quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Portugal is unique


                                                           Espelho d'Água em Lisboa

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

domingo, 18 de fevereiro de 2018

RUI RIO E O SEU DISCURSO


RUI RIO E O SEU DISCURSO

Muito bem estruturado, inteligente, de estado e com ideias equilibradas e seguras. Sabe o que quer, com quem quer e conseguiu projectar as ideias para fora: Presidente da República, eventualmente com PM que terá estremecido e o considerará a partir de agora um adversário que lhe não dará tréguas, com o eleitorado.

Os nomes de uns ou de outros que escolheu ou lhe foram impostos, nunca se saberá, se esvairão na espuma dos dias e o que lhe será pedido é acção e resultados.

Os jornalistas presentes, deploráveis, caciqueiros, à procura da petite histoire, da intriga e não contribuindo para um respirar fundo que ultrapasse um partido.

Gostei bastante e tenho fé de que prestará um bom serviço ao PSD e aos Portugueses.

De resto, e a todos pode acontecer, é pedir que os deuses o favoreçam e o livrem de morte súbita, ou de ataques desferidos por inimigos ou insanidade superveniente.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Sentimento de tristeza interior


Às vezes há um sentimento de tristeza interior

Às vezes há um sentimento de tristeza interior que vem assim como o frio se entranha nos ossos. É insidioso, lento e disfarçado mas quando se instala, permanece. É o que os ingleses e o Eça chamavam de spleen.

Apetece desaparecer para aonde se vejam as estrelas, a lua cheia, noites serenas e os ruídos do campo ou do mar.

O ideal é adormecer e voltar a acordar na manhã seguinte: pelo menos estamos desligados umas horas, quanto mais melhor.

Sem coadjuvantes, só com o sono que invade a consciência e a deixa a sossegar.

O corpo humano e o cérebro são ao mesmo tempo perturbadores e perfeitos.

Um contributo importante para o melhoramento deste estado é uma certa inacção e uma grande simplicidade/humildade perante o desconhecido. Tornar-nos tão pequenos como o somos na realidade face ao Universo.

E é isto, o tempo vai-se gastando e gastando-nos e é o que já vivemos: sempre respeitei o passado como tal e não vivo dele.

Preciso de descanso de espírito e de me recriar para viver o silêncio com mais eficácia e projectá-lo na minha vida.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

O SENHOR CARDEAL PATRIARCA e as DECLARAÇÕES QUE PRESTOU







O SENHOR CARDEAL PATRIARCA e as DECLARAÇÕES QUE PRESTOU

Na minha óptica o que o Sr. Cardeal disse é fruto de uma opção: seguir a doutrina da Igreja que ainda não foi claramente modificada ainda que o Papa Francisco tenha tentado e por outro lado terá demonstrado falta de bom-senso.

O bom-senso é muito mais importante do que a inteligência e requer-se a quem tem responsabilidades de governar (por exemplo o Presidente Trump, a quem faltam as duas) bem como a uma Igreja seja ela católica ou evangélica (veja.se o escândalo da IURD).

Vejamos o seguinte:

1. A frequência dos sacramentos implica ter-se fé e para além disso conhecimentos teológicos para se compreender do que se trata e de que passam a estar privados. Ou seja, se um membro de um casal divorciado, tiver sido forçado ao divórcio pela outra parte, sendo católico/a praticante e acreditar que a comunhão é transfiguração de Deus numa hóstia de pão, não vejo porque não possa comungar. Dir-se-á, voltou a casar pelo registo civil sem ter anulado o casamento canónico (se eventualmente até houver razões para tal) mas se o novo casal for sinceramente crente e procure a felicidade dentro da Igreja Católica, eu acho aceitável que comungue (pois é a este sacramento que estão impedidos, só, ou a um novo matrimónio canónico a que pelos vistos renunciaram).

2. Se se olhar objectivamente para estes assuntos de regras canónicas rígidas da Igreja que este Papa quer rever, adoçar com tempo e modificar verificaremos que o mais importante é:

- Incentivar a que os fiéis aprofundem a sua fé e sejam sinceros, simples e a pratiquem de boa-vontade e não com ameaças de exclusão da Igreja, ou de cometerem pecados graves, e pagarem com o fogo do Inferno. Cada vez mais, menos gente vai acreditando nisso.

- deixar que de uma forma ampla e aberta se “beneficie” de tudo quanto os sacramentos, para quem tem fé, trazem de graças e de esperança e de consolo. É como se um supermercado, impedisse que comprassem os seus produtos, pessoas de alguma raça, ou língua ou estatuto, ou situação diferente dos demais. Asneira para os donos que receberiam menos dinheiro e indignação para a comunidade...se não fosse racista de qualquer tipo.

Os sacramentos por definição são para serem usados abundantemente e produzirem os efeitos para que foram criados.

3. Todas as religiões tendem a ter regras fixas e rígidas como uma forma de controlo sobre os fiéis. Por isso se diz que são opressivas ou opressoras e aquelas distintas da religião católica, são-no ainda muito mais (veja-se a muçulmana, por exemplo) em que as punições são físicas. Na Igreja católica, actualmente…., já não há mais prisões nem perseguições como na época medieval nem inquisições, são normas morais sobre as quais a coacção é unicamente sobre a consciência, ou seja o do cumprimento moral.

4. Sejamos lúcidos: nunca houve expressamente nenhuma disposição directa de Jesus para todos estes princípios. Não há provas disso. Sabe-se desde há muito que os Evangelhos e os Actos dos Apóstolos que contém a pregação de Jesus, foram escritos dezenas de anos depois e não pelos Apóstolos, pois se tomarmos o caso de S.Pedro que era um modesto pescador, não sabia ler nem escrever.

5. Trata-se por isso de toda uma série de regras administrativas (canónicas) da Igreja e dos diferentes Papas que conforme os interesses, o ambiente de cada época assim definiam. Não vou ao ponto de dizer que as religiões todas são “bancos de fiéis” mas num sentido se não houver um espírito colectivo de “clube”, “associação” de fiéis para um determinado objectivo que é no caso da Igreja Católica, a pregação da salvação, não há fundos para a manutenção das estruturas e o pagamento dos “operários da messe” como cita diz os Evangelhos, acrescentando ainda que são poucos.

6. A prática do amor aos outros, a partilha, a paz e a concórdia, com vista à criação da célula ainda hoje predominante, que é a Família, devem ser o substracto da proclamação da Igreja Católica.
7. Mais uma vez cito o bom-senso: não é fácil mudar rapidamente, mas deve presidir à mudança, amor e respeito por todas as opiniões e por outro lado a firmeza de não hesitar em acompanhar os tempos que correm.

8. Nada do que foi dito pelo Sr. Cardeal vai modificar seja o que for. Pelo contrário, acirrará ódios e incompreensão de quem muitas vezes é IGNORANTE em relação à dita Igreja que em momentos de turbulência pretende afirmar-se como seu membro. Sabem pouco da história da Igreja e das dificuldades que Papas, teólogos e cristãos interessados e informados têm tido ao longo dos séculos.

9. Quem quer ter “relações sexuais” apesar de divorciado vai continuar a tê-las e o Sr. Cardeal não as assombrará, quem quiser comungar vai continuar a fazê-lo, por isso tudo isto era desnecessário.

10. Aliás, aqui entre nós, devem-se contar pelos dedos de uma mão o número de divorciados que querem comungar e são assim tão prejudicados….os que saltam de mulheres ou homens e de camas estão tudo menos interessados na fé católica e nas suas regras. Deixemo-nos de hipocrisias.

Talvez fosse interessante, aproveitando a deixa, que quem tenha dois dedos de testa e seja minimamente capaz de ler, por-se a actualizar os seus conhecimentos ou mesmo a conhecê-los desde o início.

Desde há muito que penso assim, e esta é a minha opinião.


sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Unhappiness





We tell ourselves a lot of stories about happiness. 

Our brains invent very elaborate cognitive strategies to tell us who can be happy, when and why. No one can be happy in an economic downturn, no one could be happy in a children's cancer ward, no one could be happy with his job, etc. 

There are definitely times that my brain tells me, "it's not possible to be happy right now." But if happiness is impossible in a certain situation, then two corollaries have to also be true.

First, the external world predicts 100% of my happiness.

Second, no one in my position has ever or would ever feel happy.

Neither of those things hold true.

In the last decade, researchers have discovered that only 10% of our happiness is predicted by the external world. So much more of our happiness is based on how our brain interprets that world, and how we choose to respond to it.

Moreover, I am shocked how often we tell ourselves happiness is impossible when that is so clearly factually inaccurate. With everything going on, you know it's impossible to be happy in this economy.
In a down economy, it is easy to feel anxious or depressed. That may even be the average response to an economic downturn. But just because it is average does not mean that it is required of our brains. 

If there are people in the world in our circumstances that would maintain an optimistic outlook and cheerfully connect with people, then our happiness story can be revised. If there are people who miss a flight but are still happy, then I cannot tell myself it is impossible to be happy in this circumstance. 

It merely requires work.

If there are people in a struggling business, in a cancer ward, in a poor inner-city school who remain positive, we are left with two choices. We can ignore that fact and assume that happiness is beyond our reach, or we can change our philosophy. I vote for the latter, based on another scientific fact: if your brain is positive, it makes you better at overcoming those challenges in your world. 

People who tell us happiness is impossible imprison us in illusion. Positive individuals break the tyranny of our stories about happiness, because they show us that the external world does not dictate the terms of our happiness. 

The truth is there have been positive people even in some of the most horrific situations in history. 

 And thus, happiness is a verifiable, scientific possibility.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Audrey Hepburn - poema de vida


Quand on lui a demandé de révéler ses secrets de beauté, l'actrice Audrey Hepburn a écrit ce poème, qui fut lu à ses funérailles :
Pour avoir des lèvres attirantes, prononcez des paroles de bonté.
Pour avoir de beaux yeux, regardez ce que les gens ont de beau en eux.
Pour rester mince, partagez vos repas avec ceux qui ont faim.
Pour avoir de beaux cheveux, laissez un enfant y passer sa main chaque jour.
Pour avoir un beau maintien, marchez en sachant que vous n’êtes jamais seule, car ceux qui vous aiment et vous ont aimé vous accompagnent.
Les gens, plus encore que les objets, ont besoin d’être réparés, bichonnés, ravivés, réclamés et sauvés : ne rejetez jamais personne.
Pensez-y : si un jour vous avez besoin d’une main secourable, vous en trouverez une au bout de chacun de vos bras.
En vieillissant, vous vous rendrez compte que vous avez deux mains, l’une pour vous aider vous-même, l’autre pour aider ceux qui en ont besoin.
La beauté d’une femme n’est pas dans les vêtements qu’elle porte, son visage ou sa façon d’arranger ses cheveux. La beauté d’une femme se voit dans ses yeux, car c’est la porte ouverte sur son coeur, la source de son amour.
La beauté d’une femme n’est pas dans son maquillage, mais dans la vraie beauté de son âme. C’est la tendresse qu’elle donne, l’amour, la passion qu’elle exprime.
La beauté d’une femme se développe avec les années.

ESPANHA


ESPANHA
Um amigo mandou-me o link para a cerimónia em directo no Palácio Real da atribuição pelo Rei à princesa das Asúrias, sua filha Leonor, da Ordem do Tosão de Ouro. (vão ver à Wilkipédia se não sabem).
Muito bonita e ternurenta e o discurso do Rei impecável, moderno e transmitindo à filha o que deve ser um monarca no mundo de hoje, sem perder de vista os valores que pessoalmente nos compete a cada um de nós cumprir e viver.
Ao mesmo tempo que a cerimónia decorria em streaming via El País, lia-se em baixo os comentários dos espanhóis.
E foi isso que mais me impressionou! Desde grosserias sem nome que o pudor me impede de escrever sobre actos sexuais que praticariam com a princesa, de 16 anos parece-me, senão menos, insultos ao Rei, vivas à república, morte à Família Real, desejo que vão para o exílio....enfim centenas de posts seguidos e sem parar muito violentos, odiosos revelando um povo desencontrado, perdido e ávido de rancor.
Muito triste, pois não foi esta Espanha que me habituei a admirar, visitar com frequência e a desejar que continuasse unida e grande.
Tenho vários costados castelhanos mas hoje fiquei sobretudo preocupado em como vai tudo acabar, o que não pode deixar de ter influência em Portugal. E tive pena e admiração pela coragem do Rei que tem tempos tão difíceis pela frente e ainda é muito novo.

domingo, 28 de janeiro de 2018

Mãe e Maria João na moto


A minha irmã Maria João, louca ahahah, a levar a Mãe ao Monteiro cabeleiro na Rua Borges Carneiro. Também a Mãe era modernaça e gostava de experimentar novas coisas. Que querida

Nota: tendo em consideração que sempre teve chauffeur e nunca guiou

FAZIA ANOS HOJE A MINHA MÃE

 
FAZIA ANOS HOJE A MINHA MÃE

Não posso deixar de constatar que se foi uma Mãe extraordinária, muito do que fez e conseguiu foi devido também ao amor que o meu Pai por ela tinha e que tanto a fez feliz, projectando essa harmonia nos seus filhos com uma estabilidade exemplar.

Gostava de poder acreditar que um dia voltarei a estar com esta minha Mãe terrena, aquela a quem dei beijinhos, apertei nos meus braços, dei as mãos, chorei junto e socorri nos últimos tempos da sua vida.

Não me interessam especialmente nuvens, nem almas, nem infinito. Deixo sempre uma porta aberta para a novidade. Oxalá ela exista!

Mas o principal testemunho é o de amor e saudades imensas pela sua ausência. Acho que é muito bom e consolador dizer isto de alguém, sobretudo se é a minha Mãe.

SÃO SEMPRE AS MÃES, E OS PAIS?

 
SÃO SEMPRE AS MÃES, E OS PAIS?

Dizia-me alguém amàvelmente a propósito do post que publiquei sobre os anos da minha Mãe: "Mãe é um sentimento que não se esquece, que vive connosco permanentemente."

E os Pais? O sentimento de orgulho e comoção por cada recém-nascido que pegamos pela primeira vez nos braços, este laço que nos faz rir e chorar ao longo da vida, tantas "untold stories" que jamais contamos mas as vivemos - doenças, noites mal passadas, exames, profissão, alegrias, orgulho, amor grande e profundo, dor, injustiças deles e nossas para com eles - tudo isto é um acervo que só os bons e maus Pais conhecem e sentem.

Se houvesse uma escola de Pais tínhamos andado lá todos e depois....sempre houve uns melhores alunos do que outros, mais inteligentes do que os menos, mais duraços e outros mais sentimentais, mas creio que nessa escola TODOS sem excepções - se forem verdadeiros e humanos- receberam e absorveram as tais lições de amor que não se estudam mas que se mostram quando a professora mandava usar o coração.

E por isso quando nos nossos exames de consciência, muitas coisas nos pesam de omissões, más acções ou menos boas, de egoísmo e de falta de paciência de tanta coisa em que poderíamos ter sido melhores, só quem seja de má raça, não sente arrependimento e purifica o coração que volta a bater com amor pleno.

Os Pais também permanecem para sempre e não são melhores nem piores que as Mães. São diferentes no papel que desempenham.

Às vezes a meio da noite lá tinha que mudar a fralda ou pegar ao colo ou dar o biberon ou pô--los a arrotar.

Tornava-se irresistível ver naquelas caras miúdas uma dependência de nós, dos nossos defeitos, falsidades e das fraquezas dos crescidos e sempre prometia uma protecção permanente. 

Não deve haver estatísticas nem récordes de Pais bestiais, do melhor e sem erros nem defeitos.

O nível de comparação de amor e de best performance, esse não é ditado pelos Pais mas sim pelos Filhos.

E por isso referi o papel relevante do meu Pai na vida e felicidade da minha Mãe, o que se projectou em nós Filhos.

Chega de paleio e toca a praticar e ao menos compensarmos como Avós!

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

3 inovações no Senhor Roubado

Vou fazer 3 inovações no Senhor Roubado:

1. Abrir uma casa de chá que será gerida pelo BE o que, espero, atrairá a esquerda festiva e haverá surpresas na apresentação da conta pois a ver se se apanha alguém em petites ou grandes corruptions...ahahah..não é só o Salgado nem o Sócrates!

2. às 5ªf a partir das dez da noite um buffet excelente só para gente da direita e antes tem que se fazer um teste de inteligência. Tudo quanto ficar abaixo de 30 numa qualificação de 1 a 31, não pode infelizmente entrar. A ideia é serem sessões de democracia, com especial incidência em leituras de autores russos e chineses...ahahaah

3. Aos Sábados à tarde e até ao anoitecer experiências de colectivização da propriedade, só e exclusivamente para me apanharem as couves e outros vegetais e leguminosas acompanhados por canções do Volga, vendendo depois a um preço com desconto após o extenuante trabalho.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

A propósito da SUPERNANNY e não só


A propósito da SUPERNANNY e não só

Há imensas mães que se acham bestiais, têm vozes estridentes, gritam, berram, acham-se indispensáveis e só elas sabem o caminho da educação dos seus filhos. São insuportáveis para os filhos e respectivos maridos, ou companheiros. Até para os gatos.
São autoritárias, exclusivas e não fazem equipa em casal, nem têm paciência para a moderação masculina ou porque são as únicas que cozinham, ou limpam a casa depois de dias de trabalho, dão banho às crianças etc...umas pobres de ter pena e deixar lamentarem-se, imagine-se!
E porque não experimentam, sem exigir na tal voz estridente e aos gritos, propor aos maridos ou companheiros para lavarem a loiça, darem banho aos miúdos, pôr a mesa, distribuir tarefas MAS ATENÇÂO, sem terem sempre que opinar e espiar para controlar e ver se está tudo como ELAS fariam no seu superior saber.
Pois bem foi isto o que aconteceu no programa de ontem e causou paz e harmonia e progresso naquele lar ( casal e filhos).
Não acham que para a maioria dos espectadores que muitas vezes para dentro de si próprios se revêem nas personagens apresentadas só faz bem, incita à reflexão, ao desejo de paz e de felicidade familiar? Pois eu acho, como acho noutros casos em que a tv é relevante na influência nos espectadores, QUE SIM, que é positivo.
Finalmente com os meus 6 filhos, levaram tabefes, açoites no rabo, castigos sempre qb e são normaizinhos da Silva.
O que interessa se a supernanny é feia, ou alta, ou mal vestida, ou menos atraente. Consegue o objectivo que é o de ajudar com regras sãs, simples, lógicas e eficazes.
Ridículo ler umas psicólogas baratas ficarem indignadas e como sempre em Portugal, a solução é fazer queixa para as autoridades e pôr cínicamente a mão no peito com virtude. Vão para o raio que as parta de vez e as impeça de exercer a profissão pois fazem-no sem pedagogia. Centros de dia a ver a tv!
Quanto às crianças serem vistas nas escolas, deixem as crianças julgarem por si próprias. Se os miúdos e miúdas têm mau feitio em casa também são insociàveis na escola. Se todos virem o arrependimento e a melhoria e paz na vida familiar, têm uma medalha de honra nos corações de todos.
E se ou não as tvs pagam €1,000 ao casal, ainda bem pois o dinheiro ajuda a equilibrar a vida e posso-vos garantir que não é por dinheiro que as pessoas más passam a boas.
Tratem mas é de olhar para as vossas vidas e perderem esta mania nacional de superioridade intelectual, sobretudo de algumas mulheres pitonisas, de chatearem o pessoal.

domingo, 21 de janeiro de 2018

Evelyn Waugh também acabou por morrer preocupado


Evelyn Waugh também acabou por morrer preocupado

A crónica do ALA na Visão desta semana fala de uma entrevista que o impressionou: a última a Evelyn Waugh antes de morrer e que ao ser perguntado sobre o que queria que fizessem quando morresse, a resposta foi: “que rezem pela minha alma pecadora”!

Fica sempre no ar a definição do pecado. O que será uma alma pecadora? Qual o critério? Depois, se alma houver, porque precisa que se lhe reze por ela? Já foi dito que não existe inferno nem purgatório nem se sabe se o Céu é em baixo ou em cima ou no meio.

Tudo temas controversos que pouco a pouco com o avanço da ciência e os testemunhos de alguns escritores esclarecidos tem vindo a ser progressivamente aceite que existe uma “vida”, “uma existência” para além da morte do corpo.

Há limites para a discussão entre amigos, familiares, cientistas, políticos, crentes e não crentes pela simples razão de se não saber tout court.

Hoje foi o Paul Bocuse que morreu, têm desaparecido a todos os dias figuras ímpares da literatura, do espectáculo, do desporto e seres simples e bons que não eram conhecidos senão dentro do círculo das suas famílias, mas com o mesmo mérito dos outros famosos. Também acabam por morrer estupores, criminosos e homens maus.

Com isto tudo quero dizer que fica sempre no íntimo da maioria de cada um o medo da morte, o desejo de que ao se rezar pela alma a liberte do sofrimento, etc

E se em vez de perdermos tempo com o desconhecido, tentássemos todos ser melhores enquanto vivos e as coisas, atitudes e comportamentos que dependem de nós e causam em outrem melhor ou pior efeitos, seja o mais relevante?.

No sentido vulgar de pecado acho que todos temos, mas por acaso não me preocupo em que rezem por mim depois de morrer, o que peço é que tornem a minha vida enquanto cá estou o melhor possível para evitar cometer assim tantos pecados…estrafogar o pescoço de alguns, ir às trombas de outros incluindo Presidentes estrangeiros sem entrar em outros ilícitos penais…

É isto que vos escreve hoje o vosso almocreve das almas, com sono e sem muito entusiasmo pelo futuro.

sábado, 20 de janeiro de 2018

O PENINHA FOI A UMA VIDENTE QUE LHE VATICINOU O CARGO DE MENISTRO


O PENINHA FOI A UMA VIDENTE QUE LHE VATICINOU O CARGO DE MENISTRO

O Peninha já andava há muito a querer saber da sua vida e alguém lá no trabalho indicou-lhe a dª Celeste, que tem consultório aberto em Sta. Iria da Azóia.

Apanhou o autocarro e pela manhã, chegou ao destino. As consultas começavam cedo e ele queria ser o primeiro.

Tratava-se de um prédio destes mais modernos de 5 andares, num bairro social, e sem elevador. O consultório estava ao nível do rés-do-chão com uma ampla janela dando para a rua, com uma cortina azul marinho por dentro com muitas estrelas douradas pequeninas.

Tinha uma tabuleta pequenina na campainha cá fora – Celeste vidente.

Peninha tocou e a porta abriu-se dando para uma entrada atarracada que cheirava a comida e virando-se para a direita encarava-se uma nova tabuleta em metal dourado cravado na porta do rés-do-chão direito que dizia : CELESTE MANGUINHAS – VIDENTE ENCARTADA -.

Uns minutos depois aparece na soleira a dª Celeste, de roupão azul de seda brilhante, com o cabelo ainda desalinhado mas com os olhos pintados e um bâton vivo e com um sorriso largo.

- Bom dia Sr. Peninha, como está? – disse com uma voz rouca.

- Eu bem obrigado e a senhora? Mas como sabe o meu nome? – disse Peninha espantado.

- Ora, ora então por isso é que sou vidente. – retorquiu a dª Celeste.

Entrou e dirigiram-se a uma sala apropriada à profissão da anfitriã. Toda pintada de preto, com um tecto azulado com estrelas cintilantes, uma mesa com duas cadeiras e ao fundo um sofá que ela lhe explicou servir para quando chama os mortos ou os vivos e as sessões são longas. Serve para se sentarem.

-Vamos então ouvi-lo Sr. Peninha – disse a vidente.

- Saiba a dª Celeste que ando infeliz com a Adélinha e com a vida. O Costa, sabe o Primeiro-Ministro, tem-me descontado mais no ordenado, tenho um rendimento miserável, a mulher queixa-se e chaga-me a vida, eu quero mudar de profissão e ver se arranjo mais dinheiro e uma nova mulher ou mesmo por uns tempos ficar sozinho sem compromissos. E é isto. O que vê a dª Celeste no meu futuro próximo?

A dª Celeste abriu o baralho de Tarot, deitou as cartas e pensou, pensou e disse:

- Olhe Sr. Peninha, vou-lhe fazer uma surpresa. Tem o dito Costa na sala ali atrás e está-me a dizer que o vai convidar para o lugar do Vieira da Silva e vai-lhe dar muito dinheiro para as mãos, o da Segurança Social. Diz ele que só precisa de um compromisso seu: é falar só quando ele disser para o fazer e dizer o que ele lhe indicar. De resto quanto a salário e benesses não se preocupe: carro de luxo, motorista, cartão de crédito gold do Montepio sem limite, horas extraordinárias pagas a 200% e umas secretárias muito atraentes dispostas a tudo.

Peninha levanta-se confundido e tenta avançar para o sofá que estava vazio à procura de uma mão para beijar, dizendo meio-curvado – oh meu benfeitor, oh meu benfeitor, ser político é tudo quanto mais desejo!

Dª Celeste acalmou-o e disse-lhe que ele tinha partido já para a Auto-Europa, que aquilo lá estava complicado, mas que ela estava a dar um jeito também.

Peninha afogueado e ainda não caindo em si, repetia em voz baixa: ser Menistro, ser político…

A vidente, com uma voz serena e um ar dramático disse-lhe:

- Tenho porém algumas más notícias para lhe dar.

A Adélinha com as suas ausências vai por-lhe os cornos com vários amantes e a sua casa passará durante o dia a ser anunciada na página dos anúncios porno do Correio da Manhã. Vejo-a inclusivamente em fotografias núa de colants curtos em poses provocantes.

Depois os cofres da Segurança Social estão secos, por isso não há cá negociatas possíveis.

Finalmente a imprensa descobrirá que é enganado pela Adélinha ( alguns dos seus colegas no Governo, mais do tipo Secretários de Estado, para além de a frequentarem, com inveja de si deixam cair pequenas denúncias para os jornais) e passará a ser conhecido como “Il Cornutto”. Bem sei que é em italiano e sempre disfarça um pouco, mas mesmo assim…

Eu posso ajudá-lo e contrariar esta sua sina, mas custa-lhe dinheiro, pois tenho que fazer uns preparados de asas de mocho e olhos de lagarto, e o mais difícil é obter pelos de urso da Ucrânea. Mas vou tendo umas reservas pois as minhas clientes ucras, vão-me abastecendo.

- São €500 e sucesso garantido.

Peninha, contrariado pagou e pediu recibo mas dª Celeste disse que não gostava do FISCO.

Peninha, furioso por ter gasto este dinheiro todo disse-lhe de maus modos: - olhe que se a sua sopa de lacraus não funcionar venho cá e parto-lhe isto tudo e faço-a em cacos.

Dª Celeste, calma e guardando a nota dos €500 numa bolsinha de cetim chinesa com dragões de ouro, disse-lhe com doçura: - vai ver que tudo volta ao normal.

Peninha saiu batendo com a porta, não sem antes ter de novo olhado para o sofá aonde estivera o Costa.

Já na rua, repetia para si mesmo: “Il Cornutto” nunca, nunca, jamais…não há carreira política que valha o vexame! E ainda por cima no Correio da Manhã.

Voltando a casa Adélinha viu-o com um ar estranho e perguntou-lhe azeda: - o que foi agora?

Peninha sentiu uma indignação subir por ele acima e disse: - passei a ser a favor da violência doméstica, põe-te a pau!

E saiu desabrido para ir beber um copo a uma taberna da esquina.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Instantâneo

 
Instantâneo:  vim buscar uma moldura de um quadro que foi restaurada e que me custou os "olhos da face" aqui a uma loja em S.Bento. Já ponho o retrato do quadro que é bonito e bom. Foi a minha excelente, fiel e amorosa empregada de há anos que ao limpar deixou cair e fez em muitos cacos parte da moldura antiga. Claro quem pagou foi o Oliveira, ou seja eu.
Entretanto ao lado há uma pastelaria que serviu para eu matar a fome enquanto esperava pela abertura da loja.
Rapaz com ar meio alucinado, inexperiente e sobretudo distraído.
Pedi um pão-de-Deus SEM manteiga e com queijo.
Desapareceu para a cozinha e voltou com o dito pão com uma pasta amarela e um filete de peixe. Perguntei -lhe o que era aquilo e disse-me que tinha ido pôr banha (que eu odeio e que para mim é pasta para engraxar, mas sei que como sem dar por isso) e o filete era de corvina.
A dona aflita com o meu protesto, cândido, ainda que com esforço, mandou fazer outra como deve ser!

Maldita corvina!

domingo, 14 de janeiro de 2018

A VITÓRIA DE RUI RIO


Fui ao cinema ver o Churchill que adorei.
Regresso a casa e vejo que ganhou quem eu queria. Fico contente. Vai ser escrutinado pelo seu comportamento político, o que é normal.
Irritam-me alguns dos meus "amigos/as" virtuais aqui do Facebook começarem logo na maledicência, inventando cenários patéticos, sem darem sequer a chance a Rio de mostrar o que vale.
Mas isto infelizmente é Portugal, um país de invejosos, azedos e destructivos que se alegram pela desgraça dos outros e têm raiva a quem, com trabalho, ganha.
Veremos pelo andar da carruagem e do tom dos pica-bilhetes se não vai uma varridela valente por intolerância minha de não me apetecer ler dislates e radicalismos.
Fiquei cheio da personalidade do Churchill e do Reino Unido que nas adversidades se unem e o que vale é a Pátria.
Em termos de personagens históricos, mesmo com todos os erros e defeitos que pudesse ter, ocorre-me francamente SALAZAR como um patriota e um dedicado servidor do seu País.
O resto é "comme ci comme ça", e então desde 1910 uns trapalhões.
Parabéns a RUI RIO e desejo-lhe muita sorte para enfrentar os traidores, os oportunistas e os barões do PSD.
O que interessa somos nós os Portugueses!

sábado, 13 de janeiro de 2018

A well known prayer written by a 17th century nun

I found this pasted on to the last page of one of my Mother’s old Missels and so liked it that I am sending it on to you:

“Lord, thou knowest better than I know myself that I am growing older and will some day be old.
Keep me from getting talkative, and particularly from the fatal habit of thinking I must say something on every subject and on every occasion. Release me from craving to straighten out everybody’s affairs.
Keep my mind from the recital of endless details - give me wings to get to the point.
 I ask for grace enough to listen to the tales of others’ pains. Help me to endure them with patience.
But seal my lips on my own aches and pains - they are increasing and my love of rehearsing them is becoming sweeter as the days go by.  Teach me the glorious lesson that occasionally it is possible that I may be mistaken.
Keep me reasonably sweet: I do not want to be a saint - some of them are so hard to live with - but a sour old person is one of the crowning works of the devil.
Make me thoughtful, but not moody; helpful but not bossy.
With my vast store of wisdom, it seems a pity not to use it all - but thou knowest, Lord, that I want a few friends at the end.”  

AMEN

A well known prayer written by a 17th century nun. 

importante


TANTE à la mode de BRETAGNE


TANTE à la mode de BRETAGNE

Hoje à tarde fui visitar uma Tia “tante à la mode de Bretagne” velhinha e de quem gosto muito. Está lucidíssima e vive num apartamento na Lapa excelente mantendo todo o recheio como se fosse há 50 anos. Quadros (lindos) retratos pintados da Família e fotografias em lindíssimas molduras de prata, veludos, loiças, marcadores de prata armoriados, esplendorosas cortinas de seda caindo sobre as janelas: tudo como se não fosse só ela e um criado velho também, o jacinto, que de libré me abriu a porta, ali a viverem.
Conversámos sobre tudo e verifiquei que está a par de tudo: Trump, eleições para o PSD, Costa, Jogos Olímpicos da Coreia do Sul e a possível presença da Coreia do Norte, Irão…Diz-me que assiste muito às notícias das televisões estrangeiras e às de cá selectivamente para estar informada. Lê com uma lente jornais e revistas.
Perguntou-me se eu tinha visto ontem na CNN a AMANPOUR que ela tanto aprecia como comentadora e entrevistadora e eu disse que sim.
Comentou-me a entrevista de Amanpour aos dois actores de um filme que ela não quer perder e que foi premiado em Cannes e Globos chamado “Call Me By Your Name”. As histórias de amor nunca passam de moda, como se sabe, dizia-me ela.
É uma emocionante história de amor entre Ellio e Oliver passada no norte de Itália, nos anos 80.
Tudo começa com Ellio Perlman (Timothée Chalamet) de férias com os pais na sua casa de campo no norte de Itália. No meio de uma família intelectual, os dias quentes passam-se na piscina, no piano e a passear de bicicleta com os amigos de verão. Naquela casa ouve-se francês, italiano, inglês e até alemão para discutir música, história e política, e todos estão em paz com o espírito preguiçoso do verão.
Como de costume, a família adopta um estudante estrangeiro durante seis semanas para ajudar o pai de Elio, professor de arqueologia, a fazer pesquisa académica.
Desta vez, o estudante escolhido para o estágio é Oliver (Armie Hammer), um norte-americano com uma estatura saída de um catálogo: alto, forte e confiante na sua voz possante. O que inicialmente é um conflito entre os dois rapazes aparentemente heterossexuais, vai gradualmente se transformando numa relação de cumplicidade, à medida que se conhecem. Por ser território desconhecido para ambos, a incerteza que os retém acaba por ser dominada pela inevitável atração e torna-se numa história de verão repleta de culpa, dúvida e paixão.
No meio deste ambiente descontraído desenrola-se a amizade secreta entre os protagonistas do filme, com alguns episódios eróticos e outros mais de pendor cómico. As cenas são vividas com intensidade graças à performance dos actores principais. O jovem ator Timothée Chalamet tem sido bastante aclamado nos jornais internacionais devido ao excelente papel que representa, com uma emoção e fragilidade que transcendem o grande ecrã, chegando a todos os espectadores.
Depois lanchámos optimamente, chá e scones. Sempre bebeu “ Queen’s selection” do Fortnum & Mason que manda vir quando acabam as reservas.
Tem 85 anos e não fala da morte, bem pelo contrário, das viagens que faz, da moda que veste, do carro que acabou de comprar (um Bentley magnífico) que é conduzido pelo Jacinto.
Não tem família próxima e é Senhora de um grande apelido e tem uma Quinta linda no Norte.
Tem tudo para ser feliz e é. Saí de lá a apetecer-me que ela me deixe tudo isto….ahahahahah

Crónica de muito amor


Crónica de muito amor

O João trouxe-me um Santo António pequenino de Pádua:
comoveu-me que se tivesse lembrado de mim. Na minha família não se fala de mariquices mas, de vez em quando, há gestos destes, de ternura escondida, como quem não quer a coisa. Deve-se gostar das pessoas sem lhes mostrar. Deve-se gostar das pessoas sem lhes mostrar? Pelo menos entre nós é assim: não há elogios, não há censuras, raramente há perguntas. Para quê? Há um estar ali que é já tanto. Diz-se sem as palavras e percebe-se que se diz e o que se diz porque o clima, não sei explicar de outra maneira, se torna diferente. Não falamos do que cada um faz: a gente sabe. Do que cada um sente: a gente sabe. Não se fala do sofrimento, não se fala da alegria: a gente conhece. É melhor desta forma. Uma única ocasião o meu pai fez-me uma confidência, sacudiu-a logo com a mão
- Chega
de pieguices
e alegrou-me que se penitenciasse por transgredir as regras. Não há efusões, não há gestos e, no entanto, as efusões e os gestos estão lá. Quem souber ver que veja, quem não souber é porque não pertence à tribo. Não há lamentos: porque é que hei-de lamentar a minha sorte, interrogava o grego. Não há censuras, não há críticas, salvo em ocasiões muito, mas mesmo muito, especiais. O Zé Cardoso Pires percebia isto
- Vocês estão muito ligados
disse-me um dia, e mudou logo de paleio.
- Nenhum escritor gosta de falar do que escreve
afirmava ele. E, realmente, nunca falámos um ao outro do que escrevíamos. Quase todos os dias conversávamos mas não se tocava nesse assunto. Quando muito
- Estás a trabalhar?
e acabou-se. Ou
- Não estou a trabalhar
e acabou-se. Uma tarde telefonou-me
- É para te dar os parabéns porque ganhei um prémio
desviou logo o assunto e isto é o cúmulo da amizade. Foram os parabéns que, até hoje, mais prazer me deram. Até as nossas dedicatórias mútuas eram secas: Para o António do Zé, Para o Zé do António e um rectângulo à volta, a cercar as palavras, a fechá-las lá dentro. O rectângulo, claro, era o mais importante, e o que estava naqueles quatro riscos, meu Deus. Maior elogio mútuo
- Belo livro
maior crítica mútua: silêncio dentro de um soslaio breve. Não, maior elogio:
- Posso ser amigo de um médico, de um engenheiro, de um pedreiro. Para ser amigo de um artista tenho que admirá-lo.
Passeávamos de braço dado na rua. Com o meu irmão Pedro, por exemplo, darmos o braço é fazermos chichi juntos, no escuro, junto à cascata do jardim dos meus pais, com um comentário sobre o jacto respectivo. Depois sacudirmos os pingos ao mesmo tempo porque a pila não sabe fungar. Então abotoamo-nos e cada um vai para o seu lado, em silêncio. Deve ser difícil as mulheres entenderem isto mas, para os homens, fazer chichi lado a lado, ao ar livre, é sinal de amizade, a olharmos para baixo, cheios de duplos queixos. Tanto che che che nesta frase. Fazer chichi na rua é um dos meus prazeres, devo ter sido cachorro noutra encarnação. Detesto urinóis, retretes: haverá alguma coisa que se compare à exaltação de mijar contra uma parede? Às vezes, a seguir ao jantar, digo ao Pedro
- Já mijaste?
sabendo que ele estava à minha espera para essa celebração da cumplicidade. Nem que sejam três gotas faz-se um esforço. Vemos as árvores, vemos o muro, não nos vemos um ao outro mas estamos ali. Nem quero pensar na ideia de fazer chichi sozinho. No fim pergunta-se
- Como é que estás?
sabendo que o parceiro se cala. Depois cada um no seu carro, sem mais palavras. Um atrás do outro e, a certa altura, separamo-nos, com um sentimentozito de despedida que custa. Quer dizer não custa assim tanto, custa um bocadinho e passa. Eu vou fazer redacções, ele vai fazer não sei o quê: pouco importa. Importa que durante uns momentos estivemos juntos. Agora interrompi esta crónica porque fui lá dentro espreitar o Santo António antes de lhe pôr o ponto final. Que pena um ponto final ser tão pequenino.

António Lobo Antunes ( Crónica/Visão)