da minha secretária e abriram-na.

Disse-lhes que queria ser eu a escolher as notas e meti as mãos e tirei à sorte, de várias camadas distintas, um grupo de papéis em forma de nota de dólar. Podia ser que só as genuínas estivessem à superfície.

Avançámos para a cozinha aonde tudo se passaria no lava-loiças pelo “líquido” ser corrosivo ou pelo menos, segundo eles, poder deixar marcas.

Ao desenrolarem as gazes sujas que envolviam a garrafa aonde estava o “liquido” , o líder dá um grito de furor súbito e diz-me que só restam poucas gotas pois teria secado por ter estado enterrado. Verifiquei que assim era!

Eu tinha tirado o equivalente a USD 20,000, mas foi-me dito que não daria mais do que para limpar os tais USD 1,200 de que me tinham falado antes. Acedi, pois o problema era mais deles do que meu e eu queria ver e crer, como S.Tomé! A curiosidade ardia-me por dentro!

Um deles, que declinou ser o “especialista” na limpeza, pegou numas quantas notas de papel preto e começou a esfregar numa a uma, algumas gotas do “líquido” e qual não é o meu espanto quando, pouco a pouco, começaram a aparecer os contornos das figuras e dizeres dos bilhetes de 100 dólares.

Parecia um parto difícil…suspiros, trejeitos, conversas entre eles num dialecto para mim desconhecido, e cada nota limpa era secada numa toalha que eu improvisara, com um secador de cabelo.

Passada uma boa hora estavam USD 1,200 à vista e secos, aparentemente com a mesma rugosidade e consistência das notas genuínas.

Disse-lhes que fossem almoçar e que voltassem a seguir e peguei nas notas e fui ao meu banco e depositei-as na minha conta. Vi o caixa, por pura rotina, passá-las na máquina verificadora da autenticidade de notas, e seguidamente entregar-me um recibo do depósito.

Fiquei a matutar em tudo aquilo e decidi que aguardaria uns dias, não fosse o banco devolvê-las numa segunda triagem.

Regressaram pelas 15h e perguntaram-me se eu agora acreditava no que tinha visto. Falei-lhes do meu teste de tê-las depositado no banco, o que suscitou preocupação e alguma fúria no líder.

Perguntei a razão desta reacção e a resposta foi a de que contavam com aquele dinheiro até que viesse o emissário com uma nova garrafa de “líquido”.

Propus-lhes que me deixassem tirar uma porção pequena do que restava na garrafa para mandar analisar num laboratório local, mas eles negaram-se dizendo que primeiro tinham que se pôr de acordo comigo quanto às condições em que tudo se desenrolaria.

Mandei-os embora, dizendo-lhes que voltassem uns dias depois porque iria viajar e levaram a mala com eles, sempre atada ao pulso de um dos capangas por uma corrente com um cadeado.

No fundo queria esperar por uma resposta eventual do banco, devolvendo-me as notas por serem falsas.

(continua)

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Vaso Grego


aperta a orelha ao puto que partiu o vaso grego com a fisga...aahahha

Leonardo e o anúncio de "manpower"


Extraordinária esta imagem do Leonardo à procura de candidatos para a sua célebre imagem de "manpower"...ahaahahah

Troika


smilley people...muito bom! Se calhar a troika ainda tem que distribuir estes arames aos portugueses para fingir que sorrimos....

BPN através dos tempos...


Não me digam que o BPN começou por um castelo, passou a abadia e acabou no que se sabe!

Versão diferente da vida entre Adão e Eva...ahaahah


E foi assim que a Eva atraiu o Adão não como conta a Bíblia às crianças ( como poderia ser diferente...) mas com uma valente experiência interminável de posições kamasutrianas...ahaahah

terça-feira, 21 de agosto de 2012

A formiguinha aventureira


Era uma vez uma formiguinha muito curiosa, muito espertinha, muito corajosa e também muito vaidosa. Estava sempre asseada, vestia-se de uma maneira diferente das outras formigas e era a mais bonita. Tinha a mania de ficar a olhar-se ao espelho.

Era também muito sonhadora. Sonhava em viajar pelo mundo e adorava passear pela floresta.

A rainha das formigas ficava sempre de olho nela, pois era órfã, e os seus pais tinham morrido de uma morte muito triste : foram pisados por um humano de um metro e oitenta e cinco de altura, de cento e dez quilos, que tinha vindo fazer um piquenique à floresta.

A rainha queria educá-la, pois achava que ela era um pouco preguiçosa, vivia nas nuvens. E já se viu alguma vez uma formiga preguiçosa e sonhadora? A rainha dizia que ela tinha vocação para ser cigarra. Mas como? Se nem cantar como uma cigarra ela sabia, embora tentasse, mas não tinha jeito, era mais do tipo da cantiga de grilo do que de cigarra.

A rainha, apesar de toda a sua paciência, vivia zangando-se com ela. Queria que ela trabalhasse como as outras formigas. O inverno estava a chegar, tinham que encher a despensa com bastante alimento, pois sabia-se que seria muito duro. Todas as formigas estavam à procura de alimento e lenha na floresta. Ela também trabalhava, mas sozinha, pois detestava aquela fila das formigas, sempre tudo igual, todas vestindo-se da mesma maneira, fazendo as mesmas coisas, vivendo sempre em fila. E só faziam trabalhar, trabalhar, trabalhar.

Ela sonhava e dizia:

Ainda vou ser a rainha das formigas : a primeira coisa que vou decretar será acabar com a fila das formigas para irem trabalhar. Parece um enxame de abelhas...fila para apanhar folhas; fila para trazer água; fila para tomar banho; fila até para ir para cama. Não aguento mais esta vida de andar umas atrás das outras, não sou uma carruagem de comboio!

Quero liberdade, quero ser independente, viajar, conhecer o mundo, trabalha-se demais aqui, ninguém brinca, ninguém goza a vida. A rainha passa o dia todo naquele trono, não vai nunca à janela, vivemos todos num formigueiro super apertado, quando entram duas formigas na cozinha, uma tem que sair de costas, pois não dá para virar o corpo. Quando eu for a rainha, tudo vai ser diferente.

Então, um dia que estavam todos a dormir, incluindo a guarda do buraco das formigas, arrumou bem a sua trouxinha, enrolando-a num lençol e saiu mundo fóra em busca de aventuras.

Quando amanheceu, já estava bem longe do seu buraco. De repente, viu um coelhinho vindo na sua direcção, e quase a atropelava.

- Ei! Olha por onde andas! Quase que me pisavas.

- Desculpa, não te vi. E o que estás a fazer sozinha? Nunca vi nenhuma formiga andar só. Vocês só andam em grupo, umas atrás das outras.

- Eu sou diferente. Sou orfã. E ainda mais, eu detesto a vida das formigas. Já não aguentava mais aquela vida de fila, a minha vida era uma fila só. Quero ser independente. Estou sozinha no mundo mesmo, como já te disse, e não tenho família.

- E então??? Conheço muitas formigas orfãs, não interessa se têm pais ou não, quem manda mesmo é a rainha. E a tua rainha deixou-te ir embora do buraco? Que rainha mais desatenta, sem autoridade, nunca vi coisa igual. Tu és uma revolucionária dentro do buraco e ela não fez nada?.Se fosses uma formiga do reinado da outra rainha Ditadura com certeza já estarias de castigo na prisão.

- Quem é essa rainha? Nunca ouvi falar. E olha que eu conheço algumas rainhas. Os formigueiros de vez em quando visitam-se uns aos outros, temos que estar sempre unidas. Mas essa rainha Ditado...quero dizer Dentadura não conheço.

- Rainha Ditadura, formiguinha! És meio maluquinha, nao és?

- Ditadura, Dentadura, seja lá o que for... não conheço nem quero conhecer e tenho raiva de quem a conhece. Adeus! Estou a perder o meu tempo contigo.

E lá vai a formiguinha Aventureira pelo mundo. Prestava atenção a tudo por que passava: cada árvore diferente, cada pedra, cada flor, só não prestou atenção quando já estava a escurecer. Aonde iria passar a noite?

- Estou a ficar com medo, está escuro. Se ao menos eu encontrasse um buraco de formiga. Vai-te embora medo! Não tenho medo de nada!

Continuou a sua caminhada, quando, de repente, começou a ouvir um barulho:

- Parece um batuque, será uma festa? O barulho vem daquele lado, perto da árvore.

O barulho vinha de um formigueiro que ficava por debaixo de uma grande árvore. A formiguinha foi-se aproximando devagarinho. Era tão corajosa que não teve medo de entrar no formigueiro.

Formiguinha valente! O que ela viu deixou-a chocada: um monte de formigas trabalhando com correntes amarradas às pernas. Formigas velhas, crianças, doentes; formigas que não podiam de forma alguma trabalhar. O que era esta loucura?

Pensou em sair dali a correr, mas não o podia fazer vendo aquelas formigas, tinha que ajudá-las de alguma forma, e também estava super curiosa para saber por que estavam a trabalhar de madrugada e como priosioneiras.

Escondeu-se atrás de uma saliência do buraco de formiga e conseguiu falar com uma delas. Era uma formiga velhinha, magrinha, as perninhas eram mais finas do que a mais fina das teias de aranha que podia existir no mundo. A formiguinha Aventureira teve uma enorme pena, teve até vontade de chorar, mas controlou-se e perguntou:

- Porque estão a trabalhar se não têm condições de trabalho? Porque é que até as formigas bébés estão a trabalhar? Por que estão a trabalhar presas? E por que estão a trabalhar a esta hora da noite?

Eram tantas as perguntas que a formiga velhinha magricela ficou tonta.

- Primeiro, queres saber o quê? Aliás, antes de responder a todas estas tuas perguntas gostaria de saber quem és, e o que estás a fazer aqui no buraco-prisão, que pertence ao formigueiro da rainha Ditadura.

- Estava a passar aqui por perto quando ouvi um barulho esquisito, então, aproximei-me para ver o que era, pensei que estava a haver uma festa, pois o barulho do vosso martelo parecia um batuque. Só há pouco tempo ouvi falar dessa rainha Ditadura.

- É que nós fazemos isto para tentar distrair as crianças, fazemos o nosso trabalho em ritmo de batuque para que elas não fiquem tão tristes, pois como deves ter percebido somos prisioneiras da rainha Ditadura. Quando manda prender alguém que ela acha que fez alguma coisa mal feita, a família da formiga é presa também, por isso é que estão aqui velhos, crianças e formigas doentes. Pois a família toda tem que ser presa, independentemente da idade e da saúde. Mas o que estás a fazer sozinha na floresta? A tua rainha deixou-te sair sozinha?

- Eu fugi do meu formigueiro. Mas a minha rainha era um amor de formiga. Eu fugi porque não aguentava mais a vida de formiga. Mas esquece...eu gostaria de vos ajudar. Eu só vi dois vigias na entrada da prisão, e mesmo assim estavam distraídos a jogar, há mais algum vigia por perto?

- Não. Ninguém se arrisca a fugir. Temos medo, pois o fugitivo vai parar à prisão solitária.

-Mas que rainha tão má! Isto não pode continuar. Vou ajudar-vos. Eu tenho aqui na minha mochila um canivete bem afiado que corta até metal, vou cortar a tua corrente e vais-me ajudar a cortar as das outras. Depois ataremos os vigias com umas correntes e fugiremos pela floresta, correremos a noite toda e quando amanhecer já estaremos bastante longe.

- Mas isso não está certo...temos que obedecer à nossa rainha !

- Eu estou de acordo e tu também, ouviste bem dona Graciosa? Muito prazer, eu chamo-me Dona Dorinha, ouvi toda a vossa conversa e gostei do teu plano e gostei muito de ti. Muito obrigada por teres a coragem de nos ajudar.

- Muito prazer dona Dorinha, também gostei de ti, mas vamos lá, pois temos que aproveitar a noite, e pelo que estou vendo, há muitas formigas que não vão poder correr, vamos ter que carregá-las, portanto, vamos a isso!

Depois de estarem todas soltas e os vigias presos, as mais fortes carregaram às costas as mais fraquinhas e os bébés, e fugiram a correr.

Quando o dia amanheceu, já estavam muito longe da prisão. Mesmo assim a formiguinha Aventureira achou melhor que as últimas da fila apagassem os rastos, e para se sentirem mais seguras ainda achou melhor atravessarem o rio. A formiga Aventureira pegou num pau grande e empurrou-o para o rio, e pediu a todas as formigas para subirem para ele e que se deixassem levar pela corrente para bem longe.

Desceram enormes cascatas e foram parar a um bosque lindo. Ao chegarem, a formiguinha Aventureira reuniu todos à volta de uma pedra e fez uma reunião.

- Bem amigas...graças a Deus conseguimos fugir. Vocês agora são livres. Acho que aqui não há mais perigo. Nunca mais a rainha Ditadura as encontrará, pois estamos bastante longe do seu buraco. E para comemorarmos vamos em busca de comidas e bebidas, e quem for músico que faça um instrumento, pois vamos fazer uma festa, vamos cantar e dançar para celebrar a nossa vitória!

E todas gritaram: Iupi!!Iupi!!

A festa foi tão animada, que os outros bichos atraídos pela alegria também participaram, mesmo sem saber o motivo da comemoração. A festa durou o dia inteiro.

Quando acabou, todos adormeceram exaustos. Ao amanhecer a formiguinha Aventureira organizou suas coisas para continuar a viagem, mas a dona Graciosa com o barulho dos preparativos da partida da formiguinha Aventureira, acordou.

- Para onde vais ? Não ficas connosco? E quem vai tomar conta de nós? Quem vai mandar em nós?

- Vocês agora são livres. Podem fazer com as vossas vidas o que quiserem.

- Ei! Acordem formigas! A formiga Aventureira vai-nos abandonar! E agora como vamos viver?
Todas se levantaram assustadas.

- Não nos podes abandonar, não faças isso connosco, senão podemos morrer.

- Calma! Bem. Irei ficar convosco uns dias até que estejam organizadas. A primeira coisa que temos que fazer é um formigueiro. De preferência bem grande e bem bonito. Vou fazer o projecto nesta folha.

Ela fez um formigueiro enorme, cada família com o seu quarto. Uma piscina, um parque para as crianças, uma sala para dança, uma sala para as refeições, nunca ninguém tinha visto um projecto de formigueiro tão bonito.

Após alguns dias ficou pronto. O formigueiro ficou maior do que pensavam. E ficou de uma grande beleza. Todo enfeitado de flores, cada cantinho era mais bonito do que o outro. Dava prazer ficar neste formigueiro durante o inverno.

Ela ensinou-as a dividirem as tarefas por forma a que ficassem com tempo livre para se divertirem, não precisando de ficar em fila, cada uma fazia a sua parte, todos faziam as suas tarefas com o maior cuidado, mas no seu ritmo e cada um com o que sabia fazer. As que sabiam ser lenhadoras tratavam da lenha, as que gostavam de cozinhar trabalhavam na cozinha. E assim a vida do formigueiro era só alegria. Havia noites em que cantavam e dançavam sem parar.

Todos viviam felizes, as doentes ficaram com saúde novamente. As velhinhas eram tratadas com respeito. As crianças viviam a sorrir e faziam as suas partidas.

Os outros animais da floresta nunca tinham visto um formigueiro tão feliz. Mas um dia a formiguinha Aventureira deu uma péssima notícia: ia-se embora.

- Bem, o combinado foi isto, por favor não fiquem tristes.

- Nós sabemos, mas não és feliz aqui?

- Nunca fui tão feliz na minha vida. Mas eu tenho que continuar o meu destino.

- E quem foi que te disse que o teu destino não é ser rainha deste formigueiro que tu mesma criaste?

Ela virou-se para ver quem tinha dito isto com uma voz tão bonita.

Era o formiguinho Delírio e realmente ele era muito bonito, era o ídolo de todas as formiguinhas do formigueiro. Ela achava-o lindo, forte, trabalhador, mas sempre discreto, calado. Todas ficaram surpreendidas quando o ouviram falar assim.

E ele continuou:

- Vocês não concordam comigo? Ela já pode ser considerada a nossa rainha oficial; aliás desde o princípio ela tem feito o papel de rainha, e das melhores! Acho que não existe na terra um formigueiro mais feliz. Não passamos o dia em fila, todos nós somos livres, e aprendemos a dividir o nosso tempo por forma a trabalharmos com prazer e para viver com mais conforto e alegria, e não como os outros formigueiros que vivem para trabalhar. Portanto, desejamos do fundo dos nossos corações que tu sejas a nossa rainha.

Todos aplaudiram de pé. A formiguinha ficou toda emocionada. Realmente ela era muito feliz ali. E principalmente ficou encantada com o discurso do formiguinha Delírio. Ela aceitou toda contente ser a rainha oficial.

Os dias foram passando, ela e o formiguinha Delírio foram se apaixonando e resolveram casar.

Convidaram todas as formigas dos seus antigos formigueiros. O casamento durou três dias e três noites de festa.

No formigueiro da rainha Ditadura houve uma revolução e tiraram a rainha Ditadura do seu trono. O exemplo do formigueiro da rainha Aventureira foi falado e imitado em todos os formigueiros da Terra.

Até as abelhas começaram a imitar a rainha Aventureira.

E todas as formigas de todos os formigueiros viveram felizes para sempre.

Henriqueta Neiva

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

História de absoluto terror que me aconteceu há uns tempos ( parte 3)


Incrédulo, pedi que me explicassem o que significavam aquelas notas protegidas pela tinta preta, de onde vinham, como as tinham e porquê eu!

O líder disse que os USA ajudam dissimuladamente os países africanos, através dos seus governantes para que a política e o controlo americanos possam ser efectivos em alternativa ao de potenciais opositores, nomeadamente de terroristas ou de países hostis aos seus interesses.

Assim, através da saída de fundos secretos da Reserva Federal sem deixar rasto, os líderes africanos recebem dinheiro directamente e podem fazer o que quiserem, normalmente, segundo ele, compram armas aos USA para se manterem no poder, e o dinheiro regressa em grande parte aos cofres dos Estados Unidos.

Fiquei pasmado e continuei a fazer mais perguntas: como tinham eles, pessoas sem grande cultura e aspecto pouco sofisticado, tido acesso àquele dinheiro…

Disseram-me que este montante de 4 milhões de dólares era uma parte ínfima do dinheiro transferido para o país deles e que pessoas próximas do presidente, ou desviam ou é-lhes dado uma mala ou duas, como recompensa por serviços prestados.

Eles estavam a representar um dignitário presidencial a quem tinha sido ofertado este montante e se fossem bem-sucedidos em o desviarem dos circuitos bancários do país, não só não levantavam suspeitas para o mandante como receberiam uma pequena comissão.

A pergunta a seguir foi a de como podiam provar tudo o que me estavam a dizer.

Tinham-me dito que se eu os ajudasse, receberia a metade ou seja 2 milhões de dólares. Estava cada vez mais firmemente decidido a não me envolver nesta proposta de “parceria”, mas confesso que fiquei curioso e decidi deixar o assunto progredir mais um pouco até eu comprovar o “milagre” da limpeza de tiras de papel preto em notas de dólares!

Inquiri-os, já que tínhamos chegado a tal grau de “descodificação”, sobre a causa de estarem tão nervosos e ansiosos.

Disseram-me que as notas só podiam ser limpas com um “líquido” especial, e um deles tirou de uma mochila uma garrafa de 1 litro envolta em ligaduras de gaze branca, muito suja, dizendo-me que tinha estado enterrada tempo demais, escondida no país deles em África, e eles temiam que este facto já pudesse ter diminuído a eficácia do produto.

Tinham conseguido passá-la na alfândega sem levantar suspeitas, mas queriam com urgência fazer um teste em algumas notas, referindo-me cerca de 1,200 dólares.

Continuei muito intrigado a querer perceber melhor todo o cenário por eles descrito.

Disseram-me que para limpar a mala completa teriam que vir de fora várias outras garrafas de “líquido” pois para 4 milhões de dólares, uma só não chegava.

Quem tinha as outras garrafas de "líquido"? Como as faria chegar a Portugal, sem levantar suspeitas? Poderia o referido “líquido” ser preparado aqui em Portugal, pois seria mais fácil!

Disse-lhes que tinha contactos em Laboratórios que sigilosamente e sem eu sequer referir a origem do produto poderiam facilmente identificar a composição e a troco de algum dinheiro, me venderem a quantidade necessária.

Ficaram meio perplexos pela minha lógica argumentação e entretanto chegou a hora de jantar e de ir embora e eles muito maçados e ansiosos queriam continuar…

Disse-lhes que marcávamos para o dia seguinte e entretanto telefonei à minha secretária dizendo-lhe que escusava de vir trabalhar pois eu estaria ocupado e não precisava dela. Ninguém recusa um “day off” pago!

Fiquei a pensar em tudo e confesso que dormi pouco. Não tanto pela perspectiva do meu putativo quinhão dos 2 milhões, que achava remota pois iria abortar o meu envolvimento, mas excitou-me a aventura de “coisas” de que jamais havia ouvido falar e que me pareciam surreais.

Esta é uma característica do meu feitio que devo ter herdado de algum aventureiro do meu passado familiar, e como dizem os ingleses “curiosity killed the cat”.

Mas ainda é muito cedo na história para tirarmos esta conclusão.

Fui mais cedo para o escritório no dia seguinte e fiz alguns telefonemas para amigos que ou trabalhavam em Laboratórios ou conheciam quem eram os respectivos donos e confirmaram-me que com uma “amostra” de qualquer produto químico, era relativamente fácil identificar a composição e reproduzir. Também me certificaram que não era caro.

Fiquei muito mais tranquilo pois tinha ficado desconfiado da opção de o “líquido” ter que vir do exterior!

Alfândegas, perguntas, eventuais investigações e visibilidade tratando-se de notas "tratadas" dissimuladamente pelos USA: todas as precauções teriam que ser tomadas, pois eu não queria ser envolvido em nada de nada!

Sou um medricas nestas coisas de espionagem e a minha imaginação e muitos filmes criaram uma barreira intelectual de medo, pois “não brincam em serviço”, como se sabe!

(continua)

terça-feira, 14 de agosto de 2012

História de absoluto terror que me aconteceu há uns tempos ( parte 2)


Estava sozinho no escritório, por coincidência, à hora aprazada para a reunião com o cidadão africano, por isso quando tocaram à porta fui abri-la. Qual não é a minha surpresa quando em vez de uma pessoa se apresentam mais quatro outras, todas de raça negra.

Enfim, mandei-os entrar para o meu gabinete (já estou habituado a algumas excentricidades e sobretudo a uma total ausência de maneiras, o que não é de estranhar…) e pedi que se identificasse quem comigo tinha falado. Assim fez e reparei que não só tinham todos mau aspecto exterior, pouco cuidados, com roupa suja e manhosa, mas sobretudo estavam nervosos.

O dito interlocutor começou por me explicar que estava de passagem em Portugal com uns seus companheiros (isto tudo, rapaziada, na casa dos 30 anos) e que precisavam da minha ajuda. Repeti que estava ali para tal, mas que tinham que ser mais precisos e dizerem-me ao que vinham.

Um deles, segurava numa das mãos uma pasta de alumínio grande, do tipo dos tripulantes de aviação, mas estranhamente com uma corrente presa ao pulso, como se temesse que alguém o pudesse roubar.

Até aqui o meu desconforto era pequeno pois pareciam-me apenas uns vadios que eventualmente quereriam algum apoio junto das autoridades e de quem me veria livre sem dificuldades.

O líder, chamemos-lhe assim, o tal que me tinha contactado, pediu-me se eu arranjava espaço na minha secretária – que é grande – para pôr a referida pasta em cima, pois queriam mostrar-me algo que muito me interessaria.

O portador, com uma chave especial, libertou a “algema” do pulso, colocou a mala na minha frente e digitou uns códigos numéricos em cada uma das fechaduras.

Um teatro completo, do qual eu já não estava a gostar nada pois sentia-me pressionado por cinco desconhecidos que de uma conversa, pretensamente de tipo consular, me queriam exibir algo de estranho.

Disse-lhes com firmeza que não estava interessado em nada que não fosse ligado às minhas funções de Cônsul e mencionei, como exemplos : droga, diamantes, ouro, etc..

Eles responderam-me que não se tratava de nada disso e que eu nunca teria visto nada igual. Pediram-me que lhes desse a oportunidade de mostrar o que continha a pasta.

Lembro-me de lhes ir recusando continuarmos sequer neste tipo de conversa, mas estava em minoria e eu denotava que cada vez estavam mais nervosos e menos amistosos.

Só o líder falava e insistia que para eles era vital a minha ajuda.

Não viria nenhuma “alma” em meu auxílio, pois já era no fim do dia, e não me atrevia a ligar o telefone para ninguém, não fosse piorar a situação.

Resolvi enfrentar o problema e com calma perguntei então de que se tratava. Abriram a tampa da pasta, que já referi ser bastante grande, funda e rectangular e qual não foi o meu espanto quando vejo algodão a cobrir qualquer coisa que não se via, com um pó branco.

Ignorante que sou no campo das drogas, dei um berro valente e disse-lhes que já lhes dissera anteriormente que não queria dar apoio ou ajuda a negócios ilegais.

Não era droga, disseram eles! Tratava-se só de um pó protector do que se encontrava por debaixo.

E de perplexidade em perplexidade, mostraram-me resmas muito bem arrumadas dentro da mala, de papel recortado totalmente preto, nas medidas exactas de notas de 100 dólares cobertas por um produto, para não poderem ser identificadas no seu transporte.

O líder afirmou-me que estavam ali 4 milhões de dólares, em notas!

(continua)

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

História de absoluto terror que me aconteceu há uns tempos ( parte 1)


Hoje vou-vos começar a contar o que me aconteceu há uns anos e que me fez ter muito medo e perder bastante dinheiro.

É um relato assustador e pensei várias vezes se deveria torná-lo público, mas a fúria que ainda persiste todas as vezes que nele penso, a revolta e o desespero que na altura senti de impotência, talvez possam servir para temperar a ambição de alguns e a precaver incautos como eu.

Devo acrescentar que, como verão mais à frente, o lucro que se me prometia não me era especialmente excitante, pois o dinheiro para mim tem regras bem definidas desde que me conheço: sei muito bem como gastá-lo.

Preciso dele para fins certos e dignos que passam primeiro pela ajuda a quem mais precisa - da minha família ou terceiros - obviamente alguns gastos sumptuários e a realização de sonhos que cada um sempre aspira, mas tudo quanto tenho obtido de vida de grande qualidade, tem sido à custa de trabalho. O investimento financeiro mais garantido é no saber, na cultura e na excelência da formação pessoal e profissional.

Sigo um pequeno princípio familiar de há muitas gerações, e digo-o sem arrogância: é preciso ter tido sempre algum dinheiro, para saber usá-lo. Umas vezes pode-se ter muito, outras menos e algumas até muito pouco – nada muda se soubermos, como dizem os espanhóis, ” tratar al dinero por tu”, ou seja com naturalidade e desprendimento. Só desta maneira pode trazer a almejada felicidade de que todos falam e certamente!

Não acredito em pobreza feliz! Mas chega de considerandos filosóficos e passemos ao relato do que me aconteceu.

Só mais uma pequena observação: noutra ocasião contarei uma divertida, inusitada e estranha viagem minha à Serra Leôa, convidado oficialmente pelo respectivo Governo, de que sou representante em Portugal como Cônsul Geral Honorário, bem como outros episódios únicos no exercício destas minhas funções.

Esta nota vem a propósito, pois foi nessa qualidade diplomática que toda esta história de terror, começou!

Tenho um escritório que serve de Consulado e que é no centro da cidade de Lisboa, confortável, bem apetrechado e com tudo quanto é necessário para uma digna representação do país de que sou diplomata em Portugal. Também foi sempre o meu domicílio legal como Advogado e como empresário pois, enquanto durante o dia exercia funções de gestão em várias empresas e estava por natureza ausente, passava no fim da tarde para tratar dos meus assuntos particulares.

Recebi nesse dia um telefonema em inglês, como tantas vezes acontecia, de um indivíduo que pretendia uma audiência para tratar de assuntos consulares.

Também como de costume, perguntei do que se tratava pois faço sempre uma pequena triagem, por não ter tempo a perder. Muitas vezes ou por ignorância ou por impossibilidade minha de profissionalmente poder praticar alguns actos consulares que excedem a minha alçada, fica logo tudo esclarecido ao telefone.

A resposta que veio do outro lado era a de que, não sendo cidadão da Serra Leôa, mas sim de um país africano vizinho sem representação diplomática em Portugal, gostaria de obter esclarecimentos, ao que acedi. Pareceu-me razoável e é prática habitual dar conselhos e indicar pistas e soluções a súbditos sem representação diplomática e neste caso, com proximidade.

(continua)