O PENINHA E O REVEILHÃO
Peninha tinha comprado um traje de gala na loja da Maconde, na Quinta das Conchas, para passar o reveilhão em casa do primo Gabriel, que morava perto do Senhor Roubado.
Tinha-lhe recomendado e escolhido a dita roupa, a Vanda vendedora, a quem andava a catrapiscar - uma boazona com peitos saídos que ressaltavam na farda da Maconde, sobretudo nos bicos aonde por casualidade calhavam as letras MA e CON – e que não era mais do que um casaco de bombazina amarelo torrado debruado com uma fita de nastro grossa de veludo castanho, assertoado com 3 botões; umas calças – aí o Peninha teve dúvidas – de smoking preto com a lista dos lados. Deveria pôr uma camisa de folhos branca, abrilhantada com um lacinho de veludo grená. Sapatos de verniz a imitar crocodilo, bicudos de matar baratas ao canto.
Lá se vestiu e olhou-se ao espelho: pareceu que tinha engolido uma vassoura de empertigado e vaidoso que estava. Saiu de casa com um ar pomposo e sentiu-se apoucado ao enfiar-se num velho Taunus de côr azul berrante, manhoso, meio-pôdre. Não dava a gota com a perdigota!
Tinha sido a correr que Gabriel lhe dissera que convidara para a passagem do ano uns amigos novos que tinha feito no clube de manilha na Amadora que frequentava, mas não tinha sequer falado de idades nem de dress code.
Lá chegado, viu à porta parados vários carros “tipo malander”, com dizeres “vai à discoteca da Canaveira e verás como encavas” e “ Tatoos no sítio certo, dão-te poder, meu”.
Porra, pensou, será que venho vestido ao estilo desta malta? Já era tarde para recuar.
Gabriel abriu-lhe a porta e estava de jeans e como uma tee-shirt que dizia “ bem vindo seja quem vier para a malandrice” e ao olhar para ele desatou a rir-se e a chamar os outros:
- Olha-me para este bimbo, ópás topem-me a cena do gajo! – e empurrava-o para dentro.
Foi como no Coliseu de Roma se terá sentido Spartacus quando enfrentou os leões.
Todos vanguardistas, de preto vestidos, com anilhas nas ventas, piercings nas orelhas e na língua, todos tatuados pelos braços e peito e um deles até tinha um rabo de cavalo.
Vozes grossas, risos chocarreiros, empurrões e insultos: foi em três tempos que o despiram deixando-o em cuecas. No sítio alfa do cuecame, tinha uma frase estampada, que dizia: “daqui sai fogo, môr!” Fora Vanda que lhe dera de presente e lhe dissera: “ Havemos de experimentar esse fogo, môr”!
Gabriel foi buscar ao quarto umas calças de pelica preta fina, uma tee-shirt com uma grande cabeça de leão que tinha por debaixo escrito: “ Sporting, sempre, és o meu amor” e umas pulseiras de cobre que lhe enfiaram num dos pulsos. Botifarras pretas com atacadores brilhantes e sola de borracha de Ceilão. Blusão de cabedal com botões de metal.
- Bóra malta que se faz tarde – disse Gabriel que o puxou para o seu carro. Eram, 11 da noite.
Peninha estonteado, perguntou-lhe:
- Primo, porra, o que é isto, pá? Para aonde vamos assim vestidos? Não me disseste nada!
- Pá, somos adoradores de cemitérios e vamos passar o reveilhão no cemitério do Senhor Roubado. Muita cena, vozes, bué de informação e pá, o Nelson, leva ganzas e vamos curtir uma trip bué da boa.
O Peninha nunca tinha tocado numa droga e ficou para morrer.
Expressão apropriada para o fim deste pequeno conto, pois morre-se nos cemitérios para aonde eles iam.
CAVACO, O NOVO GOVERNO E A OPOSIÇÂO
Tudo indica que Cavaco vai indigitar António Costa, até por informações que tive de amigos bem informados no PSD e CDS.
Estive este fim-de-semana em vários sítios com a comunidade francesa e inglesa e sendo muitos deles residentes em Portugal, aqui trabalhando, manifestaram alguma preocupação não tanto pelo governo do PS (estão habituados nos seus países à alternância do poder) mas à aliança com o PCP.
Tudo indica que Cavaco vai indigitar António Costa, até por informações que tive de amigos bem informados no PSD e CDS.
Estive este fim-de-semana em vários sítios com a comunidade francesa e inglesa e sendo muitos deles residentes em Portugal, aqui trabalhando, manifestaram alguma preocupação não tanto pelo governo do PS (estão habituados nos seus países à alternância do poder) mas à aliança com o PCP.
Muito novo ainda em 1975, vivi em pleno o 25 de Abril e o PREC e lembro-me da perplexidade que tudo me causava.
Rapidamente nos fomos habituando e com serenidade e firmeza fomos combatendo as ideias adversas às nossas e fomos vencendo.
Não creio que radicalismos quer de um lado quer de outro, sirvam os interesses dos Portugueses, pelo que devemos estar atentos e participarmos com as nossas ideias construtivas e objectivas, pelos meios adequados, contra eventuais desmandos.
Não gostei de ver a precipitação de PPC e o dramatismo no apego ao poder. PP foi mais discreto. Foi das primeiras vezes em que vi PPC fora de si e com falta de estadismo, se bem que o saldo do seu comportamento político neste mandato tenha sido muito positivo.
Também espera-se de um futuro PM, e refiro-me ao Dr. António Costa, uma maior serenidade no caminho para o poder. De tanta sofreguidão ficou a sua imagem prejudicada.
São incidentes de percurso para ambos os lados.
Acredito que poderá ser uma nova fase por que temos que passar e que se desenrolará sem dramatismos, se soubermos dar tempo a que o novo governo possa provar o que vale. Estou seguro que fará o melhor que puder não só porque se falhar são os Portugueses que pagarão a factura, como por outro lado ao nível interno e dentro cada partido, as consequências serão fatais para os protagonistas mal sucedidos.
Estamos todos cansados de prognósticos negativos ou positivos, conforme os lados bem como de promessas teóricas. Chegou o momento de agir e provar o merecimento de governar Portugal.
Não será tarefa fácil pois de certeza encontrarão muitas coisas que não foram ditas e uma situação económica, financeira e administrativa pior do que tem vindo a ser anunciado. É assim sempre, pese embora ser errado.
Por outro lado, espera-se que a nova oposição se deixe de ameaças vingativas de falta de colaboração, pois, repito à saciedade, estes senhores estão lá todos e sem distinção de credo ou côr política, para NOS servir e não servirem-se nos seus tachos, importâncias e circunstâncias.
Qualquer desvio a este princípio terá as devidas consequências nos votos futuros.
Requer-se ao Presidente Cavaco que se deixe de esquemas pessoais e decida sem mais delongas.
Rapidamente nos fomos habituando e com serenidade e firmeza fomos combatendo as ideias adversas às nossas e fomos vencendo.
Não creio que radicalismos quer de um lado quer de outro, sirvam os interesses dos Portugueses, pelo que devemos estar atentos e participarmos com as nossas ideias construtivas e objectivas, pelos meios adequados, contra eventuais desmandos.
Não gostei de ver a precipitação de PPC e o dramatismo no apego ao poder. PP foi mais discreto. Foi das primeiras vezes em que vi PPC fora de si e com falta de estadismo, se bem que o saldo do seu comportamento político neste mandato tenha sido muito positivo.
Também espera-se de um futuro PM, e refiro-me ao Dr. António Costa, uma maior serenidade no caminho para o poder. De tanta sofreguidão ficou a sua imagem prejudicada.
São incidentes de percurso para ambos os lados.
Acredito que poderá ser uma nova fase por que temos que passar e que se desenrolará sem dramatismos, se soubermos dar tempo a que o novo governo possa provar o que vale. Estou seguro que fará o melhor que puder não só porque se falhar são os Portugueses que pagarão a factura, como por outro lado ao nível interno e dentro cada partido, as consequências serão fatais para os protagonistas mal sucedidos.
Estamos todos cansados de prognósticos negativos ou positivos, conforme os lados bem como de promessas teóricas. Chegou o momento de agir e provar o merecimento de governar Portugal.
Não será tarefa fácil pois de certeza encontrarão muitas coisas que não foram ditas e uma situação económica, financeira e administrativa pior do que tem vindo a ser anunciado. É assim sempre, pese embora ser errado.
Por outro lado, espera-se que a nova oposição se deixe de ameaças vingativas de falta de colaboração, pois, repito à saciedade, estes senhores estão lá todos e sem distinção de credo ou côr política, para NOS servir e não servirem-se nos seus tachos, importâncias e circunstâncias.
Qualquer desvio a este princípio terá as devidas consequências nos votos futuros.
Requer-se ao Presidente Cavaco que se deixe de esquemas pessoais e decida sem mais delongas.






























