sábado, 6 de abril de 2013

Para o Gui que está em Windhoek, na Namíbia


Comunicámos por iPhone. Era noite cá e lá e tinha acabado de chegar. Gostei que se tenha lembrado de me dar notícias logo ali, apesar de cansado por horas de viagem.

Ousei lembrar-lhe que as estrelas de África são bem diferentes das de cá.

Pedi-lhe que considerasse ser engenheiro e poeta.

Pressupõe que quando puder, se estenda cá fora do seu quarto na relva de mãos e pernas bem abertas em cruz, e em silêncio perscrute o céu.

Olhe fixo e deixe-se esmagar um pouco pelo peso do universo africano e sentirá que o invade, que o toma por completo e mexe consigo.

Deverá poder descansar o pensamento e abandonado virem-lhe à lembrança tantas coisas que têm ficado para trás, por falta de tempo e rotina.

Terá que ter cuidado com as promessas de mudança que terá a tentação de fazer a si próprio. Comece por poucas, ainda que das essenciais, pois essas têm mais valor. São mais difíceis e desculpam-se mais quando não se cumprem. Mas escolha algumas simples que dão prazer em constatar os benefícios, em sendo bem-sucedido.

Deixo-lhe a título de sugestão esta ideia que sendo aparentemente presunçosa não deixa de ser verdadeira, sobretudo se os frutos forem por si guardados ciosamente e só partilhados com quem achar que pode entender.

El pasado? Qué importa, ya que conmigo todo empieza y todo acabará. Vai em castelhano a benefício da sua amada.

Um beijo

Pai

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