sábado, 21 de abril de 2018

INSTANTÂNEO no Hotel Ritz


INSTANTÂNEO

Um casal de russos na sala do Ritz. Estou sentado num sofá ao lado. Estranho estar a perceber a conversa deles em russo. Será um dom de que nunca me tinha apercebido?

Falam sobre um político português que há de vir ter com eles.

O Presidente Putin disse que era preciso ajudá-lo com dinheiro e influência nos media.

Nem quero crer em mim em estar a entender tudo isto.

Com espanto vejo entrar Sócrates no Ritz e ser cumprimentado com deferência pelos porteiros. Vem de jeans e com um pull-over roxo e procura à volta como se quisesse encontrar alguém.

Não resisti: levantei-me e dirigi -me a ele e apresentei-me dizendo-lhe:

- Bom dia meu Primeiro-Ministro. Chamo-me Luís Paixão (o meu nome de código).

Sócrates ficou agradado pelo tratamento de posse: " meu Primeiro-Ministro"!

Disse-lhe num murmúrio enquanto a Diana Krall, cantava "squeeze me":

- russos, Putin?

Ele ficou a olhar para mim pasmado e eu pegando-lhe afectuosamente no braço conduzi-o até ao casal russo.

Uns em frente dos outros, ouvi uma palavra de código dita baixinho por Sócrates: - glasnost!

Grande sorriso e abraços e eu escapuli-me não sem alguma pena de não ter pensado em qualquer aproximação ao Vladimir.... são negócios garantidos e dinheiro em caixa.

Fiquei a pensar como raio eu tinha entendido o russo! Só pode ter sido por estar vaticinado pelos deuses para uma missão neste mundo.

sábado, 14 de abril de 2018

ALGUMAS OBSERVAÇÕES SOBRE UM POSSÍVEL ATAQUE À SÍRIA


ALGUMAS OBSERVAÇÕES SOBRE UM POSSÍVEL ATAQUE À SÍRIA

Recebi um vídeo do YouTube em que no Sky news um oficial do exército britânico quando pretende denunciar que foi o exército britânico que utilizou as armas químicas e escondeu essa utilização para que o Governo Sírio seja atacado como tendo sido o autor, foi-lhe cortada a palavra para não informar os espectadores.

Outras fontes internacionais também citam esta versão e fico perplexo pela hipocrisia mais uma vez demonstrada pelos USA e os seus aliados de quererem justificar um ataque à Síria tal como foi como no Iraque a qualquer preço.

O comércio de armamentos, as vultosas comissões e o emprego na indústria do armamento justificam infelizmente o uso das armas e das guerras.

Trump está completamente desorientado com as "bombas" que lhe rebentam em casa. Parece uma barata tonta que para cada lado que vira a cara leva um chapadão inesperado.

Estamos de facto num momento muito complicado da história do mundo.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Mark Zuckerberg de novo


FACEBOOK E O CONTROLO DO MUNDO

Estive de novo a ver as declarações de hoje de Zuckerberg no Congresso.

Fiquei chocado quando respondeu a perguntas claras, precisas e directas dizendo " que quem não quiser estar no Facebook, pode sempre sair ".

Arrogância, e uma indicação subtil, de que vai fazer mais uma série de promessas que não irá cumprir, como nos casos anteriores, pois o objectivo é ganhar dinheiro e no fundo vender informações a quem mais pagar.

Os cidadãos do mundo julgam que são livres, mas na realidade são escravos de grandes grupos que os manipulam e lhes dão enganosamente a sensação de liberdade de escolha.

Percebe-se que haja quem se revolte, que faça revoluções para afastar impostores e monopolistas, só que infelizmente a maioria das pessoas tem dois grandes defeitos: comodistas e não pensam.

Trump diverte-se no recreio com uma cambada de idiotas de yes men


Trump diverte-se no recreio com uma cambada de idiotas de yes men


Estive a acompanhar o desenvolvimento da situação das ameaças de Trump pelo twitter de que vai fazer a guerra. Parece a "guerra do Solnado"!

Estando em causa a vida de novas pessoas que irão morrer nos bombardeamentos, mulheres e crianças que fazem parte do povo sírio e não são de certeza terroristas, sendo que o querem é paz e poderem viver uma vida de família, como é possível esta ligeireza de Trump que espanta o mundo normal mas cujos políticos não se atrevem a discordar com coragem e determinação.

Situações como na Venezuela e em outros países do mundo em que seria fácil aos USA pôr fim ao tormento de milhões de cidadãos, não merecem sequer um minuto de atenção.

Trump diverte-se no recreio com uma cambada de idiotas de yes men que têm vindo paulatinamente a ser escolhidos por esta condição em detrimento de outros que ao discordarem são corridos por twit.

Como é possível que o povo americano tolere isto?

quarta-feira, 11 de abril de 2018

AUDIÇÃO NO CONGRESSO DOS USA DO CEO DO FACEBOOK


AUDIÇÃO NO CONGRESSO DO CEO DO FACEBOOK

Estive a ouvir até agora a audição no Congresso dos USA do CEO do Facebook, Mark Zuckerberg.

Algumas considerações:

1. Zuckerberg confirmou a sua inteligência nas respostas dadas;

2. A maioria dos Senadores não têm uma vivência pessoal ou compreensão técnica para um debate sobre plataformas tecnológicas, sem embargo de terem assistentes ou familiares que a têm e veicularem algumas das dúvidas suscitadas;

3. Existe no sector Republicano um desejo absoluto de criar legislação apertada para controlar os conteúdos e informações dos usuários, instalando um clima de censura que vai matar ainda mais o Facebook. A maioria dos utilizadores americanos são básicos , aliás como em muitos outros países incluindo Portugal, e as "conversas" facebookianas não interessam nem ao Menino Jesus, pois não põem em perigo nenhum regime. São de carácter paroquial e pessoal. É o que é.

4. Não obstante, é preciso constatar e reconhecer o poder, a influência, os lobbies, e o desempenho de Zuckerberg de um papel no mundo que não é despiciente. Pouco se sabe e se saberá do modelo de negócio por muito que ele diga o contrário. No entanto foi correcto e inteligente nas respostas (evitando mentir mas não se comprometendo) por forma a defender a independência do Facebook e da sua rentabilidade.

5. Como primeiras conclusões que tiro:

a) não temos realmente controlo sobre os nossos dados quer no Facebook quer em outros fora (para quem não sabe, é o plural latino de forum) pelas nossas limitações e pequenez face ao galopante avanço da IA (inteligência artificial);

b) o modelo de negócio do Facebook, cuja adesão é gratuita, e cujos resultados e proveitos são arquibilionários, deriva de uma série de algoritmos que projectam para fora do facebook através de developers e apps o nosso pensar e sentir sendo objecto de tratamento de marketing e não só, que podem condicionar mercados, eleições, opiniões públicas, etc.. O lucro está aqui para o Facebook ao interagir com o mercado das app que a cada dia aparecem no Facebook e que vendem...por exemplo ténis, de várias marcas e cores e de diversos fornecedores.

c) não tenho segredos a esconder, defenderei como sempre fiz a minha liberdade de expressão e acho compensatório tudo quanto o que o facebook me traz: amizades novas, conhecimento, pessoas interessantes e também desinteressantes, boas oportunidades e já vou no meu 3º casamento desde que aderi ao Facebook...tinha que vir a asneira...ahahah

Por isso foi instrutivo, agradável de ver um rapaz de 34 anos genial e brilhante a defender a sua vida profissional e com grande espanto meu, constatar que muitos das dezenas de Senadores diziam abertamente que precisavam da colaboração do Zuckerberg para fazerem leis que regulem o sector.

Fiquei a pensar para mim, que o Zuckerberg, vai com todo gosto cimentar o que pretende para a sua empresa, ao ajudar na regulação e criar dificuldades aos seus concorrentes.

Tenho muitas dúvidas que tenha havido muitos meus concidadãos que tenham assistido e se interessem por estes temas que são actuais, fascinantes. Aposto que estiveram a ver tudo que tem a ver com o Sporting ou futebol...

Tão verdadeiro o ditado: "albarda-se o burro, à vontade do seu dono.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

óculos escuros de sol


INSTANTÂNEO

Tive que ir a uma reunião com uns estrangeiros perto do Rossio e por isso deixei o carro no parque dos Restauradores e fui a pé.

Ia de óculos escuros pois estava sol de manhã e sempre é estiloso…ahahahah…e de repente no passeio sou interpelado por uma mulher que me diz em inglês:

- Want sunglasses? You english?

- I am Ucranian. I have sunglasses already as you see. – disse eu, divertido.

Mostra-me um par de óculos escuros e aponta para a “marca” nas hastes.

- Very good, Porsche! E de repente atira-se-me à cara, arranca os meus e sem eu ter conseguido impedi-la, pranta-me os Porsche na cara.

Tirei-os com cuidado e ela diz-me : you look very nice sunglasses. Only € 18,00 e num sufoco de me querer vender foi baixando até aos € 10,00. Eu calado e com uma cara bem-disposta.

Às tantas falei em português e disse-lhe: - como vê já tenho uns óculos escuros e não preciso de outros, e esses não são da Porsche mas são bonitos.

Afastei-me para não ter que ouvir, coitada, baixar o preço a um montante escandaloso para ela.

Fui andando e fui cogitando como não sabemos, mesmo, o que pode significar para esta e para tanta gente vender, ao menos, um dos produtos com que andam a arrastar-se por ruas e praças sem nenhum curso de marketing, mas com aquele que é o resultante da experiência da vida e do desespero da fome e da miséria.

Triste mundo este em que se gasta tanto dinheiro com armas e guerras e mortos de inocentes e não conseguimos alimentar convenientemente os seres humanos nossos próximos.

domingo, 8 de abril de 2018

Instantâneo


INSTANTÂNEO

Saí a seguir ao almoço para caminhar e como vi sol, não levei, imprevidente, chapéu de chuva. Estava frio e sobre uma camisa de lã aos quadrados escoceses em tons de azul de várias tonalidades, um leve gilet de malha com um fecho éclair, que puxei para cima, levantando a gola.

Arrependi-me logo ali, mas tive preguiça de voltar a casa.

Passei pela botica a aviar um remédio contra a tosse e ao descer por uma avenida abaixo, desatou a chover.

Fui-me abrigando tanto quanto pude debaixo de beirais salientes, mas a chuva que caía generosa, ia-me ensopando o casaco e molhando os jeans.

Não há nada de menos romântico do que apanhar uma molha sem pretender dansar nem cantar o " singing in the rain" considerando sobretudo que nesse cenário sempre havia um chapéu de chuva!

Entrei desaforado na Bertrand e a praguejar baixinho. Já lá sou conhecido dos empregados: um rapaz novo sorrindo sempre às minhas graças e uma rapariga rondellette que é a chefe da livraria.

Andei a miroscar as novidades, fiz perguntas e alguns comentários amalucados mas sem mal, pois estávamos só os 3 nessa manhã de chuva.

Fixei-me no último livro do Pedro Mexia, "Lá fora" que folheei e me interessou. Tinha lido a entrevista dele ao Observador bem como tendo já estado umas vezes com ele, é um escritor que me agrada ler.

Ainda folheei outros livros e revistas e jornais estrangeiros, mas a molha moderou-me os gastos!

Estava com fome pois tinha tido um frugal pequeno-almoço. Decidi-me a ir comer um croissant e beber um galão.

Ao dirigir-me porém, para a pastelaria, cruzei-me com uma antiga namorada.

Ela não me viu, mas eu sim. Estava diferente. Todos estamos.

No caminho de regresso a casa pus-me a pensar como seria se a tivesse desposado! E fiquei convencido que a minha escolha de não o ter feito, fora avisada.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

BRASIL e CATALUNHA







BRASIL e CATALUNHA

Lula é indiscutível que para além de pessoalmente ser corrupto deu origem a um conjunto de situações em que o seu Governo tornou a imagem do Brasil lastimável.

O facto de ser um combatente de esquerda e populista e pretensamente defender os mais desfavorecidos (veja-se como enriqueceu à custa de desonestidades) não o dispensa de honrar o cargo que desempenhou e dar o exemplo de um Presidente impoluto e sem recriminações. Tal como qualquer outro cidadão, pode-se defender, foi condenado, paga a pena na prisão. Armar-se em vítima e utilizar o povo analfabeto, emocional e como todos os povos, manipulável é um truque baixo e qualifica muito mal os políticos brasileiros e a Justiça se não tiver força para mandar cumprir a sentença.

Quanto à Catalunha, quer na vida pessoal de cada um quer e sobretudo na política há ganhar e perder. Puigdemont perdeu e também para além de agumas acusações de corrupção, desobedeceu à lei em vigor e por isso terá que pagar o preço da sua atitude.

Em ambos os casos, com a democracia abriliana, tornou-se claro que "o povo é quem mais ordena" conceito que desde há muito tem vindo a ser aplicado em vários países do mundo em que se deram reviravoltas democráticas. Não aquelas em que a coberto do nome do povo, se instauraram ditaduras.

Por isso se no Brasil e na Catalunha, o dito povo quiser que triunfem estas personalidades e os seus ditames e interesses, façam o favor....é claro que para quem esteja contra e creia vir a sofrer perseguição por ter ideias opostas, o caminho é o exílio.

Não penso que uma nova ditadura militar no Brasil sirva os interesses das gentes e da Nação Brasileira. Ditaduras de um sentido ou de outro são sempre más.

Mas o mundo aguarda com ansiedade e algum espanto como vai o poder judicial ter força e conseguir por Lula na cadeia.

Se não conseguir será um péssimo precedente e temo que o Brasil passe a um país ingovernável.

Quanto a Puigdemont, a sua sorte dependerá também da coercibilidade que o Governo Espanhol consiga ter para executar o mandato de detenção, sem tumultos de vulto que já estão a afectar a economia Catalã e a de Espanha.

Mas isso as minorias que cegamente protestam, nunca vêm que um grupo minoritário, prejudica o todo.

Há mais vida para além disto, mas estou pendente do desfecho em ambos os países.

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Constatações


Constatações:

1. O Brasil, país irmão e formidável, está numa podridão, confusão e insegurança que desde há muito não se via. Não há buracos no mapa e por isso não vai desaparecer. No entanto, no momento presente, para aqueles que lá vivem, trabalham e lá têm as suas famílias, tornou-se num pesadelo.
Torna-se difícil prever o futuro próximo. O PT é um partido poderoso e fará tudo para libertar Lula o mais depressa que puder e o impor como candidato a Presidente. O povo brasileiro revê-se no personagem Lula e se no seu inconsciente culpa-o de corrupção e de enriquecimento fraudulento, como são pobres na sua maioria, ele aparece qual Che Guevara a prometer luta e a defesa dos mais desfavorecidos. 

Por outro lado a classe média e alta, endinheirada e com fortes investimentos namora candidatos de direita radical e militarista para controlar o país e como sempre, proteger os seus interesses.
Como foi possível deixarmos o Brasil colonizado sem aquela marca de civilização? Não gostam especialmente de nós a viver e a concorrer com eles no Brasil, mas emigram sem hesitação para Portugal.


2. TRUMP continua a provocar o mundo e internamente as instituições e pessoas que qualquer pessoa com bom senso e inteligência evitaria afrontar: os generais do Exército, o FBI, o seu próprio gabinete da Casa Branca e assessores de prestígio, correndo com eles paulatinamente a cada dia e por twitter. Não pode acabar bem! Era desnecessário.

3. A China e a Rússia cada um nos seus territórios de conveniência ganham terreno, influência e desprestigiam o papel dos USA. A China promete descaradamente e por voz oficial que não tem medo do aumento das tarifas anunciadas por TRUMP por twitter e irá retaliar. É de uma imprudência enorme não negociar. Estou de acordo que a China monopoliza o comércio mundial e que é preciso por um basta, mas não por esta maneira ligeira e não preparada de um Presidente que parece não reflectir nas consequências dos seus impulsos.

A Rússia vai fortalecendo o poder do seu novo czar Putin que se alia conforma as conveniências estratégicas ao Irão, à Síria, à Turquia e não deixará pedra sobre pedra a quem a afrontar.

A Europa contra a Rússia vale zero pois não tem o seu próprio exército dissuasor e a própria NATO veio hoje dizer que não pretende uma escalada de armamento bélico contra a Rússia.

Apetece pois, por a cabeça debaixo de um edredon e deixar que o sono nos invada e esperar que amanhã seja um outro dia.


Dois apontamentos


Dois Apontamentos:

1. A Monarquia em Espanha corre sèriamente perigo. Não pela história de hoje entre a Rainha Letizia e a Rainha Sofia, que é um incidente que revela uma expectável diferença de educação entre uma modesta roturière que chegou a Rainha e que ainda não aprendeu as regras básicas do respeito e cumprimento das boas-maneiras que as funções exigem e uma Rainha verdadeira e com provas dadas. Na história da Cinderela nunca este tema foi abordado e só sabemos que no fim foram felizes para sempre.
Creio que o príncipe da Cinderela terá tido os mesmos problemas!
Mas o que me leva a eventualmente ser pessimista para o futuro da Monarquia em Espanha é o facto de o povo votante assistir a uma cada vez maior irrelevância da instituição e verificar que neste caso da Catalunha o papel de árbitro independente dos órgãos de soberania que compete ao Rei foi mal exercido e nos dois discursos que fez endossou o seu apoio ao Governo e a Rajoy. Ainda a procissão vai no adro e antevejo que a vítima expiatória possa começar no Rei e prosseguir em outras direcções com graves consequências se o curso da intervenção real não mudar.

2. Lula no Brasil.
A situação no Brasil está explosiva e pode degenerar numa nova ditadura militar. Lula pressiona abertamente o Supremo Tribunal de Justiça para não ser preso apesar de uma sentença condenatória. Para não falar da falta de segurança e de total descontrolo político. Lastimável e perigoso.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

THE IMPORTANCE OF BEING EARNST


THE IMPORTANCE OF BEING EARNST

Neste caso quero referir-me à importância de se ser cada um, não tanto no conceito literal de “importância” seja a que título for, mas no sentido de guardarmos respeito por nós próprios.

Ao crescermos desde muito novos há os que são “Maria ou Manuel vai com os outros” e durante anos e anos, mantém-se sem personalidade, sem marcarem as suas posições em relação a nada de nada, em suma num silêncio que pode ter várias razões: timidez, estupidez, desinteresse da vida em geral desde que os mínimos estejam assegurados, preguiça de pensar e observar, traumas familiares, etc.

Há os que ao contrário, tendo crescido em famílias vivas, com interesse em formar os filhos proporcionando-lhes o acesso à cultura e ao ensino qualificado, à leitura, à música, às viagens ao convívio social com pessoas da mesma idade e com mais velhos seja da Família ou de fora, à liberdade e responsabilidade, ao direito de ter opinião, são o oposto dos outros.

Os primeiros são umas osgas, umas minhocas, que não suscitam interesse em serem conhecidos pelos segundos que podem ser, às vezes, um pouco excitados, convencidos e “speedy gonzález”, com desejo de se evidenciarem e opinarem a todo o momento.

“In medio virtus est”, um bom princípio de ascética, que condena o relaxamento, ao mesmo tempo que o rigorismo.

Este tema da personalidade pode ser abordado por muitas vertentes, mas hoje quero sobretudo fixar-me na consciência cívica, ou seja no comportamento perante a política, os ideais que defendem e o conhecimento aturado e profundo da "res publica", que se deseja que exista.

Os tempos estão mais fáceis desde a democracia e só quem não quer é que não principia a envolver-se ou na vida partidária, ou preferindo ser independente, em outras organizações ou instituições estudantis, ou querendo, fazê-lo por outro meio menos exposto, ou não fazendo rigorosamente nada.

Deixando para outros a dicotomia esquerda e direita, queria agora referir-me ao que sempre me atraiu: a liberdade em todas as vertentes, a cultura, o contacto com todos “os outros” sem preconceitos nem excepções. Devido não só à minha estadia vários anos na China e o trabalho com muitos tipos de nacionalidades, criei um aguçado interesse pelo "novo".

Observo o passado com interesse, justiça e rigor, e o mais objectivamente que consigo e dele tiro lições para o presente, mas sobretudo para o futuro: o que não quero e o que, actualizado, me faz lutar por.

Infelizmente em Portugal no seio das próprias famílias assiste-se a disputas políticas quase insanáveis, nos empregos, na vida social a beber uma cerveja vem a inevitável discussão política e a conversa extrema-se. Sai tudo carrancudo e não se adiantou um "pimento".

Pelas características de alguns e não poucos políticos portugueses dos últimos tempos, a apetência para servir a coisa pública por pessoas responsáveis e capazes, diminuiu estrondosamente e deu causa a que corruptos, impreparados, falsificadores e outros epítetos desagradáveis, trepassem ao poleiro do poder.

Por isso a juventude alheia-se da política e não entende que os sérios e competentes serão ou deverão ser aqueles que constroem o futuro do seu país e o dos seus filhos. Este comodismo em se oferecerem para ocupar postos, mesmo modestos, ( ao nível das freguesias ou assembleias municipais) mas importantes porque são a base das instituições políticas locais, é eventualmente compatível com o desempenho principal da sua vida laboral e no momento em que é preciso imperar o bom-senso, a seriedade e a dedicação os cidadãos sabem que estão bem representados. Naturalmente que há muitas excepções honrosas quer de todos os partidos quer de independentes, mas não chega!

A finalizar, eu próprio que fiz durante a minha vida profissional e em mais novo, uma caminhada paralela na política, e por isso sei do que falo, tenho horror a discussões carismáticas com pessoas que se julgam bem informadas, e não conseguem ver para além “du bout de son nez”. E estou a falar dentro das famílias e de meios civilizados mas ou de uma direita passiva, bolorenta, inculta e não actualizada, que ao serem preconceituosos não aportam nem soluções nem o reconhecimento factual de soluções eficazes dos seus oponentes e por outro lado de uma esquerda festiva ou ortodoxa e fechada que vai se insidiando no poder através de militantes activos, preparados para vencer e sem temerem o descaramento de posições que qualquer
“bonus pater familiae” (bom pai de família - refere-se a um padrão de cautela, análogo ao do homem razoável no direito inglês) condenaria sem hesitação por ser contrário à maioria do interesse e legitimidade dos seus concidadãos.

Nestas ocasiões de festas do calendário aonde há mais tempo para um convívio social entre amigos, familiares e terceiros que se vão conhecendo, os “sábios de copo de bebidas alcoólicas na mão” são às dezenas e não passam daí. Esta ausência de perspicácia e a teimosia em não saírem das suas posições inflexíveis cria um incentivo a que quem assim não pensa, deixe de perder tempo com o seu “latim” e "guarde de Conrado o prudente silêncio".

Por isso eu digo que é importante ser-se cada um e não fazer parte de carneiradas que levam a redis com cercas.

domingo, 1 de abril de 2018

Páscoa


PÁSCOA

Decidi esta noite ir com a família à missa da Vigília Pascal a Schonstaat. Gosto sempre muito da simplicidade e do grande número de jovens que participam activamente nas celebrações. Hoje os cânticos foram especialmente bonitos e espirituais pois estava o Coro Grande.

A liturgia da missa da Vigília Pascal é muito rica nos textos bíblicos que são lidos com a igreja em silêncio e só com a luz das velas. Há rituais muito bonitos e quando no desenrolar da celebração se chega ao Glória, acendem-se as luzes todas e os pequenos sacristães tocam campainhas quando se entoa o Aleluia da Ressurreição.

Faz-me muito bem ir quando me sinto capaz de participar em celebrações escolhidas e com as comunidades que me dizem algo, quer na forma como actuam quer nos cânticos que entoam.

A obrigatoriedade de ir à missa sempre me custou cumprir quando estava em casa dos meus Pais e com os meus 7 irmãos. Bem sei, que em termos canónicos e sobretudo em termos humanos, sendo a celebração da Eucaristia uma dupla celebração, a da palavra em comunidade e da visita ao Ser Amado, presente na Eucaristia, faz sentido.

O que seria amarmos alguém, uma namorada ou namorado e nos esquecermos de o/a visitar com uma certa frequência, partilhar o nosso amor, a nossa entrega e com ele/a estarmos.

Por outro lado o exemplo da Eucaristia, pressupõe ter-se a fé viva para acreditar que no pão/hóstia repartida se está a comemorar a Última Ceia e no fundo estarmos a seguir aquilo que Jesus disse quando repartiu pelos Apóstolos.

A Páscoa é isto para mim: o relembrar como os Homens podem ser cruéis e mesquinhos e fazerem-se mal uns aos outros - veja-se o rol de guerras sangrentas que agora têm lugar e as do passado de séculos - e uma Paixão cruel e dolorosa a Jesus e por outro lado uma espécie de reequilíbrio e forças que vou buscar para continuar a tentar ser melhor pessoa a cada dia e ter este espírito de amar os outros sem deles me esquecer, enquanto estou vivo.

Este é verdadeiramente o preceito mais importante para mim da Igreja.


sábado, 31 de março de 2018

Ser-se ou não, rico


SER-SE OU NÃO RICO

Hoje tive que passar um visto de viagem de urgência a um cidadão português, morando no Norte, que veio a Lisboa para partir amanhã para Freetown. Não houve impedimento e fi-lo com todo o gosto.

Aproveitei para conversar com ele e perguntar-lhe como ia a vida. Respondeu-me que muito bem e que a sua área é a da construção civil tendo uma média empresa em Angola aonde se fartou de ganhar dinheiro e agora quer sair e levar a maquinaria toda para a Serra Leôa aonde diz que se está muito bem e há muito para fazer.

Perguntei-lhe um pouco indiscretamente se tinha verdadeiramente feito dinheiro e ele disse-me que sim, que estava riquíssimo e que o muito trabalho que sempre teve valeu a pena.

Um tipo muito modesto, de origem humilde, e de aspecto de construtor civil discreto, sem grande escolaridade e falando inglês fruto das necessidades.

Os portugueses são uns aventureiros danados e já não é o primeiro de muitas dezenas com que tenho conversado.

Pena é que o meu Pai não tenha sido construtor civil ou talhante ( bons bifes do lombo) ou merceeiro ( biscoitos deliciosos) e que por mais que queime as pestanas nunca chegue a ter a fortuna, merecida, que estes portugueses valorosos têm.

Porca miseria!

sexta-feira, 30 de março de 2018

SÍMBOLOS DE ESPERANÇA

SÍMBOLOS DE ESPERANÇA

Aproveitando estes dias pascais, tenho vindo a ler uma série de livros de empreitada que mandei vir da Amazon, de vários cientistas afamados que se dedicam ao estudo da consciência no cérebro ou seja a uma parte do córtex que contém, segundo eles, a possibilidade de sobrevivência do espírito, mesmo na falha do corpo.

É um tema muito interessante e a ciência tem vindo a progredir neste campo, com o estudo de situações inexplicáveis de pacientes, que após terem entrado em coma, voltam a retomar a vida, narrando a saída da consciência do corpo durante o período do coma.

Tudo isto tem a ver com a existência de vida após a morte e praticamente em todas as religiões relevantes este facto é aceite e descrito, cada uma à sua maneira.

E são muitos os testemunhos em todo o mundo de pessoas que tendo passado por estas situações, transmitem quase coincidentemente versões, que na minha mente terrena, criam expectativas de esperança e tranquilidade em relação à morte e ao que se seguirá.

Bem sei que me dirão que são teorias, mas convido-vos a ler recentes publicações que pelo menos vos alertarão para a existência de outras opiniões. Sendo bem triados os autores, confirmo que não lerão “patetices” mas sim teses, ideias, e outras alternativas bem plausíveis.

Por isso, o Papa Francisco, quando ousa dizer que não existe inferno, nem Purgatório, e tende a convocar os Homens para a paz e o amor fraterno, é acusado das maiores heresias e é vítima de um movimento oposicionista perfeitamente ignorante, reaccionário e sem fundamento no que defendem.

Comparado com estas novas teorias do mundo e da vida após a morte o pobre do Papa Francisco é um “menino de côro”.

A opção é muito simples: ou cinzas, pó e nada ou um Universo diferente daquele a que estamos habituados a conceber aonde temos lugar numa vida diferente, mas sem deixarmos de ser originários da Terra.

Num segundo livro do mesmo autor que abaixo vos indicarei o nome, que é muito recente, é curiosíssimo verificar como desde sempre e nos tempos mais remotos até aos grandes filósofos da Grécia e ao longo dos séculos até aos nossos dias, este assunto era tratado com profundidade, seriedade e com uma antecipação de realidades que só hoje com os meios ao nosso alcance conseguimos progredir imensamente.

A terminar deixo-vos uma pequena lista de autores (cientistas reputados e das melhores universidades americanas e europeias) que são o objecto da minha leitura. Eu estou a lê-los em francês porque os comprei na Amazon de França em pocket book, o que significa menos custos quer no próprio livro quer no transporte, pois dos USA pagam-se taxas alfandegárias imorais. Mas estão à venda em todo o lado.

Em português: “Uma prova do Céu” o testemunho de um neurocirurgião sobre a vida para além da morte. Dr. Eben Alexander – Editora Lua de Papel – mais de 1,5milhão de exemplares vendidos. Há nas FNAC, Livraria Bertrand, WOOK e outras.

“La Carte du Paradis” ou « The Map of Heaven » - « comment la science, la religion, et les gens
de tous horizons prouvent que l’au-delà est une realité ». Acabei de ler ontem e achei muito interessante e elucidativo.

Collection « J’AI LU » :

- « Les 7 bonnes raisons de croire à l’au delá – les preuves incontestables d’une vie après la mort. » Dr. Jean-Jacques Charbonier

- « La vie après la vie – Ils sont revenus de l’au-delà » Dr. Raymond Moody – préface de Dr. Eben Alexander

- « Les preuves scientifiques d’une vie après la vie » Dr. Jean-Jacques Charbonier
Há outros, mas estes já dão uma ideia do tema.

Boa Páscoa desta vez com um presente diferente dos tradicionais ovos de chocolate.

quinta-feira, 22 de março de 2018

Do cinismo

DO CINISMO

Há pessoas que são cínicas. E são-no por mau carácter. Porque uma coisa é não concordar e dizer e outra é falar mal pelas costas e disfarçar com palavras embrulhadas em veneno.

O veneno foi uma arma usada abundantemente em vários períodos da Humanidade e com muito êxito. Rápido e discreto e ao mesmo tempo elegante, pois na Renascença era de opulentos e ricos anéis que, no meio dos vapores do álcool, se deixava cair para dentro de um copo de vinho perfumado que se oferecia ao inimigo. Gosto destas técnicas requintadas, acho miseráveis estas modernices russas!

Agora, sem cinismo, todos temos por momentos vontade de envenenar inimigos, sim porque quem não os tem, é uma osga doce e cândida que se dá bem com toda a gente. Não há pior do que se ser um bom rapaz/rapariga.

Vem isto a propósito de já nem sei de quê, mas não coisa de muita importância. De vez em quando é preciso deixar sair uns fumos de ópio…para não dizer ódio, para purificar os sentimentos.

"bonis nocet, qui malis parcit" ou seja "Ofende os bons, quem poupa os maus"

O encantador de serpentes

O encantador de serpentes

Vem isto a propósito do dia da tua vida em que num gesto e num olhar
Me despertaste os sentidos. Apeteceu-me, logo ali, fazer coisas contigo.

Enquanto falavas observava a tua cara, os teus dentes e o teu sorriso.
Não atribuía nomes, pois o que eu sentia era o desejo de te conhecer e
Subir por ti acima, desde os pés à cabeça e possuir-te, sabes, com sofreguidão
Com o resfolgar impetuoso dos sentidos, despir-te loucamente, arrancar-te a roupa
Sem pudor nem contemplações.


Há lá coisa melhor que um beijo bem dado, bem trabalhado, sensual e lento, pensado.

No entanto, o tema não era este, era um trecho qualquer de poesia malparida que não me interessava.

Voltei a olhar-te e a cada som que saía da tua boca, a cada sorriso, a cada movimento das tuas mãos, voltava o desejo de te experimentar e saber como reagirias à minha imaginação fértil de prazeres imorais.

Antevia cada passo que daria para te conquistar, pois sou um encantador de serpentes.

De repente, cai a máscara da credibilidade. Tudo parecia estudado, repetido, como se fosse roupa velha, esquemática, aquela que punha em cada aventura sem fogo nem chama

Mas não era.

In “poemas dispersos” de Vicente Mais ou Menos de Souza

terça-feira, 20 de março de 2018

O PENINHA FOI AO ENTERRO DE STEPHEN HAWKING


O PENINHA FOI AO ENTERRO DE STEPHEN HAWKING

O Peninha detesta enterros e missas de 7º dia. Evita ir porque acha que acaba por ser um convívio social aonde se encontram uns e outros, contam-se histórias, fala-se de tudo menos do morto. Não é que seja preciso falar do morto, mas exige-se um mínimo de decoro sobretudo em relação à família. Claro que se a morte do morto tiver sido ansiada e desejada, por ser um estupor, ou deixar uma fortuna em vez de carpideiras, haverá festa.

Mas o Peninha andava há anos a mandar sem sucesso telegramas, cartas, e-mails para o Stephen e o raio do homem não lhe respondia. Procurou na internet, nos CTT e em revistas alguma pista que lhe pudesse dar acesso ao génio, mas em vão.

Os textos eram pequenos pois não só Peninha tinha um escassíssimo conhecimento de inglês como as traduções no Google translator acabavam por transcrever ideias e frases incompreensíveis.

O assunto era simples: Peninha queria perguntar ao mago da Ciência, se quando morresse iria para um sítio aonde encontrasse a Adélinha.

Por um lado regressara dos esquimós farto do cheiro a peixe que as mulheres locais tinham, parecendo umas idiotas quando fazia amor com elas, sempre aos gritinhos fracos! Caraças, nada como a Adélinha que bufava que nem um touro e gritava, esbracejava, e por outro não lhe saía da cabeça ter atraído a Adélinha para uma cilada, em que com o seu peso, abrira um buraco no gelo, e como não sabia nadar, afundara-se nas profundezas do Ártico.

Começara a ler coisas sobre os oceanos e a cogitar sobre o possível destino que ela tivera: ou um animal marinho a tinha roído e comido até aos ossos – ali rareavam as carnes abundantes e ela era rechonchuda – ou Neptuno a raptara e a levara para o seu palácio no fundo mar. Sentira até uns certos ciúmes, não fosse o estupor aproveitar-se dela e fazê-la sua escrava sexual. Está na moda o assédio!

Mas, por outro lado, temendo a vingança um dia no paraíso, queria saber se o Hawking lhe poderia dar algum sossego e tranquilidade em como tudo se passava e se com tanta gente que morria haveria a mais remota hipótese de se encontrarem.

O carteiro bateu à porta da casa do Peninha e gritou para dentro: - telegrama!

Peninha lá assinou o que tinha que assinar e o carteiro partiu. Olhou desconfiado para o papel e viu que a origem era do estrangeiro e que tinha no remetente um S e um H juntos – Stephen Hawking!
Num excitamento muito próprio dos abandonados pela sociedade que chegam até a escrever-se a si próprios, rasgou com frenesim o telegrama e leu uma pequena frase:

- COME QUICKLY. SH.

Foi copiar a frase no Google translator e o resultado foi bem claro: “VEM DEPRESSA. SH”!

- Então agora que finalmente fui atendido pelo génio, não é que o homem me morre!

Ficou inconsolável e perdido mas rapidamente retomou com serenidade o seu raciocínio, e só havia uma clara e indiscutível solução: assistir ao enterro e talvez mostrar o telegrama à família, quiçá ele tivesse deixado alguma mensagem para ele.

Foi ao Anahory alugar um smoking – pensou que poderia até estar a Rainha e gente muito importante – e que apesar de ser de manhã, o traje era o adequado.

Comprou um bilhete de avião para Londres aonde depois tomaria um táxi para Cambridge pois achava uma confusão os comboios e ainda poderia ir parar a outro sítio. Vestir-se-a em qualquer pensão perto do cemitério pois não queria perder tempo.

Estava toda a comunidade científica de Cambridge e de outras Universidades de togas, bem como alunos e representantes de autoridades diversas e o Peninha de smoking.

Chamava tremendamente a atenção, isolado junto a um cipreste e ainda por cima cheio de frio, pois a temperatura estava abaixo de zero e com a pressa não trouxera nenhum abrigo.

No fim da cerimónia, viu que havia uma mulher e rapazes novos que choravam muito e eram cumprimentados por toda a gente e dirigiu-se para aonde estavam.

Muito a custo foi furando por entre a multidão e quando finalmente chegou em frente da viúva e dos filhos, tirou o telegrama do bolso e disse em mau inglês – it was a thunder of bad luck! – queria ele dizer que tinha sido “um raio de um azar!!

Ficou tudo pasmado e sem perceberem bem o que poderia vir daquele estranho, vestido bizarramente para a cerimónia, fizeram questão de agradecer em voz baixa: - Thank you!

Peninha perdeu o controlo e começou a gritar: - message, message! alguma mensagem que o esposo tenha deixado? – e dois bobbies de serviço, pegaram nele pelos braços e levaram-no para a esquadra.

No interrogatório a que foi sujeito tiveram que usar da ajuda da empregada de limpeza da esquadra, uma emigrante portuguesa, a Felismina, que a custo tentou explicar tudo.

Perceberam que Peninha o que queria era estar presente no enterro, meteram-no numa carrinha que o levou até Gatwick e embarcou no primeiro voo que partia para Lisboa.

segunda-feira, 19 de março de 2018

Dia do Pai

DIA DO PAI

Para mim festejo-o no silêncio da memória que deixou rasto e marcas em mim e me faz, seguramente, ter que voltar sempre a burilar tudo o que não foi o exemplo da sua vida. Não há necessidade de retratos. Tenho-o bem presente.

domingo, 18 de março de 2018

MUNDO CÃO - PEQUENAS ALEGRIAS


 
MUNDO CÃO - PEQUENAS ALEGRIAS

Levei hoje à missa dominical na basílica de Schoenstaat no Restelo, o meu neto Gui que tem 6 anos.

Perguntei -lhe se queria ir para a frente, ao pé das outras crianças, e disse-me que queria ficar ao meu lado. Fiquei enternecido.

Esta missa é simples e serena com cânticos por rapazes e raparigas e tem muitas famílias que levam os seus filhos. Os sacerdotes são novos e sólidos na preparação do que pregam por isso o êxito em muitos países aonde operam. Têm uma especial devoção a Maria.

O Gui estava atento e respondia ao básico e de vez em quando encostava a cabeça a mim ou dava-me a mão.

Estranho e agradável de constatar que a maioria das crianças portava-se impecavelmente e sem uma chata intervenção dos país para os por na ordem, que perturba sempre a atenção.

Preparando-me para ir comungar disse ao Gui que ficasse a guardar o meu chapéu-de-chuva mas ele disse que queria ir comigo. Eu respondi-lhe que ainda não tinha feito a primeira-comunhão e que portanto não podia comungar. Assegurava-me que sim e eu dizia que não. Chegada a minha vez, larga-me a mão e põe -se de joelhos em frente do sacerdote que lhe faz uma festa e rapidamente me apresentei eu! Ufa!

À saída perguntou-me a que sabia a hóstia e eu disse que sabia a pão.

Quis a seguir ir tomar um pré-aperitivo ao "Careca" pastelaria afamada no Restelo, e com uma certeza indiscutível pediu um folhado de salsicha.

Voltámos pelo lado do comboio junto ao rio e foi-me fazendo perguntas sobre o monumento aos Descobrimentos, Jerónimos, Torre de Belém, etc.

Insaciável pediu-me um gelado "É pá" que me vi grego para encontrar.

Temos um caderno aonde ele assenta o dinheiro que vai recebendo e prometi-lhe que se soubesse poupar, ao fim de cada 6 meses, lhe dava mais um x.
Mas também lhe disse que quando alguém necessitado lhe pedisse ajuda devia dar e depois dizer-me pois eu lhe daria o dobro.

Muito querido e fazemos um bom par, mal sabe ele o que é ter nascido 2 dias antes da data do meu nascimento! Os astros são do melhor e por aqui me fico.....ahahah

Foi uma manhã sem história, mas com um bom calor humano no meu coração e é disto que vou ter saudades um dia que morrer: eu explico já em fase de "marinação" dentro do caixão, não terei quaisquer saudades pois estarei mudo e quedo que nem um penedo. Mas percebem-me quando digo que enquanto livre e lúcido é isto que me alegra.

Quando cheguei a minha casa no Senhor Roubado, ao ouvir as notícias de cá e do mundo, achei estranho haver uns que têm estas alegrias e outros que sofrem e morrem e têm fome e falta de carinho e vivem em países em guerra.

Por isso é bom, na nossa pequenez, termos momentos de uma grandeza inexplicável de um Universo que não entendemos e de que ouvimos génios falar, tal como o Stephen Hawking!

Muito está para vir mas também é bom estar atento a estes sinais de amor.

sábado, 17 de março de 2018

A PERFEIÇÃO E OUTRAS COISAS


A PERFEIÇÃO E OUTRAS COISAS

Cada autor de qualquer coisa, se for de facto bom, não se preocupa pelo o que os outros vão dizer na criação da sua obra.

Estou a ouvir a “"Minute Waltz"” de Chopin de que gosto muito e calculo que o Chopin ao se inspirar e escrever as notas nas pautas não estava propriamente à espera que no Facebook ou na imprensa ou nas televisões, muitos anos mais tarde, as críticas fossem boas ou más.

O mesmo se diga de um livro, de uma capa, de um tema, de uma opinião fundada no conhecimento sobre o que se opina.

É, portanto, lastimável que hoje em dia vá havendo menos gente preocupada com a perfeição do que produz, sempre com as devidas imperfeições humanas, mas dedicando-se com concentração e qualidade naquilo que quer dizer, fazer, criar.

Isto aplica-se ao FELICIANO DUARTE, coitado, que nunca terá lido a fábula de La Fontaine do Gaio enfeitado com as penas de pavão. Escusava de passar por tudo isto. Terrível ser-se tratado por coitado!

Aqui no Facebook é lamentável os “lençóis” de louvaminha que se vão multiplicando enjoativamente nos murais de figuras mais ou menos públicas ou mais badaladas. Cheira a contumélias, a sabujice, a falsidade e a maior parte das vezes não são verdade.

Por isso é que o Facebook tem grandes vantagens de triar e selecionar pessoas que nunca se tendo conhecido fazem novas caminhadas em conjunto e a enorme desvantagem de ser uma feira de vaidades que para pessoas inteligentes, incomoda e desprestigia quem é objecto de loas pois provêm de gente sem interesse que encontra um palco livre e aberto a todo o tipo de romeiros.

sexta-feira, 16 de março de 2018

Instantâneo

INSTANTÂNEO

Vinha em direcção ao Terreiro do Paço mas passando em frente da Casa dos Bicos. Fizeram obras e ainda não acabaram. Está uma confusão e súbitamente aparece-me um policía barrigudo que põe as duas mãos em cima do parapeito da minha janela que abri para com ele falar.

- Eu podia multar o doutor (estou de barba, com polo azul, jeans) mas não vou! Acabei agora de almoçar - e batia na barriga sorridente - comi e bebi bem e estou muito bem disposto!

- Mas ó senhor guarda ali atrás não vi nenhuma placa a proibir o acesso, peço desculpa. - disse eu.

- Ó doutor vem aqui ter com alguma namorada? E ria-se antecipando a sua perspicácia. Não cheguei a perceber se mais adiante iria pedir uma gorja.

O meu carro tem placas CC à frente e atrás.

Disse-lhe diàfanamente: - eu sou diplomata!

Aí perfilou-se e numa grande palada disse:

- Faça favor de seguir até ao Terreiro do Paço.

Agradeci e percebi que os 500m que tinha percorrido eram completamente interditos ao público. Só a veículos da obra !

Brandos costumes. Lembrei-me do António Silva, do Vasco Santana e do Villaret naqueles filmes tão engraçados que eu revejo com frequência.

Está bem rapazes, frase que o meu Bisavô dizia no fim de qualquer situação.....ahahah

quinta-feira, 15 de março de 2018

UM AMIGO, VÁRIOS NOVOS AMIGOS


UM AMIGO, VÁRIOS NOVOS AMIGOS

Hoje apeteceu-me falar sobre a amizade e sobre o meu conceito de AMIGO que pode ser tão subjectivo.

Hoje conheci um presencialmente, de que tenho vindo a ouvir falar e ler e trocar correspondência. Foi num pequeno e típico café da Alfama, chamado de Ma’fama, e falámos logo de tanta coisa, em vírgula, como se nos conhecêssemos de há muito.

Há sempre em mim uma renovada vontade de recomeçar e pôr o conta-quilómetros a zero e sobretudo ouvir novas vidas, novas esperanças e planos e também desaires passados que todos temos, senão mesmo presentes.

Partimos desta conversa para outras aventuras de que ambos vamos tentar ser bem sucedidos, enfunar as velas da caravela, numa sintonia entre o piloto e o navegador pois o navio não singra se não houver união de esforços.

Mais novo, com filhos e com uma vida bem interessante e experimentada. A conversa de hoje não passou de um ensaio, vamos ver se dá em peça de teatro. Como tenho escrito, os actores no palco, o que exprimem para os espectadores, o riso ou o drama, nem sempre corresponde ao que vai na alma, mas o “contrato” com o autor da peça é representá-lo tal como ele a escreveu. E por vezes, quanta vontade há de chorar e ter que sorrir na rotina diária da representação, mas é isto que qualifica o bom actor e o faz diferir do mau.

Entre nós não houve teatro e pelo contrário, no pouco tempo disponível, pareceu-me que houve vontade em edificar um edifício em comum, pedra a pedra, aonde em cada andar haja uma variedade de coisas interessantes para mostrar a quem tenha a sensibilidade e vontade de ver e entender.

É um bom desafio e une-nos, entre outras coisas, a nossa prática de anarquistas civilizados, o que vai sendo um luxo nos dias que correm. Atenção, por isso, para o facto de ao tentarmos ser eficazes na discrição e na acção, não significará que não possamos ser glorificados e lembrados mais tarde na História pelos feitos realizados….ahahahaah

O outro Amigo, mais velho do que eu, conheci-o este Verão num hotel do Algarve aonde fiquei hospedado uns dias. Hotel de uma família que conheço desde há muito, bem situado, simples e cómodo e com uma praia excelente e uma cabana aonde se comem óptimas iguarias, nomeadamente peixe.

Foi-me apresentado com a Mulher por amigos comuns e passado uns momentos de conversa ficou claro que eram sogros de um primo meu.

Fomos convivendo na praia, eu passava no toldo e trocávamos uns dedos de conversa mas ainda um pouco formal ainda que natural. Um dia na dita cabana, convidaram-me para almoçar a que eu acedi de bom grado e honrado. Falámos sobre tudo, numa tarde de Algarve, com uma luz e meia-sombra esplendorosas e com um tempo magnífico.

Voltámos a falar várias vezes antes de eu partir e assim ficámos.

Já não me lembro quem tomou a iniciativa de contactar de novo e temos vindo a almoçar os dois e a tagarelar por WhatsApp e telemóvel.

Como posso descrever este meu novo AMIGO? Impecável, com um passado honroso na defesa da Pátria pois é militar, inteligente, com sensibilidade e uma cortesia inexcedível que passou a ser gestos de amizade e falamos e comentamos e rimo-nos sobre tudo. Sentimo-nos bem em conjunto.

Temos algumas diferenças insanáveis: de clubes de futebol e sobre a perspectiva do 25 de Abril. Eu um anti-fácista….e ele um pró-regime anterior…ahahahah

Como somos ambos suficientemente equilibrados, só falamos nestes dois assuntos quando é para taquinar o outro a propósito de alguma coisa.

Tenho tido estas experiências ao longo da minha vida pessoal e profissional pelos sítios por onde tenho andado e vivido e trabalhado, no Oriente, no Brasil, nos USA e em África que me têm enriquecido como ser humano e desenvolvido em mim uma maior compreensão dos outros, a obrigação de não julgar fàcilmente, o respeito e a admiração por outras formas de pensar e estar e isto tanto com homens como com mulheres, mais jovens ou mais velhos/as de todas as raças e credos.

Espero que no paraíso existam vagas de Public Relations para acolher tanta gente boa e algumas vezes má ( essa irá para o inferno..que não existe, mas mereceriam ir anyway) que tem tornado a minha vida verdadeiramente numa aventura plena de experiências e de riqueza interior.

Há muitos conhecidos e até velhos amigos de toda uma vida, mas o tempo vai seleccionando os momentos de escolha. No entanto estou sempre disponível para quem consiga despertar em mim a vontade de premir o tal botão atrás do ouvido e passar a ouvir de novo mesmo depois de muitos anos.

Na verdadeira amizade, não há tempo nem intensidade favoritas. Há sobretudo vontade de ir ao encontro.

quarta-feira, 7 de março de 2018

Portugal


Apercebo-me que Portugal está neste momento a viver um período de aparente estabilidade e de crescimento. É indubitável, mas suspeita-se que por debaixo do manto diáfano do sucesso, um dia destes quando ficarem à mostra as mazelas vão estar em sangue vivo.
Não adianta estar sempre a criticar pois todos os Governos têm uma cosmética própria de actuação e de perpetuação no poder.
Vale a pena combater este Governo e criticar construtivamente apresentando soluções viáveis e possíveis, mas enquanto não se apresentar uma alternativa credível de PM e programa uma mudança súbita será mais do mesmo.
Este silêncio de Rui Rio, espero que augure a preparação de um programa, primeiro de um governo-sombra, depois de propostas eleitorais de vitória nas próximas eleições.
Temos que lhe dar o benefício da dúvida, mas se não servir e for fraco, substitui-se por alguém que nós os cidadãos portugueses devem exigir que os bons, sérios e capazes deste país, saiam do seu comodismo e sirvam o País.

imprensa e tvs estrangeiras

Continuo sucessivamente a ver a televisão estrangeira, a ler a imprensa internacional de vários países e verifico que há desejo de paz e de concórdia na maioria dos povos. Talvez me engane, mas esta aproximação das Coreias e a pré disposição para a do norte restringir o seu arsenal nuclear, demonstra que "penetras" como os USA e sobretudo com Trump deixem de interferir directamente em assuntos que podem melhor ser resolvidos por povos iguais, ainda que divididos, espera-se, temporariamente.

Grande perplexidade


Grande perplexidade, porém, me faz a situação na Síria. Conheci há cerca de 25 anos um grupo de milionários libaneses e sírios de grandes famílias locais de que fui Advogado aqui em Portugal para tratar de vários investimentos. Conversámos muito sobre uma Síria e até um Líbano que já não são os desse tempo. Pessoas encantadoras, raffinées, com uma enorme e interessante cultura, homens de negócios exímios e internacionais. Todos com residência em Paris em caríssimos e belíssimos apartamentos beneficiando por isso também de um conhecimento sofisticado da cultura europeia e francesa.
O presidente Hafez Al Assad ainda não governava mas sim o seu pai, sendo esta família de raça alaoita e por isso menos radical do que quer os sionistas ou chiitas.
Posso entender que o Governo Sírio queira controlar todo o território e expulsar/vencer os terroristas. É um desiderato político de qualquer governo.
Já não compreendo a que custo combatem bolsas de resistência com uma violência exterminadora sem dó nem compaixão.
A Rússia, a Turquia e o Irão estão a contar com o após guerra na reconstrução do país, nas concessões riquíssimas de petróleo, obras públicas, aeroportos, urbanizações....TUDO quase do zero.
Os USA por outro lado estão a dar apoio militar aos rebeldes que são facções terroristas da AlQuaida sempre naquela atitude de "atirar ao lado" por muito que queiram ter uma palavra a dizer na região. Com que direito? Deverão ser os países da região que devem estabelecer os parâmetros geoestratégicos e entenderem-se entre eles.
São purgas geracionais de muitos milhões de mortos e feridos e cujas famílias desaparecem do mapa para sempre. Há como que um rejuvenescimento da raça.
Tem seguramente por detrás o móbil do lobby das armas que só é eficaz quando se criam guerras. É da vida e dos livros.
Apesar de tudo o que criticamos na UE e em Portugal temos que estar agradecidos de termos nascido aqui.

segunda-feira, 5 de março de 2018

A inevitabilidade da morte


Um dia a morte inevitavelmente vem

Lembrei-me desta frase a propósito do Ricardo Salgado e da derrocada do GES. Às tantas e já gravemente "doente" foi ao Banco de Portugal, ao PM, ao Presidente de Angola e a banqueiros pedir dinheiro para não "morrer". As portas fecharam-se como quem diz os remédios já não atuavam e vergou e "morreu" sem acreditar que para ele também chegasse a hora da derrota e da falência que vira acontecer a tantos outros sabe Deus por culpa de quem.

Connosco é igual: luta-se, acredita-se que os remédios ou a terapia vai fazer melhorar, salvar.

Por causas diferentes, talvez Ricardo Salgado e o GES se pudessem ter salvo.

Connosco a hora está marcada e inevitàvelmente a morte chegará.

O salmo De Profundis é ao mesmo tempo terrível e assustador mas reconfortante.

Só que já nada tem a ver com ESTA vida terrena.

Oxalá exista uma outra aonde possamos recomeçar de diferente forma, pois este corpo será cinza, pó e nada.

TEMPUS FUGIT

sábado, 3 de março de 2018

WHY I LOVE TO WRITE


WHY I LOVE TO WRITE

I’ve been living inside my head since I was a child. When I was bored in class, my mind would drift to some world from my imagination – rich with characters and conflict.

WHY I WRITE

It’s who I am. It’s what I love. I even write for fun. I couldn’t NOT write. I need to write like I need to breathe, to eat, it’s vital to me.

O desejo de escrever um novo livro


UM MEU NOVO LIVRO - ESCREVER BEM

Antes de haver amigos daqui e de fora do fb que me pedem insistentemente para que escreva um livro, já há anos que tenho planos para o fazer e não é só um único (apesar de já ter escrito dois genealógicos sobre a minha Família).

Para que isso aconteça são necessários vários ingredientes:

1. O tema do livro (já tive vários e umas vezes volto a trás e depois ainda não senti a "pancada" que me empurra para a frente).

2. preciso de tempo que agora tenho

3. preciso de calma que ainda não tenho

4. quero que seja uma obra minha sem pretensões e ao meu nível de candidato a escritor

5. Não procuro a exposição e pretendo ficar satisfeito comigo quando chegar ao fim e o ideal será que possa agradar ao maior número de pessoas

6. Tenho vários estilos de escrita : irónica e de crítica de costumes e de observação apurada do género humano,divertida, dizem-me mas leve valendo o que vale

7. outro tipo de escrita mais rigoroso e científico com pesquisa e conhecimentos sobre o que me pronuncio seja o tema que aborde

8. Finalmente o que me agrada mais e que sinto dentro de mim a querer sair e que tem a ver com uma escrita fria e dura e ao mesmo tempo honesta sobre situações da vida, da minha vida porventura de tipo autobiográfico ou de terceiros que conheci bem. Naturalmente que a minha autobiografia em si tem pouco interesse para o universo literário, mas particularidades dela e como as vivi e as causas podem ter um interesse diferente pela frescura e novidade que darei à descrição e pela invulgaridade de tantas situações. Classifico-me como um observador de comportamentos humanos numa perspectiva humanista e não científica, mas elaborada e fina, com atenção a detalhes e a causas e efeitos . Viajei muito pelo mundo e conheci muita gente e estudei as características de cada encontro e do impacto que tiveram na formação do meu carácter e da prudência na formulação de juízos e não julgamentos.

Por isso vou esperar que me apareça uma inspiração ou uma sugestão que me motive.

Sou profeccionista e organizado e a minha escrita é actual e escorreita sem elaborações de estilo,mas obviamente uma amálgama de tudo e de todos quantos li ao longo da vida e me influenciaram: em suma o meu estilo.

Se me deixar levar por mim e por aquilo que brota de dentro de certeza que sairá melhor do que influenciado para agradar a uns e outros ou por motivos comerciais.

Se quiserem dar a vossa opinião along these lines e suscitarem algum tema que vos possa parecer adequado a mim, agradeço.

quinta-feira, 1 de março de 2018

PENINHA ENTRE OS ESQUIMÓS



PENINHA ENTRE OS ESQUIMÓS

Peninha ia gozando docemente a presença de Nafta e Lina,ora uma vez no igloo de uma ora no da outra. Tinham acabado por aceitar a situação e Peninha tomara cores tisnadas e sentia-se um nababo.

Ia à pesca todos os dias com uns esquimós com quem fizera amizade, faziam um buraco no gelo, lançavam os iscos e vinha peixe fresco para a mesa a cada dia.

No acampamento dos cientistas a que ia a cada semana mandava mensagens urgentes para o IKEA despachar a mobília para o navio que estaria a zarpar. Ele eram armários, estantes, camas, bibelótes…ahahaah…e móveis de cozinha e loiças e talheres. Frigorífico e máquinas não eram precisas pois por um lado não havia energia e pelo outro havia braços a mais inactivos que tratavam dessas mordomias.

O IKEA respondeu que quando quis debitar a conta bancária, esta fora bloqueada pelo co-titular.

Raio da Adélinha que desconfiou de qualquer coisa. Nunca se deve ter contas em conjunto, pensou o Peninha. Acabou por recorrer ao crédito ao consumo pessoal que lhe iria custar mais caro mas não exigia a concordância da esposa.

Finalmente o IKEA informou que estava tudo resolvido e Peninha veio ufano mostrar o papel da mensagem ao Chefe da tribo. Claro que era como se fosse chinês pois ele não sabia ler nem escrever, mas ficou mais confiante.

Entretanto em Lisboa, Adélinha preparava a viagem surpresa que iria fazer a Peninha, só suspeitando que algo não estava bem mas sem fazer a menor ideia da tribo de esquimós e das Naftalina…ahahaha

Embarcou num navio de reforço da expedição e achou estranho que no meio do equipamento técnico e científico da carga, fossem muitos caixotes do IKEA. Teve curiosidade e perguntou se era para a expedição mobilar as casas aonde se alojavam, mas o imediato foi ver o bill of lading e disse que era para um sr. Peninha Silva.

Adélia ficou a cismar e fez-se luz no seu espírito quando percebeu que o montante da conta bancária conjunta que iria ser debitado e que ela em boa-hora bloqueara, era para pagar esta despesa.

Cada vez percebia menos e a única ideia que lhe veio à cabeça foi a de que Peninha arranjara um emprego no acampamento e ao ter que ficar numa casa com ela, queria dar-lhe todo o conforto que lhe poderia proporcionar.

A viagem decorreu sem incidentes e aportaram de novo no Ártico, no Polo Norte.

Adélinha tinha feito uma exuberância e tinha comprado na Rua dos Fanqueiros, um casaco de carpélio fofinho e quente com a aparência vaga de um casaco de vison. Sentia-se vestida apropriadamente para o clima que estava realmente de cortar à faca de frio.

Perfumou-se pôs um gorro de pele e desceu pelo portaló e chegando ao cais, não avistou o Peninha.

Ficou desolada e pensou que talvez estivesse ocupado e a viria buscar mais tarde.

O material do IKEA foi descarregado e posto em vários trenós gigantes puxados com cães que estavam prontos a partir para o seu destino.

Adélinha aproximou-se do escritório do acampamento e puxando do seu espanhol, dirigiu-se a um cientista escocês que estava sentado numa secretária e perguntou-lhe:

- Por favor, osté sabe onde estay mi maridio, sr. Peninha?

O outro olhou para ela pasmado de a ver naqueles preparos totalmente inadequados para o ambiente do acampamento e respondeu:

- I beg your pardon, Madam?

- Não, Peninha, yo soy su madama.

O outro chamou um técnico argentino que era ajudante de cozinha e que lhe perguntou:

- Puedo ayudar Señora?

A Adélinha respondeu, vindo cá de dentro num arremesso de uma avó peixeira da Nazaré das de sete saias e pondo as mãos nas ancas disse-lhe em voz já alterada e em bom português:

- Ou me dizem aonde está o meu marido o sr. Peninha ou parto os cornos a quem o está a esconder. Quero saber já.

Ao fim de algum tempo e de muita paciência do argentino, prometeu ir indagar e regressou dizendo que ele estava numa aldeia esquimó e se queria ir ter com ele, que aproveitasse a boleia dos trenós que iam para lá.

Escolheu-se um trenó que levava os colchões da cama e lá os puseram dentro de um armário com portas e Adélinha deitou-se e adormeceu protegida do frio durante a viagem.

Como estava cansada, pouco habituada a estas temperaturas, caiu em cima dos colchões e bem abafada com o carpélio/vison e o gorro dos chineses, adormeceu profundamente com o movimento dos trenós no gelo em que deslizavam.

Passado uma hora chegaram e Adélinha vinha no trenó detrás e continuou a dormir, enquanto descarregavam os caixotes do IKEA.

Peninha estava impante e toda a aldeia assistia impressionada ao cumprimento das promessas de Peninha e as Naftalinas encostavam-se sensualmente a Peninha, já agradecidas, excitadas e com olhos de promessas sem fim.

Chegou a vez do último trenó e surpreendentemente parecia que alguém estava dentro do armário e queria sair.

A porta abriu-se e sai Adélinha de gorro à banda, cabelo despenteado, e o carpélio/vison amachucado.

Quando encara com Peninha deu um guincho animalesco de fúria ao ver as Naftalinas agarradas ao esposo e avança para ele, que abismado não sabia o que dizer.

A tribo ficou surpreendida e o Chefe perguntou a Peninha quem era aquela mulher louca que tinha vindo ao seu encontro.

Peninha teve que lhe dizer que era a sua mulher do seu país, mas que preferia ficar com as duas filhas do Chefe, a voltar com ela.

As Naftalinas desapareceram assustadas e com o instinto de mulher perceberam que havia sarilho.

Ficaram os dois frente a frente e Peninha ajoelhou e numa lamúria pediu-lhe perdão pela traição e começou logo a congeminar um plano. Nessa noite dormiu cada um num igloo separado e a meio da noite as Nafatalina foram visitar Peninha que compensou as duas pelos susto e tranquilizando-as.

Fizeram amor até ao nascer do sol e elas esgueiraram-se e Peninha caiu num sono reparador.

Entretanto Adélinha acordara e dirigira-se ao igloo de Peninha aonde o viu a dormir. Esperou que ele acordasse e assim que o fez, começou num disparate de gritos a pedir-lhe explicações.

Ele jurou que não tinha havido nada e que sendo as filhas do Chefe tinha que as respeitar, não faltava mais nada. Tudo muito decente!

Adélinha começara a acalmar e perguntou-lhe se as mobílias do IKEA eram para uma casa aonde habitariam os dois. Peninha disse-lhe que sim e propôs-lhe ir conhecer um reef lindo e romântico que estava gelado sobre o oceano.

De mão dada iam avançando e a dada altura aonde o gelo estava mais frágil, Peninha pediu a Adélinha que se fosse pôr contra o sol mais para a frente para ele a admirar naquela paisagem.

Adélia seduzida pela ideia da reconciliação avançou com o seu peso todo para um pedaço de gelo que já apresentava fissuras e de repente o gelo partiu e Adélia mergulhou na água gélida do oceano e foi como um fuso para o fundo.

Peninha com remorsos ainda tentou gritar: Adélia, Adélinha filha, diz-me que estás aí para eu te salvar. E nada.

Adélia nunca soubera nadar e quando ia à praia dava uns gritinhos à beira-mar e nada de entrar na água.

Após uma hora o gelo voltou a fechar-se e o corpo de Adélia não mais apareceu.

Peninha voltou á aldeia e foi-se enfiar no igloo depois de ter explicado o sucedido ao Chefe.

Emborcou uma ou duas garrafas de vodka, e dormiu durante duas noites.

Quando acordou, estava bem disposto e começou a descarregar os móveis do IKEA e a montá-los na sua casa ajudado pelas Naftalina que de boca aberta nunca tinham visto tais belezas de móveis….ahahah

A vida continuou pacífica e Peninha sentia-se muito feliz até que um dia no seu igloo ouviu passos de fora, e quando abre a porta entra o fantasma da Adélinha.

(continua)

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

O PENINHA FOI PARA UMA LONGA HIBERNAÇÃO




O PENINHA FOI PARA UMA LONGA HIBERNAÇÃO

O Peninha foi numa excursão do Inatel até à Islândia e aproveitando a estadia apanhou boleia de uma expedição de cientistas que iam para o Ártico, no Polo Norte.

Não achou nada de especial ver a aurora boreal que era o motivo da excursão, até porque estava numa sauna macaca e bêbado de todo com schnapps que como se sabe contêm um teor de 32% de álcool.

Mas ressacou, indagou como poderia integrar a expedição e foi aceite a bordo como cozinheiro.

Trabalhou e fez pratos portugueses para a tripulação, conquistando-a com o saboroso bacalhau à Zé do Pipo, à Gomes de Sá e até uma receita que inventou, dando-lhe o nome do saudoso e admirado Presidente da República. Chamou-o de bacalhau à Marcelo.

Os tripulantes fora das horas de serviço bebiam à grande vodka e tinham visões fruto do álcool, misturado com o reflexo do Sol no gelo dos icebergs. Chamavam o Peninha e apontavam para o horizonte gelado dizendo regalados: “ look at those naked blond girls…the boobs dear god” e o cozinheiro que não estava bêbado nada enxergava.

De vez em quando lembrava-se da Adélinha que deixara em Lisboa e com quem não comunicava há 2 meses, devido à viagem e confessara-lhe que não se entendia com o WhatsApp.

O navio lá foi singrando e uma certa manhã avistaram o acampamento no gelo aonde os cientistas permaneceriam. Grande alegria e amistoso acolhimento. Desempacotaram as vitualhas e o equipamento e foram jantar na tenda principal.

Quem cozinhava era o chef do acampamento e a ementa era sopa de urso polar velho, coxinha de foca au gratin acompanhada de bróculos descongelados. A sobremesa tinha-a oferecido o Peninha e eram gelados dos Mosqueteiros, aquela cadeia de supermercados baratucha, e vinham em 3 caixas de 10 cones de baunilha. Peninha lembrou-se de repente que em vez de gelados que eles tinham a facilidade de comer pelo clima do Àrtico, deveria ter trazido pastéis de nata da d. Ermelinda do Senhor Roubado, que são muito gabados por toda a gente. Paciência, que estupidez, dizia para consigo!

No dia seguinte partiam uns trenós puxados a cães que iam visitar uma aldeia de igloos um pouco afastada do acampamento. Alguns dos cientistas iam passar 8 dias para interagirem com as famílias dos esquimós e tentarem perceber os costumes, credos, e a língua.

Peninha estava entufado num casaco de pele de urso polar branco que lhe emprestaram e até tirou uma fotografia com o grupo.

Lá partiram uma manhã bem cedo e ainda levaram parte do dia num deserto de gelo guiados pelas trilhas dos cães.

Avistaram a aldeia dos esquimós que era assim do tamanho, vá, de metade do Senhor Roubado.
Receberam-nos o chefe da tribo e família, composta por duas filhas novas e sorridentes bem como o curandeiro e demais esquimós.

Peninha ficou num igloo espaçoso e luxuoso e com um quarto com uma cama de casal e com tudo o que precisava incluindo uma casa-de-banho ao lado. Deitou-se a dormir ferrado pois estava exausto.

Na manhã seguinte acordou ao som de uma voz feminina que o abanava devagarinho e com um belo sorriso. Apontava para ela própria e dizia. “my name is Nafta” e fazia com a cabeça como que a perguntar o nome do seu interlocutor. Ele pôs-se de pé e cerimoniosamente disse: “Peninha Duarte Rafael de Menezes e Trompa de Cabidela e Silva”, muito prazer.

Grandes sorrisinhos e mais não disseram. Peninha saiu do igloo no que foi seguido por Nafta e foram ao encontro do Chefe da Tribo que dizia umas quantas palavras de inglês. Chamou uma outra menina esquimó que apresentou como “Name is Lina” and the two “Naftalina” e riu-se muito. Peninha também e disse em português corrente: lá na minha terra antigamente havia uns pregões que diziam – olhó esquimó fresquinho – e ambos riram-se muito.

Peninha tinha ficado com os olhos presos na Nafta e reparou que teria uns 25 anos, muito bem feita de corpo que notara quando o acordou e estava sem abrigo e com um detalhe que o enchera de erotismo: tinha dois ossos de baleia muito pequeninos a fazer de piercings nas pontas dos dois seios que eram bem rechonchudinhos.

Fez uns gestos, como quem diz, gostava de ir dar uma volta e Nafta pressurosamente pegou-lhe na mão mas eis senão quando a Lina veio do outro lado e também lhe deu a mão. Peninha ficou encantado mas elas entrombaram….até nos polos há ciúmes!

Os trajes delas eram o seguinte: umas botas fofas de pele de urso que pegavam com uma espécie de fato-de-macaco inteiro forrado de mais peles macias e com um capuz também pegado como se vê nas fotografias dos esquimós. Só que, ao nível do peito e quando estava sol que era o caso, tinham uma espécie de botões que desabotoavam deixando ver “os alvos peitos branqueando”.

Peninha lembrou-se das dunas de areia do Guincho, só que estas eram de gelo mole e começou nuns jogos do empurra, escorrega e vai parar em cima de quem….

Quando chegou o fim da tarde o Peninha tomara uma decisão: casaria com as duas e ficaria para sempre ali a viver. A Adélinha que se lixasse, ele abria um restaurante de comida portuguesa, com fumeiros, um forno de lenha, faria petiscos com quiçá outros ingredientes….óleos de baleia, carnes de foca e até algum bacalhau que as tripulações trouxessem from time to time. Quanto ao vinho entabularia contactos com a Aveleda, José Maria da Fonseca, Portugal Ramos, Mouchão, Esteva enfim tudo do melhor e que o fizesse sentir-se como no seu país.

Despediram-se muito uns dos outros com risinhos e beijinhos depois de um jantar bem regado a vodka.

Peninha voltou para o seu quarto que era muito quente e já um pouco habituado ao clima estendeu-se nu na cama e acendeu o fogão de óleo. Reparou que na parede branca do quarto aparecia assim como se fosse um pau esticado, grande e com uma forma conhecida. Só pensava na Nafta.

Passado uma boa meia-hora tocam devagarzinho à porta e abrindo-a devagar, entra de mansinho uma figura de mulher que lhe faz shiu….

Era Nafta que tendo deixado o abrigo fora na entrada, lhe apareceu envolta numa camisa de noite leve e transparente deixando ver o seu corpo escultural.

Aproximou-se da cama e tirou a roupa e Peninha ainda conseguiu ver um nome da marca que dizia “Lavores Femininos – Rua do Ouro”.

Fizeram marmelada toda a noite, de todo o tipo de dióspiros, de marmelos, de maçã e acordaram os dois muito agarradinhos na manhã seguinte. Ainda lhe deu uma palmada no rabinho redondo enquanto ela punha de novo a roupa e fugia como uma garça da neve….ahahah…pela porta.

Quando se aprontou, decidiu falar com o chefe da expedição e pedir-lhe que usasse o intérprete para manifestar ao chefe da tribo que se queria casar com a “Naftalina”…logo as duas ao mesmo tempo.

Levou tempo a convencê-lo mas depois de muita conversa, Peninha prometeu que mandaria vir um dote generoso de Lisboa no vapor seguinte e que queria estabelecer-se.

Enviou por rádio uma mensagem à Adélinha dizendo que tinham ficado incomunicáveis devido ao mau tempo numa aldeia de esquimós mas que voltaria quando pudesse.

Em Lisboa, Adélinha ficou furiosa pois nem sequer um beijo à francesa ele mandava e desconfiou de marosca. Informou-se, e aprontou uma ida no próximo navio a pretexto de que queria ir ver o marido.

(segue)