quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Cortar o tempo


Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para a frente vai ser diferente

Era uma vez um Pai e uma Mãe que faziam falta aos filhos.


Era uma vez um Pai e uma Mãe que faziam falta aos filhos. Tinham partido e deixado um grande vazio, quase uma trintena de netos e uns quantos bisnetos.

A vida familiar, no tempo deles, era muito unida, ternurenta, mas vieram as doenças, o sofrimento e o tempo foi-se escoando e foram assim tristemente embora.

Nas missas dos enterros respectivos, com grande afluência de parentes e muitos amigos, transversais a todas as gerações, o coro, lindo, era composto por filhos e netos e a letra de uma das músicas composta pela Mãe.

Mas a vida continua e chegou a vez dos filhos serem Pais e de novo alargarem a Família.

Porém, os tempos são outros, tudo mudou.

Era uma vez um Pai e uma Mãe que faziam falta aos filhos.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

numa das minhas idas à China


Numa das minhas idas à China, encontrei um chinês sábio que me vendeu uma poção, a que ele chamou de "elixir do bem viver" e que me permite comer de tudo: feijoadas, mãozinhas de vitela, entrecosto, pézinhos de porco de coentrada, bacalhau à lagareiro, cabrito, enfim tudo especialidades chinesas, sem limites.

Também se pode beber vinho tinto do bom e do branco desde que de boa marca. 

Exercício, estranhamente, disse-me que faz mal, mas deixa-me comer chouriços, farinheiras, morcelas, alheiras. 

Por uma questão de preço na China, nunca tinha experimentado, mas caviar sveluga, salmão fumado, foie-gras e espadarte são recomendados desde que bem acompanhados por champagne. Lagostins, lagostas, carabineros, e de uma maneira geral marisco e peixe fresco são bons para serem comidos com molhos de maionese, bearnais, de limão e manteiga. Não falaram de azeite nem vinagre. 

Pão e manteiga desde que de qualidade superior. 

No frasco do elixir vinha um rótulo desenhado com uma citação do Buda (daí o ventre proeminente): 

"Nascemos para morrer, conhecemos pessoas para as deixar e ganhamos coisas para as perder."

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Acredito em sonhos, não em utopia


Tenho cabeça, coração e me respeito. Acredito em sonhos, não em utopia. Mas quando sonho, sonho alto. Estou aqui é pra viver, cair, aprender, levantar e seguir em frente. Sou isso hoje, amanhã já me reinventei. Sou complexa, sou mistura. Me perco, me procuro e me acho. E quando necessário, enlouqueço e deixo rolar. Não me doo pela metade, não sou tua meio amiga nem teu quase amor. Ou sou tudo ou sou nada. Não suporto meio termos. 

Clarice Lispector

sábado, 25 de outubro de 2014

nariz entupido

Muita gente morre de silêncio. Não deita para fora as fecundas mensagens do coração. Morre de ódio, de inveja. E finge que estes sentimentos, tão incivilizados e deselegantes, pertencem somente aos outros. De soberba, arrogância e ameaças também se morre. E ainda quem deixa a paixão morrer no sexo e faz amor sem prazer. Como quem come uma sobremesa de nariz entupido.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

a gente aceita

Que venha. Seja lá o que for, venha. A gente aceita. Encara, luta, cai, levanta, vai em frente. Aceita o que foi, o que é e o que vem. Não, nós não somos permissivos, acomodados, medrosos, trouxas. Nós somos gente. E a gente aceita.

Aceita até mesmo quando rejeita, recusa, esperneia, grita. A gente aceita o inaceitável em conclusão íntima. O teto desaba, o assoalho rompe, as paredes apertam. E a gente aceita.

Aceita pagar por serviços odiosos, aceita esperar de pé em filas enormes por um atendimento de cara feia. Aceita circular de bandeja em mãos por praças de alimentação lotadas até encontrar uma mesa vazia, engordurada, ao lado da lixeira entupida, transbordando sujeira dos outros. A gente aceita o que tem.

Amores capengas e amantes ausentes a gente também aceita. Aceita pela mera ilusão de não estarmos sós.
A gente aceita passar a semana inteira esperando a “sexta-feira, sua linda”, analgésico e antídoto para os venenos de todo dia. A gente aceita. Aceita tudo que não traz nada. Aceita as críticas e pouco reflete sobre elas, senão para nos convencer de que “errado” é quem as fez e não nós mesmos, nós e nossa perfeição religiosa e autoenganada, fundamentada em versículos bíblicos descaradamente adulterados.

Para amansar antigas feras, a gente aceita raciocínios impostos por terapeutas e analistas desinteressados, iludidos de que chegaremos à nossa subjetividade por discernimento próprio.

A gente aceita pagar mais caro por aquilo a que naturalmente tem direito pela simples lógica da civilidade e do princípio da vida em sociedade. Um espaço dois centímetros maior na poltrona do avião, médicos que nos examinem com o mínimo de cuidado, calma para dormir à noite sem esperar que alguém invada nossa casa na madrugada, um atendimento decente em qualquer canto.

Que nos culpem pelo que não cometemos só para fugir de discussões cansativas, a gente aceita de bom grado. E daí? Que mal há em não querer gastar tempo discutindo balela? A gente aceita, aceita que é mais fácil.

Aceita porque, afinal, por mais que nos defendamos, aqueles que nos culpam de qualquer coisa não vão mesmo acreditar. Se o fizessem, assinariam para si mesmos um vergonhoso atestado de covardia. Então aceitam o cargo autoimposto de suprassumos das ciências, reis da cocada colorida, generais da banda.
A gente aceita e se acostuma a viver com medo, aceita a morte lenta e o tempo breve, aceita sentimentos burocráticos e cobranças descabidas. Aceita meia hora de amor e duas paçoquinhas.

A gente aceita tudo. Aceita o que deu pra fazer, aceita o mínimo e acha o máximo. Aceita o mais provável e o menos pior. A gente aceita. A gente aceita.

André J. Gomes

terça-feira, 21 de outubro de 2014

dor de dentes por Portugal e pelo estrangeiro

Se olharmos para as notícias que se referem a Portugal e somarmos às internacionais, não podemos deixar de sentir um mal-estar, uma sensação de enjoo, de dor de dentes latente e de preocupação crescente quanto ao nosso futuro.

Tudo à bulha, quer física quer verbalmente, mortes, sofrimento, miséria, raptos, infelicidade às colheres!

E num dia como o de hoje, em que volta a bonomia do Outono, calor, sol e esta luz única o que apetece fazer é fugir para a praia ou para o campo e ouvir o mar, ou o balir de ovelhas, ver o verde acastanhado das árvores, evitar toda e qualquer polémica e até procurar o silêncio de umas longas horas.

Eu não sei o que sentem e pensam, mas este esforço quotidiano de assegurar a subsistência nossa e dos outros, sem horizonte à vista, com pesados encargos fiscais, desincentivadores do investimento, de inovação e da solvência das empresas e das famílias, é um verdadeiro desconsolo e muito desanimador.

Poucos são os que têm paciência para tolerar a política dos tachos e do poder, agora ou no futuro, pois sente-se falta de espírito de verdadeiro serviço…mas isto são banalidades que se escrevem pois a dor está cá dentro, insidiosa, massacrante e crescente.

Lá fora não está melhor, uma violência nunca vista, cada vez há mais focos de guerra favorecendo novos ciclos de vendas de armas de e para todos os países, sem excepção. É um negócio de grandes e fabulosas margens e comissões que fazem até esquecer as rivalidades e disputas geoestratégicas.

Desorientação no rumo a seguir na Europa, em Portugal, cinismo e hipocrisia…não posso traçar um quadro pior, mas é verdadeiramente o que sinto.

O que fazer? Várias soluções:

a) Beber irrestritamente ou whiskey do bom, ou gins da moda, ou vodka genuíno, quiçá um bom vinho português e adormecer debaixo de uma acolhedora latada, numa quinta dos arredores;

b) Desatar à tapona, na política, na economia, esfalfar-nos, berrarmos, gastar a nossa imagem à exaustão e até nos oferecermos como mercenários para qualquer insurreição…há para todos os gostos e credos, sem qualquer hipótese de êxito!

c) Exilarmo-nos para a terra dos esquimós e viver sabiamente ou talvez para a Jamaica, passando as tardes a beberricar rum;

d) Ler um bom livro ao som de uma óptima música.

Sobretudo, enquanto estiver bom tempo não trabalhar de todo em todo e esquecermo-nos dos malvados, dos traiçoeiros, dos desonestos, dos inimigos, dos patifes e bandidos e por aqui me fico pois a lista é vasta…

Bem-hajam. Pois!

domingo, 19 de outubro de 2014

O Sínodo de Roma

"Há temas na Igreja que não podem ser tratados por pressão", leio num título do Diário de Notícias, atribuído a um secretário qualquer com um título pomposo do catolicismo da Europa.

Mas qual a medida do tempo? Os resistentes jogam sempre com esta arma perniciosa...em minha casa em pequeno, escondiam-se opiniões, falando em francês ou inglês " a cause des enfants ou mind the children"!
Temos que apoiar este Papa nesta sua abertura da Igreja ao mundo. Ele saberá melhor do que nós, porque também não pensa sózinho e tem para além de Conselheiros uma atenção constante à pastoral da Igreja.

Preferem os católicos radicais que aumente o número dos sem-fé, dos que abandonam a Igreja, dos que se tornam cépticos?

É que já nem se trata de discutir temas que passam por uma visão de humanidade mas de assuntos mais sérios: que Deus? existe? se não existe porquê esta perca de tempo? depois de morto houve alguém que viesse cá contar o que se passa depois, MESMO?

Este é que é o busilis: as igrejas e religiões de vários credos e origens são cartilhas de regras administrativas rígidas para controlarem os fiéis...tambem nas religiões há marketing a fazer, campanhas de "sócios" e "massa monetária" a assegurar para a manutenção de estruturas rígidas e humanas....

Longe vai de tudo isso a pureza e os ideais dos fundadores tais como Cristo, Buda, Maomé e tantos outros...

Já é mais do que tempo para começar a pensar em quem não deve ser excluído da protecção da Igreja e é uma sorte ainda quererem, pois hoje em dia, não há uma única família das ditas tradicionais aonde não haja situações das postas em causa. E o que fazem em termos familiares, rejeitam os seus membros excluídos da Igreja? Claro que não...

É insuportável o radicalismo e inevitàvelmente conduz ao asco, ao ódio, à intolerância...é o que querem para ficaram no consolo beato da sua consciência superior e bolorenta?

Era um sujeito probo, envaidecido

Era um sujeito probo, envaidecido
Por três filhos criados, já grandotes:
Dois machos e uma fêmea — que, paridos,
Cresceram a palmadas e chicotes.
Era um sujeito casto — nunca ria
Sobre matérias lânguidas, lascivas,
E por ser moralista perseguia
As próprias conjunções copulativas.
Era um sujeito crente — e ordenava
Aos filhos que rezassem na capela
Por uma pobre puta, que morava
Lá perto, de viés numa viela.
Morreu, coitado, um dia quando soube
Que a prole ia casar na capelinha:
Os filhos com dois homens de bigode
E a filha com a puta da vizinha.

Bruno Oliveira Santos

Filipe II tinha um colar de oiro, por António Gedeão


Filipe II tinha um colar de oiro


Tinha um colar de oiro com pedras e rubis.
Cingia a cintura com cinto de coiro,
com fivela de oiro,
olho de perdiz.

Comia num prato
de prata lavrada
girafa trufada,
rissóis de serpente.

O copo era um gomo
que em flor desabrocha,
de cristal de rocha
do mais transparente.

Andava nas salas
forradas de Arrás,
com panos por cima,
pela frente e por trás.

Tapetes flamengos,
combates de galos,
alões e podengos,
falcões e cavalos.

Dormia na cama
de prata maciça
com dossel de lhama
de franja roliça.

Na mesa do canto
vermelho damasco
a tíbia de um santo
guardada num frasco.

Foi dono da terra,
foi senhor do mundo,
nada lhe faltava,
Filipe Segundo.

Tinha oiro e prata,
pedras nunca vistas,
safira, topázios,
rubis, ametistas.

Tinha tudo, tudo
sem peso nem conta,
bragas de veludo,
peliças de lontra.

Um homem tão grande
tem tudo o que quer.
O que ele não tinha
era um fecho éclair.

Poema do "Fecho éclair" de António Gedeão.

A CÓPIA DA CÓPIA MULTIPLICA O ERRO


Um jovem noviço mal chegou ao mosteiro deram-lhe logo a tarefa de ajudar os outros monges a transcrever os antigos cânones e regras da Igreja. 

Ele fica surpreendido ao ver que os monges faziam o seu trabalho, copiando a partir de cópias e não dos manuscritos originais.


Foi falar com o velho Abade e comentou que, se alguém cometesse um erro na primeira cópia, esse erro se propagaria em todas as cópias posteriores.


O Abade responde-lhe que sempre fizeram assim, há séculos copiavam da cópia anterior, na verdade desde o início da Igreja, para poupar os originais. Mas admitiu que achava interessante a observação do noviço.
Na manhã seguinte, o Abade desceu até às caves do mosteiro, onde estavam conservados os manuscritos e pergaminhos originais, intactos e com a poeira de muitos séculos...


Passa-se a manhã, a tarde e a noite, e ninguém mais vira o Abade. O último que o vira informou que ele estava a ir em direcção às caves do mosteiro. Preocupados, o jovem noviço e mais alguns monges decidiram procurá-lo.


Nos labirintos do mais profundo e frio compartimento das velhas caves, encontraram o velho Abade completamente descontrolado, tresloucado, olhos esbugalhados, espumando e com as vestes rasgadas, batendo com a cabeça já ensanguentada nos veneráveis muros do mosteiro.


Apavorado, o monge mais velho perguntou:


- Mas, Abade, pelo amor de Deus, o que aconteceu?


- IMBECIL! IMBECIL! IMBECIL o primeiro copista! IMBECIL! Desgraçado, que arda no Inferno!! CARIDADE!!!! Era CARIDADE!!!! Eram votos de CARIDADE que tínhamos que fazer e não de CASTIDADE!!!!


sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Nano diálogo em casa do Salvador

-Já não andas com a Madalena?
- Fomos vistos pela Constança a jantar de mãos-dadas no Outro Tempo Bar. Raio de azar, tínha-me dito que ia a Azeitão a casa do Jorge. - disse o Pedro.
- Então tiveste que a largar ou andas mais cuidadoso? - perguntou o Nuno.
- Tenho várias ao mesmo tempo, dá-me uma trabalheira gerir as emoções. Ainda acaba por correr mal, mas não resisto à Mafalda e à Luisinha!
- Sabes quem te pode ajudar nas Amoreiras? O Mostafa tem um apartamento super bem arranjado nas Torres e aluga com jantar e tudo e também com miúdas, se quiseres.
-Já lá fui com o grupo do golf, o máximo!
- Ouve tu tem-me cuidado Pedro, pois a Constança anda desconfiada. No outro dia desabafou que te acha cansado e desinteressado.
- Pudera, não!

 In prosas bárbaras e soltas de Vicente Mais ou Menos de Souza

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Os Palhaços

Os Palhaços

Ruggero Leoncavallo nasceu em Nápoles na Itália. Filho de um magistrado, Leoncavallo foi uma criança talentosa: aos nove anos foi aceite como estudante de piano e composição no Conservatório de Música de Nápoles e aos dezoito anos já tinha começado a trabalhar na sua primeira ópera Chatterto.

Para esta, ele havia organizado uma primeira produção em Bolonha, mas um empresário sem escrúpulos abandonou o jovem compositor justamente antes da estreia. Sem dinheiro e desencorajado, Leoncavallo teve que ganhar a vida a ensinar piano e canto, e a tocar em cafés-concerto.

O projecto lírico seguinte de Leoncavallo foi I Medici, a primeira parte de uma ambiciosa trilogia de obras, baseada em eventos da Renascença Italiana. O famoso e poderoso editor musical Ricordi não se interessou pelo trabalho, e talvez como resultado do desespero, Leoncavallo escreve Pagliacci em1892, imitando o realismo vívido da imensamente bem-sucedida Cavalleria Rusticana, de Pietro Mascagni.

Pagliacci foi um triunfo e tornou Leoncavallo famoso da noite para o dia. Infelizmente, como Mascagni, ele nunca foi capaz de duplicar seu sucesso.

Leoncavallo produziu várias outras óperas até 1919, ano da sua morte, mas somente Pagliacci é regularmente executada e quase sempre no mesmo programa com a Cavalleria Rusticana de Mascagni.

Passa-se numa praça de uma vila da Calábria, província do extremo sul da Itália. A época é o final da década de 1860. Toda a acção da ópera acontece entre as 3 horas da tarde e meia-noite de 15 de Agosto, durante a Festa da Assunção da Virgem. Como parte da celebração, uma trupe provincial de actores ambulantes veio para a cidade para representar. Eles já tinham estado na aldeia antes e os aldeões conhecem-nos.

Durante o Prelúdio, e ainda com as cortinas fechadas e o cenário por revelar, Tonio dá um passo em frente e apresenta-se como "O Prólogo".

Na tradição da arte da comédia, o Prólogo diz ao público para não se preocupar se houver uma tragédia no palco, porque, apesar de tudo, é somente uma peça e não a vida real. No entanto Tonio traz-nos uma mensagem muito diferente:

- Senhoras e Senhores! Na peça que estão prestes a assistir, o autor quer capturar as velhas tradições e mostrá-las novamente. Mas ao contrário do que estão á espera, ele não pretende mostrar-vos a ficção. Não! Este autor que mostrar-lhes um verdadeiro pedaço de vida. A verdade foi sua inspiração. Verão o amor como o povo real ama. Verão os trágicos resultados do ódio e espasmos da dor real. Escutarão gritos de raiva verdadeira e risos cínicos.

Assim nesta ópera temos a história típica da mulher obrigada a viver com o homem que não ama resignada por isso a ter que amar às escondidas.

Sou um fã da ária “Vesti la Giubba” e assisti em Milão à actuação inesquecível de Pavarotti no papel de Canio e vibrei com a sua tristeza e amargura. Muito intenso!


Tantas vezes na nossa vida esta tristeza pela perda do amor de alguém, nos faz sentir destroçados e desesperados e há como que um flagelamento pela incapacidade de termos conseguido prender o ser amado.

A importância da figura do palhaço não é tanto pela roupagem e a cara pintada, mas mais pela duplicidade dos sentimentos: por fora as pantominas e as gargalhadas, por dentro o sofrimento e a amargura.

O teatro da vida foi sempre uma actuação preferida dos inteligentes: um desempregado ou um cornudo dificilmente confessam a sua situação.

Continuam a representar como se de nada se tratasse pois sabem que se forem sinceros são relegados para o desprezo, para o olvídio e perdem o seu “status” de pessoas credíveis e respeitáveis, por mais cavalgaduras ou cornos que sejam!

E talvez a confissão da verdade seja o caminho mais longo a percorrer para o restabelecimento do equilíbrio e de alguma felicidade: no entanto, a verdade é como é.

Todavia, há sempre um recomeçar e o riso do palhaço nesta ária é magnífico, profundo e retemperador!

O Sínodo e o Papa Família

Temas importantes estão-se a discutir no Sínodo em Roma.

Não se trata só do chavão sobre os homosexuais nem os descasados. Se querem que lhes diga, é preciso ter uma mente muito bolorenta, incluindo Cardeais da Igreja, para concentrarem o fogo de artilharia no Papa, a propósito de duas realidades indesmentíveis, que creio, pelo menos em países civilizados, não se destinam à fogueira!

Mas, mais uma vez, as atenções de quem não pensa em grande, o que os anglo-saxónicos apelidam de "THINK BIG", não vão para o fundamental da nossa vida tal como a conhecemos: o problema da Fé e os sinais de uma Igreja que a apregoa.

Mesmo para os fiéis da Igreja Católica, não é claro haver unanimidade em tantas das coisas que compõem um corpo orgânico, que é um misto de regras humanas e portanto falíveis e um acervo de doutrina inspirada nas palavras e vida de Jesus Cristo, o fundador da dita Igreja.


E quando, um Papa com ousadia e serenidade, tenta aproximar a vivência da Fé com a realidade da maioria do mundo actual, pela atenção aos mais desfavorecidos, aos mais abandonados, esquecidos, criticando o capitalismo selvagem e feroz, dando com doçura passos de gigante no Ecumenismo e sugerindo procedimentos para uma maior harmonia entre os Homens, é criticado por ser comunista ou vermelhusco e de não usar sapatos da Prada!


Naturalmente que o precederam outros valorosos Papas com quem, na minha opinião, não se deve fazer comparações. Todos têm a sua origem diferente, e tempos distintos de Pontificado.


Há que apoiar o Papa neste Sínodo, abrir a mente e o coração à alegria de ver a Igreja progredir e debruçar-se sobre o mundo de uma forma convincente, pois está a causar boa perplexidade junto de quem não faz parte da Igreja ou tem outros princípios fundacionais.


Às vezes apetecia-me, em fora que frequento, discutir mais e até irritar-me com a insignificância das gentes que criticam em sottovoce, sem coragem de afrontarem a comunis opinium doctorum, mas olho para este Papa e vejo a sua atitude de firmeza sem cedências, mas ao mesmo tempo de doçura, alegria e bondade e sigo-o na sua abordagem às críticas.


Haja Deus!

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Um outro olhar sobre os reclusos das prisões de alta segurança e não só


Apresento-me rapidamente: voluntário da Cruz Vermelha Portuguesa no sector da assistência aos reclusos, professor de Português para estrangeiros na prisão de Monsanto. Advogado e Administrador de empresas.
Dou aulas de cerca de duas horas, duas vezes por semana. Aprendo mais do que ensino e por isso para além de professor, sou sobretudo aluno de “Humanidades”.

Reclusos “top”, de várias nacionalidades. Tenho na vida cá fora, bastante claustrofobia, mas ali, dentro de uma sala pequena, sem janelas para o exterior, trancado a sete chaves, dando para um corredor com guardas e com uma câmara permanente, não tenho o direito sequer de pensar em atabafamento. Nem dou por isso. 

As aulas são sobre, obviamente, a matéria para que me ofereci, mas também guardo 30 minutos para falarmos de e sobre tudo. Levo artigos e prosas de MEC, de Meril Streep, de Voltaire, faço ditados sobre textos de Pessoa, de poetas brasileiros, franceses, espanhóis, alemães, ingleses, empresto livros de clássicos porque mos pedem, de autores contemporâneos, é de facto uma feira de “cultura”.

Sou como a nau Catrineta, tenho muito para contar e não tenho por onde começar. Gostaria de neste primeiro artigo, sobretudo, suscitar o interesse do público em geral, para um tema que é tabu e sobre o qual quer os políticos, os deputados e os cidadãos, não se pronunciam, não se interessam em profundidade, fugindo dele quase como se fosse o vírus do ébola, para sermos actuais!

Três pontos que me merecem imediatos comentários:

1.       1. Sabe-se pouco sobre a matéria porque se não conhece. 

2.       2. Há trabalho bem feito e produtivo quer pelo Estado ( e aqui não refiro nenhum Governo nem Partido em especial, pois desde há anos que se vem progredindo), quer pelas instituições particulares e por pessoas e voluntários.

3.     3. É preciso muito mais: gente habilitada e qualificada, novas ideias e confronto com o que se faz no estrangeiro, cabeças desempoeiradas sobre a realidade prisional, a revisão das regras, da legislação, a abordagem a desempregados com valor, generosidade e tempo..hélas…que enquadrados em termos formativos, invadam as prisões e tornem-nas na antecâmara do regresso à liberdade.

Em relação ao ponto 1., é necessário mais imprensa escrita e falada (rádio e televisão). Não chegamos lá, não nos ouvem, não conhecemos a quem meter “cunhas” para falar de outros homens e mulheres de quem, quer gostemos ou não, somos corresponsáveis pelas suas penas e delitos, pois vivem e convivem na mesma sociedade civil.

Em relação ao ponto 2. é preciso publicitar o que existe, discutir a doutrina e jurisprudência dos Tribunais de Execução de Penas, acompanhar as tendências mundiais da teoria de reinserção dos reclusos, estudar a sua aplicação no meio português, propor sistemas de microcrédito e de incentivos laborais para o regresso à sociedade civil, ensino, educação, acolhimento, compreensão, amor e dedicação.

Em relação ao ponto 3. falta contactar as empresas, as universidades, os profissionais do direito, da medicina e da psicologia, as igrejas e os seus diferentes credos, numa palavra tornar conhecido o desconhecido.

E há tantos exemplos de sucesso e também de insucesso. 

Se no programa do ensino básico houvesse visitas às cadeias, estou seguro de que estaríamos a preparar os nossos filhos para duas coisas: a criação do espírito de solidariedade e de voluntariado e por outro lado da rejeição do crime e da desconformidade ao Bem.

E por hoje aqui me fico, dando a cara, estando disposto a lutar por uma “classe” que necessita de vozes de tolerância, de não julgamentos precipitados sobre o modo de ser e de agir, de acompanhamento, de permanente disponibilidade e atenção.

Recentemente, num evento, estava ao meu lado uma jornalista conhecida, a quem eu estava a contar com entusiasmo esta minha experiência e envolvimento, e a reacção foi: - mas tu agora estás do lado dos criminosos? E a minha resposta foi: - mas tu já foste visitar alguma vez uma prisão?

Diziam-me os meus “alunos” estrangeiros a quem dou aulas em Monsanto: - o que nos faz mais falta ao longo dos anos de prisão, é a afeição, a ternura, um beijo, um afago, a companhia de quem nos ajude a recomeçar. 

São penas de dezenas de anos sem ver a luz do dia. Terão feito algo que o mereça: só eles sabem, mas há uma linha nítida que separa o passado do futuro. E nós devemos estar no futuro à espera deles e a ajudá-los a lá chegar no presente.

MNA

domingo, 12 de outubro de 2014

o meu combóio eléctrico

 
Tive um combóio eléctrico em pequenino e adorava construir as estações, os prados, as montanhas e os vales, os rios e os lagos, as pessoas e as casas e tudo me parecia tão real.

Acabou por estar sempre montado, mas eu arranjava maneira de mudar sempre qualquer coisa.

E lá partia eu de malas aviadas para sítios imaginários e enquanto ele rodopiava e até fazia um certo fumo e apitava, ficava a olhar perdido nos meus sonhos de menino sem grandes conhecimentos ainda do que era de facto uma viagem para o mundo real.

Lembro-me que com o comando, fazia-o parar nas estações e até deixava que uma cancela abrisse e uma carroça puxada por um burro atravessasse a linha sem perigo.

E no Natal a família dava-me presentes de novas peças: às vezes uns parentes vindos de Londres, traziam-me verdadeiras preciosidades do Hamley’s em Regent Street, que visitei mais tarde, mas sem o encanto da meninice.

E ainda hoje adoro andar de comboio!

Será que se pode escolher o meio de transporte para ir para o paraíso?

sábado, 11 de outubro de 2014

serei um cavalo de crinas ao vento

Já se perguntaram o que lhes apetece mesmo fazer com a vida? Mesmo, mesmo? Não é depois de copos e charros, ou só copos.

É:
- no emprego cinzento e rotineiro,
- na casa de família aonde se dão mal com o cônjuge, ou mesmo que se não deem já viram tudo o que tinham que ver ou fazer,
- é na rejeição de um engate ou na constância de uma aventura que perdeu a graça,
- é no dinheiro que já não têm e que se foi em bancos maus,
- ou na viagem – agora é que é, em primeira ou executiva melhorada – aonde se chega cansado ao fim, quase da mesma maneira do que em económica?


E já repararam que quando se dão aos outros e se esquecem de si próprios, pelo menos no durante, a vida tem outro sabor, um cansaço merecido e reparador, uma aproximação à paz interior tão desejada?

Lê-se por aí os excessos dos bilionários, a pobreza gritante e a morte diária de inocentes em guerras e conflitos sem outro objectivo senão o de impulsionar as máquinas de armamento de cada país conflituante, com as comissões distribuídas pelos hipócritas dos políticos que apregoam a concórdia entre as partes.

Não acham que farta, não apetece ser um manifestante de rua de Hong Kong, tranquilo, idealista, arrumado e limpo, sem luxos nem grandes exigências para além de gritarem pela liberdade?

É nestes exemplos em que me revejo e aonde me sinto farto do capitalismo feroz e selvagem. Apetece fechar a loja e deixar de existir, pelo menos nesta vida.

Consultados os astros, numa nova encarnação serei um garboso cavalo de crinas ao vento.


In “poemas imaginários” de Vicente Mais ou Menos de Souza


Os homens — estes, sim — deveriam lamber os seus cães


Para o meu cão, deixo o mundo: osso duro de roer. Para o mundo-cão, deixo um esqueleto no armário: resquícios do poeta que minguou em mim.

Para os grande cânions, deixo pequenas demonstrações de desespero: os meus latidos de inconformismo a ecoarem, a ribombarem contra as rochas e confundirem os ecos.

Para ondas e correntes, deixo as minhas braçadas rio acima.

Para o jardim de inverno, deixo os tais sonhos de uma noite verão. Vocês verão — prezados lírios — que, de tão simplórios, até poderiam ser chamados delírios, ao invés de sonhos.

Para o pó da estrada, deixo mais que as pegadas. Deixo histórias para serem contadas sem muito entusiasmo, mas também sem histeria, pois de exageros já basta ter nascido.

Para a lua cheia, deixo a denúncia vazia de que São Jorge caiu do cavalo e não virá essa noite para o jantar, a fim de matar dragões. Por outro lado, aquele faminto séquito de poetas permanecerá sentado nos banco das praças desta cidade, colocando as suas vidas em risco (a violência urbana está mesmo de matar), ansiosos por inspirações incríveis dignas de uma noite enluarada.

Para os céticos convictos — parceiros de muito pragmatismo e solidão nas confraternizações familiares — deixo amuletos em prol da assepsia de demônios. Mas que não deem a eles o menor crédito, nem mesmo a este testamento, que foi escrito sob a égide de uma profunda, lamentável condição humana.
Para as mulheres que amei, deixo tudo aí como está: gonococos, lábios que beijei, doces recordações e um ligeiro grau de indelicadeza ao dizer adeus.

Para os cães emocionados que lambem os seus donos como se não houvesse amanhã, deixo a minha admiração irrestrita. Os homens é que deveriam lambê-los.

Para os melhores amigos deixo meus piores defeitos. E vamos ver mesmo quem é que vai aguentar.

Para os meus desafetos, deixo uma distância segura que nos conservará diferentes e felizes.

Para o biógrafo decadente, deixo pistas falsificadas que o conduzirão a um ser humano probo e admirável que, certamente, não serei eu, mas um personagem fotogênico que merecerá tese, discurso, inclusive um busto na praça, e toda aquela gama de excrementos que um bando de pombos incontinentes possa evacuar.

Por sinal, deixo às pombas da paz as minhas ameaças de guerras interiores.

Para os soldados em campo, deixo as minas dos meus subterrâneos, uma explosão de sentimentos que fará aquela famosa Rosa de Hiroshima parecer uma reles erva daninha no canteiro.

Para o governo local, deixo os neurônios desgovernados que furtei de um poema.

Para os senhores da Receita, deixo os porcos, as pérolas, todas as minhas economias, inclusive os beijos e afagos que soneguei. Multem-me, arrestem os meus bens, mas — para o seu próprio bem — não repitam os meus equívocos!

Para os exorcistas, deixo as portas destrancadas. Não haverá resistência.

Para os homens de fé, deixo o crucifixo de bronze que usava para coçar as costas, e velas de sete dias para assar marshmallows.

Para doutores da alma, deixo picanhas no freezer.

Para Deus, o meu perdão.

Eberto Vêncio

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

PERESTRELLO, SALAZAR E O PADRE


PERESTRELLO, SALAZAR E O PADRE

Vejam lá se gostam desta lição de história que nos foi contada por um ilustre historiador da Marinha.

Nos tempos idos do anterior regime, o pai de António Oliveira Salazar era feitor numa grande propriedade do velhote Perestrello, situada lá para os lados de Santa Comba Dão. Perestrello teve dois filhos, um rapaz e uma rapariga. A menina ainda foi namorada de Salazar e o rapaz, mais conhecido pelo Perestrello Vasconcellos, que cursou engenharia, quando Salazar chegou ao poder colocou-o como administrador da Casa da Moeda e posteriormente, em 1939, assumiu a gestão do Arsenal do Alfeite.

Perestrello Vasconcellos morreu em 1962 e deixou seis ou sete filhos, dos quais um deles foi engenheiro naval, na Lisnave, e outro, sentiu vocação para sacerdote e veio a ser capelão da Marinha. Em 1959, o capelão Perestrello Vasconcellos fez parte da célebre conspiração "Caso da Sé", na qual participaram vários opositores ao regime, como Manuel Serra. Na eminência do capelão também ser preso, o presidente do governo, Oliveira Salazar, chamou a S. Bento o pai do capelão Perestrello Vasconcellos e aconselhou-o a mandar o filho para o Brasil, para que não tivesse o desgosto de ver um filho na prisão. Tudo em consideração ao velhote Perestrello de quem o pai de Salazar tinha sido feitor.

E foi assim que o padre Perestrello Vasconcellos debandou para o Brasil. Nos anos 70, com a primavera marcelista do primeiro-ministro Marcelo Caetano, o padre Perestrello Vasconcellos regressou a Portugal e foi exercer o sacerdócio na paróquia de Loures.

Num belo dia, o admirado e venerado padre Perestrello Vasconcellos, em plena missa dominical, deixou os paroquianos atónitos e lavados em lágrimas. Anunciou que iria deixar o sacerdócio porque se apaixonara por uma senhora da família Lorena. O padre passou à sua condição de cidadão com matrimónio e dessa união nasceu Marcos Perestrello Vasconcellos, o ex-vereador socialista da Câmara de Oeiras e secretário de Estado da Defesa do governo do Partido Socialista.

P.S. - Já agora acrescento mais uma história da família Perestrello e do Dr. Salazar (retirada da biografia escrita pelo Dr Franco Nogueira...)

Realmente (e tal como se refere no texto acima) o jovem Salazar (que pelos vistos era um mulherengo e não um misógino) gostava da jovem Perestrello e ela retribuía esse amor com paixão.

Até que a mãe se apercebeu e terminou com o namoro, não sem antes dizer de viva voz ao jovem prof. Universitário (imaginem, de Finanças Pùblicas !!!!) que tinha muita consideração pela inteligência dele, mas, sinceramente, namorar com a filha dela, uma Perestrello, era demais. Ele não se podia esquecer, que era e seria sempre o filho do caseiro.

Terminou assim o namoro.

Anos passados, já ele era 1o ministro e a senhora Perestrello telefonou-lhe para lhe pedir um favor. O telefonista passou a chamada e ela anunciou-se : "Daqui fala Perestrello" e Salazar respondeu "Daqui fala o filho da caseiro".

Isto só prova que a vingança não se serve fria, como muita gente pensa, mas gelada.

Carlos Cruz Oliveira

(enviado pelo meu Amigo Tony de Sousa Lara)

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

a insustentável leveza do ser


Não sou dado a R.I.P.s secos e impessoais. Prefiro uma oração pela alma (PN - AM) ou escrever palavras e frases completas manifestando a amizade por familiares, a dor sentida, alguma observação relativa ao defunto.

Mas o Facebook faz-nos a cada dia contactar mais com a morte que sobrevém, rápida e sem piedade, ceifando gente de todas as idades e profissões.

Acaba por ser um exercício edificante, pois chama-nos a atenção para como devemos estar disponíveis para quando isso aconteça, a uns mais previsivelmente a outros inesperadamente.

Por isso é preciso estar leve para o caminho: foi sempre uma expressão que me agradou. O conceito de leveza, tão magníficamente tratado na literatura, na música, na poesia, na saúde e na filosofia é uma espécie de bálsamo.

Alguém que acabe de comer uma rica feijoada, um barrigudo, um sôfrego por comida....intui sempre a percepção de que vai ser penosa a caminhada, a pé, de carro pela sonolência, em casa deitado numa cama pela má digestão que fará...

Uma ou um bailarino, um ginasta bem musculado e treinado, um corredor habitual ou um caminhante diário....são bem mais leves para tudo quanto se lhes exija ou queiram empreender.

Uma última observação que captei com a mensagem deixada pelo actor Rodrigo de Menezes, na sua página do facebook: é bom anteciparmo-nos nas despedidas, falarmos de quem nos amou e a quem amamos, talvez evitar grandes palavras cruas e duras sobre quem nos infernizou, mas que a imagem que se deixe seja de paz e de alegria na expectativa de uma partida inevitável, quando ela acontecer.

Não importa as crenças, se católica, se cristã, se judia, se muçulmana, se budista, se nada...mas o mais relevante é sem "a mania das grandezas", deixarmos uma imagem arrumada e resolvida da nossa vida.

Se isso ainda não acontecer no presente, bem....o melhor é começarmos a tratar disso quanto antes...