Eu sou sempre contra quem bate nos mais fracos ou nos que saem.
Por outro lado sempre critiquei quem, com o direito de discordar e não apoiar, fez troça dos Chefes de Estado do meu país.
Tenho ouvido dos meus amigos estrangeiros e de diplomatas acreditados em Portugal esta enorme perplexidade pela falta de pudor, seja em frente de quem for, de se dizer mal e troçar do Chefe de Estado.
Foi e é agora com Cavaco, Soares, Eanes, menos com Sampaio e o mesmo se diga na Monarquia.
Se estivéssemos em Monarquia o que se não diria do pretendente ao trono, como aliás já se diz!
Portanto a bitola aplica-se a todos: republicanos e monárquicos, uns dizendo mal dos Chefes dos outros.
Vejo aqui no facebook, graças chocarreiras e miseráveis sobre o Presidente, em roda livre porque não podem ser rebatidas pelos próprios - o Presidente e a Dra. Maria Cavaco Silva. Pouco importa o que penso deles neste momento, mas espero que me dêm o benefício da dúvida, de aceitarem que tenho uma opinião fundamentada e não "au vol d'oiseau"!
Trata-se de boas maneiras, de boa educação e de sentimentos interiores de respeito pelos outros.
Se transpusermos estas críticas destrutivas e sem nenhum mérito a não ser maldizer para o âmbito das nossas famílias, veremos que há pais e mães de uns e outros que foram zarolhos, coxos, ordinários, feios, porcos, bêbados, imbecis, preguiçosos e incompetentes...e aí já fia mais fino. Já não se gosta que a torto e a direito se diga mal, se troçe e se não reconheça no meio de tantos defeitos encontrados, algumas qualidades.
Por isso cada vez mais tenho esta determinação em não me dar com pessoas radicais, intolerantes, ordinárias e com más maneiras e que passam a vida a dizer mal dos outros sem se olharem ao espelho.
Naturalmente que esta minha atitude causa mossas, renúncia de pretensas amizades e trombas.
Melhor do que esta imagem não sei exprimir o que sinto.
Post-scriptum:
Fizeram coisas boas e más e dentro do que sabiam e melhor acreditaram que seria para servir o País e os portugueses.
Mas, a verdade verdadinha é que o Presidente foi eleito democráticamente e se lá está é porque o quiseram eleger. O resto é conversa e suja e feia.
domingo, 24 de janeiro de 2016
sábado, 23 de janeiro de 2016
sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
Saraivadas a Marcelo no último dia de campanha
Vai ser uma saraivada de ataques a Marcelo para tentarem, não
construir ainda que discordando, mas com a raiva e inveja soez habituais
do português, que prefere destruir a deixar que outros o façam bem.
Tal como os seus adversários, eu insisto que é preciso ir votar e não deixar que a abstenção cause uma segunda volta.
E não há cá em mim nenhum argumento escondido: primeiro porque as alternativas são fracas e sem o perfil para o Presidente que precisamos nesta conjuntura e segundo porque não quero que ganhe a esquerda.
O resto é conversa.
Tal como os seus adversários, eu insisto que é preciso ir votar e não deixar que a abstenção cause uma segunda volta.
E não há cá em mim nenhum argumento escondido: primeiro porque as alternativas são fracas e sem o perfil para o Presidente que precisamos nesta conjuntura e segundo porque não quero que ganhe a esquerda.
O resto é conversa.
terça-feira, 19 de janeiro de 2016
PENINHA E AS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS
PENINHA E AS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS
Todas as manhãs, a primeira coisa que Peninha faz logo que sai da cama é consultar no jornal o programa das campanhas eleitorais de cada candidato.
Gosta de ser visto com cada presidencialista não vá o diabo tecê-las e vir a precisar de algum emprego, cunha ou simples prazer de aparecer.
Conforme a cor do movimento assim se veste: para o Edgar vai sempre de fato completo, bela gravata de seda e sapatos de camurça. É conveniente que a sua comitiva constate que há capitalistas que o apoiam. Leva sempre na lapela a cruz de Cristo, uma vez que ele é despadrado. Cumprimenta com alguma altivez à esquerda e à direita no meio dos poucos populares das arruadas e quando chega ao pé do mandatário, estica-lhe o pescoço e diz baixinho: Peninha de Roboredo e Silva, às ordens! Acha que ter acrescentado o Silva dá ares de parente do Edgar.
Já lhe perguntaram: - é o Sr.Dr.? Ele respondeu que sim, não sabendo bem a quem se referem, mas convém sempre dar um ar de conhecedor.
Hoje vai visitar a campanha de Maria de Belém. Verificou que foi adiada em forma de respeito pela morte do grande mação Almeida Santos. Peninha está perfeitamente convencido que deu um jeitão à Drª poder ter uma desculpa para não comparecer esta noite ao debate. Todos sabem porquê, normalmente para não ter que aturar Sampaio da Nóvoa, nem já é Marcelo! Peninha vestiu-se de fato de “ronco” ou seja de preto retinto, de bom pano, gravata preta e camisa branca que faça ressaltar o luto, e calçou uns sapatos de verniz preto. De luvas de pelica preta nas mãos e um chapéu mole de feltro: um verdadeiro e choroso cangalheiro, carpideiro, e beliscando as bochechas deu-lhes cor, com vestígios de lágrimas sinceras.
Lá chegado, depositou um cartão-de-visita que dobrou no canto superior – nunca percebeu para e porquê e desconfiou que são maneiras de gente pífia – que dizia : sentidos e cordiais pêsames. Desta vez usou para seu nome o de Peninha de Almeida Silva e Santos. Sempre deixou um intervalo entre os apelidos do defunto, dando uma ar de vago parentesco.
Não estava lá Maria de Belém que ouviu dizer, almoçava na “Parreirinha do Rato” uma cabeça de pescada. Dirigiu-se a um funcionário que regava as plantas de uns vasos da varanda que dava sobre o Largo do Rato e perguntou-lhe:
- Está cá alguém?
- Ora essa! – respondeu o dito que de ofendido continuou – e eu sou quem? Uma sombra? O senhor quem é?
Peninha declinou o seu nome e acrescentou: - um parente afastado do defunto! – e rebolando os olhos demonstrou um ar de pena.
- Pois olhe deve estar enganado, é na Estrela aonde o camarada Santos vai estar a partir das 17h.
Peninha ficou maçado, pois no meio de tanta gente passaria despercebido e ainda tentou de novo:
- A que horas regressa a Drª do almoço? Ou talvez eu possa ir lá cumprimentá-la e apresentar-lhe as condolências!
- Nem pense nisso, ela saiu daqui toda contente por não ter que ir ao debate desta noite, não vá lá escangalhar-lhe o almoço com os amigos da campanha. Deixe aí o que quiser e eu entrego depois à secretária da Drª.!
Peninha saiu descorçoado, jurando a si mesmo que nesta não votaria e voltou a casa, pois tinha que se mudar para ir à sede do MRS.
Pensou: vou de jeans, de sapatos à associativo e de tee-shirt com um pullover de tricot e um gorro ou será que tenho que ir de fato-de-treino? O gajo tem a mania do exercício e eu quero agradar e impressionar pois tudo indica que pode vir a ser o vencedor. Assim foi e partiu lépido para chegar a tempo de apanhar algum graúdo a quem pudesse entregar uma singela mensagem que tinha escrito num papel com o nome timbrado: Peninha de Souza ( com z é mais fino e ele deve gostar que lhe incense o ego, apesar do lado de Celorico de Basto ser muito povão, e dele que tanto gosta e puxa-lhe para baixo; ontem no almoço dos lojistas até falou do avô comerciante).
Peninha ainda pensou em acrescentar: Com os meus cumprimentos solidários. Do Colega mestre Peninha, bem sabia que professor é mais importante, mas sempre fora chamado de mestre alfaiate. Deixou-se destes detalhes e assim tomou um transporte público…achou que calharia ser visto chegar de autocarro, tanto mais que o MRS conduz ele próprio o seu carro…mutatis mutandis…esta foi uma expressão que aprendera com um seu cliente que tendo sido sacerdote, tinha saído para se casar e ao fazer os fatos sempre lhe citava umas frases em latim..”sr. Peninha, veja se me copia este modelo de tecido da Vogue, mutatis mutandis para esta flanela da Covilhã)!
MRS vinha a sair e o Peninha: “ Ò meu rico Professor, Professor espere aí!
Marcelo parou e deixou que Peninha se aproximasse e sorridente perguntou: - aposto que é o jornaleiro da casa dos meus pais. Lembro-me de si, apesar de estar mais velho. Ia todos dias levar o Diário da Manhã lá a casa!
Peninha estacou entre ofendido e desolado: - Gostaria de lhe entregar uma pequena mensagem de apoio!
MRS, piscou-lhe o olho e disse: - Obrigado pela generosidade, apesar de uma campanha modesta, o dinheiro faz sempre falta. E desandou.
Peninha foi comer uma sandocha na leitaria por debaixo do seu apartamento. No Café Lizette, estava-se sempre a par de tudo. Ainda ia hoje ao Sampaio da Nóvoa.
Haveria de lhe deixar um bilhete em que assinaria – Peninha Sampayo das Novas de Alencar e Silva.
Ouvira dizer que era muito vaidoso e pretendia passar por ser muito simples, sempre com frases delicodoces. Achava-o um panconha e não lhe vaticinava grande sucesso. Lá teria de ir vestido de blazer e calças cinzentas e gravata garrida, não fosse estar lá a televisão. Dizem que pedem sempre cores vivas para o contraste na tela!
De súbito, quando se preparava para sair recebeu uma chamada de Belém! Era do Presidente Cavaco e o Chefe de Gabinete perguntou-lhe se estava livre para no dia seguinte receber uma condecoração no fim do mandato do Sr. Presidente e que seria ao mesmo tempo do que o Tony Carreira.
Peninha sentou-se sem fôlego e só lhe saía: - É merecido, é merecido!
Todas as manhãs, a primeira coisa que Peninha faz logo que sai da cama é consultar no jornal o programa das campanhas eleitorais de cada candidato.
Gosta de ser visto com cada presidencialista não vá o diabo tecê-las e vir a precisar de algum emprego, cunha ou simples prazer de aparecer.
Conforme a cor do movimento assim se veste: para o Edgar vai sempre de fato completo, bela gravata de seda e sapatos de camurça. É conveniente que a sua comitiva constate que há capitalistas que o apoiam. Leva sempre na lapela a cruz de Cristo, uma vez que ele é despadrado. Cumprimenta com alguma altivez à esquerda e à direita no meio dos poucos populares das arruadas e quando chega ao pé do mandatário, estica-lhe o pescoço e diz baixinho: Peninha de Roboredo e Silva, às ordens! Acha que ter acrescentado o Silva dá ares de parente do Edgar.
Já lhe perguntaram: - é o Sr.Dr.? Ele respondeu que sim, não sabendo bem a quem se referem, mas convém sempre dar um ar de conhecedor.
Hoje vai visitar a campanha de Maria de Belém. Verificou que foi adiada em forma de respeito pela morte do grande mação Almeida Santos. Peninha está perfeitamente convencido que deu um jeitão à Drª poder ter uma desculpa para não comparecer esta noite ao debate. Todos sabem porquê, normalmente para não ter que aturar Sampaio da Nóvoa, nem já é Marcelo! Peninha vestiu-se de fato de “ronco” ou seja de preto retinto, de bom pano, gravata preta e camisa branca que faça ressaltar o luto, e calçou uns sapatos de verniz preto. De luvas de pelica preta nas mãos e um chapéu mole de feltro: um verdadeiro e choroso cangalheiro, carpideiro, e beliscando as bochechas deu-lhes cor, com vestígios de lágrimas sinceras.
Lá chegado, depositou um cartão-de-visita que dobrou no canto superior – nunca percebeu para e porquê e desconfiou que são maneiras de gente pífia – que dizia : sentidos e cordiais pêsames. Desta vez usou para seu nome o de Peninha de Almeida Silva e Santos. Sempre deixou um intervalo entre os apelidos do defunto, dando uma ar de vago parentesco.
Não estava lá Maria de Belém que ouviu dizer, almoçava na “Parreirinha do Rato” uma cabeça de pescada. Dirigiu-se a um funcionário que regava as plantas de uns vasos da varanda que dava sobre o Largo do Rato e perguntou-lhe:
- Está cá alguém?
- Ora essa! – respondeu o dito que de ofendido continuou – e eu sou quem? Uma sombra? O senhor quem é?
Peninha declinou o seu nome e acrescentou: - um parente afastado do defunto! – e rebolando os olhos demonstrou um ar de pena.
- Pois olhe deve estar enganado, é na Estrela aonde o camarada Santos vai estar a partir das 17h.
Peninha ficou maçado, pois no meio de tanta gente passaria despercebido e ainda tentou de novo:
- A que horas regressa a Drª do almoço? Ou talvez eu possa ir lá cumprimentá-la e apresentar-lhe as condolências!
- Nem pense nisso, ela saiu daqui toda contente por não ter que ir ao debate desta noite, não vá lá escangalhar-lhe o almoço com os amigos da campanha. Deixe aí o que quiser e eu entrego depois à secretária da Drª.!
Peninha saiu descorçoado, jurando a si mesmo que nesta não votaria e voltou a casa, pois tinha que se mudar para ir à sede do MRS.
Pensou: vou de jeans, de sapatos à associativo e de tee-shirt com um pullover de tricot e um gorro ou será que tenho que ir de fato-de-treino? O gajo tem a mania do exercício e eu quero agradar e impressionar pois tudo indica que pode vir a ser o vencedor. Assim foi e partiu lépido para chegar a tempo de apanhar algum graúdo a quem pudesse entregar uma singela mensagem que tinha escrito num papel com o nome timbrado: Peninha de Souza ( com z é mais fino e ele deve gostar que lhe incense o ego, apesar do lado de Celorico de Basto ser muito povão, e dele que tanto gosta e puxa-lhe para baixo; ontem no almoço dos lojistas até falou do avô comerciante).
Peninha ainda pensou em acrescentar: Com os meus cumprimentos solidários. Do Colega mestre Peninha, bem sabia que professor é mais importante, mas sempre fora chamado de mestre alfaiate. Deixou-se destes detalhes e assim tomou um transporte público…achou que calharia ser visto chegar de autocarro, tanto mais que o MRS conduz ele próprio o seu carro…mutatis mutandis…esta foi uma expressão que aprendera com um seu cliente que tendo sido sacerdote, tinha saído para se casar e ao fazer os fatos sempre lhe citava umas frases em latim..”sr. Peninha, veja se me copia este modelo de tecido da Vogue, mutatis mutandis para esta flanela da Covilhã)!
MRS vinha a sair e o Peninha: “ Ò meu rico Professor, Professor espere aí!
Marcelo parou e deixou que Peninha se aproximasse e sorridente perguntou: - aposto que é o jornaleiro da casa dos meus pais. Lembro-me de si, apesar de estar mais velho. Ia todos dias levar o Diário da Manhã lá a casa!
Peninha estacou entre ofendido e desolado: - Gostaria de lhe entregar uma pequena mensagem de apoio!
MRS, piscou-lhe o olho e disse: - Obrigado pela generosidade, apesar de uma campanha modesta, o dinheiro faz sempre falta. E desandou.
Peninha foi comer uma sandocha na leitaria por debaixo do seu apartamento. No Café Lizette, estava-se sempre a par de tudo. Ainda ia hoje ao Sampaio da Nóvoa.
Haveria de lhe deixar um bilhete em que assinaria – Peninha Sampayo das Novas de Alencar e Silva.
Ouvira dizer que era muito vaidoso e pretendia passar por ser muito simples, sempre com frases delicodoces. Achava-o um panconha e não lhe vaticinava grande sucesso. Lá teria de ir vestido de blazer e calças cinzentas e gravata garrida, não fosse estar lá a televisão. Dizem que pedem sempre cores vivas para o contraste na tela!
De súbito, quando se preparava para sair recebeu uma chamada de Belém! Era do Presidente Cavaco e o Chefe de Gabinete perguntou-lhe se estava livre para no dia seguinte receber uma condecoração no fim do mandato do Sr. Presidente e que seria ao mesmo tempo do que o Tony Carreira.
Peninha sentou-se sem fôlego e só lhe saía: - É merecido, é merecido!
quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
O meu voto é em Marcelo
Minhas Amigas e meus Amigos,
Acabei de ver na televisão um acto de campanha do candidato do PCP. Tenho gostado da sua atitude frontal, inteligente por oposição à de um troglodita ortodoxo, e a modéstia com que vai prosseguindo a sua caminhada perdedora, ainda bem, na minha opinião!
À porta da Renault distribuía panfletos sem grande êxito. Um representante dos trabalhadores que declinou ser do PSD, mantinha um diálogo construtivo e apreciativo da atitude de Edgar Silva em ter ido visitar a Renault. No fim da conversa quando Edgar lhe perguntou se lhe podia dar um abraço, fê-lo com efusão e consideração. Bom exemplo entre gente genuína mesmo com ideias diferentes.
Fiz várias viagens de Estado integrando comitivas de empresários, entre os quais Henrique Neto. Também tenho apreciado a sua atitude e as ideias que defende. É um cidadão respeitável e merecedor de confiança e a sua passagem pela campanha, ainda que perdedora, é um rasto de respeitabilidade.
Quem não conta com o meu agrado e apreciação são Maria de Belém e Sampaio da Nóvoa. Parecem ambos umas picaretas falantes e pouco apetecíveis para Presidentes. Não têm estatura institucional, sobretudo se comparados com Marcelo.
Naturalmente que depois destas minhas apreciações, não restará dúvidas de que vou votar e que apoio Marcelo.
Tratamo-nos desde sempre, os nossos Pais eram amigos, andei no Pedro Nunes e Faculdade de Direito na mesma época apesar de eu ser mais novo, somos amigos, trabalhámos juntos em várias ocasiões da vida profissional.
Conheço as suas luzes e sombras que como qualquer um de nós tem, e que tantas vezes são mencionadas como forma de ataque, e tenho testemunhado que os anos o têm edificado na sua personalidade, sendo um homem muito inteligente, culto e engraçado e com muito humor, sério e com bom coração, com categoria pessoal e não tenho dúvidas que será um excelente Presidente, representando Portugal com enorme categoria e no âmbito nacional poderá ser de uma enorme utilidade para um equilíbrio interno e a manutenção de consensos no nosso país.
A finalizar, peço aos meus amigos e conhecidos bem como a quem me ler que não hesitem em fazer duas coisas: votar e levar consigo todos quantos possam exercer o voto e em segundo lugar que não deixem de votar em Marcelo.
Acabei de ver na televisão um acto de campanha do candidato do PCP. Tenho gostado da sua atitude frontal, inteligente por oposição à de um troglodita ortodoxo, e a modéstia com que vai prosseguindo a sua caminhada perdedora, ainda bem, na minha opinião!
À porta da Renault distribuía panfletos sem grande êxito. Um representante dos trabalhadores que declinou ser do PSD, mantinha um diálogo construtivo e apreciativo da atitude de Edgar Silva em ter ido visitar a Renault. No fim da conversa quando Edgar lhe perguntou se lhe podia dar um abraço, fê-lo com efusão e consideração. Bom exemplo entre gente genuína mesmo com ideias diferentes.
Fiz várias viagens de Estado integrando comitivas de empresários, entre os quais Henrique Neto. Também tenho apreciado a sua atitude e as ideias que defende. É um cidadão respeitável e merecedor de confiança e a sua passagem pela campanha, ainda que perdedora, é um rasto de respeitabilidade.
Quem não conta com o meu agrado e apreciação são Maria de Belém e Sampaio da Nóvoa. Parecem ambos umas picaretas falantes e pouco apetecíveis para Presidentes. Não têm estatura institucional, sobretudo se comparados com Marcelo.
Naturalmente que depois destas minhas apreciações, não restará dúvidas de que vou votar e que apoio Marcelo.
Tratamo-nos desde sempre, os nossos Pais eram amigos, andei no Pedro Nunes e Faculdade de Direito na mesma época apesar de eu ser mais novo, somos amigos, trabalhámos juntos em várias ocasiões da vida profissional.
Conheço as suas luzes e sombras que como qualquer um de nós tem, e que tantas vezes são mencionadas como forma de ataque, e tenho testemunhado que os anos o têm edificado na sua personalidade, sendo um homem muito inteligente, culto e engraçado e com muito humor, sério e com bom coração, com categoria pessoal e não tenho dúvidas que será um excelente Presidente, representando Portugal com enorme categoria e no âmbito nacional poderá ser de uma enorme utilidade para um equilíbrio interno e a manutenção de consensos no nosso país.
A finalizar, peço aos meus amigos e conhecidos bem como a quem me ler que não hesitem em fazer duas coisas: votar e levar consigo todos quantos possam exercer o voto e em segundo lugar que não deixem de votar em Marcelo.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
C'est une chose étrange à la fin que le monde - ARAGON
Que maravilha este poema d'Aragon de que eu gosto tanto.
Que la vie en vaut la peine
C'est une chose étrange à la fin que le monde
Un jour je m'en irai sans en avoir tout dit
Ces moments de bonheur ces midis d'incendie
La nuit immense et noire aux déchirures blondes
Rien n'est si précieux peut-être qu'on le croit
D'autres viennent Ils ont le coeur que j'ai moi-même
Ils savent toucher l'herbe et dire je vous aime
Et rêver dans le soir où s'éteignent des voix
D'autres qui referont comme moi le voyage
D'autres qui souriront d'un enfant rencontré
Qui se retourneront pour leur nom murmuré
D'autres qui lèveront les yeux vers les nuages
Il y aura toujours un couple frémissant
Pour qui ce matin-là sera l'aube première
Il y aura toujours l'eau le vent la lumière
Rien ne passe après tout si ce n'est le passant
C'est une chose au fond que je ne puis comprendre
Cette peur de mourir que les gens ont en eux
Comme si ce n'était pas assez merveilleux
Que le ciel un moment nous ait paru si tendre
Malgré tout je vous dis que cette vie fut telle
Qu'à qui voudra m'entendre à qui je parle ici
N'ayant plus sur la lèvre un seul mot que merci
Je dirai malgré tout que cette vie fut belle.
Extrait de "Que la vie en vaut la peine" de Louis Aragon
Que la vie en vaut la peine
C'est une chose étrange à la fin que le monde
Un jour je m'en irai sans en avoir tout dit
Ces moments de bonheur ces midis d'incendie
La nuit immense et noire aux déchirures blondes
Rien n'est si précieux peut-être qu'on le croit
D'autres viennent Ils ont le coeur que j'ai moi-même
Ils savent toucher l'herbe et dire je vous aime
Et rêver dans le soir où s'éteignent des voix
D'autres qui referont comme moi le voyage
D'autres qui souriront d'un enfant rencontré
Qui se retourneront pour leur nom murmuré
D'autres qui lèveront les yeux vers les nuages
Il y aura toujours un couple frémissant
Pour qui ce matin-là sera l'aube première
Il y aura toujours l'eau le vent la lumière
Rien ne passe après tout si ce n'est le passant
C'est une chose au fond que je ne puis comprendre
Cette peur de mourir que les gens ont en eux
Comme si ce n'était pas assez merveilleux
Que le ciel un moment nous ait paru si tendre
Malgré tout je vous dis que cette vie fut telle
Qu'à qui voudra m'entendre à qui je parle ici
N'ayant plus sur la lèvre un seul mot que merci
Je dirai malgré tout que cette vie fut belle.
Extrait de "Que la vie en vaut la peine" de Louis Aragon
sábado, 9 de janeiro de 2016
Vittorio Emanuele di Savoia, figlio dell’ultimo re d’Italia Umberto II, nel suo messaggio di fine anno scrive
Il figlio dell'ultimo re d'Italia Umberto II ha scritto un messaggio
di fine anno agli italiani. L'auspicio per il 2016? "Che il motto del
mio augusto genitore, 'L'Italia innanzitutto', possa essere fatto
proprio da tutti coloro che ricopriranno incarichi di responsabilità".
“I timidi segnali di ripresa dell’economia del nostro Paese incoraggiano quanti sono impegnati nell’affrontare tale difficile situazione, ma un’autentica crescita sarà possibile soltanto se accompagnata dalle attese riforme e da una seria diminuzione della pressione fiscale“. E’ il pronostico di Vittorio Emanuele di Savoia, figlio dell’ultimo re d’Italia Umberto II, che nel suo messaggio di fine anno scrive: “Non posso esimermi dal formulare un pensiero rivolto alle famiglie italiane che soffrono per le conseguenze della crisi economica iniziata nel 2008″.
“I timidi segnali di ripresa dell’economia del nostro Paese incoraggiano quanti sono impegnati nell’affrontare tale difficile situazione, ma un’autentica crescita sarà possibile soltanto se accompagnata dalle attese riforme e da una seria diminuzione della pressione fiscale“. E’ il pronostico di Vittorio Emanuele di Savoia, figlio dell’ultimo re d’Italia Umberto II, che nel suo messaggio di fine anno scrive: “Non posso esimermi dal formulare un pensiero rivolto alle famiglie italiane che soffrono per le conseguenze della crisi economica iniziata nel 2008″.
Vittorio Emanuele prosegue ricordando che l’anno prossimo “in molte
città si terranno le elezioni amministrative, banco di prova per
l’intera classe dirigente. Auspicando che il motto del mio augusto
genitore, S.M. il Re Umberto II, ‘L’Italia innanzitutto‘, possa essere
fatto proprio da tutti coloro che ricopriranno incarichi di
responsabilità, indirizzo un particolare saluto alla cara città di
Gorizia che, nell’agosto del 2016, celebrerà i cento anni di italianità,
memore delle più accanite, tragiche e gloriose battaglie della Grande
Guerra“.
La lettera poi depreca la “deriva culturale che vorrebbe sacrificare i segni della nostra Fede nel nome di un cieco e vacuo conformismo, come purtroppo è accaduto in queste ultime settimane, ad esempio non consentendo in alcune sedi pubbliche l’esposizione del presepio, che ritengo la più italiana delle tradizioni”. “Il nuovo anno – prosegue – si aprirà nel segno del Giubileo della Misericordia voluto dal Santo Padre Francesco. Attingendo all’inesauribile sorgente di questa straordinaria occasione di Grazia, sento il dovere di ricordare in questa sede che, come italiani, parafrasando le parole di Benedetto Croce, confidente della mia augusta genitrice, S.M. la Regina Maria José, ‘non possiamo non dirci cristiani’. Lo testimoniano le nostre radici, la nostra storia, le nostre tradizioni, perfino la nostra letteratura e la nostra arte”.
La lettera poi depreca la “deriva culturale che vorrebbe sacrificare i segni della nostra Fede nel nome di un cieco e vacuo conformismo, come purtroppo è accaduto in queste ultime settimane, ad esempio non consentendo in alcune sedi pubbliche l’esposizione del presepio, che ritengo la più italiana delle tradizioni”. “Il nuovo anno – prosegue – si aprirà nel segno del Giubileo della Misericordia voluto dal Santo Padre Francesco. Attingendo all’inesauribile sorgente di questa straordinaria occasione di Grazia, sento il dovere di ricordare in questa sede che, come italiani, parafrasando le parole di Benedetto Croce, confidente della mia augusta genitrice, S.M. la Regina Maria José, ‘non possiamo non dirci cristiani’. Lo testimoniano le nostre radici, la nostra storia, le nostre tradizioni, perfino la nostra letteratura e la nostra arte”.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
Carta do meu primo Luis Bernardo pelo Natal e Ano Novo


Meu Querido Manuel,
Estou a escrever-te depois de uma época natalícia e de
começo do Novo Ano muito carregada de eventos o que me forçou a movimentar-me
de casa em casa.
Estive com os teus Pais e Avós bem como o resto de toda a
tua Família num jantar de fim-do-ano que a tua Mãe organizou de surpresa para o teu Pai.
Foi um réveillon espectacular, pois aproveitaram o fogo de
vista gigantesco de uma galáxia que sabíamos iria passar próximo e nunca se
viram cores tão variegadas e tão bonitas.
Estavam de novo, como todos os anos nesta altura, a tua
parentela até aos quartos Avós de ambos os lados e todos muito bem
vestidos e apinocados.
Numa tenda que o 29 mandou montar no jardim da casa dos teus
Pais que estava estupendo de bem tratado, deixando, com umas micas, ver as árvores
com neve, que iluminadas pareciam umas grutas com estalagmites e estalactites.
Por dentro estava tudo aquecido convenientemente, pois somos todos friorentos.
Em mesas de 10, eram ainda muitas. Criados serviam bebidas e
tapas deliciosas e no terraço o Beni Goodman e a sua orquestra, entretinham os
convidados com jazz e músicas de swing.
O menu do jantar, era uma delícia e conto-te pois sei que és
um gourmet e gourmand:
Caviar Beluga aux perles de Vodka
Saint-Jacques de plongée marinée aux truffes noires, émulsion de choux
romanesco
Homard bleu façon Thermidor, girolles et cristalline d’estragon
Turbot de ligne à la truffe blanche d’Alba, fine raviole de potiron et épis
d’asperges
Diamant noir luté et Fine Champagne
Noisette de chevreuil Grand Veneur, tourtière de foie gras et fruits
d’hiver aux zestes d’agrumes
Chariot de Mont d’Or de Poligny
Croquant de lychee, Pitaya en écume au parfum d’hiver
Chocolat glacé à l’or fin, fondant de mandarine à l’Impérial
Vins & Champagnes
Champagne Grand Siècle par Laurent-Perrier
Chassagne Montrachet 1er
Cru «Les Caillerets » M. Colin
Vougeot « Le Clos blanc de Vougeot » Domaine de la Vougeraie
Pomerol Vieux Château Certan
Sauternes Château d’Yquem 1 er Cru
supérieur
Champagne Perrier Jouët Belle Epoque rosé
Grand Cru Armagnac 1898
No final, o teu Pai pronunciou o seguinte discurso que foi
muito aplaudido:
Querida Família,
Uma das
melhores formas de avaliar as pessoas e as coisas é esperar que com o passar do
tempo a sua importância se relativize e revele. Demasiado perto, tudo tende a
parecer absoluto e definitivo. Para compreender cada momento da vida, é preciso
que ele passe, e que se junte a outros até que chegue o momento certo de ver,
com toda a clareza, o que se passou.
O segredo do discernimento é afinal uma coisa tão simples quanto exigente e dolorosa: paciência.
Se só se compreende a vida quando olhamos para trás, a verdade é que, para a viver, o sentido é o oposto. Para diante. Assim, uma escolha determinante das nossas vidas passou por saber onde colocamos os nossos olhos e o nosso coração: se no passado em busca de compreensão e aceitação; ou, no futuro em busca de mais vida.
O nosso caminho passou por terras desconhecidas e mares longínquos. A nossa vida foi um acabar que nunca acaba. Como não há um fim definitivo, renascemos de forma constante em muitos lugares e tempos, e é sempre assim, por mais cansados e angustiados que estejamos... porque a nossa vida quer viver mais do que nós mesmos!
O vencedor sai muitas vezes derrotado. Uma das alturas em que o coração não deve fraquejar é quando está rodeado de inimigos. A solidão essencial de cada um de nós é tão profunda que assusta os que nunca se dão conta da imensidão do mundo dentro de si.
Nos tempos de abandono há que ter a coragem da esperança. Aquela certeza de que o nosso caminho passa por vales de trevas, frio e dor... mas a nossa missão não é nem ficar por ali, nem perder a nossa fé no amor. As nossas obras devem ser a resposta ao sofrimento, porque são as obras que confirmam a missão.
Fazer o que devo, estando inteiro no que faço!
Quem não quer mesmo vencer, não pode esperar vitórias.
Nos sucessos é bom lembrar os falhanços... tudo se torna mais claro. Os sucessos e o fracassos.
Eu sou também a minha herança. O ser daqueles que me amaram e que aceitei, e que aqui estão comigo a celebrar a passagem do ano.
Cada um de nós não é apenas uma folha, um ramo ou uma árvore... mas uma floresta, um mundo e um universo.
Como não querer dar tudo pela verdadeira felicidade? Buscar no passado o sentido da vida é como buscar nos sonhos razões de saudade.
O amor chama. Ao longe, alguém canta. Ao longe. Há que esperar. Lutar. Com fé. Aquela certeza de que não sou eu. Somos nós.
O segredo do discernimento é afinal uma coisa tão simples quanto exigente e dolorosa: paciência.
Se só se compreende a vida quando olhamos para trás, a verdade é que, para a viver, o sentido é o oposto. Para diante. Assim, uma escolha determinante das nossas vidas passou por saber onde colocamos os nossos olhos e o nosso coração: se no passado em busca de compreensão e aceitação; ou, no futuro em busca de mais vida.
O nosso caminho passou por terras desconhecidas e mares longínquos. A nossa vida foi um acabar que nunca acaba. Como não há um fim definitivo, renascemos de forma constante em muitos lugares e tempos, e é sempre assim, por mais cansados e angustiados que estejamos... porque a nossa vida quer viver mais do que nós mesmos!
O vencedor sai muitas vezes derrotado. Uma das alturas em que o coração não deve fraquejar é quando está rodeado de inimigos. A solidão essencial de cada um de nós é tão profunda que assusta os que nunca se dão conta da imensidão do mundo dentro de si.
Nos tempos de abandono há que ter a coragem da esperança. Aquela certeza de que o nosso caminho passa por vales de trevas, frio e dor... mas a nossa missão não é nem ficar por ali, nem perder a nossa fé no amor. As nossas obras devem ser a resposta ao sofrimento, porque são as obras que confirmam a missão.
Fazer o que devo, estando inteiro no que faço!
Quem não quer mesmo vencer, não pode esperar vitórias.
Nos sucessos é bom lembrar os falhanços... tudo se torna mais claro. Os sucessos e o fracassos.
Eu sou também a minha herança. O ser daqueles que me amaram e que aceitei, e que aqui estão comigo a celebrar a passagem do ano.
Cada um de nós não é apenas uma folha, um ramo ou uma árvore... mas uma floresta, um mundo e um universo.
Como não querer dar tudo pela verdadeira felicidade? Buscar no passado o sentido da vida é como buscar nos sonhos razões de saudade.
O amor chama. Ao longe, alguém canta. Ao longe. Há que esperar. Lutar. Com fé. Aquela certeza de que não sou eu. Somos nós.
Os teus Pais
sempre muito unidos, pediram-me para te passar estas palavras e que a Família
toda as saiba viver aí na Terra.
E por hoje é
tudo, Manuel. Um bom ano para ti e escreve-me e conta-me da tua vida.
Um afectuoso
abraço muito amigo do teu primo muito dedicado
Luís Bernardo
O PENINHA FOI A BELÉM À CONDECORAÇÃO DO COMENDADOR ACÁCIO CARAPETO
O PENINHA FOI A BELÉM À
CONDECORAÇÃO DO COMENDADOR ACÁCIO CARAPETO
Vestiu-se de fato completo azul-marinho,
camisa branca de colarinhos bicudos e escolheu uma gravata que o avô lhe
deixara do Clube Naval de Lisboa (achou que calhava por se situar em frente do
Palácio de Belém, assim como assim) e rebuscando numas caixas de cartão
antigas, encontrou uma condecoração da Mocidade Portuguesa, que pôs na
botoeira.
Perfumou-se, não fosse ter que ser apresentado à mulher do
Presidente, subiu da sub-cave obscura em que vivia em Massamá e sentiu-se bem à
luz do dia.
Apanhou o carro eléctrico que
parava mesmo em frente de Belém e ao sentar-se à frente virado para a porta,
lograva assim, toscar quem entrava. Adorava mostrar-se e ser visto.
A viagem decorreu sem incidentes e
tristemente ninguém olhou sequer para ele.
Lá chegado, anunciou ao guarda
emplumado de sentinela que vinha para assistir à investidura do Senhor Acácio Carapeto,
como Comendador. Sim, Comendador e inchava o peito e repetia bem alto para o
pobre do militar perceber que ele não era qualquer um!
Sem grandes palavras foi mandado
entrar pela porta de segurança.
Assim fez e tudo se processou
como requerido, e ei-lo, livre como um passarinho a trepar dois a dois os
degraus das escadas de pedra laterais até ao Páteo das Donas.
Seguiu mais uns convidados e entrou
no Palácio e dirigiu-se à sala de espera aonde se encontrava mais gente. Pensou
para si que era uma honra estar presente na cerimónia de investidura do seu
protector.
Passados uns instantes alguém do
Protocolo de Estado veio dizer-lhe com uma cara muito zangada:
- Olhe que não queremos cá
fascistas! Eu sou do protocolo e reconheço essa medalha como sendo da Mocidade
Portuguesa. O meu saudoso pai também pertencia, que Deus o tenha na sua santa guarda.
- Mas isto é da Mocidade? –
perguntou o Peninha que não percebia nada de condecorações nem de medalhas. Se
soubesse tinha lá um emblema da “Cuf Têxteis Lar” que compõe também a botoeira.
- Vá tire e rápido, não vá algum
Senhor Ministro do PS o ver e causar algum burburinho que possa incomodar o Senhor
Presidente – disse a funcionária que, entretanto, se dirigiu a outros dignitários que iam chegando.
Peninha não o tirou e foi-se
aproximando da porta que dava acesso à sala principal, aonde decorreria o acto
solene. Percebeu que outros agraciados seriam também condecorados.
Abiram-se as portas e à pergunta
de quem era familiar, avançou e declinou: - O Senhor Comendador Acácio Carapeto
é meu Protector!
Colocou-se junto ao cordão na
primeira-fila e ao avistar o amigo perfilado ao lado dos outros agraciados,
fez-lhe muitos adeusinhos com a mão, mas ele nem se dignava olhar.
Peninha reflectiu que devia ser
da praxe não se olhar para quem estava e ficar-se concentrado a esperar pelo
grandioso momento.
Quando o Presidente investiu o Comendador
ouviram-se palmas e o Peninha gritou: - Viva, viva quem é o meu Protector. Mas
fê-lo com tal convicção, elevando a voz, que captou a atenção do Presidente que
se aproximou, curioso.
Ao olhar para a lapela de
Peninha, o Presidente teve um súbito baque e desmaiou nos braços de dois assessores.
Nos jornais, veio publicado que
um fascista tinha sido detido por ter causado uma síncope ao Senhor Presidente
ao percecionar-lhe na lapela um emblema da Mocidade Portuguesa.
Diz a notícia que o Peninha tem
visitas diárias na prisão por muita gente saudosa dos tempos da Mocidade
Portuguesa, que lhe levam pão e laranjas, para além de arvorarem, orgulhosos,
fotografias do Doutor Salazar, pagelas, cintos com a letra S, e até camisas
verdes…
O Peninha, ufano, já acamaradou
com presos de delito comum e já faz planos para quando sair. No fundo não tem
pressa pois tem comida, cama e roupa lavada e está no alto do Parque Eduardo
VII. Prisão por prisão, a sua sub-cave em Massamá, era bem pior!
domingo, 3 de janeiro de 2016
O SOL BRILHARÁ PARA TODOS NÓS
O SOL BRILHARÁ PARA TODOS NÓS
Esta não deve ser uma frase apropriada em exclusivo pelo Partido Comunista no hino do AVANTE.
Em primeiro lugar porque o Sol não é de ninguém em especial, sempre.
Em segundo lugar porque pode ser de cada um de nós, quando precisamos de aquecer o nosso coração que anda por vezes frio, insensível ou até precisado dos raios solares.
Em terceiro lugar porque apesar da imagem exterior do PC estar a melhorar ( o Jerónimo é um avôzinho simpático e sorridente debaixo da pele de lobo, o Arménio usar umas gravatas bem escolhidas nuns colarinhos de estilo italiano) o resto da malta é feia, as mulheres com bigodes, gordas e os homens mal-cheirosos...claro que com honrosas excepções...ahahah
Lembro-me sempre de como tinham razão as brasileiras que desviavam os esposos necessitados de carinho das mulheres de Bragança, as quais para se diferenciarem e terem perdão em tribunal diziam de si próprias com um sotaque irresistível para qualquer Magistrado:
- não tem pêlinho, tem perna boa e bem feita, cheira bem...e outros epítetos que o Domingo da Epifania, me coíbe de expressar...
Esta não deve ser uma frase apropriada em exclusivo pelo Partido Comunista no hino do AVANTE.
Em primeiro lugar porque o Sol não é de ninguém em especial, sempre.
Em segundo lugar porque pode ser de cada um de nós, quando precisamos de aquecer o nosso coração que anda por vezes frio, insensível ou até precisado dos raios solares.
Em terceiro lugar porque apesar da imagem exterior do PC estar a melhorar ( o Jerónimo é um avôzinho simpático e sorridente debaixo da pele de lobo, o Arménio usar umas gravatas bem escolhidas nuns colarinhos de estilo italiano) o resto da malta é feia, as mulheres com bigodes, gordas e os homens mal-cheirosos...claro que com honrosas excepções...ahahah
Lembro-me sempre de como tinham razão as brasileiras que desviavam os esposos necessitados de carinho das mulheres de Bragança, as quais para se diferenciarem e terem perdão em tribunal diziam de si próprias com um sotaque irresistível para qualquer Magistrado:
- não tem pêlinho, tem perna boa e bem feita, cheira bem...e outros epítetos que o Domingo da Epifania, me coíbe de expressar...
sexta-feira, 1 de janeiro de 2016
O PENINHA E O REVEILHÃO
O PENINHA E O REVEILHÃO
Peninha tinha comprado um traje de gala na loja da Maconde, na Quinta das Conchas, para passar o reveilhão em casa do primo Gabriel, que morava perto do Senhor Roubado.
Tinha-lhe recomendado e escolhido a dita roupa, a Vanda vendedora, a quem andava a catrapiscar - uma boazona com peitos saídos que ressaltavam na farda da Maconde, sobretudo nos bicos aonde por casualidade calhavam as letras MA e CON – e que não era mais do que um casaco de bombazina amarelo torrado debruado com uma fita de nastro grossa de veludo castanho, assertoado com 3 botões; umas calças – aí o Peninha teve dúvidas – de smoking preto com a lista dos lados. Deveria pôr uma camisa de folhos branca, abrilhantada com um lacinho de veludo grená. Sapatos de verniz a imitar crocodilo, bicudos de matar baratas ao canto.
Lá se vestiu e olhou-se ao espelho: pareceu que tinha engolido uma vassoura de empertigado e vaidoso que estava. Saiu de casa com um ar pomposo e sentiu-se apoucado ao enfiar-se num velho Taunus de côr azul berrante, manhoso, meio-pôdre. Não dava a gota com a perdigota!
Tinha sido a correr que Gabriel lhe dissera que convidara para a passagem do ano uns amigos novos que tinha feito no clube de manilha na Amadora que frequentava, mas não tinha sequer falado de idades nem de dress code.
Lá chegado, viu à porta parados vários carros “tipo malander”, com dizeres “vai à discoteca da Canaveira e verás como encavas” e “ Tatoos no sítio certo, dão-te poder, meu”.
Porra, pensou, será que venho vestido ao estilo desta malta? Já era tarde para recuar.
Gabriel abriu-lhe a porta e estava de jeans e como uma tee-shirt que dizia “ bem vindo seja quem vier para a malandrice” e ao olhar para ele desatou a rir-se e a chamar os outros:
- Olha-me para este bimbo, ópás topem-me a cena do gajo! – e empurrava-o para dentro.
Foi como no Coliseu de Roma se terá sentido Spartacus quando enfrentou os leões.
Todos vanguardistas, de preto vestidos, com anilhas nas ventas, piercings nas orelhas e na língua, todos tatuados pelos braços e peito e um deles até tinha um rabo de cavalo.
Vozes grossas, risos chocarreiros, empurrões e insultos: foi em três tempos que o despiram deixando-o em cuecas. No sítio alfa do cuecame, tinha uma frase estampada, que dizia: “daqui sai fogo, môr!” Fora Vanda que lhe dera de presente e lhe dissera: “ Havemos de experimentar esse fogo, môr”!
Gabriel foi buscar ao quarto umas calças de pelica preta fina, uma tee-shirt com uma grande cabeça de leão que tinha por debaixo escrito: “ Sporting, sempre, és o meu amor” e umas pulseiras de cobre que lhe enfiaram num dos pulsos. Botifarras pretas com atacadores brilhantes e sola de borracha de Ceilão. Blusão de cabedal com botões de metal.
- Bóra malta que se faz tarde – disse Gabriel que o puxou para o seu carro. Eram, 11 da noite.
Peninha estonteado, perguntou-lhe:
- Primo, porra, o que é isto, pá? Para aonde vamos assim vestidos? Não me disseste nada!
- Pá, somos adoradores de cemitérios e vamos passar o reveilhão no cemitério do Senhor Roubado. Muita cena, vozes, bué de informação e pá, o Nelson, leva ganzas e vamos curtir uma trip bué da boa.
O Peninha nunca tinha tocado numa droga e ficou para morrer.
Expressão apropriada para o fim deste pequeno conto, pois morre-se nos cemitérios para aonde eles iam.
Peninha tinha comprado um traje de gala na loja da Maconde, na Quinta das Conchas, para passar o reveilhão em casa do primo Gabriel, que morava perto do Senhor Roubado.
Tinha-lhe recomendado e escolhido a dita roupa, a Vanda vendedora, a quem andava a catrapiscar - uma boazona com peitos saídos que ressaltavam na farda da Maconde, sobretudo nos bicos aonde por casualidade calhavam as letras MA e CON – e que não era mais do que um casaco de bombazina amarelo torrado debruado com uma fita de nastro grossa de veludo castanho, assertoado com 3 botões; umas calças – aí o Peninha teve dúvidas – de smoking preto com a lista dos lados. Deveria pôr uma camisa de folhos branca, abrilhantada com um lacinho de veludo grená. Sapatos de verniz a imitar crocodilo, bicudos de matar baratas ao canto.
Lá se vestiu e olhou-se ao espelho: pareceu que tinha engolido uma vassoura de empertigado e vaidoso que estava. Saiu de casa com um ar pomposo e sentiu-se apoucado ao enfiar-se num velho Taunus de côr azul berrante, manhoso, meio-pôdre. Não dava a gota com a perdigota!
Tinha sido a correr que Gabriel lhe dissera que convidara para a passagem do ano uns amigos novos que tinha feito no clube de manilha na Amadora que frequentava, mas não tinha sequer falado de idades nem de dress code.
Lá chegado, viu à porta parados vários carros “tipo malander”, com dizeres “vai à discoteca da Canaveira e verás como encavas” e “ Tatoos no sítio certo, dão-te poder, meu”.
Porra, pensou, será que venho vestido ao estilo desta malta? Já era tarde para recuar.
Gabriel abriu-lhe a porta e estava de jeans e como uma tee-shirt que dizia “ bem vindo seja quem vier para a malandrice” e ao olhar para ele desatou a rir-se e a chamar os outros:
- Olha-me para este bimbo, ópás topem-me a cena do gajo! – e empurrava-o para dentro.
Foi como no Coliseu de Roma se terá sentido Spartacus quando enfrentou os leões.
Todos vanguardistas, de preto vestidos, com anilhas nas ventas, piercings nas orelhas e na língua, todos tatuados pelos braços e peito e um deles até tinha um rabo de cavalo.
Vozes grossas, risos chocarreiros, empurrões e insultos: foi em três tempos que o despiram deixando-o em cuecas. No sítio alfa do cuecame, tinha uma frase estampada, que dizia: “daqui sai fogo, môr!” Fora Vanda que lhe dera de presente e lhe dissera: “ Havemos de experimentar esse fogo, môr”!
Gabriel foi buscar ao quarto umas calças de pelica preta fina, uma tee-shirt com uma grande cabeça de leão que tinha por debaixo escrito: “ Sporting, sempre, és o meu amor” e umas pulseiras de cobre que lhe enfiaram num dos pulsos. Botifarras pretas com atacadores brilhantes e sola de borracha de Ceilão. Blusão de cabedal com botões de metal.
- Bóra malta que se faz tarde – disse Gabriel que o puxou para o seu carro. Eram, 11 da noite.
Peninha estonteado, perguntou-lhe:
- Primo, porra, o que é isto, pá? Para aonde vamos assim vestidos? Não me disseste nada!
- Pá, somos adoradores de cemitérios e vamos passar o reveilhão no cemitério do Senhor Roubado. Muita cena, vozes, bué de informação e pá, o Nelson, leva ganzas e vamos curtir uma trip bué da boa.
O Peninha nunca tinha tocado numa droga e ficou para morrer.
Expressão apropriada para o fim deste pequeno conto, pois morre-se nos cemitérios para aonde eles iam.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2015
NOVAS INICIATIVAS NA MINHA ACTIVIDADE DE APOIO AOS RECLUSOS – 2016 ANO DE ARRANQUE
NOVAS INICIATIVAS NA MINHA ACTIVIDADE DE APOIO AOS RECLUSOS – 2016 ANO DE ARRANQUE
Volto hoje ao tema que me ocupou durante este ano: a assistência aos reclusos.
Quero implementar este ano de 2016 o meu projecto da criação de um “think tank” com fundos independentes do Estado e apoiado por fundos europeus.
Mas, gostaria antes, de chamar as coisas pelos nomes: muito pouco foi feito pelos interesses dos reclusos, durante este desvario incessante em que Portugal, o Governo e as Instituições políticas passaram o ano todo. Fora louváveis iniciativas de instituições particulares que sendo muito meritórias, são uma gota de água no oceano, falhou o interesse real em discutir as medidas de reinserção numa perspectiva de um Estado moderno que olha para os presos não como os eternos abandonados, mas aqueles a quem a sociedade deve atenção, apoio moral e material numa tentativa de os recuperar para uma vida futura digna e inseridos nas suas famílias e meio ambiente.
Eu sei que sou malvisto por defender quase, o indefensável.
A ideia que se tem cá fora das prisões é de que os reclusos são barbudos, insolentes, indisciplinados e que merecem tudo: má-comida, fria, duches gelados, muito tempo nas celas e outras condições de incomodidade e sofrimento acrescidas à própria pena de privação da liberdade.
Contactei os Grupos Parlamentares de todos os partidos, enviei-lhes memorandos da minha experiência como professor- voluntário de português para estrangeiros na prisão de Alta Segurança de Monsanto, visitei o Provedor de Justiça, e a minha batalha foi incansável para conseguir melhores condições.
Tive um infinito prazer em ter dado e sobretudo recebido dos reclusos, a amizade, reciprocidade e o reconhecimento de que os tratava como pessoas a quem, sem nenhum interesse pessoal, estava a tentar ajudar a melhorarem as suas situações morais, psicológicas e de tratamento mais justo. Ganhei em humildade, tolerância e não-julgamento dos comportamentos dos outros com ligeireza e sem fundamentação.
Esse foi, verdadeiramente o meu prémio, e a eles lhes estou muito grato.
Chegou a altura de agir e de não fazer depender a minha actuação nem as minhas iniciativas de qualquer instituição pública ou privada. Existem demasiadas barreiras e interesses mesquinhos, torpezas, estupidez, incompetência e até maldade.
Por isso esta Instituição que intentarei criar ao longo deste ano, será dotada de uma equipa de profissionais competentes, generosos, preparados para lidar com os outros e com uma potencial vocação para este sector. Será um conjunto de pessoas bem pagos de acordo com os resultados que deles se esperam e por forma a poderem ficar libertados de constrangimentos financeiros familiares e a esta causa se poderem dedicar.
Farei parcerias com Universidades portuguesas e estrangeiras e tentarei que as experiências bem-sucedidas em outros países possam por nós ser adoptadas.
Preciso de estabelecer boas, duradouras e cordiais relações com o Estado Português, através das Autoridades que regulam esta área de intervenção, mas desejo que sejam num estatuto de igualdade, ou seja, em conjunto podermos ser intérpretes de reformas e progressos a benefício dos reclusos e do sector prisional, como um todo.
De quem estou à procura:
1. De pessoas imbuídas do mesmo espírito e até sem muita formação mas com apetência, para pensarmos em conjunto quais as melhores e mais inovadoras soluções;
2. De empresas do sector privado e do tecido empresarial que em conjugação com o Estado e connosco, bem com com outras intuições similares, criem condições de empregabilidade no âmbito da reinserção;
3. De fundos privados de Fundações ou outras Instituições nacionais ou estrangeiras do sector ou com fins congéneres e ou benfeitores ou beneméritos que queiram em conjunto connosco, criar uma almofada de conforto para a pesquisa, formação e implementação de métodos de reinserção que modifiquem o panorama actual nacional.
São estes, assim, os meus votos para que 2016 me permita começar.
Assim Deus me ajude.
Volto hoje ao tema que me ocupou durante este ano: a assistência aos reclusos.
Quero implementar este ano de 2016 o meu projecto da criação de um “think tank” com fundos independentes do Estado e apoiado por fundos europeus.
Mas, gostaria antes, de chamar as coisas pelos nomes: muito pouco foi feito pelos interesses dos reclusos, durante este desvario incessante em que Portugal, o Governo e as Instituições políticas passaram o ano todo. Fora louváveis iniciativas de instituições particulares que sendo muito meritórias, são uma gota de água no oceano, falhou o interesse real em discutir as medidas de reinserção numa perspectiva de um Estado moderno que olha para os presos não como os eternos abandonados, mas aqueles a quem a sociedade deve atenção, apoio moral e material numa tentativa de os recuperar para uma vida futura digna e inseridos nas suas famílias e meio ambiente.
Eu sei que sou malvisto por defender quase, o indefensável.
A ideia que se tem cá fora das prisões é de que os reclusos são barbudos, insolentes, indisciplinados e que merecem tudo: má-comida, fria, duches gelados, muito tempo nas celas e outras condições de incomodidade e sofrimento acrescidas à própria pena de privação da liberdade.
Contactei os Grupos Parlamentares de todos os partidos, enviei-lhes memorandos da minha experiência como professor- voluntário de português para estrangeiros na prisão de Alta Segurança de Monsanto, visitei o Provedor de Justiça, e a minha batalha foi incansável para conseguir melhores condições.
Tive um infinito prazer em ter dado e sobretudo recebido dos reclusos, a amizade, reciprocidade e o reconhecimento de que os tratava como pessoas a quem, sem nenhum interesse pessoal, estava a tentar ajudar a melhorarem as suas situações morais, psicológicas e de tratamento mais justo. Ganhei em humildade, tolerância e não-julgamento dos comportamentos dos outros com ligeireza e sem fundamentação.
Esse foi, verdadeiramente o meu prémio, e a eles lhes estou muito grato.
Chegou a altura de agir e de não fazer depender a minha actuação nem as minhas iniciativas de qualquer instituição pública ou privada. Existem demasiadas barreiras e interesses mesquinhos, torpezas, estupidez, incompetência e até maldade.
Por isso esta Instituição que intentarei criar ao longo deste ano, será dotada de uma equipa de profissionais competentes, generosos, preparados para lidar com os outros e com uma potencial vocação para este sector. Será um conjunto de pessoas bem pagos de acordo com os resultados que deles se esperam e por forma a poderem ficar libertados de constrangimentos financeiros familiares e a esta causa se poderem dedicar.
Farei parcerias com Universidades portuguesas e estrangeiras e tentarei que as experiências bem-sucedidas em outros países possam por nós ser adoptadas.
Preciso de estabelecer boas, duradouras e cordiais relações com o Estado Português, através das Autoridades que regulam esta área de intervenção, mas desejo que sejam num estatuto de igualdade, ou seja, em conjunto podermos ser intérpretes de reformas e progressos a benefício dos reclusos e do sector prisional, como um todo.
De quem estou à procura:
1. De pessoas imbuídas do mesmo espírito e até sem muita formação mas com apetência, para pensarmos em conjunto quais as melhores e mais inovadoras soluções;
2. De empresas do sector privado e do tecido empresarial que em conjugação com o Estado e connosco, bem com com outras intuições similares, criem condições de empregabilidade no âmbito da reinserção;
3. De fundos privados de Fundações ou outras Instituições nacionais ou estrangeiras do sector ou com fins congéneres e ou benfeitores ou beneméritos que queiram em conjunto connosco, criar uma almofada de conforto para a pesquisa, formação e implementação de métodos de reinserção que modifiquem o panorama actual nacional.
São estes, assim, os meus votos para que 2016 me permita começar.
Assim Deus me ajude.
O Fonseca, coitado
Ontem à tarde, cruzando-me com dois desconhecidos no passeio, ouvi de raspão a conversa entre os dois: - Coitado, do Fonseca, lá foi, sabias? Diz o outro: - Andava adoentado, também apoquentado e a vida corria-lhe mal! E isto não é por acaso, o que acontece à maioria das pessoas? Fiquei a cogitar que uma frase deste género se dirá no dia em que eu morrer. E doeu cá dentro a sensação de desperdício de energias que gastamos numa vida: zangas, desencontros, lutas para sermos vencedores, invejas e maledicências que suscitamos, também gratidão, amor, amizade, sentimentos de solidão, de prazer e de sensualidade e tantas outras sensações de dor ou de alegria....para umas frases curtas e "redondas" sobre e quando da nossa partida. And is that all? Não sei quem era o Fonseca mas seguramente a indiferença com que será lembrado com o decorrer do tempo, há de ser mais ou menos igual à minha! Convencidos que somos imortais...cinza, pó e nada! Tenho uma vaga esperança que possa ainda vir a ser o primeiro a vos falar de como é depois, quer no facebook ou no meu blogue. Tenho que escrever ao meu primo Luis Bernardo, pois ando arredio e com o Natal, as festas no paraíso são de grande qualidade e cheias de novidades. Coitado do Fonseca, paz à sua alma! |
domingo, 27 de dezembro de 2015
Fotografia
Gosto muito de fotografia e adoro ir por aí à cata de temas invulgares, podendo ser pessoas, coisas, sítios, animais, ideias.
É um hobby que não cansa, é criativo, muito relaxante e pode ser feito a sós, sem precisão de companhia, quando se apeteça um certo silêncio.
Tenho umas máquinas fotográficas muito boas, uma Olympus comprada em Macau em 1980 com todos os apetrechos e uma Canon digital comprada nos USA, recentemente. Devo confessar que também tenho tirado excelentes fotografias quer com o iPhone quer com o Samsung.
Das coisas que mais prazer me dá é procurar ângulos estranhos, luzes diferentes, novas perspectivas.
Confesso que fico pasmado quando vejo o turista banal e vulgar tirar automáticamente centenas de fotografias a cada uma das paragens que o bus faz, para depois NUNCA mais voltar a olhar, coisa que se percebe se se tratar de um pombo feio e sujo em cima de um murete lateral de pedra do parque Eduardo VII?
Do you follow me?
Juntar amigos para um jantar e a seguir fechar as luzes da sala e obrigar os convidados a ver centenas de fotos detalhadas da viagem a Tumbuctu????
É demais, não achais?
Eu acho e fujo a sete pés destes programinhos...
É um hobby que não cansa, é criativo, muito relaxante e pode ser feito a sós, sem precisão de companhia, quando se apeteça um certo silêncio.
Tenho umas máquinas fotográficas muito boas, uma Olympus comprada em Macau em 1980 com todos os apetrechos e uma Canon digital comprada nos USA, recentemente. Devo confessar que também tenho tirado excelentes fotografias quer com o iPhone quer com o Samsung.
Das coisas que mais prazer me dá é procurar ângulos estranhos, luzes diferentes, novas perspectivas.
Confesso que fico pasmado quando vejo o turista banal e vulgar tirar automáticamente centenas de fotografias a cada uma das paragens que o bus faz, para depois NUNCA mais voltar a olhar, coisa que se percebe se se tratar de um pombo feio e sujo em cima de um murete lateral de pedra do parque Eduardo VII?
Do you follow me?
Juntar amigos para um jantar e a seguir fechar as luzes da sala e obrigar os convidados a ver centenas de fotos detalhadas da viagem a Tumbuctu????
É demais, não achais?
Eu acho e fujo a sete pés destes programinhos...
Saldos
Estou a ouvir no canal Mezzo, para variar da turbulência natalícia, um
magnífico concerto com peças de Bizet e Tchaikowisky. Lindo.
Fixo uma ou duas das violinistas, observo ao pormenor o traje, a cara, o desempenho e voo dali para fora e pergunto-me o que as terá feito escolher esta vida que tanta dedicação pressupõe?
Decidiram em novas irem para um Conservatório? Por serem feias e não terem namorados? Irem a festas e não terem sucesso? Mais tarde e já em outras idades, será que são casadas, têm filhos, têm companheiros ou companheiras? Conhecerão homem ou mulher? Saberão dar a mão a um pôr-do-sol ou amanhecer? Tudo isto me causa curiosidade na minha senda habitual de "human's-watcher"!
Enfim, locubrações de 26 de Dezembro, o chamado "Boxing day"!
A propósito vi na televisão milhares de criaturas desde a madrugada, em muitas capitais consumistas por esse mundo e cá também, à coca de um soutien, calcinhas, cuecame, ou doutra imbecil peça de roupa, no meio de empurrões e gritos, para pouparem uns duros..
Pobre gente! Mas ele hade-os.....ahah.....de famílias do nosso melhor high-life!
Fixo uma ou duas das violinistas, observo ao pormenor o traje, a cara, o desempenho e voo dali para fora e pergunto-me o que as terá feito escolher esta vida que tanta dedicação pressupõe?
Decidiram em novas irem para um Conservatório? Por serem feias e não terem namorados? Irem a festas e não terem sucesso? Mais tarde e já em outras idades, será que são casadas, têm filhos, têm companheiros ou companheiras? Conhecerão homem ou mulher? Saberão dar a mão a um pôr-do-sol ou amanhecer? Tudo isto me causa curiosidade na minha senda habitual de "human's-watcher"!
Enfim, locubrações de 26 de Dezembro, o chamado "Boxing day"!
A propósito vi na televisão milhares de criaturas desde a madrugada, em muitas capitais consumistas por esse mundo e cá também, à coca de um soutien, calcinhas, cuecame, ou doutra imbecil peça de roupa, no meio de empurrões e gritos, para pouparem uns duros..
Pobre gente! Mas ele hade-os.....ahah.....de famílias do nosso melhor high-life!
Allure
Sempre me perguntei porquê a pinderiquice de se andar na rua com garrafas de água de plástico e a beber sem parar????
Ainda se fossem de prata com as armas gravadas e dentro com um bom scotch ou outro cordial?
Para já, a água sai chilra, quente, um desastre...depois nunca li que ajudasse a fazer passar os efeitos do após-almoço em pé aonde no fim se toma uma mosca, uma amarguinha ou uma grappa em sendo-se mais fino e passeando em Itália.
A água serve para nos lavarmos e sem muita frequência, pois gasta a pele. Só em dias de festa tais como o Natal, em algum dia da vitória do Benfica para limparmos as impurezas e sim, quando alguma vez tivermos a visita de algum político nefando para afastarmos o mau-cheiro.
É ridículo e inestético e isso eu não perdoo. Tudo menos isso!
I say.
Ainda se fossem de prata com as armas gravadas e dentro com um bom scotch ou outro cordial?
Para já, a água sai chilra, quente, um desastre...depois nunca li que ajudasse a fazer passar os efeitos do após-almoço em pé aonde no fim se toma uma mosca, uma amarguinha ou uma grappa em sendo-se mais fino e passeando em Itália.
A água serve para nos lavarmos e sem muita frequência, pois gasta a pele. Só em dias de festa tais como o Natal, em algum dia da vitória do Benfica para limparmos as impurezas e sim, quando alguma vez tivermos a visita de algum político nefando para afastarmos o mau-cheiro.
É ridículo e inestético e isso eu não perdoo. Tudo menos isso!
I say.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2015
O ALMOÇO DE CABRITO NO MEU CLUBE
O ALMOÇO DE CABRITO NO MEU CLUBE
Hoje havia cabrito ao almoço no meu Clube, oferecido por um sócio.
Nunca vou nestas festas natalícias ou outras do género, de carro para o Chiado e assim apanhei o metro cuja linha, a azul, dá acesso à Rua Garrett através de umas longas escadas rolantes de quatro patamares.
Já tenho aqui refilado pela inércia do Metro ou seja de quem for responsável, por deixar invariavelmente, em épocas festivas e ou de grande afluência, vários lanços sem funcionar.
Esta manhã, para quem descia, havia umas quantas em reparação. Ora vindo eu no sentido contrário, ou seja a subir, pus-me do lado direito para deixar passar quem assim quisesse.
Um rapaz dos seus 23 a 24 anos, vinha, qual borboleta, salteando pelos degraus acima, como se as escadas não fossem rolantes! Fiquei mesmo cheio de inveja, pois ainda que me sinta capaz de o fazer em caso de emergência, tipo ter a ameaça de uma bomba, ou de algum terrorista perseguindo-me para me matar, tenho a convicção de que chegaria ao cume e cairia, com dignidade, esfalecido de tanto cansaço, entregando-me, por isso, às mãos de tão ferozes algozes!
Lá saí no luminoso Largo do poeta Chiado, que cheio, regurgitava de músicos ambulantes e dançarinos, de estrangeiros divertidos pela animação, encantados pelo movimento.
Encontrei dois parentes a engraxarem os sapatos, encostados às paredes do antigo Ramiro Leão, que iam almoçar para o outro Clube em frente do meu.
Conversa amena, sobre tudo menos de política e continuei, depois das boas-festas dadas, em direcção à Bertrand, aonde tentaria comprar dois livros que me interessam e que me presenteio em época natalícia.
Muita gente dentro a folhear e ler livros, e apesar de ir com tempo, deixei para a tarde quando saísse do Clube.
Quando lá voltei, fiquei a saber que estavam esgotados e ainda tentando na FNAC, tive a mesma sorte.
Eram para aí umas 19h e já com o Chiado todo iluminado, o movimento parecia imparável: gente a entrar e sair das lojas, mil idiomas falados, gargalhadas, música tocada por amadores nos passeios, um fim de tarde próprio da época.
Ao descer para a Rua do Ouro ainda passei na Livraria Férin, aonde o dono, o meu amigo João Paulo tem sempre últimas novidades sobre livros que estão para sair ou de recentes edições. Também não tinha e segui. Dirigi-me então ao Rossio para apanhar o metro de retorno a casa, nos Restauradores. Também muita gente e então no Rossio nem se fala.
Vinha calmamente a observar as gentes, a escrutinar as caras, as conversas, as emoções que deixavam transparecer…frases soltas, e pensei como somos ainda sortudos aqui em Portugal de não termos o sofrimento de povos martirizados pelo ódio, pela guerra e pelas bombas, pelo terrorismo.
À despedida no Clube, um amigo perspicaz, diz-me : - que o Costa se mantenha e que continue pelo mandato até ao fim. São todos iguais, e sabes, eu não vivo disto por isso, não me importo nada nem dramatizo.
Hoje havia cabrito ao almoço no meu Clube, oferecido por um sócio.
Nunca vou nestas festas natalícias ou outras do género, de carro para o Chiado e assim apanhei o metro cuja linha, a azul, dá acesso à Rua Garrett através de umas longas escadas rolantes de quatro patamares.
Já tenho aqui refilado pela inércia do Metro ou seja de quem for responsável, por deixar invariavelmente, em épocas festivas e ou de grande afluência, vários lanços sem funcionar.
Esta manhã, para quem descia, havia umas quantas em reparação. Ora vindo eu no sentido contrário, ou seja a subir, pus-me do lado direito para deixar passar quem assim quisesse.
Um rapaz dos seus 23 a 24 anos, vinha, qual borboleta, salteando pelos degraus acima, como se as escadas não fossem rolantes! Fiquei mesmo cheio de inveja, pois ainda que me sinta capaz de o fazer em caso de emergência, tipo ter a ameaça de uma bomba, ou de algum terrorista perseguindo-me para me matar, tenho a convicção de que chegaria ao cume e cairia, com dignidade, esfalecido de tanto cansaço, entregando-me, por isso, às mãos de tão ferozes algozes!
Lá saí no luminoso Largo do poeta Chiado, que cheio, regurgitava de músicos ambulantes e dançarinos, de estrangeiros divertidos pela animação, encantados pelo movimento.
Encontrei dois parentes a engraxarem os sapatos, encostados às paredes do antigo Ramiro Leão, que iam almoçar para o outro Clube em frente do meu.
Conversa amena, sobre tudo menos de política e continuei, depois das boas-festas dadas, em direcção à Bertrand, aonde tentaria comprar dois livros que me interessam e que me presenteio em época natalícia.
Muita gente dentro a folhear e ler livros, e apesar de ir com tempo, deixei para a tarde quando saísse do Clube.
Quando lá voltei, fiquei a saber que estavam esgotados e ainda tentando na FNAC, tive a mesma sorte.
Eram para aí umas 19h e já com o Chiado todo iluminado, o movimento parecia imparável: gente a entrar e sair das lojas, mil idiomas falados, gargalhadas, música tocada por amadores nos passeios, um fim de tarde próprio da época.
Ao descer para a Rua do Ouro ainda passei na Livraria Férin, aonde o dono, o meu amigo João Paulo tem sempre últimas novidades sobre livros que estão para sair ou de recentes edições. Também não tinha e segui. Dirigi-me então ao Rossio para apanhar o metro de retorno a casa, nos Restauradores. Também muita gente e então no Rossio nem se fala.
Vinha calmamente a observar as gentes, a escrutinar as caras, as conversas, as emoções que deixavam transparecer…frases soltas, e pensei como somos ainda sortudos aqui em Portugal de não termos o sofrimento de povos martirizados pelo ódio, pela guerra e pelas bombas, pelo terrorismo.
À despedida no Clube, um amigo perspicaz, diz-me : - que o Costa se mantenha e que continue pelo mandato até ao fim. São todos iguais, e sabes, eu não vivo disto por isso, não me importo nada nem dramatizo.
domingo, 20 de dezembro de 2015
sábado, 19 de dezembro de 2015
O último abraço que me dás - por António Lobo Antunes - Muito bom
O último abraço que me dásAli, na sala de quimioterapia, jamais escutei um gemido, jamais vi uma lágrima. Somente feições sérias, de uma seriedade que não topei em mais parte alguma, rostos com o mundo inteiro em cada prega, traços esculpidos a fogo na peleO lugar onde, até hoje, senti mais orgulho em ser pessoa foi o Serviço de Oncologia do Hospital de Santa Maria, onde a elegância dos doentes os transforma em reis. Numa das últimas vezes que lá fui encontrei um homem que conheço há muitos anos. Estava tão magro que demorei a perceber quem era. Disse-me - Abrace-me porque é o último abraço que me dá durante o abraço - Tenho muita pena de não acabar a tese de doutoramento e, ao afastarmo-nos, sorriu. Nunca vi um sorriso com tanta dor entre parêntesis, nunca imaginei que fosse tão bonito. Com o meu corpo contra o dele veio-me à cabeça, instantâneo, o fragmento de um poema do meu amigo Alexandre O'Neill, que diz que apenas entre os homens, e por eles, vale a pena viver. E descobri-me cheio de respeito e amor. Um rapaz, de cerca de vinte anos, que fazia quimioterapia ao pé de mim, numa determinação tranquila: - Estou aqui para lutar e, por estranho que pareça, havia alegria em cada gesto seu. Achei nele o medo também, mais do que o medo, o terror e, ao mesmo tempo que o terror, a coragem e a esperança. A extraordinária delicadeza e atenção dos médicos, dos enfermeiros, comoveu-me. Tropecei no desespero, no malestar físico, na presença da morte, na surpresa da dor, na horrível solidão da proximidade do fim, que se me afigura de uma injustiça intolerável. Não fomos feitos para isto, fomos feitos para a vida. O cabelo cresce-me de novo, acho-me, fisicamente, como antes, estou a acabar o livro e o meu pensamento desvia-se constantemente para a voz de um homem no meu ouvido - Acabar a tese de doutoramento, acabar a tese de doutoramento, acabar a tese de doutoramento porque não aceito a aceitação, porque não aceito a crueldade, porque não aceito que destruam companheiros. A rapariga com a peruca no braço da cadeira. O senhor que não olhava para ninguém, olhava para o vazio. Ali, na sala de quimioterapia, jamais escutei um gemido, jamais vi uma lágrima. Somente feições sérias, de uma seriedade que não topei em mais parte alguma, rostos com o mundo inteiro em cada prega, traços esculpidos a fogo na pele. Vi morrer gente quando era médico, vi morrer gente na guerra, e continuo sem compreender. Isso eu sei que não compreenderei. Que me espanta. Que me faz zangar. Abrace-me porque é o último abraço que me dá: é uma frase que se entenda, esta? Morreu há muito pouco tempo. Foda-se. Perdoem esta palavra mas é a única que me sai. Foda-se. Quando eu era pequeno ninguém morria. Porque carga de água se morre agora, pelo simples facto de eu ter crescido? Morra um homem fique fama, declaravam os contrabandistas da raia. Se tivermos sorte alguém se lembrará de nós com saudade. De mim ficarão os livros. E depois? Tolstoi, no seu diário: sou o melhor; e depois? E depois nada porque a fama é nada. O que é muito mais do que nada são estas criaturas feridas, a recordação profundamente lancinante de uma peruca de mulher num braço de cadeira. Se eu estivesse ali sozinho, sem ninguém a ver-me, acariciava uma daquelas madeixas horas sem fim. No termo das sessões de quimioterapia as pessoas vão-se embora. Ao desaparecerem na porta penso: o que farão agora? E apetece-me ir com eles, impedir que lhes façam mal: - Abrace-me porque talvez não seja o último abraço que me dá. Ao M. foi. E pode afigurar-se estranho mas ainda o trago na pele. Durante quanto tempo vou ficar com ele tatuado? O lugar onde, até hoje, senti mais orgulho em ser pessoa foi o Serviço de Oncologia do Hospital de Santa Maria onde a dignidade dos escravos da doença os transforma em gigantes, onde só existem, nas palavras do Luís, Heróis. Onde só existem Heróis. Não estou doente agora. Não sei se voltarei a estar. Se voltar a estar, embora não chegue aos calcanhares de herói algum, espero comportar-me como um homem. Oxalá o consiga. Como escreveu Torga o destino destina mas o resto é comigo. E é. Muito boa tarde a todos e as melhoras: é assim que se despedem no Serviço de Oncologia. Muito boa tarde a todos e até já, mesmo que seja o último abraço que damos. |
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