sábado, 15 de outubro de 2016

O enigma do Bom Samaritano por Frederico Lourenço


O enigma do Bom Samaritano

O Bom Samaritano é uma personagem bíblica que toda a gente conhece – mesmo pessoas que nunca tenham lido o Novo Testamento sabem contar a história. Aqueles de nós que somos, de facto, leitores da Bíblia sabemos precisar melhor o contexto: sabemos que é um episódio (ou «perícope») que ocorre somente no Evangelho de Lucas, esse príncipe da originalidade entre os evangelistas «sinópticos» (Mateus, Marcos e Lucas), já que em Lucas encontramos tanta coisa bonita que está ausente dos outros Evangelhos.

No entanto, o episódio do Bom Samaritano não pode ser lido isoladamente de Mateus e de Marcos, porque precisamos deles para ajudar a compor o retrato do Samaritano: precisamos dos outros evangelistas para percebermos quem está por trás da máscara do Bom Samaritano.

Esta questão de «quem é quem?» no episódio do Bom Samaritano tem causado perplexidade a muitos intérpretes do Evangelho de Lucas. Quem conta a história (Lucas 10:30-37) é Jesus. Este facto, porém, não inibiu os exegetas de verem na história uma personagem que é o próprio Jesus, como se Jesus fosse um narrador intradiegético, personagem da sua própria narração. Em 1959, o teólogo alemão Hans Binder publicou um artigo fascinante na revista «Theologische Zeitschrift» (nº 15, pp. 176-194) em que argumentou a favor da identificação da vítima do assalto como Jesus. Segundo Binder, a história contada por Jesus sobre os maus-tratos sofridos por «certo homem» diz respeito e ele mesmo: Jesus.

Pessoalmente, apesar de toda a admiração por Binder e pelo seu belo artigo, não concordo com esta interpretação. Jesus está presente na história do Bom Samaritano, sim: e é muito claro, se olharmos para as subtilezas do texto grego, perceber quem é. 

A chave está no versículo 33, no verbo «compadeceu-se», que descreve a reacção do Samaritano ao ver o homem espancado. Trata-se do verbo grego «splankhnízomai», relacionado com «splánkhna», que são as «vísceras». Descreve um sentimento de «compaixão visceral». Das 11 vezes que este verbo surge nos Evangelhos, é sempre usado com referência a Jesus ou a personagens que são apresentadas como «alter ego» de Jesus. É o caso do rei que perdoa as dívidas em Mateus (18:27); é o caso do pai do filho pródigo, que se condói visceralmente ao ver o estado em que o filho chega a casa (Lucas 15:20).

E é o caso do Bom Samaritano: o uso do verbo «splankhnízomai» não deixa lugar para dúvidas. O Bom Samaritano só pode ser Jesus.
 
Frederico Lourenço

ALFRED NOBEL GALARDOADO COM O PRÉMIO DYLAN


1. O Prémio Nobel não é o Juízo Final, e nenhum júri, por mais qualificados que sejam os seus membros, tem o dom da infalibilidade. Para cada prémio dado há, naturalmente, uma quantidade infinita de outros escritores tão ou mais merecedores da mesma distinção. Mas há que reconhecer que, no seu conjunto, os sucessivos júris do Nobel da Literatura têm feito um excelente trabalho e que no seu conjunto a lista dos premiados, ao longo dos anos, é de uma enorme dignidade e contém muitos dos nomes de referência da Literatura mundial do último século. Podemos chorar as ausências mas não me parecer que se possa construir qualquer teoria da conspiração para as explicar a todas. O Prémio é o que é, faz o que faz, escolhe quem escolhe, e a meu ver, de um modo geral, não tem escolhido mal.

2. Se o Senhor Robert Allen Zimmermann tivesse publicado desde os anos 60 os seus versos numa série de livrinhos respeitáveis, em pequenas editoras independentes de vão de escada, estaríamos hoje sem qualquer dúvida a falar de um dos maiores poetas de língua inglesa desse período, na linha de um Allen Ginsberg, por exemplo, e neste momento sentir-nos-íamos felicíssimos com mais uma narrativa reconfortante de como o Nobel fez finalmente justiça a uma vítima do sistema. Desde o Romantismo que nos habituámos a gostar muito desta imagem do génio incompreendido a desfalecer numa mansarda, apesar da realidade aparentemente irritante de que houve sempre muitos génios que foram compreendidos e prósperos e muitos inquilinos de mansardas com pretensões artísticas e literárias que não passavam de medíocres anónimos.

3. Sucede que o dito Senhor Zimmerman preferiu, desde os seus anos de juventude como estudante na Universidade de Minnesota, cantar os seus versos, sob o nome de Bob Dylan, e desde então há mais de meio século que as suas canções continuam a marcar o nosso imaginário e a nossa consciência, geração após geração, influenciando decisivamente escritores, músicos, artistas plásticos e cineastas como poucos criadores do nosso tempo alguma vez o conseguiram fazer. Se no início a sua obra se inseriu assumidamente ao fenómeno específico da luta pelos Direitos Civis e contra a guerra no Vietname, nas décadas de 60 e 70, sobreviveu largamente a este contexto político concreto e afirmou-se sempre como uma voz única, inconfundível, indispensável, a falar-nos a cada momento dos nossos medos e das nossas epifanias, das nossas memórias e das nossas utopias, das nossas raízes e das nossas escolhas para o futuro.

4. É por isso de um grande, grande poeta que estamos a tratar. Ao contrário do que tem sido a leitura apressada de alguma Comunicação Social, o Nobel concedido a Bob Dylan não representa de modo algum uma suposta “descida” do Prémio ao patamar da Cultura de massas – o que em si mesmo não teria, a meu ver, qualquer inconveniente de princípio – mas a consagração de um enorme criador literário, de pleno direito, cuja escolha honra quem o escolheu. De algum modo, Alfred Nobel recebeu hoje o Prémio Dylan.

Ruy Vieira Nery

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

As alegrias do matrimónio por António Lobo Antunes


As alegrias do matrimónio por António Lobo Antunes

As pessoas nos restaurantes fazem-me sempre lembrar os quadros grandes, com martírios de santos, da igreja da minha infância. Casais que não se olham nem se falam: eles de queixo no prato, a espiarem os vizinhos de baixo para cima, elas de cabeça noutro lado e ambos a pensarem
– Porque carga de água não me desamparas a loja?
mas o dinheiro, mas o hábito, mas o medo da solidão dos homens
– E se eu adoeço?
mas a vantagem de ter uma mulher a dias sempre à mão, com olho para os botões a caírem e para as nódoas no fato apesar da chatice de ter que fazer amor com ela de vez em quando
– Assim que acabo arranjo uma desculpa qualquer e levanto- -me logo
porque ela gosta de ficar no nónhónhó, abraçada, e a gente o que nos apetece é que nos deixem em paz, o maior prazer que tiro daquilo é saber que
– Agora, durante uma semana, estou safo
pensar
– Que raio de ideia me fez casar contigo?
pensa
– Só não me separo por causa das crianças
quando não me separo não por causa das crianças, não me separo porque tenho medo, se me aparecesse uma garina em condições, mais nova do que tu, claro, mais bonita, o que também não é difícil, sobretudo de manhã, quando acordas, despenteada, sem pintura, não aguento o barulho dos teus chinelos no corredor, não aguento as tuas conversas, as histórias intermináveis acerca do emprego, constantemente interrompidas por um
– Estás a ouvir?
a gente, que não ouviu nada
– Estou
ela
– Então o que é que eu disse?
a gente, num resmungo
– Que raio de conversa, se respondi que ouvi é porque ouvi
a pensar
– E se me deixasses em paz?
a pensar
– Que idiotas as mulheres
que ainda por cima gastam um rolo inteiro de papel higiénico quando fazem chichi apesar de dois quadradinhos chegarem perfeitamente, para quê tanto papel, senhores, ao entrarmos de manhã na casa de banho encontramos sempre a rodela de algodão, toda preta, com que na véspera, à noite, tiraram a maquilhagem e que nunca despejam no balde como se custasse muito despejar aquilo no balde, basta carregar no pedal com a ponta do pé e nunca carregam, a rodela de algodão, a bandelete com que puxaram o cabelo para trás, a pasta de dentes sem tampa, a toalha torta no toalheiro, aqueles frascos todos, aqueles boiões todos, a inquietação a propósito de uma borbulha no queixo que teimam em mostrar-nos
– Já viste esta borbulha?
uma merdice que mal se percebe de súbito dramática, a queixa indignada
– Nem olhaste
a tragédia da celulite, a tragédia das estrias, o que elas decidem ser uma variz na perna esquerda
– Estou uma velha
ganas de concordar com elas
– Não estás velha, estás a envelhecer
porque a tragédia não é ser velha, é envelhecer, a inveja
– Nos homens dá-lhes charme envelhecerem, nas mulheres é horrível
de facto é horrível mas se por acaso concordamos
– Pensas que és algum actor de cinema, tu?
e de imediato referências à nossa barriga, à tristeza de nos estarmos a tornar repetitivos, à maçada de nos estarmos a tornar cada vez mais chatos, um olhar de desprezo à nossa silhueta
– E gordo, e curvado
portanto nada de conversas sobre a idade para não encontrar olhos que cintilam de lágrimas de humilhação e raiva, a boca, de cantos para baixo
– Desculpa confessar isto mas o que tu mudaste
e claro que mudei mas, ao contrário de ti, mudei para melhor, um dia destes tens as pernas fininhas como dois palitos cravados numa batata, há ginásios, sabias, o que não falta para aí são ginásios de onde voltarás toda suada, de madeixas agarradas à testa, com olheiras, a atirares-te para cima de um sofá, exausta, soprando
– Já não tenho vinte anos
e realmente já não tens, tens quarenta, perdão, quarenta e três, tu logo, ofendidíssima
– Quarenta e dois
nós
– Fazes quarenta e três em junho e estamos em março, olha que grande diferença
elas
– E eu só não falo da tua idade por pena de mim, prefiro esquecer-me que vivo com uma múmia
nós, picados
– Não há nada mais amargo que uma senhora provecta
e oxalá ela fique amuada uma semana ou duas, é da maneira que me salvo do tal e coisa por mais uns dias, tenho que pensar nas amigas da minha filha mais velha para conseguir o tal e coisa ou na atriz daquele filme de ontem na televisão ou nas pequenas do rialitichâo que tu
– Umas pindéricas, umas saloias para não dizer a verdade
pindéricas e saloias de facto que nem português sabem falar mas aqueles peitos, aquelas cinturas, aquelas bocas, no fundo não há como uma pindérica saloia para acordar hormonas, tu, desgostada
– Vocês, homens, são uns animais, e de facto somos, tens razão, somos uns animais mas é graças a elas que eu, e calamo- -nos a tempo, ou seja, pensamos que nos calámos a tempo mas não nos calámos a tempo porque bateste com a porta do apartamento e fico sozinho, sem saber o que fazer, no terror que te passe pela cabeça não voltar.

Carta ao meu primo Luís Bernardo na rentrée

Meu Querido Luís Bernardo,

Tu desculpa-me esta minha ausência de notícias mas tenho que te confessar que tenho tido preguiça de te escrever. Ando enervado, um pouco tenso e as coisas por cá, e não me refiro só aqui em Portugal, andam conturbadas. Agora mesmo leio que o Putin ameaça veladamente com uma 3ª guerra mundial!

Já sabes que sou rigoroso no que selecciono para as nossas cartas e não me tem ocorrido assim nada de muito interessante.

Pegando na palavra “interessante” e transpondo-a para a vida de cada um, como é difícil lutar para que cada dia seja diferente do anterior! Já sabes que detesto a rotina e que tenho conseguido ter uma vida bem variada.

Hoje apetece-me ouvir-te falar-me sobre o amor, este sentimento que é tão multifacetado e tão subjectivo. – que maravilha o que estou a ouvir neste preciso momento: Alberniz – Estudios para piano, Op 65, B 11 Tango.

O meu ipod tem bastante qualidade e muita memória, por isso guardo cerca de 12.000 músicas de todo o tipo, e é um deleite poder escolher dentro de uma tão grande variedade…Agora Liszt – Lieberstraume In A-Flat . O Lieb, So Lang Du Lieben Kannst.

O amor vai e vem, os dias mudam a tonalidade, a intensidade e a constância. Qualquer acontecimento, por mais singelo que seja, influi no equilíbrio e na vontade.

Porque será que é mais fácil sentir-se a vibração do amor quando o ser amado está longe? É um misto de dor/prazer mas o sentimento está bem definido e sabemos distinguir um do outro.

E refiro-me ao amor dos esposos, dos companheiros, dos namorados, dos filhos, dos pais, dos avós e por aí adiante. Não é tanto o amor carnal, é mais aquele que é cantado pelos poetas, de que se dizia que se morria de amor…

Hoje em dia raros devem ser aqueles que suspiram, sofrem e morrem de amor.

Fico a aguardar os teus sempre desejados comentários.

Do primo muito afeiçoado

Manuel

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

O estranho nome de um pretenso primo do facebook


Apareceu-me um facebookiano a pedir para ser meu amigo e acrescentando que seria meu parente.
O seu nome é Damasco Andrade. Pois bem sendo eu Pêssego Andrade, calculo que sejamos parentes.
Mesmo assim achei fruta demais...ahahahha...que nome próprio mais divertido, coitado!

Conselhos de vida por Fernando Pessoa


CONSELHOS DE VIDA

Fernando Pessoa, numa anotação pessoal encontrada num dos papéis que constavam da sua célebre arca, dá (dá-se) sete conselhos de vida:

1- Não tenhas opiniões firmes, nem creias demasiadamente no valor das tuas opiniões.
2- Sê tolerante, porque não tens certeza de nada.
3- Não julgues ninguém, porque não vês os motivos, mas sim os atos.
4- Espera o melhor e prepara-te para o pior.
5- Não mates nem estragues, porque não sabes o que é a vida, exceto que é um mistério.
6- Não querias reformar nada, porque não sabes a que leis as coisas obedecem.
7- Faz por agir como os outros e pensar diferentemente deles.


Num outro texto, inédito até 1979, data em que é publicado na revista História, de «O Jornal», enumera outras regras de vida:

1- Faça o menos possível de confidências. Melhor não as fazer, mas, se fizer alguma, faça com que sejam falsas ou vagas.
2- Sonhe tão pouco quanto possível, exceto quando o objetivo direto do sonho seja um poema ou produto literário. Estude e trabalhe.
3- Tente e seja tão sóbrio quanto possível, antecipando a sobriedade do corpo com a sobriedade do espírito.
4- Seja agradável apenas para agradar, e não para abrir a sua mente ou discutir abertamente com aqueles que estão presos à vida interior do espírito.
5- Cultive a concentração, tempere a vontade, torne-se uma força ao pensar de forma tão pessoal quanto possível, que na realidade você é uma força.
6- Considere quão poucos são os amigos reais que tem, porque poucas pessoas estão aptas a serem amigas de alguém. Tente seduzir pelo conteúdo do seu silêncio.
7- Aprenda a ser expedito nas pequenas coisas, nas coisas usuais da vida mundana, da vida em casa, de maneira que elas não o afastem de você.
8- Organize a sua vida como um trabalho literário, tornando-a tão única quanto possível.
9- Mate o assassino [refere-se à mente].

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

antiquário


GUTERRES e o pequeno país que somos!


GUTERRES e o pequeno país que somos!

Isto que se está a passar com António Guterres é consequência de sermos um pequeno país, com uma situação económica e financeira desastrada que desde o 25 de Abril e na realidade como País, valemos pouco na cena internacional.

Nada disto tem a ver com o nosso candidato que é excelente e dos melhores, senão o melhor.

Mas estes lugares são ganhos por apoios patrocinados pelos países que mandam no mundo e que se estão realmente nas tintas para o nosso sol e simpatia. Não basta!

Nem a história do passado temos como vestígio da grandeza que tivémos.

Uns quantos traidores depois do 25 de Abril, embalados pelo irrealismo do regime anterior quanto ao Ultramar que se recusou sempre a "pensar" em criar uma Commonwealth como o fez atempadamente o nosso dito mais antigo aliado, conduziram a um rectângulo no fim da Europa, sem mais do que chá e simpatia!

Não temos de facto nada que nos distinga no panorama internacional para que, para além do futebol e do Ronaldo, mereçamos ganhar como país.

Enfim, se Guterres ganhar é por mérito próprio, não por ser português, e porque individualmente é bom.

Somos aliás bons individualmente.

Como país, somos uns inconscientes: então não teria feito sentido termos negociado antes e depois do 25 de Abril com os países colonizados por forma a manter uma federação harmoniosa de Estados de língua portuguesa?

Talvez déssemos mais nas vistas!!!

terça-feira, 27 de setembro de 2016

pray for the world

Pois fiquei completamente convencido que o Trump é um amador, um inexperiente sem mundo, um novo-rico que só pensa em riqueza a todo o custo, uma verdadeira calamidade para os EUA..por outro lado a Hilary é uma política bem preparada, mas é mais do mesmo...as promessas do costume, parecidas com as cá do burgo (PPC e AC indiferenciadamente) bem como dos líderes europeus...tudo uma choldra...mas fico pasmado como o Trump diz enormidades pela boca fora sem pestanejar...
Parece que descobriram uns geisers nuns anéis de Neptuno o que prova que haverá vida...que estupada será a vida lá...não há mesmo sítio para aonde ir.

Stop the world, I want to get out...please

the past


The past is a foreign country; they do things differently there.

 Hartley

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

casamento da minha sobrinha filha do Diácono Remédios ( o meu irmão Zé)




Amanhã casa-se a minha querida sobrinha Maria do Carmo (Carmucha) filha única do meu irmão Zé, estimado Diácono da Paróquia do Estoril.

O Zé, é Engenheiro e foi Administrador de uma empresa multinacional e quando resolveu ser Diácono teve que seguir um percurso longo de preparação e de formação. Isto implicou o prévio consentimento da minha Cunhada Teresa, sua Mulher e desta dita filha.

A minha Avó, com cerca de 101 anos nessa altura e ainda perfeitamente lúcida, com a minha Mãe, toda a manada e sobrinhos, "ocupámos" a ala direita do altar dos Jerónimos aonde o Zé numa celebração do Senhor Patriarca D. José Policarpo, com mais uns quantos seriam investidos.

Os paramentos do Senhor Patriarca eram os do séc. XVIII da Sé e o meu irmão, a concelebrar como pré-diácono ainda não investido, parecia um Cónego impecável, com uma alva linda e em pendant com o celebrante.

Correu tudo muito bem, ternurento estarmos a ver um nosso irmão e familiar a tomar uma decisão de serviço aos outros e já no fim da missa diz a minha Avó para a minha Mãe:

- Ó filha eu não posso gostar mais, mas olha que me faz a maior impressão em ver o Zé, que parece um padre, e a Teresa e a piquena na primeira fila a assistir a tudo!

E foram boas sementes que esta sua decisão nele plantou pois tem sido incansável nas suas funções e amanhã pela primeira vez, não irá oficiar o casamento, pois estará na 1ª fila de fraque, ao lado da Teresa a assistir como Pai babado que é, à entrada e cerimónia da sua filha.

PENINHA E A MÃO MAROTA DE MARCELO


O Peninha tem estado ausente das minhas reportagens aqui porque foi de férias.

O Peninha tem uma "terra" que é uma aldeia lá para o Norte e se chama Pandeiro de Cima. O Presidente da Junta já tentou mudar o nome pois presta-se a muita troça, sobretudo dos emigrantes brasileiros, pois no Brasil tem outro sentido - o sim senhor também conhecido por bunda - mas deve esta toponímia a um antepassado do Peninha que tocava pandeireta. Era de sua graça, Teodósio da Silva Santos e Pinto. Tudo nomes a que Peninha gostava de juntar alguma nobreza local....mas que por mais que procurasse nos calhamaços dos Nobiliários, não mencionavam senão apelidos de sapateiros, músicos de feiras, aguadeiros, vendedores ambulantes e finalmente um, para gáudio de Peninha que logo se apropriou das ascendência, tinha sido terceiro secretário. Não dizia de quê, mas Peninha garantia que era um cargo político.

Pois o nosso Peninha descansou na aldeia em casa de uma tia, de nome Atília, que fazia costura para fora.

Apesar de estar de férias não perdia um noticiário e sobretudo aonde aparecesse o seu admirado Presidente Marcelo.

Ficou delirante com a visita à ONU e o que ele gozou com a fotografia com o Presidente Obama e esposa.

No café local, o "Paraíso do Pandeiro" era um ver se te avias, de jornal em punho a mostrar a fotografia, perante a indiferença da maioria que tinham votado noutro candidato que tinha perdido e a quem aquando da visita à aldeia para a campanha eleitoral, ainda tinham gasto alguns cobres para lhe pagar um almoço com vitela e couve lombarda.

Muito cumpridor dos seus deveres religiosos, no fim da missa de Domingo foi mostrar ao sr. Prior o jornal com a foto e o padre depois de muito olhar e remirar, sai-se com esta:

- Ó Peninha olhe que o seu amigo Presidente está a apalpar o pandeiro à mulher do Obama!

Peninha ia ripostar indignado quando num relance confirmou que era verdade. Marcelo tinha dado um amplexo por detrás de Michelle Obama e aparecia uma mão marota, contornando o pandeiro da esposa do Presidente...

Ficou varado e sem ainda querer acreditar, chegou a casa e num telegrama dos correios enviou o seguinte telegrama:

A SEXA PRESIDENTE DA REPÚBLICA
INDIGNADO APALPÃO PANDEIRO ESPOSA OBAMA FOTO IMPRENSA PRECISO CONFIRMACÃO URGENTE QUAL FOI REACCÃO DELA E SE PRESIDENTE MARCELO MANTÉM VIRTUDE E POSE DE ESTADO.
Ass . PENINHA - PANDEIRO DE CIMA.

Uns dias depois foram entregar a casa da tia Atília um telegrama da Presidência da República que rezava assim:

PHOTOSHOP. LAMENTO. Ass: CHEFE CASA CIVIL P.P

Peninha voltou ao pároco a quem orgulhosamente mostrou o telegrama.

Em Pandeiro de Cima foi celebrado um Te Deum Laudamos pelo Senhor Presidente da República, dando graças pela continuação da sua virtude e princípios inabaláveis. Estiveram presentes todas as forças vivas da Nação..local, bem entendido!

Portugal no seu melhor


azedo


pombos


quinta-feira, 22 de setembro de 2016

NEM SEMPRE TUDO É MAU


NEM SEMPRE TUDO É MAU

Andei boa parte da manhã a pé em Lisboa. Tive que tratar de vários assuntos e não era cómodo o meu helicóptero poisar no meio de tantas obras...vá, essa foi uma das razões a outra era da notoriedade excessiva que poderia atrair inbéjas, já me basta vir o meu nome ainda que com pseudónimo no livro do arquitecto...

Mas vamos ao que me traz aqui:

NEM SEMPRE TUDO É MAU, ou seja neste momento é um incómodo, mas também se não for no Verão fica tudo enlameado, estive em sítios aonde os passeios estão prontos...limpos, claros, lisos, fáceis de andar e com novas esplanadas com espaço para mesas e para pedestres andarem sem ser tudo atropelado...vai haver árvores que crescerão, darão sombra e a cidade ficará mais transitável e mais cómoda...

É chato? É! Causa transtornos temporários? Sim, é menos cómodo.

Ópás vou dar dois exemplos ternurentos de que é preciso paciência para tudo:

1. as mães quando estão a dar à luz, têm dores, contracções, estão gordonas, com tudo menos vontade de voltar a ter filhos....mas depois quando nasce o bébé, é um alívio, uma alegria e tudo volta ao normal, com um plus que é um filho...

2. Ópás quando preenchem o boletim do IRS, ele é palavrões, insultos, raivas e ódios terem que declarar tudo quanto ganharam, mesmo no Panamá ou em Belize...aonde acabámos de abrir uma Embaixada...mas depois vem o reembolso do IRS, chorudo, gordo, enorme e dando-nos esperanças de que tudo está a melhorar...ópás é a vida!

NEM SEMPRE TUDO É MAU!

Agora comigo é assim...


nada contra os idiotas


quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Se o vires


Se o vires, diz-lhe que o tempo dele não passou;
que me sento na cama, distraída, a dobar demoras
e, sem querer, talvez embarace as linhas entre nós.
Mas que, mesmo perdendo o fio da meada por
causa dos outros laços que não desfaço, sei que o
amor dá sempre o novelo melhor da sua mão.

Se o encontrares, diz-lhe que o tempo dele não passou;
que só me atraso outra vez, e ele sabe que me atraso
sempre, mas não de mais; e que os invernos que ele
não gosta de contar, mas assim mesmo conta que nos
separam, escondem a minha nuca na gola do casaco,
mas só para guardar os beijos que me deu.

Se o vires, diz-lhe que o tempo dele não passa, fica sempre.

Maria do Rosário Pedreira

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Paquete para sair desta choldra...ahahahaah


PAQUETE PARA SAIRMOS DAQUI...oh vinde, pastores, vinde...ahahah

Ópás estou a organizar um paquete de luxo com destino às Bahamas para quem quiser sair desta choldra: casino a bordo, bons comeres e beberes, serviços jurídicos a bordo para a constituição antecipada de óbeshóres nas Bahamas, empréstimos de mijones de dólari a 0,1% com um período de carência de 10 anos, tudo na máior.

Quem quiser pode inscreber-se no : "Love Boat out of this damn country", Edifício dos Prazeres Imorais, númbaro 69/70, todo o espaço possível, e a localização é no Senhor Roubado

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

IMPOSTOS JUSTOS SOBRE OS RICOS


IMPOSTOS SOBRE OS RICOS

Devo confessar que posso perceber que para ir buscar recursos, este ou outro Governo tenha que cobrar impostos.

É-me indiferente quem tome a iniciativa, se a esquerda ou a direita pois este princípio é transversal ao poder político seja ele de que cor for.

Já não compreendo nem concordo com ranger de dentes, ódio e vingança de quaisquer forças políticas que o queiram fazer por ideologia.

Tem que ter um rationale económico para o país e das receitas haverá que aplicá-las no bem-estar do povo.

Pois bem, a quem se deve taxar?

Aos muito ricos, mesmo ricos que tenham meios para os pagar fàcilmente, mesmo que não gostem.
Há-de ser na medida do justo e necessário para que com o obtido se possam evitar ter que cobrar à classe-média e baixa e aos mais desfavorecidos.

Sobre proprietários de grandes extensões de terrenos ou empreendimentos, bens móveis e imóveis de luxo, carros de grande cilindrada, barcos, mercado de capitais, lucros de bancos, etc

Não é incentivar a que se deixe de ter, comprar, investir: é taxar uma pequena % que sobre um valor residual grande amealha importantes recursos que permitem uma melhor redistribuição dos rendimentos.

Isto existe nos USA, França e UK e Alemanha e Itália, entre outros, desde há muito.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Pitágoras e o seu teorema

Reza a história que Pitágoras não parava muito em casa e que Enusa, sua mulher, aproveitava a situação para copular com quatro soldados, que estavam acantonados ali perto.

Um dia, em que Pitágoras voltou para casa mais cedo, surpreendeu-os no acto e matou os cinco, decidindo enterrá-los no seu jardim.

Movido por alguma comiseração que ainda tinha pela esposa, dividiu o terreno a meio e, numa das metades, sepultou-a. A outra metade foi dividida em quatro quadrados iguais, onde enterrou os amantes. Desta forma, os quatro soldados ficaram a ocupar um espaço idêntico ao ocupado pela mulher. 

Logo depois Pitágoras subiu à montanha para meditar e, olhando de cima, teve uma revelação.


Era óbvio :"O quadrado da puta Enusa era igual à soma dos quadrados dos cadetes." 


(Se me tivessem explicado isso assim na escola, provavelmente não teria ido para letras.)"

Alice Coutinho

sábado, 10 de setembro de 2016

Segredo


Já dizia Mario Quintana: Não te abras com o teu amigo , que ele outro amigo tem e o amigo do teu amigo possui amigos também.