terça-feira, 25 de abril de 2017

Velhos do Restelo

Ouvi o discurso de Marcelo, que está bem estruturado e inteligentemente escolhido para o dia, mas que já não suscita o entusiasmo dos ouvintes.

Andamos todos fartos de factos políticos cá e no estrangeiro. Ou se faz parte do establishment e se tem uma sensibilidade política de aparelho ou então e somos a maioria, preferimos acção e transformação.

Vai vindo a pouco e pouco e sabe mais a parole, parole.

Também vai sendo cansativo os velhos do Restelo, suspirando por Salazar e pelo passado não entendendo que o tempo passa e que não há nem homens nem regimes perfeitos. Felizmente estão velhos e a morrer deixando uma juventude que já nasceu há 40 anos em plena democracia e liberdade.

Não há outra posição que possa defender: liberdade e democracia.

O resto cansa-me e nem me merece refutação, nem querela.

Passo, como se diz no jogo das cartas!

O 25 de Abril foi sobretudo o passo necessário, de resto a forma foi irrelevante, mais capitães menos generais, mais golpe palaciano menos mortes na rua. Felizmente isso foi-nos poupado!

domingo, 23 de abril de 2017

putéfia


festim


Viver é despedir-nos um pouco de nós mesmos

Viver é despedir-nos um pouco de nós mesmos
Essa vida é mesmo surpreendente. Em uma única existência somos capazes de viver e sobreviver a diversas fases, sob a sorte e a falta dela que nos unge os dias. De uma forma concisa eu poderia dizer que viver é uma sucessão de erros e acertos, de tropeços e saltos, afogamentos, resgates, onde só desfrutamos e valoramos as subidas depois que despencamos ladeira abaixo. E como toda história tem dois lados, na vida não poderia ser diferente. A gente só percebe a vitória e a derrota quando estamos no topo, ou no poço.

Avô

O avô, finalmente, comprou um computador e até se desenvencilha bem, em especial com os e-mail...
E eis que recebe um e-mail de André, o seu neto de 15 anos, que diz:
«Bom dia, avô, como vais? É muito fixe agora nós podermos trocar e-mail. Assim não preciso de ir a tua casa para saber notícias tuas! Olha avô, para a minha semanada, tu sabes, agora podes fazer a transferência para esta minha conta-jovem: PT50 0123 4567 8901 2345 678 90. Fácil, não é, avô? Teu neto André, que te adora».
E o avô responde:
«Querido André, está tudo bem. Eu comprei um velho scanner a um amigo. Assim, eu vou scanar uma nota de 20€ envio-ta por e-mail e quando tu tiveres um pouco de tempo, tu podes vir a minha casa buscar o original».
Assinado: "Teu avô virtual"

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Horário


Marido e mulher vão a uma terapia de casais após 20 anos de matrimonio.

Quando são perguntados sobre qual era o problema, a mulher tira uma lista longa e detalhada de tudo o que a incomodou durante os 20 anos de matrimonio: pouca atenção, falta de intimidade, vazio, solidão, não sentir-se amada, desejada, enfim, a lista era interminável.

O terapeuta, então, se levanta, aproxima-se da mulher, toma-a em seus braços e a beija apaixonadamente enquanto o marido, calmamente, a tudo observa.

Dois minutos depois, mulher, completamente muda e ruborizada, senta-se aturdida.

O terapeuta dirige-se ao marido e diz-lhe com voz pausada e ar circunspecto:

- Isto é o que sua esposa necessita, ao menos, 3 vezes por semana. O senhor estaria disposto?

O marido medita um instante e então, no mesmo tom, responde:

- Bem, trazê-la aqui nas segundas e quartas não tem o menor problema mas às sextas eu tenho ténis...

terça-feira, 4 de abril de 2017

O PENINHA E O BES


O PENINHA E O BES

O Peninha tem andado calado pois ainda não deglutiu as perdas que sofreu nas suas poupanças que tinha no BES.

Uma madrinha, a dona Casimira que era costureira em Alguidares-de-Cima, trabalhou uma vida para a Casa do Povo, para a União Nacional, Mocidade Portuguesa e até, esporadicamente para a dona Maria do Dr. Salazar.

Fazia os uniformes para os meninos da Mocidade Portuguesa e como era exigente, trabalhava que se desunhava para confeccioná-los com presteza e perfeição. Também para a União Nacional e Legião, pois arranjava os trajes para os desfiles. Finalmente para a Casa do Povo, era mais disfarces e roupas alegóricas para os corsos do Carnaval.

Quando era mais nova tinha duas ajudantes que lhe permitiam dar resposta aos pedidos. Com a idade foi mandando fazer em sistema de subcontratação em costureiras dos arredores.

Morreu de exaustão e deixou uma considerável maquia ao afilhado, pois fora sempre solteira e nunca conhecera homem. O Zé do moinho ainda lhe arrastou a asa, mas Casimira sabia que não teria tempo para uma vida conjugal e de trabalho tão intenso como era a sua.

Um dia recebeu um pedido para fazer umas fardas com crista para umas criadas do Dr. Salazar, em Santa Comba Dão. Um bilhete discreto da dona Maria, pedia-lhe que não fosse careira, pois o Sr. Doutor achava um desperdício, mas ela tinha que manter o nível da casa do Presidente do Governo.

Peninha viu-se assim no dealbar do 25 de Abril com uma soma importante que aplicou mesmo uns dias antes da revolução na bolsa através de um balcão do BES, tendo sido para isso aconselhado por um Bartolomeu que em surdina sugeria a cada um dos clientes o mesmo nome de empresa para investir na compra de acções aonde tinha aplicado vultuosas quantias. No dia seguinte o excesso de procura fazia-as subir desmesuradamente e o nosso Bartolomeu vendia os seus lotes com significativos ganhos.

Entretanto Peninha, depositara o dinheiro na conta e ainda nada tinha aplicado quando se deu o glorioso. Por isso nada perdeu.

Depois de tontamente festejar nas ruas com soldados, marinheiros, camponeses e operários – SEMPRE, SEMPRE ao lado do povo – cansou-se de tanta festança e caiu em si quando começou a ver que não se entendiam na governação do País. Pensou no seu rico pé-de-meia e foi ao banco para saber da sua vida.

Entretanto passaram-se os anos e Peninha de nada tinha que se queixar do GES e do BES pois eram decentes e o seu dinheiro crescia a olhos vistos.

Mudou tudo com a entrada de Ricardo Salgado para Presidente do banco e Peninha sentiu-se atraído pela personalidade e pelo dinamismo que dava ao Grupo e começou a sonhar tornar-se accionista. Falou ao seu gerente do balcão e deixou cair que teria muito gosto e honra em se tornar um modesto apoiante do projecto dos Espíritos Santos.

Assim fez e como o dinheiro que acumulara era ainda bastante, aproveitou um aumento de capital atractivo para comprar uma percentagem interessante do capital do BES.

Andava todo ufano e agora o sonho era conhecer Ricardo Salgado. Ouvira dizer que uma vez por ano, Ricardo Salgado convidava accionistas importantes para almoçar no banco, no topo, na sala da Administração: um privilégio.

Bem sabia que não era empresário nem industrial, mas tendo prometido ao Tóbé Alves – o seu gerente de conta – uma generosa compensação se lhe arranjasse um lugar para esse almoço, foi alvoroçado que recebeu em casa um convite que dizia:

RICARDO SALGADO, PRESIDENTE DO BANCO ESPÍRITO SANTO, convida o Sr. Peninha César de Roboredo para um almoço formal, na sede do Banco, em Lisboa, no dia 12 de Janeiro de 1989, pelas 12h45m, sendo servidos drinks e um almoço para homenagear os accionistas de referência, aonde estarão presentes outros membros do Conselho de Administração.

Fato escuro e gravata
RSFF

Peninha mostrava o convite a todas as pessoas da sua convivência, na mercearia do Maurício, na padaria do Fanan, e mesmo até ao Firmino sapateiro que trabalhava para gente de renome.

Pôs-se a pensar que teria que comprar um fato escuro que não tinha e uma gravata a condizer.
Foi ao Martim Moniz e numa loja de paqui, do sr. Ficali, pediu para ver fatos de cerimónia de fino gosto e escolheu um azul-escuro com muitas raias, pois assim daria nas vistas, cogitou. O sr. Ficali disse-lhe poderia usar também um papillon, ou seja, um laço. Peninha hesitou, pois no convite dizia bem claramente – gravata – mas cedeu e comprou um laço de seda azul berrante com elefantes pequenos de tromba no ar, que dizem que dá sorte!

Quando os criados impecáveis lhe serviam os ditos drinks enquanto esperavam pela chegada de Ricardo Salgado e dos seus acompanhantes, Peninha estava impante. Bebia um Martini com o dedo mindinho espetado e nem se apercebia da troça que alguns outros convivas faziam do seu laçarote e dos seus sapatos bicudos de matar baratas ao canto, de crocodilo falso!

Entra Ricardo Salgado, pomposo, mas amável, todo sorrisos e cordialidade para os convidados. Pudera não, era com estes com quem podia fazer as suas tropelias pois os mais frios e exigentes estavam sempre em cima dele a ver como gastava o dinheiro deles e não ficavam nada impressionados com este show-off.

Quando todos saíram, Ricardo Salgado, num último sorriso fecha a porta devagarinho e cai esfalfado para cima de uma cadeira e diz para os outros:

- Já não aguentava mais estes possidónios!

Peninha, durante dias não lavou a mão que deu a Ricardo Salgado quando se cumprimentaram.

Foi desafiado para ir à compra de papel comercial e ficou sem nada. O Tóbé atraiçoou-o quando lhe disse que era de confiança. E lembrou-lhe com deferência: - então não acredita no seu amigo Salgado?

Peninha ainda hesitou, mas pôs uma condição: que o Tóbé informasse Ricardo Salgado da compra vultuosa que fizera…sempre poderia vir algum bilhetinho de agradecimento!

Verba ligant homines, taurorum cornua funes. ( Ao boi pelos cornos, ao homem pela palavras.)

segunda-feira, 3 de abril de 2017


VISITA AO IRÃO

Torna-se muito complicado tomar decisões quanto a investimentos na actual conjuntura no Irão. Houve reais esperanças no tempo de Obama com a assinatura de um acordo subscrito por 6 (5+1) países cimeiros no mundo : USA, China, Rússia, Reino-Unido, Alemanha e França e a promessa do levantamento do embargo.

O Presidente Trump tanto na campanha eleitoral como já no exercício do poder, afirmou o desejo expresso de denunciar o acordo assinado pelo seu predecessor e repor o embargo.

Tenho contactado várias fontes locais, alguns membros do Governo com quem tenho vindo a falar nos últimos 2 anos, empresários, diplomatas, bancos e especialistas estrangeiros qualificados na análise da realidade do Irão.

Por um lado apetece ousar aproveitar esta situação de transição e posicionar-nos enquanto não se clarifica mas aconselha o bom-senso que se tomem precauções e se evitem maus passos desnecessariamente.

Estou a ponderar uma viagem exploratória para sentir o pulso e sem quaisquer planos de investimentos. O mais importante será apurar como se podem fazer negócios apetecíveis, em que condições e em que sectores, AGORA. Todos os dados do passado recente encontram-se na sua maior parte ultrapassados.

O cair do dia



O CAIR DO DIA

O cair de um dia luminoso é uma consolação.
Nem sempre todos a têm, se pensarem no futuro que assusta.
Breve esta vida: mas porque será que a vemos tantas vezes só pelo prisma do dia-a-dia,
Que cansa, que desilude, que se enche de rotina e de nem sempre boas-notícias?

Quando paira o medo da morte, seria tão fácil haver alguém que num regaço
quase materno – que é único - nos contasse boas novas do outro mundo, se porventura existir.
Histórias simples, verdadeiras, sem fantasia. Eu almejo que haja, pois custa-me voltar a
Cinza, pó e nada. Não por soberba, mas por injustiça de uma vida não querida que nos
Encontrou num óvulo fecundado por um dos tresloucados milhões de espermatozóides!

É imerecida a doença, a dor e o sofrimento para num dia qualquer acabar com até, o cair de um luminoso dia.

Vicente Mais ou Menos de Souza in “Variações ao piano virtual

quinta-feira, 30 de março de 2017

PRECE de Fernando Pessoa


PRECE de FERNANDO PESSOA

Reli este poema de Fernando Pessoa e achei-o sublime e inesperado. Não lhe conhecia este pendor religioso. Muito bonito e salienta a sua e a nossa pequenez face ao desconhecido.

PRECE

Senhor, que és o céu e a terra, que és a vida e a morte! O sol és tu e a lua és tu e o vento és tu! Tu és os nossos corpos e as nossas almas e o nosso amor és tu também. Onde nada está tu habitas e onde tudo está - (o teu templo) - eis o teu corpo.
Dá-me alma para te servir e alma para te amar. Dá-me vista para te ver sempre no céu e na terra, ouvidos para te ouvir no vento e no mar, e mãos para trabalhar em teu nome.
Torna-me puro como a água e alto como o céu. Que não haja lama nas estradas dos meus pensamentos nem folhas mortas nas lagoas dos meus propósitos. Faz com que eu saiba amar os outros como irmãos e servir-te como a um pai.

[...]

Que a minha vida seja digna da tua presença. Que o meu corpo seja digno da terra, tua cama. Que a minha alma possa aparecer diante de ti como um filho que volta ao lar.
Torna-me grande como o Sol, para que eu te possa adorar em mim; e torna-me puro como a lua, para que eu te possa rezar em mim; e torna-me claro como o dia para que eu te possa ver sempre em mim e rezar-te e adorar-te.
Senhor, protege-me e ampara-me. Dá-me que eu me sinta teu. Senhor, livra-me de mim.

Fernando Pessoa PESSOA, Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação.

quarta-feira, 29 de março de 2017

A solidão é boa


A SOLIDÃO É BOA

Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o inicio deste milénio. As relações afectivas também estão a passar por profundas transformações e a revolucionar o conceito do amor. O que se procura hoje em dia é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar juntos, e não uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.

A ideia de que uma pessoa é o remédio para a nossa felicidade (e que nasceu com o romantismo), está fadada a desaparecer neste século. O amor romântico parte da premissa de que somos uma fracção e que precisamos de encontrar a nossa outra metade para nos sentirmos completos e realizados. Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela perde as suas características para se amalgamar no projecto masculino. A teoria do bom relacionamento entre sexos opostos tem também origem neste raciocínio: o outro tem que saber fazer o que eu não sei. Se sou calmo, deve ser agressivo e assim por diante. Uma ideia prática de sobrevivência e pouco romântica, por sinal.

A palavra de ordem é “parceria”. Está-se a trocar o amor de necessidade pelo amor do desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente.

Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo para cada indivíduo, as pessoas estão a perder o medo de ficarem sozinhas e a aprender a conviver melhor consigo mesmas. Estão a começar a perceber que apesar de se poderem sentir como uma fracção, são. Ao invés, inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente como uma fracção. Não é salvador de nada! É apenas um companheiro de viagem.

O ser humano é um animal racional que vai transformando o mundo, mas tem de se ir reciclando aos poucos para se adaptar ao mundo que fabricou. Entrámos na era da individualidade, o que não tem nada a ver com o egoísmo. O egoísta não tem energia própria; alimenta-se da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral.

A nova forma de amor, ou de mais amor, tem uma nova expressão e significado. Visa a aproximação de duas pessoas inteiras e não a união de duas metades. E só é possível para aqueles que conseguirem aperfeiçoar a sua individualidade. Quanto mais o indivíduo for capaz de viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afectiva.

A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, confere dignidade à pessoa. As boas relações afectivas são óptimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem. Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado. Cada cérebro é único. A nossa maneira de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém. Muitas vezes, pensamos que o outro é a nossa alma gémea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto.

Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando para estabelecer um diálogo interno consigo mesmos e descobrir a sua força pessoal. Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo e não a partir do outro. Ao perceber isso, torna-se menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.

O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Neste tipo de relação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Peninha e o Lipoperdure


PENINHA E A LOUCURA DE UMA NOITE COM SEDATIVOS

Peninha anda a dormir mal pelo que por sua alta recreação decidiu tomar uns comprimidos fora do prazo, há muitos anos mesmo, do tempo em que estudava : Lipoperdure

Só que já não se lembrava se eram para dar speed ou para dormir depois de uma noite de estudo.

Asneira: tomou dois com uma coca-cola e o efeito foi o de uma bomba!

Viu o D.Afonso Henriques dar um estaladão à Rainha Dona Tereza que lhe partiu toda a pianola. Conclusão: foi ver se arranjava destes cheque-dentista da Segurança Social para a reconstrução dos dentes.


Fantasmas de correntes arrastando-se penosamente pelo sótão do Palácio de Mateus: pareceu-lhe ser o “romeiro” de Garrett.


Topou com a Melania Trump na cama mas em vez de pernas tinha um rabo de peixe com escamas brilhantes do óleo de fígado de bacalhau… um nojo!


Nureyev foi desafiá-lo para um pas-de-deux e atrevido chegou-se todo e enroscou-se qual serpente. 


Peninha teve ali a noção do que era num jardim zoológico, o amor entre hipopótamos e teve a certeza de que preferia prazeres imorais entre pardais! Pontos de vista!

Acordou banhado em suor e nú e com calor. Os pêlos do peito estavam encaracolados com uma pomada gorda da farmácia Barral que não faz bem nem faz mal.


Foi para o duche e do chuveiro começou a sair sangue. Era verde pois tinha tido um tio do Sporting que se dizia teria brincado, no sentido porco, com a capelista que vendia cromos desportivos.


Foi à farmácia e contando ao paquete em silêncio e ao ouvido estas sensações, ouviu-o dizer:
- vou mandar-te logo o Vítor com crak, pastilhas e coca. Essa merda que tomaste era para os peidos!


Peninha saiu a rir às gargalhadas e dirigiu -se para a consulta no pavilhão dos lúcidos conscientes no Júlio de Matos.


À porta encontrou o Nelson e foram fumar uma ganza. Tranquilo mas com frio o Peninha espirrou e saiu-lhe ranhoca. Limpou-a com a mão e deitou-a para o chão.


Virou -se para o Nélson e disse-lhe à laia de conselho:


- os malucos que se assoam a lenços e guardam depois o ranho nos bolsos deviam ser internados!


Rindo-se a valer, entrou na capela do Hospital. Davam nessa manhã bulas para a Quaresma e o Peninha na 6f queria papar a carne da Luciana.


Sempre era carne, porra! Valores, são sempre Valores.

sábado, 18 de março de 2017

O DIA DO PAI

O DIA DO PAI

É muito celebrado e desde pequenos os filhos trazem das escolas, declarações de amor e elogios ao melhor Pai do mundo e quejandos.

Sempre achei ternurenta a ideia, mas à medida que os filhos vão crescendo vão as manifestações sendo mais personalizadas, mais verdadeiras, salientando algum aspecto que caracterize o Pai para cada um dos filhos, tornando-se assim mais saboroso.

Com a idade vão-se os filhos tornando Pais e o ciclo repete-se, mas enquanto os Pais mais velhos forem existindo é sempre para eles um consolo, serem lembrados com um pequeno gesto simbólico, um telefonema, uma visita, um pequeno presente.

Os tempos vão mudando, as crianças tornaram-se em adultos e o papel de um Pai, não é fácil de recordar. Muitas vezes ficam na memória momentos de confronto, de dureza, de culpa, de sofrimento e passa-se por cima daquilo a que eu chamo “untold stories” de amor, abnegação e entrega, sacrifício, presença discreta. É natural que sendo os filhos de tenra idade e depois adolescentes não se apercebam em profundidade de tudo quanto lhes é proporcionado de afecto, de interesse e de intervenção. Só quando se tornam Pais, acabam por compreender as tais “untold stories”: noites em branco, preocupações de doenças próprias das diversas idades, resolução de problemas educacionais, arbitragem com as Mães que têm sempre um desempenho preponderante, desde a gravidez ao dar à luz e aos primeiros tempos da infância, no que se refere à proximidade emocional, de desvelo e de presença diária quase omnipresente, e claro aos próprios feitios tantas vezes possessivos em relação à exclusividade da atenção, num misto de ciúmes e de menos agrado de que os filhos partilhem o seu amor com outrem.

Claro que há imensas excepções e desde sempre e há Mães e Pais que fazem uma partilha equitativa do seu múnus parental. Acresce que há tantos Pais melhores do que Mães e vice-versa.

Mas para mim o mais importante é que no dia do Pai a cada ano que vai passando na vida de uma Família, haja mais atenção dos filhos não tanto à comemoração comercial da data, mas um enfoque no que um Pai precisa de um filho, da compreensão, do perdão, da paciência, da aceitação da passagem dos anos e das consequências normais de menos frescura e modernidade, de fraqueza física e tantos outros aspectos que não sendo obrigatoriamente negativos, são um momento especial entre Pais e Filhos em que desta vez são os Pais o alvo das atenções e do afecto.

É que quando se é Pai e se gosta dos filhos, de cada um em especial quando não são únicos, há uma irrenunciável atitude de amor, uma sensação interior de alegria, de preocupação, de ternura e de ligação, malgré tout, ou seja, que ultrapassa a dor de um passado menos feliz, e neste caso, por culpa eventual dos Pais.

Há uma ansiedade de paz e de bondade e de reciprocidade no amor que tornam os Pais alvoroçados quando os filhos isto percebem.

Sabe-se das Escrituras o papel discreto e sofrido em silêncio de S.José, competindo com a Mãe de Jesus em todo o seu esplendor e importância, na história da primeira Família.

Por isto tudo, os Pais fazem parte de um Clube especial que tolamente não está registado em nenhuma Conservatória do mundo, quando haveria tanta coisa a dizerem-se uns aos outros e a melhorarem no seu papel de Pais.

Mas nem sempre é preciso escrever os direitos dos Pais, quando os Filhos são tão bons ou melhor dos que os antecederam.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

COISAS QUE NÃO ME INTERESSAM PARA NADA, MESMO

COISAS QUE NÃO ME INTERESSAM PARA NADA, MESMO

- o Carnaval
- o Governo, a oposição e as políticas ranhosas do meu país
- a estória da CGD, o dinheiro do Domingues, o Ministro das Finanças...fazem-me só raiva
- todas as intrigas sociais das redes sociais e sobre os artistas, actores, actrizes e quejandos
- os Óscares
- as guerras inúteis e os bandidos que andam a ganhar comissões das armas para as alimentar
- petições e merdas de quesílias

O QUE REALMENTE ME INTERESSA

É que não me chateiem aqui no Senhor Roubado.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Melancolia


Mantém-te plácidamente no meio do ruído e da pressa e lembra-te de quanta paz podes encontrar no silêncio. Tanto quanto possível, e sem cedências tenta estar de bem com toda a gente. Fala a tua verdade com tranquilidade e clareza e escuta os outros, mesmo os estúpidos e os ignorantes pois eles também têm a sua história. Evita as pessoas barulhentas e agressivas, pois são vexames para o espírito. Ao comparar-te com os outros, podes tornar-te vaidoso e mordaz, pois haverá sempre pessoas melhores e piores do que tu. Desfruta com prazer as tuas realizações e os teus projectos; mantém-te interessado na tua própria carreira, mesmo que humilde, pois é pelo menos uma garantia contra as súbitas mudanças e imprevistos da sorte. Exerce a prudência nos teus negócios, pois o mundo está cheio de artifícios. Mas não deixes que isto te impeça de ver aonde está a virtude, pois há muita gente que luta por grandes ideais e em todo o lado a vida está cheia de heroísmo. Sê tu próprio. Especialmente não simules a afeição, nem sejas cínico sobre o amor, pois para muitos a aridez e o desencanto são perenes como a erva daninha. Aceita bondosamente o conselho dos anos, cedendo com modernidade às coisas da juventude. Cria força de espírito para te escudares contra os súbitos infortúnios, mas não te atormentes com especulações. Muitos medos são fruto da fadiga e da solidão. Para além de uma saudável disciplina, sê gentil para ti próprio. Tu és filho do Universo, nem mais nem menos do que as árvores e as estrelas e tens o direito de estar aqui. E seja ou não claro para ti, não duvides que o Universo está a revelar-se como ele é. Por isso fica em paz com Deus, qualquer que seja a forma como O concebas e quaisquer que sejam os teus trabalhos e aspirações, no meio da confusão ruidosa da vida, conserva a paz com a tua alma. Com todos os seus enganos e seduções, a sua penosidade e sonhos desfeitos, este é ainda um mundo maravilhoso. Sê prudente. Luta para seres feliz.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

UM PALITO EM PRATA - SEMPRE ÚTIL À MESA DOS REIS


UM PALITO EM PRATA - SEMPRE ÚTIL À MESA DOS REIS

Contaram-me que o Rei do Tongo oferece lautos banquetes com carne de caça o que deixa embaraçados os cortesãos que têm dentuças e pianolas fechadas aonde a carne se infiltra...( tema um pouco inapropriado, mas essencial para chegar aonde eu quero).

Ora, um português agraciado com mercês de Sua Majestade, tendo comido um belo naco de faisão e ao contar uma história desatou a rir alarvemente mostrando os vestígios do faisão ainda sangrando das engivas......

O Rei, cortêsmente, entregou-lhe um palito de prata, dizendo-lhe: - sirva-se e depois devolva.
O nosso Duque de Gibralfaro ( entre as óbeshores de Gibraltar e a ilha de Faro) assim fez e não entro em mais detalhes.

Chegado a Portugal, mandou fabricar em ourivesaria de renome vários modelos de palitos em prata, com o nome gravado, brasões, iniciais, e até esmaltes com fotografias.

Tem vendido para as Câmaras de Comércio, Associações sindicais, Governo.

Resolveu dar um passo de gigante, que não sei se será coroado de êxito: propor à Presidência da República pelas viagens de afecto sempre acompanhadas com pastéis de bacalhau e comeres quejandos, e aos Clubes Privados de Lisboa, incluindo os de prazeres imorais.

Deixo-vos o presente que me fez chegar às mãos, com uma gravação saliente aonde está escrito: Homenagem do Senhor Roubado!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

O MEU PAI ( MUNDO DESCONHECIDO ESTE)


O MEU PAI ( MUNDO DESCONHECIDO ESTE)

Hoje faria 98 anos o meu Pai, se fosse vivo. Os anos vão passando e fomos ensinados a que haveria uma outra vida para além da terrena, mas não passa de suposições. Nunca ninguém veio dizer, confirmar ou contar como é.

Gosto de reviver interiormente tudo quanto me lembro do meu Pai. Essa é uma forma terrena, simplista e imediata de encarar estas ligações familiares de geração em geração, que acabam quando a morte sobrevém. Porque será assim tão insossa e sem intensidade esta memória que o tempo vai apagando?

Há quem tenha o culto dos mortos, no sentido de manter viva a chama, mas é uma luta vã contra a realidade, até porque temos que viver o presente e lutar pelo futuro. Por isso, quando corre bem, ficam umas ténues lembranças, que se vão romanceando com o passar dos anos, mas o que realmente importa é sentirmos no nosso âmago sempre e sem embargo do tempo, esta sensação de amor, de reconhecimento e de esperança num reencontro…

Este é um mundo estranho e incompreensível e com perplexidades se se começa a aprofundar.

De qualquer maneira, apetece-me lembrar, com esta fotografia dele de menino, o meu querido Pai.

Scones e demónios


Oiço dizer que scones e um bom chá acalmam os demónios.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Mes amis


Mes amis étaient atachées au ciel par des ficelles. On tournait la tête, ils n'étaient  plus là.

Jean Cocteau

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

ET POURTANT (AO OUVIR CHARLES AZNAVOUR)


ET POURTANT (AO OUVIR CHARLES AZNAVOUR)

Hoje morreu um amigo de infância que não vi durante muitos anos. Fomos amigos de Colégio, crianças despreocupadas, fizemos desporto juntos, jogámos futebol, pingue-pongue, voleibol e andebol, fomos em passeios da turma, rezámos juntos nas aulas e na Capela, rimos, estudámos e não me lembro de nada que nos tivesse dividido.

Sempre sorridente, modesto e humilde, filho do porteiro do Colégio, muito bom aluno e afável, daqueles que às vezes desejamos imitar por uns tempos por ser tranquilo e não ter as excitações das nossas famílias, cheias de programas sociais, viagens ao estrangeiro, vida agitada…agradável de que me não arrependo, que adorei e de que tirei um partidão…mas o Vítor era o exemplo sereno de uma vida feliz. 

Foi brilhante profissional, catedrático, bom marido e bom pai de 3 filhos que conheci ultimamente, seguidores de muito perto do Pai.

Um dia, resolvi saber dele e escarafunchei até o encontrar. Já lá vão uns bons 4 anos e a primeira vez que nos reencontrámos, houve um momento de hesitação mas caímos nos braços um do outro e demos um abraço prolongado. O sorriso era igual e inesquecível, mas tinha mudado muito. Era um Senhor, como aliás sempre o achei quando olhava retrospectivamente para quando éramos já mais velhos no Colégio.

Voltei para casa muito triste depois de me despedir dele no silêncio das minhas lágrimas quando abracei a mulher e os filhos, comovidamente.

Deu-me para ouvir um álbum completo do Charles Aznavour, de quem sempre gostei e que canta músicas melancólicas com letras lindas, por vezes tristes.

E a primeira foi uma muito conhecida “ Et pourtant” cuja tradução não exprime o sentido forte e rico da palavra em francês.

E pensei que um dia em que morresse, mesmo sabendo que a morte há-de vir, et pourtant…

- vou ter saudades de gostar de quem gosto, com intensidade e amor
- vou ter saudades de olhar à volta e ver o azul do céu, o verde dos campos, as cores garridas das flores
- vou ter saudades de estar vivo.

E tanto mais.

Fui sair e apanhar este sol magnífico e generoso e dirigi o carro para o Estoril, Cascais e Guincho aonde vou olhar o mar e passear a pé.

Adeus Vítor e obrigado.

A RAINHA DE PORTUGAL, DONA LEONOR TELLES, COGNOMINADA "A ALEIVOSA"


A RAINHA DE PORTUGAL, DONA LEONOR TELLES, COGNOMINADA "A ALEIVOSA"

No avião que me trouxe de Singapura/Dubai/ Lisboa às tantas, para fazer exercício fui de uma ponta à outra do avião. Ao aproximar-me da cauda do aparelho, de repente sou interpelado em português por um indivíduo, que me pergunta:

- O sr. é o Teles? ( não sei se seria com dois LL...ahahah)

- Quem é o sr.? - perguntei-lhe.

- Sou inspector da Judiciária.

- Pois eu não sou Teles actualmente, mas descendo da Aleivosa, que era a Rainha Dona Leonor Telles. Se isso lhe pode interessar....ahahahahah

E abalei de volta ao meu lugar.

À chegada a Lisboa lá o vi ao longe com mais um outro, seguramente da mesma instituição. Acredito que tenham ido ao Dubai à cata de contas óbeshores e, se foram eficazes, procuravam um cúmplice de nome Teles....com dois LL, como pelles com dois LL...ahahaha

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

MÚSICA MATTERS PARA MIM


MÚSICA MATTERS PARA MIM

Estive hoje de manhã a olhar para os e-mails, a responder a alguns, mas coisa leve, pois para chatices não estou nem aí.

Fui para a piscina e enquanto a Mariana passou o dia em Singapura em trabalho, levei o meu iPod e estendi-me qual lagarto, claro, numa bela cadeira a ouvir música.

É bom que eu diga como a música sempre teve um papel importante na minha vida. Por outro lado os meus Pais e Avós de ambos os lados, eram habitués de S.Carlos quer nas temporadas de ópera como de ballet. A partir de uma certa idade (ia-se de smoking), vimos do melhor que passou em Lisboa: a Margot Fonteyn e o Nureyev no Lago dos Cisnes e para além deles muitos outros de renome, nas óperas fomos entrando devagarinho pois começámos pelas clássicas e a pouco e pouco fomos apurando o gosto, e finalmente nas temporadas da Gulbenkian tivemos a oportunidade de assistir a concertos com grandes maestros e tudo quanto hoje em dia faz o acervo da minha escolha de compositores favoritos, mas aqui já comigo já na Faculdade.

Nada disto impediu que eu fosse igualmente um apreciador de todo o tipo de música não clássica que acompanhou a minha juventude, adolescência e madureza…se a tive alguma vez, eventually. Fiz toda uma vida de discotecas, festas em casa de uns e de outros pois tínhamos um grande grupo de amigas/amigos em que saíamos quase todos as noites durante os 3 meses de férias de Verão.

Entretanto tenho cerca de mil gravações no iPod por isso posso ter uma grande escolha. Decidi começar por música italiana ligeira em que os diversos cantores dessa altura se dedicavam às modinhas conhecidas e como estava sozinho na piscina, toca de cantar em voz alta a acompanhar o que ia ouvindo…ahahah. Sei as letras todas e com uns pássaros que vinham pousar junto de mim a apreciar o “colega” senti-me em Itália junto a Capri. Claro está que o Pavarotti a cantar o “o Sole mio” e acompanhado pela minha voz fez estremecer as janelas do compound…ahahah

Em pleno "volare nel blu dipinto di blu", chegam dois rapazes novos que não reparei que se aproximavam e que quando passam por mim, fazem-me, sorridentes, com o polegar um sinal de aprovação e vão-se sentar na “cabana ao lado”. Naturalmente que refreei os meus ímpetos de cantor e quando fui dar um mergulho, estando também dentro de água perguntaram-me de onde era – pergunta sagrada – e eu disse de Portugal. Ni idéa! Eles eram de Myanmar (Burma) e falavam péssimo inglês…recorri ao velho truque índio de falar no Ronaldo…ah! Ronaldo, Portugal…sorridentes e excitados…devia ser-lhe dado um passaporte diplomático de Embaixador itinerante de Portugal!

A Mariana veio mais cedo, e fomos ao entardecer fazer jogging durante uma hora junto ao porto e no meio de um condomínio com vilas de luxo, com relvados até ao rio por onde deslizavam silenciosas pirogas com locais voltando a casa, carregados de peixe.

Serão bons tempos para recordar na minha vida, momentos de cumplicidade em que não falamos de chatices nem de coisas fúteis, apreciamos o silêncio que também significa paz.

A arte de tagarelar pode ser muito maçadora…ninguém exige conversa permanente, a não ser, claro, os políticos nas televisões sempre a palrar como picaretas falantes.

DOMINGO É DIA DE DESCANSO NA MALÁSIA

 
DOMINGO É DIA DE DESCANSO NA MALÁSIA

Fui na 6f visitar uma mesquita gigante, com uma arquitectura bem leve e clara e com uma área à volta muito bonita e cheia de verde e relva e também de edifícios no mesmo estilo tendo-me sido explicado que são a parte administrativa, mas o que é facto é que era dia e hora de orações e não avistei viv'alma, mesmo! A área ocupada era umas duas vezes o Restelo! Suspeito que se ensinem algumas técnicas daeshistas!

O chauffeur simpático sendo hindu rejubilou e aproveitou para dizer mal do profeta e dos malaios, pois, segundo ele há três escalas sociais: malaios que tudo têm do governo, chineses que tudo querem e compram, e hindus....

Em suma uma grande maçada: lá no Senhor Roubado temos uma ermida a Santa Rita de Cássia cujo tamanho dá só para receber as oferendas em espécie....e que bela espécie: ele são borregos, vitelos, perus, enchidos, chouriços, alheiras de Mirandela, papos de anjo, barrigas de freiras, pudim do Abade de Priscos, e muito boa pinga.

O sr.Padre Aurélio passa por lá à noitinha a cada dia, leva tudo para se não estragar bem como a caixa de esmolas e outra de pedidos por escrito à santa. 

Mas volvamos à Malásia aonde a Mariana me levou a almoçar a um excelente restaurante neozelandês numa marina.

Enquanto ela não compra um carro andamos em ubers e taxis do tipo mytaxi.

Dá-se a morada e o camarada vem buscar. Em todo o mundo este negócio está cheio de truques pelo que hoje, o moço que nos veio buscar ao condomínio, apparently estava a fazer um jeito ao titular da licença, mas lá fomos para a marina. A distância como de Lisboa ao Guincho e o custo foi de €13,00. Foi bom! O macaco quando chegámos perguntou-nos se queríamos que esperasse e tendo nós dito que não simpaticamente, pareceu-nos que ia esperar por conta e risco! 

Lá chegados demos uma volta de reconhecimento e sem hesitação optámos pelo dito restaurante.

Os empregados estrangeiros e o chefe da sala, do mais acolhedor que há, tendo ficado sentados numa mesa num terraço com um toldo com vista para a marina.

Um menu estupendo e categorizado, fez-nos escolher à Mariana um "king fish" com ervas aromáticas e legumes ao vapor e o vosso criado um "chicken breast" rôti com champignons salteados, cenouricas....para não dizer cenourinhas...ahah, num molho delicioso. Uma cerveja irlandesa. Muito, mas muito bom. De sobremesa a Mariana comeu uma "Pavlova com kiwis e papaia" numa base enorme de chantilly que é como se fosse um grande suspiro recheado e o Nelo uns baignets de banana com uma bola de gelado de maracujá.

A Mariana adorou e diz que vai passar a ir lá com amigos e visitantes. Demos um passeio pela  marina, tendo chegado a casa pelas 17h. É claro que quando marcámos o taxi era o mesmo que tinha almoçado numa tasca com a Anabela!

A nap merecido e mais uma sessão obsessiva para os dois do Marco Polo no Netflix, que é viciante...

E por hoje foi tudo, caros leitores. Aqui fica a fotografia.

O QUE SE APRENDE COM OS FILHOS


O QUE SE APRENDE COM OS FILHOS

Fui a um excelente supermercado com uma secção biológica.

Num pequeno aparte e com esforço próprio tenho dado provas na minha vida de estar aberto a escutar. Apraz-me a novidade, a modernidade e então quando tem lógica sou fácilmente convencido.

Voltando ao fio da meada, observava a Mariana com mestria e conhecimento a "pescar" uma série de legumes com que depois faz as deliciosas sopas bimbianas! Eu lá arriscava os nomes dos que me pareciam ser, e com segurança - porque a Mariana estava sempre a incentivar-me para que tirasse o que quisesse das prateleiras - escolho um saco de cogumelos ou champignons ou mushrooms!
Azar para mim, diz a Mariana - não faço a menor ideia o que fazer com eles ! Digo eu, gourmet e gourmand do melhor, tendo sempre comido do bom desde os tempos dos meus Bisavós de ambos os lados, MAS SEMPRE NO PRATO, - então podem-se fazer salteados na frigideira, cortados em fatias fininhas e num molho do tal bife do lombo australiano.....ahahah..disse-me que ia ver à internet, que querida!
Depois, como sai a mim em muitas coisas, compramos asneirinhas que destroem um niquinho o efeito de saudabilidade do acima descrito - caixona de gelado, queijo em triângulos da "la vache qui rit", uma caixa de Camembert! Trouxe-lhe de Lisboa 6 tablettes de chocolate e bolachas...

Fui depois do exercício matinal a um spa fazer massagens aos pés que já conhecíamos desde a nossa estadia na China (Macau, HK, etc).

Aqui deixo a ilustração de tal sessão.

O Peninha tem estado calado, pois pu-lo de férias.