quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

O NASCIMENTO DE UMA NETA




O NASCIMENTO DE UMA NETA

Dizia eu ontem ao meu filho Gui que mora e trabalha em Barcelona, e que estava um bocado preocupado pelo demorar do alumbramiento da criança, que ia sentir uma alegria especial quando tivesse nos braços pela primeira vez, a sua filha, neste caso. Quem, como eu, tive 6 filhos, foi igual e diferente com cada um, um misto de orgulho, de alegria e de responsabilidade.

Mais tarde, quando vão crescendo, tantas “untold stories”, noites mal dormidas, doenças típicas mas passageiras, idas a correr ao hospital, estudos, carácter, asneiras, e até desastres, que não contamos e guardamos para nós. É assim um capital de amor que temos em reserva e que gostaríamos pudesse vir a ser aplicado quando já estivermos mais velhos.

Só por este momento do nascimento de um filho/a vale a pena viver!

domingo, 15 de dezembro de 2019

Agora a sério


Agora a sério

Vinha de fazer a maior parte das compras de Natal para a família e amigos e regressava a casa. Vinha a pensar que chega-se a uma fase da vida aonde nós próprios não reconhecemos já as nossas próprias qualidades. É um dèjá vu, estão tão vistas que já nem merecem a consciência de quem connosco interage.

Estão como se fossem escondidas, bolorentas, sem brilho. Acabamos por ser gentes de rotina, e o que fazemos não causa já uma surpresa ou sensação agradável nos outros nem em nós próprios motivando-nos a sentirmo-nos mais refrescados e como se novas forças tivessem emergido.

Os casamentos falham, as relações esfriam. As amizades caducam e fica-se triste e resignado/revoltado até a morte ou a que uma doença terminal ponha fim ao sofrimento, isolamento ou abandono.

PORÉM, há uma solução:

- é sabermos preencher os nossos hiatos prolongados de negação à nossa felicidade com as "tais" qualidades, menores ou maiores, sem darmos importância ao nosso ego. Os resultados são quem fala por si.

Quase a chegar a casa vindo a pé com um vento frio na cara, compaginei com o que me sai naturalmente e faço pelos outros e cheguei à conclusão que há-que laborar o bem e não nos julgarmos.

Se formos prestáveis, generosos, desprendidos, alegres, indo ao encontro dos outros sem pré-condições e preconceitos, teremos resultados satisfatórios.

Ao abrir a porta fiquei mais convencido de que a atenção que dediquei à escolha de cada um dos presentes conforme os destinatários foi uma das múltiplas formas aonde como que vem ao de cima as "tais" qualidades que todos nós possuímos.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

O PENINHA ESTEVE NUMA ASSEMBLEIA DO “CHEGA” 



O PENINHA ESTEVE NUMA ASSEMBLEIA DO “CHEGA”

 O Peninha agora serve cocktails e jantares em casas de gente da alta sociedade e está permanentemente a ouvir falar com um entusiasmo crescente do CHEGA e não fazia a menor ideia do que era.

As caras das pessoas sorriam de uma felicidade que há muito não se via e os olhos brilhavam. Também mencionavam com enlevo o nome de um André Ventura que o Peninha ignorava quem fosse.

Calculou que as suas Clientes, nos cabeleireiros lessem a revista “Maria” e comprou um número para ver se encontrava alguma referência. Nada.

Entrou numa tabacaria no Laranjeiro e perguntou se sabiam aonde poderia encontrar alguma informação sobre o CHEGA e o gajo que era comunista, vendeu-lhe o AVANTE.

Achou estranho que dissessem tanto mal e percebeu que era um partido de direita e que o dito André Ventura era o único Deputado no Parlamento.

(continua)

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

ANDRÉ VENTURA candidato nas presidenciais


ANDRÉ VENTURA candidato nas presidenciais

Sou suspeito por ser amigo de Marcelo desde sempre e muito novos ambos. Acho-o um excelente Presidente e vou votar nele, e tenho a certeza de que vai ganhar à primeira volta.

Dito isto, e voltando ao título do meu post, diria apenas que:

1. o motivo óbvio de André Ventura ser um putativo candidato, pois sabe que vai perder rotundamente, é aproveitar o tempo de campanha para ter mais exposição mediática. Só que um Presidente e um PM têm poderes diferentes e numa campanha presidencial os temas fracturantes que AV tem vindo a defender estão deslocados.
2. Ainda mal começou, com 1,5m de tempo de intervenção e já quer concorrer a Presidente falhado. Os eleitores votaram-no para Deputado e a Legislatura está a começar. Ainda se viu pouco de como quer aprender a ser Deputado e a expor as ideias do seu partido.
3, Não tem uma estrutura, uma sede, quadros, formulários para inscrição no partido, orçamento, montante das quotas...portanto tudo com tempo e apoio se consegue. Tem que dar tempo ao tempo e merecer o respeito dos portugueses pelos "results" que for apresentando,
4, O nome do partido é fatal e terá que ser mudado a bem de maior respeitabilidade. CHEGA é um nome eleitoralista e já passou.
5. Tem que tornar público quem são os que o aconselham, o seu comité de apoio técnico e de conhecimento das matérias que interssam ao País, sem vergonhas ou a esconder nomes na sombra. Um "one man show" dará mal resultado!

Esta é a direita que para mim merece ser apoiada por quem se identificar com este Partido e a sua equipe dirigente.

Apostam no desaparecimento do CDS e eu aposto que isso não irá acontecer. Por ser necessário, por ter gente capaz, séria e que com mais ou menos tempos de altos e baixos prestaram serviços relevantes aos Portugueses.

O CDS tem um passivo actual de 2,7 milhões de euros que tornam difícil a sua existência diária.

Haverá quem saiba repartir doacções entre os dois partidos, como sempre houve empresários ricos que o fizeram.

O CHEGA queixa-se e com razão que não o deixam ao nível dos media ter exposição. Há jornais de prestígio à venda por preços baratos, quiçá futuros aderentes que têm apoios fortes e influência na TV, nas rádios. Há que organizar e implementar. Ainda falta muito para fazer, o que é um desafio para AV..

Por isso e a concluir, deixe-se de ideias de concorrer a Presidente enquanto tudo quanto acima digo não for feito, porque senão o tombo fará recuar no tempo a existência de um partido que deverá avançar com prudência, credibilidade e o desejado sucesso.

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

O meu dia de anos


O meu dia de anos

Em primeiro lugar gostava de agradecer a todos quantos se manifestaram por escrito de variadíssimas maneiras e me telefonaram. Cala bem fundo no meu coração pois nestes dias em que somos, nem que por 24h, quem “arrisca” mais um ano de vida, é bom sentir que não somos indiferentes no esforço diário, no meu caso, que faço por ser melhor para os outros, mais humilde e realista em relação ao que é verdadeiramente importante até aos meus últimos dias e sobretudo fazer um esforço para não julgar facilmente terceiros. Se o consigo é um pouco irrelevante, pois é difícil julgar-me, mas o que interessa é a intenção de o fazer e estar atento aos outros para mudar de curso ou rota quando o bom-senso ou a realidade imperam.

Já repararam como o dia-a-dia é difícil e espinhoso? Claro que não me refiro à parte material como a mais relevante, seja-se ou não rico ou remediado ou mesmo pobre. Tem a sua importância e reflexos nos menos tranquilos interiormente e se bem que se deva fazer um esforço para proporcionar a si próprio e à família o bem-estar a que têm direito, a minha constatação é dirigida ao tempo que medeia entre o abrir dos olhos de manhã ao acordar e fechá-los antes de adormecer.

Tanto que pode acontecer durante essas horas, luzes e sombras, mortes, tristezas, abandono, injustiças, solidão e enganos desastrados na tomada de decisões….uma canseira. Diminuir a atenção, mesmo quanto aos pequenos detalhes podem fazer como o rolar de uma bola que começa pequena e se agiganta na neve.

E mesmo que haja algum treino e até um feitio proactivo, quando com tempo se faz uma introspecção concluímos que somos sortudos em estarmos vivos, ter a saúde que se tem, e o grau de “felicidade” a que se chegou. Depois é medir ou em “metros de tempo” ou dias de vida o quanto faltará, estimativamente, até à partida.

Não fazer isto é possível até aos 50 a 55 anos, mas depois e com tudo quanto vemos à nossa volta de mortes precoces, é não saber, verdadeiramente, como aproveitarmos da melhor maneira o tempo.
Amar, gostar, viajar, ler, descansar, fazer negócios sem ser por obrigação para trabalharmos no pão-nosso de cada dia, apreciar a música, clássica e contemporânea, grandes artistas que nos enchem a alma e se possível pensarmos em quem precisa de nós em termos de companhia, apoio moral, conversa, gestão da velhice, redução do sofrimento, minorando a infelicidade que cada vez mais vai afectando os idosos.

Qualquer actividade de solidariedade pessoal, social, colectiva com novos e velhos, doentes ou sãos, deve merecer a nossa entrega para nos esquecermos de nós e das nossas “maleitas”. Somos umas “grandes vítimas” de tudo e esquecemo-nos do que se vai passando no mundo.

Na minha vertente de voluntário no sector prisional que muitos conheceram e que terminou vou agora iniciar um novo projecto que terá a ver com o tempo que decorre entre a reforma e o início de estados terminais de doenças.

A ideia é fazer em zonas prazenteiras e bonitas do nosso país, nomeadamente mais para o sul ( Alentejo e Algarve, não em zonas costeiras) como se fossem umas novas vilas/aldeias modernas, limpas e confortáveis com habitantes pensionistas em que em conjunto mas com privacidade individual (haverá várias modalidades) possam passar os últimos anos úteis da sua vida, sem serem “enfiados” em lares bafientos e a tomarem pastilhas de manhã para ficarem “quietos” para o resto do dia.

Está em embrião e estou a precisar de constituir uma task force composta pelos profissionais que terão a ver com o projecto ( arquitectos, engenheiros, construtores, decoradores, médicos, enfermeiros etccc) para começarmos rapidamente e com eficácia a trabalhar. Será necessário estudar o financiamento do projecto mas temos ideias e uma vez tornado rentável mas não oneroso para os “habitantes” e já com tudo planeado pela iniciativa privada, convocar o Estado para fiscalmente aliviar a realização E CONCRETIZAÇÃO DESTES PROJECTOS.

Isto existe com muito sucesso em muitos países da Europa e poderemos contar com pensionistas estrangeiros de grande envergadura bem como de seguradoras que estarão interessadas em criar um produto atractivo para os seus clientes.

Ora vêem, começar um novo ano, cheio de ideias e projectos já é em si um motivo de alegria pelo dia de hoje.

Mantervos-ei ao corrente do desenvolvimento ou não deste projecto que já começou a ser estudado. É uma modalidade diferente da que já existe nos grandes Grupos portugueses de saúde privada.

Bem-hajam pelos vossos parabéns.

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

A CULPA DA DIREITA


Estive a ler no Expresso e no Sol que saíram hoje que os resultados estimados podem conduzir a uma coligação entre o PS ( que não obtém maioria) e o PCP ou com o BE e PCP.

A direita tem péssimas estimativas e por isso fico lixado com o futuro que se aproxima.


Mas a culpa é da direita, que se fragmenta em múltiplos partidos, cada um com as suas vaidades, em vez de se unirem e tentarem apresentar um programa moderno e coerente, realista e que dê confiança a pessoas moderadas como eu. 


O PS sempre vai fazendo algumas coisas e os eleitores vão acreditando nas caixas de esmolas.
Esquecemo-nos SEMPRE que somos um país POBRE. Não vale a pena disfarçar e o dinheiro não chega para tudo mesmo se descontássemos as corrupçõess...são peanuts na dívida pública, na pequenez dos salários, na pobreza existente.


Não temos remédio se não aguentar com quem estúpidamente o povo vota, ou partir.


Muito desanimador e não me venham com desculpas: repito a culpa é da DIREITA, presunçosa e convencida e bafienta que não sabe apresentar projectos de novidade e de confiança.

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

O PENINHA E AS ELEIÇÕES

O PENINHA E AS ELEIÇÕES

O Peninha está hesitante em quem votar. Tem estado ausente de Portugal na faina do bacalhau há mais de um ano nos mares do Norte e enrijeceu, mas perdeu o contacto com a realidade do país.

Esteve em casa de um amigo que trabalha numa fábrica de pneus como manuseador de borracha, mas é do Sindicato. Tiveram uma longa conversa sobre o panorama eleitoral e o Peninha reteve as seguintes informações:

PS – é o partido aonde se arranjam melhores tachos e deverá ganhar. Tem gente da maçonaria que têm tentáculos na justiça, nas finanças, quase em todo o lado e é muito bonito em cada um dos departamentos do Estado aonde actuam, terem aventais alusivos à actividade: por exemplo no departamento do lixo da CML, está bordado a linha no avental uma camioneta do lixo a recolher os caixotes e com uma divisa “quanto mais lixo, melhor”, nas finanças uma mão aberta com os dedos bem unidos e o mote “ quanto mais cacau, melhor” e no da justiça, para me ficar em três, tem uma balança com os pratos, o da direita vazio e o da esquerda bem pesado com moedas de ouro e uma frase” o ouro, safa da prisão”.

Peninha embirra com o líder pois acha-o pouco consistente e neste caso das armas de Tancos, por que raio, haviam de brincar com os militares e fingirem que roubaram armas velhas e ferrugentas a não ser que se destinem a ladrões, a malfeitores, o que dá um certo sossego à pátria, pois no momento de dispararem as balas sairão murchas como tantas coisas velhas no corpo….

Neste não vai votar.

PSD – O Peninha está farto de água, no seu caso o mar, e não lhe apetece um Rio. Depois o seu amigo sindicalista disse-lhe que para além de também haver muita maçonaria como no PS, há um possível candidato a destronar o Rio que é de magia negra, ou Montenegro, ou lá o que é. O Peninha detesta feitiçaria. Vão ser os segundos no ranking eleitoral, mas não interessa nada.

CDS – Há anos que o Peninha embirra com a Acção Católica pois via a sua mãe vir de lá com véus na cabeça e devota. Tornou-se um lobo-do-mar e fala directamente com Deus no meio das tormentas. Parece que a candidata se fica na crista das ondas e o Peninha, bem ao contrário, apanha com elas bem fortes. Não. Nada de brandos costumes.

PCP – é sempre a mesma cassette. O secretário-geral já está com os pés para a Cova da Piedade. Uma seca e nunca ganham.

De repente o seu amigo falou-lhe de um partido em que internamente houve para lá grandes confusões mas o Altíssimo lembrou-se de chamar o Educador do Povo que era um fdp e apareceu num programa de televisão uma representante do partido, já com uma certa idade, mas rija, que sem as cortar disse claramente: o nosso programa assenta, sobretudo na REVOLUÇÃO e em tudo quanto significa: o povo é quem mais ordena, nacionalizações, nada de impostos, tirar as casas aos ricos e distribui-las pelos amigos do partido, etc

Chama-se PRTP-MRPP e o Peninha não se lembra se o amigo lhe disse que no 25 de Abril o MRPP fazia o jogo dos americanos, mas ficou entusiasmado.

O Peninha foi saber mais deste partido e lá irá votar nele no Domingo, dia 6 de Outubro. Não há nada como se ser contracorrente. Bem, assim como se faz uma revolução para os por no poder também se pode fazer uma outra de sentido contrário.

O Peninha sempre foi um vira-casacas, oportunista, mas ao menos às claras. Vai-se sendo vencedor na vida até um dia se levar um tiro nos cornos de alguém decente.

A morte de DIOGO FREITAS DO AMARAL


A MORTE DE FREITAS DO AMARAL

Conhecio-o bem. Fui seu aluno na Faculdade, quando Marcello Caetano foi para o Governo.

Os encómios e louvores, escuso de os fazer pois são tantos e tão merecidos que estaria a repetir-me.

Conheci-o bem na política e nos meios sociais que frequentávamos.

Conversámos várias vezes sobre política mas nada que seja relevante publicar.

Foi meu Consócio num Clube do Chiado e eu e mais dois amigos consócios estávamos sempre a defendê-lo nos primeiros tempos do 25 de Abril. Acabou por sair do Club pois não era bem recebido. Não faço mais comentários.

Quanto a ir a qualquer cerimónia fúnebre:

1. Quem morreu foi ele;
2. A Mizé (Mulher) e filhos receberão pêsames de muita gente e de poucos se lembrarão, por isso é inútil.
3. Resta-me guardar a memória dele e esperar que tenha tido a oportunidade de se sentir feliz com a vida longa que teve.
4. Quanto à vida após a morte não me compete a mim, nem sei o que dizer e presumo que ninguém mais.

Que descanse finalmente em paz.

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

JÀ HÁ MUITO TEMPO QUE NÃO PUBLICAVA NO BLOGE



JÀ HÁ MUITO TEMPO QUE NÃO PUBLICAVA NO BLOGE

Apeteceu-me hoje escrever sobre várias coisas.

1. Sempre a ouvir gente a dizer mal ou bem do Governo, de tudo, do estado do país, sem vislumbrar nada de positivo….cansa. Eu sei que atento como sou, também critico, creio que objectiva e pontualmente, vários eventos da vida política.

2. O Facebook, já se sabe, é um meio livre de expressão sobre tudo e todos. Também cansa. Encontram-se pessoas interessantes e simples, mas a maioria dá asas a dislates, ódios, iliteracia e pouco estudo da gramática, pois nem bom português sabem escrever. No entanto tenho encontrado amigos de que não sabia há anos e criado novos amigos e amigas que me dão muito prazer ter vindo a conhecer.

3. Não vejo que os que são culturalmente ricos, se pronunciem sobre novos livros que trazem novas ideias e a análise mais aprofundada de situações políticas presentes no mundo.

4. É essencial saber-se ler e falar e escrever línguas estrangeiras sob pena de perdermos um manancial de informação que cresce a cada dia.

5. Encomendo muitos livros nas diferentes fornecedoras de livros em várias línguas, mas implica um esforço de busca e de interesse. Oiço nas tvs estrangeiras a que assisto, a recomendação de leitura que me parece de interesse, pois os seus autores fazem recensões directas do seu conteúdo. Clic e lá vai o Pay-pal gastar mais uns euros.

6. Mandei vir e recebi hoje dois livros que me parecem interessantes ler.

7. “La Sorpresa VOX” las respuestas a las 10 grandes preguntas que todos nos hacemos sobre Vox.

8. “ When China rules de world” por Martin Jacques. Diz o Economist” The West hopes that wealth, globalization and political integration will turn China into a gentle giant…But Jacques ( o autor) says that this is a delusion. Time will not make China more Western; it will make the West, and the world, more Chinese….

9. Vou ler cheio de interesse ambos. Aqui vos deixo estas duas boas sugestões de leituras para férias.

LAUS DEO

domingo, 14 de julho de 2019

O PENINHA FOI CONVIDADO PARA O COCKTAIL DA EMBAIXADA DA RURITÂNEA



O PENINHA FOI CONVIDADO PARA O COCKTAIL DA EMBAIXADA DA RURITÂNEA


O Peninha tem andado em viagem por países complicados a entrevistar líderes odiados e amados como o Presidente Trump, o Ayatola Khomeny do Irão e até o Marco Paulo.

Regressou a Portugal (trabalha agora para um jornal digital “O Notícias falsas” e encontrou no correio um convite da Embaixada da Ruritânea para o cocktail do aniversário do dia nacional.

Como era a primeira vez que ia a um pôr-do-sol (cocktail em modo possidónio) tentou saber como seria o traje e sondou no arquivo do seu jornal e encontrou vagamente uma pequena informação que era de casaco de cetim violeta, laço colorido a dar com o tom do casaco e calças de seda preta com uma lista violeta e sapatos de lacrau pretos brilhantes. Achou que era muito triste e passou tudo para dourado.

O cocktail (ou rabo de galo) passava-se numa moradia acabadinha de construir junto à praia de Algés, com varandas e arcadas. Tinha uma escadaria escondida que dava acesso à praia e cujo objectivo era permitir a fuga de pessoas clandestinas e comércio de canábis para botes que arrimavam de noite junto ao areal.

O Peninha chegou todo vestido de dourado e claro, não passou despercebido. O Embaixador de uma família de marchantes conhecida na Mealhada, deu-lhe um grande abraço e mostrou-se honrado com a sua presença.

Começava bem, pensou Peninha para consigo. Só faltava que ele o apresentasse aos diversos convidados que desde logo se apercebeu pertencerem ao meio-industrial do calçado, das carnes, dos têxteis, das bebidas e até pareceu-lhe entrever uma cronista social cujo nome ele associou a uma cantora italiana da moda, de apelido Pavone ou coisa do género.

Começou a girar entre as pessoas e apresentava-se e de volta recebia uns sorrisos meio-trocistas, calculava ele por causa do traje dourado, pois os homens estavam todos de casaco branco e laço preto. Até se confundiam com os criados que serviam as bebidas e umas tapas.

Começou a anotar os apelidos dos convidados e mandava o fotógrafo do jornal tirar umas fotografias e perguntava o nome de cada um, para não fazer gafes quando as publicasse.

Uma boazona cheia de carnes em vestido de chiffon claro, de minissaia, loira e toda pintada: - sou a Dolores de Aveiro, esposa do Antero das Salsichas. A mão dela demorou tremente na minha, mais tempo do que a decência formal o indicaria e nos meus apontamentos marquei uma seta para trás o que significava voltar a estar com ela, mas talvez os dois sozinhos num dos terraços.

Um cavalheiro de bigode e cabelo pintado de preto vivo e brilhante com a mão cheia de anéis de oiro bem grossos: Vitor Nabo dono dos Têxteis de Alterne, muito prazer. Anotei no meu caderno que pelo nome da empresa devia fornecer lençóis e outros apetrechos para casas de meninas, o que dava sempre jeito conhecer.

E fui por ali adiante cumprimentando e apresentando-me aos Neves da Carne, aos Gonçalves dos sapatos, aos Pinto de Melo da moda, a vários modelos exóticos que se passeavam no meio das gentes, quais osgas coleantes, mas tudo gente que o Peninha achou interessante e novato como era nestas coisas, considerou serem representativos do jet-set.

A Dolores do Antero das Salsichas, piscou-me o olho e com a cabeça apontou-me um canto de uma varanda mais afastada que estava sem ninguém. Deixei-a ir primeiro e ainda me apresentei ao Sezinando Martins que tinha uma rede de ervanárias. Chato para burro, começou-me a falar do Pau de cabinda que vendia nas lojas e até de umas ervas chinesas que provavam melhor do que o Viagra. A custo consegui despegar-me e avancei com naturalidade para a dita varanda aonde a Dolores me esperava. Nessa varanda havia o pau com a bandeira da Ruritânea desfraldada.

Lá chegado senti-me agarrado com frenesim pela Dolores que me deu um beijo naa boca com um bâton carmim, deixando-me todo esborratado.

- Vês aí o pau da bandeira meu galã, pois foi por isso que te chamei para aqui. O Peninha previu sarilhos com o esposo da Dolores, se bem que a sua salsicha estivesse seguramente mais tesa do que as que o Antero vendia na fábrica.

Já estavam os dois a encenar uma grande cena de marmelada de Odivelas, quando se sentem passos a aproximar-se e o Peninha ficou hirto e firme como se estivesse a admirar os pássaros que chilreavam nas árvores frondosas do jardim da Embaixada.

Era o Embaixador que que queria apresentar ao Peninha o Duque de GibralFaro (entre Gibraltar e Faro) que era o grão-mestre da Ordem do Pavão Azul.

O Peninha ficou todo inchado e curvou a cabeça em sinal de respeito. Entretanto, furiosa, a Dolores deixou-os e foi de volta para o grupo do marido que a acarinhou e que levou uma tapona : - tira as mãos de cima de mim, oubiste? E pôs umas trombas e calou-se.

O Peninha sempre fora curioso em relação à nobreza e tinha ouvido dizer o avô materno que descendiam de um caldeireiro do rei D.Diniz, que pelos serviços prestados lhes tinha dado o apelido de Caldeiras, que não tinha chegado ao Peninha.

O Duque queria impingir-lhe uma condecoração da Ordem mas pedia-lhe uma fortuna e o Peninha disse-lhe que ia pensar, mas desde logo assentou na sua cabeça que fantasias emplumadas estavam fora de questão.

Entretanto chegou a hora de se despedir pois viu toda a gente a retirar-se e ao agradecer ao Embaixador, disse-lhe com muito ênfase, que tinha gostado e que a vivenda da Embaixada era ao estilo francês, mas que estava muito bonita e prestava-se a festas destas.

Em voz baixa o Embaixador, como quem dá um abraço mais apertado, disse-lhe a um ouvido: - ó homem, não se vem vestido de dourado para um cocktail nem para sítio nenhum. Isso é de paneleiro!

O Peninha engoliu em seco e saiu e decidiu comprar o livro da Pavone de que tinha ouvido falar a Arlete, cabeleireira, que morava em frente dele, e trazia tudo, tudo como se devia fazer.

Não pode responder ao Embaixador sobre a sua orientação sexual, pois poria em causa a Dolores, mas havia de a encontrar outra vez e aí se veria como ele era um verdadeiro HOMÃO!

domingo, 30 de junho de 2019

Ainda não chegou


AINDA NÃO CHEGOU

Hoje estive à tarde numa esplanada com um meu grande amigo e falámos um pouco sobre tudo desde política nacional, internacional a negócios aqui em Portugal e no estrangeiro. Já não estava há algum tempo com ele (uns 2 meses) e gosto sempre de pôr a conversa em dia.

No fim quando vínhamos para o carro, citámos fulano, amigo dos dois, que estando velho (mais de 75 anos) se sentia muito abandonado pelos filhos. De óptima saúde e energia, mantendo a lucidez total, ainda viajando cá em Portugal e no estrangeiro, tem o epíteto de velho.

E seguimos falando da velhice em Portugal que é aonde moramos e vivemos.

Não há dúvida que os tempos mudaram mesmo e a geração mais nova tem outros hábitos em relação aos mais velhos. Têm a sua vida acelerada e não têm pachorra para vir estar com os Pais ou Avós que estão sempre desejosos de os ouvir e encontrar e expressar o seu amor e ternura.

Compete a ambas as partes tornar cada encontro um momento de “novidade” e de refrescamento para não se cair na rotina das mesmas conversas sobre doenças, queixumes, dinheiro, atitudes radicais em relação à nova geração que é quem segue e se responsabilizará pelo futuro.

A grande regra é de se saber escutar, eventualmente até nem dar muitas opiniões, sobretudo contrárias e categóricas sobre assuntos de que se não sabe porque se não viveu ou vive.

Os filhos gostam de ouvir dos Pais apoio, conforto nas vidas duras que vão tendo ( a dureza nem sempre significa sequer o dinheiro) até porque há casais novos com muitos problemas, morais, de convivência, de escolha de vida profissional, de separações e divórcios e de netos mais abandonados a viverem novas situações emocionais bem como a encontrarem uma sugestão doce e serena que se adivinha ser fruto da experiência, observação, do tal decurso da idade.

Outra vertente importante é a demonstração de afecto físico, beijos gordos e abraços fortes, que tanto sabem bem: são fruto de amor, de cumplicidade e da expressão do reconhecimento que sentem quando se encontram.

Hoje em dia são os Pais ou Avós que VISITAM os filhos e netos, com quase uma audiência pedida para verem os mais novos pois podem estar no treino de futebol, na aula de inglês ou no rugby (tudo coisas salutares) ou ainda a terem que fazer os trabalhos de casa. Entretanto, nem sempre os filhos têm os Pais em casa ou porque trabalham ou têm outras actividades. São substituídos por empregadas fiéis (normalmente estrangeiras…) e um aparecimento depois das ditas actividades ou mesmo durante pelos Avós não é benvinda. Depois vão jantar e deitarem-se e na realidade passam-se semanas sem se poder conviver nem marcar a presença dos Avós na vida dos netos.

Fenómeno que foi praticado na geração acima e que deixou numa percentagem muito alta raízes bem fortes e um prazer mútuo que se perpetuou através dos tempos. Gostava-se dos Avós pois mesmo que a maioria fosse considerada como “velhos” para além de não ser verdade era a oportunidade de encontrar pessoas da família com menos regras rígidas, facilitadores de pequenas fugas ao estatuído e de um verdadeiro amor que é diferente daquele que se tem pelos Pais.

E a conversa terminou com um grande vazio e sem certezas do que acontecerá a todos quantos se vão aproximando da dita velhice pujante e lúcida, válida.

Como convocarmos o amor e ternura dos nossos filhos que são carne da nossa carne e sangue do nosso sangue. Aqueles que suscitaram no dia do seu nascimento, orgulho, emoção e comoção, e a promessa interior de darmos a vida por aquele ser se preciso for. Este amor…palavra e sentimento que se vai abandonando progressivamente por ser piegas ou inexistente, tem tantas vezes “untold stories” que os filhos não conhecem pois fazem parte da construção da vida deles feita por nós com defeitos e às vezes sem razão, mas com AMOR, tantas vezes preocupação, medos, incertezas e tristezas mas também alegria, orgulho e satisfação pelo resultado do nosso trabalho.

Vitórias nas escolas, boas notas, adaptação aos outros, naturalidade, observar-se com atenção carinhosa o crescimento dos filhos e como fazem as mães vitelas, dando umas marradinhas de amor, quando querem sair do rebanho, doenças duras e difíceis, limitações, e tantas outras coisas que lhes não contamos mas que ficam a contabilizar no nosso coração até ao dia da nossa morte, sem cobrança de juros. Esses são pagos em presença, amor e interesse pelas sucessivas fragilidades que a idade vai trazendo.

Para aonde se ficar? Em lares aonde espetam pela boca abaixo de manhã pastilhas para se ficar aniquilado e sem dar trabalho o dia inteiro, ou instituições mais sofisticadas em que as pessoas são acompanhadas por enfermeiras/os e outros que lá estão.

Mas toda esta gente não substitui os filhos e netos e por isso se diz que há um número crescente de Pais abandonados, numa crescente situação séria e preocupante.

Ora deixo-vos esta transcrição da minha conversa com o meu amigo e talvez possamos reflectir em conjunto, pois dos Governos, sejam eles quais forem nada há a esperar.

Como dizia um autor de que me não lembro o nome “ temos que começar por tratar de nós e bem”. Não era no sentido egoísta evitando a doacção aos outros mas para não chegarmos à situação de abandono.

A velhice e a reforma têm que se preparar com tempo e inteligência.

Outro tema que é o corolário deste é o da morte. Fica para outra conversa.

sábado, 8 de junho de 2019

EQUILÍBRIO


EQUILÍBRIO

Chega-se ao Verão e apodera-se de nós um certo desequilíbrio. Uns por terem férias a mais os outros por não terem de todo em todo, ou só umas idas à praia de Algés para molhar os pés.

É o Sol a mais, são as expectativas frustradas de bom tempo pela mudança do clima, é um certo vazio de dias longos sem nada para fazer, sobretudo para quem não lê ou toma banhos de mar, é a traquinice das crianças pequenas – um cansaço – as inevitáveis discussões em casal pois uns querem facilitar ou empurrar para os outros e alguns estão fartos da família no dia a dia na modéstia dos apartamentos do Senhor Roubado, sem glamour e rotineiros.

Tantas poderiam ser as razões para que umas férias que por definição são para desfrutar e descansar se tornem infernais e se contem os dias para regressar.

Mas voltemos ao desequilíbrio que é o contrário do título: que vida a nossa em permanente contrariedade, com raríssimas excepções, sobre tudo quanto nos apetecia, se sonha, se deseja, se luta para conseguir, se consideraria como a definição de vida!

E se o destino é cinza, pó e nada ainda mais estranho nos parece este percurso terrestre. Quantas vidas cinzentas escuras sem interesse, com sofrimento, sacrifício e uma espécie de desorientação sem saber para aonde nos virarmos.

Havia na primária, nos recreios, um menino gordinho, o Sálvio, que era boa criatura mas parecia uma bolinha de futebol. Os meninos maus e trocistas, nos quais eu não me incluía, mas não tinha ainda a idade nem o sizo para saber como me opor com eficácia…talvez até alguma cobardia, punham-se à volta dele e vinha uma estaladona de um lado; quando virava a cabeça para ver quem tinha feito levava outra estaladona do outro e assim sucessivamente sem se defender até que os bullyonistas ( nessa altura eram malvados) se cansassem.

Ele chorava e um dia atreveu-se a contar à professora. Sei que o Sálvio nunca mais foi visto na escola.

Ora às vezes somos um pouco de Sálvios, pois a nossa vida não tem EQULÍBRIO com que titulei esta pequena nota.