sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Chamava-se Guang Xi


Ontem fui jantar com um amigo ocidental que vive em Pequim. Andámos um bom bocado a pé até ao restaurante e o malandro fez-me trotar a passadas gigantes, pois o frio apertava. Tem cerca de 2m e farta-se de fazer “jogging” em condições meteorológicas adversas.

Tinha sonhado com um bistrot de comida francesa: os meus adorados caracóis bourguignonnes, uns petits-poussins com recheio de foie-gras du Périgord dentro do sítio certo, um excelente Bordeaux e a terminar um soufflé de chocolate ou ao Grand-Marnier.


Nada disso. Não foi McDonalds ( de que confesso, gosto de ir quando me apetece e me é conveniente) mas foi a um restô sem graça.

Mas graça teve a conversa.

Juntou-se-nos uma chinesa de 23 aninhos, com uns olhos de mel, um sorriso de fazer sucumbir S.Tiago (não faço ideia porque me lembrei deste Santo) a cometer as mais torpes e agradáveis tentações que à carne são permitidas. A voz era doce e pausada e o inglês macarrónico, mas divertido.

O bicho, ou seja, o meu amigo, tem mais do dobro da idade dela, a qual me explicou ser guia de excursões à Grande Muralha da China. Estive quase para lhe dizer que era o meu sonho de sempre ir calcorrear com ela quilómetros e quilómetros de pedra inóspita ao som dos pensamentos de Confúcio ! Mas lembrei-me daquela musiquinha do Roberto Carlos que tem a ver com roubar a namoradinha do amigo meu…

Ela esteve connosco até ao meio do jantar e foi-se embora para casa…diga-se dos pais, aonde mora. Fazia-se tarde, sobretudo numa noite de -12º de frio !

Guang Xi, foi contratada pelo meu amigo inglês de uma forma tão romântica quanto um olhar pode ser relevante para um encontro amoroso.

Estendeu-lhe uma pequena brochura com os tours que organizava quando ele se cruzou com ela na Praça Tienamen. Recusou e seguiu e passados uns metros, reflectiu e olhou para trás e ela lá estava a olhar para ele !

Explicou-lhe que queria alguém que lhe fizesse companhia em Pequim, que lhe mostrasse coisas que os estrangeiros nunca vêem, não conhecem e nem entendem por não falarem mandarim.

Começou assim e ela tem sido de uma inexcedível competência e sagacidade.

Devo acrescentar que o meu amigo é casado no Reino de Sua Graciosa Majestade, mas que não deixando de gostar da legítima e de rebentos, encontrou em Pequim um aconchego de que nos falava o Eça !

Acho que só os homens podem perceber estes leitos repartidos e eu limito-me a relatar uma ínfima parte do que foi a minha interessantíssima conversa, sem fazer juízos nem emitir opiniões.

Os detalhes não foram nem sórdidos nem sexuais, era o que faltava pois ambos somos oficiais e cavalheiros, mas no longínquo Pequim com temperaturas gélidas os nossos corações estavam aquecidos por simples e pueris sentimentos, sobretudo por um bom fogo que crepitava numa lareira acolhedora !

Boa noite, pois vou dormir confortado com pensamentos elevados e um astral alto. Amanhã tenho outros assuntos igualmente relevantes com que ocupar a mente e a vontade, mas mais prosaicos.

Aventuras no Rio Yang Tsé


Fui de manhã para fora de Pequim para o interior do campo chinês.

Estava um dia lindo de sol e muito frio. Havia neve por todo o lado que cobria os telhados feios e pobres de aldeias sem interesse e nem sequer pitorescas.

De repente surge uma vereda muito verde que conduzia a um rio, o famoso Yang Tsé, que eu desci de barco há uns anos e que é uma maravilha, pois as ravinas que estão desenhadas nas aguarelas chinesas banais que retratam as suas margens, são exactamente assim. O verde pendente, as árvores frágeis recortadas e sobretudo o caudal forte e generoso que vai regando tudo por onde passa através de canais laterais sabiamente traçados há milénios.

Recordo que fiz esta viagem com um amigo que falava razoavelmente cantonês o que nessa zona equivalia a zero! Estávamos entregues à sorte e à curiosidade da aventura.

Por essa via tinha nadado o Camarada Mao com um milhão de chineses atrás dando origem à Revolução Cultural.

Num determinado ponto do rio o barco acostou e éramos suposto apanharmos um avião interno num aeroporto rústico com cadeiras de ratan, incómodas e sujas.

Os nossos companheiros de viagem marítima mal tocaram a costa, puseram-se a andar para as suas aldeias e ficámos os dois feitos que nem imbecis à espera do anúncio da partida do avião, na dita aerogare.

Deitámo-nos nos ditos móveis de ratan e de súbito ouvimos no altifalante um aviso que pareceu ao meu amigo – disse-o com um ar perfeitamente convencido – que o voo estava atrasado.

Como nada havia a fazer, deixámo-nos adormecer e quando acordámos já era noite e nem vivalma. Até os grilos falantes se calaram.

Passámos a noite meio enregelados e fazendo rondas de vigilância de pouca vantagem, pois nada seguramente se iria passar. Explorei os arredores quando havia luz e tirei uma séria de fotografias excelentes com uma máquina que tinha comprado em Macau – uma extravagância cara – pois era uma Olympus OM2, o rolls-royce da sua categoria!

Conclusão: só dois dias depois apareceu o teço-teco para nos buscar, e era esse o aviso que tinham dito ao microfone!

Voltando à vereda de hoje, fui avançando devagarinho fotografando flores ainda molhadas da neve com reflexos da luz como se fossem cristal a brilhar.

Junto à margem, estava uma menina chinesa pequena, talvez de uns 7 anos, com um ar muito carinhoso e doce e com um olhar brilhante. Um esplendor para modelo de uma fotografia. Sorri-lhe e por gestos pedi-lhe se podia fotografá-la a que acedeu.

A cara tinha umas feições muito correctas, mas estava um pouco desgrenhada e suja. Tirei umas placas de lado recortando o perfil que era muito assimétrico e bem equilibrado.

Depois mandei-a voltar o pescoço para mim com o corpo para a frente. Isto exigiu que esticasse o porte e saiu soberba: um olhar fixo em mim, mas com senhoria e humildade.

Tirei-lhe mais umas fotografias às mãos, alvas e bem mantidas e fi-la agarrar as flores de um choupo….Renoir, ou Monet!

Voltei apressado a juntar-me aos meus companheiros de empresa que me consideram um bem humorado e um pouco excêntrico, o que não é senão a pura das verdades.

Peguei numa nota de 100 yuan e enrolei-a devagarinho na mão dela como se estivesse a fazer uma carícia e vi que ela me seguiu com o olhar…

Regressei de imediato ao puro e duro mundo dos negócios e dirigimo-nos para um restaurante local.

olho de peixe ao vapor em Beijing


Acabado de chegar ao Aeroporto de Beijing e já cá fora da zona de passageiros, esperava pacientemente que o motorista da empresa e um dos quadros chegasse para me buscar e levar para o hotel.

Apesar de ser Domingo, havia bastante movimento e de todos os destinos chegavam familiares que vinham para o Ano Novo Chinês e eram recebidos por residentes.

Uma Mãe dos seus 50 anos, a cujo encontro foi um filho e uma pretensa nora: um abraço apertado encostando as caras um ao outro, um brilho rápido de alegria nos olhos do filho e um cumprimento correcto e um pouco formal da rapariga.

Um namorado fardado de militar, com cerca de 25 anos e uma namorada a chegar: um sorriso e um pegar nas malas e ajudá-la a transportá-las.

Quando vivi e trabalhei em Hong Kong e Macau, constatei que os chineses não são de beijos. Estes dois casos confirmaram uma secura ancestral: mesmo a pele é seca e nada oleosa ou com o brilho ocidental ou africano, os cabelos são finos e ralos e não têm pêlos em sítio nenhum!

Mesmo as “estudantes” que na rua me abordam, perguntando se quero ir beber um café, sendo novinhas têm pouca sensualidade, acho eu! Ele há de tudo, convenhamos!

Uma delas a quem perguntei quanto me custaria o café respondeu que dependia e eu respondi-lhe que nunca tinha pago cafés! Riu-se e com um ar malandro, disse-me de caras que era para o hotel que queria ir comigo, mas que não levava nada!

E é isto a China que avança em passos curtos: proibindo o acesso ao facebook, que não me faz falta nenhuma para dizer a verdade pois tenho dias cansativos e compridos, mas irrita a proibição! Claro que o Google tem velocidades lentas como retaliação da sua saída da China, não tenho acesso a páginas da internet que possam levar a sites de livre acesso, etc

As avenidas são gigantes, como se sabe, e está um frio de rachar: hoje fez -10ºC quando voltei a pé para o hotel depois de um jantar com uns amigos americanos num restaurante de “grill e charcoal”, para variar. Ando de gorro o que me dá um ar de uma farta cabeleira por debaixo…não sei se não vou adaptar aí no Ocidente: compro aqui barato, de várias cores para dar com os trajes que vista a cada dia!

Os pequineses que conheço profissionalmente e são de várias idades desde os de 23 a 50 anos, são incapazes de me levar a restaurantes “in” ou que façam sucesso: não estão nem aí – não sabem, pura e simplesmente! Sempre comida chinesa o que torna o hábito cansativo, por muito que os menus sejam “exquisite” e excelentes.

Ontem num jantar requintado, com um Vice-presidente da empresa, foi sopa de cobra, língua de caimão, peixe no vapor tendo o meu anfitrião servido o olho a mim, como prova de grande consideração…tive uma pequena indisposição, passageira quando pensei em esparguete com cabeça de chicharro…e devo confessar que o petisco era bom.

Cuidado pois, passei a apreciador de órgãos humanos! Blrrrrrrrr

Amanhã vos contarei mais peripécias!

No avião para Pequim


No avião para Pequim, sentou-se ao meu lado um francês. Durante a primeira meia-hora, cada um entreteve-se em silêncio. Eu pus em dia a leitura dos jornais económicos e do Expresso e ele esteve a jogar no iPad.

Reparei que olhava intrigado para o meu lado varias vezes e sobretudo para os jornais que eu estava a ler.

Às tantas perguntou-me se eu falava francês e eu respondi-lhe que sim. Fez um ar mais prazenteiro. Veio a pergunta que tinha adivinhado: em que língua estava eu a ler os jornais?

Disse-lhe que era em português.

Era bem educado e muito civilizado e começámos a conversar. Gabou o meu francês, com especial ênfase para a pronuncia e eu disse-lhe que em minha casa, em pequenos tínhamos tido uma nany inglesa e uma professora de francês.

Perguntei-lhe em que se ocupava e contou-me a sua vida fascinante que vos passo a descrever:

- era filósofo, chercheur que eu traduzo por pesquisador, especialista da civilização khmere, historiador, director da Escola Francesa do Extremo-Oriente, etc.

- eram-lhe mais familiares os mosteiros do Cambodja do que as administrações de empresas.

- teve um avô que fez viagens em missões culturais ao Tibete, tornando-se depois professor de tibetano e de filologia tibetana na Escola de Altos Estudos em Paris.

- aos 5 anos levavam-no a visitar as vitrinas das salas aonde se encontravam cálices cavados em tíbias e cortes de crânios humanos. Ele confessou-me que ficava fascinado e ao mesmo tempo sentia uma espécie de atracção e repulsa. Muito inquietante!

- tudo isto o marcou. Ao interromper a tese de filosofia que não progredia, procurou uma outra actividade. O departamento de línguas para a Ásia Oriental, acolhia inscrições para chinês e japonês mas havia muitos inscritos e poucas vagas. Não havia ninguém para o cambojano!

- inscreveu-se e começou a aprender, mas com todas as dificuldades inerentes. O país estava totalmente fechado ao mundo exterior e nas mãos dos
Vietnamitas. Aprendeu assim a falar de uma maneira livresca....comentou-me com muita humildade.

- no fim de contas disse-me que sabia dizer " gostaria de consumir uma sopa" e não "quero comer uma sopa", como seria o correcto!

-obteve uma licenciatura em cambojano ao fim de 10 anos e quis ter um mestrado e assim partiu para a Tailândia para os campos dos khmer vermelhos.

- quando anos mais tarde começou o degelo da Indochina comunista, foi contratado para duas missões no Cambodja - organizar um programa de pesquisas, e da conservação de manuscritos e abrir um liceu francês no Cambodja.

- o seu interlocutor era o Governo do Cambodja posto pelo Vietname. Em Phnom Penh o Ministro da Cultura deu-lhe um pavilhão no interior do pagode de Prata, num recinto a que chamavam " o museu do ex-palácio real e do feudalismo"!

- ele tinha as chaves do Palácio Real! Durante anos foi o único ocupante. Uma espécie de castelo abandonado com ervas altas por todo o lado.

- com o regresso do Rei Sihanouk ao poder em 1991, permitiu-lhe lá manter-se e encarregou-o da manutenção e da conservação dos manuscritos preciosos.

- dizia- se em ar de graça, contou-me ele, que o país estava dividido em três tipos de zonas: as minadas, as provavelmente minadas e as provavelmente não minadas! Quando mandava uma carta para Bangkok acabava por passar por Moscovo para controlo politico! O regime comunista instalado pelos Vietnamitas era absurdo no seu conjunto, mas mesmo assim nada se comparava ao KGB.

- o seu trabalho era o de recuperar os manuscritos preciosos sobre a historia do Cambodja. Não havia informações sobre as destruições selvagens. Visitou os mosteiros de Phnom Penh. Os monumentos de Angkor tinham sofrido pouco por parte dos khmer vermelhos e da ocupação vietnamita, mas os manuscritos tinham sido destruídos em proporções extraordinárias, em cerca de 98%. Com isto não só a memória como a cultura tinham desaparecido.

- o Cambodja é um pais bastante curioso, comentou-me, pois conta monumentos dos séculos VIII ou IX e também dos séculos XVIII e XIX. A única coisa que ligava o Cambodja antigo ao moderno eram os documentos - a maior parte religiosos - copiados e recopiados durante séculos, conservando-se nas bibliotecas dos pagodes.

- durante vinte anos , localizou, restaurou, registou, micro filmou cerca de 160.000 fichas, numerou-as e conseguiu reconstituir uma imagem bastante plausível da literatura do Cambodja.

- num estado de desorganização politica e económica desde o século XIV, o Cambodja, contrariamente à Tailândia, Birmânia ou Ceilão, nunca teve um poder central que impusesse regras jurídicas fixas. É assim um repositório magnifico de tradições, que continuam bem vivas ainda, acrescentou.

- em Paris, disse-me, encontram-se no museu da Arte Oriental, peças excepcionais, tais como as jogadoras de pólo, objectos funerários Tang de uma enorme sensibilidade - uma estátua com uma expressão muito doce da colecção Khmer, uma representação genuína da serenidade, concluiu.

Entretanto, ia escrevendo tudo isto no meu iPad, e o sono chegou para ambos.....

Combinei escrever-lhe e quem sabe, um dia destes, partir com ele e um grupo de amigos interessados na descoberta de um outro Cambodja!

Entretanto, este foi só o relato da viagem do avião....parece-me que ao sobrevoar a China novas descrições podem surgir, e eu escrevo sempre a comentar as minhas viagens.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Um novo olhar sobre a China



The Quattrocento refers to the 15th century Italian Renaissance; ershi yi shiji - 21st century in Mandarin - can be used as a reference to the current Chinese renaissance and the way it is changing our world.

Arguably the most significant process of our time, China's renaissance is composed of three interrelated elements: economic re-emergence, socio-political transformation and intellectual reinterpretation of the Chinese tradition.

After last month's 17th National Congress of the Chinese Communist Party, and before the 2008 Beijing Olympics and the 2010 Shanghai World Expo, not one single day goes by without news, debates and comments on China; confronting such a profusion, one risks taking short-term variations or trivial fluctuations for long-term tendencies and losing any sense of pattern.

One question can help us focus on what really matters: Are Westerners ready to adjust to the effects of the Chinese renaissance? In other words, is the West prepared for a century with Chinese characteristics; is it ready for the ershi yi shiji?

Understanding the China factor

Fourteen years after the collapse of the Qing Dynasty (1644-1911), the writer Lu Xun was asking in his essays: "When are we going to stop bringing new bricks to the Great Wall?" A defensive construction built and consolidated through the centuries to protect the empire from the invasions of the nomads, the Great Wall could also be seen as the symbol of an immured Chinese mind. In 1949, China fully recovered its sovereignty; in 1978, Beijing adopted the opening-up policy - today, the Great Wall is a tourist attraction.

In a process of unprecedented magnitude, one-fifth of mankind, different from the mainstream (the West), is entering the world stage. While Western scientific and economic modernity will continue to have influence on China - Beijing's overall strategic goal is modernization - the Chinese world will have considerable quantitative and qualitative impact on the global village.

Americanization was a distinctive feature of the 20th century; the 21st-century global citizen's identity will have Chinese characteristics. The West, on the rise since the 15th century and which, through its American version, still dominates world affairs, will have difficulty conceiving and accepting that it will not anymore unilaterally dictate the global agenda; that it will have to adjust.

To look at China without passion requires constant intellectual vigilance. One has to avoid the idealizations of the Sinophobe or the demonization of the Sinophobe.

True, the People's Republic of China is a developing country that is, as such, facing considerable challenges. If one focuses exclusively on what has yet to be done to catch up with the developed world or on the various visible signs of Westernization within China, the idea of serious Chinese influence on the global village can appear illusory.

However, if one considers the scope of post-imperial China's metamorphosis (the collapse of the Roman Empire in the 5th century was followed by at least 300 years of disorder in western Europe), the speed of its transformation since 1978, while keeping in mind the Chinese empire's past cultural, economic and political centrality in Asia, the question of the Sinicization of the world makes sense.

The presupposition of the "China threat" leitmotiv is precisely China's capacity to influence on a massive scale our world system, but it also assumes that this impact will be negative. Between two extremes, "China fever" and "China threat", the analyst should stay rationally within the limits of what can be called the "China factor": China's opening-up means, to a certain extent, Sinicization of the world, a process that has to be integrated and explained and not adored or condemned a priori.

Modernization does not mean cultural alienation

But how could the global citizen be in any way Sinicized if tomorrow's China is radically westernized?

Looking at the young people in Dalian, Beijing, Shanghai, Shenzhen or Chongqing, it seems that Westernization is China's future. It gives Chinese students "face" to speak some English - more "face" if it is American English. On campus they practice sports popular in the west, and after graduation they would opt preferably for a career in a joint venture where the corporate culture is supposed to be Western - and the pay higher!

But it is necessary to put these trends into historical perspective. In China, snapshots can be misleading. One has to integrate different "clocks" and be attentive, behind shorter developments or even ephemeral fashions, to very slow movements, what Fernand Braudel called the longue durée.

Past interactions between China and what was foreign to it show the unique resilience of Chinese civilization. It has the ability to change without losing itself; it could even be defined by this singular capacity of renewal.

The Yuan Dynasty (1277-1367) and the Qing Dynasty (1644-1911) were established respectively by Mongols and Manchus. However, the only way for the "barbarians" - non-Han - to rule the empire was to adopt elements of the Chinese tradition. Immutable China is a myth - the long history of China is a succession of clearly distinct periods - but absolute discontinuity from one time to another is also a narrative.

Buddhism and Christianity have also been testing Chinese civilization's capacity to absorb exogenous elements. Entering under the Han Dynasty (Eastern Han, AD 25-220), Buddhism penetrated deeply into the Chinese world under the Tang Dynasty (618-907); but this penetration has seen the transformation of original Buddhism to fit Chinese philosophical and linguistic context.

In the age of European expansion, Christian missionaries spared no effort to convert Chinese people. The Jesuits' approach initiated by Matteo Ricci (1552-1610) was to engage as much as possible with China's elites; no one has ever understood the Chinese world better than the Sinologists of the Company of Jesus, but genuine European intellectual excellence failed to change radically the Chinese mind. How can one seriously believe that current superficial material Westernization in China - related to food or clothes, the introduction of managerial skills, the instrumental use of English, etc - is going to affect essentially Chinese culture?

China's technical and economic modernization does not mean cultural alienation. China is once again translating into its own context foreign practices and theories. Democratization might be unavoidable for the Chinese world - in fact, the process has already begun - but it will be a democratization with high Chinese characteristics, a very fortunate process indeed. One should remember the words of Alexis de Tocqueville (1805-1859) in Democracy in America: "I am well aware of the influence which the nature of a country and its political precedents exercise upon a constitution; and I should regard it as a great misfortune for mankind if liberty were to exist all over the world under the same forms."

Some external forms of the translation process can be a surprising accumulation of heterogeneous pieces. Look at a Sichuan-cuisine restaurant with Rococo furniture or at a Shanghai middle-class home where reproductions of European impressionists co-exist on the same wall with Chinese calligraphy. The sociologist observing China's mega society can interpret these unusual combinations as parts of a gigantic assimilation. One can also enjoy completed translations where the "original" fits perfectly into the evolving Chinese context; it is often the case in architecture, in urbanism or in design.

The resilience of Chinese culture cannot be separated from China's demographic vitality; they reinforce each other in what constitutes a virtuous circle. The very fact that China is the most populous country in the world is highly significant.

In the global community, fundamentally optimistic and life-oriented China will interact with various Western forms of nihilism; the culture of life and happiness will quietly prevail.

China and globalization

China absorbs, translates and regenerates itself vigorously. In 2005, Chinese people from Singapore to Beijing celebrated the 600th anniversary of the navigator Zheng He's (1371-1433) first voyage. These celebrations of the Ming Dynasty explorer, Asia's Christopher Columbus, were also indicative of China's current mindset: Chinese people can also be extrovert and do not intend to witness passively, beyond the Great Wall, the reconfiguration of the world.

Forty one years after the beginning of the Cultural Revolution nightmare, 29 years after Deng Xiaoping's decision to reform and to open the People's Republic, Chinese people are embarking on their "age of discovery".

In 2004, Parisians looked at a red Eiffel Tower in honour of Chinese President Hu Jintao's visit, which coincided with the "Year of China in France". The event "China in London 2006" was the largest celebration of Chinese culture ever seen in the British capital. In 2007, Russia welcomed its "Year of China". French journalist Erik Izraelewicz wrote a book whose title is When China Changes the World (Quand la Chine change le monde, 2005). China is succeeding in having non-Chinese framing the debate in a way that is advantageous to it.

Already 30 million non-Chinese are learning Mandarin. Beijing has opened Confucius Institutes (following the example of the Alliance Francaise, Goethe Institute or British Council) both to teach Chinese and to explain Chinese culture throughout the world. Chinese is already the second language on the Internet, with more than 100 million Chinese netizens. The Office of Chinese Language Council International (OCLCI) estimates that by 2010 100 million foreigners will learn Mandarin. In the science-fiction series Firefly, the characters use English and Chinese.

The Chinese central government also took the initiative to bring traditional Chinese medicine to the world. The first center will be in Bonn, Germany, and it will be followed by many more in Europe.

A global audience greets Chinese artists. Movie director Zhang Yimou (but also Taiwan's Lee Ang or Hong Kong's Wong Kar Wai ), composer Tan Dun, cellist Yoyo Ma, creator Cai Guoqiang and Nobel Prize winner Gao Xingjian are internationally acclaimed for their talent and creativity. Gong Li, Zhang Ziyi and Maggie Cheung have penetrated European or American imagination. Chinese design is enriching fashion. The idea behind Shanghai Tang, founded by Hong Kong businessman David Tang Wing-Cheung, is to "create the first global Chinese lifestyle brand by revitalizing Chinese designs". Many more will follow.

Chinese brands such as Lenovo, TCL, Haier, Huawei and ZTE are largely recognized worldwide. In the 2004-05 academic year, China sent more than 115,000 students abroad (62,000 to the United States). The World Tourism Organization predicts that by 2020, 100 million Chinese tourists will travel the world: the global tourism industry will have to adapt to Chinese characteristics.

China's direct investment overseas is rising rapidly. By the end of 2006, China made $75 billion direct investment in more than 160 countries. The 2008 Beijing Summer Olympics and the 2010 Shanghai World Expo will reinforce this momentum.

Almost exactly 100 years after of the end of the Qing Dynasty (1911), China will be once again at the centre of Asia, and in a position to challenge US unilateral domination over a world system in search of equilibrium.

The Chinese world is not only made up of the 22 provinces, five autonomous regions, four municipalities, two special administrative regions (Hong Kong and Macau) of the People's Republic of China, Taiwan and the highly Sinicized Singapore, but also includes in its largest extension a Chinese diaspora active worldwide.

This Diaspora - estimated at 50 million people - is not just about Chinese restaurants (although food and cooking are key elements of culture) or Chinatowns (perfect examples of Chinese cultural resilience far away from the Yellow River or the Yangtze); the notion of Chinese Diaspora indicates that China is not only a political entity related to a territory but, above all, a cultural expression already having global reach. Those who know Mandarin and, more importantly, written Chinese, those who can play by the codes of the Chinese culture, have, in fact, access to a network whose main hubs are in the Mainland and at its periphery but which is certainly not limited by traditional borders. The "sinosphere" is not only a transnational domain ideally structured to benefit from "a flat world" but also an accelerator of globalization.

Co-architect of the 21st-century new world order?

For the West, adjustment to China's renaissance requires modesty and intellectual curiosity. Are Westerners ready to learn from the Chinese civilization as Chinese people are ready to learn from the West? This is the precondition of a genuinely cooperative relationship. Seriously engaging China is to accept the very possibility of Sinicization.

The West, in a position of scientific and economic superiority since the industrial revolution, is used to treating China as a product of orientalism. For the majority of Westerners, China is either a museum - hence the surprise of many foreigners in China: "I was expecting something else!" - or a classroom: one has to lecture Chinese people on more advanced standards. The West has to reflect on these prejudices and to look at China as a living matrix of a civilization that is already reshaping our time.

If China proves to be an integrating factor in a world plagued by morally unacceptable, exclusive globalization, if China proves to be a laboratory where cultures can cross-fertilize in a world threatened by tensions between civilizations, one should rejoice to find a co-architect of the 21st-century new world order and to live at the very beginning of the ershi yi shiji.

by David Gosset - Rector of the CEIB'S (University in Shanghai for top Chinese students willing to work in the West and sponsored by the EU)

Teste de velocidade do TGV desastroso



O primeiro teste de velocidade do TGV na estação do Rossio, revelou-se desastroso! O TGV vinha a alta velocidade desde a estação de Campolide e não conseguiu travar!

O Governo deve tomar atenção, não vá também não conseguir travar....

Be a Gentleman


Moderation, decorum, and neatness, distinguish the gentleman; he is at all times affable, diffident, and studious to please.

Intelligent and polite, his behaviour is pleasant and graceful. When he enters the dwelling of an inferior, he endeavours to hide, if possible, the difference between their ranks in life; ever willing to assist those around him, he is neither unkind, haughty, nor overbearing.

In the mansions of the rich, the correctness of his mind induces him to bend to etiquette, but not to stoop to adulation; correct principle cautions him to avoid the gaming-table, inebriety, or any other foible that could occasion him self-reproach.

Pleased with the pleasures of reflection, he rejoices to see the gaieties of society, and is fastidious upon no point of little import.

Appear only to be a gentleman, and its shadow will bring upon you contempt:

Be a gentleman, and its honours will remain ever: after you are dead.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Colecção particular (4)

Colecção particular (3)




Colecção particular (2)

Colecção particular (1)


Inicio hoje a publicação de uma extraordinária colecção dos carros particulares.

pequenas alegrias


Muitas pessoas perdem as pequenas alegrias enquanto aguardam a grande felicidade.

Depois das Festas Felizes....



Agora que chegámos quase ao fim das festas é altura de pensarmos em "emagrecer" as despesas desnecessárias e encarar um ano de dificuldades.

Tantas vezes a renúncia fortalece a vontade e torna as comunidades mais unidas pela solidariedade.

Quer queiramos quer não, há que aforrar e saber parar a tempo pois como nesta barriga excessiva a cujo dono soube bem comer até encher, logo se verão os efeitos nocivos a posteriori que são sempre fatais!

Dois corpos, a mesma cabeça



É como às vezes nos sentimos...

sábado, 31 de dezembro de 2011

Memórias dos meus Natais (fecho do ciclo)


Num destes jantares em casa do meu Avô paterno, estava eu uma noite muito atento à conversa entre os crescidos.

Um dos meus Tios, irmão do meu Avô, vaidoso e convencido, mostrava um relógio Patek Philippe de bolso, com a particularidade de estar dentro de uma cápsula de ouro e esmalte que se abria para os dois lados para ver as horas no mostrador que surgia. Invulgar, pelo menos! E acrescentava que tinha sido a primeira pessoa a ter trazido para Portugal, este modelo da África do Sul, aonde tinha estado em viagem de serviço como comandante do navio hidrográfico.

Ficámos todos encantados pela peça que era fora de comum e eu estranhei ver o meu Avô silencioso, sem ter feito nenhum comentário. Perguntei-lhe porquê. Respondeu-me que o Tio Luis se esquecia que ele tinha estado em África muito antes do que ele e que tinha na altura comprado também um relógio igual, que ele tinha visto, gostado e por isso o tinha adquirido mais tarde.

E acrescentou:

- Sabes, às vezes pode parecer difícil ficarmos calados quando ou temos razão ou conhecemos os factos por dentro ou pior ainda, já os vivemos, experimentámos e sobre eles tivemos o mesmo entusiasmo de novidade que os mais novos sentem quando deles falam como se fossem os detentores da verdade!

Hoje em dia, lembro-me tantas vezes deste pequeno episódio que me marcou para sempre, mesmo. Umas vezes não resisto e intervenho mas na maioria dos casos, pareço absorto e ausente mas acompanho tudo o que dizem, que comentam tantas vezes sem ponderação ou conhecimento de todos os factos ou com uma visão parcial – mas sempre com ares categóricos e sem deixar margem para discussão!

Se quiser ser verdadeiro, acho que também fiz isto com os meus Pais e com uma miríade de gente! Hoje menos...ahahaah

Trouxe este pequeno apontamento para fecho deste ciclo das Memórias dos meus Natais, porque o argumento de que a experiência é um factor determinante para a razão, nem sempre é verdadeiro ou porque se teve “wrong experiences” ou porque os “experientes” podem ser uns chatos e cortar a espontaneidade dos mais novos ao direito de errar e de aprender com o tempo, também.

Acho que serei um eterno menino pequeno, por isso hoje num acto de puro narcisismo pus este meu retrato do tempo em que sabia de tudo!

MNA

Partida para o Brasil



No Ano Novo que se perspectiva, espero cumprir o planeado durante 2011: mudar-me para o Brasil e não foi o Senhor Primeiro Ministro que me empurrou para fóra!

Antes de partir, porém, reunirei TODOS os meus AMIGOS numa enorme confraternização, num novo espaço para eventos chamado Arca de Noé!

Trata-se de um conceito inovador de convivência pois podem estar simultaneamente – amigos e inimigos – meus, uns dos outros, entre si, enfim todas as combinações são possíveis.

Á entrado é-se borrifado com uma fina película transparente que nos torna invisíveis para os indesejáveis, chatos, cravas, políticos crápulas, mulheres e homens mal cheirosos por dentro, sem coração, prepotentes, convencidos e mediante o preenchimento prévio de um questionário on-line, é servido a cada um, uma magnífica ementa que previamente escolheram.

Torna-se assim o sítio ideal para um grande get together.

O preço é muito vantajoso, pois o cálculo é baseado nos rendimentos de cada um, mas só os declarados, por isso mesmo os que fogem ao fisco estão protegidos!

Aliás, nos tempos que correm, a maioria ou tem baixos rendimentos ou mesmo quase nenhuns, de forma que o repasto sai quase de borla!

Aceito presentes para levar de viagem, do tipo lingotes de ouro, moeda estrangeira – tudo menos Euros – e em parceria com instituições bancárias conhecidas, o vosso capital será tranquilamente transportado para fora do país e neles depositado, cobrando eu uma simbólica comissão!

Até lá e bom ano de 2012.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Memórias dos meus Natais (parte 4)



O meu Bisavô materno tirou o Curso Superior do Comércio, equivalente nessa altura a uma licenciatura em gestão financeira e foi Presidente da Junta de Crédito Público, tendo ocupado também outras altas funções no Estado, sempre dentro deste âmbito profissional. Foi colega do Alfredo da Silva com quem travou forte amizade.

Com cerca de 18 anos e depois de terminados os estudos secundários no Colégio de Campolide, (o meu Bisavô falou com o Alfredo da Silva para arranjar um emprego) e o meu Avô foi estagiar para a Casa Bancária José Henriques Totta, aonde percorreu todas os sectores da banca, criando uma sólida formação comercial e contabilística.

Quando casou com a minha Avó, ainda bem novo, foi desafiado pelo sogro e meu outro Bisavô para o ir ajudar na gestão da Editora Romano Torres, já na família há muitas gerações.

O Avô adorava livros, trazia conhecimentos actualizados e úteis, e por isso nem hesitou. Mais tarde com o seu irmão mais velho e meu Tio-Avô, desempenhou funções de Administrador não executivo em variadíssimas empresas aonde esse meu Tio era Presidente e a nossa família, proprietária ou grande accionista.

Não sei se o Avô teria tido uma actividade profissional mais interessante se tivesse seguido a carreira bancária, mas não se arrependeu da que escolheu pois dizia que não havia melhor do que se trabalhar no que era dele e foram realmente muito bem sucedidos, com uma elevada qualidade de vida e de que todos beneficiaram e ainda bem.

Na sua vida de solteiro, a maioria dos rapazes com meios e de boa sociedade, tinham hábitos de grande pândega, sobretudo nocturna.

Era uma vida com dois tipos de comportamento :

o primeiro, o oficial e familiar com um enorme respeito pelos Pais e Avós e pela severidade formal de que se revestiam as relações :

- a vida doméstica tinha horários estritos e presença obrigatória nas demoradas refeições em grandes casas servidas por criados e criadas e nas quais deviam estar sempre bem vestidos e impecavelmente apresentados ;

- não podiam, em princípio, eximir-se ao cumprimento de todos os hábitos religiosos que o seu estatuto social lhe impunha;

- as Mães e Avós eram muito devotas (dependendo o exagero de caso para caso, e no seu, apesar de muito rígida, a minha Bisavó era terna e gostando muito dos filhos) e os Pais um pouco distantes, mas zelando pelo equilíbrio social e pelas tradições familiares, sem que pudessem causar escândalo.

o segundo, aliás transversal a Avós, Pais e Filhos (quando aplicável), era o de uma vida secreta, confidencial e zelosamente guardada cumplicemente entre todos e só partilhada entre cada nível geracional.

Sabia-se que os « Cavalheiros » e disso se conversava detalhadamente com peripécias e gozo nos seus Clubes, faziam grandes vidas de lazer, com prazeres ocultos e práticas sensuais, mas normalmente sempre a horas que não prejudicassem, aos casados, o cumprimento dos seus deveres conjugais….

Jantava-se pelas seis horas da tarde! Dava tempo de sobra para voltar depois da refeição ao escritório para fazer horas extraordinárias tardias, ou ao consultório a atender pacientes urgentes e por aí a fora…

As Senhoras casadas, sobretudo as mais desprezadas e por isso mais directamente infelizes ou as noivas desvalidas desconfiavam de toda essa vida brejeira e desregrada e como em tudo, não só acabavam por ser « apanhados » noivos, namorados, maridos e até « castas esposas » em flagrante delito, situações estas que redundavam sempre em separações, abandono das casas familiares ou rompimento de noivados.

O « sport » era uma ocupação dos « dandy » e da juventude bem educada desses tempos, e no seu caso e dos seus 2 irmãos, escolheram a esgrima aonde foram sempre muito bem conceituados : os meus Tios-Avós foram várias vezes campeões de Portugal e brilharam no estrangeiro, bem como vencendo inúmeros torneios que se disputavam entre os Clubes privados do país.

Atiravam na Sala d’Armas do Professor Carlos Gonçalves, uma das melhores e mais bem frequentadas de Lisboa, sendo ele um insigne mestre com fama internacional. Foi com ele que teve lugar um dos últimos duelos à espada em Portugal.

Tinham como Amigos e parceiros de esgrima o Conde de Lavradio, o Henrique MacBride, e os membros de uma equipe que mais tarde ganhou uma medalha de bronze nas Olimpíadas de Amsterdão em 1928 formada pelo Mário de Noronha, filho do escritor Eduardo de Noronha, Paulo d’Eça Leal, Jorge de Paiva, João Sassetti, Henrique da Silveira e dávam-se também com o Ruy Mayer, o António Mascarenhas e Menezes, o António Pinto Leite e tantos outros que tornavam esta prática num verdadeiro prazer entre amigos.

* a primeira fotografia é a do meu Trisavô com o meu Avô, que o adorava, em Paris no aeroporto de "Le Bourget".

(continua)

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Memórias dos meus Natais (parte 3)




Este é o Avô que eu admirava tanto, com todas as suas virtudes e com os seus defeitos.

Este Avô com olhar de menino, sempre inteligente e atento, mostrando um caminho engraçado de vida, mestre contador de histórias com tantas memórias de um passado variado e oriundo dos quatro cantos do mundo, incutiu na minha vida muitas esperanças, certezas e confiança.

Este Avô alegre e brincalhão, mas também, às vezes, silencioso e pensativo, homem de grande luta e cultura intelectual, sensível e generoso foi uma referência para mim.

Os seus braços aconchegadores que sempre me acolheram, este bom Avô, tinha um grande coração.

A Avó, tão cúmplice e tão admirativa dele, mas com a sua personalidade própria e apesar de condescendente em relação aos seus hábitos sensuais da época, digamos assim, foi uma Mulher extraordinária e muito para além dos costumes do seu tempo, pois jogava golf, ténis, ping-pong, bridge, nadava connosco até fora–de-pé na praia do Monte Estoril, bebia cerveja, montava a cavalo, tendo também desempenhado com brilho e público reconhecimento cargos de direcção na Cruz Vermelha e em outros serviços à comunidade.

Factos: Celorico da Beira, Casa do Paço.

Pormenor: bengala com um aro de prata por mim comprada no “Pinheiro das quinquilharias” em Celorico. Vendia de tudo, era como os “shopping” de hoje….ainda a tenho, claro, e custou-me 50 escudos nessa altura, o equivalente a duas mesadas completas que paguei honradamente a prestações. O Avô, visitava as propriedades de bengala – a dele - não porque precisasse, mas para comodidade e talvez para se encostar de perna traçada quando estivesse cansado.

Cena: jantar de um dia normal na Casa do Paço com os meus Avós e uns primos de Celorico de que nós tanto gostávamos e ainda hoje gostamos dos seus descendentes.

Caldo verde com couves e azeite da Quinta do Tólfão, pão triga-milho, queijo da serra genuíno feito pelos caseiros, cabrito excelente, leite-de-creme inolvidável, tudo acompanhado por tinto da Quinta e o primo narra:

- hoje aqui na Vila não se fala de outra coisa senão do neto do Senhor Engenheiro, tão novinho, mas já de bengala. Ó Manuel, porque andas tu de bengala?

Fiquei encarnado da cor de tomate e engasguei-me. O Avô disse que eu tinha caído num penhasco quando passeávamos no Castelo e que me tinha comprado uma bengala enquanto o “torcegão” doesse!

A conversa seguiu e mudou de curso mas a Roza que servia à mesa, não descansou enquanto do outro lado não me encarou de frente e abriu um grande sorriso cúmplice, desdentado e silencioso!

No fim do jantar, o Avô bebia sempre um porto, tendo antes tomado um whisky, coisa que danava a Avò, mas a que ele nem se dignava replicar e ao pedir-me para o preparar foi comigo até à garrafeira e fez-me uma festa demorada na cabeça!

Eu gostava imenso do meu Avô e nunca mais me esqueci e lá tenho a bengala bem guardada!

Um dia, quando precisar de descansar os meus ossos ruins, é a esta bengala virtuosa que me vou amparar.

(continua)

Acordos com o tempo



Fazem-se acordos de coexistência pacífica com o tempo: nem ele nos persegue, nem nós fujimos dele, um dia encontramo-nos.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Memórias dos meus Natais (parte 2)


O meu Avô paterno, que era o mais velho da Família, foi durante 50 anos o Engenheiro que se formou com a classificação mais alta em Portugal (20 valores). Tinha várias especialidades nos cursos que fez, desde engenharia Civil e Industrial, Hidráulica (foi o Presidente de todas as barragens portuguesas) Mecânica e várias outras vertentes. Foi Inspector Superior das Obras Públicas mas basta de explanar o curriculum, pois é muito vasto, rico e honroso nos postos de topo que ocupou na Administração Pública, servindo o seu País.

Foi muito cedo para Moçambique aonde com 28 anos foi Presidente dos Portos e dos Caminhos de Ferro bem como Administrador dos Cimentos de Moçambique da família Sommer.

O seu Pai e meu Bisavô veio da Índia como Presidente do Tribunal da Relação ocupar o segundo posto hierárquico do Estado, o de Presidente do Supremo Tribunal de Justiça.

Narro tudo isto para tentar definir os contornos da personalidade do meu Avô paterno. Era indubitavelmente inteligente, culto e letrado, muito aberto e desempoeirado de ideias, monárquico, corajoso na defesa dos seus direitos e convicções e muito humano, mas sem “papas na língua”!

Foi convidado várias vezes para Ministro das Obras Públicas mas dizia sempre que na nossa Família não havia “cangas”!

Não foi um político e preferiu ser um excelente e reconhecido profissional, com liberdade para fazer o que queria! A sua proficiência criava-lhe a autoridade para dirigir grandes empresas do Estado, fazer estudos científicos ( as cheias do Tejo, tendo ganho um prémio internacional), e possuía uma segurança no que dizia ou fazia que perdurava para além do servilismo político. Recebeu apesar disso inúmeras e importantes condecorações pelos serviços prestados.

Tanto ele como o meu Tio Luis, bem como o terceiro Tio de que falei anteriormente e que morreu muito novo nasceram na Índia Portuguesa e aí foram educados. Tendo o meu Bisavô atingido o topo da carreira da Magistratura (como referi acima foi Presidente do STJ) este meu Tio morreu sendo Delegado do Procurador da Corôa em Bardez na Índia Portuguesa. Junto o retrato de ambos, pois é uma engraçada coincidência!

Do património herdado aqui na Metrópole o meu Avô ficou com as casas e quintas em Celorico da Beira e o Tio Luis com a magnífica moradia na avenida do parque do casino do Estoril, a última antes das Arcadas de quem desce em direcção ao mar. Infelizmente hoje já não existe nenhuma nessa avenida!

O Avô sempre que podia raspava-se para a Quinta e ia de carro num Dodge gigantesco azul com strapontans (bancos que no meio do carro se dobravam quando não eram utilizados). A estrada da Beira era medonha e cheia de curvas e levava-se horas até à Quinta. O Avô também ia muitas vezes de comboio, aproveitando a viagem para escrever e ler. Quando a Avó decidia ir com as criadas era no dito carro que viajavam e eram conhecidas as fúrias do Avô quando o pessoal que ia espremido nos referidos strapontans, resolvia dizer que estava enjoado, forçando a paragens com as respectivas consequências para “fora de bordo”!

Nós netos mais velhos, passávamos lá boa parte de Setembro nas vindimas e também esporadicamente noutra altura do ano, mas fazia muito frio pois era perto da Serra da Estrela e gostávamos mais das praias amenas do Estoril.

Voltando de novo a Lisboa, eu ia muitas vezes estudar para casa dos Avós e claro, sem eles em casa e as criadas ocupadas nas suas lides caseiras, punha-me a espiolhar a biblioteca do Avô. Foi lá que li desde muito cedo, Henry Miller no seu “Sexus, Nexus and Plexus”, “Lady Chatterly” , o Marquês de Sade, no campo da iniciação à sexualidade.

Mas tomei contacto com Aquilino tendo herdado belíssimas edições com dedicatórias efusivas e de admiração para o Avô, o nosso Eça e Camilo e tantos outros.

Era uma biblioteca ecléctica com um pouco de tudo, desde os autores clássicos de sempre até aos pensadores desconformes com a tradição do regime. Estavam esses, em inglês, ou francês ou mesmo italiano: era por causa da censura, e por isso não se editavam nem vendiam em português.

Sartre, Nietzsche, Marx, Barthes, e toda uma plêiade de pensadores ilustres que permitiam ver mais claro outras ideias que não só as do "establishement". Mais tarde percebi o que o Avô queria dizer com a canga: ser-se fidalgo é ser-se livre no pensar, ter ideias próprias e saber distinguir o bem do mal, mas não segundo nenhuma cartilha.

O Avô, com os “Burra”, caseiros na Quinta desde gerações imemoriais era de uma humanidade e desvelo enormes, sobretudo quando precisavam de protecção, fosse na velhice, num aperto, na partilha generosa dos produtos da Quinta do Tólfão ( eles tinham 21 filhos e a Avó inscreveu a Maria da Burra no prémio da “Mãe de Portugal” que ganhou, com compensações monetárias e de apoio à educação) mas também sabia exigir e quando era preciso punha-os na ordem…de alguma mandraça.

Fui a vários casamentos de alguns dos filhos do Manel da Burra, todos lá na Quinta na zona das parreiras das vinhas sem toldos a não ser as latadas e mesas corridas de madeira com bancos de cada lado, com toalhas brancas limpíssimas e tudo quanto era preciso para uma festa farta e rija.Eu pasmava pela variedade de pratos e qualidade da comida e da bebida.

Acompanhava os Avós que eram normalmente padrinhos e depois de algum tempo quando se retiravam, ficava solto nos cantares e dançares em perfeita sintonia com aqueles que tão bem sabiam fabricar os deliciosos queijos da serra que comíamos à fartazana em Lisboa, a excelente pinga, a fruta fresca e deliciosa sem pesticidas – fiquei a adorar pêros bravos esmolfos que eles plantavam na quinta – do azeite puro, dos borregos, da vitela,do leite creme, dum sem fim de vida sã e prazenteira que ainda povoa o meu subconsciente e aonde vou buscar forças quando estou mais enfronhado nos meus projectos citadinos e internacionais!

A "Casa do Paço" era na Vila e por isso era um programa irmos com o Avô, passear na Quinta do Tólfão que ficava fóra de Celorico, mas não muito longe.

(continua)

Memórias dos meus Natais (parte 1)


A época do Natal - pouco importa a religião que se professe - convida à congregação das famílias e promove encontros e momentos de raro convívio.

Mesmo os mais novos que normalmente andam dispersos nas suas vidas fora de casa, acabam por se aproximar dos mais velhos e durante alguns dias, às vezes só umas horas, ouve-se-lhes as vozes, as opiniões e põem-se mais apuradinhos, ousando até usar uma gravata e um blazer!

Vem isto a propósito das minhas memórias do Natal passado em casa dos meus Avós. Havia grandes celebrações dos dois lados, trocavam-se excelentes e variados presentes e coisa inaudita, havia uma enorme afluência de família.

Somos sete irmãos e sendo os nossos Pais filhos únicos, na minha mais jovem idade consciente, compareciam todos os 4 Avós, 7 Bisavós, uma série de Tios-Avós e alguns Tios-Bisavós, para já não falar da parentela numerosa que vinha a cumprimentos natalícios.

Eu adorava todo este movimento e as ceias de Natal bem como os inumeráveis almoços e jantares nas casas dos Avós dos dois lados da Família que eram de grande qualidade, caprichados e servidos a rigor por muita criadagem.

Era um deslumbramento para os olhos e para o paladar: pois eram todos gourmets e gourmands e apreciadores da boa mesa, nacional e internacional.

Não admira que fossem todos os anos, a curas termais a Vichy e a Karlsbad, mas creio que também juntavam o útil ao agradável e seguiam o curso da moda!

Dois episódios que ainda hoje retenho tendo eu os meus 9 anos.

Tínhamos acabado de chegar com os meus Pais ao jantar de Natal em casa dos meus Avós paternos. A figura mais marcante destas celebrações familiares era sempre a minha Bisavó Maria do Carmo, uma Noronha das Índias aonde tinha nascido e só posto os pés na Metrópole em 1940 depois de 400 anos familiares naquelas paragens desde os tempos do seu avoengo Vasco da Gama bem como de outros Vice-Reis, como é sabido que descendem quase todos os Noronhas!

Os primos menos próximos que não eram convidados para o jantar pois não cabiam todos e eram muitos, aproveitavam para depois ao café e licores, virem dar-lhe as Boas Festas.

A Avó Maria do Carmo era muito afável para com os netos e conversadora interessada com os parentes que a visitavam e a quem perguntava pela vida de cada um, estando a par de tudo. Usava, nesses dias de maior solenidade uns vestidos compridos de seda preta (desde que o Avô José Maria morrera - creio até mais pela morte prematura de um meu Tio e seu Filho, de que tinha uma tristeza inconsolável - não mais tirara o luto) com uma gargantilha que me enchia de espanto e curiosidade.

Parece que tinha dentro do medalhão de esmalte com uma fiada de brilhantes à volta do pescoço, umas tranças enroladas do cabelo da sua Mãe. Coisas que se transmitiam de geração em geração! Ainda mais me fascinava saber o porquê!

Naquela azáfama da chegada e dos cumprimentos entre os mais velhos, cotumiços como éramos, passávamos completamente despercebidos.

Eu era nessa altura um pouco tímido e resolvi disfarçar e não falar ao meu Avô. De repente e depois de tudo já mais calmo e sentado, levei um carolo valente com os nós dos dedos na cabeça que me doeu e ouvi a voz zangada do Avô a perguntar-me porque não lhe tinha falado, dando-lhe um beijo, como de costume. Fiquei muito envergonhado, de seguida pedi-lhe desculpa e ouvi-o dizer-me com um ar severo e irredutível que nunca há razões para não se falar seja a quem for. Serviu-me de emenda para o resto da vida!

O segundo episódio, passa-se em casa do meu Bisavô materno no almoço de Reis, ou seja a cada dia 6 de Janeiro. À sobremesa, para além de imensos doces, havia sempre romãs - que eu detestava – mas que comia quando me vinham servir, pois dentro da taça grande de cristal, estavam libras de ouro que o Avô Carlos tirava de um saco de veludo azul e despejava abundantemente de entre as romãs.

Apesar de meter bem a colher no fundo servindo-me em quantidades apreciáveis da detestada romã, vindo bastantes libras de ouro Isabelinas, hélas…tinham que ser devolvidas no fim do almoço e repostas no saco de veludo.

Ainda vim a herdar umas quantas dessas libras e lembro-me de ao manuseá-las ter sentido uma enorme saudade de tempos de meninice em que o mundo era mundo e rodava sem este frenesim em que já há pouco lugar para estes rituais inofensivos e ricos em simbolismo.

Retomando o fio à meada, num desses jantares de Natal em casa dos meus Avós paternos, a seguir ao jantar fumava-se charutos e cigarros e os homens conversavam entre si, beberricando Porto ou cognacs e whiskies. Eu, de mansinho vinha para ao pé do Avô e ficava a ouvir as conversas, que eram tão interessantes e me despertavam a atenção para tantas coisas que eram novas para mim.

O Tio Luis, irmão do Avô, era Almirante e tinha tido e ainda continuava a ter uma vida fascinante e importante, pois era Secretário da Defesa do Governo de Salazar, colega de curso e íntimo amigo do Presidente da República Américo Tomás e sendo também Engenheiro Hidrógrafo tinha feito o levantamento da costa de Moçambique no navio hidrográfico do tempo da Monarquia.

Eu pedia-lhe repetidas vezes que me contasse a aventura dos aviadores Gago Coutinho e Sacadura Cabral na travessia aérea do Atlântico, pois o Tio Luis tinha sido um dos dois oficiais jovens e ainda como Guarda Marinha, que os acompanharam na visita triunfal ao Brasil.

Por outro lado fora nomeado oficial-general às ordens do Rei da Tailândia aquando da sua visita a Portugal e recebera como agradecimento do monarca, a mais alta condecoração do Sião, com honras de príncipe, lá. Veja-se a fotografia em que se vê o Tio Luis, preparando-se para beijar a mão à Rainha a quem fora apresentado pelo Rei Blumipol.

(continua)

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

A SESTA



Na rede, que um negro moroso balança,
qual berço de espumas,
formosa crioula repousa e dormita,
enquanto a mucamba nos ares agita
um leque de plumas.

Na rede perpassam as trémulas sombras
dos altos bambus;
e dorme a crioula, de manso embalada,
pendidos os braços da rede nevada
mimosos e nus.

Na rede, suspensa dos ramos erguidos,
suspira e sorri
a lânguida moça, cercada de flores;
aos guinchos dá saltos na esteira de cores
felpudo sagui.

Na rede, por vezes, agita-se a bela,
talvez murmurando
em sonhos as trovas cadentes, saudosas,
que triste colono por noites formosas
descanta chorando.

A rede nos ares do novo flutua,
e a bela a sonhar!
Ao longe nos bosques escuros, cerrados,
de negros cativos os cantos magoados
soluçam no ar.

Na rede olorosa... Silêncio! Deixai-a
dormir em descanso!...
Escravo, balança-lhe a rede serena;
mestiça, teu leque de plumas acena
de manso, de manso...

O vento que passe tranquilo, de leve,
nas folhas do ingá;
as aves que abafem seu canto sentido;
as rodas do «engenho» não façam ruído,
que dorme a sinhá!

Gonçalves Crespo

it sounds familiar...



Have I ever heard about this, somewhere, somehow?

nas nossas vidas quantos deixámos passar?



Around the corner I have a friend
In this great city that has no end,
Yet the days go by and weeks rush on,
And before I know it, a year is gone.

And I never see my old friends face,
For life is a swift and terrible race,
She knows I like her just as well
As in the days when I rang her bell,
And she rang mine.

We were younger then,
And now we are busy, tired men.
Tired of playing a foolish game,
Tired of trying to make a name.

"Tomorrow" I say "I will call on Jane"
"Just to show that I'm thinking of her"
But tomorrow comes and tomorrow goes,
And distance between us grows and grows.

Around the corner!-yet miles away,
"Here's a telegram sir-"
"Jane died today."
And that's what we get and deserve in the end.
Around the corner, a vanished friend.

domingo, 25 de dezembro de 2011

The Gentlemen drinks


In the first of an ongoing series on cocktails I'm going to walk you through some of the basics of mixology starting with my favourite spirit; gin.

* Why start on gin.
* Which gins to use.
* Gin and Tonic.
* Martini.
* Tom Collins.

Gin is my favourite for two reasons:

First is specific to me - I like the taste and (unlike whiskey, vodka and tequila) I can drink a fair amount of it without getting messed up and out of control.

I'm the same with white wine. From colloquial evidence it seems that most people have certain drinks that they can handle better than others so it's worth finding out which suit you the best.

From time to time I may have alternatives, but if I want to drink while being certain I won't make a fool of myself (crucial at occasions like weddings) then I stick to what I know I can handle.

The second reason I'm starting with gin is that it's often considered the most basic spirit for use in cocktails. It's so ubiquitous that a bar without gin is not a properly stocked bar.

Your two most reliable options for high-quality gin are Bombay Sapphire and Tanqueray No. Ten.

Personally I go for the Bombay Sapphire because it's got gorgeous botanicals (the extra flavours such as juniper and almonds)) and the bottle is really pretty. I know, I know, very superficial but cocktails are meant to be a bit of fun.

Some bars have taken to storing their gin (and vodka) in the fridge or even the freezer but I would advise against this unless you want to get smashed (no, you don't). You see, room temperature spirits melt the ice slightly, and that extra water improves the taste as well as diluting the alcohol a little. Cocktails are supposed to be pleasant to drink, not eye-watering.

A wiser man than me once told me the fundamental difference between cocktails for men and cocktails for women. Women's cocktails try to disguise the alcohol in them with bright colours, fruit juices and sugar. Men's cocktails look and taste like they contain alcohol. That means it's time to grow up and step away from the Mai Tais, Daquiris and Seabreezes. While we're at it, Rum and Coke is boring, ditto the Screwdriver, and Long Island Iced Tea is what students who're trying to be sophisticated drink (I speak from firsthand experience).

Needless to say, if it has a 'comedy' name like Sex on the Beach or Harvey Wallbanger then it's not a gentleman's choice either.

So let's start with an easy one, the Gin&Tonic. Popularised during the days of the British Raj in India because the tonic water contains quinine, which helps repel mosquitoes. It says something about Britain which makes me quite proud that rather than develop some sort of way to vaporise quinine they instead put it into a cocktail.

Anyway, it's a piece of cake to make and guests are likely to be forgiving if you play it fast and loose with your measures. Really a standard that you should know how to prepare:
* Put a few ice cubes into a high ball glass.
* Pour 1,25 ml shot of gin over the ice (add more if you like it stronger).
* Top up with tonic water.
* Garnish with a wedge of lime (or lemon if you must).

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Obrigado aos meus leitores


Querido Leitor,

É para leitores como tu que sinto a responsabilidade do que escrevo: muito obrigado por seres paciente, tolerante e atento ao meu blogue.

No fundo, apesar de saber que a vida continua lá fora, com as suas luzes e sombras, quando escrevo ponho-me dentro da escrita sem olhar a quem e deixo correr livre o meu pensamento que é a coisa que mais prezo.

Desejando que 2012 seja mais um ano que venha com sonhos e projectos a cumprir.

O meu neto está muito querido e cada vez que lhe pego ao colo fico enternecido e já converso muito com ele. Vou-o preparando para a vida que a cada dia lhe vai chegando. É importante, dizem..., falar com as crianças desde muito cedo e sempre fiz isso com os meus filhos. Sem ser em voz muito alta, naturalmente, mas sem o maçar com o Passos Coelho ou com o Cavaco ou com a crise, mas mais sobre ideias simples.

Vicente

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Cumprimentos de Natal esta tarde em Belém...


Sem mais comentários, senão passo a consoada no xelindró a pão e água! Bom Natal!

presentes de chocolates de Natal


Como eu o percebo nas diferentes expressões da cara e reacções até reconhecer a sua marca preferida!

It's FRY'S puto cretino!

Happy boxing day!


Happy boxing day!

Boxing day, dia a seguir ao do Natal é sempre feriado no Reino Unido para se descansar e não se fazer quase nada...

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Um povo imbecilizado e resignado


Um povo imbecilizado e resignado,
humilde e macambúzio,
fatalista e sonâmbulo,
burro de carga,
besta de nora,
aguentando pauladas,
sacos de vergonhas,
feixes de misérias,
sem uma rebelião!

MNA

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

a máquina de fazer felicidade


Falas de civilização, e de não dever ser,
Ou de não dever ser assim.
Dizes que todos sofrem, ou a maioria de todos,
Com as coisas humanas postas desta maneira,

Dizes que se fossem diferentes, sofreriam menos.
Dizes que se fossem como tu queres, seriam melhor.
Escuto sem te ouvir.
Para que te quereria eu ouvir?
Ouvindo-te nada ficaria sabendo.
Se as coisas fossem diferentes, seriam diferentes: eis tudo.

Se as coisas fossem como tu queres, seriam só como tu queres.
Ai de ti e de todos que levam a vida
A querer inventar a máquina de fazer felicidade!

Alberto Caeiro

Don't worry about avoiding temptation



Don't worry about avoiding temptation. As you grow older, it will avoid you.

Winston Churchill

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Para que serve ser-se culto?


Para que serve ser-se culto?

Uma das boas respostas é a de podermos habitar épocas diversas e cidades e vilas aonde nunca pusemos os pés. A viver as tragédias que nos foram poupadas, mas também a felicidade a que não tivemos direito. A percorrer todo o teclado das emoções humanas, a nos perdermos e encontrar-nos em busca da varinha mágica do dom da ubiquidade.

Acima de tudo, a nos consolarmos por não termos mais do que uma vida para viver. Com, talvez, esta sorte acrescida de nos tornarmos menos estúpidos, e sobretudo menos básicos.

No entanto, a questão não é banal, pois numa civilização de valores materiais como é a nossa, qual pode ser o papel da cultura?

No fundo participa de tudo quanto nos é legado no nosso património. Serve para obtermos o prazer, as satisfações, as consolações que jamais se poderão comprar.

Mas a cultura não traz a inteligência. Pode-se ser muito culto e ao mesmo tempo não se deixar de ser um selvagem.

Conheço um camponês que nunca saiu do seu torrão natal e que é a pessoa mais inteligente que existe.

A verdadeira cultura não está na moda, mas encontra-se, antes, afastada dos pequenos grupos dominantes.

A verdadeira cultura, é aquela que está em sintonia com os valores do futuro.

Ser-se muito culto levanta o problema de viver-se com uma permanente turbulência na cabeça. Um sistema de referências de tal forma rico que nos obriga a olhar para o mundo com uma nova frescura de espírito. Cada emoção, todas as sensações e o mais pequeno dos encontros com alguém, tornam-se o pretexto para lembrarmo-nos de uma frase, de uma passagem de um livro, de uma música, de um quadro.

Esquecer, é reconquistarmos de novo a tal frescura de espírito. O que se ganha com erudição, cultura, perde-se um pouco em espontaneidade. Mas não se ser culto é como uma preguiça, uma incorrecção em relação a quem o foi. É como que nos privássemos de uma conversa permanente com o passado.

Às vezes, há pessoas que se privam de ler para não se poluírem, mas quanto mais se lê, menos se copia.

Ser-se culto não é só uma ambição de erudição, mas é o mais seguro meio de nunca nos sentirmos sozinhos.

Senti-me sempre, na minha família, como um pequeno animal privilegiado, rodeado desde a juventude por seres cultos. Ser-se culto serve para transferirmos para a realidade, com grande volúpia, os desejos que sentimos. Olhá-los, amá-los, apertar-lhes o pescoço…às vezes! Longe da rotina, na aventura, no desconhecido, na vertigem da criatividade.

“A cultura não se herda, mas conquista-se” escrevia André Malraux, por isso há alguma esperança ainda…

MNA

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

compras do Tibete



Estava em Xangai e com uma amiga chinesa que me servia de intérprete fui passear pelas ruelas estreitas de Tai Kang Lu que é um bairro de pequenas lojas com artigos fruto do trabalho de artesãos e artistas chineses.

Tem restaurantes pequenos de todo o tipo de comida oriental que são a um custo excelente e de enorme qualidade gastronómica.

Comprei duas pequenas estatuetas de um casal chinês dormindo uma boa "sesta", vários trabalhos em seda muito leve com borboletas de muitas cores denotando um trabalho notável de artefacto caseiro local e adquiri várias gravuras do Xangai antigo com que presenteei amigos e familiares.

Numa pequena loja, saíam sons de uma enorme tranquilidade e harmonia que não podiam deixar qualquer transeunte indiferente.

Maravilhado chamei a minha amiga tradutora e perguntei-lhe o que eram aqueles salmos, que ela corrigiu para mantra. Tratava-se de uma loja dos monges do Tibete que vendiam os seus produtos para arrecadar fundos para a sua luta e sobrevivência.

Estava um monge muito novo envolto nos seus panos a rezar com uma calma impressionante e dirigiu-me um enorme sorriso quando a tradutora lhe expressou o meu encantamento pela música que entrava pelos nossos ouvidos.

Comprei-lhe um CD e vários pivetes e incenso.

Hoje apeteceu-me revisitar a paz que se sente destes mantras imemoriais.

Precisava de inspiração para redigir um importante contrato que fala de dinheiro.

Esta vida só é interessante quando sabemos apreciar de tudo um pouco.