quinta-feira, 31 de março de 2016

que pouca vergonha

Enganei-me esta manhã em duas transferências do home-banking on-line de um banco espanhol, tendo trocado as verbas referentes aos destinatários noutros dois bancos. Acontece a quem acorda já muito bebido...

Telefonei 5 minutos depois de ter feito as transferências e o funcionário que me atendeu e a quem expliquei a situação e pedi para cancelar as transferências para as corrigir, informou-me que me custaria € 25,00 + Imposto do Selo por cada anulação!!!! Fiquei indignado e ele impávido disse que era assim. Reparei entretanto que já me tinham cobrado €1,25 + Imposto do Selo por cada transferência on-line (das erradas).

Tendo tido um 5ª Avô e vários outros irmãos que foram Conjurados de 1640, estou a pensar ir prender a Duquesa de Mântua, defenestrar o traidor Miguel de Vasconcelos, dirigir-me a Madrid e enforcar o Iglésias do PODEMOS e instaurar a soberania Portuguesa sobre a Espanha.

Que pouca vergonha! O ideal é o de ou se ser pobre e não precisar dos bancos, ou ser dono de um banco e portanto ser mais ou menos ladrão, ou então ser muito rico e ter em casa guardado o cacau num cofre-forte ou cofre lateral num colchão, que ele já o há agora à benda...

segunda-feira, 28 de março de 2016

QUE CHATICE, HOJE SINTO-ME TRISTE!

QUE CHATICE, HOJE SINTO-ME TRISTE

De vez em quando é preciso saber estar triste. Estou a ouvir o álbum duplo de Luciano Pavarotti – o melhor de Pavarotti – que me acompanha há muitos anos e que oiço em tom alto, deixando a sua voz tonitruante e maravilhosa insinuar-se dentro de mim.

Fico sempre assustado e ao mesmo tempo encantado, com a magnificência da vida! Tudo pode acontecer num momento: um acidente vascular, um atropelamento, uma bomba que explode ao nosso lado, a lembrança de momentos de doçura na nossa meninice, de uma sã irresponsabilidade, e para quem, como eu e os meus irmãos que tivemos uns Pais formidáveis e também uns Avós de ambos os lados impecáveis, este enfrentar de um polvo com os seus tentáculos torna-se de vez em quando amargurante.

Esta fotografia cinzenta que aqui publico descreve como eu vejo o dia: cinzento, calmo de mais, malgré tout, com pássaros a voar, mas deprimente.

Não está um mundo fácil e apesar dos conselhos avisados que estou a intuir me podem dar os que de mim gostam:

- reza, pede e entrega-te
- faz silêncio à tua volta
- toma um calmante
- tira umas férias
- aguenta-te pois há quem sofra, esteja a morrer, não tenha aonde e como viver neste mundo, sozinho

E por aí além…

Estarão de acordo que a mais fácil é a segunda, a mais real, a que produz efeitos imediatos, bons ou maus, a cada um serve mais ou menos.

A primeira, é uma manifestação de fé a qual por definição não tem um alvo visível e palpável…!meu Deus fazei que eu me sinta melhor das dores de cabeça, que eu feche o negócio de petróleo, que não morra amanhã…e tantos outros wishful thinking….

A terceira tem a eventual duração do efeito do calmante…

A quarta, para além de estarmos a sair do inverno, é cara para ser boa, e não tenho a certeza que me apeteça.

A sexta, é de longe a mais pragmática, mas não alivia nem tira a tristeza.

Daí que a música, o tal silêncio que parece improvável com o som tremendo da voz do Pavarotti, e uma noite bem dormida talvez me ajudem.

Não faço esta declaração to "Whom it may be concerned", para me queixar ou pedir compaixão: faço-a como cidadão deste mundo, num tempo cronológico preciso, de aqui e hoje.

E as estrelas são minhas testemunhas

If


« Si tu peux voir détruit l’ouvrage de ta vie
Et sans dire un seul mot te mettre à rebâtir,
Ou perdre en un seul coup le gain de cent parties
Sans un geste et sans un soupir ;
Si tu peux être amant sans être fou d’amour,
Si tu peux être fort sans cesser d’être tendre,
Et, te sentant haï, sans haïr à ton tour,
Pourtant lutter et te défendre ;
Si tu peux supporter d’entendre tes paroles
Travesties par des gueux pour exciter les sots,
Et d’entendre mentir sur toi leurs bouches folles
Sans mentir toi-même d’un seul mot ;
Si tu peux rester digne en étant populaire,
Si tu peux rester peuple en conseillant les rois,
Et si tu peux aimer tous tes amis en frère,
Sans qu’aucun d’eux soit tout pour toi ;
Si tu sais méditer, observer et connaître,
Sans jamais devenir sceptique ou destructeur,
Rêver, mais sans laisser ton rêve être ton maître,
Penser sans n’être qu’un penseur ;
Si tu peux être dur sans jamais être en rage,
Si tu peux être brave et jamais imprudent,
Si tu sais être bon, si tu sais être sage,
Sans être moral ni pédant ;
Si tu peux rencontrer Triomphe après Défaite
Et recevoir ces deux menteurs d’un même front,
Si tu peux conserver ton courage et ta tête
Quand tous les autres les perdront,
Alors les Rois, les Dieux, la Chance et la Victoire
Seront à tout jamais tes esclaves soumis,
Et, ce qui vaut mieux que les Rois et la Gloire :
Tu seras un homme, mon fils. »

R. Kipling

sábado, 26 de março de 2016

O ABOMINÁVEL HOMEM DAS NEVES em que me tornei

O ABOMINÁVEL HOMEM DAS NEVES em que me tornei

Uma amiga minha queixou-se de que há muito não lê os meus escritos seja no meu blogue ou no facebook. Não é bem verdade, mas de facto tenho escrito menos, por falta de tempo.

Ando mais ocupado nos últimos tempos com uma presença de estrangeiros aqui em Lisboa em permanência o que me impede de ter disponibilidade e tranquilidade para me concentrar.

Aproveito assim esta tarde de Sábado de Aleluia, para pôr algumas ideias em dia.

Assim, comecemos pela minha vida: vou cada vez identificando mais o que quero ser e fazer, se bem que isto represente um não fácil desenraizamento;

No que respeita à ocupação do meu tempo diário, vou também sendo mais exigente com quem comigo interage, sejam nacionais ou estrangeiros. Publiquei ontem este meu pensamento que resume o que se perde tempo em coisas inúteis:

Parfois on est comme les petits enfants: on rêve tant de recevoir de bonnes nouvelles que si elles n'arrivent pas on se sent presque a défaillir de découragement et de apathie. On souhaite tant une chose, mais tant et si on raisonne logiquement on sait bien que ce sera impossible.

Em relação ao país, fora gostar do Presidente Marcelo e ser seu Amigo e esperar que o Governo vá aliviando a vida dos portugueses, confesso que não faço futurologia e vou vivendo como o futuro se nos apresenta. Já não tenho paciência para a política activa pois os seus agentes são de pouca categoria e em boa verdade, de todas as correntes ideológicas.

Quanto à Europa e ao mundo, se houvesse um éden aonde me pudesse acolher e viver uma vida simples na natureza, com ou sem parra, era para aí que me deslocaria.

Tratar dos animais e comer comida sã e frutos silvestres e deitar-me à beira de rios tranquilos debaixo de árvores frondosas..que bom seria.

Por isso, desejo ardentemente que alguém me elucide antecipadamente como é no Paraíso, mas de verdade, pois se for muito chato, não vou para lá.

Muitas amêndoas para todos, de preferência cobertas com chocolate e sobretudo procurem, procurem ovos de coelhinhos na relva pois nunca os encontrarão!

Right is right, even if nobody does it.

Right is right, even if nobody does it. Wrong is wrong, even if everybody is wrong about it.


Chesterton

quinta-feira, 24 de março de 2016

C'est la vie

Tenho estado meio calado nos últimos tempos, se bem que tanta coisa tenha vindo a acontecer. E ainda por cima coisas complicadas, terríveis umas, complexas outras.
Claro que observo, informo-me, espanto-me e pergunto-me.
Hoje li na imprensa internacional que a polícia belga e francesa anda há 3 dias atrás de um morto.
A rapaziada do Daesh deve estar a rir-se pelo baralhamento que causa.
Por outro lado o rapaz que está preso em Bruxelas só ao fim de 6 meses, diz que quer ir para França aonde presumo que levará coças monumentais pois foi lá que tudo começou, e nas cadeias não são para brincar...
Há no ar um desmerecimento da vida humana e morre-se com uma relativa facilidade, sem querer...ao chegar a um aeroporto, ao apanharmos o metro, ao tomarmos um café numa esplanada em Paris, etc..
Doenças novas e epidemias são aos molhos e paulatinamente parece-me, que se vai encarando a morte como algo de que se não pode fugir ou evitar. Nada que não saibamos já desde os tempos do saudoso Abel do éden...
Por isso, mais uma vez, reflicto se no meio de tantas lutas, despiques, maledicências pessoais e políticas, egos desproporcionados e arrogância, dificuldades, tantas vezes um estado constante de tristeza, de violência e opressão, de injustiças, de pobreza .. vale mesmo a pena aforrarmos pretensa felicidade como se de pacotes de açúcar se tratasse, arrumados a um canto da despensa just in case de vir a haver açambarcamento.
Eu acho que há que gozar a vida a cada dia e a cada momento ser atento a tudo quanto nos enche e àqueles a quem amamos, sejam animais irracionais...estou a dar a primazia ou racionais.
Vem a morte, vem a noite de velório normalmente, as carpideiras encomendadas ou aquelas por dever de ofício, enterra-se de manhã, ou passa-se a cinzas rapidamente, e à tarde a vida continua...Já cá não estamos, passámos a ser memória, muitas vezes má memória ou alívio e o relógio como o dos cucos...soa tic, tac, tic, tac, e às horas diz cu cu...
Quantas vezes apetece esganar o cuco, ou atirar-lhe com um cinzeiro pesado para o partir...porquê?
O passado é incómodo ou por omissão, ou por má acção, ou por indiferença e o que interessa é como nos testes de airbag dos carros...uns mais devagar outros mais rápido, acabamos sempre por bater com força contra a parede e explodir...
Só que nestes testes são bonecos e nem nos importamos...quero eu dizer bonecos=outros, mas um dia é o diabo, somos nós o boneco...
C'est la vie...

segunda-feira, 21 de março de 2016

clap...clap...clap

Rosé

Quando eu era jovem, a ideia de beber vinho rosé era o cúmulo da possidoneira. Hoje já não é. Aliás hoje já ninguém dá importância (espero!) a esse conceito ridículo do possidónio, que era um papão insuportável nos anos a seguir ao 25 de Abril, um fantasma do Antigo Regime ou, melhor, uma galinha decapitada que, grotescamente, ainda se movia – apesar de morta. Paz à sua alma.

Mas, naquele tempo, era algo (palavra possidónia) que nos acabrunhava (idem). Sobretudo para pessoas como os meus pais (recém-chegados, graças à elegância e inteligência próprias, ao mundo do bom gosto), era vital interiorizar todas as regras de comportamento dos não-possidónios, regras que eles transmitiram a mim e à minha irmã, criando assim uma esquizofrenia que caracterizou de forma caricata os meus primeiros vinte anos de vida – até ir para a universidade onde, rodeado de “possidónios”, comecei a perceber que tanto o vocabulário como a pronúncia do português sempre têm alguma variedade, graças a Deus.

Por outro lado, também percebi que, fora do círculo de intelectuais finos e de aristocratas literários que eram os amigos dos meus pais, havia muitas outras pessoas que valia a pena conhecer, independentemente de tratarem os filhos por tu, darem dois beijinhos e outras “possidoneiras” do género.

Sobretudo fui percebendo ao longo da minha vida que as regras herdadas do bom gosto (na fala, na interacção social, na decoração, na comida, nos vinhos, etc.) não eram dogmas imbuídos de infalibilidade papal, mas apenas opiniões subjectivas que tinham adquirido o estatuto de dogmas por isso ser um meio útil para manter à distância os não-iniciados.


No entanto, a antiga axiologia do possidónio era o mais perfeito exemplo dos perigos de se tomar a nuvem por Juno. É que, vistas de fora, de forma clínica e fria, as regras do comportamento “bem” não eram mais que um código combinado por um grupo. Sem qualquer valor intrínseco. Por isso seria disparate saltar para a conclusão de que quem dá só um beijinho e trata os filhos por você só por isso está habilitado para se pronunciar com infalibilidade sobre questões de gosto. Dar um beijinho é intrinsecamente mais “bonito” do que dar dois? A palavra “lábio” é intrinsecamente mais “feia” do que “beiço”? São códigos combinados, apenas. Sem qualquer outro valor.


Seja como for, o rosé era, de facto, a morte social. Aliás, naquele tempo mais ou menos tudo o que participava da cor “pink” era automaticamente possidónio. O que primeiro me alertou para o relativismo deste tipo de dogma foi conhecer amigas e amigos ingleses que, no seu país, pertenciam à chamada classe social “alta”. As regras, aí, eram totalmente diferentes; muitas vezes opostas. Em Inglaterra, o vinho rosé era chique: isso está, de resto, nos livros de Sacheverell Sitwell (neto do Duque de Beaufort, portanto da mais alta aristocracia da Europa). Um prato em porcelana de Sèvres do reinado de Luís XV (que vale o seu próprio peso em ouro) era considerado possidónio em Portugal; em Inglaterra, era o máximo do bom gosto. Sendo o prato o mesmo, como é que dois grupos aristocráticos, ambos auto-proclamados donos do bom gosto, podiam reagir de forma tão oposta? O terror português das cores (“tudo pintado de branco!”) não era partilhado pelos iluminados do bom gosto em Inglaterra, que se atreviam a pintar as suas salas e casas-de-jantar de amarelo, de lilás, de cor-de-rosa e sabe Deus que mais. Foi uma lição filosófica, pois eu nunca tinha sido obrigado, de modo tão cortante, a perceber a pura arbitrariedade das regras do gosto – área onde não há verdades absolutas: apenas opiniões subjectivas. Gostas de rosé – qual é o mal? Adoras porcelana de Sèvres – e depois?


Na verdade, não gosto especialmente de rosé; isto é, não desgosto, mas não me apaixona. Mas adiro com paixão à estética do reinado de Luís XV (como à do românico, do gótico, do Pártenon, de Matisse, n’importe): na arte há tantos paradigmas possíveis de beleza; uns tocam-nos, outros não. Para mim, Ange-Jacques Gabriel é um arquitecto muito mais interessante do que Siza ou Souto, mas isso é o meu gosto: não é nenhum dogma de fé. Quanto às cores que denotam “bom” ou “mau” gosto: actualmente tenho uma sala pintada de branco, mas quando comprei a minha casa de betão armado com vidros duplos, pintei a sala de cor-de-rosa. Os meus amigos ingleses diziam “what a marvellous colour!”; os portugueses, “foste tu que escolheste esta cor?”

Claro que, como mero professor universitário, nunca tive nem terei dinheiro para ter pratos do reinado de Luís XV, mas vivo perfeitamente bem sem eles – aliás, acho que o lugar deles é justamente no museu. Quando vou a Lisboa, ainda vejo pessoas a dar um beijinho e a tratar os filhos por você, ao que, da perspectiva da minha nova identidade coimbrã, acabo por achar piada. Eu próprio (confesso) também dou um beijinho às amigas de antigamente e trato por você (confesso) os filhos delas, que conheço desde que nasceram. Não o faço por acreditar no dogma de uma classe social a que não pertenço, mas por achar vagamente divertido. Mas o mais divertido é sentar-me nas belas casas-de-jantar impecavelmente pintadas de branco, com as suas pratas e porcelanas da Companhia das Índias, e ver à minha frente um copo de vinho rosé. Qualquer dia vai ser chique dar dois beijinhos e tratar os filhos por tu. Nas questões de gosto, é tudo tão arbitrário.

O Lugar Supraceleste, Livros Cotovia, 2015. por Frederico Lourenço

terça-feira, 8 de março de 2016

palavras para quê


Tous les mots que j'avais à dire se sont changés en étoiles.

Apollinaire

PRESIDENTE CAVACO E DIA DA MULHER





PRESIDENTE CAVACO E DIA DA MULHER

Dois pequenos apontamentos, num dia muito carregado de afazeres:

1.       Saída do Presidente Cavaco Silva: Muitas vezes o critiquei pois não estava de acordo com o estilo ou com a decisão! Mas hoje com o render da guarda, pergunto-me: quem sou eu? Que pesporrência achar que a minha opinião crítica (para além de a poder exprimir no voto quando entender) vale alguma coisa? Aliás a maioria dos facebookianos e opinion makers e jornalistas, estão em casa ou nos escritórios a debitarem críticas sem terem a maior das vezes a noção das dificuldades nem o conhecimento das circunstâncias em que as decisões são tomadas. Somos todos uns senhoritos que “cagamos” opiniões sobre o comportamento dos outros, sem mais! Por isso, hoje no último dia da sua Magistratura apetece-me desejar-lhe um fim de vida pessoal e política feliz com respeito e agradecimento pelo que de bem fez e pelo que de menos bem terá feito, seguramente que não me compete julgar. Mas já sei que serei apelidado de tudo com esta minha opinião, mas com sinceridade respondo que não me importo nem um minutinho e se me ofenderem ou forem malcriados, para além de tomar atitudes drásticas de eliminação…física ou moral, pagar-me-ão com língua de palmo , no inferno!

2.       Dia da Mulher : sim é simpático mas também é bom o dia do surf, do golf, da praia, das viagens, do dinheiro, do sexo…eu sei lá, de tantas efemérides. Por isso deviam as mulheres TODAS fazer um esforço para melhor nos tratarem pois os homens são imprescindíveis para o trabalho, para o lar, para a educação, para o prazer…topais? ahahahahahah

domingo, 6 de março de 2016

Tutto Pavarotti

“Tutto Pavarotti” é o álbum que me apeteceu ouvir, com a voz possante de Luciano a entrar-me pela sala em tom alto. Uma beleza!
Depois, adoro o italiano que falo e leio bem e as saudades de Itália fazem com que me apeteça lá ir em breve.
Como é possível que os governantes dos povos, não queiram criar bem-estar aos governados para que se possa estreitar os laços entre as civilizações, a interligação de culturas, a movimentação em paz e prosperidade entre as nações.
Há lá melhor coisa do que viajar! Quem alguma vez gosta da pobreza, da guerra, das chacinas, das bombas, dos roubos e violações? Pois é isto que se passa com cada vez mais frequência no mundo.
Há falta de tempo para olhar para a natureza, para ouvir os sons de músicas sublimes, de reflectir sobre o que é essencial.
Um deleite e um privilégio, apesar de tudo, de poder viver num país em paz e sem guerra.
Penso numa família antiga de amigos sírios de Aleppo, cujo pai era o Cônsul de Portugal, e que moravam num palácio milenar com um recheio estupendo e valioso.
Falo com eles agora para Beirute aonde se refugiaram e confessam-me com tristeza terem tudo perdido e o palácio, para além de pilhado, ter sido totalmente destruído.
Esta selvajaria dos homens, provém da sede de poder e de riquezas e vai destruindo progressivamente a Humanidade.
Termino esta pequena reflexão com esta ária napolitana “Core N’grato” de Cardillo primorosamente interpretada pelo meu sempre bem-amado Pavarotti.

O esquecimento não tem arte.

" Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar."


Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'

sexta-feira, 4 de março de 2016

O PENINHA E A POSSE DO PRESIDENTE MARCELO

O PENINHA E A POSSE DO PRESIDENTE MARCELO

Peninha não foi convidado para ir à posse, mas como é penetra vai tentar estar presente.

Gizou o seguinte plano: vai alugar no guarda-roupas Anahory, à Rua da Madalena, um traje de Simão Bolívar, que eles lá têm para o teatro.

Depois cola um bigode no buço, tisna a tez e pinta as sobrancelhas. Com voz gutural começa a falar venezuelano e apresenta-se na entrada dos Embaixadores, no Parlamento.

Está certo de que vai resultar.

Lá dentro e na galeria dos diplomatas, vai tentar sentar-se ao lado do Embaixador dos USA e em sottovoce vai deixar cair: - man, convida-me para um almoço e eu digo-te como despachar o condutor de buses. Cairá de maduro!

Está certo também de que vai resultar.

No intervalo vai-se aproximar do Embaixador da Rússia e dirá em puro ucraniano: queres a Crimeia sem problemas, pois eu sei como comprar o Trump! Quero uma continha em dólari, nada de rublos e repartimos entre o Putin, tu e eu.

Está certo de que igualmente vai resultar.

Finalmente, a caminho dos cumprimentos, ao cruzar-se com o Embaixador da Coreia do Norte, logo lhe sussurrará: - camarada, tenho a solução para o teu país. O restaurador Olex conspurcado com picada de Zica, é fatal e indolor.

Na fila para os cumprimentos, chegada a sua vez, ao estreitar Marcelo nos seus braços, diz-lhe enternecido:

- Auguri, auguri, si non e vero e ben trovato.

Nesse instante os guardas da revolução prendem Peninha como conspirador internacional e remetem-no para Rilhafoles, aonde no dia seguinte será Napoleão Bonaparte.

Diz quem com ele convive no hospício, que é um homem feliz, pois há uma miríade de personagens a incarnar a cada dia.

Todos se perguntam, porém, quando chegará a vez do Don Quijote….

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

I’ve got a crush on you

Levantei-me da cama. Malvada insónia.

" I’ve got a crush on you"…o velho Rod Stewart, inegualável.

A música enche-me as medidas e faz-me voar para fora das minhas preocupações.

Sinto o cheio a mar que é também um outro elemento do meu eu. Praias de areia branca, coqueiros, água azul, corais à distância.

Uma cadeira à sombra, música ao fundo, jazz e blues, um bom livro, um cocktail tropical, uma temperatura sem ser de muito calor, mas amena.

Um céu azul ao longe no horizonte.

Indispensável: sereias de rabos de peixe prateados e dourados e com peitos redondinhos e flores de Neptuno em grinaldas nos cabelos ondulados.

Só falta mesmo um mensageiro correndo em direcção a mim e a gritar com entusiasmo: - acabou-se o deficit, no more debt…Portugal is back to the gold old times…

Neste momento vou voltar para a cama, pois acordei da música do Rod Stewart, aquela em que ele canta…”Long ago and far away…”

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Lowcost.com um negócio de sucesso

Tive que ir a uma Repartição do Estado e por isso fui comer qualquer coisa a uma cadeia de lojas chamada lowcost.com que tenho vindo a apreciar como um modelo de negócio perfeito e altamente rentável. A comida é de excelente qualidade, os pratos variados e os salgados e bolos, óptimos. O preço do café a €0,50 e um saco de pão quentinho com 12 carcaças custa €1,00. Está sempre cheio e é muito compensador ver alguém ter sucesso.

Ora bem, tendo-me sentado numa mesa a comer um panini de frutos do mar que estava muito bom e fresco, enquanto o comia, ouvia ao meu lado, numa mesa de 6 homens dos seus 30 e tais, SÓ FALAREM sobre futebol! Mas um enjoo daqueles que enerva.

Que interesses têm a maioria dos portugueses? Really? Só falam da bola, e dão palpites e estratégias JÁ DEPOIS DOS JOGOS...


Incapazes quando estão juntos no "comer" de falar sobre assuntos que não sejam, a "bola", gajas, telenovelas, e assuntos do trabalho, nomeadamente sobre os Renatos desta vida que são sub-chefes de secção e sobre quem a cada dia repetem as mesmas imbecilidades...


Mas já repararam que estamos perto de um conflito mundial, que há livros, música, tantos outros assuntos interessantes que dão para um tema diferente a cada dia, para que as pessoas se conheçam melhor, se valorizem, eu sei lá...

Fiquei desolado: somos para além de um país falido, pobre e sem grande futuro, uma Nação de imbecis e infelizmente estes meus comentários reflectem-se muito mais na juventude e nas classes menos instruídas...a antiga classe média e superior, com mais idade, sempre teve a instrução de tempos imemoriais...creio que na época dos Sumérios...

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.


Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.
Difícil é sentir a energia que é transmitida.
Aquela que toma conta do corpo como uma corrente eléctrica quando tocamos a pessoa certa.

Carlos Drummond de Andrade

Uma perspectiva sobre a morte, eutanásia e quejandos...muito bem escrito

Morte, minha Senhora Dona Morte, Tão bom que deve ser o teu abraço!

Considero-me um ser racional, esforço-me por ser tolerante e prezo muito a minha independência. Nunca dela abdiquei e não tenciono abdicar agora que a vida entra a passos largos no «winter of our discontent». Talvez por isso, nunca consegui ter religião ou clube de futebol ou partido político, precisamente porque nunca me senti à vontade em apriscos, fossem eles do Senhor, da bola ou da política. Como dizia o tantas vezes citado Jesus Ortega Cortès, gitano e filósofo valenciano que conheci em tempos de juventude, «Xestelabie!»
 
Reservei-me sempre, seguindo o conselho de Hipácia de Alexandria, «o direito de pensar, porque mesmo pensar erradamente é melhor do que não pensar sequer» e assim vivi e vivo, com poucas concessões excepto as que o amor me dita e são uma enorme dádiva àqueles de quem gosto. Aos outros, nada, que não quero morrer santo (estado que desconheço inteiramente o que seja, mas para mim vem sempre acompanhado de incenso e ladainhas), ademais porque acredito piamente na velha máxima de mestre Gil Vicente, no Auto da Alma, de que «tudo se descarrega no porto da sepultura» e, portanto, nada mais resta, nem essa tal alma que foi mote do auto do mestre Gil. Sou, por conseguinte, incréu impenitente, fier de l’être, com a determinação que herdei de gerações de marranos dessa província onde mandam os que lá estão. É assim, não adianta, mais que não seja por teimosia minha não me hão-de converter… 
 
E aí vamos cair no grande papão do momento, a tal eutanásia, coisa do demo, que priva o demiurgo da grande obra da outra senhora (já santa) que, na Índia, distribuía aspirinas a doentes terminais de cancro para que, pelo sofrimento, pudessem salvar as suas almas. Estranhamente, foi morrer no doce conforto de uma clínica de Zurique onde lhe deram, certamente, mais do que aspirina, mas na verdade ela já tinha lá os outros párias a gemer por ela… É estranho como também o Marquês de Peralta, na sua obra seminal Camino, afirma: «Bendito sea el dolor. -Amado sea el dolor. -Santificado sea el dolor... Glorificado sea el dolor!» Com todo o respeito, venham analgésicos, tratamentos paliativos, la totale, que essa coisa de «bendito, amado, santificado e glorificado sea el dolor» é coisa sado-masoch e eu sou definitivamente dom e não sub. Portanto, não reconhecendo qualquer valor salvífico ao sofrimento, defendo com unhas e dentes o meu direito de decidir quando chegou a hora de tirer ma révérence, como bom actor que não espera morrer trôpego do palco, a babar-se e sem saber o texto. 
 
O mesmo se aplica à dor moral de não poder comunicar, de perder o mundo por ter perdido a mente, de ter ficado num limbo onde ninguém chega e onde já ninguém existe. Me desculpem, se os meus filhos querem passar mais uns tempos comigo nesse estado, poupem-me a degradação última, deixem-me morrer e depois levem as minhas cinzas alternadamente para casa de cada um, que o resultado é o mesmo: não comunicam comigo, nem eu com eles, e tem a vantagem de não terem de me alimentar e lavar e tudo o mais e de eu ser muito mais portátil do que se estivesse vivo. Mas isto sou eu, incréu, egoísta, hombre malo y mal averiguado. Privo o demiurgo do meu sofrimento redentor, a família da minha companhia alegre, cheio de tubos e agulhas ou perdido num nevoeiro pior do que o de Dom Sebastião, e tudo porque, insisto, me recuso a abdicar do meu direito a dispor da minha vida. 
 
Parece que não, que esse direito não existe e que gente geralmente bem-pensante, genuinamente preocupada com o futuro da humanidade em geral e o meu em particular entende que não, que essa coisa chamada vida pertence um qualquer demiurgo, que no-la deu sabe-se lá por obra e graça de que divino espírito santo, e nos obriga a comê-la com batatas e a bebê-la até às fezes (como diz, ou dizia, que ao longo da vida já assisti a várias versões das escrituras, o evangelho). E pronto, meu amigo, se tiveste o azar de ser apanhado pela neoplasia ou pela demência ou outro pesadelo qualquer, aguenta forte e feio que é tudo ad maiorem Dei gloriam como diz o lema dos jesuítas. Azarinho, portanto, como dizem os mitras… 
 
Por estas e outras, cada vez acho mais que este mundo se está a transformar numa enorme chatice e este país, como disse o Eça, «não é um País, é um sítio! Ainda por cima muito mal frequentado!» Tudo me quer tratar da saúde, da alma, mostrar-me o droit chemin, a mim que trilhei sempre o caminho que tracei e tinha mais curvas e contracurvas que o caracol de Murça. Está tudo a perder a graça ou então sou eu que perdi o sentido de humor.
 
Pedi de empréstimo a Florbela Espanca os versos que servem de título.
 
 Artur Lopes Cardoso

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

O PENINHA E O DISCURSO DE POSSE DE MARCELO REBELO DE SOUSA

O PENINHA E O DISCURSO DE POSSE DE MARCELO REBELO DE SOUSA

O Peninha foi convidado por Marcelo para lhe fazer o discurso de posse. Alegando falta de tempo para contactos essenciais para um bem preparado início do mandato, Marcelo deu-lhe uns tópicos, mas disse a Peninha: - tudo o que sugerires será levado em linha de conta.

Peninha ficou todo vaidoso pela confiança demonstrada e até pensou, quem sabe se no primeiro 10 de Junho não esgravate alguma condecoração. Pela amostra do Cavaco, foi um ver se te avias, e não foram poucas as Grã-Cruzes, mas no íntimo o que desejava era a da Ordem de Cristo. Comovia-se a pensar que bonito seria por cima da casaca, a banda de seda com a placa de Cristo. Marcelo prometera-lhe que iam começar as festas, bailes e recepções na Ajuda e até piqueniques na Tapada de Mafra.

Mas Peninha concentrou-se e traçou alguns princípios gerais a que obedeceria o discurso:
1. Nada de portuguesas e portugueses, que isso é ridículo e foge à tradição. Um bom princípio de discurso solene, começa por se dirigir aos Portugueses, nele incluindo todos os géneros, e até animais domésticos que são um prolongamento da afeição dos eleitores…canitos e miau-miaus e basta.
2. Deve focar-se em Portugal e no País a que vai presidir.
3. Deve ser curto, claro, interessante e inédito.

Comecemos então:

Portugueses,
Começo por vos dizer como me sinto contente por ter sido eleito Presidente de Portugal. É uma honra para mim e para a minha Família. Seria menos verdadeiro se não afirmasse que foi um projecto que sempre acalentei e que se tornou realidade fruto de muitas circunstâncias que concomitantemente o permitiram.

Depois gostaria que no meu mandato, Portugal voltasse a ter o prestígio internacional, o brilho de novas realizações que no passado tanto nos glorificaram. Tudo farei para contribuir para um renovado sentido do orgulho pela portugalidade de todos quantos no estrangeiro, vão lutando bravamente pelas suas vidas. Eventualmente um dia desejarão regressar à Pátria e devemos criar todas as condições para que isso aconteça nas melhores condições.

Como Comandante Supremo das Forças Armadas, quero desde já manifestar uma enorme solidariedade pelo papel fundamental que desempenharam no passado ao serviço de Portugal, que ainda desempenham e que pretendo que venham a fazê-lo no futuro. Muitas Famílias portuguesas têm no seu seio, militares que combateram, morreram e deram o seu melhor pela Pátria. É tempo de o reconhecer, sem hesitação e sem complexos.

Desejo também dizer-vos quais são os valores porque pautarei a minha conduta como Presidente de todos os Portugueses:
- coragem na prática da verdade;
- honestidade e total transparência na minha conduta pessoal e institucional;
- cordialidade, mantendo um sentido inato do humor que me caracteriza;
- firmeza nas minhas convicções, nomeadamente assegurando a prática do bem comum, da defesa das tradições, da cultura e do modo de vida dos portugueses, a protecção dos valores da honra, da lealdade, do respeito pelos mais velhos e dos mais desfavorecidos, da liberdade de expressão e de tudo quanto está contido na Constituição;
- uma representatividade no estrangeiro que dignifique o nome e a capacidade de diálogo e de intervenção de Portugal;
- finalmente um mandato de proximidade e de simplicidade sem no entanto descurar o brilho que se espera das funções de um Presidente da República.

O meu papel é o de um verdadeiro agente do diálogo entre os Portugueses, nas diversas formas por que estejam representados: no Parlamento, nas Autarquias, nas Regiões Autónomas, nos órgãos de Soberania, nos partidos.

Por um lado fazer-me lembrado e de que existo mas por outro com subtileza, discrição e sensibilidade actuar quando e se for preciso intervir.

O meu objectivo é o de que o país possa ser governado e posto a funcionar em plenitude pelos órgãos a quem compete gerir os destinos do povo português, de uma forma harmoniosa e complementar.
Anunciarei a seu tempo uma série de iniciativas que pretendo implementar e que sendo, talvez, inéditas procurarão ir ao encontro dos interesses dos Portugueses.

Peço-vos pois que me acompanhem no meu pedido da protecção divina para que possa desempenhar o meu cargo de Presidente ao serviço de Portugal com a maior felicidade para o povo português.

Muito obrigado e assim Deus me ajude.

Peninha reflectiu que a referência a Deus pudesse incomodar uns quantos, mas como a maioria do povo português é católico, na realidade é mesmo importante que Deus ajude Marcelo pois o barco está difícil.
Peninha vestiu-se com uma camisa de riscas azuis, uma gravata do Clube Naval, de blazer navy blue e calças cinzentas de flanela, e com uns sapatos mocassin pretos.

Na lapela pôs o emblema do Sporting de Braga….apesar de ser do Sporting, mas nada como ter um gesto de amizade e foi entregar ao escritório de Marcelo umas folhas com o draft do discurso.

A secretária disse-lhe que aguardasse uns minutos pois o Professor estava a acabar uma reunião. De saída surge o Duque de Bragança e Marcelo ao acompanhá-lo à porta disse-lhe:

- Um dia será Vossa Alteza Real! Vou deixar-lhe em dois mandatos um País real…

Peninha ficou contente, pois tudo concorria para um sonho numa noite de Verão…neste caso de Inverno e bem frio…

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

o antes, o durante e o depois

Tenho contactado recentemente com pessoas simples e felizes, com pessoas pobres e infelizes, com pessoas ricas e infelizes, com pessoas arrogantes e convencidas e infelizes, com pessoas menos simples e felizes e finalmente com pessoas tout court.

Este meu constante labor de observação das gentes, inserido a maior parte das vezes no âmbito profissional, tem vindo a apurar o meu sentido de felicidade. Ou seja os "do's and don't" que vou querendo filtrar para evitar mal estar e sofrimento desnecessários, o esforço em me situar numa plataforma cada vez mais simples na forma de pensar e agir.

Ideias singelas, escorreitas, seguras, abertas, com tolerância e não radicalismo e na busca de momentos da dita felicidade: a leitura de um livro, uma conversa interessante, um prato requintado, um ambiente selecto, uma música divinal, um pensamento sublime...não é necessário obrigatoriamente a presença de dinheiro em cada um destes cenários.

Naturalmente que a justa e generosa remuneração material do fruto de trabalho seja de que forma for é um incentivo para sempre se melhorar e possibilitar uma sofisticação da nossa vida.

Tenho para mim que o antes, o durante e o depois, sejam em que circunstâncias se apliquem, vêm sempre carregados de tonalidades diferentes.

O antes, é o momento da esperança, do sonho e da antecipação do prazer. O durante nunca corresponde ao imaginado, mas pode ser muito bom ou quase bom. O depois é o campo fértil da imaginação, de uma certa narração mentirosa daquilo que gostaríamos que tivesse acontecido e não ocorreu.

Vou assim deitar-me no antes de adormecer, na esperança que o meu sono de hoje me possa revigorar para uma semana que se augura de muito trabalho e de emoções.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Homem de um só parecer, dum só rosto e d'ua fé, d'antes quebrar que volver (Sá de Miranda)


Título da Carta a D. João III, de Sá de Miranda: 

 «Homem de um só parecer,
dum só rosto e d'ua fé,
d'antes quebrar que volver outra cousa pode ser,
 mas da corte homem não é.»

stay real - or stay away


stay real - or stay away


DEVIA PODER PEDIR-SE O DIVÓRCIO POLÍTICO ENTRE AS PESSOAS

DEVIA PODER PEDIR-SE O DIVÓRCIO POLÍTICO ENTRE AS PESSOAS

Isto de se comentar publicamente as actuações de políticos ou de governos, de banqueiros ou de sindicalistas, de partidos e até de pessoas requer que se tenha prudência, verdade, serenidade, perspicácia e independência. Tantos outros requisitos são necessários, mas fiquemo-nos por estes e já não iremos mal servidos.

A vida em sociedade cria inevitavelmente diferenças entre as pessoas pois ninguém é parecido com ninguém, e por isso as discordâncias em relação aos comportamentos são naturais.

Há por isso um conjunto de normas desde tempos imemoriais, apelidados por uns de direito positivo e por outros de direito divino, que regulam a coexistência entre os seres humanos e na sua vida gregária.

São as conhecidas normas de conduta básicas – não matarás, não roubarás…etc – e delas derivam muitas outras que se têm vindo a adaptar ao tempo e ao modo ou seja ao progresso e à cultura de cada povo.

Há no entanto um princípio que para mim é vital, sagrado e irrenunciável que é o da liberdade. Não há regime político que se possa arrogar de coartá-la ou limitá-la.

Numa subsecção da liberdade há um conceito e prática de enorme importância - a liberdade de expressão, de livre opinião.

Nas relações pessoais há que saber olhar com imparcialidade para os outros, respeitando o seu direito de errar até podermos emitir juízos de valor, ou seja julgar. Muito mais se poderia dizer, mas hoje não é este o meu mote.

Refiro-me ao que enunciei no início: os comentários públicos sobre a vida das nossas sociedades civis.

Acontece que Portugal está neste momento a atravessar uma fase difícil de ajustamento a um novo figurino político e com novos agentes políticos.

Não seria salutar, ESPERAR antes de criticar e destruir o que se pretende fazer? Serve de alguma coisa exprimir sempre de modo negativo opiniões, só porque se é de outra côr política? Eu penso que não.

Deveria poder pedir-se o divórcio político entre as pessoas, sem ter efeitos na esfera jurídica pessoal de cada um.

Amigos e amigas que no campo político estariam definitivamente divorciados sem que fosse obrigatório que no campo da amizade, do sexo e das relações profissionais se apartassem os corpos, as mentes e os contratos de trabalho.

Eu já teria muitos e muitos divórcios afichados…de fichas ou seja elencados em listas negras…ahahahahah

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Homenagem


Apetece-me interromper a pausa a que me dediquei depois da campanha que fiz por Marcelo Rebelo de Sousa no facebook, como amigo e eleitor da sua candidatura.

Correu bem, ganhou, passámos uma página.

Hoje e ainda sem ler o OE venho aqui prestar a minha homenagem a António Costa pela serenidade com que tem somado vitórias na estratégia que traçou para o seu Governo e para o País como PM.

É sabido que não sou socialista e não admito graças indirectas, mas sou português e orgulho-me de ver um PM do meu país fazer frente à CE sem rupturas e ganhar.

O OE não é perfeito, é verdade. Mereceu reservas, é verdade. Mas apesar de tudo isto serem constatações reais, o que é um facto é que não nos rendemos antes da batalha. e vencemos.

O resto não me interessa comentar. Sou dos que gosta dos vencedores. Até agora Marcelo e Costa têm dado provas de serem lutadores e vencedores.

Vamos ter problemas no futuro…talvez! Porque não salta para a ribalta quem tem soluções milagreiras? O povo português agradece.

Mais uma vez repito aqui que cada vez me apetece menos dar-me com velhos do Restelo. A vida é para ser vivida no dia-a-dia e este foi um dia de vitória para os Portugueses, pelo menos para o orgulho de termos tirado a “canga” dos ombros, nem que seja por pouco tempo.

domingo, 31 de janeiro de 2016

estar farto do desconhecido

O limite é estar farto.

Vergílio Ferreira

open your eyes

Open your eyes, look within. Are you satisfied with the life you're living?

Bob Marley

Na morte do Luís, um amigo dos Orientes - Considerações breves

MORTE DE UM AMIGO - Considerações breves

Morreu ontem um amigo dos meus tempos do Oriente. Foi um herói pois sofreu muito mas teve sempre um acompanhamento impecável da Mulher e das filhas.

Fui hoje à missa de corpo presente seguida de enterro.

Capela encafuada, cheia de gente, irrespirável e com alguma "conversata" entre as pessoas enquanto não começava a missa.


Fiquei a pensar que para ele começou o fim do sofrimento e a tal paz que ansiamos em vida.
No fundo é um corpo que ali se encontra e que começou já em decomposição. Como foi cremado tornou-se em cinza pó e nada.

Ficam as memórias de tempos passados e da amizade que soube partilhar com todos. Umas pessoas têm mais qualidades do que outras, mas já pouco importa quando se morre em fazer grandes elogios fúnebres. Somos todos iguais e o esquecimento virá para 90% das pessoas que ali estavam, excepto talvez para a família próxima.

Nem sempre para todas as famílias, outras há que já esqueceram as pessoas em vida.

Os salmos da liturgia dos defuntos são pueris e fantasiosos: anjos que vêm buscar a alma e que a levam para o resplendor da luz perpétua. Bonito de se ouvir, mas tão difícil de acreditar!

Pelo menos nunca ninguém veio dizer como é, se eventualmente é!

As leituras falam de um Deus misericordioso que perdoa todos os pecados: Assim sendo, porque as escrituras falam de labaredas e inferno e até de purgatório e de julgamento final?

Um grande contra-senso que tenho para mim serem construções administrativas da Igreja sem qualquer fundamento teológico a não ser o de disciplinar os Homens para que a vida na terra seja minimamente decente e organizada. Tudo é fruto de Concílios, cujos participantes eram e são Homens.

O mesmo se passa com outras religiões: têm sempre um conjunto de regras “clubísticas” rígidas que fazem os fiéis depender e ficarem influenciados/atemorizados com a ruptura!

Pois se até tarde na minha formação religiosa, não sabia que os Evangelhos NÃO tinham sido escritos pelos apóstolos que os subscreveram…morreram 50 anos antes do aparecimento deles!

Quem conta um conto acrescenta um ponto.

No outro dia, alguém não-católico, perguntava-me em que língua tinha falado a Nossa Senhora de Fátima aos pastorinhos boçais e iletrados? E o manto era de seda crua bordado a pedrarias? Da CASA BATALHA que existe em Portugal, no ramo, desde o final do século XVIII? Passou-se em 1917!

Claro, todas estes apontamentos são perturbadores para quem gosta de tapar os ouvidos e não pensar!

Eu gosto de pensar ainda que com seriedade e vontade de encontrar as respostas.

Tudo isto a propósito da morte de um Amigo. Fico contente que finalmente tenha deixado de sofrer.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Sou lúcido

Sou Lúcido
Cruzou por mim, veio ter comigo, numa rua da Baixa
Aquele homem mal vestido, pedinte por profissão que se lhe vê na cara,
Que simpatiza comigo e eu simpatizo com ele;
E reciprocamente, num gesto largo, transbordante, dei-lhe tudo quanto tinha
(Exceto, naturalmente, o que estava na algibeira onde trago mais dinheiro:
Não sou parvo nem romancista russo, aplicado,
E romantismo, sim, mas devagar...).
Sinto uma simpatia por essa gente toda,
Sobretudo quando não merece simpatia.
Sim, eu sou também vadio e pedinte,
E sou-o também por minha culpa.
Ser vadio e pedinte não é ser vadio e pedinte:
É estar ao lado da escala social,
É não ser adaptável às normas da vida,
'As normas reais ou sentimentais da vida -
Não ser Juiz do Supremo, empregado certo, prostituta,
Não ser pobre a valer, operário explorado,
Não ser doente de uma doença incurável,
Não ser sedento da justiça, ou capitão de cavalaria,
Não ser, enfim, aquelas pessoas sociais dos novelistas
Que se fartam de letras porque tem razão para chorar lagrimas,
E se revoltam contra a vida social porque tem razão para isso supor.
Não: tudo menos ter razão!
Tudo menos importar-se com a humanidade!
Tudo menos ceder ao humanitarismo!
De que serve uma sensação se ha uma razão exterior a ela?
Sim, ser vadio e pedinte, como eu sou,
Não é ser vadio e pedinte, o que é corrente:
É ser isolado na alma, e isso é que é ser vadio,
É ter que pedir aos dias que passem, e nos deixem, e isso é que é ser pedinte.
Tudo o mais é estúpido como um Dostoiewski ou um Gorki.
Tudo o mais é ter fome ou não ter o que vestir.
E, mesmo que isso aconteça, isso acontece a tanta gente
Que nem vale a pena ter pena da gente a quem isso acontece.
Sou vadio e pedinte a valer, isto é, no sentido translato,
E estou-me rebolando numa grande caridade por mim.
Coitado do Álvaro de Campos!
Tão isolado na vida! Tão deprimido nas sensações!
Coitado dele, enfiado na poltrona da sua melancolia!
Coitado dele, que com lagrimas (autenticas) nos olhos,
Deu hoje, num gesto largo, liberal e moscovita,
Tudo quanto tinha, na algibeira em que tinha pouco
Aquele pobre que não era pobre que tinha olhos tristes por profissão.
Coitado do Álvaro de Campos, com quem ninguém se importa!
Coitado dele que tem tanta pena de si mesmo!
E, sim, coitado dele!
Mais coitado dele que de muitos que são vadios e vadiam,
Que são pedintes e pedem,
Porque a alma humana é um abismo.
Eu é que sei. Coitado dele!
Que bom poder-me revoltar num comício dentro de minha alma!
Mas até nem parvo sou!
Nem tenho a defesa de poder ter opiniões sociais.
Não tenho, mesmo, defesa nenhuma: sou lúcido.
Não me queiram converter a convicção: sou lúcido!
Já disse: sou lúcido.
Nada de estéticas com coração: sou lúcido.
Merda! Sou lúcido.

Álvaro de Campos, in "Poemas"

domingo, 24 de janeiro de 2016

Eu sou sempre contra quem bate nos mais fracos ou nos que saem.

Eu sou sempre contra quem bate nos mais fracos ou nos que saem.

Por outro lado sempre critiquei quem, com o direito de discordar e não apoiar, fez troça dos Chefes de Estado do meu país.

Tenho ouvido dos meus amigos estrangeiros e de diplomatas acreditados em Portugal esta enorme perplexidade pela falta de pudor, seja em frente de quem for, de se dizer mal e troçar do Chefe de Estado.

Foi e é agora com Cavaco, Soares, Eanes, menos com Sampaio e o mesmo se diga na Monarquia.

Se estivéssemos em Monarquia o que se não diria do pretendente ao trono, como aliás já se diz!

Portanto a bitola aplica-se a todos: republicanos e monárquicos, uns dizendo mal dos Chefes dos outros.

Vejo aqui no facebook, graças chocarreiras e miseráveis sobre o Presidente, em roda livre porque não podem ser rebatidas pelos próprios - o Presidente e a Dra. Maria Cavaco Silva. Pouco importa o que penso deles neste momento, mas espero que me dêm o benefício da dúvida, de aceitarem que tenho uma opinião fundamentada e não "au vol d'oiseau"!

Trata-se de boas maneiras, de boa educação e de sentimentos interiores de respeito pelos outros.

Se transpusermos estas críticas destrutivas e sem nenhum mérito a não ser maldizer para o âmbito das nossas famílias, veremos que há pais e mães de uns e outros que foram zarolhos, coxos, ordinários, feios, porcos, bêbados, imbecis, preguiçosos e incompetentes...e aí já fia mais fino. Já não se gosta que a torto e a direito se diga mal, se troçe e se não reconheça no meio de tantos defeitos encontrados, algumas qualidades.

Por isso cada vez mais tenho esta determinação em não me dar com pessoas radicais, intolerantes, ordinárias e com más maneiras e que passam a vida a dizer mal dos outros sem se olharem ao espelho.

Naturalmente que esta minha atitude causa mossas, renúncia de pretensas amizades e trombas.

Melhor do que esta imagem não sei exprimir o que sinto.

Post-scriptum:

Fizeram coisas boas e más e dentro do que sabiam e melhor acreditaram que seria para servir o País e os portugueses.
Mas, a verdade verdadinha é que o Presidente foi eleito democráticamente e se lá está é porque o quiseram eleger. O resto é conversa e suja e feia.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Saraivadas a Marcelo no último dia de campanha

Vai ser uma saraivada de ataques a Marcelo para tentarem, não construir ainda que discordando, mas com a raiva e inveja soez habituais do português, que prefere destruir a deixar que outros o façam bem.
Tal como os seus adversários, eu insisto que é preciso ir votar e não deixar que a abstenção cause uma segunda volta.
E não há cá em mim nenhum argumento escondido: primeiro porque as alternativas são fracas e sem o perfil para o Presidente que precisamos nesta conjuntura e segundo porque não quero que ganhe a esquerda.
O resto é conversa.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

PENINHA E AS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS


PENINHA E AS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS

Todas as manhãs, a primeira coisa que Peninha faz logo que sai da cama é consultar no jornal o programa das campanhas eleitorais de cada candidato.
Gosta de ser visto com cada presidencialista não vá o diabo tecê-las e vir a precisar de algum emprego, cunha ou simples prazer de aparecer.
Conforme a cor do movimento assim se veste: para o Edgar vai sempre de fato completo, bela gravata de seda e sapatos de camurça. É conveniente que a sua comitiva constate que há capitalistas que o apoiam. Leva sempre na lapela a cruz de Cristo, uma vez que ele é despadrado. Cumprimenta com alguma altivez à esquerda e à direita no meio dos poucos populares das arruadas e quando chega ao pé do mandatário, estica-lhe o pescoço e diz baixinho: Peninha de Roboredo e Silva, às ordens! Acha que ter acrescentado o Silva dá ares de parente do Edgar.
Já lhe perguntaram: - é o Sr.Dr.? Ele respondeu que sim, não sabendo bem a quem se referem, mas convém sempre dar um ar de conhecedor.
Hoje vai visitar a campanha de Maria de Belém. Verificou que foi adiada em forma de respeito pela morte do grande mação Almeida Santos. Peninha está perfeitamente convencido que deu um jeitão à Drª poder ter uma desculpa para não comparecer esta noite ao debate. Todos sabem porquê, normalmente para não ter que aturar Sampaio da Nóvoa, nem já é Marcelo! Peninha vestiu-se de fato de “ronco” ou seja de preto retinto, de bom pano, gravata preta e camisa branca que faça ressaltar o luto, e calçou uns sapatos de verniz preto. De luvas de pelica preta nas mãos e um chapéu mole de feltro: um verdadeiro e choroso cangalheiro, carpideiro, e beliscando as bochechas deu-lhes cor, com vestígios de lágrimas sinceras.
Lá chegado, depositou um cartão-de-visita que dobrou no canto superior – nunca percebeu para e porquê e desconfiou que são maneiras de gente pífia – que dizia : sentidos e cordiais pêsames. Desta vez usou para seu nome o de Peninha de Almeida Silva e Santos. Sempre deixou um intervalo entre os apelidos do defunto, dando uma ar de vago parentesco.
Não estava lá Maria de Belém que ouviu dizer, almoçava na “Parreirinha do Rato” uma cabeça de pescada. Dirigiu-se a um funcionário que regava as plantas de uns vasos da varanda que dava sobre o Largo do Rato e perguntou-lhe:
- Está cá alguém?
- Ora essa! – respondeu o dito que de ofendido continuou – e eu sou quem? Uma sombra? O senhor quem é?
Peninha declinou o seu nome e acrescentou: - um parente afastado do defunto! – e rebolando os olhos demonstrou um ar de pena.
- Pois olhe deve estar enganado, é na Estrela aonde o camarada Santos vai estar a partir das 17h.
Peninha ficou maçado, pois no meio de tanta gente passaria despercebido e ainda tentou de novo:
- A que horas regressa a Drª do almoço? Ou talvez eu possa ir lá cumprimentá-la e apresentar-lhe as condolências!
- Nem pense nisso, ela saiu daqui toda contente por não ter que ir ao debate desta noite, não vá lá escangalhar-lhe o almoço com os amigos da campanha. Deixe aí o que quiser e eu entrego depois à secretária da Drª.!
Peninha saiu descorçoado, jurando a si mesmo que nesta não votaria e voltou a casa, pois tinha que se mudar para ir à sede do MRS.
Pensou: vou de jeans, de sapatos à associativo e de tee-shirt com um pullover de tricot e um gorro ou será que tenho que ir de fato-de-treino? O gajo tem a mania do exercício e eu quero agradar e impressionar pois tudo indica que pode vir a ser o vencedor. Assim foi e partiu lépido para chegar a tempo de apanhar algum graúdo a quem pudesse entregar uma singela mensagem que tinha escrito num papel com o nome timbrado: Peninha de Souza ( com z é mais fino e ele deve gostar que lhe incense o ego, apesar do lado de Celorico de Basto ser muito povão, e dele que tanto gosta e puxa-lhe para baixo; ontem no almoço dos lojistas até falou do avô comerciante).
Peninha ainda pensou em acrescentar: Com os meus cumprimentos solidários. Do Colega mestre Peninha, bem sabia que professor é mais importante, mas sempre fora chamado de mestre alfaiate. Deixou-se destes detalhes e assim tomou um transporte público…achou que calharia ser visto chegar de autocarro, tanto mais que o MRS conduz ele próprio o seu carro…mutatis mutandis…esta foi uma expressão que aprendera com um seu cliente que tendo sido sacerdote, tinha saído para se casar e ao fazer os fatos sempre lhe citava umas frases em latim..”sr. Peninha, veja se me copia este modelo de tecido da Vogue, mutatis mutandis para esta flanela da Covilhã)!
MRS vinha a sair e o Peninha: “ Ò meu rico Professor, Professor espere aí!
Marcelo parou e deixou que Peninha se aproximasse e sorridente perguntou: - aposto que é o jornaleiro da casa dos meus pais. Lembro-me de si, apesar de estar mais velho. Ia todos dias levar o Diário da Manhã lá a casa!
Peninha estacou entre ofendido e desolado: - Gostaria de lhe entregar uma pequena mensagem de apoio!
MRS, piscou-lhe o olho e disse: - Obrigado pela generosidade, apesar de uma campanha modesta, o dinheiro faz sempre falta. E desandou.
Peninha foi comer uma sandocha na leitaria por debaixo do seu apartamento. No Café Lizette, estava-se sempre a par de tudo. Ainda ia hoje ao Sampaio da Nóvoa.
Haveria de lhe deixar um bilhete em que assinaria – Peninha Sampayo das Novas de Alencar e Silva.
Ouvira dizer que era muito vaidoso e pretendia passar por ser muito simples, sempre com frases delicodoces. Achava-o um panconha e não lhe vaticinava grande sucesso. Lá teria de ir vestido de blazer e calças cinzentas e gravata garrida, não fosse estar lá a televisão. Dizem que pedem sempre cores vivas para o contraste na tela!
De súbito, quando se preparava para sair recebeu uma chamada de Belém! Era do Presidente Cavaco e o Chefe de Gabinete perguntou-lhe se estava livre para no dia seguinte receber uma condecoração no fim do mandato do Sr. Presidente e que seria ao mesmo tempo do que o Tony Carreira.
Peninha sentou-se sem fôlego e só lhe saía: - É merecido, é merecido!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

O meu voto é em Marcelo

Minhas Amigas e meus Amigos,

Acabei de ver na televisão um acto de campanha do candidato do PCP. Tenho gostado da sua atitude frontal, inteligente por oposição à de um troglodita ortodoxo, e a modéstia com que vai prosseguindo a sua caminhada perdedora, ainda bem, na minha opinião!

À porta da Renault distribuía panfletos sem grande êxito. Um representante dos trabalhadores que declinou ser do PSD, mantinha um diálogo construtivo e apreciativo da atitude de Edgar Silva em ter ido visitar a Renault. No fim da conversa quando Edgar lhe perguntou se lhe podia dar um abraço, fê-lo com efusão e consideração. Bom exemplo entre gente genuína mesmo com ideias diferentes.

Fiz várias viagens de Estado integrando comitivas de empresários, entre os quais Henrique Neto. Também tenho apreciado a sua atitude e as ideias que defende. É um cidadão respeitável e merecedor de confiança e a sua passagem pela campanha, ainda que perdedora, é um rasto de respeitabilidade.

Quem não conta com o meu agrado e apreciação são Maria de Belém e Sampaio da Nóvoa. Parecem ambos umas picaretas falantes e pouco apetecíveis para Presidentes. Não têm estatura institucional, sobretudo se comparados com Marcelo.

Naturalmente que depois destas minhas apreciações, não restará dúvidas de que vou votar e que apoio Marcelo.

Tratamo-nos desde sempre, os nossos Pais eram amigos, andei no Pedro Nunes e Faculdade de Direito na mesma época apesar de eu ser mais novo, somos amigos, trabalhámos juntos em várias ocasiões da vida profissional.

Conheço as suas luzes e sombras que como qualquer um de nós tem, e que tantas vezes são mencionadas como forma de ataque, e tenho testemunhado que os anos o têm edificado na sua personalidade, sendo um homem muito inteligente, culto e engraçado e com muito humor, sério e com bom coração, com categoria pessoal e não tenho dúvidas que será um excelente Presidente, representando Portugal com enorme categoria e no âmbito nacional poderá ser de uma enorme utilidade para um equilíbrio interno e a manutenção de consensos no nosso país.

A finalizar, peço aos meus amigos e conhecidos bem como a quem me ler que não hesitem em fazer duas coisas: votar e levar consigo todos quantos possam exercer o voto e em segundo lugar que não deixem de votar em Marcelo.

provérbio mongol


segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

C'est une chose étrange à la fin que le monde - ARAGON

Que maravilha este poema d'Aragon de que eu gosto tanto.

Que la vie en vaut la peine 

C'est une chose étrange à la fin que le monde
Un jour je m'en irai sans en avoir tout dit
Ces moments de bonheur ces midis d'incendie
La nuit immense et noire aux déchirures blondes


Rien n'est si précieux peut-être qu'on le croit
D'autres viennent Ils ont le coeur que j'ai moi-même
Ils savent toucher l'herbe et dire je vous aime
Et rêver dans le soir où s'éteignent des voix

D'autres qui referont comme moi le voyage
D'autres qui souriront d'un enfant rencontré
Qui se retourneront pour leur nom murmuré
D'autres qui lèveront les yeux vers les nuages

Il y aura toujours un couple frémissant
Pour qui ce matin-là sera l'aube première
Il y aura toujours l'eau le vent la lumière
Rien ne passe après tout si ce n'est le passant

C'est une chose au fond que je ne puis comprendre
Cette peur de mourir que les gens ont en eux
Comme si ce n'était pas assez merveilleux
Que le ciel un moment nous ait paru si tendre

Malgré tout je vous dis que cette vie fut telle
Qu'à qui voudra m'entendre à qui je parle ici
N'ayant plus sur la lèvre un seul mot que merci
Je dirai malgré tout que cette vie fut belle.

Extrait de "Que la vie en vaut la peine" de Louis Aragon

sábado, 9 de janeiro de 2016

Vittorio Emanuele di Savoia, figlio dell’ultimo re d’Italia Umberto II, nel suo messaggio di fine anno scrive

Il figlio dell'ultimo re d'Italia Umberto II ha scritto un messaggio di fine anno agli italiani. L'auspicio per il 2016? "Che il motto del mio augusto genitore, 'L'Italia innanzitutto', possa essere fatto proprio da tutti coloro che ricopriranno incarichi di responsabilità".

“I timidi segnali di ripresa dell’economia del nostro Paese incoraggiano quanti sono impegnati nell’affrontare tale difficile situazione, ma un’autentica crescita sarà possibile soltanto se accompagnata dalle attese riforme e da una seria diminuzione della pressione fiscale“. E’ il pronostico di Vittorio Emanuele di Savoia, figlio dell’ultimo re d’Italia Umberto II, che nel suo messaggio di fine anno scrive: “Non posso esimermi dal formulare un pensiero rivolto alle famiglie italiane che soffrono per le conseguenze della crisi economica iniziata nel 2008″.

Vittorio Emanuele prosegue ricordando che l’anno prossimo “in molte città si terranno le elezioni amministrative, banco di prova per l’intera classe dirigente. Auspicando che il motto del mio augusto genitore, S.M. il Re Umberto II, ‘L’Italia innanzitutto‘, possa essere fatto proprio da tutti coloro che ricopriranno incarichi di responsabilità, indirizzo un particolare saluto alla cara città di Gorizia che, nell’agosto del 2016, celebrerà i cento anni di italianità, memore delle più accanite, tragiche e gloriose battaglie della Grande Guerra“.

La lettera poi depreca la “deriva culturale che vorrebbe sacrificare i segni della nostra Fede nel nome di un cieco e vacuo conformismo, come purtroppo è accaduto in queste ultime settimane, ad esempio non consentendo in alcune sedi pubbliche l’esposizione del presepio, che ritengo la più italiana delle tradizioni”. “Il nuovo anno – prosegue – si aprirà nel segno del Giubileo della Misericordia voluto dal Santo Padre Francesco. Attingendo all’inesauribile sorgente di questa straordinaria occasione di Grazia, sento il dovere di ricordare in questa sede che, come italiani, parafrasando le parole di Benedetto Croce, confidente della mia augusta genitrice, S.M. la Regina Maria José, ‘non possiamo non dirci cristiani’. Lo testimoniano le nostre radici, la nostra storia, le nostre tradizioni, perfino la nostra letteratura e la nostra arte”.