quarta-feira, 17 de abril de 2013
sábado, 13 de abril de 2013
caminhante
Caminante son tus huellos el camino, nada más. Caminante no hay camino se hace camino al andar. Al andar se hace camino y a volver la vista atrás se ve la senda que nunca haz de volver a pisar. Caminante no hay camino, sino estrellas en la mar.
terça-feira, 9 de abril de 2013
Continuação da viagem a Israel com o Príncipe de Sabóia - a Mossad
Já tinha ouvido muita
coisa sobre os agentes secretos israelitas, porém a coisa que mais sabia era
que, na verdade, não sabia quase nada.
Isto compreende-se quando
estamos a falar de um dos serviços secretos mais “famosos” do mundo – entre
aspas, já que esta fama se deve justamente ao facto de pouco se saber. Ouve-se
dizer muita coisa sobre a CIA, a Interpol ou o MI-6, mas quase nada sobre a
Mossad – Instituto para a Inteligência e Operações Especiais.
O Príncipe e eu fomos numa
viatura oficial do Hotel Excelsior para o edifício do Museu da Mossad, nesse dia inaugurado.
Esperavam-nos uma série
de individualidades, entre elas generais do Exército e da Força Aérea fardados e com o peito constelado de condecorações, alguns políticos e
jornalistas, entre eles um muito conhecido de nome URI DAN, de quem fiquei
muito amigo e com quem me escrevi até ter morrido. Visitou-me em Portugal com a
mulher e ofereceu-me o seu livro sobre a Mossad, autografado. Era um reconhecido repórter, que colaborou com
o New York Post, o Jerusalem Post e com o Ma’ariv. Escreveu vários livros,
nomeadamente, “Ariel Sharon :
entretiens intimes avec Uri Dan”, “Blood libel: The inside story of General
Ariel Sharon's history-making suit against Time magazine”, “Crimes d'état :
L'assassinat de Rabin, les attentats”, “Sharon's Bridgehead”, “To the Promised
Land”,”Eichmann syndrome” e o referido livro que acima refiro.
Tínhamos chegado a Tel
Aviv poucos dias depois dos jornais de todo o mundo noticiarem que os homens da
Mossad teriam sido identificados durante uma operação, que deveria ter sido secreta,
em Dubai e de que resultou a morte de um dos líderes do Hamas, Mahmoud
al-Mabhouh. Como era possível que a tão famosa “agência de inteligência” israelita
tivesse cometido uma série de equívocos, deixando pistas sobre a sua acção e
colocando em cheque a sua capacidade.
Ficou provado que os
agentes secretos usaram passaportes falsos para entrar no Dubai, bem como se deixaram
ser filmados ao porem seus disfarces nos lavabos do hotel. Mahmoud al-Mabhouh,
principal fornecedor de armas do Hamas, foi morto por envenenamento no seu
próprio quarto.
Fomos acompanhados pelo
Director do Museu que nos mostrou, naturalmente, aquilo que nos quiseram fazer
ver, mas muitas das alas estavam com as legendas em hebreu e apesar da
amabilidade do nosso anfitrião em nos traduzir para mau inglês, tornou-se
enfadonha a descrição de cada missão e passámos rapidamente para uma sala ampla
aonde se servia um cocktail.
Aí apresentaram ao
Príncipe e a mim alguns dos mais famosos agentes secretos que sem cerimónia, bebiam
sem parar, aliás acompanhados por nós, e como havia uns vagos croquetes e
pastéis, o nível do álcool produzia gradativamente os seus efeitos e reinava grande
camaradagem e alguma excitação por falarem com o Príncipe. Contavam grandes
histórias e proezas do passado e eu ia registando quem era cada um para mais
tarde relembrar.
O Príncipe estava bem-disposto
e chamando-me à parte, pediu-me para convidar em nome dele os principais
notáveis para jantar num restaurante de peixe nas docas, aonde tínhamos estado
na véspera e que era para além de muito apetitoso, de grande qualidade e muito reputado. Percebemos que nunca lá tinham ido e muito se regozijaram, pois era caríssimo!
Ficaram honradíssimos e
nós encantados pela aceitação, pois achávamos que não seria permitido. No carro
comentámos entre os dois, que íamos tentar saber a veracidade de vários episódios que estavam
envoltos em mistério.
A bebida faria milagres, pensei eu, pois já no museu
tinha operado grandes revelações!
Durante o jantar o vinho
correu a rodos, como nas bodas da Caná, e como o restaurante era de enorme
categoria, tinha uma garrafeira excelente cujas marcas de grande renome, o
Príncipe generosamente ia oferecendo aos seus convidados e igualmente fazendo jus!
Eu ia guardando as
distâncias e mantinha-me o mais sóbrio que conseguia. Se quiséssemos ter
montado alguma operação secreta ali à mesa, seguro que os espiões do inimigo,
bastariam ter-se sentado na mesa do lado.
O barulho, as gargalhadas, as
palmadas pouco protocolares nas costas régias, aliás muito bem recebidas e aceites, as promessas de grande amizade, renovavam-se a cada “shot”!
Aproveitei então para
fazer algumas perguntas. Lembro-me que inquiri sobre o fracasso da missão no Dubai,
e o nosso agente “sénior”, sorriu e perguntou num tom irónico:
- “Mas a que fracasso se
refere?”
Percebi exactamente o seu
ponto de vista. Realmente, a missão foi cumprida e o alvo foi eliminado.
A Mossad, durante toda a sua
história, esteve envolvida em inúmeras operações que envolveram raptos,
assassinatos, conspirações e todo tipo de BlackOps (operações secretas negadas
pelo próprio Governo).
Ao chegarmos ao hotel depois
de um jantar bem regado, senti-me como num filme de James Bond. Aguardávamos
pelo nosso convidado no bar do hotel (um dos mais reputados directores da Mossad
que se tinha mantido reservado ao jantar), quando o empregado se aproximou e me
entregou um bilhete e um cartão-chave do hotel.
O bilhete, em inglês,
dizia: “Venham ao meu quarto à
meia-noite.”
Era o tipo de coisas que para
ambos era inédito.
O encontro foi realmente
excepcional. Estivémos a noite inteira a conversar sobre factos históricos de
Israel. Explicou-nos a diferença entre a Mossad e o Shin Bet, a agência de espionagem
que actua internamente em Israel. Disse-nos que a Mossad foi fundada em 1949 e está
sempre ligada directamente ao Primeiro-Ministro. Revelou que, em geral, os agentes
secretos infiltrados de Israel não são israelitas. Segundo ele, era muito
difícil infiltrar alguém estranho, nas células do terrorismo, o que nos pareceu
fazer todo o sentido.
Mostrou-nos desde aparelhos
de escutas super sofisticados a alguns disfarçados, desde relógios a cintos com câmaras
escondidas. E acrescentou que isso não era nada!
Quando perguntámos sobre
o treino dos agentes secretos, sentimos que nosso convidado mudou de tom. Ele
olhou-nos e perguntou-nos se nos exércitos dos nossos países havia algum curso
de operações especiais. Respondemos que supúnhamos que sim. E ele então sorriu
e disse: “Então perguntem e saberão, como é”!
Uma das acções que
renderam à Mossad toda a sua fama foi a operação “Cólera de Deus”, que tinha
como objectivo eliminar os responsáveis pelo massacre nos Jogos Olímpicos de
Munique. Confessou-nos que existiam muitas informações contraditórias sobre
esta operação que durou mais de vinte anos. A operação marcou também o início
de uma série de atentados do grupo terrorista palestino Setembro Negro, como represália
às acções da Mossad.
Quanto a mim, deixei
Israel com a impressão de que nem tudo o que parece é, e que muitas vezes
acreditamos naquilo que o nosso interlocutor nos quer fazer crer.
Um afectuoso abraço do teu primo
Manuel
domingo, 7 de abril de 2013
Quem quer ver a barca bela que se vai deitar ao mar?
Quem quer ver a
barca bela que se vai deitar ao mar?
Lembrei-me deste
poema que recitei no primeiro ano da primária na festa do Colégio do fim do ano
lectivo.
Eu, eu…não gritei
nessa altura, mas agora tê-lo-ia feito.
Anjos, S. Vicente
e Nossa Senhora como continua o poema, em que bela companhia estaria eu.
Iria visitar Dom
Afonso Henriques e perguntar-lhe que bagunça é esta? Que povo é este que se
deixa emaranhar em sarilhos, em dor, em pobreza, com tal facilidade que nem
sequer deixa passar alguns anos de intervalo entre altos e baixos.
Ó Rei, nessa
altura ainda não era de Majestade o tratamento, manda o Ega Moniz falar com a
troika…já nessa altura, que diabo, se bem que por outros motivos lá foi de
baraço ao pescoço a Castela…isto é que é sina!
Será que não
podemos ter uns anitos de sossego? De paz, de prosperidade, de trabalho, de
crescimento, de criação de valor e riqueza, de gerações felizes?
O que será
preciso fazer?
Quem quer ver a
barca bela?
Que se vai deitar
ao mar
Que linda
bandeira leva
É A BANDEIRA DE
PORTUGAL!
sábado, 6 de abril de 2013
Para o Gui que está em Windhoek, na Namíbia
Comunicámos por
iPhone. Era noite cá e lá e tinha acabado de chegar. Gostei que se tenha
lembrado de me dar notícias logo ali, apesar de cansado por horas de viagem.
Ousei lembrar-lhe
que as estrelas de África são bem diferentes das de cá.
Pedi-lhe que
considerasse ser engenheiro e poeta.
Pressupõe que
quando puder, se estenda cá fora do seu quarto na relva de mãos e pernas bem abertas
em cruz, e em silêncio perscrute o céu.
Olhe fixo e
deixe-se esmagar um pouco pelo peso do universo africano e sentirá que o
invade, que o toma por completo e mexe consigo.
Deverá poder descansar
o pensamento e abandonado virem-lhe à lembrança tantas coisas que têm ficado
para trás, por falta de tempo e rotina.
Terá que ter
cuidado com as promessas de mudança que terá a tentação de fazer a si próprio. Comece por
poucas, ainda que das essenciais, pois essas têm mais valor. São mais difíceis
e desculpam-se mais quando não se cumprem. Mas escolha algumas simples que dão
prazer em constatar os benefícios, em sendo bem-sucedido.
Deixo-lhe a
título de sugestão esta ideia que sendo aparentemente presunçosa não deixa de
ser verdadeira, sobretudo se os frutos forem por si guardados ciosamente e só partilhados
com quem achar que pode entender.
El pasado?
Qué importa, ya que conmigo todo empieza y todo acabará. Vai em castelhano a
benefício da sua amada.
Um beijo
Pai
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Não sou alegre nem sou triste: sou poeta.
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou se desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno e asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.
Cecília Meireles
sábado, 30 de março de 2013
Um Pequeno Gesto, uma Grande ajuda - Moçambique - Um conto para a minha afilhada
Com apenas 80 cêntimos, 1 criança bebe leite por um mês em Moçambique
Sara Alves - Voluntária UPG
Seja Padrinho de uma criança
Um Pequeno Gesto Uma Grande Ajuda (ONGD)
Afilhados: De 88 em 2007 a 923 em 2013
http://
Querida Afilhada Joaquina Manuel Veloso,
Fico muito contente com as boas notas enviadas, e espero que continues a estudar bem e com aproveitamento.História da floresta da felicidade
Era uma vez uma floresta aonde viviam muitos animais. Desde os maiores até aos mais pequenos, ou seja desde poderosos leões a trabalhadoras formiguinhas.
Cada um fazia os seus afazeres e ninguém se zangava uns com os outros e viviam muito felizes.
Um dia, os animais, espantados ouviram barulhos estranhos e numa clareira que servia de espaço para todos se reunirem, juntaram-se unidos, com medo do que seriam aqueles ruídos.
Parecia como quando os macacos a brincar, pegavam nas folhas grandes das palmeiras e as abanavam e rodopiavam com força. Mas, nada comparável.
O leão, em quem confiavam todos os animais por ser forte e grande opinou que deveriam mandar a águia fazer um reconhecimento. Foi-lhe dito que voasse baixo e discreta para não se tornar notada.
Assim fez, levantou voo e num ápice foi voando sobre a selva até que avistou um pássaro estranho e muito maior do que ela, que tinha na cabeça umas pás que faziam um barulho ensurdecedor e que permitiam que o animal, pousasse aqui e ali, deixando sair do seu ventre crias que saltavam para o solo e se escondiam entre o arvoredo.
Regressou à clareira e narrou isto aos animais que ficaram muito admirados.
O mocho, que via à noite, foi escalado para ir fazer nova e silenciosa inspecção.
Ao pôr-do-sol, partiu e voou, voou, até que ouviu uns barulhos desconhecidos, desta vez como se fossem o falar de animais estranhos.
Pousou num ramo de uma árvore e discretamente pôs-se a observar: uma fogueira com uns seres diferentes, com uma cabeça, dois olhos e nariz pontiagudo, como o do pica-pau, e em vez de andarem a quatro patas, mantinham-se de pé.
Um deles bebia, o mocho achava que seria água, por um estranho bambu sem cor e punha-se a gritar.
Havia-os de várias cores: uns mais brancos do que outros e depois de muito beber, o tal aproximou-se de um mais negro e deu-lhe uma bofetada com a mão, como às vezes o mocho via a mãe ursa fazer a um ursinho mais desobediente. Só que deve ter sido com tanta força que o estranho ser, caiu para o chão e enroscou-se, aparentemente dorido, e continuou a apanhar no corpo com um pau.
O mocho, incomodado com algo que nunca vira, rapidamente regressou ao convívio dos animais para tudo contar.
(continua)
big boy
Aproveitei estes
dias de Páscoa para olhar um pouco para o estado da minha vida. Com este
turbilhão de acontecimentos que têm afligido o nosso país e a nossa sociedade,
naturalmente que a eles não sou alheio.
Primeiro, vários meus
amigos, daqueles de quem gosto mesmo, têm tido sérios e inesperados problemas de
saúde e estranhamente transversais a todas as idades. Temo por eles, sofro com eles,
alegro-me com eles e com os progressos que fazem. Fico a pensar que um dia me
pode acontecer a mim…
Depois, ter que continuar
a trabalhar “sem rede” num país insolúvel, quando devia legitimamente estar a
preparar-me para uma outra metade da vida em que a experiência adquirida, o
dinheiro honradamente ganho e aforrado, me desse tempo para outras coisas,
aligeirando as responsabilidades profissionais, preocupa-me e estremeço com a
fragilidade da estabilidade política e social do mundo, da Europa e da minha
terra.
Continuo a prezar
o diálogo, a concórdia, a paz e a tolerância para a solução de tantos problemas
que nos afligem tanto ao nível pessoal como em comunidade. Nem sempre é fácil,
nem se encontra reciprocidade, mas não se pode desistir. Pode-se sim, ter dias
mais tristes e menos ensoleirados, mas a esperança de um novo encontro, deve
animar-nos.
Finalmente,
depois de algum tempo de certezas e incertezas, apraz-me ter, recentemente e com
a eleição do novo Papa, refrescado as minhas convicções e criado dentro de mim um coração mais aberto
a escutar e a olhar para os valores que tão bem, com tanta simplicidade e com
um ritmo vertiginoso de intensidade, vai convertendo quem, na tormenta, tende a
soçobrar de vez em quando.
Como dizia a
minha Mãe, quando é preciso, há sempre uma bolsa de “libras” que cai súbita e
inesperadamente sobre as nossas cabeças e ajuda a desemaranhar os novelos. Por
enquanto, têm vindo em abundância “graças” que ao profusamente se espalharem sobre mim, preparam o terreno para a lavra.
Esperemos com confiança
pela safra da nova Primavera que agora começa!
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