sábado, 18 de setembro de 2010

É difícil educar os filhos


Os cuidados com os filhos, têm estado de uma maneira geral a cargo da mãe por uma questão histórica e cultural: foi sempre a dona de casa e o marido passava a maior parte do tempo a trabalhar, sendo ela quem se tornava responsável e recorria ao pai quando a sua autoridade como mãe não era respeitada.

Mas nos tempos actuais, em que as mulheres também trabalham fora, sem muito tempo para se dedicarem aos filhos como gostariam, seria bom que a educação dos filhos fosse dividida entre o casal, algo que geralmente não tem acontecido, pois as mães continuam a educar os seus filhos e a despender o seu pouco tempo disponível para eles.

Mas este quadro vai mudando aos poucos, com muitos pais constatando a dificuldade das suas consortes em gerirem tudo da casa, propondo-se assim a colaborar tanto nas tarefas domésticas, como na educação dos seus filhos, acompanhando os seus trabalhos de casa e dispondo de tempo para conversar e brincar com eles.

O ideal é que a educação seja feita em conjunto entre o pai e a mãe e, principalmente, que ambos concordem entre si.

Um exemplo: o pai não deixa o filho ficar ao computador até mais tarde e a mãe, com pena dele, aceita contradizer a regra imposta pelo pai. Agindo assim, ela faz com que o pai perca toda a sua autoridade e, pior do que isso, intui ao filho de que há sempre uma maneira para conseguir o que ele deseja, achando que pode tudo! O inverso também acontece, quando o pai, por se sentir culpado de não estar mais presente, acaba por satisfazer as vontades dos filhos, contrariando a mãe.

Educar é dar o exemplo! Não adianta o pai dizer uma coisa e fazer outra, pois os filhos seguem o exemplo do seu comportamento e não as palavras! Educar também é estar presente, participar com os filhos em actividades comuns, saber ouvir o que os filhos têm a dizer e não os criticar pura e simplesmente, mas deixando bem claro que não concordam com determinadas atitudes quando não agem da forma como deveriam agir, mas deixando espaço para o diálogo, para que eles expressem as suas razões por terem actuado daquela determinada forma. Os castigos só funcionam quando os pais explicam a sua razão.

A base para uma educação eficaz está no estabelecimento de um vínculo afectivo duradouro e isso só se consegue com diálogo, convívio e respeito mútuo!

O ideal para educar uma criança, para que se venha a tornar num adulto seguro de si e bom cidadão, é que o pai e mãe se relacionem bem entre si, independentemente de estarem casados ou não.

Uma coisa é ser pai, ser mãe, outra bem distinta é ser um casal: o relacionamento pode acabar um dia, mas o papel de pais será pela vida fora! E é importante que estes pais, casados ou separados tenham consciência de que os filhos são para a vida toda e que os pais são os principais responsáveis pela sua educação. Portanto, devem sempre dialogar sobre como devem conduzir a educação dos filhos e o papel que cabe a cada um.

Muitos pais separados até gostariam de manter um contacto maior com os filhos, mas o seu trabalho e o seu tempo disponível nem sempre é compatível com o tempo disponível dos filhos, ou porque a lei os obriga a vê-los a cada quinze dias, o que dificulta a construção de laços afectivos entre eles ou até pela dificuldade de fazer acordos extra-judiciais com a mãe para ver os filhos em outros momentos importantes para o estabelecimento dos referidos laços afectivos.

É vulgar ver-se pais satisfazerem todos os gostos dos seus filhos, tendo dificuldades em dizer não e mimando-os excessivamente, como se isso fosse minimizar o seu sentimento de culpa ou fazer com que os seus filhos os amem mais.

Para que um pai possa estabelecer e manter um relacionamento saudável com os seus filhos durante toda a vida, é importante que esse contacto seja de qualidade, isto é,que ele esteja presente e faça actividades com os seus filhos.

Também é importante dialogar com os filhos sobre o dia a dia deles, como se sentem na escola, verificar os seus trabalhos de casa, conhecer os amigos e, porque não, promover programas com os filhos e os seus amigos.

Gostaria de salientar que, mais importante do que o tempo despendido com os filhos, é a qualidade deste tempo com eles que mais importa.

Muitas vezes, meia hora de conversa e atenção exclusiva para cada um deles é muito mais eficaz do que passar um dia todo sem se conversar, estando apenas e só debaixo do mesmo tecto.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Amizade colorida


Amizade colorida é a que inclui “intimidades” que não temos com uma amiga normal. É uma grande invenção dos tempos modernos para saciar a vontade de quem está só, enquanto o grande amor não vem.

Depois de alguma pesquisa e conversa cheguei à conclusão que amizade colorida inclui alguma paixão, bastante quimica, e muito desejo carnal por alguém por quem sentimos atracção e cuja companhia é agradável.

As vantagens: trocar uns beijos, uns apalpões e até pode haver sexo, sem qualquer tipo de cobrança.

Compromisso: apenas o comum acordo.

No meu ponto de vista é um “quase namoro”, onde obrigações ou cobranças do tipo: Onde foste? Com quem? A que horas chegaste? e por ai fora… não existem. Onde não é preciso lembrar-nos de datas e comprar presentes, ou ligar e “bajular”.

No entanto existem algumas regras a cumprir:

1ª uma conversa aberta sobre o antes, o durante e o depois. Afinal para além do “colorida” existe a “amizade”, certo?!

2ª ter plena consciência dos actos.

3ªa tendência é só melhorar :-)

Começa a complicar-se quando uma das partes se começa a envolver, por isso é preciso ficar atento à evolução das situações, e se necessário for, por um ponto final para que ninguém se magoe.

Afinal a sinceridade é a base de todas as relações.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Gosto quando me falas de ti


Gosto quando me falas de ti…
e vou te percorrendo
e vou descortinando a tua vida
na paisagem sem nuvens,
cenário de meus desejos tranquilos

Gosto quando me falas de ti…
e então percebo que antes mesmo de chegar,
me adivinhavas,
que ninguém te tocou, senão o vento
que não deixa vestígios,
e se vai desfeito em carícias vãs…

Gosto quando me falas de ti…
quando aos poucos a luz
vasculha todos os cantos de sombra,
e eu só te encontro
e te reencontro em teus lábios,
apenas pintados, maduros,
mas nunca mordidos antes da minha audácia.

Gosto quando me falas de ti…
e muito mais adiantas
em teus olhos descampados, sem emboscadas,
e acenas a tua alma, sem dobras, como um lençol distendido,
e descortino o teu destino,
como um caminho certo,
cuja primeira curva foi o nosso encontro.

Gosto quando me falas de ti…
porque percebo que te desnudas como uma criança,
sem maldade,
e que eu cheguei justamente para acordar tua vida
que se desenrola inútil
como um novelo que nos cai no chão…

J.G. de Araujo Jorge

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Mentes inquietas


De autoria de Ana Beatriz Barbosa Silva, médica com pós-graduação em psiquiatria pela UFRJ e especialização em Medicina do Comportamento pela Universidade de Chicago, Estados Unidos.

Por ser uma obra densa e recheada de exemplos reais, colocarei aqui algumas coisas que me chamaram especial atenção numa visão geral deste livro.

Pessoas com sintomas típicos como desatenção, desorganização e atabalhoamento, muitas vezes são vistas como não tendo jeito e muitas vezes levam uma vida soterrada por críticas e culpa.

Mente Inquieta (cérebro com funcionamento DDA), não significa um cérebro defeituoso. Seu comportamento peculiar é responsável pelas suas melhores características, bem como suas maiores angústias. O livro aborda vários traços comportamentais de pessoas com mente inquieta.

Citarei algumas:

- Desviam a atenção por qualquer estímulo;
- Dificuldade em prestar atenção na fala de outros;
- Desorganização quotidiana;
- Dificuldade com actividades obrigatórias de longa duração;
- Interromper as tarefas no meio;
- Tendência a estar sempre ocupado;
- Costume de fazer várias coisas ao mesmo tempo;
- Hipersensibilidade;
- Instabilidade de humor;
- Tendência ao desespero;
- Depressões frequentes.

Para essas pessoas, é um desafio adequarem-se ao ritmo não-elétrico dos outros. Um caso real que achei interessante foi de um Contabilista que se sentia tolhido numa escada rolante. Para ele, escada rolante significava tortura, da forma em que ele a subia normalmente. Logo que a escada se movia, ele rapidamente chegava ao topo enquanto as pessoas aguardavam calmamente o movimento da escada.

São traços que como diz a autora, podem ‘cair mal’ para quem precisa trabalhar em funções burocráticas, rotineiras ou repetitivas ao passo que é positivo para quem exercita a criatividade como compositor ou artista.

Achei curiosa a abordagem da afectividade nessas pessoas: emoção em excesso e escassez de razão. São pessoas que amam intensamente no interior de suas mentes, mas não conseguem colocar em prática o que vivem em seus pensamentos. Muitas vezes, os seus parceiros nem sequer imaginam que são objecto de tão nobres sentimentos. Felizmente toda essa emoção tende a transformar-se em poesias, obras literárias ou músicas. Semelhante a um vulcão inactivo, a pessoa pode apresentar-se calma e tranquila externamente, mas por dentro, mantém-se agitado e inquieto.

A autora cita o nome de alguns famosos que apresentavam esses traços.

Citarei alguns:

Fernando Pessoa – Em sua obra há traços de inquietação, contradição, devaneios, dificuldade em seguir regras. (Como no poema “Liberdade”: Ai que prazer/ não cumprir um dever/ ter um livro para ler/ e não o fazer...) Criou por isso vários ‘eus’, os heterónimos, indicando uma personalidade inquieta e de humor instável.

Leonardo da Vinci – Uma mente movida por inquietação. Além de pintor, foi arquitecto, botânico, urbanista, cenógrafo, cozinheiro, inventor, geógrafo, físico e até músico. Deixou uma infinidade de obras inacabadas por começar vários projectos ao mesmo tempo, característica desse tipo de funcionamento mental.

Bethoven – Inquieto, polémico e incompreendido. Era acometido de devaneios e distracções, segundo seus amigos. Produziu obras geniais sem escutá-las. Elas brotavam de sua mente inquieta, imune à sua surdez.

Pessoas com este problema tem vulnerabilidade para desenvolver outros transtornos como TOC, Fobias, Pânico, Depressão, transtornos alimentares e de humor, para citar alguns.

A autora dedica um capítulo ao maior desafio: a difícil tarefa de dormir bem e orienta como relaxar um cérebro a mil por hora.

Em suma, Mentes Inquietas é um guia para quem apresenta esse funcionamento cerebral que mescla desafios vários com muita criatividade. A autora transmite uma visão optimista sobre o problema e uma variedade de recursos para tratamento. Tirei muito proveito desta leitura e por isso a recomendo.

Quando o casamento parecia a caminho de se tornar obsoleto, chegam os gays...




Quando o casamento parecia a caminho de se tornar obsoleto, substituído pela coabitação sem nenhum significado maior, chegam os gays para acabar com essa pouca-vergonha.

Luis Fernando Veríssimo

Nunca mais



Passa um dia,
e outro a correr atrás dele
e outro e outro...
O tempo a todos impele,
tal o vento
levando, em doida correria,
revoadas de folhas outonais,
folhas de calendários sempre iguais,
uma a uma arrancadas,
perdidas nas estradas...

Nunca mais... Nunca mais...

Saúl Dias

os minutos mordem-me os calcanhares


Não é que eu tenha nascido noutro sítio.
Muito menos, que me preocupe o tempo
na sua beleza de abstracta redondez lunática.
É que os minutos mordem-me os calcanhares
formigas enfurecidas urgindo-me a fazer
a não me deter em função dos finais.

É muito certo
a pressa é um agulheiro na calma da insónia
uma muralha na planície dos sonhos
um bebedouro de ilusões que amiúde falham.

Não é que me avassale o medo do atraso
porém esvai-se-me a magia
perdi as fórmulas, os hieróglifos, as poções
a chave dos segredos que guardava
as coisas que o sábio confiou aos meus ossos.

Confesso
Cada vez sou menos eu
E mais o que vivi.
Por isso é que me apuro
para não chegar tarde
ao que realmente fui
quando tudo acabar.

Consuelo Tomás Fitzgerald

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

irmãs gémeas




Naquele nascer tímido do sol ouvia-se o sino da Igreja Matriz repicar ao fundo. Tão ao fundo que, na verdade, estamos falando da Matriz da cidade vizinha. Assim começou o dia num pequeno vilarejo encravado no meio do quase nada, mas que o Prefeito insiste em chamar de cidade quando faz seus discursos emocionados no seu palanque de madeira ilegal.

De fato aquela cidade era pequena. Um ovo, se você quiser uma comparação. Tanto é que todos os habitantes - do capelão ao cafeteiro – possuíam apenas 2 sobrenomes legítimos. Uma família casava-se com a outra e inventava um sobrenome, só para impressionar aqueles que ousavam pedir a lista telefónica. Ousar é a palavra certa.

Todo mundo lá se conhece por nome, sobrenome, apelido, ficha criminal, maternidade, emprego…. Todo mundo sabe quem traiu quem, quem tá devendo na venda ou quem ganhou um aumento no trampo só porque puxou o saco do patrão. Não adianta esconder seu segredo naquele porquinho rosado da estante da sala… todo mundo sabe.

Os parágrafos que você pacientemente leu dão uma ideia geral de como é o cenário da nossa historinha. O que eu quero contar é como Azaléia foi obrigada a sumir do mapa por causa de algo que ela não fez, com o dinheiro que ela não tinha, num local que ela nunca visitou. Vejamos como foi:

Azália era ruiva. Azaléia também. Azália tinha olhos verdes. Azaléia também. Azália gostava de pintar suas unhas com Amarelo Pastel, 219 da marca Hits, exatamente a mesma cor de Azaléia. Nessa altura da frase você já deve ter sacado que Azaléia e Azália eram irmãs gêmeas e gostavam de mostrar essa qualidade para toda a população da nossa cidadezinha de merda.

Azaléia era a gêmea boa, pura, casta. Praticamente uma Paulina Martins. Já Azália, por sua vez, era a encarnação de Paola Bracho. Usurpadora Feelings. Mas como já dissemos exaustivamente nesse texto, a cidade era pequena, todos se conheciam… Azália não poderia colocar em prática tudo o que planejava. Teve que se contentar com um mero plano para comer bem. E quase de graça.

O plano deveria contar com a participação involuntária da irmã, ao menos no primeiro teste. E foi assim que aconteceu:

Azália entrou em sua cafeteria favorita para tomar seu brunch favorito. Sentou-se numa mesa afastada e pediu completo, com direito a croissants, cappuccinos, tortas de limão, pães recheados, doces, cafés… Não sairia por menos de 30 reais. Azaléia (a irmã boa) entrou pouco tempo depois. Pediu coisas leves, saudáveis. Não gastaria mais do que 7 reais para pagar tudo o que iria consumir.

Ambas satisfeitas após a refeição, pediram a conta. O pulo do gato deveria ser dado no momento da entrega da conta. Azália levantou-se, foi até a mesa da irmã, abraçou-a e beijou-lhe as faces. Enquanto a falsidade reinava em cima, em baixo suas hábeis mãos trocavam as contas. Azália saiu primeiro e pagou os 7 reais. Azaléia, coitada, argumentou com a moça do caixa que não tinha consumido tudo aquilo e que havia ocorrido um engano. Usou exatamente esses termos: “Sua garçonete deve ter trocado as contas“. Saiu pagando os 7 reais também.

Vitória de Azália! Em uma semana repetiria o golpe, dessa vez com uma estranha. E num restaurante maior, claramente o mais chique da cidade. O que não quer dizer muita coisa, claro.

Repetiu-se tudo como no teste. Escolheu uma vítima que estivesse comendo pouco, trocou as contas e saiu pagando menos da metade do que deveria. O pobre cidadão reivindicou seus direitos de bancar somente o que consumiu e conseguiu o consentimento da gerência. Só que dessa vez dona Flora, velhinha ranzinza e com o grau das lentes dos óculos muito baixo para corrigir seu problema de visão, presenciou tudo, atribuiu o golpe a Azaléia e como uma autêntica fofoqueira, espalhou para a cidade inteira.

Azaléia era oficialmente uma gatuna mau caráter, que se aproveitava da boa fé dos comerciantes para aplicar sórdidos golpes. Seus feitos foram inflacionados, de modo que se contava que até estátua sumida de Santo Agostinho era sua culpa. A casa foi pixada com palavras de ordem e protesto. O capelão fez o sermão daquele Domingo falando sobre o ocorrido e meteu o santo pau na pobre garota. As lojas não lhe vendiam nada parcelado. Entradas no cinema lhe eram negadas. Nenhum garotão boa pinta lhe convidava pra sair. A vida de Azaléia tinha virado um inferno.

Sendo assim, nada mais restava para Azaléia. Era hora de abandonar aquela cidadezinha de merda. Para sua irmã Azália, um mundo de possibilidades abriu-se. Hoje ela ainda percorre cidades do interior aplicando seus pequenos golpes, sempre fazendo questão de apresentar-se como Azaléia.

Pobres gêmeas…

10ª Carta do meu primo Luis Bernardo


Meu Caro Manuel,

Ao invés do que te tinha prometido acabei por não conversar com o Philip Morrison, o inventor da bomba atómica mas encontrei-me com um padre jesuíta alemão, Klaus Luhmer, que sobreviveu à de Hiroshima em 1945 e a quem fiz algumas perguntas sobre tão horrível acontecimento para a Humanidade.

Disse-me que estava a 4km do local aonde a bomba foi lançada. A essa hora com uma temperatura de 30º centígrados, e não muito depois das 8h da manhã, estava a rezar no jardim da residência de jesuítas noviços nos arredores de Hiroshima.

Recorda ter visto algo que não conseguiu compreender, mais brilhante que o sol, uma espécie de hemisfério. Teve a intuição de que seria uma bomba altamente explosiva que tinha rebentado atrás de uma montanha próxima.

Teve ainda tempo suficiente para correr para a cave e abrigar-se. Viu um clarão, e uma onda quente veio na sua direcção. Sentiu o embate dessa onda e a casa abanou e tremeu, três quartos das telhas do telhado caíram como se estivesse a chover, e todas as vidraças das janelas estilhaçaram-se.

Um bombardeiro americano B-29 tinha largado uma bomba atómica pela primeira vez na história. Apelidada de « Little Boy », a bomba atómica destruiu 2/3 dos edifícios de Hiroshima, matando um número estimado de 140,000 pessoas, cerca de 1/3 da população da cidade – acrescentou-me o padre Klaus.

Ele quis no entanto investigar o que tinha acontecido, e por isso subiu a um monte atrás da referida residência para olhar para a cidade. Viu Hiroshima em chamas.

O céu estava claro, mas súbitamente apareceram nuvens negras e começou a chover. Era uma uma chuva preta. Estava empapada de cinzas, que caíam com a chuva como sedimentos – contou-me Klaus.

Regressou à residência dos jesuítas, aonde tinham começado a chegar os primeiros feridos da cidade. Luhmer viu imensas pessoas com a pele em farrapos pendente dos ossos, o tecido das suas roupas parcialmente colado à pele por causa do calor.

Os Jesuítas transformaram a mesa de jantar em mesa de tratamentos e começaram a cuidar daqueles a quem ainda podiam socorrer.

Klaus e um grupo pequeno de outros padres partiram para a cidade, encontrando pelo caminho multidões de feridos caminhando em todas as direcções.

O centro de Hiroshima oferecia um espectáculo aterrorizador. Fogos por todo o lado, casas e lojas desmantelando-se, com os mortos e feridos no meio das ruínas.

Luhmer recorda-se de ter visto umas dezenas de soldados fardados, pedindo por água para aliviar os seus corpos semi-queimados. Conseguiram ajudá-los, pois havia um poço muito perto – acrescentou-me.

Luhmer e os seus colegas fizeram o que podiam, trabalhando árduamente no meio das ruínas durante dois dias. Depois, os militares japoneses, selaram a cidade, enviando soldados para se ocuparem do vasto número de mortos.

Disse-me que os militares tinham como missão, retirarem os cadáveres dos escombros e atirá-los para uma enorme pira, regá-la com petróleo e pegarem-lhe fogo. Isto foi o que fizeram aos milhares de cadáveres : foram tidos como desaparecidos !

A residência dos jesuítas estava suficientemente longe do sítio aonde a bomba atómica detonou o que lhes permitiu sobreviver.

Os padres regressaram à sua casa para continuarem a missão de ajudar os feridos. Uma rapariga muito jovem a quem ele ensinava piano, veio dizer-lhe que o pai tinha morrido.

Luhmer quis poupar a viúva a uma tarefa terrível e por isso pegou em madeira e paus e fez uma pira funerária, queimando o corpo do homem. Disse-me que nunca mais esquecera o cheiro nauseabundo que pairou no ar.

Recordou-me que no dia seguinte, os Estados Unidos da América, lançaram uma segunda bomba atómica sobre Nagasaki, matando cerca de 150.000 pessoas dos 240.000 habitantes da cidade.

O Japão sem mais delongas, assinou a sua rendição e a Segunda Guerra Mundial chegou ao fim.

Terminou a nossa conversa contando-me que visitou um idoso japonês que se encontrava gravemente doente na cama e que sofria de terríveis dores. Desejou consolá-lo. Cheio das melhores intenções, disse-lhe: "Deus testa com sofrimento a quem ama!" Ao que o velho homem retorquiu, cheio de dores: "Sim, mas agora, neste instante, eu desejaria que Deus amasse outra pessoa!"

Muitas vezes usamos frases feitas ou procuramos explicações para o sofrimento de um justo mas não chegamos ao fundo da questão.

Um abraço do teu muito afeiçoado

Luis Bernardo

O amor dá fome

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Lealdade. seria de facto impressionante, vale a pena tentar (para provar que é rotundamente falso)


Para saberes quem te ama de verdade, faz o seguinte teste:

1 - Tranca o teu cão e a tua mulher na bagageira do carro.
2 - Aguarda exactamente uma hora...
3 - Abre a bagageira...
4 - Vê quem está feliz por te ver novamente.

É impressionante!

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

9ª Carta do meu primo Luis Bernardo


Meu Caro Manuel,

Vi o teu comentário sobre o livro do “Caim” do Saramago: o Deus das coisas violentas desde o dilúvio e a Arca de Noé, de Sodoma e Gomorra, ao do sacrifício de Isaac - castigador e distante que se comporta como um ser maléfico.

Fantasias e recalcamentos do Saramago, mas de facto quem escreveu a Bíblia, mesmo utilizando uma linguagem apropriada à época e destinada a disciplinar povos bárbaros sem lei nem ordem, não se preocupou em antecipar os perigos da falta de rigor e de sentido mutável que iriam perturbar os futuros leitores, muitos séculos depois.

Por isso não é doutrinalmente grave o que Saramago diz - não passam de invenções tanto dele como da Bíblia pois esse Deus assim descrito, não existe nem existiu.

Deixa-me perguntar-te: se estivesses para morrer amanhã, sentir-te-ias feliz pelo que fizeste hoje?

Pega no telefone hoje e diz qualquer coisa de especial a quem é para ti também especial. Dá uma volta por todos a quem tu amas e com quem tens afinidades, abraça-os e beija-os e dá-lhes um sinal do teu afecto por eles.

Escreve uma pequena nota a todos quantos estão distantes de ti mas continuam bons amigos e diz-lhes o que significou tê-los tido na tua vida.

Depois senta-te e escreve uma carta à tua mulher e aos teus filhos e partilha com eles tudo quanto aprendeste sobre a vida, tudo quanto queres que eles saibam como ultrapassar, como fazer as coisas acontecerem, como encontrar alegria e como podem levar um pouco de felicidade a outros, apesar de todos os desafios que lhes estão destinados.

E quando tiveres terminado tudo isto, escreve-te uma carta a ti próprio, descrevendo o que fizeste de bem, mesmo com tudo o que tiveste que passar por.

E finalmente escreve uma carta a Deus, seja ele da forma como o entenderes e conta-lhe a tua vida pelas tuas palavras. As “cartas” para aqui, são fáceis pois tu fazes parte desse Deus e por isso é importante para ti, enquanto estás na terra e não morreste, teres uma visão desapaixonada de como encaraste a vivência da tua vida.

Só tem mesmo importância para ti e para os que te rodeiam, mas é sempre bom deixar a casa arrumada antes de grandes viagens, não é?

Mas se não morreres amanhã, se ainda estiveres vivo no fim da semana, decide como tencionas passar o tempo que ainda te resta com esse teu corpo na vida aí na terra.

Toma novas decisões sobre o sentido e o propósito da tua vida. Tenta elevá-la acima do nível da mera sobrevivência. Reflecte para veres o que escolherias como a razão para viveres.

Vive o tempo que ainda tiveres o melhor que souberes e puderes. Segue a agenda da tua “alma”. A tua vida , com a longevidade que possas vir a ter ou não, já não será mais a mesma. Terá um sentido, uma direcção, finalmente.

E isso tornará cada momento num momento especial

Dá-me notícias depois do fim das tuas férias.

Tenho uma conversa marcada com o cientista que fabricou a bomba atómica, pois morreu recentemente. Depois te contarei. Disse-me que nunca recuperou com remorsos pela gente a quem causou mortes horríveis.

Um abraço do teu primo muito afeiçoado

Luis Bernardo

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Perguntei a um sábio a diferença que havia entre amor e amizade


Perguntei a um sábio,
a diferença que havia
entre amor e amizade,
ele me disse essa verdade...
O Amor é mais sensível,
a Amizade mais segura.
O Amor nos dá asas,
a Amizade o chão.
No Amor há mais carinho,
na Amizade compreensão.
O Amor é plantado
e com carinho cultivado,
a Amizade vem faceira,
e com troca de alegria e tristeza,
torna-se uma grande e querida
companheira.
Mas quando o Amor é sincero
ele vem com um grande amigo,
e quando a Amizade é concreta,
ela é cheia de amor e carinho.
Quando se tem um amigo
ou uma grande paixão,
ambos sentimentos coexistem
dentro do seu coração.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Desencanto





Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.

E neste versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.

-Eu faço versos como quem morre.

Manuel Bandeira

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A Revolta das Jumentas


Quem primeiro inventou greve
Aqui em cima do chão
Foi um lote de jumentas
Até com certa razão
É que Deus tava criando
Seus animais e soltando
Uns com urro, outros com berro
E por muito ter trabalhado
Sentiu-se um pouco cansado
Porque ninguém é de ferro.

Deus estava terminando
De inventar o jumento
Mas resolveu descansar
Determinado momento
Chamou um anjo importante
Que era seu ajudante

E amigo particular
E lhe disse com capricho
Termine aqui esse bicho
Que eu vou ali descansar.

E quando Deus retornou
Do seu descanso sagrado
Deu de cara com o jumento
Que já tava terminado
Mas notou logo um defeito
E disse assim desse jeito: "Rapaz num tem jeito não,
só dá tempo eu me ausentar,
pro negócio desandar
no setor da criação."

É que o seu ajudante
Concluindo o animal
Deixou aquele negócio
Meio desproporcional
Metro e "mei" de comprimento
Maior do que o jumento
Chega passava da venta
Deus disse: "Num presta não,
que não vai ter posição
dele subir na jumenta."

O anjo disse: "Eu ajeito,
Comigo não tem fracasso,
É só pegar uma faca
E tirar aqui um pedaço."
As jumentas escutando,
Foram logo se juntando
E num desejo comum,
Disseram logo em seguida:
"Vê se arruma outra saída,
cortar? De jeito nenhum."

E fizeram uma assembléia
Colocaram em votação
Ganhou por unanimidade
A frase do "corta não"
Com a confusão criada Deus viu que da enrascada
O anjo não sairia,
Aí entrou em ação
Pra mostrar a dimensão
Da sua sabedoria.

A marreta de dois quilos
Pediu para alguém trazer
E disse: "Segura o jegue,
que a gente vai rebater."
Aí baixou a pancada
Dava cada marretada
Chega esquentava a marreta
E o jegue até hoje em dia
Possui a mercadoria,
Da forma de uma corneta.

domingo, 22 de agosto de 2010

From Brasil with love - Nós Não Nuncamos


Eu não nunco
tu não nuncas
mas eles nuncam
(os que nos limitam)
Brasileiro não desiste
(os que não se irritam)
se cansa
ainda existe
se quebra
insiste
Não chora
economiza
(a lágrima)
Avisa
verde
azul
amarelo
branco
negro
que não vai calar
Não é mudo
Não muda
Não pára
Não nunca!

O tempo e o modo



Aprendi a arranjar coisas.

Quase todas as minhas tentativas de fazer pequenas reparações, montagens de móveis com instruções, aparelhos de electrónica, televisões e hi-fi, terminavam em confusão, insucesso e frustração.

Havia sempre alguém ou de casa ou de fora que vinha "compor o ramalhete", e fazer funcionar.

Sempre estive convencido que por maldição da Natureza, me faltava a qualidade responsável pela aptidão pela mecânica!

Um dia destes, ao subir as escadas do meu escritório deparo com um vizinho novo que ainda não conhecia e que estava de portas abertas atarefado a montar a casa, com criancinhas pequenas aos pulos, mas com uma calma olímpica progredia nas diversas tarefas que normalmente são feitas em outsourcing. Comentei-lhe: " Sabe, tenho grande admiração por si. Nunca consegui arranjar esse tipo de coisas nem fazer nada do género"!

O meu vizinho, sem nenhuma hesitação, respondeu-me: " Isso é porque não lhe dedica tempo".

Na verdade, é sabido que nem tenho conhecimentos – nem sequer tempo para os adquirir – que me permitam resolver a maior parte das avarias "mecânicas" ou instruções a seguir para a montagem de aparelhos, dado que escolhi concentrar o meu tempo na minha vida profissional em assuntos não mecânicos. Portanto, continuo a ir a correr à oficina mais próxima ou recrutar especialistas.

Mas agora sei que é uma escolha feita por mim, que não fui "amaldiçoado", nem sou de outra forma incapaz ou impotente. E sei que eu ou qualquer outra pessoa, que não seja deficiente mental, podemos resolver qualquer problema se nos dispusermos a dedicar-lhe tempo.

A questão é importante, principalmente porque às vezes não nos dispomos simplesmente a gastar o tempo necessário para resolver muitos dos problemas intelectuais, sociais ou espirituais da nossa vida, tal como eu não o gastava até há bem pouco tempo em resolver problemas "mecânicos"!

Antes das minhas "iluminações" recentes em uma série de montagens e instalações, deitaria as mãos à cabeça e diria:

" Não sou capaz".

E eu acho que esta é a forma como muitos de nós abordamos outros dilemas da vida do nosso dia-a-dia.

A questão é muitas vezes de tempo.

Assim que nos apercebemos de um problema, sentimo-nos perturbados e exigimos uma solução imediata e não estamos dispostos a tolerar, o desconforto sentido, o tempo suficiente para analisarmos o problema.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

piropos brejeiros e quejandos




Se fai un'avance a una donna non sei un gentiluomo.
Se non la fai non sei un uomo.

Tradução carnal:

se fazes um piropo brejeiro a uma mulher não és um cavalheiro.
se não o fazes, não és um homem!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Dear old Winston


Winston Churchill often dined with friends, dignitaries and celebrities at Chartwell, his beautiful country home in Kent.

He was a generous host, providing unlimited Champagne, cigars and brandy for the enjoyment of his guests.

One evening a friend of Churchill's, South African Prime Minister Jan Christian Smuts, brought him a bottle of South African brandy.

Churchill sampled the offering before looking appreciatively at Smuts. "My dear Smuts, it is excellent," he declared, "but it is not brandy."

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Caim ( de Saramago)



Li, nestes primeiros dias de férias, o livro "Caim" de Saramago.

Achei-o divertido, fantasioso como não pode deixar de ser, com uma escrita corrida e sem dificuldades de leitura.

Não vejo que qualquer crente possa ficar ofendido, chocado, indignado ou considerar uma blasfémia pois trata-se de uma ficção.

O único reparo que posso fazer é o de Saramago ter escolhido episódios bíblicos, que não me merecem a mais pequena credibilidade, mas com o intuito claro de demonstrar que Deus é mau, castigador e vingativo.

A visão delicodoce de uma voz tonitruante por detrás de nuvens espessas, com barbas longas e uma facies pouco nítida também não é melhor.

Na minha opinião, uma patetice pegada toda a campanha de defesa das versões bíblicas em contraposição ao ateísmo sabido e mais do que conhecido de Saramago!

Que grande gargalhada deve ele estar a dar pela importância que deram a este romancezeco e que feliz deve estar Pilar pelas receitas arrecadadas com a sua venda empolada.

Os tugas nunca percebem quando é para se levar a sério ou estão a reinar connosco!

A sério é para levar a desonestidade de Pilar e José Saramago que vieram com ímpetos de portugalidade desejar que os impostos sobre a sua fortuna colossal sejam taxados em Portugal quando sempre viveram em Espanha e lá foram amealhando bom dinheiro.

A Espanha tem toda a razão legal e moral e vamos ver se Portugal não vai ainda tentar adoçar a futura reforma de uma Pilar espanhola de quatro costados, que agora quer ser portuguesa.

Comunas de merda!

Nota: estes meus comentários nada têm que ver com a minha apreciação sobre o escritor. Foi aquilo a que chamei, noutro posting, as minudências de Saramago & Família, que não me interessam, não estou de acordo e detesto.

sábado, 7 de agosto de 2010

Summer holidays


The greatest time of the year
Summer holidays
Much freedom and a pint of beer
Summer holidays
Just do what you want
There’s no need to pant

Just have some fun with your friends
Summer holidays
You got even time to watch the ants
Summer holidays
Don’t ever dare to think of school
Summer holidays have no rules

Meet friends, have fun or just chill out
Buy milk, go swim or eat an ice upon a roundabout
You understand what they are like?
Summer holidays are the time of your life!

Kevin Deckert

sexta-feira, 30 de julho de 2010

The importance of being a good person


A person, actually is something more than a biological condition.

It is something born of the deep mystery of the spirit, that always needs to be nourished with ethical and moral values. And must never be forgotten, abandoned to its luck, or become monotonous.

To be a person, is also to live in a world of persons, no matter the conditions.

The essential aspects are always born in the inner world, and this is the reason that the person must be spiritual which is cooperative, understanding, with a feeling of solidarity, worthy, responsible, profound, educated, noble, kind, obliging, affective, humble, dedicated and many other things.

This is not a coincidence, it needs sustenance and constant information. To be a person is loving Love and also loving everything that surrounds us.

MNA

quinta-feira, 29 de julho de 2010

The death of common sense


Today we mourn the passing of an old friend, by the name of Common Sense.

Common Sense lived a long life but died from heart failure earlier this year. No one really knows how old he was since his birth records were long ago lost in bureaucratic red tape.

He selflessly devoted his life to service in schools, hospitals, homes, factories and offices, helping folks get jobs done without fanfare and foolishness. For decades, petty rules, silly laws and frivolous lawsuits held no power over Common Sense.

He was credited with cultivating such valued lessons as to know when to come in out of the rain, the early bird gets the worm, and life isn't always fair.

Common Sense lived by simple, sound financial policies

(don't spend more than you earn),

reliable parenting strategies

(the adults are in charge, not the kids),

and it's okay to come in second

(or even last, as long as your best efforts were given).

A veteran of the Industrial Revolution, the Great Depression, and the Technological Revolution, Common Sense survived cultural and educational trends including body piercing, whole language and "new math." But his health declined when he became infected with the "if-it-only-helps-one-person-it's-worth-it! virus.

In recent decades his waning strength proved no match for the ravages of overbearing regulations.

He watched in pain as good people became ruled by self-seeking lawyers.

His health rapidly deteriorated when schools endlessly implemented zero tolerance policies, reports of six year old boys charged with sexual harassment for kissing a classmate, a teen suspended for taking a swig of mouthwash after lunch, and a teacher fired for reprimanding an unruly student.

It declined even further when schools had to get parental consent to administer aspirin to a student but cannot inform the parent when the female student is pregnant or wants an abortion.

Common Sense lost his will to live as the Ten Commandments became contraband, churches became businesses, criminals received better treatment than victims, and federal judges stuck their noses in everything from Boy Scouts to professional sports.

Finally, a woman who was stupid enough not to realize that coffee is hot, and was awarded a huge payout for her stupidity, caused Common Sense to finally throw in the towel.

Common Sense was preceded in death by his
parents Truth and Trust;
his wife, Discretion;
his daughter, Responsibility;
and his son, Reason.

Not many attended his funeral because so few had realized that he was gone.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Na volta do correio do meu primo Luis Bernardo


Meu Caro Manuel,

Respondo-te na volta do correio.

Tira umas férias que te farão bem!

Olha cada coisa com a importância que tem na tua vida e na daqueles a quem queres, aí.

Não fazes mais do que o teu dever, aguenta valentemente os embates e cria fortaleza contra as súbitas mudanças e imprevistos da sorte.

Sabes, o amor é paciente e bondoso.

A paciência é uma arte que se tem que praticar mais. Deixar o tempo correr, excepto se forem coisas que exijam uma intervenção urgente e são raras.

Depois o termo bondoso significa saber olhar nas entrelinhas, perceber os sinais que podem não estar tão expressos ou como se deseja ou precisa.

A bondade consiste na resignação ao que se tem, por não se poder ter mais.

Sabes, o amor não é orgulhoso, nem arrogante.

No fundo há sempre pouco desprendimento, no sentido de que sabe bem ser-se reconhecido pelos esforços ou ajudas prestadas.

É a simplicidade necessária a cada situação que vai indicar o grau de maior ou menor arrogância em se querer “programar” os outros.

Sabes, o amor não busca os próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor.

Se se quer mesmo ser verdadeiro consigo próprio, em muitos casos - e não me refiro à culinária - tem-se a tendência para se guardar um bocado, ou seja não se é totalmente desinteressado.

O difícil é dar com prazer e saber-se que um desejo de posse, se foi, pura e simplesmente, com a entrega dada.

O apagar da memória, para além de revelar generosidade, é saudável.

É preciso fazer uma limpeza frequente do “internet cache” senão o computador torna-se pesado…

Quanto à não irritação, às vezes é difícil! O sentido é o de “não taquinar” nem ser “taquinado”, que é uma expressão muito prática, pois quer dizer também não exasperar.

Guardar rancor, é linguagem que não tem a ver com amor. Talvez com guerras, negócios, insucessos causados por malandros, patifes quando haja boa-fé não reciprocada. Parece-me desnecessário ter-se rancor, pois o mal está feito!

Sabes, o amor tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

Uma gaita é o que é!

Tudo desculpa…sim, deve-se desculpar. Porquê não desculpar? O que se ganha com isso?

Ao acreditar-se em tudo quanto sejam provas de amor, a única condição que se deve impor é a de não simularem a afeição, nem serem cínicos sobre o amor.

Que melhor há do que esperar-se tudo de bom dos outros? Ou seja, mesmo que não se sinta ou se veja ou que seja de forma diferente daquela que se espera, se se souber que é feito com amor, porque não aceitar?

Claro que se deve lutar pelos “sonhos imaginados” para que as coisas aconteçam na vida como se deseja, não desistir de convencer, persuadir mas chega a um certo ponto e há limites…reais de eficácia, capacidade dos outros de realizarem da maneira que se quer, sonha ou propõe!

So what?

Aqui vem a faceta do amor que tudo suporta. Com condições, claro. De reciprocidade: do ut dare (dou para receber), mas se mesmo assim for humanamente aceitável, não violentar as consciências e tratar-se só de “mau-feitio”, quem no fundo leva a taça é quem continua a amar.

Um abraço amigo de descanso e pausa

Teu primo muito afeiçoado

Luis Bernardo

Recados ao meu primo Luis Bernardo



Meu Caro Luis Bernardo,

Hoje acordei cedo e tinha-me deitado ontem tarde.

Se estiveres com os meus Pais, diz-lhes que me fazem uma falta danada. Tenho imensas saudades de voltar a ser filho sem complicações, sem grandes responsabilidades.

Isto por cá está uma barra pesada de levar, comparado com o que me descreveste ser isso por aí.

Não é muito justo irem-se embora assim, sem mais nem menos, aqueles de quem gostamos, deixando-nos sem regaço aonde pousar a cabeça cansada de preocupações, sem mãos para entrelaçar nas nossas e afagar em silêncio.

É que isto de ficarmos sozinhos a ter que gerir a nossa vida, sem um bom conselho de vez em quando, sem um porto aonde nos abrigarmos quando há tormenta, é mesmo muito difícil.

Repito-te, isto por cá anda difícil, nem tu imaginas.

Cada um com os seus problemas, sem tempo para olhar para os dos outros. E eu quando te escrevo, sinto-me bem, pois sei que o que te digo vai ao teu encontro num ambiente em que já nada faz sofrer e permite-te observar, reflectir e aconselhar com calma e tranquilidade.

É tremendo quando se acorda de noite e se constata que é a nós agora a quem compete transmitir tudo isto que te estou a dizer, para os que nos seguem na linha da vida.

Bem, por hoje é tudo.

Um abraço amigo do

Manuel

segunda-feira, 26 de julho de 2010

8ª Carta do meu primo Luis Bernardo ( notícias sobre Osama bin-Laden)


Meu Caro Manuel,

Tive hoje um encontro muito inusitado e deveras curioso.

Morto recentemente, o número três da Al-Qaeda e líder no Afeganistão, Mustafa Abu al-Yazid, conversou comigo sobre uma série de factos que penso serem desconhecidos sobre a vida pessoal do seu líder, Osama bin Laden.

Disse-me que era seu cunhado e que no atentado que o matou, juntamente com ele, morreram a mulher e as suas três filhas, além de outros elementos da família.

Revelou-me alguns detalhes da vida doméstica da família de Bin Laden, que morou na Arábia Saudita entre 1974 e 1991, passou 5 anos no Sudão e em 1996 mudou-se para o Afeganistão.

São revelações surpreendentes, que mostram um Osama contraditório e cheio de manias.

Osama casou-se com Najwa em 1974. Ela tinha 15 anos e ficou logo grávida. Teve um filho, depois outro e mais outro - nos 3 primeiros anos de casamento - foram 3 filhos homens.

Ela queria a todo o custo ser mãe de uma rapariga. E, quando teve o quarto filho, que se chamou Omar, não resistiu mais - começou a deixar crescer-lhe o cabelo e a vesti-lo como uma rapariga.

Em 1981 Osama passava longas temporadas longe de casa, combatendo a invasão soviética no Afeganistão.

Um dia, ao voltar a casa na Arábia Saudita, deparou-se com uma cena bizarra que o fez ficar perplexo! Tinha tido uma filha: agachava-se e fazia festas no seu cabelo e no seu vestido, relata al-Yazid.

Realizando que era Omar, explicou-lhe que o vestido que ele tinha e o corte de cabelo eram para meninas e que ele era um rapaz.

Osama mandou a mulher parar com a brincadeira, e ela obedeceu.

Mas voltou a vesti-lo de rapariga nas ausências do marido.

Um dia Osama chegou de surpresa. Segundo al-Yazid, não disse nada. Ficou parado a olhar para a mulher com uma expressão que tornava bem claro que ela não deveria desafiar o destino.

Najwa cortou os cabelos do filho, queimou os vestidos e nunca mais fê-lo passar por menina até ter a primeira filha, 6 anos depois.

Osama bin Laden abomina os EUA, confirmou-me al-Yazid. Mas já esteve lá. No final dos anos 70, o casal passou duas semanas na América pois ele foi encontrar-se com um homem chamado Abdullah Azzam.

Abdullah era um teólogo sunita, que pregava a guerra santa e viria a tornar-se o mentor de Bin Laden.

Osama foi passar 7 dias em Los Angeles. Não se sabe por que quis ir a Hollywood, símbolo máximo da cultura americana. Mas a viagem foi tranquila. O único contratempo foi no regresso. No aeroporto, um homem espantou-se com a roupa de Najwa, uma burca que tapava todo o corpo, e começou a olhá-la descaradamente. Osama não se ofendeu, e até achou graça à situação.

Segundo al-Yazid , Osama é considerado um génio em matemática: tem capacidade para fazer contas enormes, de cabeça.

al-Yazid narrou-me que havia homens que o visitavam na sua casa e o desafiavam a competir com uma máquina de calcular. Bin Laden conseguia sempre terminar as equações em primeiro lugar. A sua memória é também acima da média: é capaz de recitar o Corão inteiro de cabeça, o qual tem mais de 350 páginas.

Mas, segundo al-Yazid, a grande paixão de Osama é uma ciência específica - a genética. Quando morou no Sudão, entre 1991 e 1996, quis produzir os maiores girassóis do mundo. Cruzou várias sementes da planta até criar girassóis que chegaram a ter o tamanho de uma cabeça.

al-Yazid contou-me que no mundo muçulmano, o cão não é o melhor amigo do homem - os muçulmanos evitam ter cães como animais de estimação, pois consideram-nos sujos.

Osama criava pastores-alemães, e não seguia à risca a determinação do Islão: brincava com eles e fazia-lhes festas. Mas os cachorros não tinham a mesma sorte, pois um dia, Omar estava a brincar com a sua cadela e alguns guerrilheiros vieram pedir-lhe emprestados alguns dos cachorros recém-nascidos.

Ele pensou que queriam os cachorros para reprodução, contou-me al-Yazid. Algum tempo depois, Omar descobriu qual o destino dado aos cachorros: estavam a ser sacrificados pelo jihad. Os soldados usavam-nos para testar armas químicas.

al-Yazid diz que Osama não mostrou nenhuns remorsos quando isto foi descoberto pelo seu filho Omar.

Bin Laden tem gostos culinários curiosos e variados. O pequeno-almoço é bem frugal, pois come um bocado de pão com azeite. Já nas refeições, prefere coisas mais elaboradas - o seu prato preferido é beringelas recheadas com carne. Adora fruta e espera o Verão com ansiedade para comer mangas, a sua fruta preferida.

Bin Laden bebe bastante mel com água quente – uma mistura que, segundo ele, tem propriedades medicinais. Mas a sua bebida preferida é sumo de passas, que aprendeu a fazer quando morava no Sudão.

Osama punha as passas num recipiente grande, enchia com água e deixava assim durante toda a noite.

As passas misturavam-se com a água, formando um sumo que ele bebia durante o dia seguinte.

Desde muito novo, Osama gostava de fazer longas caminhadas nos desertos da Arábia Saudita e subir até às montanhas. Algumas vezes, guiava jeeps durante horas até encontrar o lugar perfeito para descansar. Mais tarde, segundo me disse al-Yazid, criou inclusivamente o hábito de levar os filhos nesses passeios - mesmo quando ainda eram muito pequenos.

Não podiam beber água até voltarem do passeio, nem sequer pensar em água, conta al-Yazid. Bin Laden queria ensinar os filhos a suportar o calor. Alertava-os para que deviam estar preparados para fazer longas estadias no deserto todas as vezes que o Ocidente atacasse o mundo islâmico.

Durante a estadia dos Bin Laden no Sudão, Osama decidiu que até as mulheres e os bebés deviam experimentar este tipo de treino. al-Yazid contou-me que organizou para toda a família uma noite no deserto: todos tiveram que dormir em buracos cavados no chão, tapando-se com folhas e terra. E ninguém refilou!

Ao todo, Osama teve 6 mulheres e 20 filhos. Três mulheres ainda vivem com ele. al-Yazid confirma que Najwa e 4 filhos, entre eles Omar, fugiram do Afeganistão mesmo antes dos ataques americanos em 2001.

Najwa voltou para a casa dos pais, na Síria e Omar foi para a Arábia Saudita aonde entrou para os negócios da família Bin Laden - que é a dona da maior construtora do mundo islâmico.

al-Yazid disse-me que Osama queria viver com a maior simplicidade possível, segundo os ensinamentos do profeta Maomé. Por isso, a família não podia ligar o ar-condicionado em casa, ou sequer usar o frigorífico. As únicas regalias permitidas eram o fogão a gás e as lâmpadas eléctricas.

As campanhas de Osama contra o luxo fizeram com que proibisse que alguns dos filhos, que tinham asma, usassem medicamentos, diz al-Yazid.

A sua técnica era a de os mandar respirar através de um favo de mel, o que não adiantava muito. Assim, segundo al-Yazid, todos sofriam com crises asmáticas e frequentemente iam parar ao hospital.

As crianças também não podiam brincar com brinquedos - Osama dava cabras aos filhos com que eles pudessem brincar.

Enquanto a família sofria com estas restrições, Osama esbanjava dinheiro comprando carros de desporto. Esta sua paixão começou quando ele tinha 9 anos e pediu um automóvel de presente ao pai (o empresário Muhammed Awad bin Laden), contou-me al-Yazid.

Por incrível que pareça, foi-lhe dado e conduziu-o com a perícia de um adulto até se tornar maior de idade. Mas foi o suficiente para transformá-lo num apaixonado por carros, que trocava todas as vezes que saía um modelo novo.

Quando Omar nasceu, diz al-Yazid , Osama tinha um Mercedes pintado de dourado. Era como se fosse uma carruagem de ouro, lembra al-Yazid.

Perguntei-lhe a finalizar como tudo começou, e ele confessou-me que os Estados Unidos apoiaram os Talibãs.

Os EUA têm interesses no Afeganistão, não só pelo negócio do ópio ( 80% do ópio a nível mundial provem do Afeganistão) mas também porque querem construir oleodutos e gasodutos.

O Paquistão e o Afeganistão suportam cerca de 60% da droga que é enviada para os Estados Unidos.

A União Soviética invadiu o Afeganistão em meados de 1979. Os Estados Unidos, através da CIA, financiaram e treinaram cerca de 100.000 radicais islâmicos que se uniram para expulsar os russos. Conseguiram expulsá-los com apoio dos EUA.

Diz-me, porém, que a verdade é um pouco diferente, pois foram os Estados Unidos que provocaram a União Soviética para que invadisse o Afeganistão. Cinco meses antes da invasão Soviética o presidente Jimmy Carter assinou uma lei dando o apoio político e económico aos afegãos contra os soviéticos. Uma operação secreta da CIA "empurrou" os russos para a armadilha dos Talibãs.

Os talibãs conheciam bem o terreno do Afeganistão, eram por isso os homens indicados.

Bin Laden foi para o Afeganistão em 1980, sendo um especialista em recrutar e treinar mujaidins, tendo ele sido também treinado pela CIA, acrescenta.

Meu caro Manuel, como vês a vida terrena tem destes equívocos. Aqui já nada disto tem importância.

Um afectuoso abraço do teu primo

Luis Bernardo

quarta-feira, 21 de julho de 2010

O jantar no Brasil no século XIX


O JANTAR NO BRASIL

DEBRET, Jean-Baptiste. O jantar

Subordinada às exigências da vida, a hora do jantar variava, no Rio de Janeiro, de acordo com a profissão do dono da casa. O empregado jantava às duas horas, depois da saída do escritório; o negociante inglês deixava a sua loja na cidade ali pelas cinco horas da tarde, para não mais voltar; montava a cavalo e, chegando à sua residência num dos arrabaldes mais arejados da cidade, jantava às seis horas da tarde. O brasileiro de outrora sempre jantou ao meio-dia e o negociante hoje a uma hora.

Era muito importante, principalmente para o estrangeiro que desejasse comprar alguma coisa numa loja, evitar de perturbar o jantar do negociante pois este, à mesa, sempre mandava responder que não tinha o que o cliente queria. Em geral não era costume apresentar-se numa casa brasileira na hora do jantar, mesmo porque não se era recebido durante o jantar dos donos. Muitas razões se opunham: em primeiro lugar o hábito de ficar tranquilamente à vontade sob uma temperatura que leva, naturalmente, ao abandono de toda etiqueta; em seguida a negligência do traje, tolerada durante a refeição; e, finalmente, uma disposição para o sossego que para alguns precede e para todos segue imediatamente o jantar. Esse repouso necessário ao brasileiro, termina por um sono prolongado, de duas ou três horas, a que se dá o nome de sesta.

DEBRET, Jean-Baptiste. A sesta

No Rio, como em todas as outras cidades do Brasil, é costume, durante o tête-à-tête de um jantar conjugal, que o marido se ocupe silenciosamente com seus negócios e a mulher se distraia com os negrinhos que substituem os doguezinhos, hoje quase completamente desaparecidos na Europa. Esses molecotes mimados até a idade de cinco ou seis anos, são em seguida entregues à tirania dos outros escravos que os domam a chicotadas e os habituam assim a compartilhar com eles das fadigas e dissabores do trabalho. Essas pobres crianças revoltadas por não mais receberem das mãos carinhosas de suas donas manjares suculentos e doces, procuram compensar a falta roubando as frutas do jardim ou disputando aos animais domésticos os restos de comida que sua gulodice, repentinamente contrariada, leva a saborear com verdadeira sofreguidão.

Quanto ao jantar em si, compõe-se, para um homem abastado, de uma sopa de pão e caldo gordo, chamado caldo de substância, porque é feita com um enorme pedaço de carne de vaca, salsichas, tomates, toucinho, couves, imensos rabanetes brancos com suas folhas, chamados impropriamente nabos etc., tudo bem cozido. No momento de pôr a sopa à mesa, acrescentam-se algumas folhas de hortelã e mais comumente outras de uma erva cujo cheiro muito forte dá-lhe um gosto marcado bastante desagradável para quem não está acostumado. Serve-se ao mesmo tempo o cozido, ou melhor, um monte de diversas espécies de carnes e legumes de gostos muito variados embora cozidos juntos; ao lado coloca-se sempre o indispensável escaldado (flor de farinha de mandioca) que se mistura com caldo de carne ou de tomates ou ainda com camarões; uma colher dessa substância farinhosa semi-líquida, colocada no prato cada vez que se come um novo alimento, substitui o pão, que nessa época não era usado ao jantar. Ao lado do escaldado, e no centro da mesa, vê-se a insossa galinha com arroz, escoltada porém por um prato de verduras cozidas extremamente apimentado. Perto dela brilha uma resplendente pirâmide de laranjas perfumadas, logo cortadas em quartos e distribuídas a todos os convivas para acalmar a irritação da boca já cauterizada pela pimenta. Felizmente esse suco balsâmico, acrescido a cada novo alimento, refresca a mucosa, provoca a salivação e permite apreciar-se em seu devido valor a natural suculência do assado. Os paladares estragados, para os quais um quarto de laranja não passa de um luxo habitual, acrescentam sem escrúpulo ao assado o molho, preparação feita a frio com a malagueta esmagada simplesmente no vinagre, prato permanente e de rigor para o brasileiro de todas as classes. Finalmente, o jantar se completa com uma salada inteiramente recoberta de enormes fatias de cebola crua e de azeitonas escuras e rançosas (tão apreciadas em Portugal, de onde vêm, assim como o azeite de tempero que tem o mesmo gosto detestável). A esses pratos, sucedem, como sobremesa, o doce-de-arroz frio, excessivamente salpicado de canela, o queijo de Minas, e mais recentemente, diversas espécies de queijos holandeses e ingleses; as laranjas tornam a aparecer com as outras frutas do país: ananases, maracujás, pitangas, melancias, jambos, jabuticabas, mangas, cajás, frutas do conde, etc.

Os vinhos de Madeira e do Porto são servidos em cálices, com os quais se saúdam cada vez que bebem: além disso, um enorme copo, que os criados têm o cuidado de manter sempre cheios de água pura e fresca, serve a todos os convivas para beberem à vontade. A refeição termina com o café.

Passando-se ao humilde jantar do pequeno negociante e sua família, vê-se, com espanto, que se compõe apenas de um miserável pedaço de carne seca, de três a quatro polegadas quadradas e somente meio dedo de espessura; cozinham-no à grande água com um punhado de feijões pretos, cuja farinha cinzenta, muito substancial, tem a vantagem de não fermentar no estômago. Cheio o prato com esse caldo, joga-se nele uma grande pitada de farinha de mandioca, a qual misturada com os feijões esmagados, forma uma pasta consistente que se come com a ponta de uma faca arredondada, de lâmina larga. Essa refeição simples, repetida invariavelmente todos os dias e cuidadosamente escondida dos transeuntes, é feita nos fundos da loja, numa sala que serve igualmente de quarto de dormir. O dono da casa come com os cotovelos fincados na mesa; a mulher com o prato sobre os joelhos, sentada à moda asiática na sua marquesa, e as crianças deitadas ou de cócoras nas esteiras, se enlambuzam à vontade com a pasta comida nas mãos. Mais abastado, o negociante acrescenta à refeição um lombo de porco assado ou o peixe cozido na água com um raminho de salsa, um quarto de cebola e três ou quatro tomates. Mas, para torná-lo mais apetitoso, mergulha cada bocado no molho picante acima descrito; completam a refeição bananas e laranjas. Bebe-se água unicamente. As mulheres e crianças não usam colheres nem garfos; comem todos com os dedos.

Os mais indigentes e os escravos nas fazendas alimentam-se com dois punhados de farinha seca, umedecidos na boca pelo suco de algumas bananas ou laranjas. Finalmente, o mendigo quase nu e repugnante de sujeira, sentado do meio-dia às três à porta de um convento, engorda sossegadamente, alimentado pelos restos que a caridade lhe prodigaliza. Tal é a série de jantares da cidade, após os quais toda a população repousa.

Depois de ter afligido a alma de nossos leitores com a descrição da frugalidade do triste jantar do escravo no Brasil, não me parece sem interesse conduzi-los, por oposição, ao início de luxo moderno desta mesma mesa brasileira.

Lembrarei pois que, em 1817, a cidade do Rio de Janeiro já oferecia aos gastrônomos, recursos bem satisfatórios, provenientes da afluência prevista dos estrangeiros por ocasião da elevação ao trono de dom João VI. Essa nova população trouxe efetivamente com ela a necessidade de satisfazer os hábitos do luxo europeu. O primeiro e mais imperioso desses hábitos era o prazer da mesa, sustentado também pelos ingleses e alemães, comerciantes ou viajantes vindos inicialmente em maior número. Esse prazer, fonte de excessos, mas sempre baseado na necessidade de comer, dá ensejo, por isso mesmo, a uma especulação certa, monopólio de que se garantiram os italianos, cozinheiros por instinto e primeiros sorveteiros do mundo civilizado. Rio de Janeiro teve, por conseguinte, nessa época, seus Néos, seus Tortonis, em verdade reunidos em uma só pessoa, mas de talento e de atividade, que se encarregava com êxito de todas as refeições magníficas e cujo estabelecimento florescente oferecia aos oficiais portugueses, encantados de encontrar no Brasil uma parcela dos prazeres que haviam gozado em Lisboa, banquetes e serviços particulares delicadamente executados.

Encorajados com o êxito do restaurador, outros italianos abriram sucessivamente um certo número de casas de comestíveis, bem abastecidas de massas delicadas, azeites superfinos, frios bem conservados e frutas secas de primeira qualidade, e o desejo muito louvável de se sustentarem pela cooperação mútua levou-os a se instalarem numa rua já reputada pela presença de um dos três únicos padeiros da cidade nessa época. A reputação merecida desse empório (aliás bastante caro) cresceu de tal maneira, que hoje todo o verdadeiro conhecedor sente subir-lhe a água na boca ao ouvir o nome da rua do Rosário, bem construída e memorável para todo o gastrônomo que tenha visitado a capital do Brasil; vantajosamente situada no centro comercial da cidade, comunica-se por uma das extremidades com a rua Direita (rua Saint-Honoré, de Paris, no Rio de Janeiro).

Por outro lado, um francês se encarregou do abastecimento de farinha e a padaria progrediu rapidamente graças ao acréscimo de consumo provocado pela prodigiosa afluência de seus compatriotas comedores de pão. Outras padarias se instalaram posteriormente, de alemães e italianos, dignas rivais das francesas que existem agora.

É a um desses padeiros franceses, (Maçon) também proprietário de uma chácara perto da cidade, que se deve em parte a melhoria progressiva da cultura de legumes, cujas primeiras experiências foram suas, bem como o comércio de sementes desse gênero vindas da Europa que se faz na sua padaria. Entretanto, é de observar que o legume francês, produzido com sementes brasileiras degenera de maneira incrível já no primeiro ano de cultura. O nabo por exemplo, perde o açúcar e torna-se ardido e fibroso como um rabanete. O mesmo ocorre com diversas saladas.

É o conjunto dessas importações européias, naturalizadas há dezesseis anos no Rio de Janeiro, que alimenta hoje o luxo da mesa brasileira.

terça-feira, 20 de julho de 2010

7ª Carta do meu primo Luis Bernardo (Michael Jackson)


Meu Caro Manuel,

Fui à procura de uma outra figura mais moderna: o Michael Jackson (MJ). Deixaremos para mais tarde Salazar e Álvaro Cunhal. Foram figuras de peso, sim, mas bafientas no final da vida, não pela idade com que morreram, mas pela permanência longa em que usurparam a condução de gentes e de ideais, cada um nos antípodas. Logo trataremos das suas muitas luzes e sombras, que as tiveram e com aspectos menos conhecidos.

Resolvi apurar sobre MJ não tanto o que todos sabem, foi escrito, registado ou testemunhado mas a sua perspectiva de uma vida turbulenta, aparentemente infeliz e de um tremendo e inegável sucesso.

A sua qualidade, mesmo para os cépticos deste tipo de música, tornou-o um ícone dos tempos modernos e achei que tinha interesse ouvir narrar “de dentro” a explicação de tantas atitudes e comportamentos discutíveis, que só o próprio pode esclarecer.

Começou assim por me falar da sua infância: sentia-se muito só no meio dos irmãos, com um pai autoritário e distante e uma mãe pendente da gestão de uma casa em que a desorganização, falta de dinheiro e uma vida agitada, o tornaram como um indesejado.

Esta sensação de exclusão, causou nele um desejo de se afirmar e aproveitando os talentos musicais da família, cedo se começou a destacar. Sentiu o ciúme, a raiva e a hipocrisia de se aproveitarem dele para melhorar o nível de vida e a fama.

Foram momentos em que os seus sentimentos de jovem adolescente se rebelaram contra a solidão e começou a fechar-se e a criar um alter-ego. Admirava-se a si próprio, às suas qualidades e dotes e fazia companhia a si mesmo.

A sua vida sexual de rapaz teve uma evolução complexada e como não se dava com amigos para além da carreira que tinha encetado, sentia-se bem num retorno à infância. Revia situações de carinhos maternos, poucos houve, mas inventava um instinto de protecção e de facto, diz-me, que não começou a crescer em maturidade emocional.

Mais tarde a sua inspiração foi a música que o preenchia e aonde se reencontrava, voando alto e transferindo o seu desejo de exibição e exteriorização para os cenários e roupas fantasmagóricos que criava, as melodias que dançava e as letras que cantava. Transfigurava-se e fortalecia-se.

Nunca teve jeito para os negócios e entregava-se a pessoas que o exploraram mas em que ele confiava cegamente até constatar que já não tinha meios para continuar a “sonhar”.

A droga, o álcool e o desequilíbrio emocional por viver tão isolado levaram-no, uma vez mais, a um excessivo egocentrismo. O afastamento da família e as relações frias que mantinha com alguns familiares, criaram uma repulsa interna sobre a sua origem étnica. Odiava a negritude e tudo fez para se tornar mais claro. Custou-lhe uma fortuna e teve acidentes de saúde que o tornaram num obcecado pela pureza dos ambientes em que vivia.

A sua destruição, começou, segundo me disse, quando nesse regresso à infância de que tanto gostava se passou a rodear de crianças com quem brincava, transportando-se ao seu mundo da fantasia.

A princípio era um desejo sincero e puro de os fazer felizes e as acusações de pedofilia muito o fizeram sofrer.

A sua versão é a de que o continuado tratamento carinhoso que dedicava, a proximidade física e convivência foram-se transformando em paixão desequilibrada e pela sua carência afectiva, tentou encontrar nessas crianças alguma compensação.

A decadência física e os anos a passarem desprovido de tudo o que deveria ser uma vida saudável que lhe permitisse poder explorar o seu enormíssimo talento, tornaram-no dependente de barbitúricos.

A terminar, confessou-me que a morte foi para ele um grande alívio pois tinha a consciência que deixava uma obra inigualável mas já não tinha forças para enfrentar a falta de saúde, a ruína, o descrédito e a perca da fama.

Este concerto que tinha programado já era, segundo ele, um esforço titânico que estava a fazer e sabia que seria problemático pois a imagem que tinha construido, iria ficar prejudicada.

Arrependeu-se de ter começado a sua preparação e disse-me que a sua morte veio no momento certo pois tinha que ser polémica e chamativa, como tinha passado a ser a sua vida desde muito cedo.

Os génios têm que acabar em glória, acrescentou, e a memória que deixou foi ainda a de alguém que mereceu os tributos que de todo o lado lhe prestaram.

Aqui tens o exemplo acabado de um ser humano que seguiu o curso da sua vida, em total liberdade sem que se lhe tenham sido postos “obstáculos divinos”!

Perguntarás se de acordo com os dogmas terrenos, se “salvou” ou “condenou”?

Cinza, pó e nada? Interessa alguma coisa?

Interessa sim, em termos humanos, a excelência da sua música, a genialidade da sua dança e os momentos de qualidade, felicidade e prazer que soube dar a tantos outros seres humanos.

Pagou bem caro na terra, tudo quanto fez de menos elevado!

Está por aqui, no inferno? Talvez a entreter os diabos, dançando no meio das chamas! Continuaria a ser seguramente, um grande ARTISTA!

Teu primo muito amigo

Luis Bernardo

5ª resposta ao meu primo Luis Bernardo


Meu Caro Luis Bernardo,

As tuas quinta e sexta cartas tão curiosas que foram tratando de personagens de outros tempos. Quando for oportuno gostaria que me falasses de duas outras figuras terrenas mais recentes que tanto deixaram marcas entre nós, para uns a imagem de grande qualidade pela obra feita e para outros de luta e oposição. Refiro-me a Salazar e a Álvaro Cunhal.

A tua sétima carta mereceu uma grande reflexão da minha parte e nas férias que vou começar dentro de 10 dias, tentarei comentar o seu conteúdo.

Ando cansado e deprimido pelo que se vai passando neste nosso país, e notarás que o escrevo com letra pequena, pois é a sensação que me dá: de derrota, de desânimo em relação ao futuro, da menoridade dos nossos dirigentes e do desaparecimento, espero que temporário, de tudo quanto com esforço construímos durante séculos.

Bem sei que muitos erros já vêm do passado, talvez até menos dos responsáveis, fossem eles monarcas ou políticos, e muito mais das pessoas, como um povo com características “desorganizadas”: umas vezes gloriosos e com uma vocação universal, outras pequeninos na ambição, no esforço de superar as crises e sem visão de grandeza.

Claro que estás longe de tudo isto, mas deixou-me melancólico esta tua descrição de paz e tranquilidade aliada a uma acção que ocupa o tempo, o tal que não é igual ao da contagem terrena.

Um abraço amigo e exausto, mas preparado para não desistir.

Manuel

segunda-feira, 19 de julho de 2010

6ª Carta do meu primo Luis Bernardo


Meu Caro Manuel,

Hoje vou desvendar-te um pouco mais de como tudo se passa por aqui.

Há uma grande variedade de sítios aonde se pode estar, privilegiando a harmonia e o equilíbrio, a calma e a liberdade de se poder escolher.

A descoberta dos outros é feita de um modo completamente diferente da terrena. É como se todos tivessem sido sempre conhecidos, e só nos revelamos desde que queiramos, ou seja se nos buscam ou se procuramos.

Daí haver uma incessante “actividade” que de certa forma corresponde ao que aí na terra se chama trabalho ou ocupação só que com a grande diferença de não haver a noção do tempo, como já te referi, bem como o cansaço resultante do labor, uma vez que não temos mais o corpo.

As relações do passado, servem só para recordar as memórias da vida de cada um, mesmo com luzes e sombras, e são como que um arquivo na tal grande biblioteca de que te falei em termos figurativos. Não se atribui nenhum juízo de valor ao percurso de cada um pois foi na terra que assuntos terrenos foram analisados, julgados, condenados ou louvados e sempre porque havia um corpo que era o suporte da inteligência, boa ou má, e o agente propulsor das acções individuais e colectivas.

Aqui privilegia-se a unidade e não o conjunto, pois somos todos iguais. E ao contrário da terra em que a diversidade provocava tanto a disputa como a coesão, aqui deixou de haver necessidade de “condottieri”, líderes ou seguidores, pois somos parte dum todo. Um dia perceberás.

Não precisamos de fazer perguntas sobre o “presente” na noção terrena, porque o conhecemos.

Por hoje termino deixando-te para reflexão aquilo que tantas vezes pusemos em dúvida quanto ao seu sentido: “dos Homens terem sido criados à imagem e semelhança de um Deus, na forma em que cada um o conceber ou tiver concebido”.

Talvez o criador e a criatura, possam ter um vínculo mais forte do que o da mera submissão e um ser parte integrante do outro.

Um abraço amigo

Luis Bernardo

5ª Carta do meu primo Luis Bernardo


Meu Caro Manuel,

Imagina tu que encontrei não ainda Vasco da Gama, mas Álvaro Velho que o acompanhou na sua viagem entre 1497 e 1499.

Contou-me que era marinheiro e soldado. Embarcou em Lisboa a bordo da nau “S. Rafael”, capitaneada por Paulo da Gama, transitando posteriormente para a “S. Gabriel”.

Ficarás decepcionado pela descrição que Álvaro Velho faz de Vasco da Gama, mas pedi-lhe que falasse sobretudo do seu carácter, como me referiste.

Eis o que Álvaro Velho me contou do seu conhecimento e trato com Vasco da Gama.

Segundo Álvaro Velho, Vasco da Gama andava na casa dos 30 anos e era um homem de pernas muito curtas, barba preta, nariz longo e beiços apertados.

Era mesmo uma pessoa cruel como a história da sua viagem irá mostrar, acrescenta Velho.

Apesar de tudo, reconhece-lhe valentia para cumprir a missão.

A expedição de Vasco da Gama dispunha das mais avançadas cartas de navegação e levava pilotos experientes. Os navios eram leves e rápidos. Faltavam-lhe, é claro, conhecimentos mínimos de higiene e medicina. O convés das caravelas, não muito grande, estava coalhado de doentes e mortos passadas poucas semanas de viagem. As tripulações eram dizimadas pelo escorbuto.

Dos mais de 150 homens que deixaram Lisboa, só voltaram 55. Por falta de marinheiros, Vasco da Gama foi forçado a abandonar a “São Rafael” e queimá-la na costa da África. A frota levava também um capelão, dois intérpretes (um que falava árabe e outro que conhecia dialectos africanos) e cinco degredados para serem abandonados à própria sorte num sítio qualquer.

Os portugueses abriram o caminho das Índias apoiados na força do canhão, segundo Álvaro Velho me confirmou.

Velho deixa claro que nos planos do navegador não constava estabelecer relações amigáveis com os povos visitados. Ao contrário, nunca hesitou em canhonear os portos de que se aproximava ao menor motivo. A abordagem dos portugueses era realmente agressiva pois muitos tripulantes tinham lutado nas Cruzadas e julgavam-se no direito de impor sua vontade a tiro sobre os hereges.

Umas das vezes, quatro naus estavam atracadas no porto, com peças de ouro e prata a bordo. Os poderosos do lugar, diz Velho, vestiam roupas coloridas de algodão e linho, com turbantes de seda. Vasco da Gama bombardeou o porto até obrigar o sultão a fornecer-lhe água potável e dois pilotos para guiá-los pela costa. Não satisfeito, saqueou dois navios cheios de mercadorias.

A próxima parada foi a ilha de Zanzibar. O piloto confundiu o lugar com o continente e Vasco da Gama mandou chicoteá-lo. Em Melinde, o navegador trocou um refém nobre por um piloto árabe, que conduziria a frota em segurança a Calecute – finalmente, as Índias.

Velho diz que os portugueses imaginavam que a Índia fosse povoada por cristãos de rito oriental.

Numa visita aos templos hindus de Calecute, Gama surpreendeu-se com as imagens dos deuses de vários braços.

Acompanhado de onze fidalgos e de um intérprete, Vasco da Gama entregou ao rei de Calecute uma carta do rei Dom Manuel.

Recostado num divã de veludo, o rei ouviu o relato de que a coroa portuguesa era a "mais poderosa" da Europa e uma das mais ricas em ouro. Tudo ia muito bem até que a comitiva portuguesa resolveu mostrar os presentes que havia trazido. O rei ficou chocado com a pobreza da oferenda: uma dúzia de casacos, seis chapéus, seis bacias, um pacote de açúcar e dois barris de manteiga, rançosa depois de tanto tempo no mar.

O rei, cheio de espanto teria perguntado, se tinha vindo de um reino tão rico, por que não trouxera nada?

O navegador ficou inactivo, mas por pouco tempo - bem cedo percebeu que poderia saquear as embarcações que cruzavam o Índico e abastecer-se das mercadorias necessárias para comerciar na região.

Vasco da Gama tratou os seus prisioneiros com uma crueldade enorme, enviando cestos com suas cabeças decepadas às famílias desses homens, nas cidades costeiras. Num episódio marcado por um acto de barbárie, Vasco da Gama queimou um navio cheio de peregrinos muçulmanos no Oceano Índico. Morreram 240 homens, além de mulheres e crianças.

Álvaro Velho a terminar diz que mais tarde voltou à Índia com uma esquadra de vinte navios, estabeleceu feitorias e enriqueceu pilhando mercadores árabes e indianos que encontrou pelo caminho.

Meu Caro Manuel, o que desculpa o nosso antepassado é que era a prática da época pois após a descoberta do Brasil, a frota de Álvares Cabral Cabral bombardeou a cidade, matando mais de 400 dos seus habitantes!

Mas a vida é o que é, e Álvaro Velho narrou-me o que toda a gente no seu tempo sabia.

Um afectuoso abraço do teu primo

Luis Bernardo