O PENINHA E O UBER
O Peninha detestava pessoas que tivessem pelos nas orelhas, pretos e
hirsutos a sair como jorros de água dos faunos das fontes do Rossio.
Recomendava sempre que no barbeiro, baixando a voz, não fosse ser
ouvido pelos vizinhos de cadeira, se dissesse: - olhe, Aníbal, quando
puder e discretamente, com uma pinça arranque-os um a um, que no fim
dou-lhe uma generosa gorgeta!
Todas as vezes que ia cortar o cabelo e fazia-o a cada mês, aparecia
pelo meio-dia, um cavalheiro já meio-careca, com uma testa e alto do
cocuruto completamente lisos, que em frente a um espelho de uma cadeira
livre, tirava do bolso um capachinho e besuntando-o com cola, aplicava-o
na cabeça, ajeitando-o.
Fazia-o com a naturalidade de quem
repete isto a cada dia, não se importando dos olhares dos circunstantes,
entre divertidos e enojados.
O Peninha não resistiu e um dia
perguntou ao Alex, o dono da barbearia : - Oiça lá, o gajo acha que não
se topa a léguas que é tudo falso?
Resposta do Alex: - é por
causa das miúdas. À noite vai para os "cabarétes" e elas enganam-no com
palavras bonitas e o sr. Poupinho vai no engodo e tem torrado tudo com
as gajas. Eu até já lhe disse que temos aqui clientes distintos e de
sucesso com carecas bem piores do que a dele. Mas nada, a vaidade cega.
O Peninha frequenta uma casa de alterne muito conhecida no meio, mas
muito discreta. Entra-se para um parque de automóveis que diz: “Loja
gourmet – Aberta 24h. Arrumador privativo”. O Gonçalves, arrastando o pé
bôto, vai indicando aonde arrumar e já conhece os clientes de ginjeira.
Esta locanda tem uma particularidade: os clientes têm números.
Registam-se como tal a primeira vez e depois ficam para sempre.
Como a clientela é internacional, por causa dos chineses e dos
angolanos há números que ou dão má sorte ou são óbvios de mais para um
supermercado que se preze visto do exterior, segundo afiança o Peninha.
Os números proscritos são o 13, o 69 e o 7 por causa do Cristiano, nada
de apelidos.
Ora o que mais agrada ao Peninha é a música e a
dança. O Héldrio, o proprietário, de brincadeira assim chamado, pois o
nome verdadeiro é Ismael, teve a brilhante ideia de gizar um sistema
lucrativo para a casa: as meninas que são convidadas para dançar, têm um
taxímetro à cintura, numa zona de ninguém, não importunando o trabalho
de mãos, e que tem dois objectivos: o número do cliente e o tempo de
dança.
Ou seja, o Peninha que adora bailar com a Eline, uma
diva da Estónia, as músicas do Julito, todo atracassado a ela, mãos no
traseiro redondinho e ela com a cara encostadinha e com a boca colada
aos ouvidos dele sussurrando palavras de amor, fixa um tempo, vá…uns 10m
que equivalem a um Martini para ela e para ele um Brandy Constantino.
Ao fim dos 10m, ouve-se um alarme discreto no taxímetro indicando o fim
da corrida e ela de repente fica estática, hirta e firme: ou continua
com mais um prazo ou com dignidade vai à procura de outro cliente.
Todos se divertem e agora com a UBER, o Héldrio até já arranjou uma
aplicação para os telemóveis em que dispensa, para os que querem, o uso
do taxímetro. É o próprio cliente que programa e é debitado na sua conta
corrente na casa.
Claro está que para os mais tradicionais ainda faz todo o sentido o velho taxímetro.
In " prosas de fim de Estio" de Vicente Mais ou Menos de Souza
sexta-feira, 18 de setembro de 2015
quinta-feira, 17 de setembro de 2015
segunda-feira, 14 de setembro de 2015
o boca de pato e o Peninha
O Peninha veio-me com lamúrias de que tinha saudades do pai, que estava cinzento o dia e que ele quando chegava a casa ouvia o vizinho com a Cavalaria Rusticana aos berros e ainda por cima tentando acompanhar a música, sem acertar uma só vez com o Caruso, mas que se recordava do pai a dizer-lhe:
- Peninha, isto é que é voz!
Uma vez tentou perguntar: - Quem a do Caruso?
– Não, filho, a do sr. Azevedo, ele tocou ferrinhos na orquestra da Junta e afinou a voz.
Que tinha ido à casa dos pneus e se tinha lembrado, de repente, daquela viagem que tinha feito em pequeno, no carro do pai, um boca de sapo, que súbitamente nas curvas da estrada da Beira, desatou a ir para cima e para baixo, coisas de hidráulica!
Claro está que rebentaram não um, mas os quatro pneus, à noite junto da
ponte para Penacova. Lá foram a pé todos, o pai dele a única coisa que
dizia era: - Deus queira que a taberna esteja aberta..tenho cá uma fome
das bifanas, dos pastéis de bacalhau e do copo de três…
A mãe dele, dizia aflita…- mas ó filho e os pneus, a esta hora aonde encontraremos algum mecânico aberto e uma loja para comprar, ainda por cima, logo os quatros pneus? Lá se vão as poupanças nas arrecadas em ouro que herdei da minha madrinha!
Acabaram por ficar 8 dias em Penacova na pensão Gonçalves, cujo dono, o Leonel, de alcunha o Gonçalves (nunca ninguém soube a razão deste apelido) tinha andado na tropa com o pai do Peninha. A verdade é que ambos tinham sido dispensados do serviço militar por total inutilidade para a Nação, mas foram camaradas no quartel em Abrantes.
Grandes pândegas todos os 8 dias, almoços até tarde bem regados e copiosos e ao jantar novas pançadas e muito vinho, do tinto, da região.
A mãe e o Peninha passaram os dias a visitar oragos, capelas e sítios de devoção acompanhados pela dª.Ondina, que era a esposa do Leonel, dito o Gonçalves.
Mulher de muita piedade, tinha como único consolo dedicar-se à oração.
Perguntei ao Peninha: - ouve lá, o que é que esta viagem tem assim de tão extraordinário para te fazer lembrar o teu pai?
- Os pneus, dizia sem parar, os pneus…e até hoje….
In " Prosas várias" de Vicente Mais ou Menos de Souza
A mãe dele, dizia aflita…- mas ó filho e os pneus, a esta hora aonde encontraremos algum mecânico aberto e uma loja para comprar, ainda por cima, logo os quatros pneus? Lá se vão as poupanças nas arrecadas em ouro que herdei da minha madrinha!
Acabaram por ficar 8 dias em Penacova na pensão Gonçalves, cujo dono, o Leonel, de alcunha o Gonçalves (nunca ninguém soube a razão deste apelido) tinha andado na tropa com o pai do Peninha. A verdade é que ambos tinham sido dispensados do serviço militar por total inutilidade para a Nação, mas foram camaradas no quartel em Abrantes.
Grandes pândegas todos os 8 dias, almoços até tarde bem regados e copiosos e ao jantar novas pançadas e muito vinho, do tinto, da região.
A mãe e o Peninha passaram os dias a visitar oragos, capelas e sítios de devoção acompanhados pela dª.Ondina, que era a esposa do Leonel, dito o Gonçalves.
Mulher de muita piedade, tinha como único consolo dedicar-se à oração.
Perguntei ao Peninha: - ouve lá, o que é que esta viagem tem assim de tão extraordinário para te fazer lembrar o teu pai?
- Os pneus, dizia sem parar, os pneus…e até hoje….
In " Prosas várias" de Vicente Mais ou Menos de Souza
domingo, 13 de setembro de 2015
SÓCRATES E O FUTURO
Fui já há uns meses, na minha qualidade de voluntário da Cruz
Vermelha para o sector prisional, convidado pela minha colega local para
dar uma sessão de trabalho no Estabelecimento prisional de Évora. O
eng.Sócrates, nesse dia não compareceu e creio que por razões próprias,
pois tinha sido publicado nessa manhã nos jornais, mais uma das suas
“complicações”.
Conheci-o em várias visitas de Estado para que fui convidado, como empresário, e guardei dele a memória de uma pessoa simpática, activo, e eficaz na promoção das empresas portuguesas que acompanhava.
Nessas viagens, não sendo eu seu íntimo nem do seu partido, constatei ser uma pena que os líderes, Chefes-de-Estado incluídos, não tenham um contacto mais desinibido com todos, revelando mais o homem do que o político. Bem sei que são muitos participantes e agendas intensas.
Vem tudo isto a propósito de ter vindo a ler uma série de comentários, artigos, reportagens, fotografias aéreas e terrestres…sobre a casa, as pizzas, os convidados e a vida pessoal do eng. Sócrates, na fase pós-Évora.
A minha experiência com reclusos que vale o que vale, apesar de serem de alta segurança e estrangeiros, leva-me a reflectir sobre o que eu sugeriria que o eng. Sócrates deveria fazer para se dignificar a ele próprio, não só porque tem família, foi Primeiro-Ministro do meu País e eu tenho orgulho de ser Português, como também para preparar o seu futuro.
Algumas dicas:
1. Ter a serenidade e categoria para falar menos, pensar no que diz e no que pode ou não causar como efeitos;
2. Ser natural, isto é, igual a qualquer outro português que ao tocarem à porta para entregar uma pizza que pediu, abre-a sem mistérios, paga ao "menino" que a leva, sorri para os fotógrafos e torna a fechar a porta…e já agora dando uma lição de normalidade à imprensa ranhosa de que este é um “non-issue” ou seja ninguém está interessado na pizza do engº Sócrates, que tem direito a comer como qualquer cidadão;
3. Depois, tentar exteriorizar sem raiva, ódio ou extremismos o que aprendeu durante o tempo de reclusão e solidão. Há tanto para transmitir e até dar exemplo. Só ganharia em reconhecimento por parte dos portugueses, de como aprendeu a ter mais humildade, a analisar-se e a ganhar eventualmente a simpatia de quem já o condenou na praça pública;
4. Se eu fosse Juiz do seu eventual processo, já teria à partida uma irritação imensa pela sua arrogância, temeridade em afrontar a Justiça, falta de maneiras como cidadão desrespeitando as regras aplicáveis para todos os outros reclusos, atacando irreflectidamente tudo e todos, prejudicando o seu partido e os socialistas e por último dando um péssimo exemplo internacionalmente, como foi tantas vezes referido, inclusivamente por jornais de esquerda;
5. Os reclusos que eu ensino, são todos pessoas inteligentes e com perfis diferentes do engº Sócrates, ainda que cada um é cada um, e a importância dos seus casos é impossível de comparar. Uma coisa é certa porém, nem eles próprios lhe têm respeito e criticam-no pelo seu desbragado ego, espalhafato e incumprimento das leis penais;
6. A falta de bom senso de Mário Soares e de outros destacados líderes socialistas em visitá-lo acintosamente, mais uma vez dando cobertura ao espectáculo mediático de que tanto gosta, vai causar-lhe de certeza um grande amargo de boca quando se apurarem os actos ilícitos que eventualmente tenha praticado. É como se quisessem pré-ilibá-lo de culpas, quando se sabe que só ele, engº Sócrates conhece o que fez.
7. Finalmente, se tivesse crescido interiormente e se dispusesse, quando falasse ou escrevesse, a espelhar uma outra imagem de arrependido e de capaz de recomeçar uma nova vida, só revelaria como vale a pena acreditar que muitas vezes a expiação, com sofrimento e solidão, é a única maneira de reabilitação.
Conheci-o em várias visitas de Estado para que fui convidado, como empresário, e guardei dele a memória de uma pessoa simpática, activo, e eficaz na promoção das empresas portuguesas que acompanhava.
Nessas viagens, não sendo eu seu íntimo nem do seu partido, constatei ser uma pena que os líderes, Chefes-de-Estado incluídos, não tenham um contacto mais desinibido com todos, revelando mais o homem do que o político. Bem sei que são muitos participantes e agendas intensas.
Vem tudo isto a propósito de ter vindo a ler uma série de comentários, artigos, reportagens, fotografias aéreas e terrestres…sobre a casa, as pizzas, os convidados e a vida pessoal do eng. Sócrates, na fase pós-Évora.
A minha experiência com reclusos que vale o que vale, apesar de serem de alta segurança e estrangeiros, leva-me a reflectir sobre o que eu sugeriria que o eng. Sócrates deveria fazer para se dignificar a ele próprio, não só porque tem família, foi Primeiro-Ministro do meu País e eu tenho orgulho de ser Português, como também para preparar o seu futuro.
Algumas dicas:
1. Ter a serenidade e categoria para falar menos, pensar no que diz e no que pode ou não causar como efeitos;
2. Ser natural, isto é, igual a qualquer outro português que ao tocarem à porta para entregar uma pizza que pediu, abre-a sem mistérios, paga ao "menino" que a leva, sorri para os fotógrafos e torna a fechar a porta…e já agora dando uma lição de normalidade à imprensa ranhosa de que este é um “non-issue” ou seja ninguém está interessado na pizza do engº Sócrates, que tem direito a comer como qualquer cidadão;
3. Depois, tentar exteriorizar sem raiva, ódio ou extremismos o que aprendeu durante o tempo de reclusão e solidão. Há tanto para transmitir e até dar exemplo. Só ganharia em reconhecimento por parte dos portugueses, de como aprendeu a ter mais humildade, a analisar-se e a ganhar eventualmente a simpatia de quem já o condenou na praça pública;
4. Se eu fosse Juiz do seu eventual processo, já teria à partida uma irritação imensa pela sua arrogância, temeridade em afrontar a Justiça, falta de maneiras como cidadão desrespeitando as regras aplicáveis para todos os outros reclusos, atacando irreflectidamente tudo e todos, prejudicando o seu partido e os socialistas e por último dando um péssimo exemplo internacionalmente, como foi tantas vezes referido, inclusivamente por jornais de esquerda;
5. Os reclusos que eu ensino, são todos pessoas inteligentes e com perfis diferentes do engº Sócrates, ainda que cada um é cada um, e a importância dos seus casos é impossível de comparar. Uma coisa é certa porém, nem eles próprios lhe têm respeito e criticam-no pelo seu desbragado ego, espalhafato e incumprimento das leis penais;
6. A falta de bom senso de Mário Soares e de outros destacados líderes socialistas em visitá-lo acintosamente, mais uma vez dando cobertura ao espectáculo mediático de que tanto gosta, vai causar-lhe de certeza um grande amargo de boca quando se apurarem os actos ilícitos que eventualmente tenha praticado. É como se quisessem pré-ilibá-lo de culpas, quando se sabe que só ele, engº Sócrates conhece o que fez.
7. Finalmente, se tivesse crescido interiormente e se dispusesse, quando falasse ou escrevesse, a espelhar uma outra imagem de arrependido e de capaz de recomeçar uma nova vida, só revelaria como vale a pena acreditar que muitas vezes a expiação, com sofrimento e solidão, é a única maneira de reabilitação.
sábado, 12 de setembro de 2015
MORREU UM DOS MEUS RECLUSOS ESTRANGEIROS da cadeia de Alta Segurança
Um dos meus reclusos morreu enquanto decorria o Verão e eu não dava aulas. Era o mais velho, e saía agora em Setembro. Estava muito contente com a perspectiva de voltar à liberdade e poder passar os restos da vida com a família.
Resolvi ouvir o Requiem em D menor de Mozart, em homenagem ao General sérvio, enquanto escrevo este seu obituário.
Para além do ensino do Português que absorvia com alguma dificuldade mas com muita atenção e interesse, era estudioso e tinha uma gramática feita por ele para compreender os tempos dos verbos e o género que na sua língua, era diferente do nosso.
Tivémos inúmeras conversas ao longo de quase um ano de convivência. Uma prisão de alta segurança não é fácil para ninguém e para ele já com 74 anos, tornara-se insuportável, e só ansiava pela liberdade.
Inteligente, muito bem educado, correcto no tratamento com os outros reclusos, pediu-me ajuda para os novos planos que tinha em mente a partir de Setembro, quando regressasse ao seu país: a produção de caviar a partir de uma nova tecnologia, mediante a criação de caracóis.
Levei-lhe uns livros e fotocópias em inglês para se começar a inteirar. Queria ocupar o seu tempo, trabalhando no campo e ganhando algum dinheiro.
Condenação: por ter estado no lugar errado, no momento errado. Tenho a certeza que ao obedecer ao seu superior, fê-lo por disciplina militar e não por ser criminoso. No entanto como referi atrás as consequências da sua desejável não-obediência ter-lhe-iam evitado a prisão.
Não tenho mais palavras para definir o sentimento de piedade que sinto por ele e que espelha bem a miséria humana na sua expressão mais dolorosa: na sua cela sozinho, mais de 90% do tempo, o que pode um homem com 74 anos esperar da vida e até da liberdade, depois de dezenas de anos recluso?
Não me pronuncio sequer sobre a justeza do julgamento que não conheço e que não me compete apreciar.
Concluo com este desejo sincero: que tenha encontrado a paz antes de fechar os olhos.
Para além do ensino do Português que absorvia com alguma dificuldade mas com muita atenção e interesse, era estudioso e tinha uma gramática feita por ele para compreender os tempos dos verbos e o género que na sua língua, era diferente do nosso.
Tivémos inúmeras conversas ao longo de quase um ano de convivência. Uma prisão de alta segurança não é fácil para ninguém e para ele já com 74 anos, tornara-se insuportável, e só ansiava pela liberdade.
Inteligente, muito bem educado, correcto no tratamento com os outros reclusos, pediu-me ajuda para os novos planos que tinha em mente a partir de Setembro, quando regressasse ao seu país: a produção de caviar a partir de uma nova tecnologia, mediante a criação de caracóis.
Levei-lhe uns livros e fotocópias em inglês para se começar a inteirar. Queria ocupar o seu tempo, trabalhando no campo e ganhando algum dinheiro.
Condenação: por ter estado no lugar errado, no momento errado. Tenho a certeza que ao obedecer ao seu superior, fê-lo por disciplina militar e não por ser criminoso. No entanto como referi atrás as consequências da sua desejável não-obediência ter-lhe-iam evitado a prisão.
Não tenho mais palavras para definir o sentimento de piedade que sinto por ele e que espelha bem a miséria humana na sua expressão mais dolorosa: na sua cela sozinho, mais de 90% do tempo, o que pode um homem com 74 anos esperar da vida e até da liberdade, depois de dezenas de anos recluso?
Não me pronuncio sequer sobre a justeza do julgamento que não conheço e que não me compete apreciar.
Concluo com este desejo sincero: que tenha encontrado a paz antes de fechar os olhos.
sexta-feira, 11 de setembro de 2015
convite para um gin ao fim da tarde, num sítio prazenteiro
Reconheço que ando irritado, com mau feitio e à mais pequena coisa
que me contrarie sem razão, descarrego missivas impiedosas que moem e
criam no interlocutor raivas tremendas, respostas iradas, cortes de
relações e um caminho certo para a solidão.
Nem sempre conseguimos ser boas pessoas, nem fazer sempre o bem e tratar os outros com a paciência, tolerância ou a urbanidade que o bom-senso ou a virtude, aconselhariam.
Vem isto a propósito desta migração avassaladora de sírios, na sua grande maioria, que a cada dia esbracejam para conseguir chegar a um porto seguro.
Nem sempre conseguimos ser boas pessoas, nem fazer sempre o bem e tratar os outros com a paciência, tolerância ou a urbanidade que o bom-senso ou a virtude, aconselhariam.
Vem isto a propósito desta migração avassaladora de sírios, na sua grande maioria, que a cada dia esbracejam para conseguir chegar a um porto seguro.
As reacções distintas e contraditórias que vão sendo por aí expressas,
falham pelo simples facto de até hoje e desde que começou a fuga
maciça, não podermos saber como se comportam.
Por isso, os sírios e eu precisamos de uma mão estendida, sem condições.
Nunca me esqueço deste pensamento que é bem verdadeiro e que na maioria dos casos se aplica a 100%: se contares a alguém os teus problemas, 70% das pessoas não só não te “ouvem”, como não se interessam e não virá nenhuma ajuda pois estão a compará-los com os deles e as outras 30%, comprazem-se com o teu infortúnio e até tentam ver como poderão tirar desforço.
Há, felizmente, mãos gentis e mentes serenas e compassivas e são estas que devem aproximar-se em silêncio e de braços abertos, dos refugiados sírios.
Quanto a mim, um bom abraço já serve de muita consolação.
Naturalmente, se for acompanhado de um convite para um gin ao fim da tarde, num sítio prazenteiro, melhor.
E disse, o resto é conversa!
Por isso, os sírios e eu precisamos de uma mão estendida, sem condições.
Nunca me esqueço deste pensamento que é bem verdadeiro e que na maioria dos casos se aplica a 100%: se contares a alguém os teus problemas, 70% das pessoas não só não te “ouvem”, como não se interessam e não virá nenhuma ajuda pois estão a compará-los com os deles e as outras 30%, comprazem-se com o teu infortúnio e até tentam ver como poderão tirar desforço.
Há, felizmente, mãos gentis e mentes serenas e compassivas e são estas que devem aproximar-se em silêncio e de braços abertos, dos refugiados sírios.
Quanto a mim, um bom abraço já serve de muita consolação.
Naturalmente, se for acompanhado de um convite para um gin ao fim da tarde, num sítio prazenteiro, melhor.
E disse, o resto é conversa!
sexta-feira, 4 de setembro de 2015
OS SAFANÕES DA ASTROLOGIA
Não pauto o meu dia a dia por
horóscopos imbecis, mas confesso que fiquei pasmado quando ao enviar por
internet a data, hora e local do meu nascimento a uma “astróloga” de S.
Francisco na Califórnia, que nunca me viu nem me conhece, recebi um
perfil psicológico de 12 páginas que acerta em quase 100% do meu
carácter.
Já sei que irão dizer que figura ridícula, insana e inesperada faço em sinceramente falar neste assunto “desprimoroso”, mas o que é facto é que beneficiei tremendamente do relatório astrológico, pois pôs preto no branco, umas quantas coisas que não me atrevia a dizer a mim próprio, ou melhor, não queria reconhecer que de uma forma sistemática eram e são a causa de algum infortúnio!
O dito perfil contribuiu para ressaltar aspectos potenciadores de correcção desses mesmos deslizes, ocasionando uma análise introspectiva “à séria”, naturalmente não originada na menina de S. Francisco, mas a quem agradeço o safanão!
E porque vos estou a contar tudo isto, perguntarão? Pois a ideia é a de vos incentivar ao mesmo, com determinação, sagacidade e prudência nos critérios, escolhas e passos a dar, mas com ousadia, sabendo que o respirar fundo em cada acordar é um dos primeiros sintomas de que uma nova e melhor vida está a despontar, devagarinho mas segura.
Já sei que irão dizer que figura ridícula, insana e inesperada faço em sinceramente falar neste assunto “desprimoroso”, mas o que é facto é que beneficiei tremendamente do relatório astrológico, pois pôs preto no branco, umas quantas coisas que não me atrevia a dizer a mim próprio, ou melhor, não queria reconhecer que de uma forma sistemática eram e são a causa de algum infortúnio!
O dito perfil contribuiu para ressaltar aspectos potenciadores de correcção desses mesmos deslizes, ocasionando uma análise introspectiva “à séria”, naturalmente não originada na menina de S. Francisco, mas a quem agradeço o safanão!
E porque vos estou a contar tudo isto, perguntarão? Pois a ideia é a de vos incentivar ao mesmo, com determinação, sagacidade e prudência nos critérios, escolhas e passos a dar, mas com ousadia, sabendo que o respirar fundo em cada acordar é um dos primeiros sintomas de que uma nova e melhor vida está a despontar, devagarinho mas segura.
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
A Fidelidade da Amizade
Duas palavras tão
diferentes, no entanto tão complementares. No sentido do meu título, eu
definiria “fidelidade da amizade” sob duas perspectivas: a de quem beneficia e
a de quem pratica.
Começo por quem, sem
sentir directamente os efeitos admiráveis e regeneradores da fidelidade da
amizade, pois na maioria dos casos trata-se de momentos em que o visado está
ausente, vem a saber a posteriori que
apesar de tudo alguém não julgou, não acreditou, não aceitou difamar e
prejudicar a imagem e sobretudo, com firmeza e lealdade, defendeu o bom nome e
estancou a hemorragia da calúnia.
Esta é a obrigação moral
das mulheres e dos homens virtuosos, daqueles que têm carácter e bondade no seu
coração, de quem se distingue dos outros a quem a inveja, a intolerância e a
raiva cega de magoar, lhes cria ímpetos desumanos e instintos mesquinhos.
Estas corajosas atitudes
provocam gratidão, tranquilidade de espírito, segurança e vontade de
reciprocidade nos sentimentos bem como de entrega generosa e incondicional ao
outro.
Já quem exerce esta
nobre missão de resistir ao rumor torpe, reagindo construtivamente e
desmantelando o boato miserável e insidioso sobre o outro, tem o estatuto de prégador da concórdia, defensor da verdade e acima de
tudo revela uma elevação notável e difícil de ir encontrando nos tempos que
correm.
Tem-se dito que não há
que sofrer pelos ditos injuriosos e atentatórios da boa fama de cada um, e que
é mister ignorar, mas importa afirmar que sem a fidelidade da amizade, a dor seria
mais profunda e solitária.
Os Amigos são para as
ocasiões, sejam elas boas ou más e é de como se actua nos momentos difíceis que
se apura o grau de fidelidade e amizade.
Sono andato a Gulbenkian a partecipare alla "Oratorio di Natale" di JS Bach.
Sono andato a Gulbenkian a partecipare alla "Oratorio di Natale" di
JS Bach. Il direttore M.Corboz, coro insuperabile, molto raffinato ed
eccellente come sempre e vari cantanti con molta reputazione.
Come fanno la maggiore parte del tempo: guardare con attenzione gli attori sul palco, fissa alcune particolarità e poi ... chiudo gli occhi, sento la musica e io non ci sto!
E solo così posso veramente apprezzare questi momenti di tranquillità e pace.
Ma con i suoni di entrare nel subconscio, così mi dedico a immaginare i caratteri che la mia retina impostato in precedenza.
Come fanno la maggiore parte del tempo: guardare con attenzione gli attori sul palco, fissa alcune particolarità e poi ... chiudo gli occhi, sento la musica e io non ci sto!
E solo così posso veramente apprezzare questi momenti di tranquillità e pace.
Ma con i suoni di entrare nel subconscio, così mi dedico a immaginare i caratteri che la mia retina impostato in precedenza.
La splendida voce in falsetto di contralto che sento, contrasta con la
figura disse, forte, obeso e meno attraente! Immagino il suo rientro in
albergo contenuto del dovere, ancora una volta soddisfatte e consapevoli
dell'impressione si sa che ha lasciato gli ascoltatori. Stanco, non può
resistere una sosta al bar, prima di salire a una camera da letto
spartana (Gulbenkian paga una indennità di alloggio e lascia la scelta a
discrezione del contraente, così prende sempre ed è in alberghi modesti
, mantenendo la differenza di pagare la soddisfazione della sua
dipendenza segreto!), e di fronte a una limonata morbido, lasciato
cadere in un profondo sconforto pensando di solitudine permanente che
viene abituato negli ultimi tempi.
Dal momento che il compagno lo ha lasciato per un primo violino della Filarmonica di Vienna, dieci anni più giovane, sottile e con uno sguardo esgroviato (sentiti insultati perché è sempre stato orgoglioso dei suoi grandi occhi azzurri, fondi) guadagnato peso, se ne frega se meno sul loro aspetto e infruttuosa ricerca di una compagnia.
Rivedo lo sguardo di una delle fanciulle, meglio, Vestal, per il Maestro, come la sua voce con più fervore e immagino un rendimento complice di rispettare un bye, dopo il concerto, ai margini di un pianoforte, con uno champagne "flute", proponendo "elisir d'amour"!
Riprendo la seconda parte, e ho notato nell'ultima fila del coro, due curioso situazione: un uomo anziano fino agli anni accanto a un giovane di 21 o 22 anni.
E mi metto a pensare a quelle dinastie di musicisti, che generazione dopo generazione, sono passati dai genitori ai figli, questo dono di conoscere modestamente interpretare i grandi compositori, costruendo la propria storia nazionale.
E certamente che uno aveva niente a che fare con l'altro, ma mi sentivo una grande ammirazione per vedere un giovane uomo con aria escorreito normale, dovendo obbligatoriamente spendere ore per la formazione de la sua voce e studiando le opere di grandi musicisti piuttosto che forse! infine trascinare discoteche, bere o fare uso di droghe, senza cura per altre alternative per la spendendo del tempo, come se ci fosse anche un mondo affascinante da scoprire al di là di oggi!
Al momento della partenza, giuro che ho visto il braccio di contralto dato al cantante, e il Maestro, accompagnato da ammiratori per un taxi, a cui il conducente sentì castamente: a casa, prego!
Dal momento che il compagno lo ha lasciato per un primo violino della Filarmonica di Vienna, dieci anni più giovane, sottile e con uno sguardo esgroviato (sentiti insultati perché è sempre stato orgoglioso dei suoi grandi occhi azzurri, fondi) guadagnato peso, se ne frega se meno sul loro aspetto e infruttuosa ricerca di una compagnia.
Rivedo lo sguardo di una delle fanciulle, meglio, Vestal, per il Maestro, come la sua voce con più fervore e immagino un rendimento complice di rispettare un bye, dopo il concerto, ai margini di un pianoforte, con uno champagne "flute", proponendo "elisir d'amour"!
Riprendo la seconda parte, e ho notato nell'ultima fila del coro, due curioso situazione: un uomo anziano fino agli anni accanto a un giovane di 21 o 22 anni.
E mi metto a pensare a quelle dinastie di musicisti, che generazione dopo generazione, sono passati dai genitori ai figli, questo dono di conoscere modestamente interpretare i grandi compositori, costruendo la propria storia nazionale.
E certamente che uno aveva niente a che fare con l'altro, ma mi sentivo una grande ammirazione per vedere un giovane uomo con aria escorreito normale, dovendo obbligatoriamente spendere ore per la formazione de la sua voce e studiando le opere di grandi musicisti piuttosto che forse! infine trascinare discoteche, bere o fare uso di droghe, senza cura per altre alternative per la spendendo del tempo, come se ci fosse anche un mondo affascinante da scoprire al di là di oggi!
Al momento della partenza, giuro che ho visto il braccio di contralto dato al cantante, e il Maestro, accompagnato da ammiratori per un taxi, a cui il conducente sentì castamente: a casa, prego!
Jugué al fútbol hace unos años
Jugué al fútbol hace unos años, me gusta ver un buen partido, pero confieso que lo que sucedió en los últimos días en nuestro país, supera todo. Las transferencias de jugadores!
La gran noticia para el espectador de la televisión, fue a ver "ad nauseam", y durante al menos tres días, los más pequeños detalles de todo lo que los personajes "importantes" debitaran de fútbol con el fin de todo y nada!
Cada día mueren en este país, gente en situaciones terribles, causando su muerte la mayor consternación por los graves problemas de supervivencia y el sufrimiento moral que causa.
El circuito clásico - empleo sin motivación y de rutina diaria y de
conversaciones interminables en el trabajo, sobre las telenovelas, el
fútbol o revistas con nuevas sugerencias de “punto de cruz” –y terminado
pocos pasan por la taberna o el café para beber una copa antes de la
cena, llegar a casa , baño, comida tranquila en familia o plasmados ante
el programa de deportes / novela; de nuevo en la calle van a tomar un
café con sus compañeros de trabajo, y de nuevo el fútbol es el rey!
La mujer honesta que asegura el cuidad de la ropa, de la cama y de la comida en el día a día, los estudios de los niños y su futuro, que nunca puede expresar sentimientos pues TODO se ignora y se sustituye por un silencio impuesto de rabia contenida por un cualquier indiferente resultado de fútbol y que hace la vida insoportable y asfixiante!
Lo que sorprenderá es el todavía escaso número de divorcios, separaciones, suicidios, crímenes de venganza contra un panorama de comportamientos medievales de un pueblo sexista, sin educación, egoísta, perezoso y vulgar!
La mujer honesta que asegura el cuidad de la ropa, de la cama y de la comida en el día a día, los estudios de los niños y su futuro, que nunca puede expresar sentimientos pues TODO se ignora y se sustituye por un silencio impuesto de rabia contenida por un cualquier indiferente resultado de fútbol y que hace la vida insoportable y asfixiante!
Lo que sorprenderá es el todavía escaso número de divorcios, separaciones, suicidios, crímenes de venganza contra un panorama de comportamientos medievales de un pueblo sexista, sin educación, egoísta, perezoso y vulgar!
les lecteurs de mon prose ou en vers
Donc, il y a pour moi, deux options (i) écrire ce que je ressens comme bon (ii) anticiper la critique possible de la forme de mon écriture et l’adapter à un certain style politiquement correct, mais toujours imprévisible.
J’ai vécu quelques années hors du Portugal dans des endroits éloignés et l'odeur des rues et de la tranquillité de la campagne me manquait, et ma famille et mes amis je les ai visités que de façon sporadique. Je me suis dévoué a l'écriture et le résultat c’était des centaines de lettres, qui ont été honorablement réciproquées. Et je vous jure que je n’avais pas de papier carbone et chacune a été écrite avec émotion et intensité.
J’écrivais dans la soirée, déjà avec tout le monde en silence, et généralement accompagnée par la musique.
Pour moi, et contrairement au communément admis, je crois que la nuit ne soit pas aussi bon conseiller car elle exacerbe les sentiments. Dans la matinée, le lendemain, je les relisais et souvent je les récrivais, parce que j’imaginais le postier au Portugal, la laissant tomber sur la boîte aux lettres du destinataire, avec trop d’émotions transmises et causant son grand embarras!
Le jour où je mourrai, si quelqu'un fouille dans mes affaires, il trouvera tout ce que j’ai écris, et puis s’exclamera " fou, fou, mais courageux!"
Mais il est toujours important avoir un grain de folie que d'aller droit à Olympus sans la souillure de la haine ou de l'envie!
Hoje de manhã saí muito cedo
Hoje de manhã saí muito cedo,
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer...
Não sabia que caminho tomar
Mas o vento soprava forte, varria para um lado,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.
Assim tem sido sempre a minha vida, e
Assim quero que possa ser sempre -
Vou onde o vento me leva e não me
Sinto pensar.
Albero Caeiro
sexta-feira, 28 de agosto de 2015
Papa Francisco e os homossexuais, divorciados e adopção e casamento - Carta do meu primo Luís Bernardo
Meu Querido Manuel,
O Papa Francisco está a
fazer um papel muito importante para a Igreja.
Deixa-me começar por te
dizer o que sabemos aqui pelos recém-chegados, novos e velhos. As religiões
passam por uma crise de fiéis, sejam elas quais forem.
Os princípios rígidos que
as estabeleceram, falam de outros tempos, de simbologias antigas e de regras de
comportamento que nada têm a ver com a realidade ou com Deus, Yavé ou os ensinamentos
do Profeta, bem como de Calvino ou as 95 teses de Martinho Lutero.
Se quiseres ser honesto
na análise cuidada dos textos bíblicos verás que o que lá se relata, é como que
uma narração histórica do percurso do povo judeu e das medidas “administrativas”
que se foram tomando para o cumprimento de um desiderato: a Terra Prometida.
Por isso com o
aparecimento dos Evangelhos que já se sabe desde há muito não serem escritos
pelos próprios Apóstolos, mas 50 ou 60 anos depois das suas mortes, e com
contradições ou omissões entre as versões de cada um, vão estas actualizações criando
nuns, interesse em aprofundar com recta intenção ou não estes desafios e
noutros um cada vez maior afastamento da Fé.
Nas outras religiões e
nomeadamente nas mais ortodoxas ou radicais, os princípios estão subvertidos e
a prática desprestigia os fundadores.
Por isso, o Papa
Francisco tem uma missão extraordinariamente relevante em querer
reduzir ao essencial a mensagem de Cristo e os ensinamentos da Igreja para os
crentes e quiçá entusiasmar quem de boa-fé queira aderir, valorizarando a conduta
humana, na prática do amor verdadeiro, no consolo dos pobres e dos mais
desfavorecidos, dos abandonados, dos presos, dos doentes, em suma de todos
quantos precisam de solidariedade e atenção. E é crítico e firme e consegue com
uma enorme doçura entusiasmar multidões, precisamente àqueles a quem ele visita
e se importa.
Naturalmente esta
atitude, torna-se incómoda para quem é arrogante, senhor das suas certezas
imutáveis quanto à prática da Fé criticando a própria Igreja , hipócrita,
comodista, egoísta e ignorante e pior ainda, fazendo o contrário do que
apregoa.
Também tu, pelo que me
tens dito, entusiasta desde o primeiro dia deste Papa, sentes-te mais perto da
Igreja a que pertences por testemunhar o renascer da tolerância, do perdão, da
inteligência na interpretação de princípios arcaicos e enraizados, do
afastamento do medo, do pecado e tudo isto em detrimento do que mais importa e
que são verdadeiramente os princípios humanos pois não vives em Plutão: o exercício
do amor ao próximo e uma simplicidade de vida moral baseada na decência de
actuação na sociedade civil, do ambiente de paz entre as famílias que é sem
sombra de dúvida o pilar da construção de um mundo melhor, a harmonia interior
por se saber que se não tem pela frente condenações a fogos perpétuos nem a
castração da natureza humana é o que os deve mover. Haveria tanto a dizer-te.
Por outro lado o Papa
Francisco neste seu mister de acolhimento, de uma forma lúcida e humana decidiu
olhar para várias situações que levam a uma forma de ser e de convivência
distinta daquelas que tradicionalmente se foram implantando ao longo dos
séculos, em paralelo com as actuais, mas com menos visibilidade ou mais
reprimidas.
Estou a falar-te da
homossexualidade masculina e feminina, dos casais divorciados pela lei civil,
das novas famílias gays ou lésbicas, da adopção por estes, de filhos e
finalmente pela sua união pela do vínculo do casamento civil.
Dizias-me que quando nas aulas de
religião alguém levantava muito a medo o tema da homossexualidade, havia esta
resposta que calava muitos: quem assim é, sob o ponto de vista científico está
provado que já nasce gay ou é bissexual ou heterossexual (veio a ciência muitos
anos mais tarde a confirmar esta tese) e sob o ponto de vista religioso e da
moral, perguntavam os professores com incisão:- então não foi Deus que criou o
Homem e a Mulher como nos diz a Bíblia e os Evangelhos e prega a Igreja? Porque
será então que deixa que haja uma percentagem de gays e de pessoas com outras
orientações sexuais? Como pode ser pecado, se tudo a Ele se deve?
Esta versão de
aproximação à resignação e aceitação de uma decisão divina indiscutível, parecia
que fazia sentido.
Por isso o Papa
Francisco, é prudente e isento quanto ao julgamento definitivo e
absoluto sobre a imoralidade cristã dos gays e lésbicas. Pura e simplesmente
aceita-os como são e acha que não os deve afastar da frequência da Igreja, assim
como em pé de igualdade com os esquimós, ou os pele-vermelhas ou portugueses ou
espanhóis, etc..
É um non-issue ou seja a
sua exclusão não deve ser tema de discussão. Compete a cada um escolher a
pertença ou não a um acervo de princípios que forma um corpo institucional chamado
Igreja. Não se força.
Quanto aos casais divorciados,
a atitude gritante e injusta da Igreja até agora, é perfeitamente
incompreensível.
A alguém que se divorcia,
não basta já a dor, o sofrimento, o abandono, a desilusão, o desfazer de planos
e sonhos que se idealizaram e ao procurar novo parceiro/a não é uma busca,
tantas vezes vã de um recomeço?
Se a frequência dos
Sacramentos for procurada e autorizada pela Igreja, é aceitável a tese estulta de que
se está a promover o divórcio para se poder depois ir comungar, entre outros
exemplos possíveis? E os outros cristãos da comunidade, tantas vezes sepulcros
caiados de branco, têm alguma autoridade para se julgarem melhores?
São argumentos bafientos,
odiosos, castradores da beleza já de si tão complicada de
aceitar e acreditar nos Mistérios.
Finalmente a adopção e o
casamento de gays e lésbicas: é um tema do foro civil e de cada pessoa. Explico: há
estatísticas de casais felizes e normais versus infelizes ou anormais, pela
vezes que dão as mãos na rua, que se beijam na boca, que fazem sexo, que gritam
entre eles ou se tratam mal, ou se são estúpidos e incompetentes ou efeminados ou
machões, etc???…entramos num campo em que todos sabemos que se têm enormes
surpresas quanto à taxa da felicidade dita e apregoada, se soubermos inclusive definir
o que ela é!
É assunto do direito
civil de cada país, que em sendo democrático, as decisões resultam de maiorias mais
ou menos responsáveis, como sabemos, pois nunca há o lado dos que têm razão e
dos que não têm. Mas isso é outro tema.
Em conclusão, ninguém
obriga ninguém a aceitar ou discordar, a não ser a lei de cada país e para os
que querem.
Tens assim a posição que
aqui recolhi. Claro que o Sínodo está a ser acompanhado com todo o interesse e
o Papa será um pioneiro.
É também importante que
as mudanças se façam no momento certo e sem grandes turbulências.
Meu Caríssimo Manuel,
tanto mais que te poderia dizer mas dedica-te sobretudo a ser bom para os
outros e simples e a seguir este caminho que o Papa Francisco está a traçar,
precisando de ti e de todos quantos tenham um coração livre e aberto aos
outros.
Teu muito afeiçoado primo
Luís Bernardo
quarta-feira, 26 de agosto de 2015
Carta resposta do meu primo Luís Bernardo - Salazar e o Bugatti do meu Pai
Caríssimo Manuel,
Respondo à tua carta, depois de uma semana agitada pois quis fazer-te a
vontade e entrevistar Salazar de passagem, pois ele estava com pressa. Por
outro lado fui também estar com os teus Pais que estão a passar o verão na casa
de praia que é uma maravilha.
Abaixo te descreverei.
Quis saber notícias do Vaticano mas deu-me mais
trabalho pois quem me pode informar estava de férias e portanto tive que
esperar que regressasse para organizar as respostas.
Quanto ao fim do mundo em Setembro, tanto quanto ouvi dizer por aqui os
preparativos para o regresso de toda a gente ainda estão uns milhões de anos
atrasados. Lá terás que continuar a penar, mas deixa-te de queixas e goza a
vida. Aqui há nascer e pôr-do-sol lindos, mas olha que os daí são também uma
maravilha. Nada é boring, como dizias. Tens sempre tanto que fazer, se
quiseres, mas não é hábito, como aí, de nada se fazer.
Um dia te conto com mais
detalhe.
Dou-te, no entanto, um pequeno exemplo: existe uma biblioteca sem possibilidade de te descrever a dimensão, que alberga a informação
sobre cada um, a vida que levaram aí na terra, com todos os factos e conhecimento
de tudo quanto fizeram e foi conhecido e o que não disseram.
Não se trata de um
ficheiro, como o do Pina Manique no tempo do maldito Pombal. A propósito, já encontrei
o marquês por aqui e não lhe falei e um grupo de nossos parentes ainda quiseram
um desforço, mas tudo se compôs.
Ora, qualquer pessoa pode consultar, nessa biblioteca, livros e ter acesso a
todo o conhecimento em todas as suas versões linguísticas, pois está acessível directamente
à compreensão que cada um possui. Tens tudo desde todos os tempos e acessível a
ser visionado sob todas as formas para satisfação e enriquecimento de todos. Explico,
com um novo exemplo: tem havido muitas perguntas e até discussões em seminários
e colóquios sobre as bombas atómicas de Hiroxima e Nagasáqui a propósito do
acordo recente entre o EUA- Irão.
Muita gente e em simultâneo teve acesso a todas as fases do seu
lançamento e inclusive o momento em que se produziu e as consequências
posteriores. Não se julga, mas fica-se totalmente informado. O mesmo se passa
quanto a outros tópicos e pessoas e circunstâncias. Poderás consultar um dia a
tua vida na terra e tudo quanto fez parte dela e não só.
Já estamos a entrar em
detalhes de que te falarei noutra carta.
Voltemos então à casa de praia dos teus Pais. Tem uns 12 quartos, todos com
varanda e com imensa luz. É um projecto ousado e moderno do Le Corbusier, que a
tua Mãe convenceu a fazer. Muitos vidros por causa da vista deslumbrante sobre
o Universo e mesmo ao pé, sobre o mar. Os teus Pais tendo sido ambos exímios
nadadores no Estoril e em Cascais, adoram tomar banhos prolongados e fazerem
natação durante muito tempo. Têm o grupo de amigos de sempre e fazem imensos
concursos. Jogam na praia voleibol, futebol e junto à casa têm uns courts de
ténis aonde vem o Torok jogar com eles e dar-lhes umas aulas de
aperfeiçoamento.
Salas espaçosas, em tons brancos e claros, com enormes sofás e decoração minimalista mas muito confortável.
Um terraço enorme com uma mesa para 20 pessoas que é muito usada para
almoços. Desse terraço vai-se para uma piscina de 50mx20m e à volta tem um bar e um barbecue
bem como espreguiçadeiras e toldos e chapéus-de-sol. Têm sempre pessoal que se
ocupa de tudo, preparando e servindo as bebidas e fazendo deliciosos almoços
requintados e apropriados.
Dentro têm ainda uma casa de jantar para 40 pessoas aonde à noite dão uns
opíparos repastos sempre sem serem muito formais, com mariscos, caviar, saladas
exóticas, um prato quente de carne e frutas portuguesas e brasileiras e gelados
italianos. O Santini é um frequente visitante bem como S.M. o Rei Umberto que
os teus Pais e Avós conheciam.
Os quartos têm camas grandes e fundas com roupa de linho puro, fresca e com
almofadões de penas para aonde apetece lançar-se e enterrar-se.
O teu Pai deu-lhe para ter carros descapotáveis e tem uma bela colecção, entre
eles um Bugatti lindo com que se passeia com a tua Mãe, claro.
No terraço e ao fim-da-tarde é vulgar haver o Beni Goodman e a sua
orquestra a tocar jazz e os criados a servirem bebidas. Há cá a moda agora de
gins exóticos, imagina.
Muito agradável e toda a gente sempre sorridente e bem-disposta. Mandam-te
beijos e abraços grandes e disseram-me que têm conversado contigo
frequentemente por carta.
Fui então visitar Salazar que estava hospedado num hotel junto à costa a
passar uns dias. Partia no dia seguinte de volta a casa, por isso deu-me apenas
uns minutos para me dizer com uma franca gargalhada: - eu faço lá ideia como
resolveria os problemas! Eu não sou desse tempo nem as minhas ideias se
aplicavam, excepto no amor que sempre tive a Portugal! E pediu-me que o
deixassem sossegado pois muita gente ainda pensa que ele seria o salvador,
quando tudo muda e tudo passa. De muito bom senso.
E mais não disse, e acho que fez bem pois seria imprudente pôr-se daqui a perorar
conselhos. Ia dar asneira de certeza.
Tenho que sair com pressa e por isso deixo os outros assuntos para uma
próxima carta.
Teu muito afeiçoado primo que muito te quer.
Luís Bernardo
terça-feira, 25 de agosto de 2015
Miserere Mei
Vai um tipo por um caminho fora, de férias, na aldeia, a olhar para a
natureza, as árvores, as plantas, os frutos, um ou outro galináceo que
atravessa sem medo o carreiro, um pombo ou um rouxinol que exibe o seu
trinado num galho de uma árvore com uma copa acolhedora e topa, de
surpresa, com um riacho de água límpida aonde apetece sentar-se nas
margens.
E o barulho da cidade, e da gente e do desassossego da vida parece que se vão.
Apetece pensar em coisas boas, em pessoas que se amam, em tudo quanto afaste a intranquilidade. Até parece que o coração descansa de uma vida agitada e pede uma pausa no seu bater.
E o barulho da cidade, e da gente e do desassossego da vida parece que se vão.
Apetece pensar em coisas boas, em pessoas que se amam, em tudo quanto afaste a intranquilidade. Até parece que o coração descansa de uma vida agitada e pede uma pausa no seu bater.
Claro que a modernidade dos tempos exige um contacto permanente e o
telemóvel ligado, trouxe de súbito no écran, a aparição de uma mensagem.
Parecia apetecível no seu conteúdo e desafiante para uma conversa calma
e sem consequências.
O tempo é um barómetro da sensibilidade e temperamento dos homens e umas nuvens mais cinzentas no céu, toldam a harmonia de um dia que se anunciava promissor.
Foi-se o encanto, a magia do momento, e começou uma conversa taco-a-taco de tal forma desgastante que a caminhada continuou sem eito e só parou junto de um Convento, que tinha as portas da igreja abertas.
Dentro uma frescura e um silêncio que se impôs para por fim à chamada telefónica.
As monjas entraram para o coro e começaram a entoar o Miserere Mei, Deus.
Aplacou-se a ira e o transtorno emocional desvaneceu-se.
O tempo é um barómetro da sensibilidade e temperamento dos homens e umas nuvens mais cinzentas no céu, toldam a harmonia de um dia que se anunciava promissor.
Foi-se o encanto, a magia do momento, e começou uma conversa taco-a-taco de tal forma desgastante que a caminhada continuou sem eito e só parou junto de um Convento, que tinha as portas da igreja abertas.
Dentro uma frescura e um silêncio que se impôs para por fim à chamada telefónica.
As monjas entraram para o coro e começaram a entoar o Miserere Mei, Deus.
Aplacou-se a ira e o transtorno emocional desvaneceu-se.
sábado, 22 de agosto de 2015
O Peninha fez mais uma das suas.
O Peninha fez mais uma das suas. Resolveu, para refrescar, ir a Sintra comer umas queijadas no parque das merendas. Qual não foi o espanto e grande, ao topar escondido, atrás de um pinheiro milenar, um velho leão que lhe fez shiuuu...com a pata.
- Não sabem que estou aqui. Dá-me uma queijada? A águia do Benfica tem uma conference call por skype comigo.
Fiquei intrigado e voando sobre as árvores frondosas fui dar com o Rei Dom Carlos que veraneava no Palácio da Vila, a passear de mão dada com a costureirinha da Pena.
Não pareceu ter ficado nada assustado e disse-me: - olha Peninha, diz à Rainha que é por causa de um vestido que lhe quero dar de presente.
Senti sede e fui molhar o bico à Fonte dos Desejos e ao aproximar-me estava a Samaritana acalorada e despida impròpriamente. Jesus devia estar a chegar e aí fez-se-me luz: o leão, a conference call por skype com a águia do Benfica e Jesus a chegar!
Estava tudo claro para mim. Voltei e fiz uma denúncia ao juiz Carlos Alexandre.
quinta-feira, 20 de agosto de 2015
CARTA ao MEU PRIMO LUÍS BERNARDO - Agosto de 2015
Imaginem vocês que recebi uma carta de um primo que já morreu há vários anos e que me chegou à caixa do correio.
Creio ser o primeiro ser humano a ter verdadeiramente notícias reais, de além-túmulo. Finalmente aparece alguém a explicar como tudo se passa. Aliás, nunca percebi porquê tantos mistérios!
Desde há três anos tenho mantido uma correspondência frequente com ele,
que poderão ler no meu blogue “Vicente Mais ou Menos de Souza”. Esta
foi a última carta que lhe escrevi hoje, perguntando uma série de coisas
que nos perturbam, suscitam curiosidade e até inquietação. Costuma ser
rápido. Aqui a têm.
Agosto de 2015
Querido Luís Bernardo,
Hoje esteve um dia lindo, daqueles de sol luminoso e um céu azul sem uma única nuvem no firmamento.
Diz-me desde já se continuas a ter este espectáculo admirável e quando para aí formos, os luares de Agosto, os pôr-do-sol continuarão a ser momentos únicos, ou como é?
Agora outros assuntos, pois há muito que não te escrevo.
Tens estado com os meus Pais? Tenho tantas saudades deles e aliás de todos. Manda-lhes um grande beijo.
Este Papa tem sido danado e dá cada abanão na Igreja! Vai haver um Sínodo lá para Novembro, mas claro que deves saber, e muitos temas tabus serão discutidos. Dá-me pistas sobre o que vai acontecer, qual a visão daí e a tua opinião.
Aqui no burgo, tudo a partir ao mais pequeno sinal de uma nova oportunidade profissional e o nosso país, que é uma beleza, a ficar sem quadros jovens e de uma nova geração a tomar as rédeas do país.
Ouve lá e esta treta do fim-do-mundo em Setembro com o choque do asteróide contra a Terra? É que se vou mais cedo para perto de ti, tenho umas quantas preparações a fazer: revisão da minha vida, escolher o que vai ser ou não útil levar…porque me cheira que pode ser boring…diz lá tu da tua justiça e dá-me umas dicas…deixa-te de segredinhos, vá.
Finalmente aqui vai-se ouvindo um pouco por todos os lados um sôfrego apelo à memória de Salazar. Se estiveres com ele outra vez, pergunta-lhe o que opina sobre como ele faria para sairmos deste enorme sarilho em que estamos metidos…
Bem vistas as coisas, se em Setembro formos para o galheiro, desculpa o palavreado, pouco importa já.
Hoje fartei-me de tomar banhos aqui pela zona da capital e arredores e digo-te que esta mania de tantas pessoas se endividarem para irem para o Algarve e frequentarem as festas badaladas sem terem um tuste, é para além de ridículo, uma tragédia.
Vou dormir porque o sol cansa e faz sono.
Vê lá se respondes depressa, pois fico em picos.
Um afectuoso abraço do teu primo que muito te estima
Manuel
Agosto de 2015
Querido Luís Bernardo,
Hoje esteve um dia lindo, daqueles de sol luminoso e um céu azul sem uma única nuvem no firmamento.
Diz-me desde já se continuas a ter este espectáculo admirável e quando para aí formos, os luares de Agosto, os pôr-do-sol continuarão a ser momentos únicos, ou como é?
Agora outros assuntos, pois há muito que não te escrevo.
Tens estado com os meus Pais? Tenho tantas saudades deles e aliás de todos. Manda-lhes um grande beijo.
Este Papa tem sido danado e dá cada abanão na Igreja! Vai haver um Sínodo lá para Novembro, mas claro que deves saber, e muitos temas tabus serão discutidos. Dá-me pistas sobre o que vai acontecer, qual a visão daí e a tua opinião.
Aqui no burgo, tudo a partir ao mais pequeno sinal de uma nova oportunidade profissional e o nosso país, que é uma beleza, a ficar sem quadros jovens e de uma nova geração a tomar as rédeas do país.
Ouve lá e esta treta do fim-do-mundo em Setembro com o choque do asteróide contra a Terra? É que se vou mais cedo para perto de ti, tenho umas quantas preparações a fazer: revisão da minha vida, escolher o que vai ser ou não útil levar…porque me cheira que pode ser boring…diz lá tu da tua justiça e dá-me umas dicas…deixa-te de segredinhos, vá.
Finalmente aqui vai-se ouvindo um pouco por todos os lados um sôfrego apelo à memória de Salazar. Se estiveres com ele outra vez, pergunta-lhe o que opina sobre como ele faria para sairmos deste enorme sarilho em que estamos metidos…
Bem vistas as coisas, se em Setembro formos para o galheiro, desculpa o palavreado, pouco importa já.
Hoje fartei-me de tomar banhos aqui pela zona da capital e arredores e digo-te que esta mania de tantas pessoas se endividarem para irem para o Algarve e frequentarem as festas badaladas sem terem um tuste, é para além de ridículo, uma tragédia.
Vou dormir porque o sol cansa e faz sono.
Vê lá se respondes depressa, pois fico em picos.
Um afectuoso abraço do teu primo que muito te estima
Manuel
domingo, 16 de agosto de 2015
sábado, 15 de agosto de 2015
O despudor de Sócrates
Leio na imprensa que Sócrates vai começar a pagar ao seu amigo Santos Silva.
Escuso de lembrar o meu trabalho nas prisões, para vos dizer o que se deve ou não fazer quando se está detido. E, como sabem, os “meus” reclusos são estrangeiros e com penas pesadas por isso estão num estabelecimento de alta segurança do Estado.
Ora Sócrates tem, a meu ver, cometido erros incompreensíveis. Não julgo que seja a conselho dos seus Advogados, pois a sua personalidade é forte, a sua teimosia proverbial e gostando-se ou não dele, temos que lhe reconhecer inteligência.
O primeiro dos deslizes, é a publicidade que tem dado à sua situação como detido. Para além de estar a violar as regras definidas pelo sistema prisional e assim tornando-se uma excepção consentida, revela mais uma vez o seu despudor e a influência que exerce através de vários meios e “amigos” para que ninguém lhe vá ao pelo!
Irrita-me muito este facto, pois também me apetecia dar a conhecer ao público o que pensam os “meus” presos.
Segundo erro é o de se armar em vítima quer politicamente quer na justificação do seu património. Nem vou perder tempo em comentar o que é uma evidência: o estado lamentável em que deixou o país! Quanto à sua “riqueza” é gritante a desproporção entre o que seria legítimo um político, (pois foi isso que sempre fez), acumular um pecúlio razoável…e sabe-se agora que tem “desejos” de grande gastador e um ex-primeiro-Ministro com centenas de milhões de euros que lhes são atribuídos a si próprio ou encapotadamente aos seus familiares. Originário de uma família sem importância nem tradição de nada, mesmo, nem valores nem recursos que se conheçam, mais escandaloso é o topete de apresentar argumentos miseráveis.
Por isso, a notícia de que vai começar a pagar com a venda do seu andar ainda é mais revoltante.
Que seja acusado e já agora com rapidez ( por muito virtuoso e capaz que o Juiz Carlos Alexandre seja bem como diligente o Ministério Público, já ultrapassa das marcas deixar os cidadãos numa eterna dúvida das razões da sua detenção e das especulações) e que possa cabalmente defender-se num julgamento imparcial.
Mas o seu julgamento na praça pública já está sentenciado: para as pessoas de bem, para aquelas que sofrem na pele as consequências da sua cupidez, mal agir e delapidação dos recursos do país, daquelas que são honestos funcionários públicos que não corrompem nem são corrompidos, enfim das que põem os interesses do país acima dos seus, o veredicto só pode ser o de CULPADO.
E quer esteja a sofrer e acredito que esteja pois conheço inclusive a cadeia de Évora, a arrogância de ter recusado a pulseira electrónica e permanecer recluso só demonstra que nem o incómodo e sofrimento da reclusão tem quebrado o seu desejo de protagonismo e infelizmente não tem aprendido.
As visitas de Mário Soares são patéticas e suspeitas e levantam muitas dúvidas quanto a serem inofensivas: é um mensageiro caquéctico e decadente que se presta à defesa da corporação a que ambos pertencem, e de outras pessoas que a todo o custo querem ser preservadas das suas práticas ilegais e lesivas dos interesses do Estado.
A gravidade das “pontas” mal resguardadas que poderão vir a por na cadeia mais uma série de figuras proeminentes, leva a que Mário Soares, arrastando-se, vá paulatinamente destruindo algum capital democrático e de serviços que prestou ao país no passado.
Uma vergonha tudo isto, mas a sociedade civil assiste adormecida e apressa-se a dar o voto ao PS.
Não que este Governo mereça todo o meu apoio, mas o que espero é que com caras novas e pessoas mais competentes possa afrontar com sucesso efectivo os tempos sombrios que se aproximam, quer gostemos ou não de aceitar a realidade.
Por isso Sócrates que passe o resto do Verão em Évora, apesar de ter podido refrescar-se com ar condicionado, já nem sei em qual das casas se a de Paris ou a de cá, pelos vistos já não, mas outra que tenha para aí ou que lhe emprestem.
sexta-feira, 14 de agosto de 2015
quinta-feira, 13 de agosto de 2015
Em Luanda na foz do Cuanza
Eu queria ter o tempo e o sossego suficientes
Para não pensar em coisa nenhuma,
Para nem me sentir viver,
Para só saber de mim nos olhos dos outros, reflectido.
Alberto Caeiro
Eu e o meu irmão António
Eu e o meu irmão António, com cara de choro por estarmos numa "instituição" chamada parque que dava algum sossego a quem nos tratava mas que causava lágrimas insanas...até nos habituarmos...mais ou menos
Quem sou eu?
Eu às vezes não entendo!
As pessoas têm um jeito
De falar de todo mundo
Que não deve ser direito.
Aí eu fico pensando
Que isso não está bem.
As pessoas são quem são,
Ou são o que elas têm?
Eu queria que comigo
Fosse tudo diferente.
Se alguém pensasse em mim,
Soubesse que eu sou gente.
Falasse do que eu penso,
Lembrasse do que eu falo,
Pensasse no que eu faço
Soubesse por que me calo!
Porque eu não sou o que visto.
Eu sou do jeito que estou!
Não sou também o que eu tenho.
Eu sou mesmo quem eu sou!
Pedro Bandeira
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