domingo, 31 de julho de 2016
Aguenta-te
Júlio Pomar disse-me sempre em alturas difíceis da minha vida
– Aguenta-te
que de facto é a única coisa que se pode dizer. E eu tento aguentar, fingir que aguento quando sinto que me desmorono dentro de mim. Há sempre uma parede ou outra, ou um bocado de parede, que resiste e encosto-me a ela pensando
– Quando é que irá cair, quando é que irá cair?
Talvez caia, talvez não. E, se não cai, conseguiremos levantar de novo tudo o resto? Ou uma parte do resto? Ou um resto do resto? Amanhar uma espécie de tecto? Ou sentar-me no chão, ao lado das pedras, sem olhar para elas? Sentir que me desmoronei também, me tornei uma ruína igualmente? O Júlio
– Aguenta-te
quer dizer, a voz do Júlio num ponto qualquer em mim
– Aguenta-te
isto é não o Júlio, só a voz, entre poeira que assenta e tijolos quebrados
– Aguenta-te
dois olhos pequeninos atrás de óculos grossos
– Aguenta-te
comigo a tentar agrupar-me, juntar-me todo, defender--me, proteger o que sou, o que teima em existir de mim e que não sei se me pertence ou está para ali como um velho retrato desfocado, do qual se não distinguem bem as feições. Torno-me uma pequenina coisa informe algures no meu corpo, torno-me um pingo de nada em silêncio, porém um silêncio que grita embora nem eu mesmo o oiça. Apercebo- -me que grita apenas porque os meus ossos vibram, reduzidos a fios. Vida, vida, quanto tempo duras tu de facto? Prolongas--te por abril, maio, junho, julho, agosto, até ao setembro dos meus anos? As marés do equinócio a que eu assistia da muralha sobre a praia, as ondas que à noite, em criança, escutava da cama, no escuro, numa fúria teimosa, misturada com a inquietação dos pinheiros. Onde se escondem os melros à noite? Na garagem? No canavial? A repetirem
– Aguenta-te?
E, de repente, ignoro porquê, aparece-me Monsaraz na cabeça, as luzes de Espanha, há tantos anos que isto foi. Nossa Senhora da Lagoa, os homens a cantarem na capela abandonada, que grande é o passado, ou calor de assadura ou frio de sepultura. Um cão magríssimo rente às casas. Mulheres velhas sentadas. Saudades do Guadiana, a ribeira como lhe chamavam, barcos em forma de folhas.
– O que está o senhor a fazer?
– Estou escrevendo.
– Pois: olhar para dentro.
Isto a Margarida, gorda, rugosa. Olhar para dentro, a melhor definição que escutei. A açorda de cardos dela, a respiração da água no barro. Olhar para dentro. A vida inteira a olhar para dentro, eu a passear no castelo com a Isabel.
– Pai, o que é?
– Não é nada
– Pegue-me ao colo.
Porque vértices de pedras, porque lagartixas. Pegue-me ao colo é o meu sangue noutro corpo, separado pelas nossas peles mas o mesmo, alegra-me pensar que o mesmo. O que te acontecerá quando fores grande?
– Vou ser grande, pai?
– Muito grande.
– E quando for muito grande sou pequena também?
Claro que sim. Mesmo enorme hás-de caber nos meus braços. Besouros, vespas
– Tenho medo das vespas
com aquelas cinturinhas finas, aquela zanga. As raízes da figueira que levantavam a rua. Ver o sol pôr-se. Não ver nada. Ver o sol pôr-se outra vez.
– Se tu quisesses corríamos de mão dada até Reguengos.
– Porque é que Reguengos se chama Reguengos?
– Não faz mal, é só um nome.
– Como Isabel?
– Como Isabel.
– Como António?
– Como António.
– O meu avô também é António. Chama-se Avô António e o pai só se chama António.
– Pois é, olha só me chamo António.
– Menino Antoninho não se aproxime do lago que ainda cai lá dentro.
– Se cair lá dentro como um peixe inteiro.
– Que horror!
Nesse tempo, quando eu era capaz de comer peixes vermelhos, não havia António. Nem Isabel. Nem Reguengos. Havia tias, havia o senhor José a regar. Ao tirar o chapéu ficava-lhe um vinco na cabeça grisalha.
– Porque é que os cabelos ficam brancos?
– É da idade.
– O que é a idade?
– É quando a gente somos velhos.
– Eu não envelheço, pois não?
– Claro que não, menino.
E se não fosse março não envelhecia.
O senhor José morreu há muito tempo. Vestia uma espécie de fato-macaco, andava sempre com uma mangueira. Dois lagos no jardim, um grande e um pequeno. O grande com um caramanchão e de pedra. O pequeno de azulejos, mais perto da casa. Eu a descobrir coisas: vermes, gafanhotos. Uma bomba de gasolina na estrada, às vezes tropa a marchar. Os dois castelinhos das Portas de Benfica, árvores à esquerda, mendigos. A carroça do rapaz corcunda que vendia leite e descia com dificuldade lá de cima. Nunca lhe soube o nome mas invejava-o: queria ser grande muito depressa para vender leite também, mas depois de crescer já não me apetecia vender leite: somos tão inconstantes. Mas, como aconselha o Júlio
– Aguenta-te
e lá me aguento, que remédio. Encostado à minha única parede aguento-me. Não uma parede inteira, um pedaço. Sempre é melhor que nada. E talvez consiga ficar assim muito, muito tempo.
António Lobo Antunes
– Aguenta-te
que de facto é a única coisa que se pode dizer. E eu tento aguentar, fingir que aguento quando sinto que me desmorono dentro de mim. Há sempre uma parede ou outra, ou um bocado de parede, que resiste e encosto-me a ela pensando
– Quando é que irá cair, quando é que irá cair?
Talvez caia, talvez não. E, se não cai, conseguiremos levantar de novo tudo o resto? Ou uma parte do resto? Ou um resto do resto? Amanhar uma espécie de tecto? Ou sentar-me no chão, ao lado das pedras, sem olhar para elas? Sentir que me desmoronei também, me tornei uma ruína igualmente? O Júlio
– Aguenta-te
quer dizer, a voz do Júlio num ponto qualquer em mim
– Aguenta-te
isto é não o Júlio, só a voz, entre poeira que assenta e tijolos quebrados
– Aguenta-te
dois olhos pequeninos atrás de óculos grossos
– Aguenta-te
comigo a tentar agrupar-me, juntar-me todo, defender--me, proteger o que sou, o que teima em existir de mim e que não sei se me pertence ou está para ali como um velho retrato desfocado, do qual se não distinguem bem as feições. Torno-me uma pequenina coisa informe algures no meu corpo, torno-me um pingo de nada em silêncio, porém um silêncio que grita embora nem eu mesmo o oiça. Apercebo- -me que grita apenas porque os meus ossos vibram, reduzidos a fios. Vida, vida, quanto tempo duras tu de facto? Prolongas--te por abril, maio, junho, julho, agosto, até ao setembro dos meus anos? As marés do equinócio a que eu assistia da muralha sobre a praia, as ondas que à noite, em criança, escutava da cama, no escuro, numa fúria teimosa, misturada com a inquietação dos pinheiros. Onde se escondem os melros à noite? Na garagem? No canavial? A repetirem
– Aguenta-te?
E, de repente, ignoro porquê, aparece-me Monsaraz na cabeça, as luzes de Espanha, há tantos anos que isto foi. Nossa Senhora da Lagoa, os homens a cantarem na capela abandonada, que grande é o passado, ou calor de assadura ou frio de sepultura. Um cão magríssimo rente às casas. Mulheres velhas sentadas. Saudades do Guadiana, a ribeira como lhe chamavam, barcos em forma de folhas.
– O que está o senhor a fazer?
– Estou escrevendo.
– Pois: olhar para dentro.
Isto a Margarida, gorda, rugosa. Olhar para dentro, a melhor definição que escutei. A açorda de cardos dela, a respiração da água no barro. Olhar para dentro. A vida inteira a olhar para dentro, eu a passear no castelo com a Isabel.
– Pai, o que é?
– Não é nada
– Pegue-me ao colo.
Porque vértices de pedras, porque lagartixas. Pegue-me ao colo é o meu sangue noutro corpo, separado pelas nossas peles mas o mesmo, alegra-me pensar que o mesmo. O que te acontecerá quando fores grande?
– Vou ser grande, pai?
– Muito grande.
– E quando for muito grande sou pequena também?
Claro que sim. Mesmo enorme hás-de caber nos meus braços. Besouros, vespas
– Tenho medo das vespas
com aquelas cinturinhas finas, aquela zanga. As raízes da figueira que levantavam a rua. Ver o sol pôr-se. Não ver nada. Ver o sol pôr-se outra vez.
– Se tu quisesses corríamos de mão dada até Reguengos.
– Porque é que Reguengos se chama Reguengos?
– Não faz mal, é só um nome.
– Como Isabel?
– Como Isabel.
– Como António?
– Como António.
– O meu avô também é António. Chama-se Avô António e o pai só se chama António.
– Pois é, olha só me chamo António.
– Menino Antoninho não se aproxime do lago que ainda cai lá dentro.
– Se cair lá dentro como um peixe inteiro.
– Que horror!
Nesse tempo, quando eu era capaz de comer peixes vermelhos, não havia António. Nem Isabel. Nem Reguengos. Havia tias, havia o senhor José a regar. Ao tirar o chapéu ficava-lhe um vinco na cabeça grisalha.
– Porque é que os cabelos ficam brancos?
– É da idade.
– O que é a idade?
– É quando a gente somos velhos.
– Eu não envelheço, pois não?
– Claro que não, menino.
E se não fosse março não envelhecia.
O senhor José morreu há muito tempo. Vestia uma espécie de fato-macaco, andava sempre com uma mangueira. Dois lagos no jardim, um grande e um pequeno. O grande com um caramanchão e de pedra. O pequeno de azulejos, mais perto da casa. Eu a descobrir coisas: vermes, gafanhotos. Uma bomba de gasolina na estrada, às vezes tropa a marchar. Os dois castelinhos das Portas de Benfica, árvores à esquerda, mendigos. A carroça do rapaz corcunda que vendia leite e descia com dificuldade lá de cima. Nunca lhe soube o nome mas invejava-o: queria ser grande muito depressa para vender leite também, mas depois de crescer já não me apetecia vender leite: somos tão inconstantes. Mas, como aconselha o Júlio
– Aguenta-te
e lá me aguento, que remédio. Encostado à minha única parede aguento-me. Não uma parede inteira, um pedaço. Sempre é melhor que nada. E talvez consiga ficar assim muito, muito tempo.
António Lobo Antunes
domingo, 17 de julho de 2016
O NOSSO CÔNSUL HONORÁRIO EM HAVANA…neste caso em Lisboa
O NOSSO CÔNSUL HONORÁRIO EM HAVANA…neste caso em Lisboa
Tenho já dito algumas vezes que sou Cônsul-Geral Honorário de um país africano, em Portugal.
Uma das minhas tarefas é a de conceder VISTOS a cidadãos estrangeiros que querem deslocar-se a esse país.
Tenho sido muito procurado por portugueses que ao se deslocarem ao Consulado, são submetidos a um pequeno e sumário inquérito sobre o motivo da deslocação, e normalmente peço que me entreguem uma carta a solicitar o tipo de VISTO pretendido. E porquê?
Nas condições actuais do mundo, não quero vir a ter consequências futuras de ter concedido um VISTO a algum terrorista ou aldrabão que no país que represento possa arranjar grossas complicações! Assim, se me dizem que vão ver o pôr-do-sol e observar os pássaros é nessa pressuposição escrita em que me baseio para lhes dar a luz verde. Se depois traficam armas ou drogas ou cometem desacatos, compete às autoridades locais a respectiva vigilância.
Vários cidadãos do Norte de Portugal, me têm solicitado ultimamente VISTOS. Chamou-me a atenção esta frequência e comecei a investigar mais aprofundadamente o real motivo das suas idas ao referido país.
Num grupo de 3, pressionados por mim e sorrindo alarvemente, confessaram-me que iam para os diamantes e talvez algum ouro. Adverti-os dos riscos, sobretudo se como era o caso, nem inglês sabiam falar bem, ou mesmo nada pelo menos 2, e o terceiro mais velho, típico almocreve, arranhando; e acrescentou que tinha muita experiência no negócio.
Aconselhei-os como Advogado que ao menos tudo quanto fizessem o fosse por escrito, ou seja, contractos, acordos, compras e que com os telemóveis tirassem fotografias aos agentes locais, em ar de amizade para depois poderem servir de prova de que com eles tinham transaccionado.
Hoje estou certo que lhes entrou por um ouvido e saiu pelo outro.
Uns dois meses depois, recebi um telefonema de um deles, dizendo-me todo lampeiro que tinham identificado um belo lote de diamantes, a que tinham feito as devidas contraprovas, e que ficaram lacrados num envelope à espera que regressassem com cerca de um milhão de euros para tudo pagar.
Como de diamantes só percebo os já comprados e no meu caso o que porto num lóbulo da orelha direita, por inspiração do Ronaldo, perguntei-lhes se tinham pago algum sinal ao que me disseram que sim. Acrescentei que sem dúvida teriam um contrato-promessa, um papel, alguma coisa que comprovasse a entrega de € 60,000 que me disseram tinham deixado? Que não, que tinham ficado bons amigos e que iriam lá voltar dali a uma semana.
Duas semanas depois, novo telefonema, desta feita com um ar choroso e desesperado. Contou-me então o que tinha acontecido:
- quando lá voltaram encontraram os mesmos? diamantes no referido pacote que foi deslacrado;
- foi-lhes apresentado novo lote de diamantes maiores que depois dos testes que efectuaram lhes pareceram de muita qualidade. Pagaram logo ali mais € 360,000 e regressaram contentes ao Norte, lar doce lar.
- no dia seguinte mostraram os diamantes a um amigo, dito entendido, que os cumprimentou pela boa aquisição.
- dois dias depois, um banho que as pedras teriam levado, revelaram ser não mais do que vidro.
- nem um papel assinado, nem uma fotografia e os locais negam ter estado com eles e terem feito alguma vez negociações de diamantes.
Há muitos mais pormenores em que a minha irritação e a minha indignação lhes foi manifestada pela total estupidez, ignorância, tacanhez e convencimento e sobretudo por não terem prestado atenção aos meus conselhos.
Não sei como acabará, mas nem depois de lhes ter sugerido um Advogado no país e as Autoridades terem pedido a descrição dos factos para poderem proceder a averiguações, incentivaram as criaturas a mexer o rabo…creio que guardarão as pedrinhas lindas numa bitrine em vidro lascado…que bestas!
Sugiro a quem queira comprar diamantes baratos e em condições vantajosas a vir-me pedir um VISTO, pois pelo menos será uma aventura excitante, digo eu de que…
Tenho já dito algumas vezes que sou Cônsul-Geral Honorário de um país africano, em Portugal.
Uma das minhas tarefas é a de conceder VISTOS a cidadãos estrangeiros que querem deslocar-se a esse país.
Tenho sido muito procurado por portugueses que ao se deslocarem ao Consulado, são submetidos a um pequeno e sumário inquérito sobre o motivo da deslocação, e normalmente peço que me entreguem uma carta a solicitar o tipo de VISTO pretendido. E porquê?
Nas condições actuais do mundo, não quero vir a ter consequências futuras de ter concedido um VISTO a algum terrorista ou aldrabão que no país que represento possa arranjar grossas complicações! Assim, se me dizem que vão ver o pôr-do-sol e observar os pássaros é nessa pressuposição escrita em que me baseio para lhes dar a luz verde. Se depois traficam armas ou drogas ou cometem desacatos, compete às autoridades locais a respectiva vigilância.
Vários cidadãos do Norte de Portugal, me têm solicitado ultimamente VISTOS. Chamou-me a atenção esta frequência e comecei a investigar mais aprofundadamente o real motivo das suas idas ao referido país.
Num grupo de 3, pressionados por mim e sorrindo alarvemente, confessaram-me que iam para os diamantes e talvez algum ouro. Adverti-os dos riscos, sobretudo se como era o caso, nem inglês sabiam falar bem, ou mesmo nada pelo menos 2, e o terceiro mais velho, típico almocreve, arranhando; e acrescentou que tinha muita experiência no negócio.
Aconselhei-os como Advogado que ao menos tudo quanto fizessem o fosse por escrito, ou seja, contractos, acordos, compras e que com os telemóveis tirassem fotografias aos agentes locais, em ar de amizade para depois poderem servir de prova de que com eles tinham transaccionado.
Hoje estou certo que lhes entrou por um ouvido e saiu pelo outro.
Uns dois meses depois, recebi um telefonema de um deles, dizendo-me todo lampeiro que tinham identificado um belo lote de diamantes, a que tinham feito as devidas contraprovas, e que ficaram lacrados num envelope à espera que regressassem com cerca de um milhão de euros para tudo pagar.
Como de diamantes só percebo os já comprados e no meu caso o que porto num lóbulo da orelha direita, por inspiração do Ronaldo, perguntei-lhes se tinham pago algum sinal ao que me disseram que sim. Acrescentei que sem dúvida teriam um contrato-promessa, um papel, alguma coisa que comprovasse a entrega de € 60,000 que me disseram tinham deixado? Que não, que tinham ficado bons amigos e que iriam lá voltar dali a uma semana.
Duas semanas depois, novo telefonema, desta feita com um ar choroso e desesperado. Contou-me então o que tinha acontecido:
- quando lá voltaram encontraram os mesmos? diamantes no referido pacote que foi deslacrado;
- foi-lhes apresentado novo lote de diamantes maiores que depois dos testes que efectuaram lhes pareceram de muita qualidade. Pagaram logo ali mais € 360,000 e regressaram contentes ao Norte, lar doce lar.
- no dia seguinte mostraram os diamantes a um amigo, dito entendido, que os cumprimentou pela boa aquisição.
- dois dias depois, um banho que as pedras teriam levado, revelaram ser não mais do que vidro.
- nem um papel assinado, nem uma fotografia e os locais negam ter estado com eles e terem feito alguma vez negociações de diamantes.
Há muitos mais pormenores em que a minha irritação e a minha indignação lhes foi manifestada pela total estupidez, ignorância, tacanhez e convencimento e sobretudo por não terem prestado atenção aos meus conselhos.
Não sei como acabará, mas nem depois de lhes ter sugerido um Advogado no país e as Autoridades terem pedido a descrição dos factos para poderem proceder a averiguações, incentivaram as criaturas a mexer o rabo…creio que guardarão as pedrinhas lindas numa bitrine em vidro lascado…que bestas!
Sugiro a quem queira comprar diamantes baratos e em condições vantajosas a vir-me pedir um VISTO, pois pelo menos será uma aventura excitante, digo eu de que…
calor a quanto obrigas
Fui apanhar fresco a Sintra, e as praias locais estavam com um barrão e
nada de se ir como se das Caraíbas se tratasse. Mas também não era ao
que ia.
Parei numa sombra lá para os altos da serra e com uma boa música, e fresquinho muito mais do que na capital, fechei os olhos.
Transportei-me não sei porquê, à casa dos meus Pais aonde nessa altura ainda só havia três manos e todos pequenos.
Revi como hoje um almoço de Domingo. Havia três criadas e uma cozinheira, tudo dormindo num quarto grande mas sem privacidade nenhuma. Serviam o almoço e saíam até ao jantar no único dia de folga.
O que seriam os horizontes desta gente honrada, competente e amiga que nos adoravam e nós retribuíamos, claro.
Isto veio a propósito do estupor da Turquia que quer prender os que fugiram de helicóptero para a Grécia e que estão preocupados com a família que deixaram para trás.
A Emília que foi cozinheira e óptima durante 50 anos e que já fazia parte da família, namorava com um polícia nesses ditos Domingos à tarde, e estou seguro que nunca houve nada de carnal entre eles, até porque não se casou com ele e foi envelhecendo lá em casa.
O que Sintra pode fazer à cabeça de um moço como eu...é bem verdade que inspirou Byron, mas acho que não num dia de calor como este de hoje!
Parei numa sombra lá para os altos da serra e com uma boa música, e fresquinho muito mais do que na capital, fechei os olhos.
Transportei-me não sei porquê, à casa dos meus Pais aonde nessa altura ainda só havia três manos e todos pequenos.
Revi como hoje um almoço de Domingo. Havia três criadas e uma cozinheira, tudo dormindo num quarto grande mas sem privacidade nenhuma. Serviam o almoço e saíam até ao jantar no único dia de folga.
O que seriam os horizontes desta gente honrada, competente e amiga que nos adoravam e nós retribuíamos, claro.
Isto veio a propósito do estupor da Turquia que quer prender os que fugiram de helicóptero para a Grécia e que estão preocupados com a família que deixaram para trás.
A Emília que foi cozinheira e óptima durante 50 anos e que já fazia parte da família, namorava com um polícia nesses ditos Domingos à tarde, e estou seguro que nunca houve nada de carnal entre eles, até porque não se casou com ele e foi envelhecendo lá em casa.
O que Sintra pode fazer à cabeça de um moço como eu...é bem verdade que inspirou Byron, mas acho que não num dia de calor como este de hoje!
sexta-feira, 8 de julho de 2016
Viva
Sentiu um frémito pela espinha abaixo e ouvindo a vizinhança a sair
aos gritos, pôs uma blusa e enrolando-se numa bandeira nacional comprada
no chinês, saiu a chinelar para a rua. Não era o Terreiro do Paço, mas
era a praça Catarina Eufémia, na Cuba. Não quis ficar atrás da Idalina,
que apesar das cruzes, guinchava e saltava como uma cabrinha. Frases
bentas, palavrões dos gordos, gestos com os dedos, cabelos desgrenhados e
oleosos, os olhos fora das órbitas, ouviu-se um grito rouco em
uníssono:
- Viva o Sr. Regedor!
( de um extracto de um romance de cordel no prelo cujo título pode vir a ser " Linda de Suza, revisité).
- Viva o Sr. Regedor!
( de um extracto de um romance de cordel no prelo cujo título pode vir a ser " Linda de Suza, revisité).
terça-feira, 5 de julho de 2016
O sucesso é difícil de alcançar mas vai-se lá com tenacidade e sem desistir
At age 5 his Father died.
At age 16 he quit school.
At age 17 he had already lost four jobs.
At age 18 he got married. He joined the army and washed out there.
At age 20 his wife left him and took their baby.
He became a cook in a small cafe and convinced his wife to return home.
At age 65 he retired. He felt like a failure & decided to commit suicide.
He sat writing his will, but instead, he wrote what he would have accomplished with his life & thought about how good of a cook he was.
So he borrowed $87 fried up some chicken using his recipe, went door to door to sell.
At age 88 Colonel Sanders, founder of Kentucky Fried Chicken (KFC) Empire was a billionaire.
sábado, 2 de julho de 2016
Peace, at last
Recebi esta manhã pelas 6:30am no WhatsApp esta mensagem: Just to let you know that Eric passed away 2 days ago.
O Eric era um meu parceiro de negócios africano, mais precisamente ganês, de 50 anos e que para além de ser uma excelente pessoa, honesto, activo e eficaz, tinha uma enorme afabilidade de trato.
Tinha um escritório em Londres, aonde morava, e foi lá que o conheci.
A mulher tinha-o abandonado o que muito o afectara e em termos de saúde tinha uma diabetes alta.
Porque comento isto aqui?
Porque foi um murro no estômago a notícia, para além da dor e tristeza, mais uma vez fez-me pensar que devemos estar leves para a partida, sem demasiadas prisões a tudo quanto nos exige a vida.
O Eric era um meu parceiro de negócios africano, mais precisamente ganês, de 50 anos e que para além de ser uma excelente pessoa, honesto, activo e eficaz, tinha uma enorme afabilidade de trato.
Tinha um escritório em Londres, aonde morava, e foi lá que o conheci.
A mulher tinha-o abandonado o que muito o afectara e em termos de saúde tinha uma diabetes alta.
Porque comento isto aqui?
Porque foi um murro no estômago a notícia, para além da dor e tristeza, mais uma vez fez-me pensar que devemos estar leves para a partida, sem demasiadas prisões a tudo quanto nos exige a vida.
domingo, 26 de junho de 2016
sábado, 25 de junho de 2016
O PENINHA E O SÃO JOÃO
O PENINHA E O SÃO JOÃO
O Peninha tinha estado na véspera do S.João no Porto, com um
olho no peixe e outro no gato, ou seja brincando com os foliões e olhando para
as notícias a ver o que dava o referendo em Inglaterra.
Mais a mais estando lá o seu querido Presidente Marcelo,
apostara que lhe havia de dar com um alho porro, pois dava assim um ar de maior
intimidade. E lá se misturou na multidão, desta vez com um traje mais discreto.
Foi-se aproximando, aproximando e no meio da multidão chegou
bem perto. Tinha na mão um martelinho de plástico do S.João que tinha comprado
nos chineses, de côr laranja, por causa do PSD.
Vai de truz e quando o Presidente se vira, catrapum com
leveza na cabeça dá-lhe uma toutiçada. Marcelo com bonomia dá-lhe um abraço e
um sorriso. Alguém disparou um flash e entretanto Peninha desmaiou, tal foi o
gozo.
Borrifaram-lhe a cara, deram-lhe umas estaladas e quando
recuperou os sentidos, a sua primeira preocupação foi a de perguntar quem teria
tirado a fotografia dele com o Presidente. Ninguém lhe sabia dizer e começou
então, no meio da multidão, uma busca sôfrega e imparável, perguntando a torto
e a direito se lhe tinham tirado uma selfie com o Chefe do Estado.
Acabou por se ir deitar tardíssimo e estava exausto. Ninguém
sabia do que se tratava.
De manhã cedo, quando acordou, decidira pôr um anúncio nos
jornais do Porto e de Lisboa, com o seu retrato e dando alvíssaras a quem lhe
entregasse a fotografia que dele tirara com Marcelo, no momento do contacto.
Houve uma única resposta com uma fotografia em anexo. Ele há
coisas do diabo!
quinta-feira, 23 de junho de 2016
quarta-feira, 22 de junho de 2016
UMA CURIOSA TROCA DE INSULTOS
Em 1537 alguns marinheiros portugueses praticaram um crime, então classificado como um "grande gaffe diplomática". Em frente de Diu recebeu-se o Sultão Bahadur Xá a bordo de uma nau portuguesa.
As conversações diplomáticas deram para o torto e o Sultão e sua comitiva resolveram retirar-se zangados.
Alguns marinheiros portugueses, indisciplinados, dificultaram-lhes a entrada no batel, chegando ao ponto de dar com um remo, fortemente, na cabeça do Sultão, tendo este morrido afogado. A acção vergonhosa causou um grito de vingança desde os reinos mulçumanos do Golfo de Cambaia até ao Egipto e Constantinopla. A viúva do Sultão ofereceu toda a sua fortuna para financiar uma expedição punitiva contra os portugueses. A fortaleza de Diu estava a ser defendida por 600 portugueses, comandados por António da Silveira. O Sultão de Cambaia e o turco Suleimão Paxá reuniram as suas forças, conseguindo cercar Diu com 70 galés turcas um exército de terra de 23.000 homens. Tendo já feito prisioneiros alguns portugueses, enviou por um deles uma carta a António da Silveira.
Temos de saber que Suleimão Paxá não era tido em boa conta pelos portugueses. Tratava-se de um eunuco que, através de uma revolução palaciana, com o levantamento geral dos eunucos, conseguiu degolar a família real, usurpando o respectivo trono e poder.
Quanto António da Silveira recebeu a carta do turco, virou-se para os seus companheiros dizendo: «Vejamos o que diz o perro do capado!» e leua a carta em público. Suleimão Paxá prometia aos portugueses livre saída de pessoas e bens desde que fossem para a costa de Malabar e entregassem a fortaleza e as armas. Prometia esfolar todos vivos se não o fizessem e glorificava-se de ter reunido o maior exército em Cambaia, tendo muita gente que tomara Belgrado, Hungria e a ilha de Rodes. Perguntava mesmo a António da Silveira como se iria defender num "curral com tão pouco gado"!
António da Silveira mandou vir papel e Tinta e, estando todos presentes, enviou-lhe a seguinte resposta:
«Muito honrado capitão Paxá, bem vi as palavras da tua carta. Se em Rodes tivessem estado os cavaleiros que estão aqui neste curral podes crer que não a terias tomado. Fica a saber que aqui estão portugueses acostumados a matar muitos mouros e têm por capitão António Silveira, que tem um par de tomates mais fortes que as balas dos teus canhões e que todos os portugueses aqui têm tomates e não temem quem os não tenha!»
Não se pode imaginar insulto maior! Narra-no Gaspar Correia que o capado, quando recebeu esta resposta, mandou logo matar alguns portugueses, feridos, que estavam na sua posse e começou um luta de gigantes. Durante mais de um mês António da Silveira fez-lhe frente, ficando os portugueses capazes de lutar reduzidos a menos de quarenta, mas causando tais baixas aos turcos que estes resolveram levantar o cerco a Diu e retirar-se.
(Gaspar Correia: Cronica dos Feytos da Índia, vol. IV, p.34-36)
segunda-feira, 20 de junho de 2016
Pour faire le portrait d'un oiseau
Pour faire le portrait d'un oiseau
Peindre d'abord une cage
avec une porte ouverte
peindre ensuite
quelque chose de joli
quelque chose de simple
quelque chose de beau
quelque chose d'utile
pour l'oiseau
placer ensuite la toile contre un arbre
dans un jardin
dans un bois
ou dans une forêt
se cacher derrière l'arbre
sans rien dire
sans bouger...
Parfois l'oiseau arrive vite
mais il peut aussi bien mettre de longues années
avant de se décider
Ne pas se décourager
attendre
attendre s'il le faut pendant des années
la vitesse ou la lenteur de l'arrivée de l'oiseau
n'ayant aucun rapport
avec la réussite du tableau
Quand l'oiseau arrive
s'il arrive
observer le plus profond silence
attendre que l'oiseau entre dans la cage
et quand il est entré
fermer doucement la porte avec le pinceau
puis
effacer un à un tous les barreaux
en ayant soin de ne toucher aucune des plumes de l'oiseau
Faire ensuite le portrait de l'arbre
en choisissant la plus belle de ses branches
pour l'oiseau
peindre aussi le vert feuillage et la fraîcheur du vent
la poussière du soleil
et le bruit des bêtes de l'herbe dans la chaleur de l'été
et puis attendre que l'oiseau se décide à chanter
Si l'oiseau ne chante pas
c'est mauvais signe
signe que le tableau est mauvais
mais s'il chante c'est bon signe
signe que vous pouvez signer
Alors vous arrachez tout doucement
une des plumes de l'oiseau
et vous écrivez votre nom dans un coin du tableau."
Jacques Prévert
Peindre d'abord une cage
avec une porte ouverte
peindre ensuite
quelque chose de joli
quelque chose de simple
quelque chose de beau
quelque chose d'utile
pour l'oiseau
placer ensuite la toile contre un arbre
dans un jardin
dans un bois
ou dans une forêt
se cacher derrière l'arbre
sans rien dire
sans bouger...
Parfois l'oiseau arrive vite
mais il peut aussi bien mettre de longues années
avant de se décider
Ne pas se décourager
attendre
attendre s'il le faut pendant des années
la vitesse ou la lenteur de l'arrivée de l'oiseau
n'ayant aucun rapport
avec la réussite du tableau
Quand l'oiseau arrive
s'il arrive
observer le plus profond silence
attendre que l'oiseau entre dans la cage
et quand il est entré
fermer doucement la porte avec le pinceau
puis
effacer un à un tous les barreaux
en ayant soin de ne toucher aucune des plumes de l'oiseau
Faire ensuite le portrait de l'arbre
en choisissant la plus belle de ses branches
pour l'oiseau
peindre aussi le vert feuillage et la fraîcheur du vent
la poussière du soleil
et le bruit des bêtes de l'herbe dans la chaleur de l'été
et puis attendre que l'oiseau se décide à chanter
Si l'oiseau ne chante pas
c'est mauvais signe
signe que le tableau est mauvais
mais s'il chante c'est bon signe
signe que vous pouvez signer
Alors vous arrachez tout doucement
une des plumes de l'oiseau
et vous écrivez votre nom dans un coin du tableau."
Jacques Prévert
domingo, 19 de junho de 2016
o Doutor da mula ruça
Pois a graça disto tudo está em que, no ano de 1534, um tal
António Lopes exercia medicina, em Évora onde era muito conhecido, mas não
tinha diploma. Tinha estudado em Alcalá de Henares e, por falta de verba para
pagar o «canudo», saiu de lá sem o respectivo diploma. Vai daí escreveu ao rei
Dom João III e pediu-lhe que o mandasse analisar pelos médicos da corte de modo
a poder exercer a sua actividade sem qualquer contestação. Em 23 de Maio de
1534, o livro da Chancelaria de D. João III refere:
«Dom Joham 3º a quantos esta minha carta virem faço saber
que o doutor António Lopes, físico de Évora, me apresentou ua carta do doutor
Diogo Lopes, meu físico moor, de que o theor de verbo é o seguinte: O doutor
Diogo Lopes, comendador da Ordem de Christo e físico moor del Rey Nosso senhor
em seus regnos e senhorios, faço saber a quantos esta minha carta de doutorado
virem como por António Lopes, físico da mula ruça, morador em esta Évora, me
foy apresentado hum allvará dellRey nosso senhor, por sua alteza assygnado e
passado per sua chancelaria do qual o trellado he o seguinte: Eu ell Rey faço
saber a vós Doutor Diogo Lopes seu fisico moor, que António Lopes, físico da
mula ruça, morador en esta cidade, me dice por sua petiçam que elle estudou
nove ou dez annos no estudo de Alcala de Henares.»
Os dicionários esclarecem que a expressão “doutor da mula
ruça” usada em registo familiar e em tom depreciativo, se aplica a «indivíduos
que possuem um título ou um diploma, mas que não têm os conhecimentos de que se
dizem detentores». Por extensão, a expressão “doutor da mula ruça” aplica-se
vulgarmente ao chamado charlatão, aquele que tenta enganar os outros,
fazendo-se passar por algo que afinal não é, neste caso, fingindo ser muito
erudito.
No entanto, a história que se conta sobre o 1.º doutor da
mula ruça aponta para um significado da expressão um pouco diferente, quase
oposto, que é o do homem que exerce a prática (e tem os conhecimentos) mas que
não tem o diploma que o habilitaria oficialmente para isso.
Então quem foi este doutor da mula ruça? De acordo com
vários autores, houve um homem no século XVI em Évora, de nome António Lopes,
que era conhecido como o “físico da mula ruça”, e exercia medicina sem possuir
o grau de doutor. Acontece que este senhor tinha estudado em Alcalá de Henares,
em Espanha, perto de Madrid. Mas uns dizem que por falta de dinheiro não pôde pagar
o diploma, e portanto acabou por exercer sem ele; outros contam que obteve o
grau de bacharel, mas havia certas reservas em relação à sua prática, porque
não era doutor pela Universidade de Lisboa. Seja como for, o que acontece é que
ele terá pedido ao rei D. João III, uma espécie de “equivalência”, como agora
se diria (de bacharel, o grau que teria adquirido em Espanha, para doutor) ou,
se quisermos, uma “creditação de competências”, como agora também se faz, ao
abrigo do Processo de Bolonha, se considerarmos que ele não chegou a obter o
diploma em Espanha, ainda que tivesse frequentado a Universidade. O que parece
certo é que o Rei, a pedido deste António Lopes, solicitou ao físico-mor do
reino, Diogo Lopes, que o examinasse para se avaliar a sua competência para
exercer medicina. O resultado da avaliação foi positivo e há um registo no
Livro de Chancelaria de D. João III que declara precisamente isso: «que António
Lopes, físico da mula ruça, morador em esta cidade me disse por sua petição que
ele estudou nove ou dez anos no estudo de Alcalá» (excerto da carta régia de 23
de Maio de 1534).
Portanto, fica a ideia de que este homem exerceu a profissão
antes de obter oficialmente o grau academico, que solicitou esse grau por carta
régia e não pela via normal, que seria um diploma da universidade, e que era
conhecido como o “doutor da mula ruça”, talvez por se deslocar habitualmente
numa mula de cor parda ou acinzentada. Não temos a certeza. Mas pelos vistos a
sua actividade era contestada pelo facto de ele a exercer sem a mesma
legitimidade que os outro físicos, o que o levou a sentir a necessidade de
requerer o reconhecimento da sua competência. Algo que parece hoje novidade,
mas que afinal não é...
Fui descobrir esta curiosidade num livro de Orlando Neves,
intitulado «Dicionário da origem das frases feitas». A edição é da Lello &
Irmão Editores – Porto.
Info obtida gentilmente do Doutor João das Regras
sábado, 18 de junho de 2016
wise man
1. work on one thing at a time until finished.
2. Start no more new books, add no more new material to “Black Spring.”
3. Don’t be nervous. Work calmly, joyously, recklessly on whatever is in hand.
4. Work according to the program and not according to mood. Stop at the appointed time!
5. When you can’t create you can work.
6. Cement a little every day, rather than add new fertilizers.
7. Keep human! See people; go places, drink if you feel like it.
8. Don’t be a draught-horse! Work with pleasure only.
9. Discard the Program when you feel like it–but go back to it the next day. Concentrate. Narrow down. Exclude.
10. Forget the books you want to write. Think only of the book you are writing.
11. Write first and always. Painting, music, friends, cinema, all these come afterwards.
Henry Miller
5. When you can’t create you can work.
6. Cement a little every day, rather than add new fertilizers.
7. Keep human! See people; go places, drink if you feel like it.
8. Don’t be a draught-horse! Work with pleasure only.
9. Discard the Program when you feel like it–but go back to it the next day. Concentrate. Narrow down. Exclude.
10. Forget the books you want to write. Think only of the book you are writing.
11. Write first and always. Painting, music, friends, cinema, all these come afterwards.
Henry Miller
sexta-feira, 17 de junho de 2016
E é isto rapazes, nada de tristezas pois a vida é para gozar.
E é isto rapazes, nada de tristezas pois a vida é para gozar. Este pragmatismo do Pessoa sempre me encantou.
______________
Se, depois de eu morrer...
Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas --- a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus.
Sou fácil de definir.
Vivi como um danado.
Amei as coisas sem sentimentalidade nenhuma.
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.
Compreendi que as coisas são reais e todas diferentes umas das outras;
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.
Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.
Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.
Fechei os olhos e dormi.
Além disso fui o único poeta da Natureza.
Alberto Caeiro
______________
Se, depois de eu morrer...
Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas --- a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus.
Sou fácil de definir.
Vivi como um danado.
Amei as coisas sem sentimentalidade nenhuma.
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.
Compreendi que as coisas são reais e todas diferentes umas das outras;
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.
Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.
Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.
Fechei os olhos e dormi.
Além disso fui o único poeta da Natureza.
Alberto Caeiro
quarta-feira, 15 de junho de 2016
O PENINHA E O ENCONTRO COM RONALDO
O PENINHA E O ENCONTRO COM RONALDO
O Peninha deslocou-se de autocarro a Caxias ao novo centro de formação da FPF para tentar falar com Cristiano Ronaldo.
Pensou, pensou e disse para si próprio: sem entrevista marcada, tenho que ir vestido de uma forma apelativa para chamar a atenção do Cristiano, senão nem me deixam entrar.
Assim fez: começou pelas cuecas que tinha comprado nos chineses – com a imagem do Ronaldo aos xutos e pontapés a uma bola – depois escolheu uma camisa branca com a cara da mãe Aveiro estampada, a vender bananas da Madeira (achou que ele havia de gostar) e finalmente seleccionou uns jeans rotos, que o eram pelo uso desde há anos, mas cujos rasgões e buracos estavam à moda.
Nos pés umas xanatas com meias grossas de futebol, pois assim dava um toque, um sinal a que ia.
Um cap, tipo boné que dizia “ a Madeira é um jardim”. Olhou-se ao espelho e sorriu: - um janota, é o que sou!
Claro está que no autocarro era o alvo da atenção de toda a gente, pois já não bastava o traje que portava, mas tinha engordado estupidamente, e tinha um ventre descomunal. Era uma verdadeira visão do não-desportista.
Lá chegado, apresentou-se ao portão e disse orgulhoso: - Venho para uma reportagem com o nosso campeão. Sou jornalista do “Alvorada do Senhor Roubado” a Odivelas.
O porteiro não conteve o riso e disse-lhe – mas você julga que ele vai alguma vez aceitar ser entrevistado por si?
Peninha, empertigou-se e sentindo-se atingido no seu brio profissional respondeu-lhe com uma voz fria: - deixe-me entrar para as bancadas e logo verá. Para já venho assistir aos treinos.
O porteiro deixou-o passar e Peninha dirigiu-se às bancadas aonde aquela hora da manhã ainda havia pouca gente. Sentou-se e esperou que Ronaldo chegasse, pois só lá estavam ainda uns poucos.
Finalmente, Cristiano Ronaldo chegou. De popa levantada, cheia de brilho de banha no cabelo, peito enfunado e olhando para todo o lado a ver que audiência tinha. De repente tosca o Peninha e desata a rir, sem parar, com um ar teatral! Aproxima-se devagar das bancadas e ao chegar perto de Peninha, faz: - pst, pst você aí, seu anormaleco, venha aqui.
Peninha olhou à sua volta, não estava ninguém com um baque no coração, pensou: - é para mim! E aproximou-se entre o tímido e o excitado. – Estava a chamar-me? – disse, na direcção de Ronaldo.
Cristiano, sem parar de rir, respondeu-lhe: - Claro!
Chegando perto, Ronaldo mirou-o dos pés à cabeça e disse-lhe: - é pá, estás o máximo, dá cá um abraço. E estreitando-o nos braços, ficaram assim uns segundos.
Peninha, desmaiou de comoção e quando acordou estava no posto de enfermagem do centro de estágio da FPF.
Um enfermeiro virou-se para ele e disse-lhe: - Isso deve ter sido do sol, pois você desmaiou à entrada e teve que ser trazido para aqui. Que raio de traje é esse?
Peninha, esfregou os olhos e perguntou-lhe: - mas eu não fui abraçado pelo Cristiano Ronaldo?
- Ó homem, o Cristiano está em França a jogar no campeonato, aqui não está ninguém. Sorte teve você de eu ter passado por aqui, senão tinha ficado ali à porta sem ninguém dar fé de si. Vá lá andando, pois já está melhor e da próxima vez, cuide-se.
Peninha, estonteado levantou-se e cabisbaixo saiu devagar para a rua. Sentou-se num banco à sombra ali ao perto e pôs-se a cogitar:
Ainda bem que existem outros dias. E outros sonhos. E outros sorrisos. E outras pessoas. E outras coisas...
E partiu rumo ao Senhor Roubado, com ânimo para novas aventuras.
O Peninha deslocou-se de autocarro a Caxias ao novo centro de formação da FPF para tentar falar com Cristiano Ronaldo.
Pensou, pensou e disse para si próprio: sem entrevista marcada, tenho que ir vestido de uma forma apelativa para chamar a atenção do Cristiano, senão nem me deixam entrar.
Assim fez: começou pelas cuecas que tinha comprado nos chineses – com a imagem do Ronaldo aos xutos e pontapés a uma bola – depois escolheu uma camisa branca com a cara da mãe Aveiro estampada, a vender bananas da Madeira (achou que ele havia de gostar) e finalmente seleccionou uns jeans rotos, que o eram pelo uso desde há anos, mas cujos rasgões e buracos estavam à moda.
Nos pés umas xanatas com meias grossas de futebol, pois assim dava um toque, um sinal a que ia.
Um cap, tipo boné que dizia “ a Madeira é um jardim”. Olhou-se ao espelho e sorriu: - um janota, é o que sou!
Claro está que no autocarro era o alvo da atenção de toda a gente, pois já não bastava o traje que portava, mas tinha engordado estupidamente, e tinha um ventre descomunal. Era uma verdadeira visão do não-desportista.
Lá chegado, apresentou-se ao portão e disse orgulhoso: - Venho para uma reportagem com o nosso campeão. Sou jornalista do “Alvorada do Senhor Roubado” a Odivelas.
O porteiro não conteve o riso e disse-lhe – mas você julga que ele vai alguma vez aceitar ser entrevistado por si?
Peninha, empertigou-se e sentindo-se atingido no seu brio profissional respondeu-lhe com uma voz fria: - deixe-me entrar para as bancadas e logo verá. Para já venho assistir aos treinos.
O porteiro deixou-o passar e Peninha dirigiu-se às bancadas aonde aquela hora da manhã ainda havia pouca gente. Sentou-se e esperou que Ronaldo chegasse, pois só lá estavam ainda uns poucos.
Finalmente, Cristiano Ronaldo chegou. De popa levantada, cheia de brilho de banha no cabelo, peito enfunado e olhando para todo o lado a ver que audiência tinha. De repente tosca o Peninha e desata a rir, sem parar, com um ar teatral! Aproxima-se devagar das bancadas e ao chegar perto de Peninha, faz: - pst, pst você aí, seu anormaleco, venha aqui.
Peninha olhou à sua volta, não estava ninguém com um baque no coração, pensou: - é para mim! E aproximou-se entre o tímido e o excitado. – Estava a chamar-me? – disse, na direcção de Ronaldo.
Cristiano, sem parar de rir, respondeu-lhe: - Claro!
Chegando perto, Ronaldo mirou-o dos pés à cabeça e disse-lhe: - é pá, estás o máximo, dá cá um abraço. E estreitando-o nos braços, ficaram assim uns segundos.
Peninha, desmaiou de comoção e quando acordou estava no posto de enfermagem do centro de estágio da FPF.
Um enfermeiro virou-se para ele e disse-lhe: - Isso deve ter sido do sol, pois você desmaiou à entrada e teve que ser trazido para aqui. Que raio de traje é esse?
Peninha, esfregou os olhos e perguntou-lhe: - mas eu não fui abraçado pelo Cristiano Ronaldo?
- Ó homem, o Cristiano está em França a jogar no campeonato, aqui não está ninguém. Sorte teve você de eu ter passado por aqui, senão tinha ficado ali à porta sem ninguém dar fé de si. Vá lá andando, pois já está melhor e da próxima vez, cuide-se.
Peninha, estonteado levantou-se e cabisbaixo saiu devagar para a rua. Sentou-se num banco à sombra ali ao perto e pôs-se a cogitar:
Ainda bem que existem outros dias. E outros sonhos. E outros sorrisos. E outras pessoas. E outras coisas...
E partiu rumo ao Senhor Roubado, com ânimo para novas aventuras.
segunda-feira, 13 de junho de 2016
A QUEDA EM DESGRAÇA
A QUEDA EM DESGRAÇA
Os seres humanos são naturalmente vaidosos. Todos sem excepção, e é irritante ouvir alguém dizer que é tão modesto que não gosta que lhe façam elogios. Por isso mente ou mentem e torna-se um desafio apaixonante tentar apanhá-lo ou apanhá-los em pequenos deslizes aonde se vê o ego subir velozmente até aparecer da goela para fora…
Isto passa-se no campo político, profissional e social. Não vale a pena teorizar sobre o tema pois a não ser que se seja coxo, zarolho, maneta ou muito feio/a, todos já passaram por estas sensações de engodo, acreditando piamente nas louvaminhices…que gira, que bem que estás, que bom gosto, que elegante, que bonito, que inteligente, que interessante…e por aí a fora. A irresistível postura de fotografias no facebook em todas as situações, na cama, no solar, na praia, vestido ou nú, a rir ou a chorar torna tão visível isto que acima digo, mas mesmo assim, mesmo com indirectas…as pessoas keep on posting.. mas não é muito importante.
O que hoje me traz aqui para referir este tema é constatar que há gente soberba, mesquinha, má, intriguista e maledicente que quando vê alguém, mesmo por própria culpa escorregar nos degraus profissionais, políticos ou sociais, não tem um gesto, uma palavra e um oferecimento para nos momentos da “desgraça” e de ostracização, estenderem a mão e declararem-se presentes, sem julgarem, se bem que podendo discordar.
Esquecem-se de que quando precisaram ou desejaram roçar o poder, ou os negócios ou o brilho dos salões, não havia limites para o incenso.
E disse.
Os seres humanos são naturalmente vaidosos. Todos sem excepção, e é irritante ouvir alguém dizer que é tão modesto que não gosta que lhe façam elogios. Por isso mente ou mentem e torna-se um desafio apaixonante tentar apanhá-lo ou apanhá-los em pequenos deslizes aonde se vê o ego subir velozmente até aparecer da goela para fora…
Isto passa-se no campo político, profissional e social. Não vale a pena teorizar sobre o tema pois a não ser que se seja coxo, zarolho, maneta ou muito feio/a, todos já passaram por estas sensações de engodo, acreditando piamente nas louvaminhices…que gira, que bem que estás, que bom gosto, que elegante, que bonito, que inteligente, que interessante…e por aí a fora. A irresistível postura de fotografias no facebook em todas as situações, na cama, no solar, na praia, vestido ou nú, a rir ou a chorar torna tão visível isto que acima digo, mas mesmo assim, mesmo com indirectas…as pessoas keep on posting.. mas não é muito importante.
O que hoje me traz aqui para referir este tema é constatar que há gente soberba, mesquinha, má, intriguista e maledicente que quando vê alguém, mesmo por própria culpa escorregar nos degraus profissionais, políticos ou sociais, não tem um gesto, uma palavra e um oferecimento para nos momentos da “desgraça” e de ostracização, estenderem a mão e declararem-se presentes, sem julgarem, se bem que podendo discordar.
Esquecem-se de que quando precisaram ou desejaram roçar o poder, ou os negócios ou o brilho dos salões, não havia limites para o incenso.
E disse.
sexta-feira, 10 de junho de 2016
Orgulho de ser Português
Gostei muito dos 2 discursos das cerimónias no Terreiro do Paço. Mas sobretudo, como Portugueses, devemos estar gratos ao Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, pela nova alma de orgulho e portuguesismo que nos vai dando, paulatinamente, em cada acto que inteligentemente vai escolhendo para imprimir uma nova marca de Portugal.
Ver 2 mil militares em parada, cantar com voz firme, o hino nacional, é comovente e animador.
Bem haja!
terça-feira, 7 de junho de 2016
O patrão e a secretária na praia
O patrão e a secretária na praia
Quando estou na praia, para além de dar mergulhos e tomar banho, como detesto estar deitado ao sol, apesar de lagarto, adoro cuscar o que me vai passando à frente.
Hoje, havia uma série de ninfas do Mondego muito bem apessoadas e novinhas, já despontando para o robusto e generoso peito e também para caudas muito redondinhas….ahahah.
Passou às tantas um “patrão” com um chapéu à Panamá papers e
fato-de–banho de qualidade em conversa com donzela, seguramente, uns 35
aninhos, mais nova, tipo secretária.
Ele conversava a borbotos e ela ouvia respeitosa mas olhando para o horizonte e assim foram de uma ponta a outra da praia, junto ao mar.
Apeteceu-me extrapolar e “sair “dali visionando um jantarinho romântico à luz de velas, ele de bom fato de seda e bela camisa aberta e ela (esta, pelo menos) de bestido mal enjorcado, amarelo, com muitas pregas e um decote grande, mas feio, que nem sequer deixava ver os alvos peitos, branqueando! como diria o Luiz Vaz.
Mas o que quero comentar na atitude do "patrão" é esta presunção de dominar a conversa, contando histórias mil vezes repetidas, desinteressantes, gabarolices, falando de dinheiro gasto e de luxos ou de comentários sobre trivialidades….e a pikena, teúda e manteúda, a ter que aturar tudo aquilo…uma chatice, um frete…mas para o Armindo a poder ter no apartamento que o patrão lhe pusera, era preciso aturar tudo isto. O Armindo é que tinha conversas interessantes…falava-lhe das telenovelas, das revistas do coração, e de ideias…sim de ideias bem quentes...
Ora, havendo tanto tema interessante para conversar, explorar a ciência e inteligência da menina, até iniciar, from time to time, alguma conversa picante preparatória de voluptuosas mil e uma noites…suspeito que os temas seriam de bocejo.
Até porque fazer de Coronel Higgins e My Fair Lady ou qual Pigmalião, é tão mais interessante…molda-se, assiste-se ao desabrochar das qualidades, têm-se momentos de desânimo, mas no final é um apogeu real.
E depois destes pensamentos longínquos, caí na real e fui mergulhar. Ainda estava fria, a maldita da água, mas enrijece as carnes, they say…
Ele conversava a borbotos e ela ouvia respeitosa mas olhando para o horizonte e assim foram de uma ponta a outra da praia, junto ao mar.
Apeteceu-me extrapolar e “sair “dali visionando um jantarinho romântico à luz de velas, ele de bom fato de seda e bela camisa aberta e ela (esta, pelo menos) de bestido mal enjorcado, amarelo, com muitas pregas e um decote grande, mas feio, que nem sequer deixava ver os alvos peitos, branqueando! como diria o Luiz Vaz.
Mas o que quero comentar na atitude do "patrão" é esta presunção de dominar a conversa, contando histórias mil vezes repetidas, desinteressantes, gabarolices, falando de dinheiro gasto e de luxos ou de comentários sobre trivialidades….e a pikena, teúda e manteúda, a ter que aturar tudo aquilo…uma chatice, um frete…mas para o Armindo a poder ter no apartamento que o patrão lhe pusera, era preciso aturar tudo isto. O Armindo é que tinha conversas interessantes…falava-lhe das telenovelas, das revistas do coração, e de ideias…sim de ideias bem quentes...
Ora, havendo tanto tema interessante para conversar, explorar a ciência e inteligência da menina, até iniciar, from time to time, alguma conversa picante preparatória de voluptuosas mil e uma noites…suspeito que os temas seriam de bocejo.
Até porque fazer de Coronel Higgins e My Fair Lady ou qual Pigmalião, é tão mais interessante…molda-se, assiste-se ao desabrochar das qualidades, têm-se momentos de desânimo, mas no final é um apogeu real.
E depois destes pensamentos longínquos, caí na real e fui mergulhar. Ainda estava fria, a maldita da água, mas enrijece as carnes, they say…
domingo, 5 de junho de 2016
O discurso de António Costa
Achei o discurso final do António Costa, um bom discurso. Porque
hei-de de dizer o contrário se foi isso que achei. Desejo ardentemente
que ponha em prática todas as medidas que propugna pois são boas para o
país e para todos nós. Estou-me nas tintas se é socialista ou de
direita, o que eu quero como cidadão e português é que as coisas
melhorem e a vida no dia a dia tenha maior qualidade.
Irrita-me tanto o sectarismo, a raiva e o radicalismo das pessoas, que tal como eu, não sendo socialistas, rosnem e critiquem logo no minuto seguinte, mesmo sem terem ouvido....é o cúmulo.
Irrita-me tanto o sectarismo, a raiva e o radicalismo das pessoas, que tal como eu, não sendo socialistas, rosnem e critiquem logo no minuto seguinte, mesmo sem terem ouvido....é o cúmulo.
Tenho, como é sabido por quem conhece a minha Família, uma irmã deficiente....desde quase sempre, pois nasceu normal.
Ora bem foi anunciado que iria haver uma série de prestações em vários níveis e com total aplicação, neste caso à minha irmã.
Porque hei-de ser ingrato, injusto e radical?
Como esta já foram postas em prática muitas outras medidas que tinham sido prometidas.
Eu sinto-me bem com quem promete e cumpre e não está sempre a adiar por razões que nos lixam sempre....é um azar!
Por isso vou mesmo afastando da minha convivência quem me desagrade e contrarie , independentemente de terem sido meus amigos/as ou com familiares deste calibre só falo de pureza e açucenas.....
E eu ralado, com o que dizem de mim!
Em tempo: percebo perfeitamente e concordo inteiramente com o Presidente Marcelo quando pugna pela estabilidade em Portugal.
Ora bem foi anunciado que iria haver uma série de prestações em vários níveis e com total aplicação, neste caso à minha irmã.
Porque hei-de ser ingrato, injusto e radical?
Como esta já foram postas em prática muitas outras medidas que tinham sido prometidas.
Eu sinto-me bem com quem promete e cumpre e não está sempre a adiar por razões que nos lixam sempre....é um azar!
Por isso vou mesmo afastando da minha convivência quem me desagrade e contrarie , independentemente de terem sido meus amigos/as ou com familiares deste calibre só falo de pureza e açucenas.....
E eu ralado, com o que dizem de mim!
Em tempo: percebo perfeitamente e concordo inteiramente com o Presidente Marcelo quando pugna pela estabilidade em Portugal.
sábado, 4 de junho de 2016
pobreza de espírito
Estava a ouvir à distância o programa do Alta Definição na SIC daquele rapaz Daniel Oliveira!
Hoje era um tal de Quaresma. Que pobre mentalidade a destes jogadores de futebol! Fiquei angustiado com o que ouvi. Nem uma única frase que não fosse ou sobre futebol ou sobre tragédias corriqueiras de uma vida qualquer! Tudo espremido dá zero.
Nada sobre música, leitura, ideias e sobre o mundo à nossa volta tão dramático e ao mesmo tempo tão interessante para reflectir.
E o mais preocupante é que grande parte da nova geração e da antiga que considero limitada e burra, adora e bebe estas palavras como ciência certa.
Pode parecer soberba, convencimento ou presunção, é verdadeiramente uma falta de paciência para pessoas desinteressantes e sem cultura e sem o tal brilhozinho nos olhos...
Hoje era um tal de Quaresma. Que pobre mentalidade a destes jogadores de futebol! Fiquei angustiado com o que ouvi. Nem uma única frase que não fosse ou sobre futebol ou sobre tragédias corriqueiras de uma vida qualquer! Tudo espremido dá zero.
Nada sobre música, leitura, ideias e sobre o mundo à nossa volta tão dramático e ao mesmo tempo tão interessante para reflectir.
E o mais preocupante é que grande parte da nova geração e da antiga que considero limitada e burra, adora e bebe estas palavras como ciência certa.
Pode parecer soberba, convencimento ou presunção, é verdadeiramente uma falta de paciência para pessoas desinteressantes e sem cultura e sem o tal brilhozinho nos olhos...
segunda-feira, 30 de maio de 2016
prenhas ao mesmo tempo
This man is married to thirteen women and they are all pregnant at the
same time. Not only are they contented with the pregnancy, but they are
very happy to be his wife and they all get along very well. Each woman
speaks very highly of each other. They look out for the well being of
each and for their beloved husband. This is perfectly legal in their
country but this is the first man to have all his wives pregnant at
once…
segunda-feira, 23 de maio de 2016
terça-feira, 17 de maio de 2016
O PENINHA E AS GALAS
O PENINHA E AS GALAS
O Peninha, coitado, anda sempre à cata de eventos sociais, nomeadamente adora Galas de canais de televisão, revistas e não perde uma.
Tem uma agenda amovível que vai actualizando com antecedência para não falhar.
O Peninha, coitado, anda sempre à cata de eventos sociais, nomeadamente adora Galas de canais de televisão, revistas e não perde uma.
Tem uma agenda amovível que vai actualizando com antecedência para não falhar.
Foi assim à da REVISTA COSTAS, pois sendo uma publicação sobre fofocas e moda, tem muita visibilidade.
Achou que ficava bem ir de modérninho, tipo vestido com cuecas de flores garridas que deixava ver num rasgão das calças na zona das nádegas. Por acaso as calças eram de moiré adamascado em cor carmim e apertavam até aos calcanhares aonde cruzavam com um par de meias de vidro transparentes deixando ver o pelame.
Calçou-se com uns sapatos de verniz alaranjado em bico pontiagudo de matar baratas ao canto. Da cintura para cima vestiu uma camisa verde-salsa com folhos dos quais pendiam corações pequeninos que abanavam aos mais pequenos gestos. Por cima um casaco apertado de veludo preto.
O cabelo com gel estava penteado em forma de pirâmide e dos lados tinha rapado com a máquina zero.
Muitas pulseiras de pano com cores sortidas que tinha comprado numa loja do Martim Moniz, de uma orixá reformada.
Meteu-se num carro da Uber, enfim sempre era dia de festa e queria parar mesmo em frente da passadeira de honra.
Ao sair do carro, veio uma polícia de serviço que lhe disse de impromptu:
- Aonde pensa que vai assim vestido? O seu convite?
Peninha não tinha de facto convite mas pensou que com este traje seria logo confundido com uma star da constelação da REVISTA COSTAS.
Achou que ficava bem ir de modérninho, tipo vestido com cuecas de flores garridas que deixava ver num rasgão das calças na zona das nádegas. Por acaso as calças eram de moiré adamascado em cor carmim e apertavam até aos calcanhares aonde cruzavam com um par de meias de vidro transparentes deixando ver o pelame.
Calçou-se com uns sapatos de verniz alaranjado em bico pontiagudo de matar baratas ao canto. Da cintura para cima vestiu uma camisa verde-salsa com folhos dos quais pendiam corações pequeninos que abanavam aos mais pequenos gestos. Por cima um casaco apertado de veludo preto.
O cabelo com gel estava penteado em forma de pirâmide e dos lados tinha rapado com a máquina zero.
Muitas pulseiras de pano com cores sortidas que tinha comprado numa loja do Martim Moniz, de uma orixá reformada.
Meteu-se num carro da Uber, enfim sempre era dia de festa e queria parar mesmo em frente da passadeira de honra.
Ao sair do carro, veio uma polícia de serviço que lhe disse de impromptu:
- Aonde pensa que vai assim vestido? O seu convite?
Peninha não tinha de facto convite mas pensou que com este traje seria logo confundido com uma star da constelação da REVISTA COSTAS.
segunda-feira, 16 de maio de 2016
O Guardador de Rebanhos
Eu Nunca Guardei Rebanhos
Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.
Mas eu fico triste como um pôr de sol
Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
E se sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janela.
Mas a minha tristeza é sossego
Porque é natural e justa
E é o que deve estar na alma
Quando já pensa que existe
E as mãos colhem flores sem ela dar por isso.
Como um ruído de chocalhos
Para além da curva da estrada,
Os meus pensamentos são contentes.
Só tenho pena de saber que eles são contentes,
Porque, se o não soubesse,
Em vez de serem contentes e tristes,
Seriam alegres e contentes.
Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais.
Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho.
E se desejo às vezes
Por imaginar, ser cordeirinho
(Ou ser o rebanho todo
Para andar espalhado por toda a encosta
A ser muita cousa feliz ao mesmo tempo),
É só porque sinto o que escrevo ao pôr do sol,
Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz
E corre um silêncio pela erva fora.
Quando me sento a escrever versos
Ou, passeando pelos caminhos ou pelos atalhos,
Escrevo versos num papel que está no meu pensamento,
Sinto um cajado nas mãos
E vejo um recorte de mim
No cimo dum outeiro,
Olhando para o meu rebanho e vendo as minhas ideias,
Ou olhando para as minhas ideias e vendo o meu rebanho,
E sorrindo vagamente como quem não compreende o que se diz
E quer fingir que compreende.
Saúdo todos os que me lerem,
Tirando-lhes o chapéu largo
Quando me vêem à minha porta
Mal a diligência levanta no cimo do outeiro.
Saúdo-os e desejo-lhes sol,
E chuva, quando a chuva é precisa,
E que as suas casas tenham
Ao pé duma janela aberta
Uma cadeira predilecta
Onde se sentem, lendo os meus versos.
E ao lerem os meus versos pensem
Que sou qualquer cousa natural —
Por exemplo, a árvore antiga
À sombra da qual quando crianças
Se sentavam com um baque, cansados de brincar,
E limpavam o suor da testa quente
Com a manga do bibe riscado.
Alberto Caeiro (heterónimo de Fernando Pessoa)
Do livro “O Guardador de Rebanhos”
Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.
Mas eu fico triste como um pôr de sol
Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
E se sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janela.
Mas a minha tristeza é sossego
Porque é natural e justa
E é o que deve estar na alma
Quando já pensa que existe
E as mãos colhem flores sem ela dar por isso.
Como um ruído de chocalhos
Para além da curva da estrada,
Os meus pensamentos são contentes.
Só tenho pena de saber que eles são contentes,
Porque, se o não soubesse,
Em vez de serem contentes e tristes,
Seriam alegres e contentes.
Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais.
Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho.
E se desejo às vezes
Por imaginar, ser cordeirinho
(Ou ser o rebanho todo
Para andar espalhado por toda a encosta
A ser muita cousa feliz ao mesmo tempo),
É só porque sinto o que escrevo ao pôr do sol,
Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz
E corre um silêncio pela erva fora.
Quando me sento a escrever versos
Ou, passeando pelos caminhos ou pelos atalhos,
Escrevo versos num papel que está no meu pensamento,
Sinto um cajado nas mãos
E vejo um recorte de mim
No cimo dum outeiro,
Olhando para o meu rebanho e vendo as minhas ideias,
Ou olhando para as minhas ideias e vendo o meu rebanho,
E sorrindo vagamente como quem não compreende o que se diz
E quer fingir que compreende.
Saúdo todos os que me lerem,
Tirando-lhes o chapéu largo
Quando me vêem à minha porta
Mal a diligência levanta no cimo do outeiro.
Saúdo-os e desejo-lhes sol,
E chuva, quando a chuva é precisa,
E que as suas casas tenham
Ao pé duma janela aberta
Uma cadeira predilecta
Onde se sentem, lendo os meus versos.
E ao lerem os meus versos pensem
Que sou qualquer cousa natural —
Por exemplo, a árvore antiga
À sombra da qual quando crianças
Se sentavam com um baque, cansados de brincar,
E limpavam o suor da testa quente
Com a manga do bibe riscado.
Alberto Caeiro (heterónimo de Fernando Pessoa)
Do livro “O Guardador de Rebanhos”
domingo, 15 de maio de 2016
quinta-feira, 12 de maio de 2016
DILMA
DILMA
Fez muitas asneiras, com certeza, terá a consciência pesada de acções e omissões, corrupções, cumplicidades.
Estava no Brasil quando foi a posse dela e fiquei entusiasmado com o discurso, a pose de mulher só num país herdado de Lula, corajosa no que disse que queria e que ia fazer. Até me lembro de ter comentado e escrito do Brasil para os meus amigos.
Fui durante três anos muitas vezes a terras de Vera Cruz, quase a cada três semanas , e a vários Estados, e estive com quase todos estes que agora estão implicados - Odebrechts, Camargos Corrêas, Votorantins, etc e óbviamente não era conhecedor do que faziam ou não de pouco correcto no país deles, mas sentia-se no ar uma esperança e mesmo os meus amigos mais direitistas lhe davam o benefício da dúvida.
Em algumas das fotografias que a imprensa publica das manifestações anti-Dilma, vêem-se dondocas esticadas, com grandes bocarras pintadas mas inertes, pretensamente a gritar e a festejar. Os homens e rapazes não parecem melhores: lembram os corruptores que se congratulam pela chance de recomeçarem com nova gente ou até movendo-se na sombra para a instauração de uma reforçada ditadura militar. Sente-se no que dizem e apregoam, que era o que lhes apetecia.
Conheci gente perto de Dilma e sei que houve muita podridão, conspurcação do exercício legítimo e limpo do poder para que foi eleita e muitos apaniguados à sua volta a sugarem da máquina do poder. A falta de tudo o que diferencia os maus dos bons, não engana.
No entanto....esta fotografia de uma Presidenta desolada, a sair cabisbaixa do seu pelouro não deixa de nos chamar a atenção para quão fátuo o poder é...
Fez muitas asneiras, com certeza, terá a consciência pesada de acções e omissões, corrupções, cumplicidades.
Estava no Brasil quando foi a posse dela e fiquei entusiasmado com o discurso, a pose de mulher só num país herdado de Lula, corajosa no que disse que queria e que ia fazer. Até me lembro de ter comentado e escrito do Brasil para os meus amigos.
Fui durante três anos muitas vezes a terras de Vera Cruz, quase a cada três semanas , e a vários Estados, e estive com quase todos estes que agora estão implicados - Odebrechts, Camargos Corrêas, Votorantins, etc e óbviamente não era conhecedor do que faziam ou não de pouco correcto no país deles, mas sentia-se no ar uma esperança e mesmo os meus amigos mais direitistas lhe davam o benefício da dúvida.
Em algumas das fotografias que a imprensa publica das manifestações anti-Dilma, vêem-se dondocas esticadas, com grandes bocarras pintadas mas inertes, pretensamente a gritar e a festejar. Os homens e rapazes não parecem melhores: lembram os corruptores que se congratulam pela chance de recomeçarem com nova gente ou até movendo-se na sombra para a instauração de uma reforçada ditadura militar. Sente-se no que dizem e apregoam, que era o que lhes apetecia.
Conheci gente perto de Dilma e sei que houve muita podridão, conspurcação do exercício legítimo e limpo do poder para que foi eleita e muitos apaniguados à sua volta a sugarem da máquina do poder. A falta de tudo o que diferencia os maus dos bons, não engana.
No entanto....esta fotografia de uma Presidenta desolada, a sair cabisbaixa do seu pelouro não deixa de nos chamar a atenção para quão fátuo o poder é...
E também
para quem, como eu, que gosto da magnanimidade, na hora incerta e
infeliz, de solidão e aflição...o que se deve é respeitar os vencidos.
Compete a quem de direito julgar, fazer pagar e culpar ou não dando direito à defesa, mas é com o silêncio que, como seres humanos, devemos olhar para quem sai derrotada e amargurada.
Quem sabe, alguma vez, nas nossas vidas e à nossa medida, não tenhamos já sentido este sabor da derrota.
Compete a quem de direito julgar, fazer pagar e culpar ou não dando direito à defesa, mas é com o silêncio que, como seres humanos, devemos olhar para quem sai derrotada e amargurada.
Quem sabe, alguma vez, nas nossas vidas e à nossa medida, não tenhamos já sentido este sabor da derrota.
terça-feira, 10 de maio de 2016
segunda-feira, 9 de maio de 2016
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