domingo, 11 de setembro de 2011

resposta do meu primo Luis Bernardo


Meu Caro Manuel,

Os comportamentos, interesses e as paixões terrenas são aqui substituídos por algo indescritível que só se imagina quando se experimenta.

Lembras-te quando conversávamos sobre a morte, a vida para além dela, o que nos esperaria e como seria? Pois bem, nada do que se sabe e diz, corresponde à realidade.

Não porque se seja mal intencionado (alguns...são) e refiro-me aos diversos credos e religiões. Há um desejo, quase existencial, da procura de certezas e de visionar dentro dos limites das nossas capacidades humanas o que se vai passar depois. È natural. Mas perguntar-me-ás, para quê? Adianta alguma coisa? Se nem sequer está nas nossas mãos mudar o curso das estrelas, como queremos ou podemos modificar o futuro depois da morte?

Por isso te repito, tenta saber dividir entre o presente que vives na terra e o futuro depois da morte.

Nesse presente que também é a continuação do teu passado, deves praticar um determinado número de acções que por si próprias se justificam ou não. Nada têm a ver com castigos, punições e sofrimento no futuro ou prémios e lugares VIP!

Como é possível que pensássemos no inferno como o castigo de actos passados?

Quando se mata ou rouba ou se bate nos mais frágeis, tudo desconformidades com aquilo a que chamamos o Bem, as consequências funestas são imediatas: a morte, o vazio e a dor, que não podem ser como que “suspensas” para serem muito mais tarde reparadas num hipotético inferno. Nem em termos humanos faz sentido.

Vejo com preocupação que te afliges com facilidade sobre assuntos do presente, temendo o futuro: a pobreza, o desemprego, a escassez de bens e recursos naturais tantas vezes malbaratados, a corrupção e a ganância, a guerra e a insegurança.

Se conseguires pensar que o teu futuro e o de toda a gente é finito na terra, os teus temores diminuirão pois a noção do tempo nada é comparável com o depois da morte.

Vou tendo a noção do espaço mais do que do tempo por isso te falo de proximidade mas em termos que não te saberia explicar. Um dia perceberás.

Vai por isso libertando-te de lastro, como num balão que sobe, tenta pairar por cima das nuvens e olhar para baixo e distingue só o que é importante: o verde dos campos, as árvores, os lagos, as montanhas e os oceanos. Parece-te que vês vida e movimento mas não consegues vislumbrar ao detalhe.

É esta a distância que deves guardar dos problemas, das dores e do sofrimento.

Que grande treta essa a de que o sofrimento é bom! Para quem? Mais uma vez a benefício de uma contabilidade desconhecida no futuro? Isso faz algum sentido?

Invisto agora 5 doses de dor, amargura, abandono e sofrimento e vou ter um desconto no cômputo final de penas e castigos pelo que fiz desde que nasci até morrer!

E como defines se foi bem ou mal feito? Quem julga? Para uns é conforme à lei ou aos costumes e para outros é a personificação do Mal. Os Homens são isentos? Nunca o foram.

O Bem é o bom, o agradável, o que dá prazer, o não-sofrimento, e o Mal é todo o oposto.

É aqui que entra a noção da liberdade, ou seja a minha acaba quando começa a tua. Mas refiro-me ao BEM, não ao MAL. Liberdade dentro do Bem que praticamos entre nós.

Há formas de fruir do BEM através do bom, do agradável e do não-sofrimento com os outros e a isso se chama a Humanidade e relações inter-pessoais.

Que fique claro, tudo isto interessa somente enquanto se está vivo. Uma vez que se morre, tudo é passado e FINITO. Não transita nem cobra nada de ninguém, que disparate!

Vai pensando nisto que te digo e talvez encontres mais serenidade e menos ansiedade na tua vida.

Ao contrário do que eu pensava, mesmo que ATÉ á morte haja sofrimento, em maior ou menor escala e deves fazer todo o possível para o evitar e não capitalizar como acima te referi, a ideia do depois é a que te deve sossegar e por ela ansiar.

Gostaria a terminar de falar-te em mais detalhe de uma componente enriquecedora do sexo e que é o AMOR.

Quando existe doação e entrega mútuas e que se podem definir, em termos humanos, como AMOR, os actos mecânicos transformam-se e aproximam-se do que se encontra na vida futura.

É talvez o único traço de união, o justificativo para haver futuro para quem morre na terra.

Pensa na pequenez da terra, que já hoje pode ser entendida e verificada com os progressos enormes que os seres humanos têm feito quanto ao conhecimento e observação da astronomia e poderás ter uma reduzidíssima ideia do que é o Universo e aonde te situas.

Um afectuoso abraço do teu primo

Luis Bernardo

2 comentários:

  1. Olá Isabel,

    O Luis Bernardo tem uma informação que eu não possuo, por isso valer a pena de vez em quando consultá-lo....

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