A maioria das pessoas prefere confessar os pecados dos outros.
Graham Greene
terça-feira, 1 de abril de 2014
preto e branco
O contrário de bonito é feio, de rico é pobre, de preto é branco, aprende-se mesmo antes de se entrar na escola. Se se fizer uma sondagem, ouvir-se-à também que o contrário do amor é o ódio. Estão
erradas as pessoas. O
contrário do amor não é o ódio, é a indiferença.
domingo, 30 de março de 2014
The Smiths
Acabara de sair nas notícias da tarde que o Governo tinha aprovado nova legislação respeitante ao casamento dos homossexuais.
Richard Smith apressava o passo para chegar a casa antes do seu companheiro. Era um apartamento na Costa do Castelo, com um terraço e uma soberba vista sobre o Terreiro do Paço e o rio.
Ia rememorando, enquanto subia a calçada íngreme, o seu primeiro encontro em Banguecoque há anos com João André.
Eram ambos diplomatas, jovens terceiros secretários de países diferentes, e num cocktail na residência do Embaixador de Portugal, alguém os apresentou e foi um coup-de-foudre!
Que invulgar que passados uns meses, numa praia idílica do norte da Tailândia, lhe tivesse passado pela cabeça oferecer como prova de amor para com João André, uma tatuagem nas costas dele dizendo “ The Smiths”!
Era uma responsabilidade no fundo dar-lhe o apelido e depois pensara se um dia se separassem como seria?
Ainda há dias, em casa de amigos quando os apresentaram, o anfitrião disse:
- The Smiths!
MNA
Richard Smith apressava o passo para chegar a casa antes do seu companheiro. Era um apartamento na Costa do Castelo, com um terraço e uma soberba vista sobre o Terreiro do Paço e o rio.
Ia rememorando, enquanto subia a calçada íngreme, o seu primeiro encontro em Banguecoque há anos com João André.
Eram ambos diplomatas, jovens terceiros secretários de países diferentes, e num cocktail na residência do Embaixador de Portugal, alguém os apresentou e foi um coup-de-foudre!
Que invulgar que passados uns meses, numa praia idílica do norte da Tailândia, lhe tivesse passado pela cabeça oferecer como prova de amor para com João André, uma tatuagem nas costas dele dizendo “ The Smiths”!
Era uma responsabilidade no fundo dar-lhe o apelido e depois pensara se um dia se separassem como seria?
Ainda há dias, em casa de amigos quando os apresentaram, o anfitrião disse:
- The Smiths!
MNA
sábado, 29 de março de 2014
Só um mundo de amor pode durar a vida inteira.
Há coisas que não são para
se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei
como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso,
incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo
para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu
próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.
O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixonade verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios.Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há,estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.
Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida,o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.
O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.
O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado,viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não.
Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.
Miguel Esteves Cardoso
O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixonade verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios.Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há,estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.
Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida,o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.
O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.
O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado,viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não.
Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.
Miguel Esteves Cardoso
quarta-feira, 26 de março de 2014
terça-feira, 25 de março de 2014
domingo, 23 de março de 2014
Amigos
Um dia a maioria de
nós irá separar-se. Sentiremos saudades de todas as conversas atiradas fora,
das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que partilhámos.
Saudades até dos momentos de lágrimas, da
angústia, das vésperas dos fins-de-semana, dos finais de ano, enfim... do
companheirismo vivido.
Sempre pensei que
as amizades continuassem para sempre.
Hoje já não tenho tanta certeza disso.
Em breve cada um vai para seu lado, seja pelo destino ou por algum
desentendimento, segue a sua vida.
Talvez continuemos a encontrar-nos, quem sabe... nas cartas que trocaremos. Podemos falar ao telefone e
dizer algumas tolices... Aí, os dias vão passar, meses... anos... até este
contacto se tornar cada vez mais
raro.
Vamo-nos perder no tempo... Um dia os nossos filhos verão as nossas
fotografias e perguntarão: Quem são aquelas pessoas? Diremos... que eram nossos amigos e... isso
vai doer tanto!
- Foram meus amigos, foi
com eles que vivi tantos bons anos da
minha vida! A saudade vai apertar bem
dentro do peito. Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente...
Quando o nosso grupo estiver incompleto...
reunir-nos-emos para um último adeus a um amigo. E, entre lágrimas, abraçar-nos-emos. Então,
faremos promessas de nos encontrarmos mais vezes daquele dia em diante.
Por fim, cada um vai para o seu lado para
continuar a viver a sua vida isolada do
passado. E perder-nos-emos no tempo...
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a
vida passe em branco, e que pequenas
adversidades sejam a causa de grandes
tempestades...
Eu poderia suportar,
embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas
enlouqueceria se morressem todos os meus
amigos!
Fernando Pessoa
sábado, 22 de março de 2014
O dentista suíço do Príncipe de Sabóia, eu e as primeiras eleições em Angola - Parte I
O dentista suíço do Príncipe
Victor Emanuel de Sabóia, foi convidado para jantar no mesmo dia do que eu naquela
fantástica casa no Lac Léman, em Genève, que um arquitecto famoso desenhou para
os Príncipes. Duas piscinas, uma interior de água quente, e uma outra para o
lago, partindo do meio da sala com janelas amplas e com uma vista deslumbrante.
O recheio riquíssimo, com
o acervo patrimonial dos Sabóias herdado do Rei Umberto (quadros, joias,
pratas, serviços de loiça, móveis) e com presentes únicos e propositadamente
feitos para a Casa Real por manufacturas italianas famosas, tais como um
armário precioso de vidro de Murano, algumas peças em mármore de Carrara, etc.
Tudo disposto
harmoniosamente e numa mistura de estilos, tornando as salas muito confortáveis
e criando diversos espaços a vários níveis para se estar, sempre com vista para
o jardim, para o pequeno ancoradouro e para o Lac Léman.
Uma carreira de tiro
privada e uma colecção de armas priceless, uma garagem cheia de carros antigos (um Bugatti precioso dos
primórdios) e várias motas.
Sempre lá fui acolhido
com enorme grandeza mas também com a simplicidade da rotina raffiné do dia-a-dia.
O staff compunha-se de um casal de portugueses emigrantes por mim indicado, um mordomo
italiano, um “chauffeur” suíço e uma comida italiana sã, despretensiosa e uma
delícia. Vinhos de grandes marcas e servidos com uma abundância preocupante
para a coerência e lucidez das conversas….
Avi era judeu e um afamado
dentista frequentado por toda a boa e riquíssima sociedade local. Conheci-o
numa aflição de umas dores de dentes danada quando estava com os Príncipes em
Genève. Foi de uma enorme utilidade e amabilidade e tornámo-nos amigos. Todas
as vezes que ia ter com os Príncipes, ou jantávamos todos fóra, sempre em
excelentes bistrots, ou em casa dos Sabóias, ou de amigos; mas o que eu mais
gostava era quando me convidava para comermos “perches” fritas, que eu adorava,
junto ao Lac Léman, num restaurante famoso desta especialidade.
Antes do referido jantar,
que sendo em “petit comité” ( O Príncipe, Avi e eu) convivemos com a Princesa
Marina e com o Príncipe Emanuel Filiberto, jovem imberbe e loiro (aplica-se
aqui a expressão que nem uma luva), simpático mas asneirento como seria de
esperar de um filho único, rico e descendente de uma das maiores Famílias Reais
da Europa.
Ficámos finalmente os 3 à
mesa e a conversa iniciou-se dizendo o Príncipe que o Avi (que naturalmente
tinha ligações à Mossad) teria recebido instruções dos americanos para se sondar
o Presidente angolano José Eduardo dos Santos, líder do MPLA, quanto a um
eventual apoio dos EUA para candidato presidencial às primeiras eleições livres
e democráticas que se realizariam em Angola, após a guerra civil.
Tomando a palavra, Avi
salientou que este assunto deveria ser tratado com a maior discrição, por todas
as razões e sobretudo porque os americanos tinham sempre dado apoio a Jonas
Savimbi e à UNITA.
A pergunta que me faziam
era se eu conseguiria através dos meus contactos, proporcionar um encontro
entre um grupo exclusivo e restrito (um embaixador americano nomeado pelo
Presidente Bush – embaixador político – e mais umas quantas pessoas a
posteriormente indicar) e o Presidente José
Eduardo dos Santos.
Os EUA não tinham embaixada em Angola, por isso a missão
tinha que ser super-confidencial e sem poder falhar, dado que na comitiva iria
pela primeira vez um diplomata americano e com a situação explosiva em Luanda,
apesar das tréguas, teriam que ser asseguradas medidas de protecção
inequívocas.
Foi ainda acrescentado
pelo Avi que o Capitólio tinha autorizado uma firma de lobby, para financiar e preparar o
apoio à campanha eleitoral angolana de dos Santos, se ele concordasse, e que me
tinham escolhido como elemento de ligação pois sendo português e conhecendo
Angola, pessoa da confiança do Príncipe e de Avi e com provas dadas de outras missões
bem sucedidas, aportaria o “grano salis”, quando porventura se quisesse americanizar
demais atitudes ou decisões que não se adaptassem à cultura angolana.
(continua)
sexta-feira, 21 de março de 2014
O Luar Através dos Altos Ramos
O luar através dos altos ramos,
Dizem os poetas todos que ele é mais
Que o luar através dos altos ramos.
Mas para mim, que não sei o que penso,
O que o luar através dos altos ramos
É, além de ser
O luar através dos altos ramos,
É não ser mais
Que o luar através dos altos ramos.
Alberto Caeiro
Lyrica
Liberte-se sem medo, não ligue a uma sociedade de privações, faça o que o seu coração manda: afinal as mentes são literalmentes complicadas.
sábado, 15 de março de 2014
quarta-feira, 12 de março de 2014
gulosa
Você é o seu sexo. Todo o seu corpo é um órgão sexual, com exceção talvez das clavículas.
terça-feira, 11 de março de 2014
sala de prazeres imorais
O primeiro olhar da janela de manhã
O velho livro de novo encontrado
Rostos animados
Neve, o mudar das estações
O jornal
O cão
A dialéctica
Tomar duche, nadar
Velha música
Sapatos cómodos
Compreender
Música nova
Escrever, plantar
Viajar, cantar
Ser amável.
Bertold Brecht
As mulheres podem tornar-se facilmente amigas de um homem
As mulheres podem tornar-se facilmente
amigas de um homem; mas, para manter essa amizade, torna-se
indispensável o concurso de uma pequena antipatia física.
Cântico Negro de José Régio
"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!
José Régio
Cântico Negro
sábado, 8 de março de 2014
dreadfully like other people
Whatever you may be sure of, be sure of this, that you are dreadfully like other people.
James Lowell, circa 1819
quinta-feira, 6 de março de 2014
le vrai bonheur
Tout le monde veut vivre au sommet de la montagne, sans soupçonner que le vrai bonheur est dans la manière de gravir la pente.
Gabriel Garcia Marquez
Parem o mundo que eu quero descer. Só um pouquinho!
"Parem o mundo que eu quero descer. Só um pouquinho. Não vai atrapalhar
ninguém. Deixa eu descer do mundo, que tá duro demais. Ou pelo menos
descer do Brasil, que, se o mundo está duro assim, este país então está
insuportável... Senhores comandantes desta coisa pobre, louca, doente e
suja que nem sei mais se posso chamar ‘Brasil’. Vossas excelências sabem
o que está acontecendo nesta terra? Parece que não. Os senhores nunca
andam nas ruas? Não veem a cara das pessoas? Estou cobrando
meus direitos; porque não está dando nem para comer, nem para vestir,
nem para morar, e muito menos para sonhar. Aí fica mais grave, porque os
senhores não têm o direito de matar sonhos. E não venham nos pedir mais
paciência. Estamos muito machucados, explorados e enganados para ter
essa coisa mansa chamada paciência."
A profecia de Caio Fernando Abreu (em 1986)
A profecia de Caio Fernando Abreu (em 1986)
segunda-feira, 3 de março de 2014
sábado, 1 de março de 2014
I like to have a martini
I like to have a martini, two at the very most.
After three I’m under the table,
After four I’m under my host…
Dorothy Parker
Por que é que havia de me sentir sozinho?
Por que é que havia de me sentir sozinho? Raras vezes na minha vida, desde que me lembro de mim, tive um sentimento de solidão. E não me sinto mal na minha companhia, divertimo-nos muito os dois, eu e eu. Não me aborreço.
António Lobo Antunes
domingo, 23 de fevereiro de 2014
A elegância em dizer as coisas
Que civilizada maneira de falar sobre sementes!
Assim fosse também sobre sentimentos, emoções, apreciações e juízos de valor sobre os outros!
Num blogue, é evidente que quem dá, leva…o que dentro das regras da tal civilidade é divertido!
Por isso, se eu quiser deixar um "manifesto editorial" diria que o faço com humor, naturalidade e sem intenções de ofender!
Divirtam-se!
sábado, 22 de fevereiro de 2014
ovelha negra precisa de atenção
"...Prometti, caro, a te stesso di parlare di bontà, bellezza, amore a ogni persona che incontri... di far sentire a tutti i tuoi amici che c'è qualcosa di grande in loro... di guardare al lato bello di ogni cosa e di lottare perché il tuo ottimismo diventi realtà..."
Madre Teresa di Calcutta
da una carta a un amico
O Brito e o aviário
O Brito trabalhava no aviário da cooperativa do Freixo e cada manhã, por uma questão de rotina, partia um ou dois ovos, não fosse o diabo tecê-las e haver algum pinto que fosse parar à mesa de um cliente.
Nessa manhã, qual não foi o seu espanto, ao reconhecer em cada ovo que ia sucessivamente partindo, pedaços do seu cérebro.
Imediatamente telefonou para o patrão e ao contar-lhe o sucedido, ouviu-o dizer-lhe nada preocupado:
- Sempre desconfiei que tinhas cérebro de galinha!
MNA
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
revelation
"If you reveal your secrets to the wind you should not blame the wind for revealing them to the trees"
Kahil Gibran
Eu, je, moi, I , Ich
Não me prendo a nada que me defina, sou companhia mas posso ser solidão.
Tranquilidade e turbilhão, pedra e coração. Sou abraços, sorrisos, bom humor, preguiça e sono.
Música alta e silêncio. Não me limito, nem sou cruel. Serei sempre a favor do que vale a pena.
Suponho que para me entender não é uma questão de inteligência, mas sim de sentir, de entrar em contacto.
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
A cedência
O pardal esvoaçava todos os dias em frente da janela dela.
Via-a espreguiçar-se,
quase nua, seios redondos, novos e cheios de seiva de juventude, com bicos rosáceos.
E pensava, que bom seria debicar as pontas. Para isso servia o bico.
Com sofreguidão dava a
volta no ar e fazia em voo lento e em círculos, miradas para dentro e ela já
estirada, mostrava as costas de onde a pouco e pouco escorregava o lençol de
linho deixando entrever um traseiro sensual, roliço e bem feito, com uma leve penugem
clara.
E pensava, que bom seria
pousar docemente e roçar a sua penugem na dela. Afinal ambos a tinham.
O pardal tinha esta sina
diária e perguntava-se a que levaria isto?
Um dia ela abriu a janela
e viu-o e olharam-se a direito, ela nua a querer apanhá-lo e ele a bater as
asas, a bater.
E tudo ali acabou, pois o
pardal cedeu.
in poemas raros de Vicente Mais ou Menos de Souza
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
Não penses
Não
penses. Que raio de mania essa de estares sempre a querer pensar.
Pensar é trocar uma flor por um silogismo, um vivo por um morto. Pensar é
não ver. Olha apenas, vê. Está um dia enorme de sol. Talvez que de
noite, acabou-se, como diz o filósofo da ave de Minerva. Mas não agora.
Há alegria bastante para se não pensar, que é coisa sempre triste. Olha,
escuta. Nas passagens de nível, havia um aviso de «pare, escute, olhe»
com vistas ao atropelo dos comboios. É o aviso que devia haver nestes
dias magníficos de sol. Olha a luz. Escuta a alegria dos pássaros. Não
penses, que é sacrilégio.
Vergílio Ferreira
pôr-do-sol no Guincho...que tranquilo
No meio das tormentas todas que nos esperam, de repente este fim de tarde no Guincho pareceu-me tão tranquilo!
domingo, 16 de fevereiro de 2014
absurdo
Dai-nos, meu Deus, um pequeno absurdo quotidiano que seja,
que o absurdo, mesmo em curtas doses, defende da melancolia e nós somos tão propensos a ela!
(...)
Garanti-nos, meu Deus, um pequeno absurdo cada dia.
Um pequeno absurdo às vezes chega para salvar.
Alexandre O’Neill
De costas voltadas
Envelheces tanto de cada vez que o dia termina
e olhas para trás. Tens medo do começo do fim,
das tardes de domingo; um dia, distraído, tens medo
do sexo, da amabilidade e da noite, e dos rostos
que foram belos – e não são mais. Envelheces muito
quando o mundo contraria as pequenas coisas,
sentes esse cansaço, nada a fazer.
Francisco José Viegas
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
O psiquiatra - Um breve conto (continuação)
O paciente começou a
debitar diante de Luís o que o tinha feito recorrer a uma consulta. Contava as
amarguras, coisas íntimas, como num desejo de encontrar um
porto de abrigo, uma alma gémea que o consolasse das mazelas que se causara e a
outros.
Fazia-o com valentia, sem
temor porque confiava na confidencialidade das quatro paredes do gabinete.
Luís, talvez sem muita
paciência, ouvia distraído e tomava umas vagas notas.
Quando o paciente acabou,
meio atordoado pelo esforço de fazer vir ao de cima a sua história, ouviu de
Luís uma frase assassina e impiedosa:
- Você é especial!
O paciente surpreendido
com esta afirmação, não fez comentários e cismou dorido, porque raio é que
tinha sido este o único comentário.
Luís ainda fez perguntas, daquelas
que os padres costumam fazer com um ar severo nos confessionários a
adolescentes imberbes que confessam faltas à castidade: quantas vezes, diga lá,
foram muitas? E os meninos córados, respondem que não. Aí começa a mentira,
jurando que nunca mais confessam ao sr.padre pecados desta natureza!
Pois o paciente respondeu
que estava a contar tudo isto para que Luís melhor o conhecesse e pudesse estimar
mais acertadamente a terapia.
No final, Luís
perguntou-lhe:
- Nas funções no Governo,
também foi especial?
O paciente respondeu que
estava ali para falar da vida pessoal e que no Governo desempenhara as suas
funções com garbo, excepto num particular: aldrabara na formação académica e
omitira ao País que tinha feito uma disciplina ao Domingo!
Luís, reconhecendo-o,
levanta-se pressuroso e com um ar humilde e servil, curva-se despedindo-se:
- Oh Senhor
ex-Primeiro-Ministro, olhe que não o reconheci! Desculpará a minha distracção.
O paciente com
benevolência e já com um sorriso, respondeu:
- Ce n’est pas important!
E acrescentou: - Quando
regressei de França, habituei-me a falar francês!
E saiu com um ar
especial.
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
Porque escrevo?
« Je n'écris pas pour passer le temps ni pour donner des leçons. Je
n'écris pas pour faire le malin ni pour ouvrir, comme ils disent, des
voies nouvelles à la littérature. Pouah ! Je n'écris pas pour faire joli
ni pour défendre quoi que ce soit. J'écris pour y voir un peu plus
clair et pour ne pas mourir de honte sous les sables de l'oubli »
Jean d'O dans Qu'ai-je donc fait.
Jean d'O dans Qu'ai-je donc fait.
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
Porque as mulheres gostam de homens efeminados?
Não compreendo vocês.
Tipo 98% das mulheres que eu conheço gostam de homens mais franzinos. com pele de neném, com a cara lisinha, com cabelinho arrumadinho, depiladinho, enfim gayzinho, aí eu te pergunto, dá pra entender vcs mulheres ? tipo cientificamente falando vcs deveriam gostar de homens, peludos, barbudos, com a cara surrada, com queixo largo, e com muito pelo por toda parte do corpo, pois isso significa testosterona, que é o que todos os seres desse planeta terra procuram em um macho pra se reproduzir, pois isso significa que as crias serão fortes e poderão se virar sozinhas, e tb terão um macho forte para cuidar delas,
mas não, daí vcs começam a gostar de homens depilados, com traços femininos
vai entender...
Van
Oi cara,
Você ia querer fazer amor com uma mulher peluda, desarrumada e fedida? Do mesmo jeito das mulheres.
Elas querem um homem cheiroso, que depila e que se cuida. E só porque homem se cuida ela não é efeminado, ele é homem arrumado. Mulher não gosta de homem porco.
Reginaldo
Oi aí galera,
Sou homem e vou te ajudar nessa.
Elas veem em homens delicados, a atenção, compreensão, carinho, tato, que não percebem nos ditos machões/predadores. Mas não são todas as mulheres que são assim, na verdade é mais fácil elas se apaixonarem por ti, se você for assim, quando estivem em período de ovulação sentimental (lê-se carência. Rsrs eu que criei essa expressão). Você pode usar o conhecimento a respeito das mulheres a seu favor, mas vê se não extrapola muito que nem eu que já cheguei a me passar por gay, só para transar com uma minina pra lá de gostosa que disse que sonhava em transar um dia com um gay.
Rodolfo
Oi machões,
Eu detesto homens efeminados.Gosto de homem forte,com mãos asperas, voz grossa,barba bem cuidada.Eu fico admirando meu marido,uma das coisas que mais me atrai nele é a masculinidade dele.
Aquela força que ele tem de me erguer com os dois braços ou me pegar no colo. Os pelos da barriga dele que eu adoro quando abraço ele. Pra mim o homem tem que ter um rosto bonito,mas nao precisa ser efeminado. Um rosto harmonioso apenas.
Antes de conhecer meu marido,eu tive um paquera,ele gostava de mim,só que tinha outro que tambem estava na disputa por mim.Esse outro disse q se visse eu e o carinha juntos ele matava o cara.Contei isso pro cara,ai ele ficou: Ai,eu vou embora,eu tenho medo,não quero apanhar e tal. Isso acabou com o mínimo de vontade de estar perto dele.Eu falei: Seja homem. Pior coisa é homem que tem medo de brigar.
Angélica
o reverso
Num livro de páginas em branco
Fragmentos fixados na memória
histórias...
Lembro-me de mar e cinzas
e de abismos...
E de pássaros, canções, azuis...
flores perfumes, jasmins...
E de novo o mar e cinzas...
chuva fina, tempestades
e um rio vermelho
E os pássaros, as canções e os azuis...
e portas se fechando
e bocas se calando
e uma página negra
E os azuis, as canções, os pássaros, os jasmins, as flores...
...a tempestade, a chuva fina...
o cinza se clareando
as janelas se abrindo
E os pássaros, as canções os azuis....
e o livro se fechando
Uma história com final feliz...
regina ragazzi
Fragmentos fixados na memória
histórias...
Lembro-me de mar e cinzas
e de abismos...
E de pássaros, canções, azuis...
flores perfumes, jasmins...
E de novo o mar e cinzas...
chuva fina, tempestades
e um rio vermelho
E os pássaros, as canções e os azuis...
e portas se fechando
e bocas se calando
e uma página negra
E os azuis, as canções, os pássaros, os jasmins, as flores...
...a tempestade, a chuva fina...
o cinza se clareando
as janelas se abrindo
E os pássaros, as canções os azuis....
e o livro se fechando
Uma história com final feliz...
regina ragazzi
domingo, 9 de fevereiro de 2014
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
Happiness starts with you
Happiness starts with you.
Not with your relationships, not with your job, not with your money, but with you.
Not with your relationships, not with your job, not with your money, but with you.
domingo, 2 de fevereiro de 2014
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