quarta-feira, 4 de outubro de 2017

A Raínha de Espanha que era Portuguesa

A Raínha de Espanha que era Portuguesa

Sabem que existiu uma Rainha de Espanha que era PORTUGUESA e que foi também uma imperatriz europeia?

E tudo envolvido numa extraordinária história de amor.... que começou com um casamento por dinheiro!

Ora leiam:

Antes do rei de Portugal que era espanhol - Filipe II e I de Portugal - Os espanhóis tiveram também uma regente (Rainha consorte) que era portuguesa - a sua própria Mãe.

D Isabel de Portugal era filha de D. Manuel I e de D. Maria, a segunda mulher de D. Manuel. E viria a ser avó de D Sebastião. Seu pai, D Manuel, projectou-lhe o casamento com o Carlos V, imperador de Espanha e da Europa. Do Sacro Império Romano Germânico. O que ocorreu em 1526, já a infanta tinha 23 anos.

Porque é que D Manuel terá tido a ideia de casar a filha com o imperador?
A península Ibérica estava a atravessar um fortíssimo movimento para a unificação política. A península antiga, a do séc XII, estava dividida em vários reinos: Leão, Castela, Navarra, Aragão, Granada e Portugal, Eram 6 reinos. Desses 6 reinos, 5 deles já estavam unidos. Só faltava Portugal.

Como é que se podia defender a independência de Portugal?
Em politica internacional há só 2 caminhos: um é a guerra e o outro é a Paz.
E realmente o nosso Rei Afonso V tentou o caminho da guerra. Fez a guerra e perdeu-a.
O filho de D. Afonso V, que é o D João II, já vai pelo caminho da Paz. Em vez de combates faz casamentos.

Casa os príncipes portugueses com princesas espanholas. Porque isto cria um clima de aliança entre os 2 países.

Portugal e Espanha têm que conviver no mesmo espaço. E já que assim é, melhor que convivam como amigos do que como inimigos.
É por isso que D João II casa o seu filho único com uma princesa espanhola. Mas o príncipe morreu pouco depois numa queda de cavalo. Partiu o pescoço e morreu passadas umas horas.

Sucede-lhe D. Manuel I, que vai casar com a viúva desse príncipe - que é a princesa D. Isabel de Castela, mas também teve pouca sorte. A princesa morre do primeiro parto.

D Manuel não desiste. Repete a cartada e casa com a irmã da D. Isabel. Eram ambas filhas dos Reis católicos com quem D Afonso V tinha andado em Guerra.
D. Manuel casa com a irmã, que é a D. Maria, e desse casamento teve 7 filhos. E depois da D Maria morrer, em 1517, ainda vem a casar com uma sobrinha sua (da D. Maria)!. Quer dizer: as 2 primeiras mulheres de D. Manuel eram filhas dos Reis Católicos e a terceira era neta dos Reis Católicos.
Das 3 vezes tenta alianças com a Casa reinante em Espanha.

Dos 7 filhos do rei D Manuel, o primeiro é D. João (III de Portugal). E o segundo é a Infanta D Isabel. O D. João III casou logo com uma princesa espanhola. Com a D. Catarina que era também uma neta dos Reis Católicos.

Para a segunda filha o casamento ideal seria com o próprio Carlos V que iria ser Rei de Espanha além de Imperador da Alemanha, e isso teria para Portugal muito prestígio. Tratava-se do principal monarca da Europa.

Carlos V tinha herdado 4 grandes heranças reais dos seus 4 avós: da avó rainha Isabel de Castela, herdou o Reino de Castela. Do avô Fernando de Aragão, o reino de Aragão. Do avô Maximiliano da Alemanha, a Coroa Imperial da Alemanha. E da avó Maria de Borgonha, a Flandres e todos os países Baixos.
E isto realmente faz um Império europeu, embora não contínuo. São regiões isoladas.
França, por exemplo, é central e não faz parte do império.

Estas regiões isoladas obrigavam o Imperador a um grande trabalho.
Carlos V estava em guerras constantes. E, para manter as guerras, precisava de dinheiro.
E é exactamente isso o que o leva a optar pela D. Isabel portuguesa.
Repare-se que ele podia casar com quem quisesse, qualquer princesa na Europa gostaria de casar com aquele grande Senhor.

Um Casamento por dinheiro que se transforma na mais bela história de amor...

Mas ele opta pela princesa portuguesa principalmente porque era a princesa que lhe ofereceu o maior dote.
As negociações demoraram muitos anos e acabou por se estabelecer um dote de 900 mil dobras de ouro espanhol. Era uma quantia enorme! Diz o cronista Damião de Góis que "nunca uma princesa levou um dote tão grande".

E Carlos V precisava imensamente de dinheiro para fazer a guerra. Foi portanto um casamento politico de interesse, apenas. Ele nem conhecia a noiva.
Mas esse casamento acaba por se transformar numa linda história de amor.

Casam em 1526. Ela vai até Sevilha mas Carlos V atrasa-se e chega apenas 5 dias mais tarde.
Mas logo que a viu se apaixonou.
Ela era muito bonita, tinha um temperamento sereno, era afectuosa e sobretudo muito culta e inteligente.

Ele tencionava estar ali pouco tempo mas acontece que eles vão para Alhambra de Granada, onde passam 5 meses de lua de mel.
Foi o único tempo que Carlos V concedeu a si próprio.
Esteve 5 meses com a mulher em Granada e ela nunca mais se esqueceu disso.
Foram os únicos 5 meses felizes da sua vida. D. Isabel, no seu testamento, escreveu que quando morresse queria que fosse enterrada em Granada, em lembrança do tempo que ali tinha passado.

Mas esse tempo de amor não podia durar muito. Carlos V não era apenas Rei de Castela. Também era o Imperador da Alemanha. Uma Alemanha inquieta onde tinha acabado de surgir um Lutero, o protestantismo, as revoltas contra os senhores. Uma Alemanha que era um autêntico vulcão.

Carlos V era também o Senhor dos Países Baixos, da Flandres.
Era também Rei de Aragão e, como tal, o Rei de grandes possessões em Itália. Uma Itália também sempre inquieta.
Por isso, depois desta lua de mel, Carlos V sai de Espanha e está 4 anos ausente.

É impressionante a correspondência que ele troca com a Imperatriz. O sentimento entre eles foi muito forte.
Com Carlos V longe de Espanha, é ela a regente de Espanha. A Raínha Consorte.
Prudente, inteligente, equilibrada, durante anos é ela quem governa todos os negócios em Espanha. Dizia-se é como se Espanha tivesse dois Reis.

O imperador, para além de ser muito poderoso é um homem superiormente inteligente e tem um projecto: unir toda a Europa.
Uma Europa só com UM Chefe, UMA fé UMA política.
O chefe é ele. A política é a da Paz, e a fé é a Católica.

E Isso era mesmo necessário porque a Europa atravessava um grave perigo.
Os turcos vindos do Oriente tinham atravessado já o mar Egeu, apoderaram-se da Grécia, ocuparam a Bulgária, chegavam já a cercar Viena.
Era a Europa que ameaçava cair sob a invasão terrível dos Turcos. A Europa tinha que se unir para se defender e o campeão dessa unidade é Carlos V.

Mas contra ele não havia só a ameaça turca.
Havia também aquela terrível fermentação ideológica luterana vinda da Alemanha. Ele não conseguia ter a Alemanha unida. Nem sequer sob a mesma Fé.

Havia também a França que não fazia parte deste bloco mas que queria manter a sua independência e a sua Unidade. E fez uma guerra terrível contra Carlos V. Este acabou por vencer e até por prender o Rei de França. Mas era preciso exércitos, soldados e dinheiro.

Quem é que tinha mais dinheiro? Os ricos países da Flandres.
Carlos V esmagou-os com impostos. E os flamengos revoltaram-se.
E ele agora tem 4 inimigos contra si. Os flamengos revoltados, os turcos que o invadem, as cidades da Itália que se sobrelevam, e também a Alemanha protestante.
Carlos V lida com guerras durante 40 anos.

Entretanto, em 1536, a imperatriz morre na sequência de um parto.
Ela foi tendo vários filhos que iam morrendo em crianças. E ela própria acaba por morrer em Toledo com apenas 36 anos.

O imperador teve um desgosto profundo que o vai acompanhar toda a sua vida.
Ele nunca mais viria a esquecer aquela mulher. Não voltou a casar, e com o tempo aquela imagem vai-se tornando mais dominante.
Quatro anos depois dela morrer, ele chama um grande pintor - Ticiano - e pede-lhe que lhe pinte um retrato da imperatriz. Ticiano serve-se de outros retratos e faz-lhe uma imagem linda. A que apresentamos neste texto.

Depois de 40 anos de luta, Carlos V percebe que o seu sonho não é possível. A Europa não pode ser unida E então, com 56 anos, em 1556 ele reúne em Bruxelas com as principais figuras do Império e abdica. Diz ele: "durante todos estes anos tentei, por todas as formas, fazer a paz na Europa. E construir uma grande Europa Unida. Não consegui".

Abdicou da coroa de Espanha para o seu filho Filipe II. Que viria a ser o II de Portugal.

No ano seguinte abdicou a coroa imperial da Alemanha no irmão, Fernando. E retira-se. Para um convento pobre em Castela.

Na frente do leito mandou colocar o retrato de Isabel de Portugal, pintado por Ticiano. E foi com os olhos postos na Princesa portuguesa que ele expirou em 1558.

Amou-a na vida e na morte. 


Uma história bonita de uma grande portuguesa que ajudou a fazer a Paz na Península.

João Tilly

terça-feira, 3 de outubro de 2017

BISÃO – REVISTA DE GRANDE IMPACTO DE E PARA OS LEITORES DO SENHOR ROUBADO CRÓNICA I


BISÃO – REVISTA DE GRANDE IMPACTO DE E PARA OS LEITORES DO SENHOR ROUBADO

CRÓNICA I

Mal-acabaram as eleições começaram logo os resteleiros, eu explico, os velhos do Restelo, aqueles que gostam das palmières do Careca, porque sendo um bolo de inspiração francês e em forma de palmeira é uma palavra no feminino.

Mas é uma metáfora e o que eu quero dizer é que nunca ninguém está satisfeito com nada e com ninguém. E armam-se aos moralistas e ouviram dizer sempre um apontamento negativo. E já por acaso olharam para o seu próprio umbigo?

Vem a isto a propósito de um comentário num mural do fb de um amigo a propósito do Isaltino.

1. Conheci-o profissionalmente uma vez já há uns anos e ainda na constância das excelentes relações que mantinha com o seu partido, o PSD.

2. Nunca me fez favores, nem foi sujeito a corrupções da minha empresa, porque além de tudo sou contra,

3. Revelou-se um excelente autarca.

4. Cometeu erros, pagou-os caro, esteve preso, sofreu com a reputação, cumpriu a pena e está de novo em liberdade TOTAL, tendo recuperado todos os seus direitos de cidadania e outros.

5. Concorreu às eleições e ganhou estrondosamente.

6. É incómodo para muita gente invejosa, ignorante, extremista e radical no julgamento dos outros.

7. Acontece que estive 2 anos como voluntário na prisão de Alta Segurança de Monsanto, escrevi umas coisas, inteirei-me de outras, critiquei outras tantas mas aprendi para mim próprio entre muitas outras lições as de que(i) é necessária a reinserção social dos reclusos na sociedade civil, nomeadamente dando-lhes emprego, formação e acompanhamento o que aliás é universalmente praticado em países ditos civilizados (ii) tornei-me mais humilde, melhor pessoa com o exemplo do sofrimento da reclusão, aprendi a não julgar de imediato sem ter informação e finalmente encontrei em cada um dos meus alunos estrangeiros (criminosos de topo) pessoas com desejo de serem tratadas como seres humanos e com uma nova chance de recomeçar.

8. Ora o Isaltino está longe disto tudo e num livro que escreveu e que eu li, reflecte e em profundidade sobre tudo quanto eu referi acima, pela rama.

Tive quase para ir votar nele a Oeiras se bem que inscrito no Senhor Roubado.

O dito amigo que comentou menos elegantemente os meus comentários sobre este assunto num outro mural do fb, e raiou o insulto, deve estar a precisar de um novo método democrático que aliás já vem do tempo do Senhor Dom Manuel I – uns calores da Inquisição.

For God sake! I am joking!

E é tudo por hoje

Mozart e Vivaldi


Estou a ouvir esta maravilha de Mozart " Eine Kleine Nachtmusik" e despertou-me emoções e pensamentos de concórdia com a vida e com todos com quem tenha um espinheiro no canto do olho.

Cada vez mais peço a quem me ame que o faça com pressa, intensidade para eu poder retorquir com a mesma força e amor. São momentos de prazer infinito.

Digam lá, não é melhor darmo-nos melhor do que pior? a sensação da paz interior e até da capacidade sensorial de sentir a luz de um dia de praia maravilhoso, a ternura e a entrega uns aos outros, o bem-estar de nos sentirmos felizes, malgré as maleitas, os defeitos, os intemperamentos, as manias, as embirrações. Há como que uma carapaça dura que faz resvalar os dedos que procuram a pele macia dos primeiros tempos, das saudades da doçura e beijos e corpos entregues, de cumplicidades. Um dia vem a doença, a velhice, a morte. Depois servem pouco as memórias e os choros e a solidão.

Há que ser sério nos sentimentos, na pureza das atitudes sem vergonha de o dizer, na verdade, no perdão do outro, na correcção dos comportamentos.


E quando há filhos pequenos ou grandes, o prazer de sentirem, ver, testemunharem a felicidade de quem os ama e a quem eles amam, não tem prémio igual.


Já vou avançado nas músicas que estou a ouvir mas vem a propósito a Primavera de Vivaldi.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

O Basílio








O Basílio era macaense e vivia com os pais num andar miserável, pobre e pequeno. Os pais ficavam a jogar mahjong até desoras e Basílio ouvia o matraquear das pedras umas contra as outras.

A única solução para ser feliz e se sentir livre era ir todos os dias para a praia de Hac Sah e ver o mar, banhar-se nas salsas ondas e sonhar, sonhar muito em partir.

sábado, 30 de setembro de 2017

O PENINHA E O CHICOTE


O PENINHA E O CHICOTE

Chegados a Lisboa vindos de Monte Magro, o Peninha e a Adélinha continuavam entrombados. Ela porque se lembrava do Alípio e ele porque enfrentava agora o desejo de se tornar um homem rico com o negócio dos pneus.

No dia seguinte, Peninha dirigiu-se à Associação dos Empresários de Pneus de Portugal e pediu para ser recebido pelo presidente, um tal de Travassos.

Travassos era um homem grosseiro, com um corpo mal-enjorcado e com uma camisa aberta de quadrados que fazia ressaltar ombros a alturas diferentes, que segundo ele era por ter trabalhado muito em pneus. Há quem passe anos a virar frangos, este foi pneus.

A ideia do Peninha era a de fazer umas diligências para apurar se o sr. Malheiro era homem conhecido no sector e se o negócio se revelava interessante, lucrativo e sobretudo legal.

O Travassos disse logo de caras – olhe que o Malheiro é um aldrabão! Já deixou muita gente mal e sobretudo engana-os com promessas de muitos lucros e só um tolo é que acha que em pneus usados se pode ganhar muito dinheiro. Ainda por cima os países africanos têm lá muitos charlatães que acabam por não pagar.

Peninha agradeceu muito os conselhos e saiu cabisbaixo da reunião. Tinha feito tantos planos, já antevia viagens, carros, uma nova casa em Massamá - uma vivenda jeitosa mesmo ao lado do prédio do Passos Coelho - e acima de tudo fazer a Adélinha mais feliz, pois achava-a insatisfeita e sempre de mau-humor.

Por seu turno Adélinha telefonara a Alípio e marcaram um rendez-vous amoroso no Hotel Ibis da bomba de gasolina da Galp na A5.

Adélinha desencantou uma “malette” de fim-de-semana aonde meteu um soutien-gorge grená escuro e com umas calcinhas só a tapar o sexo, um perfume carnal de nome “Roubo-te tudo” que tinha escolhido e comprado na sex-shop do Intendente, umas penthose transparentes e muito finas e uma chibata de cabedal macio para o que desse e viesse.

Saiu de casa pelas 14h e foi andando para se preparar para receber o Alípio. Esquecera-se porém de trazer um bilhete de visita que fora mandado pelo Alípio aonde ele escrevera “desejo-te meu torrãozinho de açúcar” e depois acrescentara “ás 15h no Ibis da auto-estrada do Estoril, quarto nº 27 reservado em nome de ”anjo do prazer”. Devia ter caído para debaixo de algum móvel, só esperava é que o Peninha não o encontrasse.

Mas encontrou! Estava no chão do quarto despudoradamente junto à cama e Peninha ficou siderado.

Os preconceitos tradicionalistas do Peninha diziam-lhe que não poderia tolerar uma afronta destas. Desde logo afastou qualquer culpa da Adélinha e punha-se a pensar no atrevimento do Alípio.

Foi rápido a decidir. Ia de imediato para o Hotel Ibis e impediria o adultério, que estava certo a Adélinha jamais cometeria. Eram 14h30m e chegaria a tempo.

Quando chegou à recepção do hotel, perguntou com um ar digno se não tinha já chegado a Sr.Dª Adélia para o quarto 27?

- Sim, diz o concierge- é mais uma das putas do Alípio, só que esta é feia, gorda e velha. Já subiu e vinha toda cheirosa!

Peninha ficou sem palavras e pálido dirigiu-se ao elevador para subir ao quarto 27.

Entretanto, Adélinha estava vaporosa, com os seios quase de fora pois comprara o número errado mas não se importava pois sabia que o poria por pouco tempo, ainda não tinha vestido as calcinhas e treinava na cama posições para receber Alípio.

No corredor passou uma camareira a quem com gentileza, Peninha pediu se lhe abria a porta do quaro 27 pois tinha-a deixado dentro. Assim se fez e Peninha entrou no quarto sem fazer barulho.

- Cúcú, seu passarão, cavalão e tudo em ão! Quem é a pombinha mais rica de todas, quem é? – disse a Adélinha meia desnuda e de lado na cama mostrando um pernil gigantesco igual aos dos fiambres das Carnes Nobre!

Quando topou quem era, gritou alto por socorro. Peninha fechou a porta do quarto devagarinho e olhando em redor viu o chicote e não hesitou.

- Sua vadia, sua desenvergonhada, sua traidora vais levar com o chicote até me jurares que me arranjas um emprego com um bom salário nas empresas do Alípio!

Adélinha gritava - ai Peninha, chicoteia-me mais, o que eu gosto disto, vai meu amor! Sim minha fatia de ananás farei tudo quanto quiseres, vou-te arranjar o emprego, descansa!

Entretanto abre-se a porta do quarto e Alípio aparece na soleira.

- Ora viva o meu amigo Alípio! Estou-lhe a preparar o aperitivo! Fique sabendo que não me importo que me engane com a Adélinha mas tem uma coisa….uma troca…quero um bom emprego nas suas empresas, chorudo ordenado, carro, gasolina, cartão…todas as mordomias, entendido?

- Alípio começou a sentir-se mal e pondo a mão no coração gaguejava: - ai o meu órgão vital, ai o meu coração…ajudem-me!

Peninha saiu deixando Adélinha a tomar conta do querido enfermo.

À noite quando Adélinha chegou a casa, Peninha esperava-a na sala com uma cara bem-disposta.

- Apareceu lá o repórter do CM tirou retratos aos dois e eu naquele lindo preparo e disse que tinha instruções tuas para que em troca de não publicarem no jornal, o Alípio teria que cumprir o pedido que lhe tinhas feito do emprego. Acabámos por não fazer nada os dois lá no hotel, és um pulha!
Aqui tens um papel do Alípio que me mandou entregar-te:

Senhor Peninha,
Apresente-se na 2ª feira na sucursal da empresa em Lisboa, e peça para falar com o sr. Olímpio. A palavra de passe é – cornos mansos – ele lhe dará o emprego com um salário mensal de € 2,500,00.
Alípio”

Peninha pegou de novo no chicote e zás, zás, bumba na fofinha!

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

COMUNICADO ÀS AMIGUINHAS E AMIGOTES


COMUNICADO ÀS AMIGUINHAS E AMIGOTES
Fui a um professor de neurologia e vim de lá contente por finalmente ter apurado a causa das "marradas" de noite contra móbeis de qualidade!

Tenho uma perturbação chiquíssima que aliás estou a pensar mandar pôr por debaixo do meu nome nos bilhetes de visita.

                                                     Manuel de Noronha Andrade
                                                       Perturbação do sono REM

gosto sobre tudo do REM, que quer dizer Renato Emanuel Mendes ( cientista que descobriu a cura....ahahahah).

Diz o médico que tomando meia pastilha à noite de RIVOTRIL ao fim de 15 dias passa senão aumento para 1 por noite mais 15 dias.

Lá para o Natal sonharei, oh sonharei, com pastores e carneirinhos a caminho do presépio.

PEDRO PASSOS COELHO


PEDRO PASSOS COELHO

Os Portugueses precisam de levar porrada no cachaço, pois são de extremos. Não somos um povo tranquilo, cordato e construtivo. Vem isto a propósito da crucificação que se aproxima e que já começou de Pedro Passos Coelho, com a antecipação de sondagens de derrota.

Os oportunistas dentro do PSD já começaram o trepanço para o poder, as manteiguices aos que presumem poder vir a ser potenciais sucessores, os golpes e sobretudo a maledicência.

PPC tal como cada um de nós, tem luzes e sombras, mas foi corajoso e creio ser íntegro. Pouco prudente e quiçá mal rodeado não soube fazer um caminho de oposição inteligente e equilibrado.

Mas merecia na hora da despedida um louvor e o agradecimento dos Portugueses.

Somos um povo ingrato, esquecido e mesquinho.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Políticamente correcto


MELHOR DEFINIÇÃO DO POLITICAMENTE CORRECTO 

Na Universidade de Griffith, na Austrália, há um concurso anual sobre a definição mais apropriada para um termo contemporâneo. Este ano, o termo escolhido foi “politicamente correcto”. O estudante vencedor escreveu: “Politicamente correcto é uma doutrina, sustentada por uma minoria iludida e sem lógica, que foi rapidamente promovida pelos meios de comunicação (também iludidos e sem lógica) e que sustenta a ideia de que é inteiramente possível pegar num pedaço de merda pelo lado limpo.”

Just for a change in facebook

JUST FOR A CHANGE

O objectivo de publicar textos de outrem é duplo: (i) suscitar o interesse pela leitura e reflexão sobre autores de qualidade (ii) incentivar cada um a publicar escrita de si próprio, com ideias, propostas, comentários, que se pede sejam de igual qualidade ou com moderação e bom-senso.

Estar sempre de acordo, partilhar com outros e fazer simples elogios (pressupõe-se que depois de lidos os textos, o que nem sempre parece acontecer) já não é mau, mas sabe a pouco.

Há tanta matéria interessante para que uma comunidade como o fb se pronuncie, sem ser sempre sobre guerras, pânicos, intrigas e conversa fácil ou ordinária, reles, baixa ou falar mal dos outros só por falar. Este tipo de atitude define quem o pratica e qualifica os autores numa classe intelectual abaixo da sofrível, ou seja nunca a argúcia, ou o humor, ou a crítica mordaz mas não destrutiva, prejudicaram a qualidade da escrita, neste caso, mas ao contrário apimentaram-na.


Ninguém com cabeça firme e equilibrada está interessado a perder tempo sobre detalhes das vidas dos outros.


Velha fórmula sempre ouvida na minha casa desde tempos imemoriais: "don't ever ask personal questions" ou seja em bom português - não sejas cusco.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

O que tenho dentro de mim







" Se eu conseguisse exprimir, sem ser nos livros, tudo o que tenho dentro, que mundo em chamas não seria, que nortada. Coisas tranquilas também, pequenas doçuras, dedos lentos pelas costas acima. Este inexplicável sentimento de eternidade, a rã do fundo que não aparecerá nunca. Duro cinco minutos: sou eterno. Duro vinte anos: sou eterno. Olha o senhor António que não acaba. A cabeça na lua e o corpo junto a nós, até que a cabeça se aproxima, os olhos, o nariz, a boca, vai baixando, baixando, e começa a sorrir."

António Lobo Antunes

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

I disagree


So arrogantly and nicely said! Love it, think it, say it abundantly...ahahahah

A Arte de dar Peidos - Ensaio teórico-físico e metódico de 1751



Ando para aqui a adiar a elaboração de um memorando sobre o mau comportamento da GOLDENENERGY para a DECO actuar. A engonhar, a arrastar a asa...merda, preciso de um tonificante. Coisas chatas têm que se fazer mas já vou tendo pouca paciência. Talvez tomar um cordial, um espicaçante, um LIPOPERDURE...ahahah...que eu usava para estudar até tarde! Acho agora que era uma espécie de droga, mesmo. Acordava na manhã seguinte como se uma trituradora tivesse passado por cima de mim. Bons tempos...creio que ainda no tempo do Senhor Dom Luiz I, Rey de Portugal. Enfim a bebida vai-me obnubilando a memória e digo insanidades...o LIPOPERDURE usou-se muito na batalha de Aljubarrota para vencer os "trons" e os castelhanos. E a Fátinha Campos Ferreira a deixar que uns energúmenos falem sobre a Catalunha dizendo enormidades. Enerva-me a ideia da Catalunha independente! Enjoa-me porque prevejo uma catástrofe para a Espanha que conheci e de que tanto gosto. Vai dar para o torto e vão haver outras secessões...e fica o quê? Uma manta de retalhos?
Sou também descendente de espanhóis e corre-me nas veias bom sangue. Uma frase que muito aprecio: "Bon sang ne ment jamais" por isso eu digo que graça vai ter uma Espanha desorganizada e dividida.
Acho que vou ler, quiçá, o meu Don Quijote de la Mancha e o seu servo Sancho Pança. Que bons tempos os do Cervantes.
Que raio anda este mundo a fazer? Está a merecer a extinção!

SE EU FOSSE O TRUMP


SE EU FOSSE O TRUMP

Tudo indica que a escalada verbal entre dois idiotas está a atingir um ponto de não retorno. Atitudes ridículas que nos enchem de perplexidade pela irresponsabilidade do Presidente do mais poderoso país do mundo: os USA. Os Americanos devem estar atónitos pela imagem que TRUMP dá interna e internacionalmente. O outro é a inimputável por natureza, ainda que louco perigoso.

Ora, mandaria o bom-senso que TRUMP tomasse a iniciativa de reunir públicamente com:

1. PUTIN com tempo e com uma agenda;
2. Com o Presidente Chinês a sós e com PUTIN a três;
3. Com o Japão e Coreia do Sul numa reunião alargada aos dois anteriores;

Conversas preparadas, transparentes, em que se estudem primeiro os cenários possíveis de acontecer na visão e informações de cada um.

Em seguida pôr em cima da mesa o que cada um deseja obter em termos de geopolítica local e tentar conseguir-se através de mútuas cedências uma plataforma de entendimento.

Depois nomear a China como interlocutor válido da coligação destes países para negociar com a Coreia do Norte um acordo de não proliferação de armas nucleares em troca de apoio económico,de investimento estrangeiro, da abertura do país ao exterior e de outras necessidades que se possam identificar.

Finalmente fazer pressão de que em conjunto atacariam a Coreia do Norte sem mercê até à vitória o que deverá parecer assustador dada a magnitude dos países envolvidos se estas condições não fossem aceites.

É claro que qualquer Chefe de Estado competente saberá desempenhar esta missão com seriedade, honestidade e eficácia.

O resultado final seria uma muito maior cooperação entre estes poderosos países.

Trump não deve sequer perceber do que eu estou a falar, infelizmente!

domingo, 24 de setembro de 2017

OS ATAQUES AO PAPA


OS ATAQUES AO PAPA

Pois eu gosto muito deste Papa e acho que tem a coragem de chamar as coisas pelos nomes e fazer com que a religião não seja um conceito teórico e tantas vezes baseada em princípios irrealistas e desactualizados que hipocritamente são louvados mas não praticados. Veja-se o que se refere ao casamento canónico e à permanência desde há anos na sua constância ( todos temos amigos separados e recasados ou vivendo em uniões de facto) para não me referir a esposos divorciados por vontade do outro que continuando fiéis não podem ter acesso a todos os sacramentos. Muito mais haveria a dizer e por isso detesto o bafio dos intransigentes e dos radicais. Ora aí me têm, um defensor do Papa a defendê-lo na minha modesta capacidade.

sábado, 23 de setembro de 2017

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

O PENINHA REGRESSOU DE MONTE MAGRO, NO ALGARVE, A LISBOA


O PENINHA REGRESSOU DE MONTE MAGRO, NO ALGARVE, A LISBOA

Meteram-se os dois no Taunus, carro que Peninha herdou de um tio merceeiro e que hoje em dia vale uma fortuna e faz um vistaço.

Adélinha estava maldisposta nessa manhã. Levavam umas 4,5 horas até Lisboa pela estrada nacional e o carro não era cómodo e não lhe apetecia ter que ouvir as conversas chatas do Peninha sobre os”contactos” que tinha feito durante a estadia. Além disso a telefonia do carro era antiquíssima e não captava nada bem as diferentes estações de rádio. Estava sempre canalizada para a Rádio Roubacense, do Senhor Roubado que só passava música pimba.

- Estás maçadinha, estás cá com umas trombas! – disse o Peninha para irritar a Adélinha.

- Só quero que guies o carro e que estejas sobretudo, caladíssimo. – respondeu ela.

Começava mal o fim de umas férias que foram de desencontro e de irritação constante de um para com o outro.

Peninha, logo de manhã punha a tanga e uma tee-shirt transparente e ia para o ginásio “malhar”. Lá conheceu o sr. Malheiro, que fazia negócios escuros, pois vendia a uma grande quinta no Alentejo, vinho a granel vindo de Algeciras, que misturado com o das uvas da marca famosa, aumentava substancialmente a produção, permitindo inclusive a exportação em larga quantidade para a China. Peninha perguntou-lhe se ele tinha algum negócio assim desses para ele.

Ora o sr. Malheiro era um morcão, de anelão de ouro no dedo mindinho com uma inscrição, ainda por cima errada, que dizia: “ labor omnes vincit” pois no caso dele não trabalhava e vencia à custa de porcaria! Era de fraca figura, gordo e atarracado, punha-se de calções de ginástica laranjas comprados em Marrocos, tinha o cabelo sebento e porco e percebia-se que tomava pouco banho. A tee-shirt dizia” NUNCA TENHAS UM MESTRE: SEGUE OS TEUS INTERESSES” em letras garrafais verdes escuras e ele explicava: - tenho amigos à esquerda, ao centro e à direita!

Pelo que, enquanto Peninha se esforçava em fazer exercício, o outro com a unha grande do dedo mindinho coçava dentro da orelha, etc...um nojo!

Mas Peninha, via ali naquele contacto uma saída para uma melhor vida. Ser independente, ter o seu tempo mais livre, com um mundo de aventuras pela frente.

Ao longo da semana, o sr. Malheiro foi conversando com o Peninha e às tantas propôs-lhe um teste para trabalhar com ele: depois logo se veria e se corresse bem, o futuro seria risonho.

Tratava-se de vender pneus usados para um país africano, ou seja em segunda mão. Peninha teria que andar pelo país e em cada garagem manhosa compraria o mais barato que pudesse os pneus usados e depois acompanharia a encomenda até ao país de destino.

Adélinha, foi sensível aos olhares gulosos do seu conquistador e todas as manhãs enquanto Peninha malhava, sentava-se na esplanada a fazer crochet, mas de balandrau transparente deixando ver os seios descompostos e grandes a sair do bikini.

O Alípio começou por deixar uma cadeira de intervalo entre eles e no primeiro dia olhava gulosamente para Adélinha, suspirava langorosamente e quando os olhares se encontravam, de ambos os lados chispava o desejo.

No segundo dia já estavam lado a lado em cadeiras mais fofas e num arrebato agarrou-lhe as mãos e começou a beijá-las.

Nisto aparece o Peninha que vinha do ginásio e ao ver esta cena, perturba-se e diz com entusiasmo: - O sr. é um cavalheiro e eu gosto de ver alguém ao cumprimentar, beijar as mãos da minha esposa! É como se fosse a uma princesa!

Os dois apanhados em flagrante distenderam-se e perceberam que o tolo do Peninha de nada tinha desconfiado.

Peninha mandou vir um jarro de sangria que o Alípio bebeu a contra-gosto e trocaram umas banalidades. Peninha foi-se arranjar, tomar um duche e os dois pombinhos ficaram juntos e sem mais obstáculos.

- Alípio Nobre, de Braga – disse ele, pousando uma mão gorda e peluda na perna da sua conquista.

- Adélia, mas para si Adélinha. Não interessa o apelido. – disse ela estremecendo com os avanços do Alípio. – Aqui não, ou na praia num toldo ou no seu quarto.

Alípio ficou doido com a inesperada facilidade que estava a encontrar pela frente e disse-lhe numa voz cava e sensual: - veja se se livra do marido pelas 15h e vá ter ao meu quarto que é o número 23 no segundo andar. Bata assim à porta como sinal! E com os dedos dobrados tocou-lhe subitamente no seio direito a imitar o gesto de aviso. Riram-se muito os dois, cúmplices, e Adélinha foi andando para a praia.

Entretanto no carro, Peninha não resistiu e contou a Adéinha que iria ser o “Rei dos Pneus em 2ª mão”! Adélinha ficou indiferente e até acrescentou: - pneus e em segunda mão, isso é para ciganos!

Olha que o sr. Alípio que conheceste é um industrial do Norte, de Braga e tem uma fábrica de soutiens da marca “Doce Segurança” e é um cavalheiro. Não suja os dedos em pneus!

Peninha calou-se e pensou que só o bom dinheiro que esperava ganhar o faria entrar neste negócio tão pouco digno. Assim que pudesse e depois de ganhar uma boa maquia, iniciaria uma start-up num sector muito desfalcado actualmente: o de aplicações de vídeos religiosos para smartphones.

Com a mania das grandezas até já pensara em uma vez o negócio estabelecido iria a Roma visitar o Santo Padre e oferecer-lhe um dos seus produtos. Já delirava com uma fotografia com o Papa no Vaticano a entregar-lhe um exemplar de tão devoto produto.

(continua)

INSTANTÂNEO - O METRO


INSTANTÂNEO - O METRO

O que se observa no metropolitano logo de manhã! Tive que ir e vir cedo à hora em que não estando cheio ainda vinha com muita gente. Rapaziada nova topa-se à distância quem tomou banho ou saiu da cama de mochila às costas directamente para a escola. Depois hoje vinha muita gente com uma cara crispada, de quem detesta a 2f. Mas o que me fez reflectir como os dias podem ser rotineiros e chatos, foi ver muita, mas mesmo muita gente, de todas as idades com estes "marmiteiros" (que transportam o "comer") a tiracolo e um olhar vazio e vago sem chama nem interesse.

Estou a imaginar a chegada, mais ou menos dentro do horário, ao open space, um bom-dia meio grunhido, e com as mais tagarelas ter que ouvir a descrição do fim-de-semana ou as dores de ouvido da Carlinha! Um horror, isto todos os dias. E pior, quando à hora do almoço, num acanhado espaço todos aquecerem as vitualhas, a conversa será inevitavelmente sobre um de três temas: o colega Amaro que fez isto e aquilo e entram num detalhe aterrorizador de burocracia do escritório aonde convivem todo o dia, ou sobre futebol ou sobre as tragédias familiares.

Nothing else...até porque é gente que nas suas vidas pessoais, sexuais, espirituais são zen, nichts, nada, nulas ou nulos e pouco olham e sabem da vida, muito menos do país, ou até eventualmente do seu próprio emprego.

Então para isto é melhor emigrar para o Polo Norte aonde há frio, igloos e silêncio ou ficar em casa com o subsídio de desemprego.

Li hoje que os USA têm 20 triliões de dívida.

Que venha lá o tal fim-do-mundo no dia 23, ao menos seremos elevados ao Céu - aposto que numa grande confusão - e começa uma outra vida ou não!

Isto tudo a propósito do metropolitano: Haja Deus, Vicente Mais ou Menos de Souza!

domingo, 17 de setembro de 2017

AS TAIS AFIRMAÇÕES PARA QUE PEÇO A OPINIÃO DAS AMIGUETAS E AMIGUETES




AS TAIS AFIRMAÇÕES PARA QUE PEÇO A OPINIÃO DAS AMIGUETAS E AMIGUETES

- Contam-se pelos dedos as pessoas que são cordatas. Entre Pais e filhos, entre cônjuges e uniõesfactistas ou companheiros de route, entre irmãos e famílias. É uma merda, mas é a verdade pura e dura.
- isto leva a que às vezes mesmo connosco é difícil a conbibência, mas sou de opinião de que devemos gostar muito de nós próprios.
- tudo quanto desejamos que os outros nos digam e não dizem por variegadas causas (inbéja, arrogância, ódio, embirração) nos devemos dizer sem limites. Nunca a verdade se por acaso, coincide com o que os outros dizem…era o que faltava!
- devemos ser manteigueiros, servis e mentirosos nas louvaminhas que fazemos aos outros quer no fb ou por e-mail ou por carta e até pessoalmente. A patrões ou patroas, a amigos/as que já estejam velhas/os, encarquilhadas/os, sem graça, feias/os, coirões e sobretudo quando ao publicarem fotografias, textos e outras formas de envaidecimento, esperem o nosso aplauso e suporte. A mentira nestes casos é uma forma de comprar os outros o que é manifestamente necessário se não queremos ser pobres e sem brilho social para ofuscar e épater le bourgeois ou mesmo a nobreza falida e poeirenta. Aqui havia muito a dizer, mas das coisas que eu mais aprecio são as bengalas lindas e com castões de enorme requinte.
- no campo político não só tudo isto se aplica, mas deve-se acrescentar a corrupção, factor de desenbolbimento dos povos.
- ser-se intriguista, mal-formado e torto e azedo e detestável só causará fortaleza a quem queira exercer o poder e a mais desbragada ditadura, o que é sempre bom em detrimento deste regabofe.
- mesmo com Deus, Alá ou Yavé nada melhor do que fazer um “trade”: ou me garantes o paraíso ou então não existes e é melhor ser bandalho, gozar a vida, comer chóriços, buber tintol, apanhar narsas e comer carne animal racional e irracional.

Muito mais tenho pensado, mas estando nós nas vésperas do fim-do-mundo confesso que já não há muito tempo para folgar.

Se concordarem comigo, o que espero sinceramente, toca a pôr muitos likes pois entrei num concurso em que se ganhar o troféu é a Miss Ruanda. Se discordarem em privado e logo verei se me interessa ler…porque críticas pagam-se com a tortura, a prisão e a morte.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

tears

Tears are words the heart can't express.

birds of sadness

You cannot prevent the birds of sadness from passing over your head, but you can prevent their making a nest in your hair.

Chinese Proverb

darkness

We mostly don’t like darkness. Dark places too. There are those moments in our lives, dark moments. We mostly don’t like talking about them. Because when we think about them, there’s that sadness and the reliving of unpleasant emotions that happens and we just don’t want that to happen.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

prosápia


Mandai-me Senhores, hoje
que em breves rasgos descreva
do Amor a ilustre prosápia,
e de Cupido as proezas.
Dizem que de clara escuma,
dizem que do mar nascera,
que pegam debaixo d’água
as armas que o amor carrega.

O arco talvez de pipa,
a seta talvez esteira,
despido como um maroto,
cego como uma toupeira

E isto é o Amor? É um corno.
Isto é o Cupido? Má peça.
Aconselho que não comprem
Ainda que lhe achem venda

O amor é finalmente
um embaraço de pernas,
uma união de barrigas,
um breve tremor de artérias
Uma confusão de bocas,
uma batalha de veias,
um reboliço de ancas,
quem diz outra coisa é besta.

Gregório de Matos

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

A moleza

A moleza

Eu hoje estou mole. O calor faz-me mole. Mas é boa a moleza, é sensual e prazenteira. Não apetece dar as mãos. Está calor. Mas sabe bem brincar com as pontas dos dedos

Sobre o teu corpo nú ao meu lado. Tens cócegas? O que importa é a sensação de tentação, de tentativa, de avanço.

Depois fica-se mole de novo.

Voltas a chegar-te junto a mim e a tua nudez desperta-me os sentidos e a boca com moleza procura a tua e um beijo mole pode tornar-se em um beijo teso, com força e intrusivo.

Volto a estar mole e adormeço e sem cuidares de me acordar exploras o meu corpo da cabeça aos pés e acordo com um arrepio bom.

- Isto aplica-se para acordar os mortos, dizes, com moleza a sorrir. E é verdade, só que não é preciso morrer assim tanto e durante muito tempo.

Voltamos a estar moles e o calor incita ao amor e antes de sair ficamos os dois um sobre o outro, roçando-nos com moleza.

De saída ainda me dizes: oxalá!

Viro-me para o outro lado, mole e adormeço sem antes beijar o lugar mole aonde estiveste.

In “ cogitações de um dia de calor” por Vicente Mais ou Menos de Souza

domingo, 10 de setembro de 2017

sábado, 9 de setembro de 2017

"O Paraíso" - António Lobo Antunes


"O Paraíso" - António Lobo Antunes

"Quando eu era pequeno havia duas pastelarias em Benfica. Uma por baixo da igreja, frequentada pelo proletariado do bagaço, sempre cheia de serradura e de beatas esmagadas a que chamavam Adega dos Ossos e onde me desaconselhavam ir no receio de que eu me viciasse funestamente na ginginha e no Português Suave e acabasse os meus dias a jogar dominó, a perder à sueca e a tossir no lenço. Era um estabelecimento escuro, cheio e garrafas na parede, em cuja vitrina havia mais moscas que pastéis de nata. Para além das prateleiras de lombadas de garrafas, uma biblioteca de delirium tremens, lembro-me do empregado vesgo, de olho direito furibundo e esquerdo de uma benevolente ternura e do senhor Manuel sacristão que ali descia entre duas missas, de opa vermelha, a comungar copos de três numa unção eucarística oculto por trás do frigorífico no receio prior, todo ele severidade e botões desde o pescoço aos sapatos e para quem o vinho, quando fora das galhetas, adquiria a demoníaca propriedade de tresmalhar as ovelhas levando-as a preferir o rosário das seis horas a favor do vício abominável da bisca.
A outra pastelaria, quase em frente da primeira, tinha o nome de Paraíso de Benfica, era frequentada a seguir à missa por senhoras de devoção inoxidável, antimagnética e à prova de bala, como por exemplo as minhas avós e as minhas tias cuja intimidade com os santos me maravilhava e que se apressaram a ensinar-me o catecismo a partir do dia em que perguntei apontando uma pagela do Espírito Santo
- Quem é este pardal?
tentando explicar-me que Deus não era um pardal, era um pombo, e eu imaginei-o logo na Praça de Camões, a comer à mão dos reformados o que não me parecia uma actividade muito compativel com a criação do universo.
O Paraíso era o local que as senhoras invadiam a seguir à missa e os homens durante ela.
(Quando uma prima minha, indignada, perguntou ao marido se não ia à igreja ele respondeu com um sorrisinho óbvio
- Não preciso: estou no Paraíso. É mais fresco e tem cerveja.)
Ao contrário da Adega dos Ossos cheirava bem, nenhum empregado era vesgo, proibia-se o dominó, a opa do senhor Manuel não flutuava, clandestina, por trás do frigorífico e sobretudo os meus irmãos e eu tínhamos conta aberta para bolos e sorvetes. De início achei a conta aberta uma generosidade tão tocante que quase me fez chorar de gratidão. Compreendi depois que não se tratava propriamente de generosidade: é que aos domingos almoçávamos em casa da minha avó e a oferta destinava-se a desviar-me das nádegas rupestres da cozinheira cujos encantos eu havia começado a descobrir por essa altura. Dividido no meio de dois Paraísos igualmente celestiais hesitei meses a fio entre as duchesses e o fogão de quatro bicos.
Acabei por optar pelo fogão. Quando tempos volvidos a cozinheira se casou com um polícia
(todas as cozinheiras casavam com polícias)
e tentei regressar às bolas de Berlim, a minha avó desiludida com os meus pecados havia cancelado a conta. Desesperado, dispus-me a acompanhá-la a Fátima numa excursão de viúvas para lhe reconquistar o afecto e os bolos de arroz: nem esse sacrifício heróico a comoveu. E passei a viver numa dupla orfandade insuportável da qual nenhuma queijada nem nenhum avental se interessaram até hoje em salvar-me."

Em Algumas Crónicas