domingo, 26 de abril de 2015

J'ai déjà mon épitaphe

J'ai déjà mon épitaphe. Elle me vient de Crillon, l'ami d'Henri IV : 'Le roi m'aimait, les pauvres me pleurèrent.' C'est bien, ça, le roi et les pauvres."

Jean d'Ormesson

sábado, 25 de abril de 2015

Esta gente

ESTA GENTE

Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco
Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis
Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre
Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome
E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada
Meu canto se renova
E recomeço a busca
De um país liberto
De uma vida limpa
E de um tempo justo

Sophia de Mello Breyner Andresen, in "Geografia"

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Harém

Une fois dans le Harem, les femmes pouvaient « monter en grade ». En étant « honorée » par le sultan, la jeune femme devenait « odalisque ».
 
Puis si elle lui donnait un garçon elle devenait kadin. Enfin, si son fils devenait sultan, elle devenait « valide sultane », le titre le plus envié : elle régnait alors sur le harem et avait très souvent un rôle clé dans l’organisation de l’Etat.

les femmes dans l'empire ottoman au XVIIIe siècle

"Il y avait bien là ce jour, aux hammans, 200 baigneuses. Les premiers sofas furent couverts de coussins et de riches tapis, et ces dames s'y placèrent, les esclaves les coiffèrent, toutes étaient dans l'état de nature, toutes nues. Cependant, il n'y avait parmi elles ni geste indécent, ni posture lascive, elles marchaient et se mettaient en mouvement avec cette grâce majestueuse !

Il y en avait plusieurs de bien faites, la peau d'une blancheur éclatante, et n'étaient parées que de leurs beaux cheveux séparés en tresses, qui tombaient sur les épaules et qui étaient parsemés de perles et de rubans : belles femmes nues dans différentes postures ; les unes jasant, les autres travaillant, celles-ci prenant du café ou du sorbet, quelques autres négligemment couchées sur leurs coussins. De jolies filles, de 16 à 18 ans, sont occupées à tresser les cheveux des baigneuses de mille manières... Après le repas on finit par donner le café ou les parfums, ce qui est une grande marque de considération ; alors, de cette manière, deux jeunes esclaves à genoux encensèrent pour ainsi dire mes cheveux..."

( Extraits des lettres de Lady Montague - Mary Wortley Montagu (26 mai 1689 - 21 août 1762), épouse de l'ambassadeur de Grande-Bretagne en Turquie, publiées à Londres en 1764. Une source inestimable sur les femmes dans l'empire ottoman au XVIIIe siècle. En effet, en tant que femme, elle put avoir accès à des lieux interdits aux hommes : harems ou bains par exemple ; plus généralement, elle eut de véritables contacts avec les femmes ottomanes.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Stefan Zweig

Zweig was an immensely successful novelist, playwright, and librettist in early 20th century Europe. Though Austrian by nationality and Jewish by heritage, he considered himself first and foremost an European, and no one was more delighted than he by the vigorous bounty of European culture at the turn of the last century. To be a talented aspiring writer, nineteen years old, in Vienna, in 1900 — what a joy! Modernity must have looked like a blossoming Eden. And then, of course, came the snakes. By 1942, Zweig was in Brazil, a refugee with no citizenship and no possessions, and he with his wife saw no future. They took an enormous amount of barbiturates and lay down to die. I send greetings to all of my friends,” he wrote. “May they live to see the dawn after this long night. I, who am most impatient, go before them.

dar a mão

Os discípulos de Emaús são um retrato de nós mesmos. Como eles, também nós somos seres abatidos, caminhando pela estrada, a caminho de casa, no ocaso do dia. Também as nossas expectativas parecem esvaziadas e as esperanças caídas. Só que nas estradas da vida surgem muitas surpresas. É nestas estradas que surge o Jesus que nós, à primeira, não reconhecemos nem acolhemos. Jesus, que é o caminho (cf. Jo 14, 6), nunca deixa de Se aproximar de nós e de caminhar connosco (cf. Lc 24, 15). 

Jesus é o Deus próximo e o Deus peregrino. 

Ele é o nosso caminho e a luz que guia os nossos passos em todos os caminhos. 

É Ele que toma a iniciativa de vir ao nosso encontro.

Pe. João António Pinheiro Teixeira

quarta-feira, 15 de abril de 2015

The Italian Wedding Test

I was a very happy man. My wonderful girlfriend and I had been dating for over a year. 

So we decided to get married.

There was only one little thing bothering me.. It was her beautiful younger sister, Sofia.

My prospective sister-in-law was twenty-two, wore very tight miniskirts, and generally was Bra-less. She would regularly bend down when she was near me. I always got more than a nice view. It had to be deliberate...she never did it around anyone else.

One day she called me and asked me to come over. 'To check my Sister's wedding- invitations' she said. She was alone when I arrived and she whispered to me that she had feelings and desires for me. She couldn't overcome them anymore. She told me that she wanted me just once before I got married.

She said "Before you commit your life to my sister". Well, I was in total shock, and I couldn't say a word. She said, "I'm going upstairs to my bedroom" she said... "if you want one last wild fling, just come up and have me".

I was stunned and frozen in shock as I watched her go up the stairs. I stood there for a moment...then turned and made a bee-line straight to the front door. I opened the door, and headed straight towards my car.

Lo and behold, my entire future family was standing outside, all clapping! With tears in his eyes, my father-in-law hugged me. He said, 'Sergio, we are very happy that you have passed our little test. We couldn't ask for a better man for our daughter. Welcome to the family my son..'

And the moral of this story is:

Always keep your condoms in your car.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Nem tudo o que exponho foi escrito com a cabeça; muita coisa também saiu do coração.


Muitas vezes me enganei e não raro tive que aprender tudo de novo. Mas sei – e por isso me conformei – que é só da noite que se faz o dia, e que a verdade sai do erro.  Por isso nunca tive medo do erro, nem dele me arrependi seriamente.  Nem tudo o que exponho foi escrito com a cabeça; muita coisa também saiu do coração.

C.G. Jung

Cada pessoa é aquilo em que crê


Cada pessoa é aquilo em que crê;
fala do que gosta; retém o que procura;
ensina o que aprende; tem o que dá e vale o que faz.

Hoje a minha aula habitual na prisão de alta segurança de Monsanto aos reclusos estrangeiros, foi substituída pela passagem de um filme que pedi aos cinemas Corte Inglês e que simpaticamente disponibilizaram.

Era um filme muito divertido e na língua materna de 3 dos detidos, e para além de rirem a bom rir todo o tempo, em momentos aonde apareciam casas, campos, paisagens, cidades e pessoas reparei que ficaram muito comovidos.

Saí com a certeza que estes são seguramente passos, mais do que grandes discursos, para os ajudar na reinserção e para cada vez mais ansiarem pela liberdade.

Senti, tal como eles, um aperto no coração e pensei que era por eles que vibrava...faz bem esquecer-nos de nós e solidarizar-nos com os outros.

Será que alguém pensa que também é bom sentirmos a solidariedade dos outros por nós ou tudo julga que somos imortais e insensíveis...

Deu-me para este pensamento num dia cinzento, mas que se pode sempre, quando o quisermos, tornar-se bem mais claro!

Foi o que sentiram hoje, estou certo, os reclusos de Monsanto!

sábado, 11 de abril de 2015

7 Cardinal rules for life


Senhor, partem tão tristes meus olhos por vós

Senhor, partem tão tristes
meus olhos por vós, meu bem,
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.

tão tristes, tão saudosos,
tão doentes da partida,
tão cansados, tão chorosos,
da morte mais desejosos
cem mil vezes que da vida.

partem tão tristes os tristes,
tão fora de esperar bem,
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.

João Roiz de Castelo-Branco

sábado, 4 de abril de 2015

rosa enjeitada

Sou essa rosa, caprichosa, sem ser má
Flor de alma pura e de ternura ao Deus dará
Que viu um dia, que sentia um grande amor
E de paixão o coração estalar de dor

Rosa enjeitada
Sem mãe sem pão sem ter nada
Que vida triste e chorada
O teu destino te deu
Rosa enjeitada
Rosa humilde e perfumada
Afinal desventurada quem és tu?
Rosa enjeitada
Uma mulher que sofreu

Tão pobrezinha que ainda tinha uma afeição
Alguém que amava e que sonhava uma ilusão
Mas esse alguém por outro bem se apaixonou
E assim fiquei sem ele que amei e me enjeitou

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Na morte do António Mendia


Na morte do António Mendia.

Tinha estado com o António na 3ªf, nas habituais tertúlias de fim de tarde no Clube.

Custava-lhe a respirar mas achei-o com melhor côr e disse-lhe. Esteve à conversa, sorrindo com as minhas histórias e comigo estavam o Sebastião Lancastre e apareceu depois o Jorge Brito e Abreu.

Quando saímos pelas 21h 30m, pediu-me o braço para se apoiar e descemos até ao carro do Sebastião que impecavelmente nos levava a cada 3ªf, passando primeiro pela casa do António e depois seguindo.
Despedimo-nos e desejámo-nos mutuamente uma boa Páscoa.

O António foi das pessoas mais resignadas que eu tenho encontrado. Guardando para si as suas dores e mágoas e à medida que ia piorando não se ouvia um queixume, a não ser aqueles que decorriam do seu estado visível.

Foi melhor assim. Parou de sofrer. Frase sempre dita.

Deixa-me saudades e sobretudo deste hábito de nos vermos com frequência: e de repente a morte tudo vence e leva os Amigos.

Sempre que alguém a quem eu quero morre, reflicto sobre tudo por quanto lutamos tantas vezes não medindo verdadeiramente a essencialidade das coisas.

O mais importante em cada pessoa é a forma como se revela aos outros, ou seja é pelo seu comportamento que os outros vão classifica-lo como boa ou má pessoa.

No fundo os valores mais importantes, independentemente da origem social de onde se provenha são:

- a bondade de coração, a magnanimidade e a boa disposição.
- a honestidade e a lealdade.
- a honra e a palavra dada que é sempre cumprida, seja em que circunstâncias for.
- a preparação para bem cumprir as tarefas que lhe estão confiadas.
- o desejo de agradar aos outros com decência e decôro ( com boas-maneiras e sem chocar).
- alguma reflexão interior e paz conseguida com espiritualidade.
- o manejo do dinheiro de uma forma desapegada.
- a temperança no sentido de evitar excessos.

Não há pessoas perfeitas nem é fácil a combinação destas e de mais algumas características que ainda possam faltar, mas se se conseguir ser uma grande parte de isto, penso poder-se dizer que se deixa um bom exemplo como ser humano.

E o António, o meu querido António, esforçou-se para isso e de certeza que encontrou o merecido descanso.

Que Deus o tenha na Sua Santa Guarda

quarta-feira, 1 de abril de 2015

a vida não acaba quando o corpo morre, e pode durar para sempre


Um livro intitulado “Biocentrism: How Life and Consciousness Are the Keys to Understanding the Nature of the Universe“ (Biocentrismo: Como a Vida e a Consciência São as Chaves para a Compreensão da Natureza do Universo – [tradução livre do título – n3m3]) mexeu com a Internet, porque ele contém a noção de que a vida não acaba quando o corpo morre, e pode durar para sempre.  O autor desta publicação, o cientista Dr. Robert Lanza, que foi votado pelo NY Times como sendo o 3º cientista mais importante ainda vivo, não tem dúvida de que isto seja possível.

Além do tempo e do espaço

Lanza é um especialista em medicina regenerativa e diretor científico da Companhia de Tecnologia Avançada da Célula.  Ele é conhecido também por sua extensa pesquisa com células tronco, e é conhecido por vários experimentos de sucesso na clonagem de espécies de animais em extinção.
Mas há pouco tempo, o cientistas se envolveu com a física, a mecânica quântica e a astrofísica.  Esta mistura explosiva deu o nascimento à nova teoria do biocentrismo, a qual o professor tem pregado desde então.  O biocentrismo ensina que a vida e a consciência são fundamentais para o Universo.  É a consciência que cria o universo material, e não o contrário.
Lanza aponta para a própria estrutura do Universo, e que as leis, forças e constantes do Universo parecem ser afinadas com a vida, implicando no fato da consciência existir antes da matéria.  Ele também alega que o espaço e tempo não sejam objetos ou coisas, mas sim ferramentas de nossa compreensão animal.  Lanza diz que carregamos o espaço e o tempo conosco “como tartarugas com cascos“, o que significa que quando o casco é deixado de lado (tempo e espaço), ainda existiremos.
A teoria implica que a morte da consciência simplesmente não existe.  Ela somente existe como pensamento, porque as pessoas se identificam com seus corpos.  Elas acreditam que o corpo irá perecer, mais cedo ou mais tarde, achando que assim sua consciência irá desaparecer também.  Se o corpo gera a consciência, então a consciência morre quando o corpo morre.  Mas se o corpo recebe a consciência da mesma forma que um receptor de TV a cabo recebe sinais, então o curso da consciência não acaba na hora da more do veículo físico.  Na verdade, a consciência existe fora da limitação do tempo e do espaço.  Ela é capaz de estar em qualquer lugar: no corpo humano e fora dele.  Em outras palavras, ela não tem local, no mesmo sentido que objetos quânticos não possuem local.
Lanza também acredita que universos múltiplos possam existir simultaneamente.  Em um universo, o corpo pode estar morto.  E no outro ele continua a existir, absorvendo a consciência que migrou para esse universo.  Isto significa que uma pessoa morta, enquanto viajando através do mesmo túnel, não vai para o inferno ou céu, mas para um mundo similar àquele que ela uma vez habitou, contudo desta vez viva.  E assim por diante, indefinidamente.  É quase como um efeito pós-vida do tipo Matriosca (boneca russa) cósmica.

Mundos múltiplos

A teoria de Lanza, que infunde esperança, mas é extremamente controversa, possui muitos defensores, não somente meros mortais que querem viver para sempre, mas também alguns cientistas bem conhecidos.  Estes são físicos e astrofísicos que tendem a concordar com a existência de mundos paralelos e que sugerem a possibilidade de universos múltiplos.  O multiverso é um, assim chamado, conceito científico, o qual eles defendem.  Eles acreditam que não exista nenhuma lei física que proibiria a existência de mundos paralelos.
H.G. Well, o escritor de ficção científica, proclamou isto em 1895, na sua obra “The Door in the Wall” (A Porta na Parede).  E após 62 anos, esta ideia foi desenvolvida pelo Dr. Hugh Everett, em sua tese de graduação na Universidade Princeton.  Ela basicamente apresenta que, em qualquer dado momento, o Universo se divide em inúmeras ocorrência similares.  E no momento seguinte, estes universos ‘recém-nascidos’ se dividem de forma similar.  Em alguns destes mundos você pode estar presente: lendo este artigo em um universo, ou assistindo TV em outro.
Os fatores que disparam estes mundos que se multiplicam são as nossas ações, explicou Everett.  Se fizermos algumas escolhas, instantaneamente um universo se divide em dois, com diferentes versões de resultados.
Na década de 1980, Andrei Linde, um cientista do Instituto de física de Lebedev, desenvolveu a teoria dos universos múltiplos.  Ele agora leciona na Universidade Stanford.  Linde explicou: “O espaço consiste em muitas esferas que se inflam, as quais geram esferas similares, e essas, por sua vez, produzem esferas em números ainda maiores, e assim por diante até o infinito.  No Universo, elas são espaçadas umas das outras, Elas não estão cientes da existência das outras.  Mas elas representam partes do mesmo universo físico.
O fato do nosso Universo não estar só é apoiado pelos dados recebidos do telescópio espacial Planck.  Usando estes dados, os cientistas criaram o mais preciso mapa do fundo de microondas, a assim chamada ‘radiação de fundo da relíquia cósmica’, que permanece deste o início do Universo.  Eles também descobriram que o Universo possui muitos recessos escuros, representados por alguns buracos e extensas brechas.
A física teórica Laura Mersini-Houghton, da Universidade da Carolina do Norte, com seus colegas, argumentam: “As anomalias do fundo de microondas existem devido ao fato de que o nosso Universo é influenciado por outros universos que existem nas proximidades.  E os buracos e brechas são um resultado direto dos ataques dos universos vizinhos sobre nós.

Alma

Assim,há uma abundância de lugares, ou outros universos, para onde nossa alma poderia migrar após a morte, de acordo com a teoria do neo-biocentrismo.  Mas a alma existe?  Há uma teoria científica da consciência que poderia acomodar tal alegação?  De acordo com o Dr. Stuart Hameroff, uma experiência de ‘quase-morte’ acontece quando a informação quântica que habita o sistema nervoso deixa o corpo e dissipa no Universo.  Ao contrário das explicações materialistas sobre a consciência, o Dr. Hameroff oferece uma explicação alternativa da consciência, que pode talvez ser atraente, tanto para a mente científica racional, quanto para as intuições pessoais.
De acordo com Stuart e Sir Roger Penrose, um físico britânico, a consciência reside em microtúbulos de células cerebrais, os quais são locais primários de processamento quântico.  Na morte, esta informação é liberada pelo seu corpo, o que significa que a nossa consciência vai com ela.  Eles argumentam que a nossa experiência de consciência seja o resultado de efeitos quânticos da gravidade nestes microtúbulos; uma teoria que eles batizaram de ‘redução objetiva orquestrada’ (sigla em inglês: Orch-OR).
A consciência, ou pelo menos a proto-consciência, é teorizada por eles como sendo uma propriedade fundamental do Universo, presente até mesmo no primeiro momento do Universo durante o Big Bang.  “Em tal plano, a experiência proto-consciente é uma propriedade básica da realidade física, acessível a um processo quântico associado à atividade cerebral.
Nossa almas, na verdade, são construídas do mesmo tecido do Universo – e podem ter existido desde o começo do tempo.  Nossos cérebros são somente receptores e amplificadores para a proto-consciência, a qual é intrínseca ao tecido espaço-tempo.  Assim, há realmente uma parte de nossa consciência que não seja material e que sobreviverá a morte de nosso corpo físico?
O Dr. Hameroff falou no documentário ‘Através do Buraco de Minhoca’, do Science Channel: “Digamos que o coração pare de bater, o corpo pare de fluir, os microtúbulos percam seu estado quântico.  A informação quântica dentro dos microtúbulos não é destruída, ela não pode ser destruída, ela somente se distribui e dissipa à solta no Universo.”  Robert Lança adicionaria aqui que, não somente ela existe no Universo, mas que talvez também ela exista em outro universo.
Se o paciente for ressuscitado, reanimado, esta informação quântica pode voltar para dentro dos microtúbulos e o paciente dizer, “eu tive uma experiência de quase morte“.
Hameroff ainda diz: “Se o paciente não for reanimado e morrer, é possível que esta informação quântica possa existir fora do corpo, talvez indefinidamente como uma alma.
Esta afirmação sobre a consciência quântica explica coisas como as experiências de quase-morte, projeções astrais, experiência fora do corpo, e até mesmo a reincarnação, sem a necessidade de apelar para ideologias religiosas.  Em algum ponto, a energia de nossa consciência potencialmente se recicla para dentro de um corpo diferente, e enquanto isso ela existe fora do corpo físico em algum outro nível de realidade, e possivelmente em outro universo.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Será que quando morrermos fazemos realmente falta?


A propósito de alguém que morreu - vai-nos fazer cá muita falta - lido há pouco.

Será que quando morrermos fazemos realmente falta?

Sabemos que não...que o tempo é leal conselheiro do olvídio, apaga as memórias e só nos lembramos mais vivídamente quando estamos em provação e nos apetece ter perto de nós esse ente querido.

Pode parecer frio, insensível da minha parte, mas é bom que nos vamos habituando...é a pura das realidades.

Só pessoas mentalmente desiquilibradas, vão mantendo com o bolor dos anos, quartos imutáveis, gavetas abertas de onde saem peças de roupa do defunto mas hélas...o defunto não está lá.

Com nada disto quero dizer que não tenha saudades imateriais de todos quanto passaram na minha vida e que amei ou por quem fui amado, mas dizer que vou fazer cá muita falta...duvido!

A vida continua para os que ficam e também não sei bem como, para os que partem...I hope!

Por isso o ideal mesmo é enquanto estamos vivos dar-nos aos outros intensamente e deles receber retorno, o resto são hipocrisias...ainda que bem intencionadas.

sábado, 28 de março de 2015

Amar, cura


Devo confessar que fiquei estomagado com este acidente de aviação: uma sensação de arrepio e de mal-estar e eu que sempre viajei muito e em longo-curso – 56 vezes de Lisboa para Hong Kong e volta – Brasil, Africa e muitos outros países na Europa. Não acho que tenha ficado com medo mas a ideia de nada se poder fazer é tremenda.

Isto faz-me pensar que estes são chamamentos de atenção para a realidade de que a morte pode sobrevir para cada um de nós, a qualquer momento, não importando a idade nem a origem.

Mudando de tema, tento olhar à volta e encontrar uma boa notícia. Difícil, e as que há não são perceptíveis no turbilhão das más.

Bons livros, boa música, boa gente que se põe ao serviço dos outros, lugares aonde brilha o sol, aonde há campos verdejantes, flores, pássaros, mar e rios e à noite brilham as estrelas e a dona lua, bem como animais fiéis que nos fazem companhia, tudo isto são boas notícias.

Homens e mulheres são quem mais complicado se torna equilibrar!

Na minha última aula na prisão de alta segurança em Monsanto, mesmo sem os reclusos meus alunos darem por isso, caí em mim e dei conta que estava numa sala pequena, fechado a sete chaves e sem luz para o exterior. Já ultrapassei a minha claustrofobia e sinceramente pensei neles: um deles tinha tido uma promoção de bem-estar – poder passar duas horas por dia na biblioteca – sala igual à minha sem janelas sem ser para o corredor das celas.

Todos estes prisioneiros passam 90% de cada dia na sua respectiva cela, sózinhos e com limitações obsoletas fruto de uma legislação que não é feita com o conhecimento da realidade, em função da reinserção.

Já tenho dito em sede própria, que deveria haver uma triagem, obviamente com responsabilidade e por um conjunto de pessoas – psicólogos, guardas, assistentes de reinserção, sobre a supervisão do Director – por forma a separar os reclusos por alas consoante o seu grau de segurança exigido. Trata-se de uma maioria de cidadãos estrangeiros.

Duches frios, comida fria, proibição de falar ao telefone numa cabina vigiada por um guarda com os familiares mais do que uma vez por semana e por um prazo de tempo limitado (a custo de cada um), visitas uma vez por mês no parlatório, cantina mal fornecida, interdição de poderem receber mais do que 10 livros no total (naturalmente que mediante triagem dos títulos e assuntos pelos responsáveis, não deveria haver limite), 4 canais de televisão portugueses – estrangeiros não falam a nossa língua – estando as famílias dos reclusos dispostas a custear a mensalidade de uma antena colectiva de netcabo com filmes, música e desporto internacionais, e sobretudo uma proibição imoral: só uma vez por ano e durante duas horas podem estar em contacto físico com os familiares!

Pense-se em filhos pequenos e mães idosas, irmãos. Uma vez por ano, acho que nem no tempo da Inquisição. A visita íntima com as mulheres ou companheiras pode ser autorizada uma vez por mês e durante duas horas, com detalhes sórdidos que me escuso a relatar.

Dirá quem nunca visitou uma prisão nem com reclusos contactou, que sendo condenados por crimes (a maioria não são de sangue) merecem impiedosamente uma vida ainda mais difícil em enxovias de palha e uma bilha de barro com água e uma côdea de pão.

Saio de cada aula de duas horas, em que parte dedico ao convívio e troca de impressões, com o sentimento que lhes soube a pouco.

Como já tenho dito anteriormente, este meu trabalho de voluntariado tem um efeito duplo: prestar com humildade, empenho e o melhor que sei, um serviço aos reclusos e por outro lado receber testemunhos que me ajudam a ter tolerância e a não julgar os outros impunemente, desenvolvendo sentimentos de ajuda, de perdão e de um novo olhar para aonde reside o sofrimento, a solidão e como posso consolar e contribuir para uma progressiva recuperação de auto-confiança, de resignação e de preparação para a liberdade.

Pareço que me repito em tudo quanto escrevo sobre este tema, mas nunca é demais salientar que não deve haver limites nem restrições para lutar por melhores condições, sem temor de ir contra seja quem for.

Proponho que se promova em Portugal o que o Presidente da EUROPRI (organismo europeu que congrega todos os sistemas prisionais europeus) e simultaneamente responsável máximo do serviço prisional da Bélgica, conseguiu – 2 Juízes de Execução das Penas, 2 Magistrados do Ministério Público, dos Advogados(as), 2 Psicólogos, 2 Guardas Prisionais, 2 Jornalistas, e finalmente ele próprio e um outro Sub-Director de outra prisão, em reclusão igual às dos presos de alta segurança durante 48 horas!

Houve mudanças significativas no sistema prisional belga!

terça-feira, 24 de março de 2015

IN MEMORIAM Herberto Hélder (1930-2015)


A Paixão Grega

Li algures que os gregos antigos não escreviam necrológios,
quando alguém morria perguntavam apenas:
tinha paixão?
quando alguém morre também eu quero saber da qualidade da sua paixão:
se tinha paixão pelas coisas gerais,
água,
música,
pelo talento de algumas palavras para se moverem no caos,
pelo corpo salvo dos seus precipícios com destino à glória,
paixão pela paixão,
tinha?
e então indago de mim se eu próprio tenho paixão,
se posso morrer gregamente,
que paixão?
os grandes animais selvagens extinguem-se na terra,
os grandes poemas desaparecem nas grandes línguas que desaparecem,
homens e mulheres perdem a aura
na usura,
na política,
no comércio,
na indústria,
dedos conexos, há dedos que se inspiram nos objectos à espera,
trémulos objectos entrando e saindo
dos dez tão poucos dedos para tantos
objectos do mundo
e o que há assim no mundo que responda à pergunta grega,
pode manter-se a paixão com fruta comida ainda viva,
e fazer depois com sal grosso uma canção curtida pelas cicatrizes,
palavra soprada a que forno com que fôlego,
que alguém perguntasse: tinha paixão?
afastem de mim a pimenta-do-reino, o gengibre, o cravo-da-índia,
ponham muito alto a música e que eu dance,
fluido, infindável,
apanhado por toda a luz antiga e moderna,
os cegos, os temperados, ah não, que ao menos me encontrasse a paixão
e eu me perdesse nela
a paixão grega.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Sê paciente

Sê paciente

espera que a palavra amadureça e se desprenda como um fruto ao passar o vento que a mereça.
  
Eugénio de Andrade.

«AU PLAISIR DE DIEU» de Jean d'Ormesson


«AU PLAISIR DE DIEU» de Jean d'Ormesson

«C’est le banal qu’il faut montrer, parce que c’est ce qu’on ne voit plus, à force d’habitude et de familiarité». Jean d’Ormesson, como Waugh, faz uma viagem à história centrada na relação entre uma família e a sua propriedade rural, detida ancestralmente. O berço da tribo era o Castelo de Plessis-lez-Vaudreuil, que resumia uma longa história desde as cruzadas até aos nossos dias. Os acontecimentos do século XX precipitam a mutação e a decadência – a modernização, a indústria, a emergência da burguesia, a guerra, a resistência, o amor, o dinheiro, os debates dilacerantes, Pétain e De Gaulle, a tradição, as mudanças políticas, Maurras e Karl Marx… 

Tudo se mistura num torvelinho de contradições. A vida quotidiana penetra nas grandes questões. As transformações profundas geram o drama e a ameaça da decadência. Ressalvadas as distâncias, são os mesmos temas que encontramos em Brideshead – com um maior distanciamento aqui relativamente às tradições.

Daí que Jean d’Ormesson dedique o seu livro a seu pai, apresentado como liberal, jansenista e republicano – atributos correspondentes a camadas diferenciadas da história e da vida. Malraux disse, aliás, um dia: «que livros valem a pena ser escritos, para além das Memórias?». E aqui sente-se isso exatamente. Sostène reporta-se à noite dos tempos, a Éléazar nascido no século XI.

Séculos e séculos de serviço «au plaisir de Dieu».

É o esteio da família, o ponto de encontro das diversas lembranças e recordações, a partir de um tempo em que a cultura dos campos domina, como um relógio regularíssimo. «Nasci num mundo que olhava para trás. O passado contava mais que o futuro. O meu avô era um velho bom muito direito que vivia da recordação. A sua mãe tinha dançado nas Tulherias com o duque de Nemours, com o príncipe de Joinville, com o duque de Aumale, e a minha avó em Compiègne com o príncipe imperial».

O tempo foi-se acelerando e as pessoas deixaram de ter tempo. O silêncio foi sendo ocupado pelo ruído, os ritmos tradicionais pela marcação forte dos compassos… E foi-se tomando consciência de que seria necessário restaurar as ardósias dos telhados, certos de que a alma das casas é afetada pela doença que leva à sua destruição física. É preciso preservá-la, ligando pedras vivas e pedras mortas, enquanto lugar de acolhimento e de ternura, de força e de consistência!

Falar de património, não é falar de castelos no ar, mas de amores e desamores, de vontades e caminhos – de pessoas!

Guilherme de Oliveira Martins.

domingo, 22 de março de 2015

porte-monnaie

Uma Senhora minha parente acabou namoro com um pretendente porque ele dizia 'porte-boné' em vez de 'porte-monnaie'.

Há cerca de oitenta anos, no Porto.

Ana Margarida De Carvalho.

Hoje deitei-me ao lado da minha solidão

Hoje deitei-me ao lado da minha solidão.
O seu corpo perfeito, linha a linha,
derramava-se no meu, e eu sentia
nele o pulsar do próprio coração.
Moreno, era a forma das pedras e das luas.
Dentro de mim alguma coisa ardia:
a brancura das palavras maduras
ou o medo de perder quem me perdia.
Hoje deitei-me ao lado da minha solidão
e longamente bebi os horizontes.
E longamente fiquei até sentir
o meu sangue a jorrar nas próprias fontes.

Eugénio de Andrade

sexta-feira, 20 de março de 2015

Farewell Dearest John


I received, this morning, unexpected bad news that saddened me deeply. One of the daughters of my Chinese partner phoned me to say that he had passed away.

He started as my boss, in one of the largest Chinese companies in Hong Kong and Macao, where I lived and worked for more than 7 years.

He became a partner and a friend and our relationship has always been based on a solid friendship, mutual respect and complicity.

I admired in him his loyalty, joy and good humor, intelligence and wit and a special creativity to see further.

I was with him in China a few months ago and nothing would predict this sad outcome.

I'm really very sad and it's like a part of my past life that departs and that makes me more lonely.

May he rest in Peace and his family.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Silent Strong Dad = my Father


He never looks for praises
He's never one to boast
He just goes on quietly working
For those he loves the most
His dreams are seldom spoken
His wants are very few
And most of the time his worries
Will go unspoken too
He's there.... A firm foundation
Through all our storms of life
A sturdy hand to hold to
In times of stress and strife
A true friend we can turn to
When times are good or bad
One of our greatest blessings,
The man that we call Dad.


Karen K. Boyer


terça-feira, 17 de março de 2015

Fui hoje a mais uma das minhas aulas de Português na cadeia de alta segurança de Monsanto


Fui hoje a mais uma das minhas aulas de Português na cadeia de alta segurança de Monsanto, para presos estrangeiros. Aliás, faço-o duas vezes por semana, durante duas horas cada.

Dia chuvoso e cinzento, como se constata.

A sala de aulas é interior e fechada a sete chaves.

Gramática e respectivos exercícios. Bons progressos.

A cada frase – os livros actuais são apelativos e tornam menos difícil a compreensão da gramática – dá para conversarmos sobre o sentido de palavras e de situações.

São todos adultos ainda que novos excepto um, mais velho. Dedicam-se a aprender com afinco e eu sinto-me como se estivesse a estimular meninos pequeninos – a alegria de acertarem e o contentamento pelos meus elogios e ânimo.

Fiz um ditado, inventado no momento e apropriado à matéria dada, mas não resisti a introduzir umas frases sobre uma brincadeira de um deles, o que deu azo a gargalhadas gerais pele leveza que intento dar a estes momentos de convívio.

As pessoas que cá fora, são castigadoras e definitivas sobre o julgamento precipitado e cruel dos reclusos, nunca experimentaram o sentimento bom que se sente ao ver o que pequenos gestos de solidariedade podem aliviar a dor, a solidão de uma reclusão tão especial em que 90% do dia estão sozinhos nas celas.

Canso-me de apregoar o bem que me tem feito e o que seria vantajoso para quem se sente disponível e com vocação de dar paz e conceder o perdão, poder experimentar o contacto com reclusos.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Diplôme: signe de science. Ne prouve rien.



Diplôme: signe de science. Ne prouve rien.

Flaubert

o leão e o rato

 
E para os que não conseguem ver vantagem em ser educados para com todos, mas apenas para os que lhe trazem benefícios, recordo a fábula “O leão e o rato” de La Fontaine, em que o leão não comeu o rato, que por sua vez veio a salvar a vida do leão. Não devemos ter a arrogância de subestimar os outros. Somos frequentemente ajudados pelos “mais pequenos”.
 
Il faut autant qu’on peut obliger tout le monde : on a souvent besoin d’un plus petit que soi.

daqui a 25 anos



Daqui a 25 anos

espero viver numa sociedade diferente, evoluída e refrescante, mudada pelas novas gerações, moderna e civilizada, em que as coisas funcionam e as pessoas são honestas e trabalhadoras, com o sentido de conjunto e de pátria que em tempos tivemos.
No entanto, mesmo que haja grandes mudanças, há coisas que nunca vão mudar, e assim vou sempre saber que estou em Portugal, assim como:
 . o famoso"pá" no final de qualquer frase sem sentido absolutamente nenhum;
 . a mania de marcar encontros "lá pás 10" o que significa mais perto das 11;
 . o "no meu tempo isto não era assim";
 . o "chico esperto no trânsito";
 . o café obrigatório assim que começa o horário de trabalho;
 . a bica a seguir ao almoço;
 . a ginja a seguir ao jantar;
 . o café com "cheirinho";
 . o nascer-do-sol sobre a marginal a caminho de Lisboa;
 . o pôr-do-sol do cabo da roca;
 . o fim de tarde do guincho;
 . o aterrar em Lisboa e sobrevoar a cidade a "rasar" os prédios;
 . assim que se aterra toda a gente bate palmas para agradecer ao piloto a gentileza de não nos ter morto;
 . o estacionar em cima do passeio para não pagar parquímetro;
 .os pasteis de Belém e os travesseiros da Piriquita;
 . o fado;
 . a lamúria e a saudade;
 . o relembrar a toda a gente que já fomos donos do mundo;
 . as férias no Algarve;
 . a praia assim que abre um raio de sol;
 . o surf, o pôr-do-sol, os bikinis, o bronzeado;
 . o azeite, o queijo, o chouriço, o vinho, a azeitona, o tremoço...
 . os mercados;
 . as tascas;
 . e o tricô.

Ryan Melo

domingo, 15 de março de 2015

Le cheval vert


LE CHEVAL VERT

Un aristocrate anglais fait chaque matin une promenade à cheval dans Hyde Park et chaque matin croise une superbe cavalière.
Plusieurs fois, il essaie d'attirer son attention, mais rien à faire ... Il demande conseil à un ami français pour essayer de séduire la belle.
L'ami : tu devrais peindre ton cheval en vert. Elle sera tellement étonnée qu'elle s'arrêtera et te demandera "Why do you have painted your horse in green?"
L'anglais : Great idea. In green. And I fuck her!
L'ami : non pas de tout de suite. Tu dois te conduire comme un gentleman. Tu dois l'inviter à dîner.
L'Anglais : Great. And I fuck her!
L'ami : non pas tout de suite. Si le dîner se passe bien. Tu l'inviteras à l'Opéra.
L'Anglais : Great. And I fuck her!
L'ami : non pas encore. Si l'opéra se passe bien, tu lui proposes de passer un week-end a Paris, avec promenade romantique sur les bords de la Seine.
L'Anglais : Paris. Great idea. And I fuck her!
L'ami : toujours pas. Si à Paris ça se passe bien, tu l'invites une semaine à l'Oriental à Bangkok.
L'Anglais : Bangkok. Great Idea. And I fuck her!
L'ami : Attends! Tu prendras deux suites et le soir vous dînerez aux chandelles sur le balcon, au-dessus de la rivière des perles. Là, tu pourras peut-être lui prendre la main.
L'Anglais : Great. And I fuck her!
L'ami : oui, là tu pourras!
L'Anglais n'y tient plus il va tout de suite à l'écurie pour peindre son cheval en vert et tout excité, il ne dort pas de la nuit. Le matin il va donc faire sa promenade dans Hyde Park avec son cheval vert.
Au moment de croiser la belle inconnue ... miracle elle s'arrête et lui demande : "Why do you have painted your horse in green?"
L'Anglais : "To fuck you in Bangkok!"

sexta-feira, 13 de março de 2015

A PARLIAMENT OF BABOONS!

The English language has some wonderfully anthropomorphic collective nouns for the various groups of animals.
We are all familiar with
A Herd of cows,
A Flock of chickens,
A School of fish
A Gaggle of geese, and
A Pride of lions.
However, less widely known is:
A Murder of crows
(as well as their cousins the rooks and ravens),
An Exaltation of doves
And, presumably because they look so wise:
A Congress of owls.
Now consider a group of Baboons.
They are the loudest, most dangerous, most obnoxious, most viciously aggressive and least intelligent of all primates.........
And what is the proper collective noun for a group of baboons?
Believe it or not ……. A Parliament

YEP....A PARLIAMENT OF BABOONS!
Pretty much explains everything doesn't it?
You just can’t make this stuff up.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Ando há muito tempo para falar contigo.


Ando há muito tempo para falar contigo. Vou escrevendo num blogue o que me passa pela cabeça e dá-me para falar com toda a gente, à direita e à esquerda, e opino com mais ou menos doçura, ressentimento, queixas, soberba, convencimento e ultimamente, com pouca serenidade.

Bem sei que não te vejo, nem escuto a tua voz, não te posso abraçar, nem sei bem como és.

Mas no mundo como está - será mesmo este o que tu criaste? - é impossível a dada altura não nos virarmos para ti. Fazer perguntas que nos atormentam e nos pesam no peito, pois ficamos em desalento e aflição, em desânimo, perdidos neste turbilhão de desencontros e incertezas sem saber o que fazer, já nem é a curto prazo, é no minutinho em que te escrevo.

Pensei em tratar-te com um T grande como aprendi, mas não me apetece e sei que não te importas.

O que verdadeiramente me apetece, vou-te dizer francamente, era sentir a tua presença física, e num abraço, poder enroscar-me nos teus braços e encostar a cabeça cansada e pesada.

Aperceber-me que tudo quanto disseram e dizem de ti, não são tretas mais ou menos bem contadas, outras inverosímeis e que tu estás mesmo a contar comigo.

Isso era formidável que me dissesses, mas tu, não outros com as suas interpretações e objectivos inconfessáveis.

Tudo isto tão bem feito, a luz do dia e da noite, o mar, os peixes, as aves, as cores, os sons, o ar que respiro, o meu corpo tão perfeito ao detalhe com tudo a bater tão certo não pode ser senão fruto de ti, ou do que eu gostava que tu fosses.

Era tão bom e sabia-me tão bem acreditar sem dúvidas, sabes?

És uma fantástica invenção, adorável, gostável e apetecível em existires e por isso tenho esperança que me apareças, breve.

Acho que já foi bom este princípio de conversa. Nem sei bem porquê, veio isto esta noite que vai caindo.

Sabes que quando me despojo de tudo, sinto-me bem humilde e sobrevém uma paz tão consoladora que dá-me para pensar em ti e sentir um desejo imenso que me dês um sinal.

Há momentos em que já não me bastam as caras conhecidas e tu és o único que com esse mistério de estares escondido da minha vista, tocas fundo no meu coração, sim esse órgão carnudo e feio que inspira os poetas.

Sei lá porquê, sabe-me bem estar para aqui a conversar contigo e ter a sensação de que um dia me responderás a isto tudo, num bom bate-papo.

Que bom seria, mas faz um esforço, mesmo.

Olha lá, e não é daqui a muito tempo que te quero ver seja aqui ou aí aonde te encontras…egoísta, sei lá bem a fazer o quê. Dedica um pouco de tempo a mim, vá lá.

Já reparaste que não te estou a pedir favores nem impossíveis, só estou a querer conhecer-te pessoalmente. É normal, não achas?

Bem, fico à espera e pensa que tens em mim um potencial admirador, vá…adorador se fores tudo o que dizem de ti.

Vale a pena, não achas?

Para o caso de não saberes, chamo-me Manuel.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Não, não é cansaço...

Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar,
E um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...

Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.

Não. Cansaço por quê?
É uma sensação abstrata
Da vida concreta —
Qualquer coisa como um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como...
Sim, ou por sofrer como...
Isso mesmo, como...

Como quê?...
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.

(Ai, cegos que cantam na rua,
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)

Porque oiço, vejo.
Confesso: é cansaço!...

Álvaro de Campos

segunda-feira, 9 de março de 2015

o meu testemunho no filme da Cruz Vermelha sobre o trabalho de voluntários nas prisões

 
Aqui deixo o meu testemunho no filme da Cruz Vermelha sobre o trabalho de voluntários. Oxalá outras pessoas se animem a vir colaborar comigo também.

Filme voluntário - http://youtu.be/xUKaIxnFXC0

___________________________________________

Caro Dr. Manuel Noronha de Andrade,

Vimos agradecer mais uma vez a sua disponibilidade e simpatia na produção do novo filme de testemunhos de Voluntários da Cruz Vermelha Portuguesa.

O mensagem que deixou foi muito verdadeira e inspiradora.

    
Obrigada pelo seu trabalho voluntário.

Melhores cumprimentos

Sara Sampaio
Comunicação, Sede Nacional
Cruz Vermelha Portuguesa

sozinhos

Nós nascemos sozinhos, vivemos sozinhos e morremos sozinhos. Somente através do amor e das amizades é que podemos criar a ilusão, durante um momento, de que não estamos sozinhos.

Orson Welles.

domingo, 8 de março de 2015

Eu

Eu triste sou calada
Eu brava sou estúpida
Eu lúcida sou chata
Eu gata sou esperta
Eu cega sou vidente
Eu carente sou insana
Eu malandra sou fresca
Eu seca sou vazia
Eu fria sou distante
Eu quente sou oleosa
Eu prosa sou tantas
Eu santa sou gelada
Eu salgada sou crua
Eu pura sou tentada
Eu sentada sou alta
Eu jovem sou donzela
Eu bela sou fútil
Eu útil sou boa
Eu à toa sou tua.


Martha Medeiros

Tristeza

Tristeza é quando chove
quando está calor demais
quando o corpo dói
e os olhos pesam
tristeza é quando se dorme pouco
quando a voz sai fraca
quando as palavras cessam
e o corpo desobedece
tristeza é quando não se acha graça
quando não se sente fome
quando qualquer bobagem
nos faz chorar
tristeza é quando parece
que não vai acabar.

Martha Medeiros

NO DIA DA MULHER - Conto


Arménio, levantara-se cedo, como aliás todas as manhãs de Domingo. Nos outros dias o seu turno na fábrica era o da noite, por isso andava ao contrário de toda a gente e dormia até ao meio-dia.

Mas hoje, vendo o dia glorioso que estava, toca de pôr a sua camisola de algodão sem mangas, de alças, e umas calças de pano crú que tinha comprado, há anos, na loja do sindicato. Sandaleca nos pés, e ala que aí vai para a pesca.

A esposa, a d. Maria, ficava sózinha na lida da casa e passava o Domingo a trabalhar.

Uma vizinha, a d. Perpétua tinha uma filha que estudara na Faculdade e que quando vinha a casa, contava que passava o tempo em manifs, a lutar pelos direitos das mulheres.

Já tinha influenciado a mãe e a d. Perpétua passava o tempo a dizer: - d. Maria, a senhora revolte-se, ele que a ajude e que não desande para a pescaria e lhe dê descanso também! As mulheres têm que protestar desta vida de escravas.

d. Maria, sorria, e nada dizia, mas no seu íntimo achava que a vizinha tinha razão. Durante a semana tinha várias casas de senhoras, aonde servia e limpava e chegava à noite arrasada de cansaço.

Arménio voltou bem disposto: tinha pescado um grande sargo que iria cozinhar numa patuscada com os amigos. Tinha guardado um garrafão de carrascão tinto, comprado na cooperativa para as grandes ocasiões e ia celebrar a pescaria.

d. Maria, perguntou-lhe: - Arménio esse peixe é para nós?

- Claro que não. é para comer com o Nelson, o Hélder, o Hernâni e parece que vai também a Dulce para o cozinhar - disse ele.

- Mas tu não vês que fico sòzinha e que nem ao menos posso comer o que pescaste? - disse d.Maria, triste e pela primeira vez, com uma voz de crítica.

Arménio, pegou no peixe que ainda pingava e deu-lhe na cara, atirando-a para o chão, dorida e com um vergastão na face. Ouviu-se um choro baixinho e Arménio, disse, num vozeirão:

- Olha, olha, já a formiga tem catarro!

Quando regressou à noite, Arménio ficou muito admirado por ver à porta de sua casa um carro da polícia.

Foi levado para a prisão e soube no cárcere que tinha sido a Isabel, filha da vizinha d. Perpétua, que era deputada que tinha participado e feito queixa.

Ia parar com os ossos ao xelindró durante três anos.

Conclusão: não batas às mulheres, nem com um peixe...ahahahah

sábado, 7 de março de 2015

Não merece viver quem não ama o mistério dos outros


" - Não merece viver quem não ama o mistério dos outros."

Agustina Bessa-Luis, «Antes do Degelo»

Ulisses chorava muito


" - Ulisses chorava muito. Estava sempre a chorar, de saudade e não sei que mais. Um herói que chora é do que as mulheres gostam."

Agustina Bessa-Luis, «Antes do Degelo»

sexta-feira, 6 de março de 2015

Pessoas


Há pessoas que nos falam e nem as ouvimos, há pessoas que nos magoam e nem cicatrizes deixam mas há pessoas que simplesmente aparecem nas nossas vidas e nos marcam para sempre.

quinta-feira, 5 de março de 2015

DIÁLOGO


DIÁLOGO

Não acredites: as pessoas que te falam em diálogo
querem o teu mal. Dizem que a compreensão deve
ser "cultivada" - e esperam bem sentados que te estateles ao comprido
na frente de uma esplanadazinha com vista para o tédio.

(Afasta de ti esse cálice!)
Eles querem o teu sangue mas depois não sabem o que fazer com ele,
não fazem nada com ele,
não o bebem, não o vendem, não o poluem com o teu
olhar desvairado ante o corpo aberto dela, do seu nexo tão
carente de ti.

Que a planta tem que ser regada para crescer, ah por favor -
não compres asas novas para a eterna toupeira.
A coisa verde estende as mãos para alcançar a água -
e depois cresce para o sol, incha,
porque ela usa-o e é usada por ele, e usar e ser usado é que é
o meu desejo cheio, a amizade toda e - foi assim connosco mas já não é -
a essência do amor (essa magra celulite que tu deves alcançar pelo diálogo
na demonstração diária do respeito mútuo e sabiamente partilhado!)

Ainda pensas que te darei uma definição do amor? Dou-te apenas o que não pode ser aceite:
o meu ser luminoso e irascível
- e nenhum deus invoco ou minimizo.

Faz o que quiseres, ou o que puderes, com o que eu te dou.
É para isso, é por isso que (o café está bom)
(e) eu gosto de ti.


Rui Costa

Ensaia um sorriso e oferece-o a quem não teve nenhum.

Ensaia um sorriso
e oferece-o a quem não teve nenhum.
Agarra um raio de sol
e desprende-o onde houver noite.
Descobre uma nascente
e nela limpa quem vive na lama.
Toma uma lágrima
e pousa-a em quem nunca chorou.
Ganha coragem
e dá-a a quem não sabe lutar.
Inventa a vida
e conta-a a quem nada compreende.
Enche-te de esperança
e vive á sua luz.
Enriquece-te de bondade
e oferece-a a quem não sabe dar.
Vive com amor
e fá-lo conhecer ao Mundo. 

Mahatma Gandhi

quarta-feira, 4 de março de 2015

A meretriz


Se te demoras lendo estes gravados versos,
conhecerás a croia que é sepulta aqui.
Da pátria em que nasci, por vãs promessas falsas,
raptada fui, donzela, em tenra idade, um dia.
A Flandres me gerou, andei o mundo inteiro
até estabelecer-me nesta Siena plácida.
Meu nome, e conhecido, era Niquita. Fui
a estrela do bordel, entre as demais primeira.
Fui bela e fui graciosa, e perfumada, 
e tinha mais alvo do que a neve o deslumbrante corpo. 
Taís nenhuma em Siena melhor que eu movia 
em sábios movimentos as vibrantes ancas.
Os homens minha língua em beijos exauria
dados ainda depois de consumado o gozo.
Coberto era o meu leito de uma colcha vasta,
e a minha mão aos nervos percutia branda.
Para lavar-me tinha uma bacia sempre,
e os flancos me lambia cadelinha mansa.
Uma noite, assaltou-me um bando de rapazes,
que me teve cem vezes, sem me saciarem.
Fui doce e amena, e a muitos minha arte era grata.
Mas mais doce me foi o quanto me pagavam.

António Beccadelli

 

terça-feira, 3 de março de 2015

There's nothing more ridiculous


There's nothing more ridiculous than a disappointed optimist and nothing more hopeless than an optimist who becomes a pessimist.

Ruth Maier

domingo, 1 de março de 2015

Quando eu morrer - e hei-de morrer primeiro do que tu


I

Quando eu morrer - e hei-de morrer primeiro
do que tu - não deixes fechar-me os olhos
meu Amor. Continua a espelhar-te nos meus olhos
e ver-te-ás de corpo inteiro

como quando sorrias no meu colo.
E, ao veres que tenho toda a tua imagem
dentro de mim, se, então, tiveres coragem,
fecha-me os olhos com um beijo.
                                                        Eu, Marco Pólo,

farei a nebulosa travessia
e o rastro da minha barca 
segui-lo-ás em pensamento. Abarca

nele o mar inteiro, o porto, a ria...
E, se me vires chegar ao cais dos céus,
ver-me-ás, debruçado sobre as ondas, para dizer-te adeus.

II

Não um adeus distante
ou um adeus de quem não torna cá,
nem espera tornar. Um adeus de até já,
como a alguém que se espera a cada instante.

Que eu voltarei. Eu sei que hei-de voltar
de novo para ti, no mesmo barco
sem remos e sem velas, pelo charco
azul do céu, cansado de lá estar.

E viverei em ti como um eflúvio, uma recordação.
E não quero que chores para fora,
Amor, que tu bem sabes que quem chora

assim, mente. E, se quiseres partir e o coração
to peça, diz-mo. A travessia é longa... Não atino
talvez na rota. Que nos importa, aos dois, ir sem destino.

Álvaro Feijó

quem adivinha vai para a casinha

É um dilema complicado este o de saber se estamos na direcção certa.

Isto tanto se aplica ao rumo familiar como ao profissional.

Comecemos pelo primeiro: a exigência da verdade implica muitas vezes a ruptura. Traz enormes consequências que se podem projectar em terceiros, mas a pergunta a fazer e a responder é a de quem é mais importante, o próprio ou terceiros, sejam eles quem forem?

Na vida profissional, há momentos em que é preciso ponderar, decidir e agir. Mais uma vez poderá implicar mudança, mas cabe fazer uma pergunta: vale a pena fazer o que se não gosta?

Para que se deslize num lago, com uma água tão espelhada e tranquila é preciso saber responder às duas perguntas.

Quem adivinha vai para a casinha….

sábado, 28 de fevereiro de 2015

COMO SE PERDE UM HOMEM

E como é que se perde um homem?

Não direi que com vícios, comida abundante e a partir nozes com os dentes, mas com tédio e dias de festa em família.

Agustina Bessa-Luis, «Antes do Degelo»

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Não há como experimentar emoções fortes para cairmos em nós.


Não há como experimentar emoções fortes para cairmos em nós. Não se trata de choques eléctricos ou pancada, sustos ou tremores de terra: basta uma conversa avassaladora e poderosa sobre a realidade do mundo à nossa volta.

Vem como uma estalada, um acordar, um estremeção…

Os adversários brincam com os visionários, como um gato com um novelo de lã. Sem se dar por isso, em poucos segundos, está tudo desfiado e de difícil, senão de impossível, reparação.

A opção está em juntar-nos ou desafiarmos. O mais relevante para a vitória está na subtilidade de como se desenvolve a estratégia.

O derrotado, cai vencido, trucidado pela máquina impiedosa do poder.

Poder esse que continuará incessantemente a esmagar os visionários incautos.