quinta-feira, 19 de julho de 2018

instruções muito úteis

Cliente – Estou!
Vodafone – Está? Estou a falar com o senhor Nuno?
Cliente – Sim...
Vodafone - Sr. Nuno, como vai? Aqui é da Vodafone e estamos a ligar para lhe apresentar a promoção Vodafone 1.382 minutos, que oferece...
Cliente – Desculpe (interrompe), mas com quem estou a falar?
Vodafone - O sr está a falar com Natália Bagulho da Vodafone. Eu estou a ligar-lhe para...
Cliente – Natália, desculpe-me, mas para minha segurança gostaria de conferir alguns dados antes de continuar com a nossa conversa, pode ser?
Vodafone - ...Sssssim, pode...
Cliente – A Natália trabalha em que área da Vodafone?
Vodafone - Telemarketing Pró-Activo.
Cliente – E tem número de funcionária da Vodafone?
Vodafone - Desculpe, mas não creio que essa informação seja necessária.
Cliente – Então terei que desligar, pois não estou seguro de estar realmente a falar com uma funcionária da Vodafone.
Vodafone - Mas eu posso garantir...
Cliente – Além disso, sempre que tento falar com a Vodafone sou obrigado a fornecer os meus dados a vários interlocutores.
Vodafone - Tudo bem, a minha matrícula é Vodafone -6696969-TPA.
Cliente – Só um momento enquanto verifico.
Cliente – ...??? (Dois minutos mais tarde) - Só mais um momento, por favor.
Vodafone - ...??? (Cinco minutos mais) - Estou sim?
Cliente – Só mais um momento, por favor, estamos muito lentos hoje cá por casa.
Vodafone - Mas, senhor... (Um minuto depois)
Cliente – Pronto, Natália, obrigado por ter aguardado. Qual é mesmo o assunto?
Vodafone - Aqui é da Vodafone, estamos a ligar para oferecer a promoção Vodafone 1382 minutos, pela qual o Sr. fala 1.300 minutos e ganha 82 minutos de bónus, além de poder enviar 372 SMS totalmente grátis. O senhor estaria interessado, Sr. Nuno?
Cliente – Natália, vou ter que transferir a sua ligação para a minha mulher porque é ela quem decide sobre alteração de planos de telemóveis.
Por favor, não desligue, pois a sua chamada é muito importante para mim...
(Pousa o telemóvel em frente ao leitor de CD´s, coloca a música a tocar em repeat mode e vai beber um cafézinho...)
Válido não só para a Vodafone: pode experimentar com a TV CABO, Clix, Optimus, Cabovisão, etc...

domingo, 15 de julho de 2018

TEMOS O QUE MERECEMOS

TEMOS O QUE MERECEMOS

Andei hoje a flanar por Lisboa, umas vezes a pé outras de carro. Passei no Chiado, Amoreiras, Avenida da Liberdade, na Rua da Escola Politécnica, no Príncipe Real, e junto ao Tejo.

Bastantes turistas de várias idades e parecendo genuinamente estarem bem dispostos e a gostarem do que viam.

Portugal tem grandes e sérios problemas por resolver e não chega dizer-se que Costa está quase na maioria absoluta em sondagens de ontem. O povo apesar de se dizer que é sábio, é trouxa e é bem enganado com promessas incumpridas e por descrições cor-de-rosa que não correspondem à realidade do dia-a-dia.

Claro que melhorámos em várias coisas, seria desonesto negar, mas sendo Portugal um país pobre e sem suficientes fundos para fazer face a todos os problemas existentes, de que serve Costa ganhar, se não tem uma varinha mágica para fazer dinheiro ou resolver os problemas?


A direita portuguesa não existe de facto e não tem nem impacto nem relevância junto do povo eleitor, que é o que importa. Não há, sérias alternativas a Costa, pois a maioria dos bons profissionais e quadros com excelência, preferem ficar em casa e nas empresas privadas que pagam bem, do que servir o país. Esta é a verdade crua e dura.


Por tanto não nos queixemos! A culpa é nossa!

quarta-feira, 11 de julho de 2018

O PENINHA ESTÁ EM MOSCOVO

O PENINHA ESTÁ EM MOSCOVO

O Peninha lá arranjou umas massas para ir a Moscovo, pela ERITREIA AIR LINES, para assistir aos vários jogos.

Escolheu esta companhia aérea porque viu na internet que praticava uns preços imbatíveis, mas não pensou no risco que corria. Para já ao levantar voo da Portela e já no ar a aeronave começou a "gaguejar" e os motores a funcionarem mal e teve que fazer uma aterragem de urgência no aeroporto do Montijo.

Peninha com o seu espírito prático, quando saíram do avião para ser inspeccionado, andou a miroscar o futuro novo aeroporto, fez perguntas aos militares, e quando regressou ao avião tinha-se tornado um "especialista" do novo aeroporto.

Chegado a Moscovo, tinha lá um primo comunista do tempo do Cunhal, bem estabelecido na vida, com um belo apartamento coladinho ao Kremlin e desempenhara até à reforma funções no KGB.

Dissera mesmo ao primo Peninha que estava algumas vezes com o Putin quando ele ao Domingo vinha tomar o pequeno-almoço ao café Putschkin que era logo ali entre o Kremlin e a sua casa.

Peninha começou a gizar um plano para poder encontrar-se com Putin. O primo abria-lhe as portas para ele se poder aproximar, mas depois teria que ter uma razão forte para o interessar e fazê-lo ter uma conversa minímamente aceitável e produtiva com ele.

Matutou, matutou até que fez um elenco daquilo que se dizia Putin mais gostar:
1. mulheres
2. dinheiro
3. poder
4. lixar os inimigos
5. ser respeitado internacionalmente

Ora tudo isto misturado dava um cocktail explosivo.

Quanto a mulheres, lembrou-se da Palmira da Graça, com um rabo bem feito e um peito arfante e um palminho de cara bem atractivo. Estava resolvido. Mandou pedir por WhatsApp uma boa fotografia da Palmira, meia descascada e assim asseguraria a oferta.

No que se refere a dinheiro, sendo um teso, no entanto conhecia um vereador de uma Câmara comunista que ganhava guita pra xuxu, com corrupções, e que a troco de uma fotografia do Putin assinada " para o Vitor com amizade democrática" - sim, porque o Putin não conhecia o Vitor nem dos eléctricos - podia desviar os fundos para a construção de um lar para idosos - que se lixem os velhos, vão morrer quer queiram quer não - e assim o segundo requisito estava cumprido.

Quanto ao poder, iria propor a Putin que organizasse uma revolução em Portugal, corresse com o Costa e o Marcelo, fechasse o Parlamento e se tornasse o único Chefe do Estado absolutista da Europa, governando Portugal como um ditador. Acho que ele ia gostar, tanto mais que não seria difícil de arranjar apoios da direita pois está tudo furioso com o status quo.

Lixar os inimigos, era de imediato: apresentava-se-lhe o Bruno de Carvalho que seria recambiado para a Sibéria para perder o pio e as ideias de voltar ao Sporting. O frio enregela e faz milagres.

Ser respeitado internacionalmente já seria mais complicado mas essa era uma tarefa que incumbiria a um nosso querido e estimado Embaixador do MNE, que lhe proporia um plano da "pólvora".

Peninha partilhou com o primo comunista, amigo e antigo colega do Putin no KGB e este achou tudo bem. Não admira porque por ser estúpido nunca passou de mau canalizador do Partido no KGB, longe de perceber de torturas e perseguições e de grandes estratégias de espionagem. Foi mandado para casa mais cedo pois como imbecil que era, atrapalhava mais do que ajudava.

Combinou-se o dia e Peninha tinha trazido uma boina da Marinha Grande à operário do ramo dos vidros, um lenço encarnado que encontrou numa das gavetas da Adelinha, depois dela morrer, um fato de macaco e uns sapatos à associativo como usava o Durão Barroso na Faculdade, quando era do MRPP.

Qual não é o espanto dos dois quando viram Putin entrar no café, de fato cinzento claro de seda de corte italiano, uma gravata de riscas do YSL, uns sapatos bicudos daqueles de matar baratas ao canto em crocodilo preto, um lenço de seda no bolso de cima do casaco e perfumado com a última água de colónia do Hugo Boss. A camisa impecável branca com um monograma com as letras WP bordadas e encimadas com a águia e coroa imperial. Um verdadeiro Tsar!

Olhou por cima da burra para o primo do Peninha e no meio de um croissant chamou-o e fez-lhe perguntas banais para matar o tempo. Às tantas o Vitor falou-lhe do Peninha e Putin disse para ele se aproximar. Saudaram-se e Peninha teve a certeza que tinha vestido o traje errado.

O primo foi traduzindo as ideias e propostas do Peninha que nem mereceram o olhar de Putin que ouvia distraído ao mesmo tempo que lia o Pravda.

Quando Peninha falou da Palmira, aí sim, Putin mostrou-se interessado. Peninha mostrou-lhe a fotografia e Putin miroscou, olhou, voltou a olhar e perguntou:
- Tem um rabo grande?
Ora Peninha não fazia a menor ideia e ousou mentir e disse que sim.
- Óptimo - disse Putin - vai para modelo das matrioskas.

E saindo de sopetão, entrou numa limusina espantosa que arrancou na esguelha.

Peninha ficou descorçoado pois tinha já sonhado com uma parceria com Putin.

Lá se foi tudo: a revolução que tanto jeito dava, o afastamento de vez do Bruno de Carvalho, as corrupções municipais, enfim o sonho de ser importante.

Nesse dia Portugal perdeu e Peninha voltou a Portugal no primeiro avião que apanhou. Comprou o bilhete e vagamente ouviu dizer que tinha uma paragem em Lisboa e que depois seguia para a Venezuela.

Peninha estava tão cansado que adormeceu profundamente durante o voo.

Quando finalmente acordou com o avião prestes a aterrar, ouviu estremunhado e em pânico: - benvindos a Caracas!

Um sarilho!

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Instantâneo no Chiado


INSTANTÂNEO

Rua Garrett. Vitaminas que é aonde era o antigo Picadilly. Estava a comer uma salada excelente com camarões e salmão. Os clientes sentam-se indistintamente em mesas comuns ao lado de desconhecidos.

Nos lugares junto ao meu, um casal novo de portugueses giraços talvez com os seus vinte e tal anos.

Ela loira de olhos verdes estava do outro lado da mesa de frente para mim. Peitinho de rôla e mãos bonitas. Ele com muito cabelo (inveja) castanho claro e também com mãos finas. De resto não o olhei nos olhos nem lhe vi o peito...ahahah...mas era fit, mais do que eu.

- queres logo? - perguntou ele.
- quero - disse ela.
- venho do ginásio e vou directo para a cama ter contigo - disse ele.
- hummm disse ela. eu estou nua à tua espera - disse ela.


Entretanto esquecidos do mundo entrelaçavam as mãos e olhavam apaixonados um para o outro.

O pudor impede-me de transcrever o programa detalhado que ouvi. Devo dizer que deve ter sido ou dos camarões ou do salmão que causaram uma impressão interior e exterior, mas estava muito excitado.

Tendo eu terminado a salada e havendo mais clientes á espera de lugar tive que me levantar e como tinha ido à Férin comprar umas revistas, tinha um saco de plástico que me ajudou quando abandonei a mesa.

A única coisa de que tive pena foi de não ter ouvido bem a morada deles, mas pareceu-me que sussuraram a palavra roubado e bem podia ser no Senhor Roubado, mas inclinei-me mais para um beijo roubado que foi o que ele lhe fez descaradamente na boca em pleno restaurante Vitaminas, no Chiado, aos 5 dias do mês de Julho no ano da graça de dois mil e dezoito.

terça-feira, 3 de julho de 2018

O meu novo livro – algumas dicas – “As coisas e os Contos"



O meu novo livro – algumas dicas – “As coisas e os Contos”

Como se sabe é preciso tempo, vontade e pesquisa para se escrever um livro. Este título que escolhi revela a minha vontade de passar a contos breves o resultado de coisas que foram acontecendo, sem ordem especial e com toda a liberdade de as transcrever. Umas vezes verdadeiras, outras inventadas, outras desejadas, outras falhadas e finalmente outras que as trago dentro de mim.

Longe de querer fazer uma autobiografia, mas nas suas páginas perceber-se-á quem o autor é e o que pensa e no que participou na sua variada e às vezes invulgar vida.

Concentrar-me-ei sobre factos-coisas e de uma forma leve e sistemática tentarei organizar as ideias em contos compreensíveis e legíveis.

‘If you are expecting someone to come to tea but you’re not going to be there, they may not come, and if I were them, I wouldn’t come. So, writing a book is about receptivity and being home when your guest is expected, or even when you hope that they will come.’

Alice Walker

Vou passar umas semanas á Provence, em França, em casa de amigos, e se as randonades de castelo em castelo não forem exageradas, talvez encontre uma sombra acolhedora debaixo de uma velha árvore para escrever.

2 de Julho de 2018

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Ficar adulto


Só ficas adulto depois de teus pais morrerem, porque deixou de existir a última coisa que existia entre ti e a morte.

António Lobo Antunes

sexta-feira, 15 de junho de 2018

A necessidade do endeusamento

Não sou um fanático de nada nem de ninguém. Gosto do Ronaldo e reconheço o muito trabalho e dedicação que presta ao futebol. Tem arte e um dom de saber jogar. Não acho obrigatório ficar cagalizado quando marca golos estupendos dentro da arte, mas há circunstâncias e pessoas mais elaboradas que me merecem igualmente ou mais respeito ainda. O facto de precisar de se evidenciar e todas vezes que marca um golo ou se despe e mostra um corpo fisicamente distorcido por exagero de musculação ( ainda que entenda que possa ajudar) ou espeta um par de bandarilhas virtuais num toiro qualquer, não me ajuda a respeitá-lo. Já era altura de as pessoas o reconhecerem sem ele se sentir mal-amado ou eventualmente querer ser um deus. Enfim, como infelizmente digo com frequência, nós somos sempre "um bocadinho ao lado"! Alguma vez vamos lá ganhar este campeonato e se não fosse o Ronaldo a equipe é o melhor que se arranja na Mouraria para cantar o fado. Vamos lá rapaziada!

terça-feira, 5 de junho de 2018

O Tomaz Maria Corrêa d'Oliveira de Noronha e Andrade, meu sobrinho, morreu


O Tomaz, meu sobrinho, morreu esta madrugada, em paz e sem sofrimento por estar sedado. Foram meses de ora muita esperança ora de desânimo. Este retrato do Tomás é no dia do casamento em Belinho.

PAZ À SUA ALMA.

segunda-feira, 4 de junho de 2018

QUE DIFÍCIL É AQUILO A QUE SE CHAMA VIDA


QUE DIFÍCIL É AQUILO A QUE SE CHAMA VIDA

Se olharmos para o tempo que medeia entre o nascimento e a morte de qualquer um de nós, raramente nos lembramos de tudo quanto se passou: as dificuldades do crescimento até sermos adultos ( erros, asneiras, desacertos, e também boas obras pois nem tudo é ao lado) novamente as decisões que se tomam até aos 50 anos ( casamento ou não, ligações, negócios e vida profissional, desencontros, infelicidade, solidão ou filiação, azares ou sortes…se pensarmos bem lembrar-nos-emos do ror de altos e baixos e das dores e alegrias) e finalmente dos 50 até à velhice em que o tempo passa mais devagar e se ganhámos algum juízo, saberemos melhor apreciar cada momento que na ampulheta faz cair a areia dos dias da nossa vida até à morte.

E o que mais nos dói é realizarmos quão apressados somos, como aquele que não engole até ao fim o bom sabor do golo de uma bebida retemperadora, porque não tem tempo para gozar. Está já noutra, passe o plebeísmo, e as invejas, os rancores, a luta tantas vezes desleal para vencer os desafios que muitas vezes nem merecem o nosso esforço, esta mania de termos que ser melhores do que os outros nas posições sociais, no trabalho, na riqueza – tudo isto esgota-nos e distrai-nos do importante.

E há gente, pouca em relação ao grosso da população dos países e do mundo, que se preocupa em ser moderada e justa, em pensarem nos outros, em se sacrificarem genuinamente pelos outros mais pobres e desfavorecidos e nada disto significa renunciar a prazeres legítimos nem a bem-sucedidas vidas familiares e profissionais.

E um dia vem a doença impiedosa e cruel que pode enganar ao princípio, mas segue o seu curso até à morte: umas vezes com grande sofrimento, outras rápidas e fulminantes.

Por isso, volto sempre a reflectir qual é verdadeiramente o nosso papel neste mundo. Entra-se por uma porta, está-se um tempo numa sala e depois sai-se por outra e desaparecemos sem deixar rasto.
Vale de facto a pena aproveitar o tempo que nos é concedido e mesmo sem bem compreendermos, fazermos o possível para viver bem a nossa vida seja ela curta ou longa.

O desaparecimento de alguém que amámos deixa momentaneamente dor, saudades e tristeza, mas este curso inexorável do nosso tempo de vida e ainda bem, faz com que recomecemos no dia seguinte. É como o corpo do desportista de profissão: cheio de mazelas de pancadas fortes e dolorosas que fazem até às vezes chorar – tem que seguir jogando e concentrando-se no que tem pela frente.

Pena é que a maior parte das vezes olhemos pouco para a nossa própria vida.

O “COMBOIO” DA NOSSA VIDA APITA UMA SÓ VEZ



O “COMBOIO” DA NOSSA VIDA APITA UMA SÓ VEZ

Andamos tão distraídos no lufa-lufa diário que nem damos conta de que um dia a vida acaba. E, aparentemente, acaba o sofrimento e sobre-vem a paz.

Nunca tinha reparado que a morte apesar de ser fruto de muitas causas, traz nem que seja por minutos, solidão.

Quem nos rodeie, por muito que de nós goste, está "fóra" de nós. E essa solidão seria bom que tivesse um fim rápido, ou seja, enquanto o corpo vai dando de si, a consciência, que muitos cientistas afirmam que sobrevive, merece ter um acolhimento sobrenatural, isto é, desejavelmente noutra vida.

O cenário que eu veria com agrado acontecer a toda a gente seria uma sequência em que havia a morte do corpo, um tempo de solidão e de “viagem” e de retrospectiva da nossa vida e finalmente um relançamento de uma nova vida.

Seria muito bom que não carregássemos o passado e que nos fosse dada a oportunidade de começar de novo, noutra realidade sem o mesmo corpo e circunstâncias.

A alternativa, muito tristonha e inexplicável, será a do nosso corpo se destruir como sabemos que acontece e rapidamente, diventare/tornar-se cinza, pó e nada. Então para quê tudo isto?

O ritual dos mortos é aquele que mais interrogativas suscita aos que o escutam ou vivem em sintonia com o morto: fala de um futuro desconhecido e propõe e deseja que se realizem situações que são totalmente ignoradas.

No nascimento vê-se o fruto e na recuperação de uma doença vê-se a cura. Aqui na morte, é uma espécie de despedida na estação, em que à medida que o comboio se afasta mais se vai perdendo de vista o passageiro que acena à janela.

domingo, 3 de junho de 2018

Arraial em honra da Mariana e do Frank



No arraial da Mariana e Frank éramos 75 dos dois lados PB e NA. Só netos são mais que às mães. Vieram cá de férias e foi a apresentação à Família dos dois lados.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Surpresa


Às vezes fica-se contente com situações inesperadas aonde nos sentimos pequeninos: fui expressamente à Feira do Livro para os autógrafos de um livro pelo seu Autor, que aliás já li e de que muito gostei, e depois de uma troca de impressões e conversa boa sobre um segundo livro, entreguei-lhe o meu exemplar e aguardei com amizade e distraído com o movimento da Feira, que ele assinasse o seu livro.

Devo dizer que o conheço desde há poucos anos, é um jornalista de base mas com ele trabalhei no meu voluntariado na prisão de Alta Segurança do Estado em Monsanto sendo ele o segundo na hierarquia da Direcção-Geral do respectivo Ministério. Homem simples e bom, inteligente e bem considerado no domínio do jornalismo penal e um escritor muito promissor sobre um tema difícil e que lhe exigiu bastante tempo de investigação e busca.

A dedicatória diz: " Ao meu grande amigo Manuel, com um grande muito obrigado pela sua presença na minha vida. Com um grande abraço."

Fiquei sem palavras pois não tinha reparado e acho que não se ouve muitas vezes isto, pelo menos eu. E escrevo isto, porque deve ser um incentivo para cada um de nós, com modéstia e genuinidade, tentarmos deixar um pouco nos outros que vão passando nas nossas vidas.

FEIRA DO LIVRO - LIVRARIA DA MINHA FAMÍLIA






FEIRA DO LIVRO - RECORDAÇÕES FAMILIARES

Fui à Feira do Livro que me traz tão boas recordações. O meu Bisavô foi Presidente do Grémio dos Livreiros, hoje seria a Associção dos Livreiros de Portugal. Era dono de uma Editora, das mais antigas de Portugal, chamada Editora Romano Torres. Aqui vão algumas fotografias indicativas aonde se vê o meu Bisavô no stand do grémio (de preto) e noutra a entregar um livro ao Presidente da República de então, General Carmona, noutra fotografia aparece o escritor afro/português Mário Domingues que escreveu muito para a Livraria, a colecção Salgari e alguns recortes ridículos da censura sobre livros do Pinóquio e de Sinbad o Marujo...ao que se chegou...e também em frente do stand da Romano Torres são identificáveis Mário Dionísio, José Gomes Ferreira e José Saramago, nos anos 70-80.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

A Eutanásia

A EUTANÁSIA

Confesso que não tenho tido muita paciência para ler os argumentos a favor ou contra.

Já pensaram como este tema faz vir ao de cima a ideia da morte com sofrimento, dor e tristeza para os que ficam.

Para todos, novos e velhos, a ideia da morte faz medo. Não acredito que não faça, ou seja, enquanto se está lúcido, não é fácil enfrentar o desconhecido sem temor, às vezes terror conforme as circunstâncias e a forma da morte, por isso custa-me ver este tema tratado como se passasse ao lado.

Não me apetece ter opinião, acho que ninguém tem uma razão absoluta. A morte para mim é um acontecimento triste e doloroso, quer num dia em que me aconteça quer para as pessoas de quem gosto.

É um tema tão difícil de ter certezas, por isso como se atrevem as pessoas a gritarem, fazerem abaixo-assinados, criarem discussões e divisões em debates públicos e privados, com extremismos de opiniões a favor e contra?

Tantas outras causas da dita morte que são desprezadas: a tortura, as perseguições, a pobreza, as doenças, a guerra e o ódio.

Se cuidássemos mais de evitar a morte em consequência disto tudo, talvez houvesse mais sintonia entre os homens e até encarássemos a morte como aceitável nas suas múltiplas escolhas.

A morte é inevitável, mas é sinistra e desagradável. Logo verei o que se passa a seguir, if applicable.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

O Peninha e uma carta amorosa que recebeu de uma admiradora


O PENINHA E UMA CARTA DE AMOR QUE LHE CHEGOU

Adorado Peninha,

Espero que esta te vá encontrar de saúde, que eu bem graças a Deus. Saberás que as nêsperas de que tu tanto gostas, os alperches ( há quem diga alperces mas também há quem diga hoize em vez de hoje) e as nectarinas estão viçosas e saborosas.

Tenho tido notícias tuas através da tua prima Felismina do Sul, que cá vem à aldeia com alguma frequência. Parece que estás rijo e com carnes apetitosas. Tu lembras-te quando éramos pequenos e íamos banhar-nos no rio. Já na altura eras malandro. Quando me despia e me propunha por o fato de banho, deixavas-me nua pois atiravas com a roupa para o rio. Eu tapava encolhida as virtudes, mas tu tinhas artes de te aproximar e a pretexto de me aquecer apalpavas-me toda. Ui o que eu gostava!

Brincavas com os meus seios roliços mordendo-me as pontas e de beliscão em beliscão, apesar dos meus ais desmaiados, punhas as tuas mãos aonde não devias.

Peninha, tudo isso passou o que eu quero é que venhas cá à aldeia e passes comigo uns dias. A casa é ampla, cheira a malvasia, tem luz e uma sala honrada aonde podemos estar juntinhos no sofá e fazer o que nos der para a loucura.

O quarto é de cores azuis às riscas brancas e a cama com um largo colchão de penas e com uma roupa de linho fresco convida ao amor quando nos metermos nús debaixo dela.

Peninha, traz-me de presente uns mirtilos e umas flores de que tanto gosto, as margaridas num ramalhete que porei numa jarra de cristal que me deu a tua mãe.

Mando-te à parte um bilhetinho terno e erótico do programa que quero fazer contigo. Há coisas que nunca experimentei. Falam-me de marmelada, de que gosto tanto, mas no sexo nunca provei.

Meu torrão de açúcar, minha fatia de ananaz do rijo, meu pepino atrevido...gosto tanto de imaginar-te a comeres-me a fruta e a derramares o suco, pelos meus sulcos da cabeça aos pés.

Vem para os meus braços e prometo-te manjares deliciosos de chorar por mais: doces-de-ovos de Ovar, pastéis de Tentúgal, Coninhas de Anjo ou também papos-de-anjo e para terminar um fogo de vista caseiro de que não te arrependerás.

Vou-te avisando amôr que ultimamente quando atinjo o êxtase, saem-me gritos lancinantes e insultos políticos contra o Governo. Uma vergonha para a família do Hilário que é do PS e já fez correr que eu possa ser ou do PC ou do BE.

Não importa. Um beijo grande aonde sabes desta que te ama à loucura

Adozinda de Jesus

sábado, 19 de maio de 2018

O PENINHA E O CASAMENTO EM WINDSOR


O PENINHA E O CASAMENTO EM WINDSOR

O Peninha esteve a transmitir uma reportagem sensacional do casamento para a rádio Roubacence ( do Senhor Roubado) com muito entusiasmo e informações precisas.

Atentou em todas as toilettes das/os convidados e foi fazendo uma apreciação rigorosa de cada uma, com gosto apurado e demonstrando experiência.

Gostou muito da cerimónia religiosa pois achou que foi muito digna, com os noivos comovidos discretamente sobretudo o Príncipe Harry que se devia estar a lembrar da Mãe, os hinos sempre uma maravilha, a homilia americana do bispo evangélico menos formal mas não menos genuína e com um conteúdo de fazer meditar a Família Real e os convidados, eventually, o povo muito contente, enfim um sucesso.

A mãe de nova Duquesa de Sussex, triste e sozinha, mas com dignidade. A vida é o que é.

A noiva vai provar, espera-se, que ama o Príncipe e que valeu a pena toda esta caminhada. Parece ser inteligente, e sendo actriz sabe bem representar e vai precisar de o fazer se quiser triunfar e até marcar uma nova presença um pouco ao estilo da defunta Sogra.

A Rainha, e tem-se constatado nos últimos anos, está mais seca e formal e não esboçou um sorriso, um gesto, um olhar para o neto de quem diz de que gosta muito, e que neste dia bem gostaria de ter a presença da sua Mãe. Quando se desloca no automóvel e responde com acenos faz lembrar a Rainha Vitória que o Peninha diz ter conhecido, que mal mexia os dedos. Está muito velha, ouve-se nos mentideros, mas o Peninha sabe que é por cada vez gostar menos de sair de casa….

O Peninha não foi convidado para o ágape, de maneira que apanhou o primeiro low-cost que encontrou e regressou a Portugal.



sexta-feira, 18 de maio de 2018

Só eu



SÓ EU

Entrei na FNAC aonde os empregados já me conhecem, mas tosquei um novo e aproximei-me e perguntei com o ar mais sério: - aonde é a secção dos sapatos?

O pobre ficou vidrado e respondeu:

- Nós não vendemos sapatos!

Eu abri um sorriso simpático e disse-lhe que era uma graça. Ele aliviado sorriu e repetia para ele: -secção de sapataria na FNAC teve muita pilhéria!

Entretanto mirosquei o que tinha saído e verifiquei que uma obra de grande valor informativo para o pessoal do Senhor Roubado havia sido publicado.

Numa das páginas a autora, Luisa Jeremias dos de Borba, revela que o que é chique fazer ao Domingo em Cascais, na sua opinião é ir à missa da paróquia ......e não quis ler mais...

Deixo a capa do livro para quem quiser pertencer ao jet set da Luisa Jeremias, dos de Borba.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Ajuda


Vim a pé do Chiado até ao Marquês de Pombal: deu para arejar as ideias.

1. O Chiado está pejado de pedintes que molestam insistentemente os passantes. Além destes, outros em grupo deitados no passeio na Rua Nova do Carmo, grupos de drogados sentados o dia todo sem nada fazerem e porquíssimos. Não devem tomar banho há meses. Convinha o Presidente da CML tomar providências no sentido de lhes dar abrigo, banho e comida e impedir que façam destas ruas local de culto. É indignante estarem todos os dias arrogantemente sentados no chão com cães lazarentos e magros para que os passantes se apiedem. Para se ter turismo em abundância é preciso saber como geri-lo. 

2. Ouvem-se muitos idiomas e estrangeiros com um ar feliz com o sol e com os nossos monumentos e esplanadas.


3. Parei para engraxar os sapatos num engraxador já mais velho, bem -educado e muito competente. Temos grandes conversas sobre a vida e ele tem uma sabedoria popular interessante. Sou fotografado sem cessar por estrangeiros de múltiplas nacionalidades “que espalharão o meu engenho e arte” pelo mundo global. Sinto-me ridículo por me tirarem fotografias mas vou distribuindo bilhetes de visita com o número do telemóvel e tenho tido já respostas e convites!


4. Subi a Avenida da Liberdade devagar e com uma grande angústia interior. Fui andando e olhando para todo o lado para captar sinais de alegria e de serenidade. São precisas de vez em quando “injecções” de optimismo e eu sou sensível à companhia dos amigos/as para desanuviar. Não acredito que ninguém não tenha estes momentos de desânimo.


5. Ao escrever este pequeno desabafo, estou a ouvir um coro maravilhoso a acompanhar a voz da Kiri Te Kanawa.

Instantâneo

INSTANTÂNEO

Vou de metro para o Chiado para almoçar no Clube. Á minha frente uma moça dos seus 24 anos. A falar alto e aparentemente sózinha. Zangada e contando detalhes da vida particular que incomodavam toda a gente.

Perguntei -lhe "delicadamente": - a menina sente-se mal? Está a falar muito alto sózinha e não temos interesse em ouvir o que diz.

- Ó seu parvalhão não vê que tenho uns "fones" nos ouvidos? Estou a falar com o meu namorado que se estivesse aqui lhe ia à cara!

Em silêncio e perante o espanto dos circunstantes pela mal-criação, arranquei-lhe os fones.

Depois disse-lhe: diga ao seu namorado que procure por mim na Brasileira e vamos ver quem dá a quem. Ele que pergunte por Luís Paixão ( o meu nome de duplo). E levantando-me deixei cair displicentemente os fones no regaço da provocadora. Reparei que tinha olhos azuis de gata!

terça-feira, 1 de maio de 2018

O PENINHA E A ROSA DO PCP


O PENINHA E A ROSA DO PCP

O Peninha pensou que o 1º de Maio é um dia para comemorar com o partido dos trabalhadores: o PCP.

Investigou aonde poderia entrar em contacto com o PCP e achou que o hotel Victoria, na Avenida da Liberdade, era a porta de entrada mais adequada.

E se bem pensou assim o fez. Apresentou-se à porta do edifício pelas 9h da manhã e já a azáfama das comemorações se sentia pelo entrar e sair constante de camaradas com cartazes, bandeiras e alto-falantes.

Não lhe tendo sido pedida a identificação na portaria, foi seguindo em frente e começou a subir pelas escadas que davam o acesso aos andares de cima.

No 1º andar encontrou uma sala todo ao longo da área total do andar e presumiu que seria para grandes reuniões colectivas. Estava vazia!

Seguiu para o 2º andar e ao cruzar-se com vários militantes saudou-os: bom dia camaradas! Eles responderam igualmente, mas ocupados com tarefas, nem perderam tempo a olhar para ele.

No 3º andar, encontrou vários gabinetes e ao avançar pelo corredor olhando para o interior, foi interpelado por uma rapariga nova, muito atraente, de jeans justos deixando realçar um traseiro bem feito. Usava um polo em bico por cima da pele e sem soutien, o que deixava entrever uns seios grandes e bem feitos que desde logo fizeram Peninha, olhar fixamente sem qualquer pudor.

- O camarada não é de cá? – perguntou com uma voz doce, a rapariga que risonha se lhe dirigiu com um ar troceiro.

- Desculpe, chamo-me Peninha, e já devia ter-me apresentado. De facto, não sou de cá e tenho vindo a subir os andares sem ser impedido de passar.

- Então em que posso ser-lhe útil? Chamo-me Rosa e sou a secretária do camarada dirigente desta célula aqui do Vitória.

- Eu gostava de me inscrever no vosso partido e achei que o 1º de Maio seria um dia festivo para os trabalhadores e por isso honroso para mim.

Rosa, levantou-se devagar e aproximando-se de Peninha abraçou-o demoradamente. Peninha sentiu os bicos do peito encostarem-se ao seu e retribuiu com entusiasmo o abraço.

- Vou buscar os papéis e já volto. – disse Rosa.

Peninha estava numa grande excitação: filiação no PCP e a Rosa que o deixara em polvorosa.

Rosa voltou e fez-lhe sinal para que Peninha se aproximasse da secretária para se sentar e começar a preencher os impressos. Peninha sentou-se na cadeira de Rosa e esta debruçou-se sobre os papéis mesmo ao lado de Peninha, como se fosse para o ajudar em qualquer dúvida que lhe surgisse. Os portentosos seios estavam à vista pois naquela posição viam-se integralmente através do bico do polo.

- O camarada já esteve filiado em algum partido antes? – perguntou Rosa.

- Sim, no CDS mas logo a seguir ao 25 de Abril, naquela confusão militei nos partidos da extrema-direita.

Shiu..fez Rosa beijando Peninha na boca…nada de por isso aqui. Eu também sou uma infiltrada.

E Rosa rebolou para o colo de Peninha e durante alguns minutos os beijos e as carícias atingiram uma sofreguidão que nunca as paredes do edifício Vitória teriam testemunhado, já depois de ter sido ocupado. Talvez antes, tendo sido um hotel, naqueles quartos muitas histórias quentes terão ocorrido, alcovas de prazer.

Ainda mal refeitos daqueles calores, e com medo que os apanhassem, Peninha perguntou:

- Rosa, há algum quarto neste hotel aonde possamos ir para a cama?

Rosa assentiu e disse baixinho: - no último piso, há o quarto do camarada dirigente. Ele já está na rua nas manifs e acho que não corremos risco. De mão dada subiram os dois até ao último piso e ao passarem junto dos outros camaradas, como Rosa era secretária do big-boss, não levantava suspeitas.

Chegados ao terraço, Rosa dirigiu-se ao dito quarto e abriu a porta com muitos cuidados, não fora estar alguém. Estava sem ninguém e com a persianas para baixo.

Fecharam a porta e aos beijos sôfregos foram começando a despir-se um ao outro a caminho da cama. Peninha viu nas paredes retratos de Lénine, Estaline, Trotsky e uma recente de Putin de tronco nú em cima de um cavalo.

Peninha de repente teve medo de ser apanhado e da temperatura na Sibéria para aonde seria enviado.

Rosa não o deixou pensar duas vezes e começaram numa marmelada comunista aparente, pois ela era infiltrada, e dando jus á situação Peninha infiltrou-a novamente.

O ninho de amor estava ao rubro, quando a porta se abre de repente e com o terror estampado na cara de Rosa e de Peninha, ouviram uma voz tonitruante dizer:

- Basta, já deram alegria suficiente aos camaradas que lá em baixo assistiam pela câmara à vossa folia. Agora vistam-se e vamos desfilar.

Ficou-se a saber que havia câmaras ocultas que deram momentos de satisfação aos restantes camaradas e que não deixavam margem a qualquer traição.

Meio perturbados, desceram as escadas dos diversos andares e a cada patamar eram aplaudidos pelos camaradas que lhes atiravam piropos que o pudor comunista me impede de transcrever.

Peninha foi fotografado a descer a Avenida da Liberdade de mãos dadas com Rosa na primeira fila da marcha do 1ª de Maio, e a faixa que levavam à frente com os outros camaradas dizia:

“ A DITA DURA DOS TRABALHADORES SEMPRE, SEMPRE AO LADO DO POVO”

Tinham impresso mal a frase que deveria ler: CONTRA A DITADURA DOS TRABALHADORES…

Não havia mais tempo de fazer nova faixa e o controleiro, disse que ninguém nunca olha para as frases. O que interessa é gritar e fazer barulho.

Peninha e Rosa olhavam embevecidos um para o outro e populares que estavam dos lados da Avenida afirmam ter visto mãos de 2 camaradas a mexerem atrás da faixa, e trocas de beijos lambidos.

O Peninha passou a ser amante da Rosa e agente duplo do PCP e do TRUMP….não sei a que propósito veio o TRUMP…no collusion!

domingo, 29 de abril de 2018

O amor é tanta coisa


Hoje a falta de sono deu-me para escrever sobre este texto

da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios:


A caridade é paciente, a caridade é benigna;

não é invejosa, não é altiva nem orgulhosa;

não é inconveniente, não procura o próprio interesse;

não se irrita, não guarda ressentimento;

não se alegra com a injustiça, mas alegra-se com a verdade;

tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

O amor é paciente: tantas vezes a falta de paciência para a família, pais, sogros, irmãos, filhos, cunhados, amigos, empregados, patrões - no fundo para aqueles a quem seria mais fácil amar ou estimar por estarem mais perto, por ser mais cómodo e directo mas dando menos nas vistas. São os amigos importantes, os de fóra que trazem prestígio, dinheiro e vã exteriorização da vaidade que merecem curvaturas de espinha, lisonjas, louvaminhices. Falta de paciência para a idade, para a doença, às vezes até crueldade, tom áspero. E então para com os estúpidos ou menos cultos, para os pobres, para os inferiores toda uma infinidade de razões para fugirmos ou darmos o mínimo do nosso tempo, fazer-nos ausentes.
O amor é benigno : é este calor interior que se sente quando se faz o bem, a noção de praticar a bondade, de nos sentirmos confortados em ir ao encontro dos outros sem intuitos interesseiros e sabermos que pudèmos contribuir para lhes minorar o sofrimento ou dar alegrias, agir sem olhar a quem. Não significa piedade no sentido negativo do termo, mas compaixão amorosa, e solidariedade, bonomia e serenidade.
O amor não é invejoso : alegra-se com as vitórias dos outros, encoraja e aconselha para que obtenham o sucesso. Não ri só nos cantos mas abre a boca escancarada de satisfação pelo bem que acontece aos outros, promove até o êxito e rejubila e partilha com sinceridade a felicidade que sentem e prega a concórdia e evita a intriga, como não pratica a vingança.
O amor não é altivo nem orgulhoso: actua com modéstia, cultiva o dom da simplicidade, não se guinda aos píncaros da superioridade, não se vangloria nem humilha os mais fracos, reconhece os defeitos e com doçura faz a correcção fraterna e aceita que lha façam.
O amor não é inconveniente: é prudente nos juízos, não julga os outros com maldade ou vingança, estuda e analisa as causas da prática do mal, é atento, compassivo e guarda o silêncio quando seja mais aconselhável do que falar, não interfere desnecessariamente, não é maledicente nem intriguista e cultiva a paz entre as pessoas.
O amor não procura o próprio interesse: é generoso no dar, não é egoísta e reparte com os mais necessitados, os doentes, os presos, entrega-se e esquece-se de si mesmo, utiliza os bens da natureza ou os frutos do seu trabalho com prudência e dignidade sem esbanjamentos e exerce a simplicidade no comportamento em sociedade.
O amor não se irrita e não guarda ressentimento: é amoroso, compreensivo e aceita com bondade e paciência os comportamentos dos outros, sabe perdoar e esquecer e vai de braços abertos e coração sincero ao encontro do prevaricador. É verdadeiro, sincero e magnânimo no entendimento da culpa dos outros e mostra-se reconhecido a quem lhe perdoa.
O amor não se alegra com a injustiça: protesta e indigna-se com a perseguição, com a deslealdade, com o abuso e com a violência e luta ao lado dos mais desfavorecidos e desprotegidos e contra aqueles que violam a liberdade.
O amor alegra-se com a verdade: preza a pureza da voz do justo e do arrependido, opõe-se à mentira e sofre com o fingimento, com o falso testemunho, com a acusação vil e inverdadeira, a calúnia, o rumor, o boato, a intriga e a prática do vício da opressão como justificação do uso desmesurado do poder.
O amor tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta : é a panaceia para todos os males, é o consolo dos aflitos, o apoio dos necessitados da cura das dores da alma, do corpo ou do espírito. É a solução para a paz, para a concórdia, para o bem viver. É o ingrediente inteligente e único para a obtenção da felicidade, seja ela qual for.
Este amor, nunca acaba.

sexta-feira, 27 de abril de 2018

grain de folie


J'ai longtemps pensé qu'en vieillissant, on en arrivait à mieux comprendre les choses, les personnes ou les événements.
C'est faux.
Avec le temps, on s'en fout.

Jordan Ray

não morra vossa mercê, meu senhor


"Ai - respondeu Sancho, chorando - não morra vossa mercê, meu senhor, mas aceite o meu conselho e viva muitos anos, porque a maior loucura que um homem pode fazer é deixar-se morrer, sem mais nem aquelas, sem que ninguém o mate, sem que outras mãos o acabem além das da melancolia."

Miguel de Cervantes
in "D. Quichote de La Mancha"