quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Um ou dois beijinhos? O retrato de um flagelo social

Não vamos fingir que isto é uma questão obsoleta na nossa sociedade. Eu que assevere a sua frescura, que acabei de ficar com a face esquerda especada no vazio, à espera da bochecha alheia para o segundo encosto, e ela nunca, nunca chegou.
Lamentavelmente, tive de continuar o movimento e fingir que queria pentear a franja. E claro que está sempre alguém a ver, que depois goza.
Já todos passámos por isso: aquela reação macacóide ao beijo no ar, o que fazer meu Deus? Assumo, rio-me, assobio para o lado? Agarro-o pelos colarinhos e obrigo-o?
Beijinho
Ora, não me cabe julgar se é certo dar um ou dois. Apenas acho que já era tempo de nós, enquanto sociedade, chegarmos a uma espécie de consenso. Se houvesse um estudo, tenho a certeza de que confirmaria que o flagelo do penduranço vitimiza 1 em cada 10 saudações beijadas. E note-se: isto só acontece em Portugal
Neste país, o acto de beijar exige uma avaliação-relâmpago para se perceber se a pessoa dá um ou dois. Uma espécie de ritual de reconhecimento da espécie, ao estilo National Geographic. E é legítimo: em vez de cheirarmos os rabos, como os cães, roçamos a bochecha um X número de vezes (e para alguns isso é suficiente para saberem se querem copular ou não).
Há vários problemas nesta dubiedade. O primeiro problema é a nossa probabilidade de acertar ser 50/50. Ou seja, é pior do que a roleta (e chamam-lhe “jogo de azar” e não de “sorte” por alguma razão)
O segundo problema é acharmos que há pessoas que são mono ou duo-beijoqueiras por defeito. Quando na realidade elas não são de categoria nenhuma, simplesmente dependem do outro. Estão naquele limbo meio cortês meio cobardolas. ”Eu cá dou aquilo que me derem” dizem. E se ambas pensarem assim, é meio caminho andando para alguém ficar a pentear a franja.
O terceiro problema é ter de lidar com aquela estirpe que dá um à família da mãe, dois à família do pai, bacalhaus aos amigos e beijos com língua ao cão. Apresentar um namorado/a sem um briefing prévio  é levá-lo a um campo minado de penduradores em série.
beijinho2
Do lado de quem é pendurado há sempre aquele que vira a cara para o infinito e avista coisas ao longe. Outra abordagem é a de fingir que se vai ganhar balanço para levantar a poupa do cabelo. Eu prefiro aqueles que não se conformam, e puxam o pendurador para si, firmemente mas não sem gentileza, impondo o segundo encosto sem ai nem ui.
Do lado dos que penduram há os que marimbam na cena por um lado, e os que pedem desculpa por outro. Às vezes estes últimos tentam retomar, mas entretanto o outro já retirou, ups, desculpe, e de repente são eles a deixar a bochecha suspensa no nada. Karma’s a bitch.
Para todos os efeitos, a linguagem corporal de um fail é simplesmente hilariante. Imbecil na importância que se lhe dá e socialmente mortal na forma como nos faz sentir, como se não fôssemos “competentes” no pelouro da etiqueta.
O mesmo acontece em contexto de trabalho, quando não sabemos se devemos beijar ou ficar pelo passou-bem. Eu invisto quase sempre nas duas beijocas, mas às vezes apercebo-me de que levei com um uppercut no estômago – o passou-bem falhado - e já é tarde demais para afastar a bochecha. É dramático.
Estive a pensar a sério em como evitar embaraços e queria partilhar os conselhos do consultório sentimental Dra. Bumba:
1. Levar um batedor. Alguém conhecido que conheça os hábitos labiais das pessoas do meio. Nós, atrás, limitamo-nos a imitar
2. Adoptar a táctica do vai-não-vai a seguir a dizer olá: simular em câmara lenta uma intenção – não se sabe qual - mas empatar o suficiente para ser o outro a aproximar-se, e assim passar para ele a batata-quente do número de beijos
3. Aguardar pela presa. Dá-se o primeiro beijo, após o qual se pára o pescoço num ângulo imparcialmente vertical, durante os milisegundos-chave em que a outra pessoa investe ou não para o segundo encosto, revelando-se mono ou duo – NAILED’IT!
4. Perguntar pelo canto da boca, tipo máfia italiana: um ou dois? É preferível a vergonha de perguntar que a de pendurar.
Espero que ajude.
X número de beijos,
Dra. Bumba

domingo, 3 de novembro de 2013

Evangelho da Missa de hoje: Zaqueu, o publicano e cobrador de impostos

Evangelho da Missa de hoje: Zaqueu, o publicano e cobrador de impostos, reconhece que abusou e promete a Jesus dar metade da sua fortuna aos pobres e QUATRO VEZES MAIS A QUEM COBROU IMPOSTOS EM EXCESSO.....nós aceitamos só duas vezes, oubiram ó senhores do Goberno?????

Ás vezes queremos voltar a ouvir as mesmas coisas de sempre

Ás vezes apetecemos voltar
ao aconchego do ninho
como se a vida fosse
um ir e voltar
pelo mesmo caminho

Ás vezes queremos voltar a ouvir
as mesmas coisas de sempre
os mesmos sítios e lugares
que só ao longe...tão longe
se compreende

Aonde é o fim
a ultima fronteira
já percorri toda a terra
e nunca saio da tua beira

Haverá mapa
ou é só desejo
o mundo não chega
para esquecer-me do teu beijo

Quieto caminhei
mais de mil anos
compreendi o teu sorriso
e o quanto já andamos...

Quietos...
a amarmos
por todo o lugar
quer exista ou não exista
quanto já viajamos


Oliveira Gomes

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

CTT

Fui aos correios (os tais que vão ser privatizados) e como todos dias no meu apartado postal, vejo se tenho cartas. A cada mês pago a minha conta religiosamente na Fnac e por transferência bancária on-line.

No aviso de pagamento que costumo receber uns 8 dias antes da data e neste caso também e simultâneamente da hora limite para ser por Multibanco ou transferência bancária, tenho o maior cuidado em cumprir pois em caso de esquecimento ou falhanço, vai directo para débito de uma conta bancária que encerrei e que tem zero de saldo. Sabe-se lá porquê, tendo sido esta a conta original para débito, não posso mudar! Mas o que interessa é que eu NÃO quero que vá a débito.

Fui perguntando nos CTT nos 8 dias anteriores ao fim do mês se não estaria perdida nos "fundos" da reexpedição, mas com um ar seguro e rápido diziam-me que não, apesar de explicar por que razão eu precisava da referida carta.

Devo confessar que sou conhecido na estação dos correios há anos porque sendo, Cônsul-Geral de um país estrangeiro, Advogado, etc...tenho despesas anuais de manutenção do Apartado Postal verdadeiramente abusivos: o aluguel do Apartado, o custo da reexpedição da correspondência em meu próprio nome para o meu Apartado postal....pois apesar dos meus protestos anuais pago por isto cerca de € 120,00!!!!

Telefonei para a Fnac já depois do mês vencido e anunciaram-me que tinha sido enviado para débito da tal dita conta sem saldo, vencendo por isso, juros devedores.
 

Chegou-me às mãos a referida carta no dia 5 do mês seguinte, com um carimbo interno de recebimento pela estação de dia 19 do mês anterior bem como com data do depósito no meu Apartado no referido dia 5 do mês seguinte!

Portanto, juros devedores, incumprimento e disto apresentei provas ao Chefe da Estação que ficou cinzento e que solícito me indicou um formulário chapa 3 para reclamações que eu preenchi e aonde isto tudo expliquei. Disse-me para eu guardar o envelope, o que fiz!

Recebo uma semana depois uma carta dos CTT em resposta à minha reclamação dizendo que tinha sido tudo investigado e que eu não tinha razão.

Tenho um furor interno dos antigos Noronhas que nestas situações sobe desde as entranhas até aos olhos, produzindo faíscas que magoam....

Voltei, com o furor controlado e com serenidade chamei o Chefe da Estação a quem estendi a carta, sem palavras!

Disse-me com uma voz muito atrapalhada que protestasse e que juntasse a carta, prova indiscutível da negligência dos CTT.

Claro que vai em torpedo para a Administração.

Não desejo mais do que a satisfação do que me compete receber: o reembolso dos juros devedores e um pedido de desculpas!

Privatização? Vão encontrar um ninho de víboras burocráticas, com hábitos arreigados de lentidão, pouca modernidade e acresce que com a internet, cada vez recebo menos cartas de amor!

Tudo ao contrário neste País!

Só ao estalo! Ando outra vez com saudades de pancadaria. Depois de 20 anos a seco, há cá uma vontadinha!!!!


domingo, 20 de outubro de 2013

A lista negra contra o Papa Francisco


Meu Caríssimo Luís Bernardo,

Há já algum tempo que não te escrevo. Tenho andado sem vontade de encontrar espaço na minha vida para desligar do stress, o que sei que é mau, pois pode tornar-se numa espécie de obsessão do negativo e do cinzento.

Hoje, Domingo, está um dia “assim assim”, como tempo. Não chove, está claro e pode-se sair com uma temperatura amena.

É o que vou fazer quando te acabar de escrever. Tenho umas voltas a dar pela Fnac e Bertrand pois saíram novos livros que cobiço. Parecem-me interessantes e por isso nada melhor do que folheá-los com vagareza e ler algumas páginas ao acaso para suscitar a vontade de comprá-los.

Estou a ouvir no meu iPhone, óptima música: hoje escolhi só clássica. Chama-se o álbum (em três ricas e completas gravações): "the most relaxing classical music ever"…um deleite para os sentidos!

Quando se tem medos na cabeça, não há espaço para os sonhos e eu tenho-os. Somente, algum cansaço das gentes e do mundo.

Que bom deve ser depois, seja o que for que nos espera.

Quando se teve a sorte de ter Pais, Avós e Bisavós, que eu conheci bem, que nos amaram e nos proporcionaram uma infância equilibrada, estável e feliz, não podes deixar de sentir nostalgia desses tempos.

Vai falhando a harmonia no nosso mundo e só com um grande esforço consegues “retirar-te” para oásis de paz e tranquilidade aonde te esqueces da dor e sofrimento. Vida difícil esta, mas confesso-te que não me queixo demais, nem quero parecer um eterno negativista.

Sabes, o que sinto é uma sensação átona, abúlica, neutra do spleen do Eça. Nem para sim nem para não. 

Como conseguem algumas pessoas virem com discursos felicitosos, delicodôces querendo contrariar-me dizendo que tenha confiança em Deus, que reze, que me entregue…mas o que tem isso tudo a ver com a realidade. Irrita-me essa imbecilidade beatífica de achar que Deus tem agora que pensar em resolver-me um negócio que discuto amanhã com um parceiro brasileiro ou chinês.

Nem sequer ajuda o PM e VPM de Portugal, ( não me apetece escrever-lhes os nomes nem os cargos) que têm bem mais responsabilidades do que eu e abrangem tanta mais gente em sofrimento, o que seria se fosse contar com a expertise divina para tratar dos meus assuntos.

Falta de fé, dirão uns, e eu respondo: falta de caco, em misturarem coisas.

O Papa Francisco sabe muito bem a destrinça. É fantástico ver como um Homem, de repente, pode ter tanta influência moral e espiritual no mundo e em cada um de nós. Em mim, pelo menos.

Mandaram-me um e-mail assustador de 10 coisas, para já, que são a lista negra dos anti-papa!

Inconcebível e com ameaças veladas de lhe fazerem mal, pois dizem que está a destruir a Igreja. Fiquei aterrorizado e muito preocupado.

Como sempre os do costume: os instalados e os que não querem perder os seus direitos e regalias e que ignoram do alto da sua pompa e circunstância o que é a missão da Igreja e o mais importante fóra dos muros do Vaticano!

Faria uma cruzada contra estes, daria o que fosse preciso para varrê-los do círculo do poder, para eliminá-los e evitar que façam mal ao Papa. Juro!

Isto sim é a minha Fé a rebrilhar, a acreditar numa Igreja voltada para o essencial e sobretudo com um rosto humano. Este sorriso do Papa é tão arrebatador e tão verdadeiro.

Por hoje é tudo, Luís Bernardo, foi-me saindo ao sabor das palavras. Sinto-me melhor!

Um grande e amigo abraço do teu primo que muito te estima

Manuel


sexta-feira, 18 de outubro de 2013

O cancro do Manuel Forjaz

Li hoje no facebook este texto do Manuel Forjaz. Nem sempre estou de acordo com ele, mas se pensar bem o que às vezes me irrita no seu estilo, esboroa-se perante um testemunho como o deste que aqui transcrevo. Foi como um murro no estômago.

Que eu saiba não tenho nada do que ele tem, mas senti-me chocado pela minha e nossa distracção em relação à vida, às horas e aos minutos “despreocupados” que nos vão sendo dados, e a este ritmo de rotinas balôfas e sem esforço de mudança que acontece a uma grande maioria de todos nós.

Todos temos nas nossas vidas “doenças” físicas e morais, umas mais graves do que outras, umas causando mais “dores” do que outras, mas este é um texto danado, que se não causar em cada um de nós um arrepio, é porque estamos já “mortos”!

Quote

...dia de molhanga hoje, e grande conversa com o meu médico (um dos que me segue) que adoro (síndrome de Estocolmo - ;.) )...

...falámos do prognóstico e de tempo de vida;
 
...eu nunca perguntei a nenhum médico quanto tempo de vida tenho; a razão é simples, sem bens nem rendimentos, não saberia o que fazer com essa informação, a não ser tirar fotocópias e arrumar papéis; coisa que nunca faria se tivesse duas semanas de vida;
 
...a ética/deontologia/ escola médicas obrigam o médico à verdade, conceito não absoluto, logo porque pode ser contar tudo ou não dizer mentiras; mas acho estranho que alguém faça a pergunta e mais estranho ainda que o médico dê essa informação por várias razões:
 
=> não acredito que seja a regra, mas não existirão alguns muito poucos médicos que baixam a esperança de vida para parecerem génios na gestão da doença?
 
=> além da classe modal, cujas estatísticas estão disponíveis online, só acontecem excepções; quantas vezes não ouvimos alguém que tinha 6 meses durar cinco anos? Na vastíssima maioria dos casos o doente ultrapassa o tempo comunicado; 50% dos cancristas de pulmão morre no primeiro ano; porque normalmente este cancro é insidioso e uando o pciente chega ao hospital já está todo roto; eu já cá vou a caminho dos 5 anos....graças a Deus só soube desta estatística há pouco...
 
=> a fixação de um prazo de validade retira energia e motivação para o aproveitamento do tempo de vida; ou seja o tempo da morte é trabalho do médico e da medicina, o tempo da vida é do cancrista; eu não preciso de saber quanto tempo vou viver, porque alterarei a minha vida em função do meu prazo; à partida eu calculo que não viverei tanto como os outros, mas cada dia meu tem e deve ser igual a todos os outros, até ao último;
 
=> A teoria dos bucket lists, popularizada por um lindíssimo filme de Morgan Freeman e Jack Nicholson; tive a graça de viver o meu bucket list desde a minha adolescência, e da maioria das coisas que queria fazer na vida já as ter feito; além disso a maioria das coisas que agora me faz feliz e me energizam não custam dinheiro; mas não as aproveitarei da mesma maneira com um prazo;
 
Se eu tivesse dinheiro e tivesse vivido uma outra vida, não quereria aproveitar o tempo que me sobra para subir o Himalaia ou uns gang bangs em Las Vegas? Dont think so; até porque não saberia como as poderia aproveitar com o cutelo em cima da cabeça; se alguém tem cancro, não faz a pergunta e se puder e tiver recursos, corra para o seu bucket list, seja essa a opção sem necessidade de saber que são 4 semanas ou 6 meses;

=> certo que certas coisas poderão ficar melhor arrumadas e não deixadas ao descuido, como a educação dos filhos, a questão patrimonial para quem o tenha, o testamento espiritual, os nossos objectos pessoais, etc etc; mas tudo isso pode ser tratado já, sem saberem esse errado prazo!

Portantos:
 
1 - Não perguntem nunca qual o vosso prazo de validade;
2 - Peçam ao vosso médico para não o dizer;
3 - Organizem-se e bucketizem o que quiserem, já; não como se tivesse medo de não viver para sempre, mas porque isso vos poderá tranquilizar e energizar;
4 - Não leiam as estatísticas, por causa do frango;
5 - Quando alguém vier dramaticamente vos dizer que têm x semanas ou meses, digam-lhes que é mentira, porque eu disse que era mentira e que o prazo será maior; acertarei em mais de 90% dos casos!! nos casos em que falhar faltará decidir para quem vai a cómoda da Tia Mariazinha, o que não é muito grave...

Esqueçam este assunto. o segredo é sempre o mesmo, poderemos morrer da doença, mas a doença numa nos matará, porque viveremos todos os dias como se não a tivéssemos, como se ela não fosse um assunto! (minimizando a dor e desconforto, tentando todas as terapias, rodeando-nos de pessoas boa onda, replicando e repetindo os cassos de sucessos, etc etc etc...)

Unquote

domingo, 6 de outubro de 2013

O amor nunca morre de morte natural.

O amor nunca morre de morte natural. Ele morre porque nós não sabemos como renovar a sua fonte. Morre de cegueira e dos erros e das traições . Morre de doença e das feridas; morre de exaustão, das devastações, da falta de brilho.

Anaïs Nin

Nunca durma com pessoas que não sonham

Nunca durma com pessoas que não sonham!

terça-feira, 1 de outubro de 2013

La vie

La vie? Un rien l'amène, un rien l'anime, un rien la mine, un rien l'emmène.

Raymond Queneau

a verdade

Uma vez que a liberdade de expressão e muitas outras foram experimentadas e conquistadas, jamais podem ser retiradas, mesmo que o sejam pela repressão, no interior continuarão a existir. 

Essa é a força da VERDADE.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

carro de praça

Tomei um carro de praça com um motorista tagarela e a meio do blá, blá, blá...conta-me que foi no Domingo ao Algarve de camioneta e que é de lá...e que no percurso passou em Odemira " terra da minha falecida mãe"......ahahaahahaah

Aí achei a maior das graças, pois os tugas são de detalhes subservientes: fulano, que faz o favor de ser meu amigo...

Pensei em vários meus amigos descendentes de grandes figuras nacionais, nomeadamente do Primeiro-Ministro de D.José e ri-me interiormente se o Sebastião dissesse num táxi: Olhe se faz favor passe pelo Marquês de Pombal, aonde está a estátua do meu falecido 5º avô...ahaahaha

terça-feira, 24 de setembro de 2013

domingo, 22 de setembro de 2013

Shanghai English - Chinese hotel brochure .......

Shanghai English - Chinese hotel brochure .......

A friend went to Shanghai recently and was given this brochure by the hotel.

It is precious. She is keeping it and reading it whenever she feels depressed.

Obviously, it has been translated directly, word for word from Mandarin to English……….

Getting There: Our representative will make you wait at the airport. The bus to the hotel runs along the lake shore. Soon you will feel pleasure in passing water. You will know that you are getting near the hotel, because you will go round the bend. The manager will await you in the entrance hall. He always tries to have intercourse with all new guests.

The Hotel: This is a family hotel, so children are very welcome. We of course are always pleased to accept adultery. Highly skilled nurses are available in the evenings to put down your children. Guests are invited to conjugate in the bar and expose themselves to others. But please note that ladies are not allowed to have babies in the bar. We organize social games, so no guest is ever left alone to play with them self.

The Restaurant: Our menus have been carefully chosen to be ordinary and unexciting. At dinner, our quartet will circulate from table to table, and fiddle with you.

Your Room: Every room has excellent facilities for your private parts. In winter, every room is on heat. Each room has a balcony offering views of outstanding obscenity! You will not be disturbed by traffic noise, since the road between the hotel and the lake is used only by pederasts.

Bed: Your bed has been made in accordance with local tradition. If you have any other ideas please ring for the chambermaid. Please take advantage of her. She will be very pleased to squash your shirts, blouses and underwear. If asked, she will also squeeze your trousers.

Above all: When you leave us at the end of your holiday, you will have no hope. You will struggle to forget it."

Fui ao rio ver a corrente forte a deslizar entre as margens

Fui ao rio ver a corrente forte a deslizar entre as margens.
Estavam gaivotas na água.
Mau sinal: agoirenta indicação de tragédia iminente
De amor, de desprezo ou de pobreza.
Inclino-me mais para a última.
O poder é vão quando não resolve as carências
Palavras ocas leva-as o vento.
Vento que sopra dentro de nós
Sol perturbado pelas nuvens da descrença
Vi sangue imaginário na água limpa
Sangue de protesto, de vidas entregues por causas justas
Vi mudanças, fruto de revolução.
Será que estava no rio do meu país?

in " poesias perdidas" de Vicente Mais ou Menos de Souza.

sábado, 21 de setembro de 2013

Eu, eu mesmo...

Eu, eu mesmo...
Eu, cheio de todos os cansaços
Quantos o mundo pode dar. –
Eu...
Afinal tudo, porque tudo é eu,
E até as estrelas, ao que parece,
Me saíram da algibeira para deslumbrar crianças...
Que crianças não sei...
Eu...
Imperfeito? Incógnito? Divino?
Não sei...
Eu...
Tive um passado? Sem dúvida...
Tenho um presente? Sem dúvida...
Terei um futuro? Sem dúvida...
A vida que pare de aqui a pouco...
Mas eu, eu...
Eu sou eu,
Eu fico eu,
Eu...

Fernando Pessoa

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Este “grano salis” de fantasia, não vos incomoda, pois não?

Escreveu-me um amigo mais novo, que conheci nos meus tempos de política em Sintra, atento e desvelado leitor dos meus escritos a perguntar-me se eu tinha diminuído o meu ritmo de produção literária.

Respondi-lhe que era verdade e que tal facto se devia a muito trabalho, a umas quantas viagens, ao Verão, e a um progressivo cansaço de toda esta rotina de vida diária num país em que as “boas notícias” anunciadas são-no, quiçá, para apenas alguns pois o país ardeu de Norte a Sul, novas penalizações se aproximam sobre as já magras pensões e no bolso do português normal, nada se sente.

Por isso o desemprego real, aquele que se revela para jovens e adultos no bater em vão à porta de empresas e enviar curricula e nem sequer uma linha ter de resposta, não pode apelidar-se de melhoria nas vidas das gentes e portanto trata-se de mais fantasias, de que os políticos se precisam de alimentar.

Mas basta de queixas, pois também vários outros leitores me assinalaram que no meu blogue tenho postado lindíssimos, mas tristíssimos textos, frases, poemas, citações de grandes escritores e nada de divertido ou contos ou quejando.

Devo confessar que vários amigos meus e parentes, ainda novos, ou estão com doenças graves ou inclusivamente morreram. 

Que ave de mau agoiro me tornei! Prometo que vou repensar entrar numa nova fase de alegria estonteante e falsa, aonde chilrearão passarinhos e se ouvirão melodias harmoniosas….

Vou escrever ao meu primo Luís Bernardo. Quero-lhe contar do Papa Francisco e de como cada vez mais é um encorajamento para a minha fé. Tem dito tanto e tão importante e a imprensa em Portugal não lhe dá guarida ou pouco e publica imbecilidades através de notícias ou más ou falsas ou pior ainda, fúteis.

Mesmo a Igreja, como um todo, parece-me como que ciumenta que um Papa de repente ponha tudo a mexer com doçura, mas com firmeza, sem hesitar e com uma coragem admirável.

Temos que rezar para que nada lhe aconteça, pois está a tocar em muitos interesses instalados, dentro e fora da Igreja, e há bandidos e homens maus e vingativos.

Precisamos do Papa Francisco ainda durante mais alguns anos enquanto se sente com forças. O trabalho está “à peine” começado.

Vou ser cusco e fazer perguntas ao Luís Bernardo, sobre o que se fala lá em cima, as últimas novidades e também saber dos meus de quem tenho tantas saudades. No meu blogue, dentro de dias escrever-lhe-ei uma longa missiva.

Portanto já vêm que voltei ao meu estilo de dizer o que penso com a alegria de me sentir ser livre e o poder escrever sem atropelos, ao menos isso , se mantenha no nosso País.

Este “grano salis” de fantasia, não vos incomoda, pois não?

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Il n’est pas nécessaire de le dire aux enfants

Telle est la vie des hommes. Quelques joies, très vite effacées par d’inoubliables chagrins. Il n’est pas nécessaire de le dire aux enfants.

Marcel Pagnol

domingo, 8 de setembro de 2013

dar palpites sobre todas as coisas.

Pensei vagamente em estudar arquitetura, como todo o mundo. Acabaria como todos os que eu conheço que estudaram arquitetura, fazendo outra coisa. 

Poupei-me daquela outra coisa, mesmo que não me tenha formado em nada e acabado fazendo esta estranha outra coisa, que é dar palpites sobre todas as coisas.

Luis Fernando Veríssimo

Eu sei que o meu desespero não interessa a ninguém

Eu sei que o meu desespero não interessa a ninguém.
Cada um tem o seu, pessoal e intransmissível:
com ele se entretém
e se julga intangível.

Eu sei que a Humanidade é mais gente do que eu,
sei que o Mundo é maior do que o bairro onde habito,
que o respirar de um só, mesmo que seja o meu,
não pesa num total que tende para infinito.

Eu sei que as dimensões impiedosas da Vida
ignoram todo o homem, dissolvem-no, e, contudo,
nesta insignificância, gratuita e desvalida,
Universo sou eu, com nebulosas e tudo.

António Gedeão

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

se ao menos esta dor servisse

se ao menos esta dor servisse
se ela batesse nas paredes
abrisse portas
falasse
se ela cantasse e despenteasse os cabelos
se ao menos esta dor visse
se ela saltasse fora da garganta
como um grito
caísse da janela fizesse barulho
morresse
se a dor fosse um pedaço de pão duro
que a gente pudesse engolir com força
depois cuspir saliva fora
sujar a saliva fora
sujar a rua os carros o espaço o outro
esse outro escuro que passa indiferente
e que não sofre e tem o direito de não sofrer
se a dor fosse só a carne do dedo
que se esfrega na parede de pedra
para doer visível
doer penalizante
doer com lágrimas
se ao menos essa dor sangrasse…

Renata Palottini