segunda-feira, 13 de setembro de 2021

A moleza


A moleza 

 Eu hoje estou mole. O calor faz-me mole. Mas é boa a moleza, é sensual e prazenteira. Não apetece dar as mãos. Está calor. Mas sabe bem brincar com as pontas dos dedos Sobre o teu corpo nú ao meu lado. Tens cócegas? O que importa é a sensação de tentação, de tentativa, de avanço. 

 Depois fica-se mole de novo. Voltas a chegar-te junto a mim e a tua nudez desperta-me os sentidos E a boca com moleza procura a tua e um beijo mole pode tornar-se em um beijo teso, com força e intrusivo. Volto a estar mole e adormeço e sem cuidares de me acordar exploras o meu corpo da cabeça aos pés e acordo com um arrepio bom. 

Isto aplica-se para acordar os mortos, dizes, com moleza a sorrir. E é verdade, só que não é preciso morrer assim tanto e durante muito tempo. Voltamos a estar moles e o calor incita ao amor e antes de sair ficamos os dois um sobre o outro, roçando-nos com moleza. 

De saída ainda me dizes: oxalá. Viro-me para o outro lado mole e adormeço sem antes beijar o lugar mole aonde estiveste.

In “ cogitações de um dia de Setembro” por Vicente Mais ou Menos de Souza

 

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