O CACHIMBO, a CICCIOLINA e PPC
Quando chegava a casa tinha o
hábito de colocar o cachimbo em cima do tampo da cómoda, tirar o molho
de chaves do bolso das calças e numa breve olhadela ao espelho,
piscava-se o olho, maroto.
- Mais um dia em que te safaste,
marreco! – dizia e em mangas de camisa ia direito para a cozinha aonde
havia um aparelho de televisão a preto-e-branco.
A casa, modesta,
tinha duas divisões: o quarto aonde dormia com uma pequena casa-de-banho
ao lado e a cozinha, que fazia de tudo: sala, comedor e entrada.
Fumava
tabaco de cachimbo Mayflower que ia buscar à Caza Havaneza. O dono,
jurara-lhe que nunca lhe faltaria com um pacote a cada semana. Não se
esquecera, que se não fora ele, tudo teria ardido no incêndio horroroso
que destruiu meio Chiado.
Abriu a televisão e pôs no canal porno
da RTL, o único que via desde que o governo o deixara na situação de
desempregado com um subsídio de merda…mal dava para comer.
Desistira de ouvir as notícias e só lhe interessava o sexo, puro e duro.
Nesse
fim de tarde estava a passar a Cicciolina quando veio ao parlamento
português no PREC e descaradamente mostrou um seio em pleno debate.
Ainda que não fosse a colorido, repetia excitado o nosso homem, era mama
que se visse!
Deu uma grande fumaça no cachimbo e o cheiro doce do tabaco Mayflower espalhou-se pela cozinha.
- Havia de saber o que lhe fazia! Raio de Governo que me deixa sem tostão.
E com carinho, tirou da carteira um pequeno poster de PPC quando no Verão, anunciou a vitória nas eleições.
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