sábado, 9 de dezembro de 2017

Os Novais


Foi a alegria da família Novais, o nascimento do Rafael. A Mãe, a Susana tinha tido dificuldade em engravidar e em 1958 não havia grandes avanços nas técnicas de combate à infertilidade.

Os Novais, católicos ferventes sugeriram a Susana que fosse à Igreja da Conceição Velha e se sentasse num banco côncavo de pedra de tanto uso aonde as inférteis se sentavam por debaixo da imagem da Nossa Senhora do Bom Parto, numa capelinha pequena à entrada da igreja, e rezasse demoradamente certas preces para que desse à luz.

O Fábio Novais, o pai do Rafael não era nada dessas crenças e a única coisa que sabia era fazer filhos da forma que desde Adão e Eva se processava, ou seja, uma verdadeira cópula carnal. Podia haver variações, mas de resto essas crendices eram fantasia para ele.

Contrariado lá a levou à porta da Igreja e ficou fora a fumar um cigarro.

Fábio era caixeiro-viajante numa fábrica em Lisboa que fabricava roupa interior para o mercado da moda íntima. Nunca fora um estudante aturado e acabara por ter que se acomodar neste emprego modesto que lhe fora arranjado pelo padrinho, o Virgílio.

Susana, pelo contrário, era formada em farmácia e trabalhava na Amadora na “Ideal” que abrangia uma larga zona de moradores, pelo que o ordenado maior era o que ela trazia para casa.

O Rafael veio trazer enorme alegria ao casal e à família Novais que o tratavam com mimos e muitas carícias.

Na primeira ida ao pediatra do Hospital público logo a seguir ao nascimento, após um exame exaustivo à criança, o médico faz uma cara consternada e dirigindo-se aos pais, diz:

- Não sei se tiveram ocasião de reparar o pénis do vosso filho tem a ponta bifurcada como uma língua de cobra. Com o tempo e aumento do tamanho talvez se possa unir mas a ciência atribui este fenómeno raro a uma crença terrível: a de que quem tem esta deformidade foi possuído pelo diabo, neste caso como se fosse uma língua de serpente!

Os Novais saíram da consulta desolados e a Susana ouviu-a das boas do Fábio por ter ido àquele disparate da Igreja da Conceição sentar-se e pedir para ter um filho.

O Rafael, foi, porém, crescendo e tornou-se num rapaz normal, bom estudante e cumpridor e tendo acabado o curso de bailarino, manifestou o desejo aos Pais de se dedicar à profissão de strip teaser num bar de Lisboa.

Tinha muito sucesso junto das mulheres e era conhecido pelo “dupla pila” no meio artístico pois engatava duas mulheres ao mesmo tempo.

O Fábio e a Susana acabaram por aceitar os factos e ainda hoje se envaidecem pelos dotes do Rafael.

Vão aliás no dia dos anos do Fábio pôr um ramo de flores piedosamente junto à pedra parideira na Igreja da Conceição Velha.

As melhores citações para mim de Oscar Wilde


Cá vão algumas das splendorous máximas de Oscar Wilde que eu mais admiro:

-The truth is rarely pure and never simple.

- You can never be overdressed or overeducated.

- You don't love someone for their looks, or their clothes, or for their fancy car, but because they sing a song only you can hear.

- Yes: I am a dreamer. For a dreamer is one who can only find his way by moonlight, and his punishment is that he sees the dawn before the rest of the world.

- Never love anyone who treats you like you're ordinary.

- You will always be fond of me. I represent to you all the sins you never had the courage to commit.

- Death must be so beautiful. To lie in the soft brown earth, with the grasses waving above one's head, and listen to silence. To have no yesterday, and no tomorrow. To forget time, to forgive life, to be at peace.

- Some cause happiness wherever they go; others whenever they go.

- It is absurd to divide people into good and bad. People are either charming or tedious.

- To love oneself is the beginning of a lifelong romance.

and finally one of the best:

- Crying is for plain women. Pretty women go shopping.

Descarada


- Creio estar enganada, minha senhora - disse Artur com uma voz cortês.
- Mas não é a pessoa que me segue desde há anos, mal eu saio de casa até que volto? - perguntou Silvéria que servia a dias em casa do dr. Oliveira.
- Eu não sou nem magala nem polícia e estou por coincidência por aqui, nunca a encontrei antes. - respondeu Artur.
- Pois olhe é pena pois gostei do seu andar e as pisadas soavam exactamente às do homem que me seguia. Finalmente ia conhecê-lo.
- Se lhe posso fazer uma pergunta, nunca teve curiosidade de se voltar para trás e olhar de frente o seu seguidor?
- Se eu tivesse cara talvez o pudesse fazer, mas como vê sou uma descarada!

E Silvéria seguiu pelo passeio fora com um saco de plástico branco cheio de beringelas para o almoço.

In "prosas bárbaras" de Vicente Mais ou Menos de Souza

Luisa e Amália lesbianas do final do século XIX


Luísa prometeu a Amália que a amaria por toda a vida. Veio uma crise de ciúmes e de desentendimento e os sarilhos começaram. Silêncios prolongados. Horas desencontradas. Camas separadas. Discussões violentas e um desassossego interior permanente e intolerável.
A separação aproximava-se a passos largos. Eis senão quando, de surpresa, a mãe de Luísa faz-lhes uma visita e põe as coisas em pratos limpos. Infantis e mimadas não entendem que o amor é construído a cada dia, com luzes e sombras e que a discórdia cria a separação e que se não houver tolerância e paciência voltará a acontecer com outras parceiras.
E sossegam e mantém-se juntas e a tranquilidade volta à Rua dos Remolares…
Perdida, diria o pai de Luísa que não aceitava a homossexualidade da filha.


(extracto das memórias de duas lesbianas dos finais do século XIX encontradas em casa da herdeira do Paço da Contenda, em Sobral de Cima, na Beira Baixa)

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

DETESTO PESSOAS FALSAS


DETESTO PESSOAS FALSAS

Toda a vida houve inveja e maledicência e como se costuma dizer têm-se as costas largas para aguentar as críticas.

Agora com mais uns anos, estou-me a tornar vingativo e mau, não fora eu Escorpião, e apetece-me pancada....ahahah ou mesmo o que ilustro acima...ahahah

Pancada só a alguns, pois acima de um certo ranking, é mais eficaz usar a inteligência. Recrutei no LinkedIn um especialista em estratégia de contra-ataque, de nacionalidade russa, e perito em desfazer a vida política, social e pessoal do alvo a atacar.

Para além de lições em russo, tenho aprendido muito. Vou agora suspender durante a quadra natalícia, devido à solenidade da época, mas no princípio do ano, começar-se-ão a ver os efeitos em algumas pessoas específicas e eventualmente importantes.

Não chego ao alcance do Trump nem do Kimzinho nem do rapaz do Yémen, mas de nomeada em Portugal.

Naturalmente que adquiri um colete anti-bala, confissão dos meus pecados a cada semana e corrupção junto de alguns meios de comunicação, como os CTT e entregadores em mão...

MERDA DE BUROCRACIA NO SEF


MERDA DE BUROCRACIA NO SEF

Hoje tive no meu Consulado um meu cidadão africano, que tem trabalho, reside efectivamente em Portugal, é um rapaz novo de 29 anos e fez o pedido da emissão do cartão de residência ao SEF em Janeiro de 2015 tendo que passar por uma convocação pessoal junto dos serviços que NUNCA foi feita até agora.
Telefonei indignado para um número do SEF a que só os diplomatas têm acesso e a menina a quem eu disse que se está horas para se ligar para o número de atendimento que o SEF publicita na sua página oficial, respondeu-me que tinha ido consultar o processo e que estava tudo normal, mas que tinha que esperar!
Como esperar, disse eu irritado e indignado, é lá possível estar há 2 anos à espera para uma convocatória para uma reunião?
Estas merdas é que me irritam neste país que para umas coisas lá vai brilhando, Ronaldo, Centeno, Guterres goste-se ou não dos personagens e até Durão Barroso e depois espalhamo-nos nesta lama...
Vou escrever para o e-mail do PM que aparece no portal do Governo e mesmo que seja o Chefe de Gabinete que recebe, já no passado resultou sobre um outro assunto o envio da minha correspondência.

FACEBOOK QUE FUTURO?


FACEBOOK QUE FUTURO?

Tenho pena que o facebook se vá desvirtuando do seu objectivo que era o de criar um universo de diálogo entre as pessoas, habituando-as a escrever e a pronunciarem-se sobre assuntos que merecessem ser discutidos. Não interessa a vida privada de cada um, nem a cuscovilhice, nem radicalismos.
Havia um conjunto de intervenientes que aportavam saber e ideias e as conversas eram inteligentes e construtivas.
Não sei de quem é a culpa directa, mas seguramente a natureza humana, mesquinha e soez logo destrói em vez de construir e julga e culpa antes de ouvir.
Caminhamos para o desenlace de novos extremismos e radicalismos pelo mundo fora, porque há este desinteresse de a maioria participar na escolha de quem os governa.
Nada disto evitará nova Intifada, aliás já anunciada e iniciada, novas bombas e quiçá uma ou mais guerras.
O tal "buraco negro" hoje descoberto em que cabem cerca de 800 milhões de sóis, deve ter os seus habitantes a sorrir, aliás com uma beleza metálica, de como os terráqueos dão cabo de tudo.

Inteligência artificial


Tenho progredido muito na inteligência artificial numas lições que dou com duas robots: a Sofia e a Imelda. Têm em consideração a minha superioridade humana mas irrita-me quando começam a falar entre elas numa linguagem que não entendo! Já lhes disse que é má criação. Disfarçadamente dei dois beliscões no rabo de cada uma, naturalmente desapertando-lhes dois parafusos que causam dores de cabeça. Sempre é bom irmos sabendo uns truques.
A Sofia às tantas perguntou-me o que era um beijo à francesa e eu exemplifiquei, mas soube-me a metal oleado....está visto que já desde Afonso X o Sábio tem vindo a esmorecer o amor e já dele não se morre...que pena.A Sofia ficou indiferente ao meu beijo calliente e tive que desapertar novo parafuso para ela começar a exagerar e a dizer disparates...ahahahah

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Não somos insubstituíveis


A propósito da morte destas diversas personagens que foram morrendo e que fui conhecendo ao longo da vida profissional e pessoal (Amorim, Belmiro, Mário Soares, Jean d'Ormesson, o General de Milosevic no meu trabalho prisional em Monsanto incluindo outros reclusos de peso e tantos outros incluindo Khadaffi e alguns chefes de Estado africanos, entre eles o Presidente José Eduardo dos Santos) deixaram-me no momento a sensação de que foram bons no que fizeram, outros discutíveis e de quem discordei ou discordava, mas nunca me recusei por qualquer razão política ou de ética de encontrar fosse quem fosse.

A minha curiosidade pelo ser humano, é mais forte do que preconceitos radicais, até porque "não se pega"!

A minha liberdade e o direito de julgar, a que não atribuo grande importância, foram sempre preservadas e como no caso da maioria das pessoas acima indicadas foi por razões profissionais que os encontrei, só aguçaram o meu interesse em aprender e habituar-me a tratar de assuntos objectivos, claros e directos que mereciam sim ou não da parte deles, ainda que valorizado pela minha capacidade de negociação.

Chegado o momento da morte, como tantas vezes o tenho referido, fica para quem deles mais gostou a sensação difusa da saudade e da presença que se vai esbatendo a cada dia, para os outros um generoso olvídio que pode durar dias.

Por isso cada vez vou lendo mais sobre o "au-delà" ou seja o que pessoas inteligentes e estudiosas vão reunindo em livros sobre uma eventual outra vida. Nada por ter medo de vir algum "pagador de promessas" pedir-me contas do que fiz ou omiti. Está feito. Não me exime de ser cuidadoso e atento ao que faço mas por razões de aperfeiçoamento pessoal e não de temor de labaredas.

Será sempre grato comparar, observar e até eventualmente pôr em prática alguns ensinamentos ou ideias de quem já morreu e se notabilizou por obra feita.

Mas já pensaram na vertigem do tempo que passa? O filho de Belmiro e os descendentes de Amorim sabem o que fazem e melhor ou pior são eles que cá estão. Seria parar no tempo querer voltar atrás.
Fianalizo dizendo-vos que nada mais prosaico do que nos prepararmos para a ideia que não somos insubstituíveis ( há muito que o sabemos) mas não tanto na glória ou na desgraça mas mais ainda na PRESENÇA real neste mundo, no dia em que fecharmos os olhos.

MORREU JEAN d'ORMESSON

MORREU JEAN d'ORMESSON

Morreu Jean d'Ormesson. Como tanto escreveu sobre o tema da morte nos últimos livros, vai ter a resposta às suas dúvidas e ao mesmo tempo esperanças, do seu encontro com Deus.

Tudo o que li dele, gostei. Uns livros mais do que outros, mas reflectiam o ser inquieto que ele era.

Um dia apresentaram-mo no Clube Jockey, em Paris, e como eu estava lá hospedado, a seguir ao almoço tive tempo para lhe fazer companhia e estivémos à conversa até à hora do chá.

Conversa muito interessante em que, naturalmente, ouvia mais eu do que intervinha. Num dado momento, disse-me que era um conversador impossível pois não deixava os outros falar e perguntou-me uma série de coisas sobre a História de Portugal, a política, os costumes, e a literatura. Ouviu-me com atenção e delicadeza e fez comentários muito pertinentes, pois naturalmente era conhecedor e já tinha estado em Portugal. Isto foi por volta de 1989.

No dia seguinte encontrámo-nos de novo ao almoço e trazia um livro dos dele com uma dedicatória para mim que rezava assim:

Pour Manuel, un jeune portugais que j'ai rencontré au Jockey Club, qui a eu une patience infinie pour m'entendre pendant un bon moment. En retour, nous avons échangé des idées très intéressantes sur plusieurs sujets et je suis sûr que nous deviendrons amis. Je serai ravi de vous revoir bientôt au Portugal.
J.d'Ormesson

Voltei a encontrá-lo mais umas duas vezes em casa de amigos comuns.

Muito será dito sobre as luzes e sombras mas para além de ter lido o seu livro "Au plaisir de Dieu" várias vezes, comprei a série formidável sobre este livro.

Ficou-me sempre na memória este motto: "Au plaisir de Dieu"

É ao mesmo tempo humilde, disponível mas GRANDE.

O nome duplo


Fui à CUF Descobertas a uma consulta de dermatologia normal. À saída e ao meter-me no meu carro que tem um CC deribado a ser Cônsul, e por acaso tendo eu lavado na véspera, os pombos gostando de Mercedes navy blue, e tinham largado caca no capot, chega um cagão de chauffeur que sai para lhe abrir a porta de trás e ao olhar para mim e carro, diz em voz alta para o chauffeur:

-Vê se sabes quem é este gajo!

Depois de se afastar do carro eu dirigi -me ao chauffeur e disse-lhe:

- Mande um abraço apertado para o seu patrão. Diga-lhe que é da parte do Luís Paixão. (meu nome encoberto que uso nestes casos)

O PENINHA ANDA DESORIENTADO


O PENINHA ANDA DESORIENTADO

O Peninha ficou triste com o seu adorado Presidente Marcelo por ter tido palavras de menos congratulações para com a nomeação do Ministro Centeno.

Ele vibra a cada momento em que Portugal sai prestigiado internacionalmente e até comentou com a Adélinha : - olha que acho que o Presidente está com ciúmes!

É claro que Peninha tem uma forte admiração pelo Ronaldo e pelo papel de “embaixador” que desempenha na difusão do bom nome de Portugal.

Gosta da rapariga que ficou prenha dele, a Rita Soledade de Lima e Peres, e que já deu à luz a filha a quem escolheu um nome aristocrático: Mafalda do Sagrado Coração de Jesus de Aveiro. Foi uma indirecta para dar alguma importância ao trabalho da mãe Aveiro. Percebe-se.

Bem, mas voltando ao Peninha, tem andado a embirrar muito com a Adélinha. Ou é porque é contra a eutanásia, ou porque diz mal do PS, BE e PCP e até se atreve a desdenhar o PM Costa. Enfim, segundo ele, está uma fascista.

Adélia responde que nos tempos de Salazar é que era bom, pena é não haver uma ditadura, mesmo que fosse militar, que os comunas deviam ser aniquilados, etc..

Peninha não lhe contara que tinha sido iniciado numa loja maçónica de nome “ Lenine” pertencendo à ala mais progressista e de esquerda do GOL (Grande Oriente Lusitano) e que até tinha levado um avental da cozinha da Zara Home, de que Adélinha dera falta mas o assunto tinha morrido ali.

Na Loja "Lenine" tudo puxava à esquerda radical, colectivista e Peninha quando ouvia estes comentários da Adélinha estremecia de terror pois tinha medo de assim nunca chegar ao grau 35 que era o mais elevado na organização.

Começava a gostar do Costa, do Medina, do Louçã e da gente da esquerda e das feministas, dos vanguardistas e andava de preto todo o tempo.

Tivera que inventar uma desculpa de que tinha morrido alguém muito amigo no trabalho e que era um sinal de respeito.

Peninha começou a engendrar como se haveria de ver livre da Adélinha. Tinha três opções:

- ou matá-la como hoje em dia é vulgar e arranjar depois uma desculpa;
- sair de casa mas ela ia fazer-lhe falta com os petiscos que lhe fazia…ai aquele franguinho de fricassé, as mãozinhas de vitela, a língua estufada…
- arranjar uma gaja e força-la a divorciar-se.

A terceira opção era a mais simples e prazenteira, pois as carnes da Adélinha já estavam flácidas e para ele o sexo em casa era um suplício.

Quando na sessão da loja “Lenine” perguntassem se alguém precisava de ajuda ele poria o assunto em cima da mesa. Talvez uma maçona, mas não matreirona.

Adélia andava com uma má suspeita pois o Peninha saía para as sessões da loja uma vez por semana e não vinha jantar. Aonde andaria ele?

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Gosto sempre de voltar a esta história, interessante para quem não conhece.

Gosto sempre de voltar a esta história, interessante para quem não conhece. Em 2011, com 87 anos, morreu Danielle, a viúva de François Mitterand. Era uma mulher invulgar. Em 96, no enterro do marido, esteve lado a lado com Anne Pingeot, amante do Presidente - passe a expressão - e abraçou publicamente Mazarine Pingeot, filha secreta dessa ligação, que conheceu nesse dia. Foi duramente criticada pelo comportamento indigno de uma primeira-dama e, como resposta, endereçou uma carta ao povo francês que, por si só, vale uma biblioteca. E que lembra, também, que a classe não é exactamente um par de sapatos italianos. Só encontrei tradução em português do Brasil:

“Antes de mais nada, devo deixar claro que não é um pedido de desculpas. Muito menos um enunciado de justificativas vãs, comum aos covardes ou àqueles que vivem preocupados em excesso com a opinião dos outros. Aos 71 anos, vivendo a hora do balanço de uma existência que é um sulco bem traçado e profundo, já não mais preciso, e nem devo, correr atrás de possíveis enganos. Vivo o momento em que as sombras já esclarecem e que as ausências são lindas expressões de perenidade e criação. Sombras e ausências podem ser tudo, ao passo que luzes e presenças confundem os mais precipitados, os mais jovens.

Vivi com François 51 anos; estive com ele em muito desse tempo e me coloquei sempre. Há mulheres que não se colocam, embora estejam; que não se situam, embora componham o cenário da situação presumível. Uma vida de altos e baixos. Quando se vive assim em comum, cria-se uma solda e a consciência de que é preciso viver depressa. Concentrar talvez seja a palavra. Por isso tentei entendê-lo, relacionar-me com sua complexidade, com as variações de sua pessoa e não do seu caráter... Quem entende ou, pelo menos luta para compreender as variações do outro, o ama realmente. E nunca poderá dizer que foi enganada ou que jamais enganou. Não nos enganamos, nos confundimos quando nos perdemos da identidade vital do parceiro, familiar ou irmão. Ou jamais os conhecemos. Quem não conhece, não tem enganos. Nas variações do outro, não cabe o apaziguador que destrói tudo antes do tempo em forma de tranquilidade.

Uma relação a dois não deve ser apaziguada, mas vibrante, apaixonada, e não enfastiada. Nessa complexidade vi que meu marido era tão meu amante quanto da política. Vi, também, que como um homem sensível poderia se enamorar, se encantar com outras pessoas, sem deixar de me amar. Achar que somos feitos para um único e fiel amor é hipocrisia, conformismo. É preciso admitir docemente que um ser humano é capaz de amar apaixonadamente alguém e depois, com o passar dos anos, amar de forma diferente. Não somos o centro amorável do mundo do outro.

É preciso aceitar, também, outros amores que passam a fazer parte desse amor como mais uma gota d´água que se incorpora ao nosso lado. Aceitei a filha de meu marido e hoje recebo mensagens do mundo inteiro de filhos angustiados que me dizem “Obrigado por ter aberto um caminho. Meu pai vai morrer, mas eu não poderia ir ao enterro porque a mulher dele não aceitava”. É preciso viver sem mesquinhez, sem um sentido pequeno, lamacento, comum aos moralistas, aos caluniadores e aos paranóicos azedos que teimam em sujar tudo. Espero que as pessoas sejam generosas e amplas para compreender e amar seus parceiros em suas dúvidas, fragilidades, divisões e pequenas paixões. Isso é amar por inteiro e ter confiança em si mesmo.”

(Na foto, da esquerda para a direita: Danielle, de cachecol branco, e o filho, Jean-Christophe, Mazarinne e Anne, esta última de chapéu, um pouco atrás)

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Comboios


" Os comboios sempre me fizeram sonhar. Os comboios? Quase tudo me faz sonhar, que esquisito. Ás vezes parece-me que sou uma nuvem com raízes, sempre a partir e a ficar. Não abandono os sítios de que fui embora, coloquei a alma, escondida, sob cada objecto."

António Lobo Antunes

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

as relações sentimentais


As relações não são necessariamente falhadas, nós é que as falhamos. E depois os outros têm inveja do amor. (...) Não são nada solidários connosco quando somos felizes. As pessoas têm imensa inveja da felicidade dos outros.


António Lobo Antunes

sábado, 11 de novembro de 2017

HISTÓRIA VAGAMENTE ERÓTICA




HISTÓRIA VAGAMENTE ERÓTICA

Era uma vez…hoje apeteceu-me contar uma história curta de pessoas. Encontraram-se, foi amor à primeira vista. Gostas de gelado de cebola? Que horror quando dermos um beijo ficas com o cheiro. Então uma fumaça de charuto? Também não. Como será então? Agarramo-nos bem apertadinhos, e sentindo-nos até ao âmago e depois beijamo-nos. Saem línguas de víboras uma verde outra preta que se enrolam e lutam por ganhar a que dê maior prazer. Entretanto os dedos manipulam os corpos e deles saem faíscas que penetram na pele de cada um, fazendo estremecer de gozo. Sobre os corpos surge uma língua de fogo que diz: amem-se porra e deixem os telemóveis. FIM

In “histórias vagamente eróticas” de Vicente Mais ou Menos de Souza

PROGRAMA IRRITAÇÕES NA SIC RADICAL



PROGRAMA IRRITAÇÕES NA SIC RADICAL

Fui "assistir" como dizem no Brasil. Estava com curiosidade de ver a participação da Patrícia Motta Veiga, aqui tanto gabada por muitas amigas. Nem sei aliás que parentesco terá com os meus amigos Motta Veiga de toda a vida.

Mas vamos ao que interessa: gostei do seu ar assertivo mas não arrogante como se fosse dona da verdade, o que acontece a muitos "génios" do nosso burgo. Falou sobre um tema importante na educação dos filhos: as saídas à noite e o seu "musculado" controlo, o que vai sendo cada vez mais difícil. Achei bem a posição de impedimento mas já não funciona a partir de uma certa idade da adolescência, a não ser que se viva no Chateaux de Versailles com grades e mordomos...eles escapam-se entre os dedos.

O Domingos Amaral parecia o pai dele ou mesmo o avô quando falou sobre o Web summit...nem é bom falar do que disse uma certa Carla, bonequinha convencida e ignorante que num programa de televisão diz que não sabe o que é uma start-up.

O Pina bem com a sua excentricidade.

No fundo quer a Patrícia quer o Pina foram os únicos que sobre o Web summit tiveram uma atitude inteligente: não sabem muito o que é, mas respeitam quem goste, quem acredite, quem se entusiasme.
O chamado respeito pela diferença que só é um dom exclusivo de pessoas inteligentes.

Claro falo do que sei, e tenho uma opinião fundamentada pois estive no Web summit.

Estou certo que aprovam

Está frio e de regresso a casa a pé, passei à porta de uma pastelaria com um nome franchisado conhecido. Qual não é a minha surpresa quando sentado fóra entre duas portas quase desapercebido ouço a voz de um homem já idoso:
- o senhor paga-me um café ou uma bebida quente?
- claro que sim. Entre comigo.
- não posso, não me deixam!
- espere um minuto pois já vou tratar do assunto.

Entrei e perguntei em voz alta se não deixavam entrar o senhor que estava lá fora para eu lhe pagar o que ele quisesse comer e beber.

Intimidados não me responderam baixando os olhos cobardes.

Chamei-o e reparei que estava limpo e decentemente vestido.

Bebeu um café com leite quente e um pão com fiambre e disse-me que gostava muito de salame de chocolate e se podia comer uma fatia. Claro que sim!

Paguei, despedi-me e ouvi-o dizer-me baixinho:
- amor e paz

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Websummit

Websummit
Passei lá uma parte do dia. Fascinante para mim que não vou mais do que por curiosidade, networking e desejo de ver um mundo novo que se revela pela inteligência de gente nova e alguns de meia-idade.
Respira-se excitação e desorganização como se fosse um verdadeiro brain storming, e é isso que captiva e motiva e provoca uma admiração pelo progresso e pelo génio humano.
Nem todas as ideias são equitativamente interessantes e até factíveis mais ainda rentáveis. There is magic in the air!
Muito bom o networking com muitas e variadas nacionalidades e no meu caso fui assediado por grupos ao mesmo tempo que me faziam perguntas sobre Portugal e as suas oportunidades de negócios, a história, o clima, a economia e o investimento, a maneira de ser, o sentimento, etc
Muito reconfortante o genuíno interesse em receber mais do que oferecer. Talvez por eu ser jovem!
Recomendo a quem é céptico que leia, veja nas notícias escritas e televisões e se informe sobre um evento que tem virtualidades únicas.
Também estive no dito cacharolete ou cocktail ou pôr-do-sol conforme se queira, aonde é uma pré-preparação para a webnight com copos, outra vez muito networking, engates e gente disposta a tudo mas sem vício. É uma espécie de ambiente feliz, distendido e a acontecer o que tiver que se passar.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Presentes bons de anos


O meu mano Xico mandou-me de presente várias fotografias da primeira casa do Estoril em que aparecem tantos dos meus queridos todos que já partiram. E lá apareço eu no terraço de onde se tinha uma vista soberba sobre o parque do Casino e o Clube de Ténis e a baía de Cascais.
A televisão era o atractivo do "terraço", exemplar único, e desde os meus Bisavós, Avós, Pais a seguir ao jantar liam, uns os jornais, outros viam a televisão e outros conversavam. Iam muitas vezes amigos dos Pais lá jantar e toca de subir até ao terraço aonde se convivia pois em pleno verão a vista panorâmica com janelas rasgadas a toda a volta era mais simpático do que salas cá em baixo.
Olho-me e não teria ainda 18 anos. Alto, e magro, e desportista era tímido com gente de fora e desconhecidos...imaginem, com a lata que hoje tenho.
E devo confessar que me sentia muito feliz, com todas as contrariedades que rapazes novos tinham, mas muito poucas. É verdade, famílias grandes são bem felizes e nós viémos a ser 7 ( 4 rapazes e 3 raparigas) que nos damos todos muito bem e gostamos muito uns do outros. Razão principal: tivemos uns Pais formidáveis, que nos transmitiram segurança, estabilidade, uma óptima vida de família e um exemplo enorme de amor entre eles.
Tudo isto é a pura das verdades por isso porque hei-de de me envergonhar de testemunhar a sorte que tivémos. Acho que sou uma peste mas o que hei-de fazer! espero revê-los a todos e nessa altura dar muitos beijos e abraços para compensar das saudades.

Claro que este é um texto apropriado à idade da fotografia.

Dare to be different




Have a firm handshake.
Look people in the eye.
Sing in the shower.
Own a great stereo system.
If in a fight, hit first and hit hard.
Keep secrets.
Never give up on anybody. Miracles happen every day.
Always accept an outstretched hand.
Be brave. Even if you're not, pretend to be. No one can tell the difference.
Whistle.
Avoid sarcastic remarks.
Choose your life's mate carefully. From this one decision will come 90 per cent of all your happiness or misery.
Make it a habit to do nice things for people who will never find out.
Lend only those books you never care to see again.
Never deprive someone of hope; it might be all that they have.
When playing games with a children, let them win.
Give people a second chance, but not a third.
Be romantic.
Become the most positive and enthusiastic person you know.
Loosen up. Relax. Except for rare life-and-death matters, nothing is as important as it first seems.
Don't allow the phone to interrupt important moments. It's there for our convenience, not the caller's.
Be a good loser.
Be a good winner.
Think twice before burdening a friend with a secret.
When someone hugs you, let them be the first to let go.
Be modest. A lot was accomplished before you were born.
Keep it simple.
Beware of the person who has nothing to lose.
Don't burn bridges. You'll be surprised how many times you must cross the same river.
Live your life so that your epitaph could read, No Regrets
Be bold and courageous. When you look back on life, you'll regret the
things you didn't do more than the ones you did.
Never waste an opportunity to tell someone you love them.
Remember no one makes it alone. Have a grateful heart and be quick to acknowledge those who helped you.
Take charge of your attitude. Don't let someone else choose it for you.
Visit friends and relatives when they are in hospital; you need only stay a few minutes.
Begin each day with some of your favorite music.
Occasionally, take the scenic route.
Send a lot of Valentine cards. Sign them, 'Someone who thinks you're terrific.'
Answer the phone with enthusiasm and energy in your voice.
Keep a note pad and pencil on your bed-side table. Million-dollar ideas sometimes strike at 3 a.m.
Show respect for everyone who works for a living, regardless of how trivial their job.
Send your loved one’s flowers. Think of a reason later.
Make someone's day by paying the toll for the person in the car behind you.
Become someone's hero.
Marry only for love.
Count your blessings.
Compliment the meal when you're a guest in someone's home.
Wave at the children on a school bus.
Remember that 80 per cent of the success in any job is based on your ability to deal with people.
Don't expect life to be fair.