segunda-feira, 27 de março de 2017

Peninha e o Lipoperdure


PENINHA E A LOUCURA DE UMA NOITE COM SEDATIVOS

Peninha anda a dormir mal pelo que por sua alta recreação decidiu tomar uns comprimidos fora do prazo, há muitos anos mesmo, do tempo em que estudava : Lipoperdure

Só que já não se lembrava se eram para dar speed ou para dormir depois de uma noite de estudo.

Asneira: tomou dois com uma coca-cola e o efeito foi o de uma bomba!

Viu o D.Afonso Henriques dar um estaladão à Rainha Dona Tereza que lhe partiu toda a pianola. Conclusão: foi ver se arranjava destes cheque-dentista da Segurança Social para a reconstrução dos dentes.


Fantasmas de correntes arrastando-se penosamente pelo sótão do Palácio de Mateus: pareceu-lhe ser o “romeiro” de Garrett.


Topou com a Melania Trump na cama mas em vez de pernas tinha um rabo de peixe com escamas brilhantes do óleo de fígado de bacalhau… um nojo!


Nureyev foi desafiá-lo para um pas-de-deux e atrevido chegou-se todo e enroscou-se qual serpente. 


Peninha teve ali a noção do que era num jardim zoológico, o amor entre hipopótamos e teve a certeza de que preferia prazeres imorais entre pardais! Pontos de vista!

Acordou banhado em suor e nú e com calor. Os pêlos do peito estavam encaracolados com uma pomada gorda da farmácia Barral que não faz bem nem faz mal.


Foi para o duche e do chuveiro começou a sair sangue. Era verde pois tinha tido um tio do Sporting que se dizia teria brincado, no sentido porco, com a capelista que vendia cromos desportivos.


Foi à farmácia e contando ao paquete em silêncio e ao ouvido estás sensações, ouviu-o dizer:
- vou mandar-te logo o Vítor com crak, pastilhas e coca. Essa merda que tomaste era para os peidos!


Peninha saiu a rir às gargalhadas e dirigiu -se para a consulta no pavilhão dos lúcidos conscientes no Júlio de Matos.


À porta encontrou o Nelson e foram fumar uma ganza. Tranquilo mas com frio o Peninha espirrou e saiu-lhe ranhoca. Limpou-a com a mão e deitou-a para o chão.


Virou -se para o Nélson e disse-lhe à laia de conselho:


- os malucos que se assoam a lenços e guardam depois o ranho nos bolsos deviam ser internados!


Rindo-se a valer, entrou na capela do Hospital. Davam nessa manhã bulas para a Quaresma e o Peninha na 6f queria papar a carne da Luciana.


Sempre era carne, porra! Valores, são sempre Valores.

sábado, 18 de março de 2017

O DIA DO PAI

O DIA DO PAI

É muito celebrado e desde pequenos os filhos trazem das escolas, declarações de amor e elogios ao melhor Pai do mundo e quejandos.

Sempre achei ternurenta a ideia, mas à medida que os filhos vão crescendo vão as manifestações sendo mais personalizadas, mais verdadeiras, salientando algum aspecto que caracterize o Pai para cada um dos filhos, tornando-se assim mais saboroso.

Com a idade vão-se os filhos tornando Pais e o ciclo repete-se, mas enquanto os Pais mais velhos forem existindo é sempre para eles um consolo, serem lembrados com um pequeno gesto simbólico, um telefonema, uma visita, um pequeno presente.

Os tempos vão mudando, as crianças tornaram-se em adultos e o papel de um Pai, não é fácil de recordar. Muitas vezes ficam na memória momentos de confronto, de dureza, de culpa, de sofrimento e passa-se por cima daquilo a que eu chamo “untold stories” de amor, abnegação e entrega, sacrifício, presença discreta. É natural que sendo os filhos de tenra idade e depois adolescentes não se apercebam em profundidade de tudo quanto lhes é proporcionado de afecto, de interesse e de intervenção. Só quando se tornam Pais, acabam por compreender as tais “untold stories”: noites em branco, preocupações de doenças próprias das diversas idades, resolução de problemas educacionais, arbitragem com as Mães que têm sempre um desempenho preponderante, desde a gravidez ao dar à luz e aos primeiros tempos da infância, no que se refere à proximidade emocional, de desvelo e de presença diária quase omnipresente, e claro aos próprios feitios tantas vezes possessivos em relação à exclusividade da atenção, num misto de ciúmes e de menos agrado de que os filhos partilhem o seu amor com outrem.

Claro que há imensas excepções e desde sempre e há Mães e Pais que fazem uma partilha equitativa do seu múnus parental. Acresce que há tantos Pais melhores do que Mães e vice-versa.

Mas para mim o mais importante é que no dia do Pai a cada ano que vai passando na vida de uma Família, haja mais atenção dos filhos não tanto à comemoração comercial da data, mas um enfoque no que um Pai precisa de um filho, da compreensão, do perdão, da paciência, da aceitação da passagem dos anos e das consequências normais de menos frescura e modernidade, de fraqueza física e tantos outros aspectos que não sendo obrigatoriamente negativos, são um momento especial entre Pais e Filhos em que desta vez são os Pais o alvo das atenções e do afecto.

É que quando se é Pai e se gosta dos filhos, de cada um em especial quando não são únicos, há uma irrenunciável atitude de amor, uma sensação interior de alegria, de preocupação, de ternura e de ligação, malgré tout, ou seja, que ultrapassa a dor de um passado menos feliz, e neste caso, por culpa eventual dos Pais.

Há uma ansiedade de paz e de bondade e de reciprocidade no amor que tornam os Pais alvoroçados quando os filhos isto percebem.

Sabe-se das Escrituras o papel discreto e sofrido em silêncio de S.José, competindo com a Mãe de Jesus em todo o seu esplendor e importância, na história da primeira Família.

Por isto tudo, os Pais fazem parte de um Clube especial que tolamente não está registado em nenhuma Conservatória do mundo, quando haveria tanta coisa a dizerem-se uns aos outros e a melhorarem no seu papel de Pais.

Mas nem sempre é preciso escrever os direitos dos Pais, quando os Filhos são tão bons ou melhor dos que os antecederam.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

COISAS QUE NÃO ME INTERESSAM PARA NADA, MESMO

COISAS QUE NÃO ME INTERESSAM PARA NADA, MESMO

- o Carnaval
- o Governo, a oposição e as políticas ranhosas do meu país
- a estória da CGD, o dinheiro do Domingues, o Ministro das Finanças...fazem-me só raiva
- todas as intrigas sociais das redes sociais e sobre os artistas, actores, actrizes e quejandos
- os Óscares
- as guerras inúteis e os bandidos que andam a ganhar comissões das armas para as alimentar
- petições e merdas de quesílias

O QUE REALMENTE ME INTERESSA

É que não me chateiem aqui no Senhor Roubado.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Melancolia


Mantém-te plácidamente no meio do ruído e da pressa e lembra-te de quanta paz podes encontrar no silêncio. Tanto quanto possível, e sem cedências tenta estar de bem com toda a gente. Fala a tua verdade com tranquilidade e clareza e escuta os outros, mesmo os estúpidos e os ignorantes pois eles também têm a sua história. Evita as pessoas barulhentas e agressivas, pois são vexames para o espírito. Ao comparar-te com os outros, podes tornar-te vaidoso e mordaz, pois haverá sempre pessoas melhores e piores do que tu. Desfruta com prazer as tuas realizações e os teus projectos; mantém-te interessado na tua própria carreira, mesmo que humilde, pois é pelo menos uma garantia contra as súbitas mudanças e imprevistos da sorte. Exerce a prudência nos teus negócios, pois o mundo está cheio de artifícios. Mas não deixes que isto te impeça de ver aonde está a virtude, pois há muita gente que luta por grandes ideais e em todo o lado a vida está cheia de heroísmo. Sê tu próprio. Especialmente não simules a afeição, nem sejas cínico sobre o amor, pois para muitos a aridez e o desencanto são perenes como a erva daninha. Aceita bondosamente o conselho dos anos, cedendo com modernidade às coisas da juventude. Cria força de espírito para te escudares contra os súbitos infortúnios, mas não te atormentes com especulações. Muitos medos são fruto da fadiga e da solidão. Para além de uma saudável disciplina, sê gentil para ti próprio. Tu és filho do Universo, nem mais nem menos do que as árvores e as estrelas e tens o direito de estar aqui. E seja ou não claro para ti, não duvides que o Universo está a revelar-se como ele é. Por isso fica em paz com Deus, qualquer que seja a forma como O concebas e quaisquer que sejam os teus trabalhos e aspirações, no meio da confusão ruidosa da vida, conserva a paz com a tua alma. Com todos os seus enganos e seduções, a sua penosidade e sonhos desfeitos, este é ainda um mundo maravilhoso. Sê prudente. Luta para seres feliz.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

UM PALITO EM PRATA - SEMPRE ÚTIL À MESA DOS REIS


UM PALITO EM PRATA - SEMPRE ÚTIL À MESA DOS REIS

Contaram-me que o Rei do Tongo oferece lautos banquetes com carne de caça o que deixa embaraçados os cortesãos que têm dentuças e pianolas fechadas aonde a carne se infiltra...( tema um pouco inapropriado, mas essencial para chegar aonde eu quero).

Ora, um português agraciado com mercês de Sua Majestade, tendo comido um belo naco de faisão e ao contar uma história desatou a rir alarvemente mostrando os vestígios do faisão ainda sangrando das engivas......

O Rei, cortêsmente, entregou-lhe um palito de prata, dizendo-lhe: - sirva-se e depois devolva.
O nosso Duque de Gibralfaro ( entre as óbeshores de Gibraltar e a ilha de Faro) assim fez e não entro em mais detalhes.

Chegado a Portugal, mandou fabricar em ourivesaria de renome vários modelos de palitos em prata, com o nome gravado, brasões, iniciais, e até esmaltes com fotografias.

Tem vendido para as Câmaras de Comércio, Associações sindicais, Governo.

Resolveu dar um passo de gigante, que não sei se será coroado de êxito: propor à Presidência da República pelas viagens de afecto sempre acompanhadas com pastéis de bacalhau e comeres quejandos, e aos Clubes Privados de Lisboa, incluindo os de prazeres imorais.

Deixo-vos o presente que me fez chegar às mãos, com uma gravação saliente aonde está escrito: Homenagem do Senhor Roubado!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

O MEU PAI ( MUNDO DESCONHECIDO ESTE)


O MEU PAI ( MUNDO DESCONHECIDO ESTE)

Hoje faria 98 anos o meu Pai, se fosse vivo. Os anos vão passando e fomos ensinados a que haveria uma outra vida para além da terrena, mas não passa de suposições. Nunca ninguém veio dizer, confirmar ou contar como é.

Gosto de reviver interiormente tudo quanto me lembro do meu Pai. Essa é uma forma terrena, simplista e imediata de encarar estas ligações familiares de geração em geração, que acabam quando a morte sobrevém. Porque será assim tão insossa e sem intensidade esta memória que o tempo vai apagando?

Há quem tenha o culto dos mortos, no sentido de manter viva a chama, mas é uma luta vã contra a realidade, até porque temos que viver o presente e lutar pelo futuro. Por isso, quando corre bem, ficam umas ténues lembranças, que se vão romanceando com o passar dos anos, mas o que realmente importa é sentirmos no nosso âmago sempre e sem embargo do tempo, esta sensação de amor, de reconhecimento e de esperança num reencontro…

Este é um mundo estranho e incompreensível e com perplexidades se se começa a aprofundar.

De qualquer maneira, apetece-me lembrar, com esta fotografia dele de menino, o meu querido Pai.

Scones e demónios


Oiço dizer que scones e um bom chá acalmam os demónios.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Mes amis


Mes amis étaient atachées au ciel par des ficelles. On tournait la tête, ils n'étaient  plus là.

Jean Cocteau

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

ET POURTANT (AO OUVIR CHARLES AZNAVOUR)


ET POURTANT (AO OUVIR CHARLES AZNAVOUR)

Hoje morreu um amigo de infância que não vi durante muitos anos. Fomos amigos de Colégio, crianças despreocupadas, fizemos desporto juntos, jogámos futebol, pingue-pongue, voleibol e andebol, fomos em passeios da turma, rezámos juntos nas aulas e na Capela, rimos, estudámos e não me lembro de nada que nos tivesse dividido.

Sempre sorridente, modesto e humilde, filho do porteiro do Colégio, muito bom aluno e afável, daqueles que às vezes desejamos imitar por uns tempos por ser tranquilo e não ter as excitações das nossas famílias, cheias de programas sociais, viagens ao estrangeiro, vida agitada…agradável de que me não arrependo, que adorei e de que tirei um partidão…mas o Vítor era o exemplo sereno de uma vida feliz. 

Foi brilhante profissional, catedrático, bom marido e bom pai de 3 filhos que conheci ultimamente, seguidores de muito perto do Pai.

Um dia, resolvi saber dele e escarafunchei até o encontrar. Já lá vão uns bons 4 anos e a primeira vez que nos reencontrámos, houve um momento de hesitação mas caímos nos braços um do outro e demos um abraço prolongado. O sorriso era igual e inesquecível, mas tinha mudado muito. Era um Senhor, como aliás sempre o achei quando olhava retrospectivamente para quando éramos já mais velhos no Colégio.

Voltei para casa muito triste depois de me despedir dele no silêncio das minhas lágrimas quando abracei a mulher e os filhos, comovidamente.

Deu-me para ouvir um álbum completo do Charles Aznavour, de quem sempre gostei e que canta músicas melancólicas com letras lindas, por vezes tristes.

E a primeira foi uma muito conhecida “ Et pourtant” cuja tradução não exprime o sentido forte e rico da palavra em francês.

E pensei que um dia em que morresse, mesmo sabendo que a morte há-de vir, et pourtant…

- vou ter saudades de gostar de quem gosto, com intensidade e amor
- vou ter saudades de olhar à volta e ver o azul do céu, o verde dos campos, as cores garridas das flores
- vou ter saudades de estar vivo.

E tanto mais.

Fui sair e apanhar este sol magnífico e generoso e dirigi o carro para o Estoril, Cascais e Guincho aonde vou olhar o mar e passear a pé.

Adeus Vítor e obrigado.

A RAINHA DE PORTUGAL, DONA LEONOR TELLES, COGNOMINADA "A ALEIVOSA"


A RAINHA DE PORTUGAL, DONA LEONOR TELLES, COGNOMINADA "A ALEIVOSA"

No avião que me trouxe de Singapura/Dubai/ Lisboa às tantas, para fazer exercício fui de uma ponta à outra do avião. Ao aproximar-me da cauda do aparelho, de repente sou interpelado em português por um indivíduo, que me pergunta:

- O sr. é o Teles? ( não sei se seria com dois LL...ahahah)

- Quem é o sr.? - perguntei-lhe.

- Sou inspector da Judiciária.

- Pois eu não sou Teles actualmente, mas descendo da Aleivosa, que era a Rainha Dona Leonor Telles. Se isso lhe pode interessar....ahahahahah

E abalei de volta ao meu lugar.

À chegada a Lisboa lá o vi ao longe com mais um outro, seguramente da mesma instituição. Acredito que tenham ido ao Dubai à cata de contas óbeshores e, se foram eficazes, procuravam um cúmplice de nome Teles....com dois LL, como pelles com dois LL...ahahaha

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

MÚSICA MATTERS PARA MIM


MÚSICA MATTERS PARA MIM

Estive hoje de manhã a olhar para os e-mails, a responder a alguns, mas coisa leve, pois para chatices não estou nem aí.

Fui para a piscina e enquanto a Mariana passou o dia em Singapura em trabalho, levei o meu iPod e estendi-me qual lagarto, claro, numa bela cadeira a ouvir música.

É bom que eu diga como a música sempre teve um papel importante na minha vida. Por outro lado os meus Pais e Avós de ambos os lados, eram habitués de S.Carlos quer nas temporadas de ópera como de ballet. A partir de uma certa idade (ia-se de smoking), vimos do melhor que passou em Lisboa: a Margot Fonteyn e o Nureyev no Lago dos Cisnes e para além deles muitos outros de renome, nas óperas fomos entrando devagarinho pois começámos pelas clássicas e a pouco e pouco fomos apurando o gosto, e finalmente nas temporadas da Gulbenkian tivemos a oportunidade de assistir a concertos com grandes maestros e tudo quanto hoje em dia faz o acervo da minha escolha de compositores favoritos, mas aqui já comigo já na Faculdade.

Nada disto impediu que eu fosse igualmente um apreciador de todo o tipo de música não clássica que acompanhou a minha juventude, adolescência e madureza…se a tive alguma vez, eventually. Fiz toda uma vida de discotecas, festas em casa de uns e de outros pois tínhamos um grande grupo de amigas/amigos em que saíamos quase todos as noites durante os 3 meses de férias de Verão.

Entretanto tenho cerca de mil gravações no iPod por isso posso ter uma grande escolha. Decidi começar por música italiana ligeira em que os diversos cantores dessa altura se dedicavam às modinhas conhecidas e como estava sozinho na piscina, toca de cantar em voz alta a acompanhar o que ia ouvindo…ahahah. Sei as letras todas e com uns pássaros que vinham pousar junto de mim a apreciar o “colega” senti-me em Itália junto a Capri. Claro está que o Pavarotti a cantar o “o Sole mio” e acompanhado pela minha voz fez estremecer as janelas do compound…ahahah

Em pleno "volare nel blu dipinto di blu", chegam dois rapazes novos que não reparei que se aproximavam e que quando passam por mim, fazem-me, sorridentes, com o polegar um sinal de aprovação e vão-se sentar na “cabana ao lado”. Naturalmente que refreei os meus ímpetos de cantor e quando fui dar um mergulho, estando também dentro de água perguntaram-me de onde era – pergunta sagrada – e eu disse de Portugal. Ni idéa! Eles eram de Myanmar (Burma) e falavam péssimo inglês…recorri ao velho truque índio de falar no Ronaldo…ah! Ronaldo, Portugal…sorridentes e excitados…devia ser-lhe dado um passaporte diplomático de Embaixador itinerante de Portugal!

A Mariana veio mais cedo, e fomos ao entardecer fazer jogging durante uma hora junto ao porto e no meio de um condomínio com vilas de luxo, com relvados até ao rio por onde deslizavam silenciosas pirogas com locais voltando a casa, carregados de peixe.

Serão bons tempos para recordar na minha vida, momentos de cumplicidade em que não falamos de chatices nem de coisas fúteis, apreciamos o silêncio que também significa paz.

A arte de tagarelar pode ser muito maçadora…ninguém exige conversa permanente, a não ser, claro, os políticos nas televisões sempre a palrar como picaretas falantes.

DOMINGO É DIA DE DESCANSO NA MALÁSIA

 
DOMINGO É DIA DE DESCANSO NA MALÁSIA

Fui na 6f visitar uma mesquita gigante, com uma arquitectura bem leve e clara e com uma área à volta muito bonita e cheia de verde e relva e também de edifícios no mesmo estilo tendo-me sido explicado que são a parte administrativa, mas o que é facto é que era dia e hora de orações e não avistei viv'alma, mesmo! A área ocupada era umas duas vezes o Restelo! Suspeito que se ensinem algumas técnicas daeshistas!

O chauffeur simpático sendo hindu rejubilou e aproveitou para dizer mal do profeta e dos malaios, pois, segundo ele há três escalas sociais: malaios que tudo têm do governo, chineses que tudo querem e compram, e hindus....

Em suma uma grande maçada: lá no Senhor Roubado temos uma ermida a Santa Rita de Cássia cujo tamanho dá só para receber as oferendas em espécie....e que bela espécie: ele são borregos, vitelos, perus, enchidos, chouriços, alheiras de Mirandela, papos de anjo, barrigas de freiras, pudim do Abade de Priscos, e muito boa pinga.

O sr.Padre Aurélio passa por lá à noitinha a cada dia, leva tudo para se não estragar bem como a caixa de esmolas e outra de pedidos por escrito à santa. 

Mas volvamos à Malásia aonde a Mariana me levou a almoçar a um excelente restaurante neozelandês numa marina.

Enquanto ela não compra um carro andamos em ubers e taxis do tipo mytaxi.

Dá-se a morada e o camarada vem buscar. Em todo o mundo este negócio está cheio de truques pelo que hoje, o moço que nos veio buscar ao condomínio, apparently estava a fazer um jeito ao titular da licença, mas lá fomos para a marina. A distância como de Lisboa ao Guincho e o custo foi de €13,00. Foi bom! O macaco quando chegámos perguntou-nos se queríamos que esperasse e tendo nós dito que não simpaticamente, pareceu-nos que ia esperar por conta e risco! 

Lá chegados demos uma volta de reconhecimento e sem hesitação optámos pelo dito restaurante.

Os empregados estrangeiros e o chefe da sala, do mais acolhedor que há, tendo ficado sentados numa mesa num terraço com um toldo com vista para a marina.

Um menu estupendo e categorizado, fez-nos escolher à Mariana um "king fish" com ervas aromáticas e legumes ao vapor e o vosso criado um "chicken breast" rôti com champignons salteados, cenouricas....para não dizer cenourinhas...ahah, num molho delicioso. Uma cerveja irlandesa. Muito, mas muito bom. De sobremesa a Mariana comeu uma "Pavlova com kiwis e papaia" numa base enorme de chantilly que é como se fosse um grande suspiro recheado e o Nelo uns baignets de banana com uma bola de gelado de maracujá.

A Mariana adorou e diz que vai passar a ir lá com amigos e visitantes. Demos um passeio pela  marina, tendo chegado a casa pelas 17h. É claro que quando marcámos o taxi era o mesmo que tinha almoçado numa tasca com a Anabela!

A nap merecido e mais uma sessão obsessiva para os dois do Marco Polo no Netflix, que é viciante...

E por hoje foi tudo, caros leitores. Aqui fica a fotografia.

O QUE SE APRENDE COM OS FILHOS


O QUE SE APRENDE COM OS FILHOS

Fui a um excelente supermercado com uma secção biológica.

Num pequeno aparte e com esforço próprio tenho dado provas na minha vida de estar aberto a escutar. Apraz-me a novidade, a modernidade e então quando tem lógica sou fácilmente convencido.

Voltando ao fio da meada, observava a Mariana com mestria e conhecimento a "pescar" uma série de legumes com que depois faz as deliciosas sopas bimbianas! Eu lá arriscava os nomes dos que me pareciam ser, e com segurança - porque a Mariana estava sempre a incentivar-me para que tirasse o que quisesse das prateleiras - escolho um saco de cogumelos ou champignons ou mushrooms!
Azar para mim, diz a Mariana - não faço a menor ideia o que fazer com eles ! Digo eu, gourmet e gourmand do melhor, tendo sempre comido do bom desde os tempos dos meus Bisavós de ambos os lados, MAS SEMPRE NO PRATO, - então podem-se fazer salteados na frigideira, cortados em fatias fininhas e num molho do tal bife do lombo australiano.....ahahah..disse-me que ia ver à internet, que querida!
Depois, como sai a mim em muitas coisas, compramos asneirinhas que destroem um niquinho o efeito de saudabilidade do acima descrito - caixona de gelado, queijo em triângulos da "la vache qui rit", uma caixa de Camembert! Trouxe-lhe de Lisboa 6 tablettes de chocolate e bolachas...

Fui depois do exercício matinal a um spa fazer massagens aos pés que já conhecíamos desde a nossa estadia na China (Macau, HK, etc).

Aqui deixo a ilustração de tal sessão.

O Peninha tem estado calado, pois pu-lo de férias.

O SULTÃO DA MALÁSIA MANDOU-ME CHAMAR






O SULTÃO DA MALÁSIA MANDOU-ME CHAMAR

Recebeu-me nos jardins junto a um lago, e perguntou-me se estava a gostar da estadia.

Fui barbeado, perfumado na barba e no pescoço com um perfume do Hugo Boss que a Mariana me mandou pelo Natal e que fez o percurso de volta para prova do meu apreço, uma camisa branca de linho imaculada, uns shorts verdes de algodão finíssimo (do protocolo indicaram-me que o Sultão estaria também informal e adorava estar de calções) e uns Paez verdes azeitona a dar com os shorts.

Entretanto na véspera tinha jantado um opíparo ágape tudo feito pela dona-da-casa, que me tem tratado com imensos mimos.

Uma sopa bimbiana de vegetais only (maçã, abacate, courgettes, abóbora), um frango de pica com um limão no rabo....ahahah, sem corantes nem conservantes...ahah, no forno e com imensa carne branca fofinha...ahahah...e como sobremesa uns maracujás deliciosos. Estou um fio de elegância....

Sessão de cinema a seguir...viciante o Marco Polo na Netflix...vimos uns 6 episódios e eu continuei ainda mais uns dois..dormi que nem um justo, apesar da biolência.

Durante o dia enquanto a pikena trabalhava, arranjou-me um driver indiano com um bruto carro com ar condicionado. Fomos dar uma volta in town. Muito culto, tinha sido da polícia de investigação e detective. Estava a par de tudo!

Foi uma manhã muito bem passada e interessante.

Li vagamente ( têm sido umas férias de notícias) que o Sócrates terá dado uma entrevista. Falei-lhe nele e logo me disse que conhecia o processo e que me ia enviar revelações bombásticas sobre apartamentos no centro de Singapura e Kuala Lumpur....ahahah..só a pachorra.

Hoje Sábado, malhação no gym e mergulhaços na piscina. Está imenso sol e calor. Ontem à noite houve trovões, raios e coriscos.

Na 5f fomos jantar a um restô japona na marina. Uma maravilha.

Como dizia um meu bisavô: está bem rapazes!

Visita a Singapura e à Malásia


Lá vim há duas semanas para Singapura e Malásia para estar com a Mariana, minha filha até 17 de Fevereiro, data em que volto com ela para Lisboa, pois vem passar cá os anos. Está-me a apetecer imenso.

Vai ser bom para descansar e estar com ela, pois tenho sempre muitas saudades. No fundo é a minha "menina" e os Pais gostam sempre muito das filhotas. Eu sou dos que gosto de todos por igual, mas uma filha é diferente.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

SILÊNCIO de SCORSESE

SILÊNCIO de SCORSESE

Fui ver "Silêncio" de Scorsese. Primorosamente realizado, com excelentes interpretações. Passa-se em 1640 e seguintes. Não me apetece perder tempo sobre o tema.

Tirei para mim uma conclusão, que confirma o que já penso há anos: não se deve fazer na vida NADA (i) que não nos apeteça e em que acreditemos possa ser útil a nós e aos outros (ii) que seja uma maçada, um sofrimento e sem resultados palpáveis previsíveis.

No mundo dos negócios, social, pessoal cada vez tenho menos tempo a perder com "non issues" ou seja com factos, actos cometidos ou a cometer por losers, non-performers, non professionals, sonhadores.

Para sonhar há boas viagens, bons hotéis, boas praias, bons países para viver. Simultâneamente com isso, em podendo, é bom ajudar quem precisa, mas sem o espírito de rato de sacristia, de mártir, de S. Vicente de Paula: é ajudar na medida e da forma como pudermos. Se for material é dar e não pensar mais. O ou os destinatários que o gozem e que tenham muita saúdinha...ahahah

Que grande maçada causas perdidas!

Voltando ao filme, que estultícia pensar que a missionação teria algum sentido no Japão, sobretudo tendo em conta que não é obrigatório ser-se cristão, ainda mais com a rigidez dos princípios dessa época e para aborígenes para quem tanto fazia uma coisa ou outra.

Mas isto é o que penso e mai nada.

Trump Rehearsing his 2017 Goal: Take over Britain and replace The Queen



















domingo, 22 de janeiro de 2017

A POSSE DE TRUMP E A REPORTAGEM DO PENINHA






A POSSE DE TRUMP E A REPORTAGEM DO PENINHA

O Peninha conseguiu que lhe validassem o bilhete de regresso de Caracas a Washington, devido ao infortunado azar de ter adormecido a bordo e falhado a sua saída nos USA!
Tendo chegado a Washington na véspera da posse do Presidente-eleito Donald Trump, hospedou-se num pequeno e modesto hotel junto do Capitólio, que a agência lhe reservara em Lisboa.
O primo John vociferou contra tudo o que Peninha tinha proposto: o traje para estar presente na cerimónia bem como, em caso de entrevista a algum órgão de informação, as ideias que alinhara que eram o oposto das expressas por Trump.
Assim que, recomeçou tudo: foi a um armazém de roupas e comprou uns jeans normais, uma camisa aos quadrados e um blusão de couro castanho-escuro, uns ténis pretos NIKE e numa loja de souvenirs levou um cap que dizia “Madeira -1968”. Pareceu-lhe um gesto de portuguesismo, ainda que nunca tivesse ido à dita ilha mas em homenagem ao primo John que tinha emigrado directamente de lá, e que ficaria contente em vê-lo aparecer nos écrans com este toque de gentil sensibilidade. Só não percebeu o porquê da data – 1968 – mas a menina do balcão disse-lhe que o pai dela tinha-o lá desde essa data e que ninguém o tinha comprado, entretanto!
Voltou a ler alguns recortes de jornais e revistas portuguesas sobre o Trump e apercebeu-se que tinha interpretado tudo ao contrário: o homem era de direita, conservador, tinha vontade de esganar os mexicanos e construir um muro junto à fronteira, odiava outras raças nomeadamente a muçulmana, enfim, concluiu que ali estava o exemplo de um estadista de valor e defendendo os princípios por que o Peninha sempre pugnara, inclusive na sua aldeia, quando era miúdo e jogava ao berlinde com os outros colegas de escola. Sempre admirara o dr. Paupério que era o senhor rico da terra, que tinha uma casa boa e farta e que não se dava com ninguém da vizinhança, nem os filhos jogavam ao bilas com ele e os outros. Peninha achava bem; ricos de um lado e pobres do outro. Pareceu-lhe que Trump devia ser um dr. Paupério da América e rejubilou com o facto. Assim é que era, nada de modernices nem de abrir as portas dos países aos outros estranhos.
A única coisa com que discordava era da segregação em relação à ILGA, pois o Américo era bicha desde pequeno e mesmo na escola já era chamado de Toninha, mas isso nunca o tinha impedido de com ele brincar.
Peninha achava mal qualquer discriminação fosse de que tipo fosse e por isso haveria de dizer publicamente e com orgulho, se por acaso fosse entrevistado, que não estava de acordo!
Enfim, chegou o grande momento. O Peninha não tinha mais do que o 2º ano do liceu de antigamente, pois tinha ido logo trabalhar, mas a vida tinha sido uma escola importante pelo que falava razoavelmente o inglês, ainda que com alguns erros, sobretudo verbos e vocabulário, mas dava para perceber tudo o que se ia passar.
Entrou no recinto com umas três horas de antecedência e de facto o lugar que o primo lhe arranjara era muito bem situado: junto das escadas do Capitólio, numa zona reservada a técnicos de electricidade e de som, que asseguravam que tudo corresse sem problemas.
Claro, não tinha Senadores nem Congressistas, mas tinha a imprensa que fazia a cobertura do evento, em cima, num estrado.
Começou a meter conversa com os vizinhos do seu lugar que se apresentaram simpaticamente: um, era um talhante do Arkansas, já entradote e que viera sem a família que ficara a tomar conta do talho. O Peninha ficou um pouco admirado quando lhe disse que era português e de Lisboa e o homem respondeu-lhe que sabia muito bem aonde era o país – Madagáscar - com um ar convencido. Peninha referiu-lhe o nome do seu clube – o Sporting – um dos maiores da Europa e o tipo ficou na mesma. Quando, já irritado, lhe falou em Jesus, ele disse-lhe : “Of course, that one I know!” Peninha não lhe achou muita graça pois pareceu-lhe de uma ignorância atroz.
A outra, era moça jovem, um pouco máscula e pareceu-lhe que seria travesti pois disse-lhe que se chamava Persifal mas que era conhecida por Gina. Ora fez-se luz na cabeça de Peninha e lembrou-se do Américo e da Toninha e tal e coisa. Muito simpática apresentou-lhe várias amigas, e foi-lhe dizendo que era jornalista de um jornal famoso em Nova Iorque, dizia ela, de nome “Pussy Cat”! Achou o máximo e pensou logo que estaria ali a oportunidade de falar à imprensa.
Conversaram muito sobre o Trump e sobre o futuro, enquanto aguardavam a chegada das altas individualidades e dos principais participantes na tomada de posse.
Entretanto, Peninha reparou que na zona dos jornalistas para além de um ecrã aonde se via o desenrolar da cerimónia havia uma aparelhagem, que lhe pareceu de escutas. Indagou da sua vizinha jornalista, que com um piscar de olhos lhe disse:
- Pusemos uns microfones na zona dos VIP para ouvirmos os comentários e depois os publicarmos. Peninha ficou muito intrigado pois pareceu-lhe coisa do Correio da Manhã ou mesmo do Expresso.
De facto começaram a chegar os ex-presidentes e Peninha foi-se aproximando e começou a tomar notas:
- Jimmy Carter para a mulher: que grande maçada, ainda por cima acho o Donald um grosseiro e um boçal. Só aceitei vir porque sempre somos vistos e há anos que não nos ligam nada. Olha chegou agora a Hillary com o Bill Clinton. Ele está muito velho. Oiça dizer que ainda cutuca as secretárias da Fundação…
- Hillary para Bill Clinton : Estou-lhe com uma raiva! Claro que vou sorrir e fingir que está tudo bem, mas tu ao menos podias agarrar-me nas mãos como se fôssemos muito unidos, para dar uma imagem de casal feliz. Que velho está o Jimmy Carter, caquéctico e ela mal vestida, nunca souberam ter classe. Olha para lá Bill e sorri!
- George W. Bush para Laura Bush: Tu não achas que a Hillary está muito tensa. Nem sei como se vão falar, o Trump e ela. Está gorda e sem graça nenhuma e o Bill está a cair da tripeça. Olha eu tenho saudades destas honras e mordomias, no fundo foi para isso que fui presidente.
- Obama para Michelle: tu, contém-te e não faças cara de enjoada, um dia ainda voltamos a isto tudo, prometo-te. Fomos muito melhores do que aquela cambada dos ex-presidentes, que ali estão a sorrir-nos.
O Peninha estava perplexo, pois julgava que todas aquelas amabilidades que via entre eles, não fossem tão hipócritas.
Obama para Michelle: Olha-me para a Melania, copiona, está com um vestido igual ao da Jackie Kennedy. Ela quando te deu o presente esta manhã à porta da Casa Branca, estendeu-te a mão…safada, fizeste bem em dar-lhe logo dois beijos! Quem se julga ela que é?
Michelle para Obama: Vem bem vestida e tu não me deixaste comprar nada melhor do que este meu vestido, que eu acho sem glamour nenhum! Foste sovina!
E continuaram a dizer mal uns dos outros até que chegou Trump.
Trump para Melania: Finge que me dás um beijo sentido e ri-te minha estúpida! Estás aí entrouxada nesse vestido…põe-te mais à vontade. Foste às aulas de protocolo mas eu sei mais do que esses chulos. Cambada de gente. Vou ali ser visto outra vez a dar manteiga ao Obama pois eles vão ficar para morrer quando ouvirem o meu discurso.
Melania para Trump: estou farta disto e de armar que nos damos bem. Vou mas é para NY e levo o puto e não julgues que volto cá muitas vezes. Ele também detesta isto tudo, olha-me para a cara desatenta dele. O marido da Ivanka, não perde pitada e está com o peito todo cheio. Vocês estão bons um para o outro. Espero que ela te controle, só tens dito asneiras. E deixa de te peidares que é uma vergonha.
E o Peninha desolado via os seus sonhos da política como uma coisa sã e preciosa, esboroarem-se como um castelo de cartas. Todos uns pulhas!
Voltou para o lugar para ouvir o discurso de Trump. Ali ao lado dele eram todos fans, mas o Peninha estava desiludido com as ideias e as generalidades: achou que não tinha plano nenhum.
Quando o discurso acabou e enquanto tocavam as bandas, a sua vizinha do jornal o “Pussy Cat” perguntou-lhe se aceitava responder a três perguntas para publicar com a sua fotografia, no jornal. Peninha ficou encantado e disse logo que sim.
- Qual é a tua orientação sexual? – perguntou-lhe ela.
O Peninha ficou um pouco surpreendido e antes de responder pensou para si mesmo: sempre fui um homão e gostei de gajas.
- Olha sou hétero e gosto muito de mulheres – respondeu o Peninha. Viu que a sua resposta não tinha agradado muito à jornalista.
- 2ª pergunta: sabendo tu que eu sou travesti, ias para a cama comigo? – lançou a jornalista com um ar de desafio para o Peninha.
- Nem penses nisso filha ou filho, sei lá, não saberia o que te fazer, mas olha que tenho amigos como tu e damo-nos muito bem. Eu não tenho preconceitos, disse o Peninha com um ar satisfeito pela sua posição liberal. Mas olha, faz-me uma pergunta sobre política, sobre o Trump, a América.
- 3ª pergunta – gostaste do vestido da Melania? – e acrescentou á laia de desculpa que nada sabia sobre política. Peninha desgostado, a contragosto disse-lhe:
- Gostei das mangas em godé, do cós alto, do busto saliente e da gola em rodovalho tipo cachecol…o azul bebé fica-lhe bem ainda que ela não seja nenhuma inocente. Das luvas, achei chic a valer.
Peninha saiu desconcertado da entrevista pois tinha sonhado dar opiniões políticas profundas e avisadas.
Voltou para o hotel para se vestir para o baile. Tinha trazido de Lisboa um smoking emprestado do Américo, de veludo lavrado em encarnado vivo, com umas calças escuras e uns sapatos com umas solas novas que o faziam escorregar. Pôs uma écharpe de seda azul escura à volta do pescoço, pois estava frio, e com um cravo branco na lapela, meteu-se num táxi e zarpou para o local do baile.
Lá chegado, de convite na mão apresentou-o à entrada e ouviu um comentário em voz baixa que lhe fez uma das meninas recepcionistas:
- I love the colour of your tuxedo, but I have to warn you, President Trump is a conservative and doesn’t like red, it reminds him of the communists, at least until he meets Putin…but I love it. Do you dance?
Peninha ficou encantado com o elogio e respondeu logo que sim e que ficava à espera dela para quando começasse o baile ela ser o seu par.
- Chamo-me Elsie ( Elsa, pensou o Peninha) e tu?
- Eu chamo-me Little Feather (Peninha) but I guarantee you that I have what you expect very big…e riu-se ainda que tivesse achado que tinha sido um pouco grosseiro.
Entrou para a sala gigantesca aonde se desenrolaria a festa e notou que havia um palco mais elevado que lhe disseram ser só para o Presidente Trump e a mulher abrirem o baile. Achou de uma arrogância e pretensão desmedidas e logo ali planeou que tentaria ir com a Elsie dançar para lá e assim, ao menos, poder aparecer na imprensa, pois os fotógrafos estariam todos de baterias apontadas.
A sala começou a encher-se mas o convite do Peninha só dava direito a ficar em pé junto ao bar e não a jantar. Assim fez e enquanto Elsie não chegava, começou a beber desenfreadamente: estava excitado com o ambiente e Elsie era rechonchuda, de rabo grande saliente do vestido comprido branco com uma racha atrevida lateral que deixava entrever umas belas pernas, tinha um peito de rola grande e cheio e uma cara agradável com uns olhos morenos e cabelo castanho claro.
Entretanto a orquestra começou a tocar umas musiquinhas gostosas e Peninha com os copos, meneava o corpo dando um bocado nas vistas.
Elsie foi ter com ele e enlaçados começaram a aproximar-se da pista que já tinha alguns pares de convidados a dançar. Peninha disse-lhe ao ouvido que ela estava muito sexy e confessou-lhe o seu desejo de irem disfarçadamente lá para o palco de cima para que quando o casal Trump começasse a dançar eles entrarem os dois também no mesmo palco e teriam um momento de fama…Ela ficou estarrecida com a ideia e falou-lhe na CIA e no FBI mas ele não se demoveu.
Elsie disse-lhe que a única maneira seria a de pretenderem ser da organização e estarem de serviço,sim não levantariam suspeitas e só mesmo quando a primeira valsa começasse poderiam então deslizar para o palco…Elsie achava uma loucura mas como já tinha bebido uns copos valentes como o Peninha, ia cedendo molemente.
Encontraram vária segurança a quem Elsie dizia que era da organização e sem grande dificuldade ficaram perto do palco, como se de meros observadores se tratassem e estivessem ali à disposição para qualquer coisa.
O casal Trump, chega ao palco e é saudado pelos convidados em delírio. A orquestra começa a tocar a valsa do Danúbio Azul e o casal Trump vai deslizando pela pista sob os aplausos de todos. Toda a gente está concentrada nos convidados de honra e não se apercebem de que Elsie e Peninha se vão aproximando do centro do palco, dançando ao som da valsa.
Os organizadores tinham tido ordens para espalharem no chão pó de talco em grande quantidade para facilitar ao casal Trump os passos da valsa e poderem rodopiar facilmente.
Numa volta mais ousada, o raio dos sapatos com solas novas que o Américo lhe emprestou, derrapam no chão escorregadio e perante o olhar assustado de todos, o Peninha estatela-se no chão dando um enorme trambolhão indo parar ao pés de Melania.
O FBI já tinha entrado no encalço dos dois e leva-os presos para interrogatório.
Foi um sarilho e só depois de muitas explicações, o Peninha conseguiu ser libertado.
Ansioso correu para um quiosque à procura dos jornais aonde tinha a certeza estaria noticiada a sua proeza, ainda que tendo acabado mal. NADA!
A equipa de TRUMP tinha censurado esta parte da festa e NADA deixara que os jornais reportassem. Peninha ficou tristíssimo e regressou a Lisboa.
Um dia depois do seu regresso recebeu um e-mail de Persival com um attachment aonde vinha na primeira página do jornal “Pussy Cat” a fotografia do seu estampanço!


segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

O PENINHA E A POSSE DE DONALD TRUMP


O PENINHA E A POSSE DE DONALD TRUMP

O Peninha tem um primo que emigrou para os Estados Unidos. Chama-se John e é comerciante em New Bedford. Exerce um cargo político nas estruturas locais do Partido Republicano.

O Peninha lembrou-se de lhe pedir se lhe arranjava uma entrada para o recinto da posse de Donald Trump junto às escadarias do Capitólio. Recebeu no Sábado o dito convite e alvoroçado foi a uma agência de viagem para marcar o voo para Washington.

O primo pediu-lhe que se preparasse para responder a algumas perguntas sobre o programa do Trump, para o caso de ser entrevistado e assim Peninha, começou a ler jornais e revistas e a ouvir as entrevistas na televisão que o Presidente-eleito deu nos últimos tempos. Começou a alinhar as seguintes conclusões:

- Trump não detesta tanto assim o Presidente Obama;

- Trump acabou por ficar com simpatia por Hillary Clinton;

- quanto ao Obamacare é errada a ideia de que o abomina, vai melhorá-lo (é um pretexto para dizer que o vai extinguir) e está a pensar convidar o ex-Presidente Obama para ficar à frente do novo plano, sendo muito bem pago;

- está preparado para a primeira visita de Estado ao Kremlin para contactar o Presidente Putin e tornar-se amigo do peito, até porque gostam ambos muito de vodka, o que já é um bom começo;

- vai financiar ainda mais a NATO e a ONU ( bom para Guterres);

- com a China, vai aumentar o comércio bilateral e aceita que Taiwan não é um país independente;

- com o México, afinal já não vai construir o muro e conta com a ajuda dos mariachi para distrair os eventuais emigrantes ilegais de salto;

- tenciona pôr a família o mais que é possível em cargos de confiança pois assim assegura o controlo do poder.

Estas foram algumas das linhas mestras que Peninha afivelou, mas nada quis dizer ao primo, para que quando fosse entrevistado fazer um brilharete. Orgulho da família!

Decidiu partir no Domingo para os USA e preparou a mala:

Levava como traje para assistir à cerimónia, um smoking aveludado de lilás, com um colete amarelo de cetim, umas calças de bombazina de cor de vinho escuro a dar ton sur ton com o smoking. Sapatos não podiam deixar de ser de verniz caramelizado. A camisa, branca lisa, com os colarinhos revirados aonde poria um papillon de pintas amarelas sobre um fundo azul. Na cabeça e por causa do frio, um boné à Tonicha. Levava, mais uma vez, a capa à espanhola pois seria sempre conveniente, não fosse o tempo esfriar.

Foi para o aeroporto e estava entre cansado, nervoso e muito excitado. Não percebia nada do aeroporto e das portas pois desde há muito que não viajava de avião e tudo estava mudado para melhor, pensou!

Foi ao bar, tomou uma pastilha para dormir e quando viu toda a gente embarcar pôs-se atrás e seguiu-os sem cuidar de mais nada, pois já estava até meio adormecido.

Muitas horas depois acordou com a hospedeira a tocar-lhe no braço e a dizer-lhe que era tempo de sair do avião.

- Já chegámos a Washington? – perguntou contente, pois a pastilha tinha sido eficaz.

- No Señor, estamos en Caracas. El vuelo era Lisboa, Washington, Caracas. 

O Peninha tinha falhado a escala! Porra!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Mário Soares

MÁRIO SOARES

É normal que se façam reportagens e entrevistas a propósito da morte de Mário Soares. Têm passado nos écrans tudo quanto é gente da esquerda, do centro e da direita. Repetem-se as palavras e os encómios e mais uma vez acho normal.

No entanto, tal como qualquer um de nós quando morrer, não seremos mais do que cinza, pó e nada.
E o tempo, no seu decurso inexorável, irá apagando a sua memória, não porque mereça ser esquecido no que de bem fez, mas porque a história é imparável e haverá que avançar e novos desafios nos esperam no presente e no futuro e não se avizinham fáceis.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

O PENINHA E O NOVO BANCO



O PENINHA E O NOVO BANCO

O Peninha já anda há muito a ruminar em como pode ajudar o país, contribuindo com qualquer gesto grandioso que o faça ser recordado no futuro.

Com estes últimos acontecimentos no NOVO BANCO, o Peninha julgou chegado o momento de intervir.

Um tio do Peninha, o sr. Asdrúbal, fora nos bons tempos da família Espírito Santo, bicheiro na Quinta do Perú, e pendurava religiosamente nas árvores que conduziam á casa, tudo quanto era de animais nocivos à caça, para os patrões verem bem que desempenhava as suas funções a contento: milhafres, águias de pequeno porte, ratazanas, gatos selvagens…

Sempre tivera, por isso, a gratidão da família e em troca também sempre depositara as suas poupanças nos bancos do GES. Esta devoção fora transmissível à restante família do sr. Asdrúbal, pelo que o Peninha sempre fora cliente do BES.

Qual não foi, por isso, a enorme dor, desilusão e prejuízo quando todo o império se desmoronou. Tinha aplicado umas massas no papel comercial e ficou sem nada. Infelizmente tinha em alternativa uma outra parte no Banif e ficou sem nada. O que vale foi uma herança pequena de uma tia Felismina do Sul, que lhe deixou uns Certificados de Aforro de que Peninha vai vivendo, para além do seu ordenado mensal.

Peninha trabalha, como funcionário público, num departamento de apoio à emigração pelo que conhece muitos emigrantes estrangeiros, cujos processos lhes passam pelas mãos.

Ora, um certo Sadiq, de nacionalidade paquistanesa, dá-se ares de ter bons contactos na banca do seu país. Peninha lembrou-se de que uma prima servia a dias na casa do dr. Sérgio Monteiro, que está indicado pelo Banco de Portugal, para liderar as negociações do NOVO BANCO.

Começou por sondar Sadiq que lhe prometeu falar a uns amigos poderosos em Karachi e retornar sobre o potencial interesse da compra do banco.

Por outro lado, haveria de pedir à prima que falasse ao dr. Sérgio Monteiro para este o receber quando houvesse algo de concreto.

Sadiq convocou-o e disse-lhe que um grupo de paquistaneses estava altamente interessado na aquisição do banco e que portanto ele que avançasse com o contacto.

Peninha, começou a sentir-se importante e a estar imbuído daquele espírito de missão patriótica de um Gama ou Albuquerque e lá conseguiu que a prima lhe arranjasse uns 10m no fim-de-semana para uma conversa com o dr. Sérgio Monteiro.

Vestiu-se como julgava um banqueiro o fizesse: fato Hugo Boss azul-marinho, com as calças a esterlicarem em baixo junto às canelas, cinto de coiro preto com uma fivela de cowboy em prata, uma camisa com colarinhos à Mao, com dois botões, e na lapela uma bandeira de Portugal em esmalte, pois não era para menos. Os sapatos ainda pensou pôr os de pele de lagarto castanhos, mas acabou por optar por uns All Star casual.

Lá chegado a casa do dr. Sérgio Monteiro, a prima disse-lhe que fosse tomar um café e voltasse dali a uma hora, pois o dr. tinha-se deitado tarde e ainda estava a dormir. Peninha achou de uma grande desconsideração, mas não teve outro remédio, pois nem para a sala o mandaram entrar.

Regressado ao apartamento, a prima mandou-o entrar e pediu-lhe que aguardasse, pois o dr. estava a acabar o pequeno-almoço.

Nisto, aparece-lhe o dr. Sérgio Monteiro de roupão de seda com dragões de fogo e estendendo-lhe a mão, diz-lhe:

- Desculpe estar de roupão, mas estou com muito sono ainda, pois ontem foi uma noitada com uns chineses de um banco comprador e ainda vou voltar para a cama. Então diga lá!

Peninha ficou sem fala e atrapalhado. Bloqueou-se-lhe o raciocínio, mas vendo que ele esperava que ele falasse, lá lhe foi dizendo que conheçia um Sadiq, paquistanês, comerciante de grosso trato, que tem uns amigos comerciantes em Karachi que querem comprar o NOVO BANCO pois têm lojas em Portugal e têm dificuldades em abrir cartas de crédito…..e logo o dr.Sérgio Monteiro, o interrompe e diz:

- Meu caro amigo, muito obrigado pelo seu empenho e esforço em ajudar o país. No entanto o valor que estamos a pedir pela compra do banco é tão baixo, tão baixo que seguramente não interessará aos seus amigos comerciantes que estão dispostos a pagar vultuosas quantias. Não deixarei de mencionar ao dr. Carlos Costa, o seu interesse e talvez se possa um dia fazer um negócio com o Paquistão.

Levantando-se, começou a dirigir-se em direcção à porta e estendendo-lhe a mão despediu-se dizendo que tinha de voltar para a cama.

Peninha encontrou-se na rua, entre contente e desiludido. Contente por ter sido reconhecido o seu esforço em ter querido ser de mais-valia para o seu país, mas desiludido pois tinha achado que o grupo paquistanês seria considerado de grande impacto económico e financeiro.

Peninha ainda teve uma reunião com Sadiq o qual lhe disse que afinal percebera que se tratava de um banco e não de uma casa de câmbios, pois os que eles queriam era aumentar a loja que tinham na Almirante Reis para fazer transferências.


segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

CHAMADA TELEFÓNICA PARA MIM, DE UMA CLÍNICA DIETÉTICA


CHAMADA TELEFÓNICA PARA MIM, DE UMA CLÍNICA DIETÉTICA

(Voz de gata, arrastada e mimada) : Táaaa? Tou a falar com o Manuéel?

Eu- Tá, tá

Ela: Em primeiro lugar um Bom Ano, Manuéel...

Eu: Agradecido e também retribuo.

Ela: Manuel, temos uma oferta irrecusável, Manuel para ter uma consulta grátes na nossa Clínica, Manuel, o que acha Manuel!

Eu: Como se chama?

Ela: Kátia, Manuel.

Eu: também se chama Manuel, Kátia Manuel...nunca tinha ouvido...

Ela: O Manuel é tão engraçado...(juro poder ter ouvido um ronronar gatal a rir de mansinho)

Eu a finalizar: Olhe Kátia, teremos que deixar para depois do dia 15 de Janeiro, pois estou com uma gripe daquelas violentas (verdade, mas estou muito melhor..ahahah) e temo que só para essa altura possa estar disponível.

Ela ( miando de gozo por eu não ter cancelado e prever uma comissão, aliás justa!): Olhe Manuel, quer que eu lhe telefone ou telefona-me?

Eu: fica combinado ( que é uma maneira delicada de deixar tudo à vontade do Altíssimo...ou seja ao deusdará...

Ahahahahah...ainda estremeço com o som do Manueeeelll

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

O Peninha e o Reveilhão 2016 - o Elefante Branco - Bom Ano de 2017


O PENINHA E O REVEILHÃO 2016

O Peninha lamentou o fecho do Elefante Branco, que entre os amigos que com ele o frequentavam, era conhecido como "o Trombinhas"!

Lá conhecera a Odete, a linda e carnuda Míriam - maravilhosa brasileira - a Natasha e tantas outras por quem se apaixonara.

Agora que tudo acabou, o Peninha não tem a certeza de que fosse reciprocado. Tantos "I love you, darling" e pedidos de permissão para novas e incontáveis garrafas de whiskey, talvez lhe tenham despertado o líbido, mas também rombos significativos no seu bolso.

O Peninha ia todas as vésperas de Natal, confessar-se à igreja do Loreto, a um padre italiano velhinho. Quando lhe relatava por alto os múltiplos pecados carnais praticados no Trombinhas e derivados, o padre levantava os olhos para ele, uns minutos, e dizia: " reze, reze, muito"! E lá vinha uma penitência valente. Até disto ia ter saudades.

Este ano, a malta tinha-o desafiado para um reveilhão numa boîte de acompanhantes de luxo chamada "o Papagaio Amarelo". O preço era puxado, mas o Peninha estava numa de compensar o desgosto, fosse a que preço fosse.

O traje obrigatório era de maillot de banho, justo, tipo tanga à Tarzan e por cima penas de papagaio a cobrir o corpo. Podiam ser penas de várias cores!

Lembrou-se dos guarda-roupas Paiva e Anahory, e foi no primeiro que arranjou um casaquinho emplumado de cor violeta, pois fornecera os teatros de revista, visto ser situado em pleno Parque Mayer!

Segundo diziam os frequentadores, havia aquecimento de sobra e até corria o rumor que se brincava ao Adão e Eva, está visto, neste caso, aves canoras do paraíso.

Bar aberto, tapas requintadas de caviar e de salmão fumado, santola recheada, lagosta Thermidor, e no fim uma omeleta surprise, neste caso era sorteada uma papagaia surpresa, entre os convivas de cada privé.

O Peninha não podia ir de metro, vestido com as plumas e de tanguinha - tinha comprado numa loja chinesa, uma com as cores da bandeira dos USA, com uns dizeres bem salientes de entre umas labaredas "burn inside"! Tinha muito sainete!

Posto isto, comprara na Rua dos Fanqueiros, no Armazém da Covilhã, umas calças de flanela cinzentas tipo ministro do antigamente, uma camisa   branca de quadrados azuis bébé num saldo do boxing day, numa loja do Conde Barão. Na sapataria Oliveira, a que calça Lisboa inteira, foi um par de sapatos de polimento preto, bicudos de matar baratas ao canto, e umas meias com as listas verdes do Sporting.

Por cima da camisa, pois está muito frio, adquirira na feira de roupas dos paquistaneses em Alverca, um blusão da tropa que tinha uma tira na manga, que dizia " Matias, 1959".

Assim planeou todo o seu fim-do-ano.