segunda-feira, 27 de abril de 2015

Carta ao meu primo Luís Bernardo - várias perguntas

Resumo:

Imaginem vocês que recebi uma carta de um primo que já morreu há vários anos e que me chegou à caixa do correio. Creio ser o primeiro ser humano a ter verdadeiramente notícias reais, de além-túmulo. Deixei passar algum tempo para cair bem em mim, mas finalmente aparece alguém a explicar como tudo se passa. Aliás, nunca percebi porquê tantos mistérios!

Meu Querido Luís Bernardo,

Não te tenho escrito pois sei que aí também chegou a moda das greves e não tem havido portadores. Que coisa! Mas disseram-me que há os serviços mínimos, por isso vou aproveitar para te mandar esta carta, sumarizando uma série de perguntas que se têm acumulado.

Comecemos pelo primeiro tema: que remédio dar à tristeza? Eu acho que nenhum, mas talvez tenhas alguma mezinha! Tanta gente desanimada, uns pela vida familiar, outros pelo desemprego e falta de dinheiro, ainda outros sem esperança nas suas doenças incuráveis, finalmente muitos milhares abandonados, feridos e desalojados pelas guerras. Já nem me refiro às causas e consequências, mas ao estado de sofrimento e de desalento.

Um outro tema que suscita perplexidade crescente: com os novos avanços da ciência e da técnica, tem-se progredido no conhecimento do universo e muitas novas descobertas vêm perturbar os menos preparados e esclarecidos. Seremos os únicos no Universo, quem nos criou, quem deu origem a tudo? Claro que sabemos quais são as diversas doutrinas fruto de diferentes religiões e credos, mas diz-me lá tu, que estás bem colocado, ao menos o que te parece se não me puderes dizer a verdade.

Um terceiro aspecto que levanta muitas questões: vê se estás com Moisés e lhe perguntas se é tudo uma treta, bem gizada, sem dúvida ou a pura das verdades:

Os Dez Mandamentos ou o Decálogo é o nome dado ao conjunto de leis que segundo a Bíblia, teriam sido originalmente escritos por Deus em tábuas de pedra e entregues ao profeta Moisés (as Tábuas da Lei). As tábuas de pedra originais foram quebradas, de modo que, Deus teve de escrever outras.

Como sabemos, o Decálogo significa "dez palavras", as palavras que resumem a Lei dada por Deus ao povo de Israel, no contexto da Aliança, por meio de Moisés. Este, ao apresentar os mandamentos do amor a Deus (os quatro primeiros) e ao próximo (os outros seis), traça, para o povo eleito e para cada um em particular, o caminho de uma vida liberta da escravidão do pecado.

Segundo a Torá, os Dez Mandamentos foram entregues no Monte Sinai ao povo hebreu, por Deus, através de Moisés, separadamente do restante da Torá ("Ensinamentos"). De acordo com a Bíblia, os mandamentos escritos nas duas tábuas da Lei, foram escritas pelo dedo do próprio Deus sendo que os demais foram ditados e escritos em pergaminhos por Moisés e ambos falados directamente ao povo. Em hebraico (língua original dos Mandamentos), o número de letras dos Dez Mandamentos é equivalente a 613, o número total dos mandamentos da Torá.

Luís Bernardo, desembrulha-me esta confusão, se fazes favor.

Finalmente, tenho sido muito solicitado para apurar a personalidade de um misterioso Don Quijote de la Mancha e do seu aio, Sancho, dito da Pança.

Nas tuas voltas, convida-os para jantar e indaga tudo sobre os moinhos de vento e das fantasias que o levou ao desânimo após ter desistido de lutar contra os arrogantes e ignóbeis nobres, que segundo ele, temiam se defrontar com tal valente cavaleiro.

Teu muito dedicado primo

Manuel

sábado, 25 de abril de 2015

Esta gente

ESTA GENTE

Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco
Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis
Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre
Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome
E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada
Meu canto se renova
E recomeço a busca
De um país liberto
De uma vida limpa
E de um tempo justo

Sophia de Mello Breyner Andresen, in "Geografia"

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Harém

Une fois dans le Harem, les femmes pouvaient « monter en grade ». En étant « honorée » par le sultan, la jeune femme devenait « odalisque ».
 
Puis si elle lui donnait un garçon elle devenait kadin. Enfin, si son fils devenait sultan, elle devenait « valide sultane », le titre le plus envié : elle régnait alors sur le harem et avait très souvent un rôle clé dans l’organisation de l’Etat.

les femmes dans l'empire ottoman au XVIIIe siècle

"Il y avait bien là ce jour, aux hammans, 200 baigneuses. Les premiers sofas furent couverts de coussins et de riches tapis, et ces dames s'y placèrent, les esclaves les coiffèrent, toutes étaient dans l'état de nature, toutes nues. Cependant, il n'y avait parmi elles ni geste indécent, ni posture lascive, elles marchaient et se mettaient en mouvement avec cette grâce majestueuse !

Il y en avait plusieurs de bien faites, la peau d'une blancheur éclatante, et n'étaient parées que de leurs beaux cheveux séparés en tresses, qui tombaient sur les épaules et qui étaient parsemés de perles et de rubans : belles femmes nues dans différentes postures ; les unes jasant, les autres travaillant, celles-ci prenant du café ou du sorbet, quelques autres négligemment couchées sur leurs coussins. De jolies filles, de 16 à 18 ans, sont occupées à tresser les cheveux des baigneuses de mille manières... Après le repas on finit par donner le café ou les parfums, ce qui est une grande marque de considération ; alors, de cette manière, deux jeunes esclaves à genoux encensèrent pour ainsi dire mes cheveux..."

( Extraits des lettres de Lady Montague - Mary Wortley Montagu (26 mai 1689 - 21 août 1762), épouse de l'ambassadeur de Grande-Bretagne en Turquie, publiées à Londres en 1764. Une source inestimable sur les femmes dans l'empire ottoman au XVIIIe siècle. En effet, en tant que femme, elle put avoir accès à des lieux interdits aux hommes : harems ou bains par exemple ; plus généralement, elle eut de véritables contacts avec les femmes ottomanes.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Stefan Zweig

Zweig was an immensely successful novelist, playwright, and librettist in early 20th century Europe. Though Austrian by nationality and Jewish by heritage, he considered himself first and foremost an European, and no one was more delighted than he by the vigorous bounty of European culture at the turn of the last century. To be a talented aspiring writer, nineteen years old, in Vienna, in 1900 — what a joy! Modernity must have looked like a blossoming Eden. And then, of course, came the snakes. By 1942, Zweig was in Brazil, a refugee with no citizenship and no possessions, and he with his wife saw no future. They took an enormous amount of barbiturates and lay down to die. I send greetings to all of my friends,” he wrote. “May they live to see the dawn after this long night. I, who am most impatient, go before them.

dar a mão

Os discípulos de Emaús são um retrato de nós mesmos. Como eles, também nós somos seres abatidos, caminhando pela estrada, a caminho de casa, no ocaso do dia. Também as nossas expectativas parecem esvaziadas e as esperanças caídas. Só que nas estradas da vida surgem muitas surpresas. É nestas estradas que surge o Jesus que nós, à primeira, não reconhecemos nem acolhemos. Jesus, que é o caminho (cf. Jo 14, 6), nunca deixa de Se aproximar de nós e de caminhar connosco (cf. Lc 24, 15). 

Jesus é o Deus próximo e o Deus peregrino. 

Ele é o nosso caminho e a luz que guia os nossos passos em todos os caminhos. 

É Ele que toma a iniciativa de vir ao nosso encontro.

Pe. João António Pinheiro Teixeira

quarta-feira, 15 de abril de 2015

The Italian Wedding Test

I was a very happy man. My wonderful girlfriend and I had been dating for over a year. 

So we decided to get married.

There was only one little thing bothering me.. It was her beautiful younger sister, Sofia.

My prospective sister-in-law was twenty-two, wore very tight miniskirts, and generally was Bra-less. She would regularly bend down when she was near me. I always got more than a nice view. It had to be deliberate...she never did it around anyone else.

One day she called me and asked me to come over. 'To check my Sister's wedding- invitations' she said. She was alone when I arrived and she whispered to me that she had feelings and desires for me. She couldn't overcome them anymore. She told me that she wanted me just once before I got married.

She said "Before you commit your life to my sister". Well, I was in total shock, and I couldn't say a word. She said, "I'm going upstairs to my bedroom" she said... "if you want one last wild fling, just come up and have me".

I was stunned and frozen in shock as I watched her go up the stairs. I stood there for a moment...then turned and made a bee-line straight to the front door. I opened the door, and headed straight towards my car.

Lo and behold, my entire future family was standing outside, all clapping! With tears in his eyes, my father-in-law hugged me. He said, 'Sergio, we are very happy that you have passed our little test. We couldn't ask for a better man for our daughter. Welcome to the family my son..'

And the moral of this story is:

Always keep your condoms in your car.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Nem tudo o que exponho foi escrito com a cabeça; muita coisa também saiu do coração.


Muitas vezes me enganei e não raro tive que aprender tudo de novo. Mas sei – e por isso me conformei – que é só da noite que se faz o dia, e que a verdade sai do erro.  Por isso nunca tive medo do erro, nem dele me arrependi seriamente.  Nem tudo o que exponho foi escrito com a cabeça; muita coisa também saiu do coração.

C.G. Jung

Cada pessoa é aquilo em que crê


Cada pessoa é aquilo em que crê;
fala do que gosta; retém o que procura;
ensina o que aprende; tem o que dá e vale o que faz.

Hoje a minha aula habitual na prisão de alta segurança de Monsanto aos reclusos estrangeiros, foi substituída pela passagem de um filme que pedi aos cinemas Corte Inglês e que simpaticamente disponibilizaram.

Era um filme muito divertido e na língua materna de 3 dos detidos, e para além de rirem a bom rir todo o tempo, em momentos aonde apareciam casas, campos, paisagens, cidades e pessoas reparei que ficaram muito comovidos.

Saí com a certeza que estes são seguramente passos, mais do que grandes discursos, para os ajudar na reinserção e para cada vez mais ansiarem pela liberdade.

Senti, tal como eles, um aperto no coração e pensei que era por eles que vibrava...faz bem esquecer-nos de nós e solidarizar-nos com os outros.

Será que alguém pensa que também é bom sentirmos a solidariedade dos outros por nós ou tudo julga que somos imortais e insensíveis...

Deu-me para este pensamento num dia cinzento, mas que se pode sempre, quando o quisermos, tornar-se bem mais claro!

Foi o que sentiram hoje, estou certo, os reclusos de Monsanto!

sábado, 11 de abril de 2015

7 Cardinal rules for life


Senhor, partem tão tristes meus olhos por vós

Senhor, partem tão tristes
meus olhos por vós, meu bem,
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.

tão tristes, tão saudosos,
tão doentes da partida,
tão cansados, tão chorosos,
da morte mais desejosos
cem mil vezes que da vida.

partem tão tristes os tristes,
tão fora de esperar bem,
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.

João Roiz de Castelo-Branco

sábado, 4 de abril de 2015

rosa enjeitada

Sou essa rosa, caprichosa, sem ser má
Flor de alma pura e de ternura ao Deus dará
Que viu um dia, que sentia um grande amor
E de paixão o coração estalar de dor

Rosa enjeitada
Sem mãe sem pão sem ter nada
Que vida triste e chorada
O teu destino te deu
Rosa enjeitada
Rosa humilde e perfumada
Afinal desventurada quem és tu?
Rosa enjeitada
Uma mulher que sofreu

Tão pobrezinha que ainda tinha uma afeição
Alguém que amava e que sonhava uma ilusão
Mas esse alguém por outro bem se apaixonou
E assim fiquei sem ele que amei e me enjeitou

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Na morte do António Mendia


Na morte do António Mendia.

Tinha estado com o António na 3ªf, nas habituais tertúlias de fim de tarde no Clube.

Custava-lhe a respirar mas achei-o com melhor côr e disse-lhe. Esteve à conversa, sorrindo com as minhas histórias e comigo estavam o Sebastião Lancastre e apareceu depois o Jorge Brito e Abreu.

Quando saímos pelas 21h 30m, pediu-me o braço para se apoiar e descemos até ao carro do Sebastião que impecavelmente nos levava a cada 3ªf, passando primeiro pela casa do António e depois seguindo.
Despedimo-nos e desejámo-nos mutuamente uma boa Páscoa.

O António foi das pessoas mais resignadas que eu tenho encontrado. Guardando para si as suas dores e mágoas e à medida que ia piorando não se ouvia um queixume, a não ser aqueles que decorriam do seu estado visível.

Foi melhor assim. Parou de sofrer. Frase sempre dita.

Deixa-me saudades e sobretudo deste hábito de nos vermos com frequência: e de repente a morte tudo vence e leva os Amigos.

Sempre que alguém a quem eu quero morre, reflicto sobre tudo por quanto lutamos tantas vezes não medindo verdadeiramente a essencialidade das coisas.

O mais importante em cada pessoa é a forma como se revela aos outros, ou seja é pelo seu comportamento que os outros vão classifica-lo como boa ou má pessoa.

No fundo os valores mais importantes, independentemente da origem social de onde se provenha são:

- a bondade de coração, a magnanimidade e a boa disposição.
- a honestidade e a lealdade.
- a honra e a palavra dada que é sempre cumprida, seja em que circunstâncias for.
- a preparação para bem cumprir as tarefas que lhe estão confiadas.
- o desejo de agradar aos outros com decência e decôro ( com boas-maneiras e sem chocar).
- alguma reflexão interior e paz conseguida com espiritualidade.
- o manejo do dinheiro de uma forma desapegada.
- a temperança no sentido de evitar excessos.

Não há pessoas perfeitas nem é fácil a combinação destas e de mais algumas características que ainda possam faltar, mas se se conseguir ser uma grande parte de isto, penso poder-se dizer que se deixa um bom exemplo como ser humano.

E o António, o meu querido António, esforçou-se para isso e de certeza que encontrou o merecido descanso.

Que Deus o tenha na Sua Santa Guarda

quarta-feira, 1 de abril de 2015

a vida não acaba quando o corpo morre, e pode durar para sempre


Um livro intitulado “Biocentrism: How Life and Consciousness Are the Keys to Understanding the Nature of the Universe“ (Biocentrismo: Como a Vida e a Consciência São as Chaves para a Compreensão da Natureza do Universo – [tradução livre do título – n3m3]) mexeu com a Internet, porque ele contém a noção de que a vida não acaba quando o corpo morre, e pode durar para sempre.  O autor desta publicação, o cientista Dr. Robert Lanza, que foi votado pelo NY Times como sendo o 3º cientista mais importante ainda vivo, não tem dúvida de que isto seja possível.

Além do tempo e do espaço

Lanza é um especialista em medicina regenerativa e diretor científico da Companhia de Tecnologia Avançada da Célula.  Ele é conhecido também por sua extensa pesquisa com células tronco, e é conhecido por vários experimentos de sucesso na clonagem de espécies de animais em extinção.
Mas há pouco tempo, o cientistas se envolveu com a física, a mecânica quântica e a astrofísica.  Esta mistura explosiva deu o nascimento à nova teoria do biocentrismo, a qual o professor tem pregado desde então.  O biocentrismo ensina que a vida e a consciência são fundamentais para o Universo.  É a consciência que cria o universo material, e não o contrário.
Lanza aponta para a própria estrutura do Universo, e que as leis, forças e constantes do Universo parecem ser afinadas com a vida, implicando no fato da consciência existir antes da matéria.  Ele também alega que o espaço e tempo não sejam objetos ou coisas, mas sim ferramentas de nossa compreensão animal.  Lanza diz que carregamos o espaço e o tempo conosco “como tartarugas com cascos“, o que significa que quando o casco é deixado de lado (tempo e espaço), ainda existiremos.
A teoria implica que a morte da consciência simplesmente não existe.  Ela somente existe como pensamento, porque as pessoas se identificam com seus corpos.  Elas acreditam que o corpo irá perecer, mais cedo ou mais tarde, achando que assim sua consciência irá desaparecer também.  Se o corpo gera a consciência, então a consciência morre quando o corpo morre.  Mas se o corpo recebe a consciência da mesma forma que um receptor de TV a cabo recebe sinais, então o curso da consciência não acaba na hora da more do veículo físico.  Na verdade, a consciência existe fora da limitação do tempo e do espaço.  Ela é capaz de estar em qualquer lugar: no corpo humano e fora dele.  Em outras palavras, ela não tem local, no mesmo sentido que objetos quânticos não possuem local.
Lanza também acredita que universos múltiplos possam existir simultaneamente.  Em um universo, o corpo pode estar morto.  E no outro ele continua a existir, absorvendo a consciência que migrou para esse universo.  Isto significa que uma pessoa morta, enquanto viajando através do mesmo túnel, não vai para o inferno ou céu, mas para um mundo similar àquele que ela uma vez habitou, contudo desta vez viva.  E assim por diante, indefinidamente.  É quase como um efeito pós-vida do tipo Matriosca (boneca russa) cósmica.

Mundos múltiplos

A teoria de Lanza, que infunde esperança, mas é extremamente controversa, possui muitos defensores, não somente meros mortais que querem viver para sempre, mas também alguns cientistas bem conhecidos.  Estes são físicos e astrofísicos que tendem a concordar com a existência de mundos paralelos e que sugerem a possibilidade de universos múltiplos.  O multiverso é um, assim chamado, conceito científico, o qual eles defendem.  Eles acreditam que não exista nenhuma lei física que proibiria a existência de mundos paralelos.
H.G. Well, o escritor de ficção científica, proclamou isto em 1895, na sua obra “The Door in the Wall” (A Porta na Parede).  E após 62 anos, esta ideia foi desenvolvida pelo Dr. Hugh Everett, em sua tese de graduação na Universidade Princeton.  Ela basicamente apresenta que, em qualquer dado momento, o Universo se divide em inúmeras ocorrência similares.  E no momento seguinte, estes universos ‘recém-nascidos’ se dividem de forma similar.  Em alguns destes mundos você pode estar presente: lendo este artigo em um universo, ou assistindo TV em outro.
Os fatores que disparam estes mundos que se multiplicam são as nossas ações, explicou Everett.  Se fizermos algumas escolhas, instantaneamente um universo se divide em dois, com diferentes versões de resultados.
Na década de 1980, Andrei Linde, um cientista do Instituto de física de Lebedev, desenvolveu a teoria dos universos múltiplos.  Ele agora leciona na Universidade Stanford.  Linde explicou: “O espaço consiste em muitas esferas que se inflam, as quais geram esferas similares, e essas, por sua vez, produzem esferas em números ainda maiores, e assim por diante até o infinito.  No Universo, elas são espaçadas umas das outras, Elas não estão cientes da existência das outras.  Mas elas representam partes do mesmo universo físico.
O fato do nosso Universo não estar só é apoiado pelos dados recebidos do telescópio espacial Planck.  Usando estes dados, os cientistas criaram o mais preciso mapa do fundo de microondas, a assim chamada ‘radiação de fundo da relíquia cósmica’, que permanece deste o início do Universo.  Eles também descobriram que o Universo possui muitos recessos escuros, representados por alguns buracos e extensas brechas.
A física teórica Laura Mersini-Houghton, da Universidade da Carolina do Norte, com seus colegas, argumentam: “As anomalias do fundo de microondas existem devido ao fato de que o nosso Universo é influenciado por outros universos que existem nas proximidades.  E os buracos e brechas são um resultado direto dos ataques dos universos vizinhos sobre nós.

Alma

Assim,há uma abundância de lugares, ou outros universos, para onde nossa alma poderia migrar após a morte, de acordo com a teoria do neo-biocentrismo.  Mas a alma existe?  Há uma teoria científica da consciência que poderia acomodar tal alegação?  De acordo com o Dr. Stuart Hameroff, uma experiência de ‘quase-morte’ acontece quando a informação quântica que habita o sistema nervoso deixa o corpo e dissipa no Universo.  Ao contrário das explicações materialistas sobre a consciência, o Dr. Hameroff oferece uma explicação alternativa da consciência, que pode talvez ser atraente, tanto para a mente científica racional, quanto para as intuições pessoais.
De acordo com Stuart e Sir Roger Penrose, um físico britânico, a consciência reside em microtúbulos de células cerebrais, os quais são locais primários de processamento quântico.  Na morte, esta informação é liberada pelo seu corpo, o que significa que a nossa consciência vai com ela.  Eles argumentam que a nossa experiência de consciência seja o resultado de efeitos quânticos da gravidade nestes microtúbulos; uma teoria que eles batizaram de ‘redução objetiva orquestrada’ (sigla em inglês: Orch-OR).
A consciência, ou pelo menos a proto-consciência, é teorizada por eles como sendo uma propriedade fundamental do Universo, presente até mesmo no primeiro momento do Universo durante o Big Bang.  “Em tal plano, a experiência proto-consciente é uma propriedade básica da realidade física, acessível a um processo quântico associado à atividade cerebral.
Nossa almas, na verdade, são construídas do mesmo tecido do Universo – e podem ter existido desde o começo do tempo.  Nossos cérebros são somente receptores e amplificadores para a proto-consciência, a qual é intrínseca ao tecido espaço-tempo.  Assim, há realmente uma parte de nossa consciência que não seja material e que sobreviverá a morte de nosso corpo físico?
O Dr. Hameroff falou no documentário ‘Através do Buraco de Minhoca’, do Science Channel: “Digamos que o coração pare de bater, o corpo pare de fluir, os microtúbulos percam seu estado quântico.  A informação quântica dentro dos microtúbulos não é destruída, ela não pode ser destruída, ela somente se distribui e dissipa à solta no Universo.”  Robert Lança adicionaria aqui que, não somente ela existe no Universo, mas que talvez também ela exista em outro universo.
Se o paciente for ressuscitado, reanimado, esta informação quântica pode voltar para dentro dos microtúbulos e o paciente dizer, “eu tive uma experiência de quase morte“.
Hameroff ainda diz: “Se o paciente não for reanimado e morrer, é possível que esta informação quântica possa existir fora do corpo, talvez indefinidamente como uma alma.
Esta afirmação sobre a consciência quântica explica coisas como as experiências de quase-morte, projeções astrais, experiência fora do corpo, e até mesmo a reincarnação, sem a necessidade de apelar para ideologias religiosas.  Em algum ponto, a energia de nossa consciência potencialmente se recicla para dentro de um corpo diferente, e enquanto isso ela existe fora do corpo físico em algum outro nível de realidade, e possivelmente em outro universo.