quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

todos temos um preço!




Muitos discordam quando se diz que “todos os seres humanos têm o seu preço”... Eu defendo a teoria de que, claro, todos temos um preço!

Definir premissas que servirão como base para as escolhas que teremos que fazer é o nosso preço, é o nosso valor pessoal, é o que estaremos dispostos a ceder em cada situação.

Nem sempre concordarão com as nossas escolhas e decisões, mas isso não significa que estejamos certos ou errados, significa simplesmente que temos um preço diferente dos outros, que somos capazes de fazer maiores ou menores concessões dependendo dos nossos interesses e valores.

Mais importante do que nos atermos à expressão “preço”, é saber a profundidade deste conceito.

Um exemplo que considero muito claro é a oferta de um emprego. Ao recebermos uma oferta para um novo emprego, temos várias questões para analisar: salários, benefícios, cargo, responsabilidades... Mas será que estas questões são realmente as mais importantes para uma tomada de decisão?

E se eu dissesse que não são?

Que é muito mais importante, por exemplo, saber se os valores da empresa ofertante coincidem com os meus valores pessoais, se a actividade que será por mim desenvolvida irá de encontro à minha ética pessoal ou se a minha qualidade de vida será prejudicada ao aceitar este novo desafio...

Questões como estas determinam o meu preço, pois quando partimos para uma negociação de um novo emprego, devemos ter plena consciência de tudo aquilo de que abriremos mão por um salário maior. Devemos pensar muito antes de deixar a ambição tomar conta das nossas decisões, respeitando o nosso preço, o que significa defender os nossos valores, coisa que é muito mais importante do que um aumento salarial.

Não sei se já repararam, mas quanto mais infelizes somos no nosso trabalho (seja por que motivo for), mais temos a certeza de que o nosso salário é baixo. E sabem por quê?

Porque ser feliz custa muito caro...

A “lei da oferta e da procura”, diz que quanto mais procurados somos, mais super valorizados nos sentimos e consequentemente, mais procurados continuaremos a ser. Por quê?

Porque defenderemos a ideia de que valemos muito e isso chamará a atenção das outras pessoas.

Sabem aonde está o erro? Na situação inversa.

Se não estivermos a ser procurados, não nos devemos desvalorizar, devemos antes investir no nosso preço, devemos fazer-nos mais valorizados, notados e principalmente, procurados.

Não importa, na realidade, quantas vezes somos procurados, mas sim o que sabemos que valemos.

Desta forma, todos estarão dispostos a pagar o nosso preço... Sempre!

E então? Qual é o teu preço?

“Na nossa vida, não importa quanto tempo é possível mantermo-nos vivos, mas sim o quanto tempo conseguimos permanecer humanos”

George Orwell

domingo, 16 de janeiro de 2011

vou calar-me durante uns tempos


Já me fiz a pergunta várias vezes: porque escrevo num blogue?

E acho que já sei o porquê...

Para escrever sobre banalidades, graçolas quando não tenho alguém com quem conversar; para deitar para fora o stress de cada dia; para reunir coisitas interessantes (pelo menos para mim) que encontro por aí; para compartilhar ideias, opiniões, dicas, livros, filmes... Para esvaziar a cabeça quando ela fervilha... Enfim, um blogue serve para muita coisa...

Aprendi a sorrir às pessoas que não gostam de mim, para mostrar-lhes que sou diferente do que elas pensam.

Fazer de conta que tudo está bem quando isso não é verdade, e para que eu possa acreditar que tudo vai mudar e a não temer o futuro.

E como o tempo passa...com cerca de 400 leitores diários, já faz um ano de blogue!!!

Por isso vou calar-me durante uns tempos para ouvir, aprender que afinal posso ser sempre melhor e também para vosso sossego.

Obrigado pela vossa constante paciência e estímulo.

Até lá!

Vicente Mais ou Menos de Souza/Pu-Jie

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Nunca diga te amo se não te interessa


Nunca diga te amo se não te interessa.
Nunca fale sobre sentimentos se estes não existem.

Nunca toque numa vida se não pretende romper um coração.
Nunca olhe nos olhos de alguém se não quiser vê-lo se derramar em lágrimas por causa de ti.

A coisa mais cruel que alguém pode fazer é permitir que alguém se apaixone por você quando você não pretende fazer o mesmo.

Mário Quintana

As sem-razões do amor




Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

Carlos Drummond de Andrade

An elderly Chinese woman had two large pots


An elderly Chinese woman had two large pots, each hung on the ends of a pole which she carried across her neck.

One of the pots had a crack in it while the other pot was perfect and always delivered a full portion of water.

At the end of the long walks from the stream to the house, the cracked pot arrived only half full.

For a full two years this went on daily, with the woman bringing home only one and a half pots of water.

Of course, the perfect pot was proud of its accomplishments.

But the poor cracked pot was ashamed of its own imperfection, and miserable that it could only do half of what it had been made to do.

After two years of what it perceived to be bitter failure, it spoke to the woman one day by the stream.

'I am ashamed of myself, because this crack in my side causes water to leak out all the way back to your house.'

The old woman smiled, 'Did you notice that there are flowers on your side of the path, but not on the other pot's side?'

That's because I have always known about your flaw, so I planted flower seeds on your side of the path, and every day while we walk back, you water them.'

For two years I have been able to pick these beautiful flowers to decorate the table.

Without you being just the way you are, there would not be this beauty to grace the house.'

Each of us has our own unique flaw. But it's the cracks and flaws we each have that make our lives together so very interesting and rewarding.

MARIDO RICO


Saiu numa edição do Financial Times

Uma jovem mulher enviou um e-mail para o jornal a pedir dicas sobre "como arranjar um marido rico". Contudo, mais inacreditável que o "pedido" da rapariga, foi a resposta do editor do jornal que, muito inspirado, respondeu à mensagem, de forma muito bem fundamentada.

E-mail da rapariga:

"Sou uma garota linda (maravilhosamente linda) de 25 anos. Sou bem articulada e tenho classe. Quero casar-me com alguém que ganhe no mínimo meio milhão de dólares por ano. Há algum homem que ganhe 500 mil ou mais neste jornal, ou alguma mulher casada com alguém que ganhe isso e que possa me dar algumas dicas? Já namorei homens que ganham por volta de 200 a 250 mil, mas não consigo passar disso. E 250 mil por ano não me vão permitir morar em Central Park West. Conheço uma mulher (do meu grupo de ioga) que casou com um banqueiro e vive em Tribeca! E ela não é tão bonita quanto eu, nem é inteligente. Então, o que é que ela fez que eu não fiz? Qual a estratégia correcta? Como chego ao nível dela?"

(Raphaella S.)

____________________

Resposta do editor do jornal:


"Li a sua consulta com grande interesse, pensei cuidadosamente no seu caso e fiz uma análise da situação. Primeiramente, eu ganho mais de 500 mil por ano. Portanto, não estou a tomar o seu tempo à toa...

Posto isto, considero os factos da seguinte forma: Visto da perspectiva de um homem como eu (que tenho os requisitos que procura), o que oferece é simplesmente um péssimo negócio.

Eis o porquê: deixando o convencionalismo de lado, o que sugere é uma negociação simples, proposta clara, sem entrelinhas: Você entra com a beleza física e eu entro com o dinheiro.

Mas há um problema.

Com toda a certeza, com o tempo a sua beleza vai diminuir e um dia acabar, ao contrário do meu dinheiro que, com o tempo, continuará a aumentar.

Assim, em termos económicos, você é um activo que sofre depreciação e eu sou um activo que rende dividendos. Você não somente sofre depreciação, mas sofre uma depreciação progressiva, ou seja, sempre a aumentar!

Explicando, você tem 25 anos hoje e deve continuar linda pelos próximos 5 ou 10 anos, mas sempre um pouco menos a cada ano. E no futuro, quando se comparar com uma fotografia de hoje, verá que se transformou num caco.

Isto é, hoje você está em 'alta', na época ideal de ser vendida, mas não de ser comprada.

Usando a terminologia de Wall Street, quem a tiver hoje deve mantê-la como 'trading position' (posição para comercializar) e não como 'buy and hold' (comprar e manter), que é para o que você se oferece...

Portanto, ainda em termos comerciais, casar (que é um 'buy and hold') consigo não é um bom negócio a médio/longo prazo! Mas alugá-la, sim!

Assim, em termos sociais, um negócio razoável a ponderar é, namorar.

Sem ponderar... Mas, já a ponderar e, para me certificar do quão 'articulada, com classe e maravilhosamente linda' você é, eu, na condição de provável futuro locatário dessa "máquina", quero tão-somente o que é de praxe: fazer um 'test drive' antes de fechar o negócio... podemos marcar?"

(Philip Stephens, associate editor of the Financial Times - USA)

sábado, 8 de janeiro de 2011

quem quase vive já morreu!!!


Ainda pior que a convicção do não, a incerteza do talvez, é a desilusão de um "quase". É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.

Basta pensar nas oportunidades que se escaparam pelos dedos, nas oportunidades que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no Outono.

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor, não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados.

Sobra cobardia e falta coragem até para se ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.

Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Para os erros há perdão; para os fracassos, oportunidades; para os amores impossíveis, tempo.

De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.

Não deixes que a saudade te sufoque, que a rotina te acomode, que o medo te impeça de tentar.

Desconfia do destino e acredita em ti. Gasta mais horas fazendo do que sonhando, vivendo do que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu!!!

Sara Batista

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Falas de civilização...


Falas de civilização, e de não dever ser,
Ou de não dever ser assim.
Dizes que todos sofrem, ou a maioria de todos,
Com as coisas humanas postas desta maneira,
Dizes que se fossem diferentes, sofreriam menos.
Dizes que se fossem como tu queres, seriam melhor.
Escuto sem te ouvir.
Para que te quereria eu ouvir?
Ouvindo-te nada ficaria sabendo.
Se as coisas fossem diferentes, seriam diferentes: eis tudo.
Se as coisas fossem como tu queres, seriam só como tu queres.
Ai de ti e de todos que levam a vida
A querer inventar a máquina de fazer felicidade!

Alberto Caeiro

Às vezes, podes sentir-te deprimido com a tua vida


Meu Caro Vicente,

Às vezes, podes sentir-te deprimido com a tua vida. As coisas podem correr mal e não serem como o esperado.

Embora possa haver outras causas para este tipo de situação, penso que um dos principais motivos disso acontecer são expectativas não-realistas.

Podem surgir de ti mesmo ou de outras pessoas, e as expectativas não-realistas fazem com que o teu subconsciente suba e desça, como numa montanha russa. Quando tens sucesso, ficas muito feliz e entusiasmado. Mas quando não o tens, podes sentir-te muito desanimado.

Precisas de evitar este estado de alma. Aqui te deixo algumas dicas sobre como fazê-lo de modo a que possas reduzir o stress e seres mais feliz na tua vida:

1. Deves concentrar-te nas acções e não nos resultados

Se te concentrares só em resultados é uma maneira de experimentares altos e baixos emocionais. Pior ainda, não há muito que possas fazer, já que não os podes controlar. Por isso centra-te em algo que possas controlar e isso são certamente as tuas acções.

2. Diverte-te! Não leves as coisas muito a sério

Às vezes levas as coisas muito a sério a ponto de ficares obcecado. Não faças isso, antes faz tudo o que achares divertido. Divertindo-te, vais certamente ter menos stress, e o teu dia-a-dia vai ser mais agradável. Uma maneira de fazer isto é procurares prazeres escondidos em tudo o que fizeres.

3. Não te compares com as outras pessoas

Deves olhar para o que os outros fazem, apenas para receberes comentários de como podes fazer as coisas melhor. Além disso, comparares-te com os outros, vai provocar duas coisas:

1. Sentires-te diminuído, se fores pior do que eles.
2. Impulsionar o teu ego, se fores melhor do que eles. Mas isto só fará com que o próximo fracasso seja mais doloroso.

Assim, aprende alguma coisa com os outros, define as metas, e refina as tuas acções.

4. Concentra-te em ser como és, em vez de tentares que todos te apreciem

Uma razão pela qual te podes sentir em baixo é estares muito preocupado sobre o que os outros dizem sobre ti. Podes perder demasiado tempo tentando satisfazer as expectativas de toda a gente. Cultiva as tuas paixões e faz aquilo que realmente é importante para ti.

5. Torna-te amigo do insucesso

O insucesso é normal na vida de uma pessoa bem sucedida.

Quanto mais falhas, é bem provável que venhas a ser mais bem sucedido. Faz do teu fracasso um “amigo”.

6. Olha de vez em quando para trás, e não sempre em frente

Veres como estás distante dos teus objectivos pode deixar-te em baixo, em especial, se estás sempre a pensar neles. Portanto, é necessário que também olhes para trás e vejas quanto já progrediste. Que realizações alcançaste. Quais as tuas histórias de sucesso. Relembrar tudo isto vai fazer com que te sintas bem com a tua posição actual na vida.

7. Cultiva o teu entusiasmo

O entusiasmo deixa-te animado com a vida e dá-te energia para fazeres sempre o teu melhor.

Na verdade, a capacidade de manter o entusiasmo apesar das falhas e dificuldades é um traço essencial das pessoas de sucesso.

O sucesso é a capacidade de passar de uma falha para outra sem perca de entusiasmo.

Com um abraço amigo

Manuel

domingo, 2 de janeiro de 2011

Saber sair a tempo



Saber sair a tempo

Uma das coisas que aprendi com pessoas de grande sabedoria é saber sair de cena, deixar o palco, mudar de assunto.

Saber o momento exacto em fazer com que os holofotes fiquem sobre os outros e não sobre nós.

No mundo competitivo em que vivemos a nossa presença “marcante” pode marcar demasiado. A nossa ideia “brilhante” pode brilhar demais. A forma “inovadora” de pensar pode inovar demais. E nem sempre as pessoas estão dispostas a deixar-nos brilhar impunemente. É preciso sair de cena. Nem que seja por algum tempo.

É preciso fazer os outros pensarem que desistimos. É preciso criar a impressão de que não queremos estar mais tempo no palco. Mas saber sair de cena é uma arte tão importante como a de saber entrar em cena. Todos os actores o sabem.

Por isso é preciso sair de cena com classe. É preciso sair de cena com a discrição de um “lord” inglês.

Quando as pessoas se sentem ameaçadas por nós e começam a ter respostas agressivas desproporcionadas, talvez seja o momento de sair de cena. Quando nós, sem termos desejado ou planeado, começarmos a aparecer muito na nossa área de actuação ou no nosso sector profissional, talvez seja o momento de sair de cena por algum tempo.

Saber sair de cena é também saber mudar de assunto.

Os astutos sabem que nada ganhamos ao falarmos de nós próprios. Nem bem, nem mal. Devemos mudar de assunto. Sair de cena.

Não devemos cair nessa armadilha. Quando o embate for com poderosos e conhecermos antecipadamente o poder destrutivo desses poderosos, devemos pensar bem antes de entrar em combate. Talvez ganhemos mais saindo de cena.

Devemos deixar a luta entre mastins para grandes cães. Saibamos sair de cena. Teremos outras oportunidades. Ganharemos outras batalhas com menos desgaste, com menos esforços.

É preciso fazer um grande esforço de sabedoria para saber quando sair de cena.

É preciso ter uma grande capacidade intelectual para saber como sair de cena.

Será que temos tido a sabedoria e a arte de sair de cena, deixar o palco, mudar de assunto, no momento certo?

Pense nisto: o momento de falarmos vem sempre depois do momento de ouvirmos.

sábado, 1 de janeiro de 2011

lista de desejos para o Novo Ano



Faz uma lista de grandes amigos, dos que não vês há mais de dez anos, daqueles que encontras quase todos os dias e os que já não encontras mais…

Faz uma lista dos sonhos que tinhas e dos que desististe de sonhar!
Quantos amores juraste para sempre e quantos conseguiste manter…

Em que te reconheces ainda, numa fotografia antiga ou no espelho de agora?
És o que achastes que serias? Quantos amigos perdeste?

Dos mistérios que sondavas, quantos conseguiste perceber?
Dos segredos que guardaste, quantos são hoje inúteis e ninguém quer saber?

Quantas mentiras criticaste? Quantas cometeste?
Quantos defeitos sanados com o tempo eram o melhor que havia em ti?

Quantas foram as canções que não cantaste e que hoje assobias para sobreviver?
Quantas foram as pessoas de quem gostavas e que hoje ainda acreditas que te amam?

Bom ano de 2011

Os ombros suportam o mundo


Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espectáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Drummond eternizado em Copacabana


E como ficou chato ser moderno.
Agora serei eterno.
……………………………….

Eterna é a flor que se fana
se soube florir
é o menino recém-nascido
antes que lhe dêem nome e lhe comuniquem o sentimento do efémero
é o gesto de enlaçar e beijar
na visita do amor às almas
eterno é tudo aquilo que vive uma fracção de segundo
mas com tamanha intensidade que se petrifica e nenhuma
força o resgata

é minha mãe em mim que a estou pensando
de tanto que a perdi de não pensá-la
é o que se pensa em nós se estamos loucos
é tudo que passou, porque passou
é tudo que não passa, pois não houve
eternas as palavras, eternos os pensamentos; e
passageiras as obras.

Eterno, mas até quando? é esse marulho em nós de um
mar profundo.

Naufragamos sem praia; e na solidão dos botos
afundamos.

É tentação a vertigem; e também a pirueta dos ébrios.
Eternos! Eternos, miseravelmente.

O relógio no pulso é nosso confidente.

Mas eu não quero ser senão eterno.
Que os séculos apodreçam e não reste mais do que uma
essência ou nem isso.
E que eu desapareça mas fique este chão varrido onde
pousou uma sombra
e que não fique o chão nem fique a sombra
mas que a precisão urgente de ser eterno bóie como uma
esponja no caos
e entre oceanos de nada
gere um ritmo.

Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

MINI Countryman TV Commercial: Flow

Há Momentos


Há momentos na vida em que sentimos tanto
a falta de alguém que o que mais queremos
é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la.

Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes
não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.

O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.

Clarice Lispector

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O mais espantoso nos velhos


O MAIS ESPANTOSO NOS VELHOS É A SUA FALTA DE PRESSA, COMO SE ELES DISPUSESSEM DE TODO O TEMPO QUE TERIAM OS NOVOS SE NÃO TIVESSEM TANTA PRESSA.

Mário Quintana

explicação da eternidade


devagar, o tempo transforma tudo em tempo.
o ódio transforma-se em tempo, o amor
transforma-se em tempo, a dor transforma-se
em tempo.

os assuntos que julgámos mais profundos,
mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis,
transformam-se devagar em tempo.

por si só, o tempo não é nada.
a idade de nada é nada.
a eternidade não existe.
no entanto, a eternidade existe.

os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos.
os instantes do teu sorriso eram eternos.
os instantes do teu corpo de luz eram eternos.

foste eterna até ao fim.

José Luís Peixoto, in "A Casa, A Escuridão"

domingo, 19 de dezembro de 2010

NATAL


Natal significa nascimento. Não de uma pessoa comum. Todos sabemos. O Natal foi criado para se comemorar o nascimento de Jesus.

E daí? Ora, Jesus significa para os cristãos, salvação. Salvação? Salvar de quê? Por que razão? Para quê? Qual é o sentido deste nascimento? Será que Natal é isto que vivemos todos os anos? Será que é suficiente entrar num clima natalício para sermos todos “abençoados”?

Reconheço a insegurança e a transitoriedade desta vida. Neste período recebemos muitas mensagens de paz, de amor, de prosperidade, muitos “fluidos” positivos. Há uma atmosfera fraterna e religiosa no ar.

As pessoas enlevam-se com músicas familiares de Natal; músicas que nos embalam desde crianças, luzes a piscar, as ruas agitadas com gente em busca de um presente ou presentes para pessoas amadas, os preparativos da ceia de Natal; um lauto jantar – claro, para aqueles que podem! – tudo isto mostra-nos uma participativa confraternização.

O que importa é a atmosfera de festa, de alegria, pois é Natal. Quem quer parar para reflectir sobre o verdadeiro sentido do Natal? O que importa é o que sentimos, não o sentido real!

E desta forma o verdadeiro sentido do Natal esvai-se, e restam-nos apenas ilusões de uma sociedade de consumo misturada com o sentimentalismo das boas ideologias humanistas – “faça o seu Natal com os pobres”.

Isto sem falar de alguns (des)orientadores religiosos, os quais se auto-apascentam ao contrário de apascentarem as “ovelhas de Cristo”.

Não é à toa que a figura do Pai Natal e todo o clima comercial natalício a muitos encanta! As luzes deste Natal são uma felicidade artificial provocada por um alucinogénio mentiroso, cujo clima é uma nuvem espessa de ignorância.

Deus não deve estar nada interessado numa humanidade sentimentalista, cheia de “ boas intenções” em períodos natalícios, quando essa mesma humanidade passa o ano inteiro “a puxar o tapete” ao próximo, mentindo, enganando, esbanjando ridículas vaidades, cometendo injustiças e torpezas, inchada de arrogância, discriminando, constrangendo moralmente, envolvida em intrigas e calúnias, disputas desonestas, traindo, ameaçando, sendo revanchista, impiedosa e hipócrita.

E ao aproximar-se a atmosfera natalícia, beijamo-nos, abraçamo-nos e confraternizamos fingindo amizade e amor.

Os meus votos, para si caro leitor paciente e amigo do meu blogue, é que possa dar sentido às palavras tão rotineiras, como: PAZ, UNIÃO, AMOR E PROSPERIDADE.

Um ouriço a dilatar-se


O livro de António Lobo Antunes é um diário. Reportado ao ano de 2007. Parei no dia 25 de Março. É dia em que faço anos. Não me lembro onde estava nesse dia ou com quem. Nem se festejei ou festejaram o dia dos meus anos. Fiz contas para ter a certeza de quantos anos eram e estou incerto quanto a ter-me enganado na subtracção.

Compreendo-a, por isso, hoje, a essa escrita, implosão de um ser de que escorrem, viscosos como uma dor nojenta, as vísceras pelas paredes do presente, literárias mas tripas sempre e seus conteúdos sulfídricos, dejectos de memória como uma compota escorrente mais o coração a latejar e um mundo feio quando cerebral vazio de pensamento, e uma ânsia furiosa de beleza e formas boleadas, femininas e reconfortantes quando desinquietam, e sempre o eternizável momento de um fundo olhar vindo do desejo, «aulas tão compridas, dias tão compridos, noites eternas» e a madrugada da desolação solitária.

Leio-o agora em 2010, e 2010 acaba breve, e ele escreveu tudo isso ainda este ano, e editaram-no, rápidos porque há pouco tempo, o tempo foge e ele luta contra o desaparecimento seu e nosso e lêem-no menos, eu próprio leio-o agora por piedade para com os meus remorsos de o ter desprezado, mas não há outra escrita possível porque não há outra vida, fragmentária, «a pele das mulheres tão suave e o consentimento, a avidez».

É domingo. Vou levar tempo a ler-te António Lobo Antunes e a este teu livro e escreverás outro, sempre o último até um dia em que acertarás para fortuna de todos os críticos e os memorialistas e os que purgam os maus instintos e as azias do desprezo para com todos os outros comemorando, olha outra dia foi o Carlos Pinto Coelho e o Herman José a dizer que teve uma morte digna porque foi de repente e ninguém riu.

António Rebelo da Silva

sábado, 18 de dezembro de 2010

tau-tau



O caos e a desordem, a organização e o método, a sedução e a repelência, a vontade de deitar a mão e as ganas de fugir a sete pés, o mundo diverso mesmo quando perverso e o seu reverso! Fanfarras e fanfarrões, figurinhas e mulherões.

Os chineses têm um provérbio interessante que diz «nunca feches uma porta pela qual gostarias de entrar e nunca deixes aberta uma porta pela qual não gostarias que alguém entrasse». Mais do que sabedoria é a vida numa frase.

Uma pessoa chega à janela e vê que está a chover. Olha para o termómetro da rua e reza nove graus. Anoiteceu. Só resta fechar os olhos com força e forçar-se a imaginar. Aquecer-se por dentro e atirar-se de cabeça!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A dor do desemprego


Emprego e desemprego não são só estados sociais.

É verdade que o emprego (em especial alguns empregos) dá estatuto social, mas também permite o desenvolvimento pessoal e a realização profissional.

O indivíduo sente-se integrado num processo de desenvolvimento social para o qual contribui com o seu trabalho.

O trabalho é remunerado e, por conseguinte, ter emprego é ter a possibilidade de adquirir meios para a sobrevivência, diversão, cultura e outras manifestações tão importantes ao equilíbrio do ser humano.

Se o emprego proporciona tudo isto, o desemprego rouba-o, muitas vezes de forma cruel.

Na hora de reduzir aos “custos com o pessoal”, a notícia: “- Lamentamos, gostamos muito de si, foi sempre um funcionário exemplar, mas a empresa necessita de reduzir custos...”, dói, dilacera.

O ter sido dispensado de uma actividade, não contarem com os seus préstimos, provoca em cada indivíduo uma sensação dolorosa e a maior parte das vezes associada a um sentimento de injustiça.

Para quê tanto esforço?! Horas extraordinárias sem remuneração?! Apenas e só o sentido do dever a ditar horas de permanência para além do horário!

A família que, a bem do trabalho, conformada com a ausência, aceitando que as férias sejam reduzidas a duas semanas, poderá não compreender o despedimento!

Angústias sentidas que, a certeza de tudo ter feito para ser um empregado exemplar não acalmam, pelo contrário, são dores difíceis de conter. Não dói a consciência mas dói a alma.

E aos poucos, a dor cede o lugar ao desalento. Instala-se a dúvida e põem-se em causa capacidades.

Triste com o presente e assustado com o futuro, o indivíduo inicia processos de autodestruição podendo acabar, em alguns casos, no suicídio.

O assalto e roubo do meu relógio e a paciência de Job


Job é o exemplo de como se pode passar dos 80 aos 8. De como é fácil, num sopro, perdermos tudo, perdermo-nos, ser-nos tirado o que nos foi dado.

Job personifica a dificuldade que temos em lidar com o que de mau nos aparece. De como nos é fácil dizer que quando alcançamos o bem, o alcançamos sozinhos, e de como quando o perdemos, pensamos que o perdemos por causa de outros.

A paciência, por outro lado, é o saber esperar pelo que de bom há-de vir. O saber que o mal não é eterno, mas parte do processo.

Job passou dos 80 aos 8 e aos 80 novamente. É por isso que dizemos que é preciso «ter paciência de Job». Porque, mais tarde ou mais cedo, algo de bom acontece. Porque não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe. Porque «a vida não passa de um sopro».

Job tomou a palavra, dizendo:

«Não vive o homem sobre a terra como um soldado?
Não são os seus dias como os de um mercenário?
Como o escravo que suspira pela sombra
e o trabalhador que espera pelo seu salário,
assim eu recebi em herança meses de desilusão
e couberam-me em sorte noites de amargura.
Se me deito, digo: ‘Quando é que me levanto?’
Se me levanto: ‘Quando chegará a noite?’
e agito-me angustiado até ao crepúsculo.
Os meus dias passam mais velozes que uma lançadeira de tear
e desvanecem-se sem esperança.
Recordai-Vos que a minha vida não passa de um sopro
e que os meus olhos nunca mais verão a felicidade».

Se apanho o ladrão do meu Frank Muller, não há cá paciência de Job!

O caraças é o que é!

domingo, 28 de novembro de 2010

Metade


Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

Oswaldo Montenegro

sábado, 27 de novembro de 2010

Eu, em dia cinzento...não me apetece nada!


Sou um evadido.
Logo que nasci
Fecharam-me em mim,
Ah, mas eu fugi.

Se a gente se cansa
Do mesmo lugar,
Do mesmo ser
Por que não se cansar?

Minha alma procura-me
Mas eu ando a monte,
Oxalá que ela
Nunca me encontre.

Ser um é cadeia,
Ser eu é não ser.
Viverei fugindo
Mas vivo a valer.

Fernando Pessoa

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Da mãe de todas as greves e dos brandos costumes mais graves


A cabeça perdida virá leve, levemente, como quem chama por nós, mas orgânica e institucional não será certamente, e as revoltas não estalam assim.

Virá por uma coisa adjacente, talvez fútil. Dois marmanjos que perdem a cabeça numa fila. Uma alínea camuflada de um Decreto que pinga no copo cheio e acende o rastilho para um buzinão no Norte, outro no All Garb, dois tiros no Sabugal com uma criança ferida, uma barragem de tractores no Ribatejo.

A Res púbica, alguns da Res púbica, foram acumulando equipamento e preparando uns pretorianos, dois blindados aqui, um corpo de intervenção acolá, e não resistirão á lógica de apagar os focos logo à nascença.

Ao contrário dos intelectuais não subestimo a mão pesada da camorra, nem das reencarnações da carbonária, sempre, sempre a proteger o povo em nome da ética publicana

Uma parte dos média, que estão mortinhos por abandonar o cadáver e passarem-se - com microfones e câmaras – do emergente eixo do mal, para qualquer amanhã que possa cantar e refazer virgindades, farão o seu trabalho incendiário e irresponsável. São como os "meninos do Huambo", precisam de saber o que custa uma bandeira.

A Res púbica , como é tradicional, não poderá contar com os pretorianos, e o equipamento não serve para Marias da Fonte.

Tudo isto existe, e nem sequer é triste num futuro inevitável.

Resta saber qual é o ponto de ebulição, o benchmark estatístico do desespero além da qual salta a faísca neste ambiente combustível ao qual todos os dias se acrescentam zilhões de comburentes.

Dom Carlos de Bragança sabia, e disse-o, que era um País de bananas governado por sacanas. Não estava inteiramente certo e morreu por isso.

Estes sacanas já sabem que todos os dias perdem bananas. Mas prosseguem imperturbavelmente a pilhagem e a fuga em frente, confiados no guarda chuva da grande coligação internacional dos Smith & Wesson. Mas o guarda chuva não chegará para todos, em todos os lugares, ao mesmo tempo. Será o cada um por si. Como já é, mas a outro nível.

Não sei nada dos gastos em hemoglobina e dos iracundos furibundos a caçarem à mão os neo-fascistas bandoleiros escondidos debaixo de camas ou em trânsito para as Venezuelangolas (O Brasil já foi). Normalmente somos poupados no que respeita a esses líquidos orgânicos.

Podíamos bem ter sido nós os inventores dessa arte marcial que é o : - Agarrem-me senão mato-o!

MLM

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Portugal


Indignar-se só não basta!

Já pouco ou quase nada que no peito cala
nesta onda que arrasta, imobiliza e abala
os pilares da "falsa" moral que fala
de mente descarada, perante a nação

tanta gente privada mete a mão na coisa pública
saqueiam os bens de quem quase nada tem
destroem os valores do povo que emprego suplica
mantêm a política imoral e humilhante

cestas, bolsas, telhas, migalhas e outros favores
como se bestas fossem seres humanos aos milhares
apenas lembrados em sazonais períodos eleitorais,
roubalheira nos meandros de poder nacionais

e, ainda têm a cara de pau de dizer convencidos
que o poder emana do povo
e que em seu nome será exercido,
mas, sugam as tetas com tentáculos de polvo

Ó gente, de vielas, cidades e aldeias
- Que mais penas, ó nação Portugal ainda temos que pagar?
- Quanto tempo ainda haverá para se libertar?

De tanta gente impune que nos explora, saqueia.
Pratica há séculos a especulação, sangria.
Empurram o povo para uma vida de pobreza

Das iniqüidades acaso és Mãe gentil?

Corrupção histórica a corroer o frágil tecido social,
engendram tácita e imposta aceitação de métodos,
amparam colarinhos brancos e com projecção social,
Condenam à morte em lenta agonia os excluídos,

Aqueles que só representam números (ou votos)
nas estatísticas, nas camas dos hospitais,
nas filas dos desempregados, sem tectos,
excluídos do PIB, mas números, pois são eleitores.

Num modelo de uma “farsa”, falsa democracia,
de um desgoverno, de promessa em promessa,
vazia de uma minoria que fala em nome de uma massa,
na premissa de passiva, indolente, amorfa.
(afinal tudo se repete, mudam os actores, mas a peça é a mesma no arena da política)

Vagando qual zumbi nos comboios lotados da vida,
na imoralidade da informalidade forçada,
na carência absoluta de meios de sobrevivência
e ainda assim de uma gente que luta e que anseia.

Por mudanças, em quotidiana luta aguerrida,
com o seu suor mantém este país, essa sim brava gente portuguesa.

António Araújo

domingo, 21 de novembro de 2010

Tudo aquilo que é realmente nosso nunca se vai para sempre


Os ventos que às vezes tiram algo que amamos,
São os mesmos que nos trazem algo que aprendemos a amar ...

Por isso não devemos chorar pelo que nos foi tirado
e sim, aprender a amar o que nos foi dado ...

Tudo aquilo que é realmente nosso nunca se vai para sempre !

O outro EU


Para Nietzsche, tudo é máscara, tudo é representação e, assim sendo, até mesmo aquilo que alguns definem como sendo “essência” nada mais é do que uma máscara, como qualquer outra.

Isto é fácil de verificar, na medida em que o tempo passa e aquilo que defino como “real” em mim mesmo, muda. O Manel de 1980 não é o mesmo Manel de 2010, em quase nenhum sentido, nem mesmo fisicamente falando. Estes dois Manel só são os mesmos na medida em que eu confirmo ter sido aquele de 1980.

Alguns argumentam que há uma “qualidade essencial” que permanece. Particularmente, já acreditei nisso, mas estou inclinado a duvidar. Quando pergunto que qualidade é essa que permanece, os sustentadores da ideia da essência não sabem definir ou usam termos de significado amplo, tais como “espírito”, “alma”, etc. Pois bem, se a essência é indizível, então ela não-é, na medida em que tudo o que é humano é interpretável.

Desde que me considero gente, irritam-me os despertadores. Se porventura acordo com o barulho de um despertador, fico logo mal disposto. Entretanto, percebi que quanto mais chato era para mim o som de um determinado despertador, maior era a minha tendência para acordar espontaneamente cerca de dois minutos antes de ele soar. Ao que parece, uma parte de mim resolve poupar-me ao incómodo de ouvir aquele som desagradável, acordando-me antes do barulho se produzir.

Durante muito tempo, diverti-me imenso com este fenómeno sem encontrar uma explicação plausível para ele.

Chamava-me a atenção o facto de que, apesar de existir um EU que precisa de dormir e que usa um instrumento para o acordar numa hora certa, um EU que precisa de um relógio para saber a passagem do tempo, havia também um OUTRO EU que aparentemente nunca dormia, e mais do que isso um OUTRO EU capaz de contar os segundos e os minutos, para realizar um trabalho: acordar-me cerca de dois minutos antes do despertador soar.

Este OUTRO EU que nunca dorme assustava-me pela exactidão com que actuava e pelos poderes que demonstrava.

Pode-se assim achar que o EU não relaxa e dorme superficialmente, angustiado com a expectativa do toque do despertador.

Mas não é o que efectivamente se passa. O sono daquilo que defino como sendo o EU, é profundo e reparador, e quanto mais profundo for o sono [ou distracção] deste EU, maiores as hipóteses do OUTRO EU actuar com impecável exactidão.

Obviamente, esta é uma experiência pessoal. Não estou aqui a dizer que o inconsciente de toda gente elimine a necessidade de despertadores. Contudo, o inconsciente é não apenas existente, mas, sob diversos aspectos, muito mais “consciente” do que aquilo a que chamo de EU.

No entanto o inconsciente não é a parte mais profunda do EU. O inconsciente é o OUTRO EU. E mais: ele não pode ser “mais profundo”, pois está sempre à superfície. Este OUTRO EU manifesta-se em palavras que nos escapam, em actos falhados.

O inconsciente está sempre à superfície.

Judas



Não morremos quando nos matam.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Preocupa-te mais com a tua consciência do que com a tua reputação


Preocupa-te mais com a tua consciência do que com a tua reputação. Porque a tua consciência é o que tu és e a tua reputação é o que os outros pensam de ti.

E o que os outros pensam de ti é o problemas deles.

Bob Marley

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O acto de fazer anos por Álvaro de Campos


"Hoje já não faço anos.

Duro.

Somam-se-me dias.

Serei velho quando o for.

Mais nada."

Não se agradece nada aos Amigos, retribui-se! Fá-lo-ei em dobro!

Álvaro de Campos

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O Romualdo, marido de D. Eufêmia



O Romualdo, marido de D. Eufêmia, era um rapaz sério, lá isso era, e tão incapaz de cometer a mais leve infidelidade conjugal como de roubar o sino de São Francisco de Paula; mas - vejam como o diabo as arma!

Um dia D. Eufêmia foi chamada, a toda a pressa, a Juiz de Fora, para ver o pai que estava gravemente enfermo, e como o Romualdo não podia naquela ocasião deixar a casa comercial de que era guarda-livros (estavam a dar balanço), resignou-se a ver partir a senhora acompanhada pelos três meninos, o Zeca, o Cazuza, o Bibi, e a ama-seca deste último, que era ainda de colo.

Foi a primeira vez que o Romualdo se separou da família. Custou-lhe muito, coitado, e mais lhe custou quando, ao cabo de uma semana, D. Eufêmia lhe escreveu, dizendo que o velho estava livre de perigo, mas a convalescença seria longa, e o seu dever de filha era ficar junto dele um mês pelo menos.

O Romualdo resignou-se. Que remédio!... Durante os primeiros tempos saía do escritório e metia-se em casa, mas no fim de alguns dias entendeu que devia dar alguns passeios pelos arrabaldes, hoje este, amanhã aquele. Era um meio, como outro qualquer, de iludir a saudade.

Uma noite coube a vez ao Andaraí Grande. O Romualdo tomou o bonde do Leopoldo, e teve a fortuna ou a desgraça de se sentar ao lado da mulatinha mais dengosa e bonita que ainda tentou um marido, cuja mulher estivesse em Juiz de Fora. Nessa noite fatal a virtude do Romualdo deu em pantanas: tencionando ele ir até o fim da linha, como fazia todas as noites, apeou-se na Rua Mariz e Barros, ali pelas alturas da Travessa de São Salvador. A mulata havia se apeado algumas braças antes.

E ele viu, à luz de um lampião, o vulto dela saltitante e esquivo, e apressou o passo para apanhá-la, o que conseguiu facilmente, porque, pelos modos, ela já contava com isso. - Boa noite!

- Boa noite.

- Como se chama?

- Antonieta.

- Pode dar-me uma palavra?

- Por que não falou no bonde?

- Era impossível... estava tanta gente... e estes elétricos são tão iluminados.

- Mas o sinhô bolinou que não foi graça! vamos, diga: que deseja?

- Desejo saber onde mora.

- Não tenho casa minha; tou empregada numa familia ali mais adiante, por sinal que não estou satisfeita, e ando procurando outra arrumação.

- Onde poderemos falar em particular?

- Não sei.

- Você sai amanhã à noite?

- Amanhã não, porque saí hoje, e não quero abusar.

- Então, depois de amanhã?

- Pois sim.

- Onde a espero?

- Onde o sinhô quiser.

- Na Praça Tiradentes, no ponto dos bondes. As oito horas.

- Na porta do armazém do Derby?

- Isso!

- Tá dito! Inté depois d'amanhã às oito hora.

- Não falte!

- Não falto não!

No dia seguinte, o Romualdo contou a sua aventura a um companheiro de escritório que era useiro e vezeiro nessas cavalarias... baixas, e o camarada levou a condescendência ao ponto de confiar-lhe a chave de um ninho que tinha preparado para os contrabandos do amor.

Antonieta foi pontual; à hora marcada lá estava à porta do Derby, com ares de quem esperava o bonde.

O Romualdo aproximou-se, fez um sinal, afastou-se e ela seguiu-o...

Dez dias depois, estava ele arrependidíssimo da sua conquista fácil, e com remorsos de haver enganado D. Eufêmia, aquela santa! Procurava agora meios e modos de se ver livre da mulata, cuja prosódia era capaz de lançar água na fervura da mais violenta paixão.

Vendo que não podia evitá-la, tomou o Romualdo a deliberação de fugir-lhe, e uma noite deixou-a à porta do ninho, esperando debalde por ele. Lembrou-se, mas era tarde, que havia prometido dar-lhe um anel, justamente nessa noite.

- Diabo! pensou ele, Antonieta vai supor que lhe fugi por causa do anel!

Voltou, afinal, D. Eufêmia de Juiz de Fora. Veio no trem da manhã, inesperadamente, e já não encontrou o marido em casa.

Estava furiosa, porque a ama-seca de Bibi deixara-se ficar na estação da Barra. Podia ser que não fosse de propósito. O mais certo, porém, era o ter sido desencaminhada por um sujeito que vinha no trem a namorá-la desde Paraíbuna.

Quando D. Eufêmia contou isso ao marido, acrescentou indignada:

- Que homens sem-vergonha!... Não podem ver uma mulata!...

O Romualdo perturbou-se, mas disfarçou, perguntando:

- E agora? E preciso anunciar! Não podemos ficar sem ama-seca!

- Já mandei o Zeca pôr um anúncio no Jornal do Brasil.

No dia seguinte, o Romualdo saiu muito cedo; ao voltar para casa, a primeira coisa que perguntou à senhora foi:

- Então? Já temos ama-seca?. .

- Já; é uma mulatinha bem jeitosa, mas tem cara de sapeca. Chama-se Antonieta.

- Hem? Antonieta?

- Que tens, homem?

- Nada; não tenho nada... E jeitosa?... Tem cara de sapeca?... Manda-a embora! Não serve! Nem quero vê-la!...

- Ora essa! Por quê? Olha, ela aí vem.

Antonieta chegou, efetivamente, com o Bibi ao colo; mas o Romualdo tinha fechado os olhos, dizendo consigo:

- Que escândalo!... rebenta a bomba!... este diabo vai reclamar o anel!.

Mas como nada ouvisse, o mísero abriu os olhos e - oh! milagre! - era outra Antonieta!.

Ele pensou, os leitores também pensaram que fosse a mesma; não era.

Decididamente, há um Deus para os maridos que enganam as suas mulheres.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

o que fazer quando um homem é chato?


Dedico este posting à minha cunhada Ana, à Manucha e a tantas leitoras que ficaram sinceramente zangadas com o meu anterior posting " a mulher chata":-)


o que fazer quando um homem é chato?

WAW!

Homem já é um material escasso no mercado, mas quando você arruma um e o sujeito é chato.

Ah, não!!! Ninguém merece isso.

Homens não podem ser chatos. Homem tem que ser coisa boa. Eles não podem dar trabalho.

Eles precisam servir para alguma coisa, nem que seja para dar massagem na gente.

Homens chatos precisam ser exorcizados, retirados do convívio humano, queimados em praça pública.

Já não basta as mulheres chatas, ainda teremos que aguentar homens também. Isso não!!!

Homem que é homem tem que ter atitude. Não gosto de quem fica esperando por mim. Se é homem, então tome iniciativa. Homem tem que ter mais coragem do que eu. Não precisa ser o Super-homem, mas que saiba me proteger do escuro ou quando uma rã cruzar o meu caminho.

Que seja divertido, que me faça rir muito, o suficiente para eu ficar sem ar e que me deixe com as bochechas rosadas de tanto achar graça. Que tenha bom humor, não precisa ser tão ácido quanto o meu, mas que seja bom, muito bom. Que seja inteligente e saiba conversar sobre qualquer coisa. Que seja mais ágil do que eu e chame o garçom antes de mim.

De preferência que eu não tenha que pedir certas coisas pra ele, porque ele sabe como e quando fazer. É bom que ele me deixe sem graça uma vez ou outra, porque quando eu sou muito segura de mim, eu sou insuportável.

Homem que é homem precisa dirigir pra mim, enquanto eu olho a paisagem pela janela. E pode se quiser dizer que eu não sei estacionar, é verdade, eu não nego. Isso é coisa para homem, eu não sirvo pra isso.
Quem quiser que queime o seu sutiã, mas eu prefiro que homens e mulheres sejam SEMPRE diferentes.

Prefiro que mulheres sejam mais chatas sim e que homens sejam mais surpreendentes.

Prefiro homens calados, deixa que falar eu falo.

Prefiro que homem veja futebol, eu faço companhia.

Prefiro que os homens sejam calmos e mantenham o controle nos momentos certos.

Deixa que confusão faço eu.

Homem tem que me dar é segunça e me fazer bem.

E se for chato, não me serve. Pronto, falei!!!

A qualquer momento podemos ser notícia


A qualquer momento podemos ser notícia!

Se a minha empresa criar um produto ou serviço, um livro, uma ideia ou qualquer outra coisa que atraia um número determinado de pessoas, ou que seja inovador, é bem provável que passe a ser notícia na grande imprensa.

Se não se estiver bem preparado é péssimo para a imagem e negócios da empresa, uma vez que uma imagem que não se controla, será reproduzida por alguém, normalmente, da forma menos favorável para os envolvidos.

Acontece que, como as pessoas e as organizações muitas vezes não se manifestam sobre assuntos do seu interesse, o que mais se noticia são os aspectos negativos da situação.

Reconheço que nem sempre os órgãos de comunicação dão o mesmo espaço para acusadores e acusados, porém muitas organizações nem se pronunciam, defendendo-se, piorando a situação e a imagem desgasta-se cada vez mais, por conta disso.

A inabilidade para conviver com a opinião púbica é um traço característico de muitos empresários. Já se imaginou os efeitos de um boato de que a empresa está a beira da falência?

Pois é, muitas vezes as empresas preferem calar-se, em vez de esclarecer os factos. Admitir deficiências e problemas não se trata de incompetência, mas de tratar com clareza o público alvo e os mercados aos quais a empresa deve explicações: clientes, funcionários, fornecedores, accionistas e sociedade.

Informar, em vez de calar, é a melhor estratégia para monitorizar a própria imagem, desenvolver boas relações corporativas e criar novos mercados. Quando a nossa empresa, nada diz quando é solicitada a falar, esclarecer, corre-se o risco de deixar por conta do acaso algo que se levou muito tempo a construir: a boa imagem.

Quem não cuida da sua própria imagem, deixando-a a cargo de acasos e ao sabor do vento, pode ter surpresas bem desagradáveis quando se vê envolvido em situações inesperadas.

Pense nisso! Talvez nos encontremos na próxima manchete jornalística ou televisiva?

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Prometo que fica para a próxima


São muito poucos aqueles que ganharam mais do que um Prémio Nobel. Sem contar com as instituições, houve Marie Curie a única mulher a ganhar dois Nobel e a única pessoa a conseguir o feito em duas disciplinas científicas distintas. Linus Pauling ganhou também dois prémios, o da Química e o da Paz. Houve ainda Sanger, que ganhou dois Prémios Nobel na Química e finalmente John Bardeen, que antes de Sanger foi o primeiro laureado a receber mais de um prémio na mesma área científica, a Física.

Aquando da recepção do primeiro, em 1956, pela invenção do transístor, John Bardeen levou consigo a Estocolmo apenas um dos seus três filhos. Os restantes dois estavam a estudar em Harvard e Bardeen não quis perturbar os seus estudos. O Rei Gustav IV, no entanto, repreendeu o cientista por este não ter trazido à cerimónia o resto da família, ao que Bardeen terá respondido, que traria todos os filhos da próxima vez. Em 1972, quando homenageado pela teoria da supercondutividade, cumpriu a sua promessa e levou os três filhos à entrega do prémio.

os dias cinzentos voltam sempre


Há dias em que tudo é cinzento.

Não só o céu e o ar, mas a alma também.

São dias em que pensamos na vida e, por mais que estejamos felizes com ela, não nos sentimos satisfeitos.

Dá para pressentir esses dias à distância, e é engraçado porque parece que os dias cinzentos são colectivos.

Dá cá uma tristeza... uma tristeza que não é egoísta, pois também se apoia nas coisas do mundo: uma criança na rua sem abrigo, um amigo que perdeu uma pessoa querida, um desconhecido chorando no metro.

Dá vontade de abraçar todas as tristezas do mundo, e dizer que tudo vai ficar bem.

São dias em que tudo parece sem sentido, porque mesmo que tudo esteja a correr bem na nossa vida parece que ainda falta alguma coisa que não sabemos identificar o que é.

Mas a verdade é que por mais tristes que esses dias sejam, são eles que nos apelam ao nosso melhor.

Ao pensarmos no que nos falta, descobrimos outras (maravilhosas) coisas que não conhecíamos de nós próprios.

E por mais que nos completemos, por mais que fiquemos felizes, os dias cinzentos voltam sempre, porque, afinal, precisamos muito deles.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Mal nos conhecemos


Mal nos conhecemos
Inauguramos a palavra amigo!

Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!

Amigo (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.

É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!

Alexandre O'Neill

domingo, 7 de novembro de 2010

2012 e Carreira Medina


Olá a todos!

2012 é um assunto muito discutido actualmente, principalmente para aqueles a quem eu chamo de "recém-acordados", por assim dizer.

Não os chamo assim por desrespeito, nada disso, é uma forma de dizer, pois são pessoas que estão a "acordar" agora, despertando aos poucos da ilusão em que vivemos na nossa actual sociedade.

Algumas rápidas observações:

-Se pensam que alguém vai "descer" à Terra para os salvar, como Jesus por exemplo, podem ir tirando o cavalo da chuva, pois isso não vai acontecer. Se estão na lama, são VOCÊS que têm que sair dela.

Se pensam que o mundo vai acabar em 2012, podem esquecer, pois isso é uma mentira completa. A Terra ainda vai passar por muitos e muitos ciclos.

Se pensam que o mundo em que vivemos actualmente, de corrupção e de guerras ao chegar a 2013 será todo florido com paz e amor, também podem ir tirando o cavalo da chuva!

É tão simples quanto isto : ou trabalham e se mexem, ou são « retirados » da Terra e levados para outros sítios no espaço, com deficits elevados do género Portugal ou Grécia !

Vai existir uma "compatibilidade" energética, onde se encaixarão.

Eles vão vigiá-los todos os dias, a todas as horas, a todos os momentos, e têm um registo completo da vossa existência desde a origem espiritual até ao presente.

Eles observam atentamente, e se virem que não estão a trabalhar e a nada fazer, irão "sofrer as consequências".

E se por acaso acreditam um pouco no que vos estou a avisar, fiquem atentos, pois o vosso tempo está contado!

Não sou Deus, nem sou Jesus nem o Prof. Karamba e não tenho especial autoridade para lhes dizer isto tudo, mas sei como o universo trabalha. E isso já é o suficiente.

Reflictam sobre isto tudo!

Carreira Medina

A tenda de "tintins"


Espantam-se? Mas que geração é esta que está hoje no poder e no mando no sector público, mesmo onde eram dispensáveis, e no sector privado onde conseguiram tornar-se úteis porque necessários?

Aquela que gerámos, cobaias na instrução do propedêutico e do serviço cívico e do unificado, fruto na educação dos nossos complexos de progenitores liberais e permissivos. A que aprendeu a arregimentar-se nos partidos como forma de fazer carreira, os partidos a que demos existência, entregando-lhes primeiro o Estado, depois o País. Os consumistas, egoístas, aqueles que não passam os apontamentos das aulas aos colegas para que eles não lhes passem à frente na classificação. Os que se colam aos pais e deles vivem, incapazes de deitar a mão ao esforço do sustento próprio. O fruto da desagregação dos nossos lares. Aqueles para quem o último mestrado corresponde o primeiro desemprego.

Somos, enquanto País, a mistura complexa de cinquenta anos de ditadura de Estado que caiu de podre e de vinte e cinco de socialismo de Estado que se desmoronou. À lógica do funcionalismo somámos a do clientelismo.

Falido e desacreditado esse Estado, damos connosco a boiar no charco liberal da desregulação, no pântano do mercado e suas monstruosas criaturas: a economia sufocada pelas finanças, a produção ao serviço da dívida.

A República Popular da China compra a dívida externa de Portugal, porque a Nação dos Portugueses se tornou numa tenda de tintins. O Fundo Monetário Internacional pode tomar conta disto, porque tal como os que vão aos Casinos de Macau, na roleta do mercado de capitais, estamos nas mãos das casas de penhores. As seitas encarregam-se do resto.

José António Barreiros

sábado, 6 de novembro de 2010

pessoa mais ou menos


A gente pode morar numa casa mais ou menos, numa rua mais ou menos, numa cidade mais ou menos, e até ter um governo mais ou menos.

A gente pode dormir numa cama mais ou menos, comer um feijão mais ou menos, ter um transporte mais ou menos, e até ser obrigado a acreditar mais ou menos no futuro.

A gente pode olhar em volta e sentir que tudo está mais ou menos...

TUDO BEM!

O que a gente não pode mesmo, nunca, de jeito nenhum...
é amar mais ou menos, sonhar mais ou menos, ser amigo mais ou menos, namorar mais ou menos, ter fé mais ou menos, e acreditar mais ou menos.

Senão a gente corre o risco de se tornar uma pessoa mais ou menos.

Chico Xavier

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Tirem-me daqui


Tirem-me daqui
Expluda uma bomba
Rebente uma revolução
Mas tirem-me daqui
Rápido

Que venha um furacão
Antes da minha próxima respiração
Tirem-me daqui

Chamem os bombeiros
Deixem-me
Deixem-me sair a correr porta fora
Gritar os meus rancores
Sentir as minhas raivas
Deixem-me
Deixem-me chorar de tristeza
Num lugar qualquer

Mas tirem-me
Tirem-me daqui que não aguento mais
Não suporto
Preciso elevar a minha alma
Dar um pontapé na minha personalidade
Por isso necessito sair depressa daqui.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Superar os grandes traumas inventando uma nova vida



Na vida humana, nem o bem-estar nem a felicidade duram muito. Quando eram felizes, os antigos temiam a inveja dos deuses. Mas não é preciso invocar os deuses; a inveja dos homens basta.

É fácil passar do aplauso ao pelourinho, da glória ao insulto. Sócrates foi condenado à morte, Cipião ao exílio, Galileu foi preso, Lavoisier, o criador da química, foi guilhotinado rodeado dos insultos do povo.

No entanto, a maior parte das vezes não é por causa da inveja que a nossa prosperidade e a nossa felicidade têm fim, mas por acidente, por causa de uma doença grave ou de um desastre económico.

Seja como for, o trauma é sempre repentino, inesperado, e nós reagimos com incredulidade. Parece um pesadelo e parece que em breve vamos acordar. Esforçamo-nos por continuar a nossa vida normal, só que aos poucos percebemos que a ansiedade não é um sonho, mas a realidade.

Para superarmos o trauma, para continuarmos a viver, para encontrarmos paz de espírito, só há um caminho: aceitar a nova situação, compreendê-la, adaptar-se a ela. É como sermos abandonados num novo mundo, desconhecido; não podemos manter os hábitos do passado e deixar-nos paralisar pela nostalgia.

Temos de aprender rapidamente a viver no novo ambiente, a estudá-lo, a perceber as oportunidades que nos oferece, a construir algo de novo nele.

Esta atitude serve, por exemplo, para enfrentar uma doença que nos obriga a tratamentos prolongados que nos deixam debilitados e nos força a mudar completamente de hábitos. Contudo, também se aplica quando ficamos sem um emprego e temos de aceitar outro mais humilde.

Lembro-me de alguns amigos intelectuais húngaros que emigraram depois da revolução: alguns conseguiram continuar a trabalhar em universidades, outros tiveram de passar para actividades comerciais.

Os judeus educados dos países de Leste foram obrigados a fugir da pobreza, das perseguições, dos massacres. Quando chegaram ao Novo Mundo tornaram-se comerciantes, banqueiros, joalheiros, escritores, músicos, cineastas, criaram Hollywood.

Tudo isto se aplica de uma forma muito particular hoje, com a globalização, a concorrência da China, o rápido desenvolvimento tecnológico. Em pouco tempo, a sociedade transformou--se e os velhos ofícios, os velhos negócios desapareceram. A escola continua a preparar os estudantes para profissões que já não existem. Neste território desconhecido, que devemos fazer?

Observar as pessoas, ver o que lhes faz falta, de que precisam: há oportunidades, necessidade de novas profissões. Não devemos ir para onde vão todos os outros, mas sim para onde vão apenas alguns e onde a procura é maior.

Francesco Alberoni
Jornalista e sociólogo

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O Avô Noronha


Não almejar nem os que passaram nem os que virão. Importa ser de seu próprio tempo.

Karl Jaspers

domingo, 31 de outubro de 2010

estou cansado de gente


“Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.

De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.

A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.

Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto.

Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo…
E a luxúria única de não ter já esperanças?

Sou inteligente; eis tudo.

Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.”

Álvaro de Campos