sexta-feira, 22 de novembro de 2013
macacos do nariz
Pessoas que limpam o salão a conduzir: os vossos vidros NÃO são fumados.
As pessoas VÊEM-VOS a tirar cacotas do nariz, caramba!
In Bumba da Fofinha
terça-feira, 19 de novembro de 2013
Carta ao meu primo Luis Bernardo
Meu Querido Luís
Bernardo,
Já lá vão umas semanas
sem te escrever e hoje à noite, sem sono, ouvindo no iTunes a Maria Callas, em
dois álbuns excepcionais, resolvi pôr-te algumas perguntas e fazer-te uma
visita por carta.
O primeiro tema é o da
morte, sempre recorrente. Todos os dias vão morrendo nossos amigos de mais ou
menos idade, impiedosamente, com sofrimentos distintos, a maioria de forma
dolorosa prolongada ou em desastres violentos. Muito poucos de repente e sem
aparente dor.
Para não falar de catástrofes
aonde sucumbem milhares de pessoas.
Até há muito pouco tempo
era um assunto em que não pensava.
Mas o meu ponto é o de se
ter medo ou não de morrer e mais ainda, ser-se indiferente. É um pouco o meu
estado presente.
Para uns há o cumprimento
da promessa da sua fé em que anteveem o paraíso, seja lá o que for, e que
se consubstancia no privilégio da presença junto de Deus
para a eternidade.
Para outros, é o fim das
preocupações, a paz encontrada: não terem mais problemas de taxas sobre pensões
de reforma, o não terem que aturar a mulher ou o marido ou filhos
problemáticos, ou não terem a desilusão de viverem num país em que já não se revêm, bem como tantos outros motivos. Não há uma vertente espiritual: é afinal o descanso “eterno”
encontrado.
O meu é, de momento, um
bocejo, o spleen do Eça! I couldn’t care less!
Não me apetece ter que
pensar na morte. Tanta coisa ainda por organizar…deixar indicações práticas para se
encontrar títulos de jazigos, enterros pré-pagos, milhares de cartas por
catalogar, centenas de fotografias para pôr em álbuns, identificar quem são as
gentes, livros – 2.500 no Alentejo, na livraria do monte – para pôr por assuntos.
Mas no fundo, de viagem
nesse dia, para que serve preocupar-me? Alguém o fará por mim ou não, hipótese
mais provável.
O segundo tema é o da
surpresa. Explico.
Há boas e más. Há
agradáveis e doces e outras amargas e dolorosas.
Há ingratidões, agressividades,
traições, sacanices, patifarias e gestos inesperados de amizade, aproximação,
reconhecimento.
Aonde me situo? Sem
dúvida nenhuma, quanto às primeiras, abomino e sinto-me como filho de boa-gente que sou
e quanto às segundas, por raras que são, sabem-me a maná caído do Céu!
Já vês que os temas
escolhidos são muito prosaicos e até banais, mas nem sempre tratados com esta
simplicidade linear.
Diz-me tu alguma coisa de
mais excitante que se passe por aí.
Vê se encontras três personagens a quem te pedia
que ao estares com eles, me apures algumas dúvidas e me actualizes sobre quem
realmente foram. São eles:
- Rainha Senhora Dona
Carlota Joaquina, Avoenga dos meus filhos. A reputação é do pior e sem entrares
em detalhes, ouve-a com comiseração e diz-me a Sua versão. A dos outros, já se
vai conhecendo pelos livros e escritos.
- Madre Teresa de Calcutá.
Fiquei indignado pela coscuvilhice do seu confessor ao autorizar a publicação
da sua vasta e confidencial correspondência com ele próprio. Sobretudo, apura o
que ela sentiu quando diz que ao serviço dos mais necessitados, sem embargo de
procurar a Fé, não a conseguiu encontrar até à morte. Deve ser um testemunho
essencial para quem, como ela, a busca e não tem a virtude de praticar o BEM
mesmo sem Fé, como ela o fez.
- Finalmente, um
personagem intrigante para mim, o Imperador Napoleão Bonaparte. Muito se
escreveu, mas o seu testemunho será bem diferente. Foca-te na época em que tudo
perdeu e acabou por morrer só e no exílio. Os Grandes têm muito mais interesse
quando estão na mó de baixo, pois é aonde se vê de que têmpera são feitos.
E por hoje é tudo.
Um afectuoso abraço muito
amigo do teu primo
Manuel
domingo, 17 de novembro de 2013
Sátira aos homes quando estão com gripe
"Pachos na testa, terço na mão
Uma botija, chá de limão
Zaragatoas, vinho com mel
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher
Ai Lurdes, Lurdes, que vou morrer
Mede-me a febre, olha-me a goela
Cala os miúdos, fecha a janela
Não quero canja, nem a salada
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada
Se tu sonhasses, como me sinto
Já vejo a morte, nunca te minto
Já vejo o inferno, chamas diabos
Anjos estranhos, cornos e rabos
Vejo os demónios, nas suas danças
Tigres sem listras, bodes de tranças
Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes, que foi aquilo!
Não é a chuva, no meu postigo
Ai Lurdes, Lurdes, fica comigo
Não é o vento, a cirandar
Nem são as vozes, que vêm do mar
Não é o pingo de uma torneira
Põe-me a santinha, à cabeceira
Compõe-me a colcha, fala ao prior
Pousa o Jesus, no cobertor
Chama o doutor, passa a chamada
Ai Lurdes, Lurdes, nem dás por nada
Faz-me tisanas, e pão-de-ló
Não te levantes, que fico só
Aqui sozinho a apodrecer
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer."
António Lobo Antunes
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
Só sábios éramos 5
O essencial é ler muito: pouco
importa o quê. O que nos apeteça ler. A triagem é feita depois. E mesmo a literatura
estéril, a literatura filosoficamente pretensiosa e pedante, é segura para as
crianças porque elas não podem entender. Elas rejeitam-na, como mudam o botão da
TV quando lhes aparecem discursos políticos. São estes, os sábios. "
Barjavel
terça-feira, 12 de novembro de 2013
être fou ou pas
Il
n'y a pas de plus grande joie que de connaître quelqu'un qui voit le
même monde que nous. C'est apprendre que l'on n'était pas fou.
C. Bobin
domingo, 10 de novembro de 2013
menoridade intelectual...tenham lá paciência
Aquele momento em que os homens regridem ao nível de primatas por causa do futebol.
Aquele instante em que vê-los encavalitados uns nos outros a gritar "És a nossa fé, SLB alé" nos faz duvidar de todos os passos que a Humanidade deu na evolução da espécie.
Aqueles segundos em que vemos o nosso no meio dos outros e nos questionamos se ele sempre foi assim, meio-homem meio-babuíno, mas não nos importamos porque gostamos na mesma.
In "Bumba na Fofinha"
Aquele instante em que vê-los encavalitados uns nos outros a gritar "És a nossa fé, SLB alé" nos faz duvidar de todos os passos que a Humanidade deu na evolução da espécie.
Aqueles segundos em que vemos o nosso no meio dos outros e nos questionamos se ele sempre foi assim, meio-homem meio-babuíno, mas não nos importamos porque gostamos na mesma.
In "Bumba na Fofinha"
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
Um ou dois beijinhos? O retrato de um flagelo social
Não vamos fingir que isto é uma questão obsoleta na nossa sociedade.
Eu que assevere a sua frescura, que acabei de ficar com a face esquerda
especada no vazio, à espera da bochecha alheia para o segundo encosto, e
ela nunca, nunca chegou.
Lamentavelmente, tive de continuar o movimento e fingir que queria pentear a franja. E claro que está sempre alguém a ver, que depois goza.
Já todos passámos por isso: aquela reação macacóide ao beijo no ar, o que fazer meu Deus? Assumo, rio-me, assobio para o lado? Agarro-o pelos colarinhos e obrigo-o?

Ora, não me cabe julgar se é certo dar um ou dois. Apenas acho que já era tempo de nós, enquanto sociedade, chegarmos a uma espécie de consenso. Se houvesse um estudo, tenho a certeza de que confirmaria que o flagelo do penduranço vitimiza 1 em cada 10 saudações beijadas. E note-se: isto só acontece em Portugal.
Neste país, o acto de beijar exige uma avaliação-relâmpago para se perceber se a pessoa dá um ou dois. Uma espécie de ritual de reconhecimento da espécie, ao estilo National Geographic. E é legítimo: em vez de cheirarmos os rabos, como os cães, roçamos a bochecha um X número de vezes (e para alguns isso é suficiente para saberem se querem copular ou não).
Há vários problemas nesta dubiedade. O primeiro problema é a nossa probabilidade de acertar ser 50/50. Ou seja, é pior do que a roleta (e chamam-lhe “jogo de azar” e não de “sorte” por alguma razão)
O segundo problema é acharmos que há pessoas que são mono ou duo-beijoqueiras por defeito. Quando na realidade elas não são de categoria nenhuma, simplesmente dependem do outro. Estão naquele limbo meio cortês meio cobardolas. ”Eu cá dou aquilo que me derem” dizem. E se ambas pensarem assim, é meio caminho andando para alguém ficar a pentear a franja.
O terceiro problema é ter de lidar com aquela estirpe que dá um à família da mãe, dois à família do pai, bacalhaus aos amigos e beijos com língua ao cão. Apresentar um namorado/a sem um briefing prévio é levá-lo a um campo minado de penduradores em série.

Do lado de quem é pendurado há sempre aquele que vira a cara para o infinito e avista coisas ao longe. Outra abordagem é a de fingir que se vai ganhar balanço para levantar a poupa do cabelo. Eu prefiro aqueles que não se conformam, e puxam o pendurador para si, firmemente mas não sem gentileza, impondo o segundo encosto sem ai nem ui.
Do lado dos que penduram há os que marimbam na cena por um lado, e os que pedem desculpa por outro. Às vezes estes últimos tentam retomar, mas entretanto o outro já retirou, ups, desculpe, e de repente são eles a deixar a bochecha suspensa no nada. Karma’s a bitch.
Para todos os efeitos, a linguagem corporal de um fail é simplesmente hilariante. Imbecil na importância que se lhe dá e socialmente mortal na forma como nos faz sentir, como se não fôssemos “competentes” no pelouro da etiqueta.
O mesmo acontece em contexto de trabalho, quando não sabemos se devemos beijar ou ficar pelo passou-bem. Eu invisto quase sempre nas duas beijocas, mas às vezes apercebo-me de que levei com um uppercut no estômago – o passou-bem falhado - e já é tarde demais para afastar a bochecha. É dramático.
Estive a pensar a sério em como evitar embaraços e queria partilhar os conselhos do consultório sentimental Dra. Bumba:
1. Levar um batedor. Alguém conhecido que conheça os hábitos labiais das pessoas do meio. Nós, atrás, limitamo-nos a imitar
2. Adoptar a táctica do vai-não-vai a seguir a dizer olá: simular em câmara lenta uma intenção – não se sabe qual - mas empatar o suficiente para ser o outro a aproximar-se, e assim passar para ele a batata-quente do número de beijos
3. Aguardar pela presa. Dá-se o primeiro beijo, após o qual se pára o pescoço num ângulo imparcialmente vertical, durante os milisegundos-chave em que a outra pessoa investe ou não para o segundo encosto, revelando-se mono ou duo – NAILED’IT!
4. Perguntar pelo canto da boca, tipo máfia italiana: um ou dois? É preferível a vergonha de perguntar que a de pendurar.
Espero que ajude.
X número de beijos,
Dra. Bumba
Lamentavelmente, tive de continuar o movimento e fingir que queria pentear a franja. E claro que está sempre alguém a ver, que depois goza.
Já todos passámos por isso: aquela reação macacóide ao beijo no ar, o que fazer meu Deus? Assumo, rio-me, assobio para o lado? Agarro-o pelos colarinhos e obrigo-o?

Ora, não me cabe julgar se é certo dar um ou dois. Apenas acho que já era tempo de nós, enquanto sociedade, chegarmos a uma espécie de consenso. Se houvesse um estudo, tenho a certeza de que confirmaria que o flagelo do penduranço vitimiza 1 em cada 10 saudações beijadas. E note-se: isto só acontece em Portugal.
Neste país, o acto de beijar exige uma avaliação-relâmpago para se perceber se a pessoa dá um ou dois. Uma espécie de ritual de reconhecimento da espécie, ao estilo National Geographic. E é legítimo: em vez de cheirarmos os rabos, como os cães, roçamos a bochecha um X número de vezes (e para alguns isso é suficiente para saberem se querem copular ou não).
Há vários problemas nesta dubiedade. O primeiro problema é a nossa probabilidade de acertar ser 50/50. Ou seja, é pior do que a roleta (e chamam-lhe “jogo de azar” e não de “sorte” por alguma razão)
O segundo problema é acharmos que há pessoas que são mono ou duo-beijoqueiras por defeito. Quando na realidade elas não são de categoria nenhuma, simplesmente dependem do outro. Estão naquele limbo meio cortês meio cobardolas. ”Eu cá dou aquilo que me derem” dizem. E se ambas pensarem assim, é meio caminho andando para alguém ficar a pentear a franja.
O terceiro problema é ter de lidar com aquela estirpe que dá um à família da mãe, dois à família do pai, bacalhaus aos amigos e beijos com língua ao cão. Apresentar um namorado/a sem um briefing prévio é levá-lo a um campo minado de penduradores em série.

Do lado de quem é pendurado há sempre aquele que vira a cara para o infinito e avista coisas ao longe. Outra abordagem é a de fingir que se vai ganhar balanço para levantar a poupa do cabelo. Eu prefiro aqueles que não se conformam, e puxam o pendurador para si, firmemente mas não sem gentileza, impondo o segundo encosto sem ai nem ui.
Do lado dos que penduram há os que marimbam na cena por um lado, e os que pedem desculpa por outro. Às vezes estes últimos tentam retomar, mas entretanto o outro já retirou, ups, desculpe, e de repente são eles a deixar a bochecha suspensa no nada. Karma’s a bitch.
Para todos os efeitos, a linguagem corporal de um fail é simplesmente hilariante. Imbecil na importância que se lhe dá e socialmente mortal na forma como nos faz sentir, como se não fôssemos “competentes” no pelouro da etiqueta.
O mesmo acontece em contexto de trabalho, quando não sabemos se devemos beijar ou ficar pelo passou-bem. Eu invisto quase sempre nas duas beijocas, mas às vezes apercebo-me de que levei com um uppercut no estômago – o passou-bem falhado - e já é tarde demais para afastar a bochecha. É dramático.
Estive a pensar a sério em como evitar embaraços e queria partilhar os conselhos do consultório sentimental Dra. Bumba:
1. Levar um batedor. Alguém conhecido que conheça os hábitos labiais das pessoas do meio. Nós, atrás, limitamo-nos a imitar
2. Adoptar a táctica do vai-não-vai a seguir a dizer olá: simular em câmara lenta uma intenção – não se sabe qual - mas empatar o suficiente para ser o outro a aproximar-se, e assim passar para ele a batata-quente do número de beijos
3. Aguardar pela presa. Dá-se o primeiro beijo, após o qual se pára o pescoço num ângulo imparcialmente vertical, durante os milisegundos-chave em que a outra pessoa investe ou não para o segundo encosto, revelando-se mono ou duo – NAILED’IT!
4. Perguntar pelo canto da boca, tipo máfia italiana: um ou dois? É preferível a vergonha de perguntar que a de pendurar.
Espero que ajude.
X número de beijos,
Dra. Bumba
domingo, 3 de novembro de 2013
Evangelho da Missa de hoje: Zaqueu, o publicano e cobrador de impostos
Evangelho da Missa de hoje: Zaqueu, o publicano e cobrador de impostos, reconhece que abusou e promete a Jesus dar metade da sua fortuna aos pobres e QUATRO VEZES MAIS A QUEM COBROU IMPOSTOS EM EXCESSO.....nós aceitamos só duas vezes, oubiram ó senhores do Goberno?????
Ás vezes queremos voltar a ouvir as mesmas coisas de sempre
Ás vezes apetecemos voltar
ao aconchego do ninho
como se a vida fosse
um ir e voltar
pelo mesmo caminho
Ás vezes queremos voltar a ouvir
as mesmas coisas de sempre
os mesmos sítios e lugares
que só ao longe...tão longe
se compreende
Aonde é o fim
a ultima fronteira
já percorri toda a terra
e nunca saio da tua beira
Haverá mapa
ou é só desejo
o mundo não chega
para esquecer-me do teu beijo
Quieto caminhei
mais de mil anos
compreendi o teu sorriso
e o quanto já andamos...
Quietos...
a amarmos
por todo o lugar
quer exista ou não exista
quanto já viajamos
Oliveira Gomes
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
CTT
Fui aos correios (os tais que vão ser privatizados) e como todos dias no
meu apartado postal, vejo se tenho cartas. A cada mês pago a minha
conta religiosamente na Fnac e por transferência bancária on-line.
No aviso de pagamento que costumo receber uns 8 dias antes da data e neste caso também e simultâneamente da hora limite para ser por Multibanco ou transferência bancária, tenho o maior cuidado em cumprir pois em caso de esquecimento ou falhanço, vai directo para débito de uma conta bancária que encerrei e que tem zero de saldo. Sabe-se lá porquê, tendo sido esta a conta original para débito, não posso mudar! Mas o que interessa é que eu NÃO quero que vá a débito.
Fui perguntando nos CTT nos 8 dias anteriores ao fim do mês se não estaria perdida nos "fundos" da reexpedição, mas com um ar seguro e rápido diziam-me que não, apesar de explicar por que razão eu precisava da referida carta.
Devo confessar que sou conhecido na estação dos correios há anos porque sendo, Cônsul-Geral de um país estrangeiro, Advogado, etc...tenho despesas anuais de manutenção do Apartado Postal verdadeiramente abusivos: o aluguel do Apartado, o custo da reexpedição da correspondência em meu próprio nome para o meu Apartado postal....pois apesar dos meus protestos anuais pago por isto cerca de € 120,00!!!!
Telefonei para a Fnac já depois do mês vencido e anunciaram-me que tinha sido enviado para débito da tal dita conta sem saldo, vencendo por isso, juros devedores.
Chegou-me às mãos a referida carta no dia 5 do mês seguinte, com um carimbo interno de recebimento pela estação de dia 19 do mês anterior bem como com data do depósito no meu Apartado no referido dia 5 do mês seguinte!
Portanto, juros devedores, incumprimento e disto apresentei provas ao Chefe da Estação que ficou cinzento e que solícito me indicou um formulário chapa 3 para reclamações que eu preenchi e aonde isto tudo expliquei. Disse-me para eu guardar o envelope, o que fiz!
Recebo uma semana depois uma carta dos CTT em resposta à minha reclamação dizendo que tinha sido tudo investigado e que eu não tinha razão.
Tenho um furor interno dos antigos Noronhas que nestas situações sobe desde as entranhas até aos olhos, produzindo faíscas que magoam....
Voltei, com o furor controlado e com serenidade chamei o Chefe da Estação a quem estendi a carta, sem palavras!
Disse-me com uma voz muito atrapalhada que protestasse e que juntasse a carta, prova indiscutível da negligência dos CTT.
Claro que vai em torpedo para a Administração.
Não desejo mais do que a satisfação do que me compete receber: o reembolso dos juros devedores e um pedido de desculpas!
Privatização? Vão encontrar um ninho de víboras burocráticas, com hábitos arreigados de lentidão, pouca modernidade e acresce que com a internet, cada vez recebo menos cartas de amor!
Tudo ao contrário neste País!
Só ao estalo! Ando outra vez com saudades de pancadaria. Depois de 20 anos a seco, há cá uma vontadinha!!!!
No aviso de pagamento que costumo receber uns 8 dias antes da data e neste caso também e simultâneamente da hora limite para ser por Multibanco ou transferência bancária, tenho o maior cuidado em cumprir pois em caso de esquecimento ou falhanço, vai directo para débito de uma conta bancária que encerrei e que tem zero de saldo. Sabe-se lá porquê, tendo sido esta a conta original para débito, não posso mudar! Mas o que interessa é que eu NÃO quero que vá a débito.
Fui perguntando nos CTT nos 8 dias anteriores ao fim do mês se não estaria perdida nos "fundos" da reexpedição, mas com um ar seguro e rápido diziam-me que não, apesar de explicar por que razão eu precisava da referida carta.
Devo confessar que sou conhecido na estação dos correios há anos porque sendo, Cônsul-Geral de um país estrangeiro, Advogado, etc...tenho despesas anuais de manutenção do Apartado Postal verdadeiramente abusivos: o aluguel do Apartado, o custo da reexpedição da correspondência em meu próprio nome para o meu Apartado postal....pois apesar dos meus protestos anuais pago por isto cerca de € 120,00!!!!
Telefonei para a Fnac já depois do mês vencido e anunciaram-me que tinha sido enviado para débito da tal dita conta sem saldo, vencendo por isso, juros devedores.
Chegou-me às mãos a referida carta no dia 5 do mês seguinte, com um carimbo interno de recebimento pela estação de dia 19 do mês anterior bem como com data do depósito no meu Apartado no referido dia 5 do mês seguinte!
Portanto, juros devedores, incumprimento e disto apresentei provas ao Chefe da Estação que ficou cinzento e que solícito me indicou um formulário chapa 3 para reclamações que eu preenchi e aonde isto tudo expliquei. Disse-me para eu guardar o envelope, o que fiz!
Recebo uma semana depois uma carta dos CTT em resposta à minha reclamação dizendo que tinha sido tudo investigado e que eu não tinha razão.
Tenho um furor interno dos antigos Noronhas que nestas situações sobe desde as entranhas até aos olhos, produzindo faíscas que magoam....
Voltei, com o furor controlado e com serenidade chamei o Chefe da Estação a quem estendi a carta, sem palavras!
Disse-me com uma voz muito atrapalhada que protestasse e que juntasse a carta, prova indiscutível da negligência dos CTT.
Claro que vai em torpedo para a Administração.
Não desejo mais do que a satisfação do que me compete receber: o reembolso dos juros devedores e um pedido de desculpas!
Privatização? Vão encontrar um ninho de víboras burocráticas, com hábitos arreigados de lentidão, pouca modernidade e acresce que com a internet, cada vez recebo menos cartas de amor!
Tudo ao contrário neste País!
Só ao estalo! Ando outra vez com saudades de pancadaria. Depois de 20 anos a seco, há cá uma vontadinha!!!!
domingo, 20 de outubro de 2013
A lista negra contra o Papa Francisco
Meu Caríssimo Luís
Bernardo,
Há já algum tempo que não
te escrevo. Tenho andado sem vontade de encontrar espaço na minha vida para
desligar do stress, o que sei que é mau, pois pode tornar-se numa espécie de obsessão
do negativo e do cinzento.
Hoje, Domingo, está um
dia “assim assim”, como tempo. Não chove, está claro e pode-se sair com uma
temperatura amena.
É o que vou fazer quando
te acabar de escrever. Tenho umas voltas a dar pela Fnac e Bertrand pois saíram
novos livros que cobiço. Parecem-me interessantes e por isso nada melhor do que
folheá-los com vagareza e ler algumas páginas ao acaso para suscitar a vontade
de comprá-los.
Estou a ouvir no meu
iPhone, óptima música: hoje escolhi só clássica. Chama-se o álbum (em três ricas
e completas gravações): "the most relaxing classical music ever"…um deleite para
os sentidos!
Quando se tem medos na
cabeça, não há espaço para os sonhos e eu tenho-os. Somente, algum cansaço das
gentes e do mundo.
Que bom deve ser depois,
seja o que for que nos espera.
Quando se teve a sorte de
ter Pais, Avós e Bisavós, que eu conheci bem, que nos amaram e nos
proporcionaram uma infância equilibrada, estável e feliz, não podes deixar de
sentir nostalgia desses tempos.
Vai falhando a harmonia
no nosso mundo e só com um grande esforço consegues “retirar-te” para oásis de
paz e tranquilidade aonde te esqueces da dor e sofrimento. Vida difícil esta,
mas confesso-te que não me queixo demais, nem quero parecer um eterno
negativista.
Sabes, o que sinto é uma
sensação átona, abúlica, neutra do spleen do Eça. Nem para sim nem para não.
Como conseguem algumas
pessoas virem com discursos felicitosos, delicodôces querendo contrariar-me
dizendo que tenha confiança em Deus, que reze, que me entregue…mas o que tem
isso tudo a ver com a realidade. Irrita-me essa imbecilidade beatífica de achar
que Deus tem agora que pensar em resolver-me um negócio que discuto amanhã com
um parceiro brasileiro ou chinês.
Nem sequer ajuda o PM e
VPM de Portugal, ( não me apetece escrever-lhes os nomes nem os cargos) que têm
bem mais responsabilidades do que eu e abrangem tanta mais gente em sofrimento,
o que seria se fosse contar com a expertise divina para tratar dos meus
assuntos.
Falta de fé, dirão uns, e
eu respondo: falta de caco, em misturarem coisas.
O Papa Francisco sabe
muito bem a destrinça. É fantástico ver como um Homem, de repente, pode ter
tanta influência moral e espiritual no mundo e em cada um de nós. Em mim, pelo menos.
Mandaram-me um e-mail
assustador de 10 coisas, para já, que são a lista negra dos anti-papa!
Inconcebível e com
ameaças veladas de lhe fazerem mal, pois dizem que está a destruir a Igreja. Fiquei aterrorizado e muito
preocupado.
Como sempre os do
costume: os instalados e os que não querem perder os seus direitos e regalias e
que ignoram do alto da sua pompa e circunstância o que é a missão da Igreja e o
mais importante fóra dos muros do Vaticano!
Faria uma cruzada contra
estes, daria o que fosse preciso para varrê-los do círculo do poder, para
eliminá-los e evitar que façam mal ao Papa. Juro!
Isto sim é a minha Fé a
rebrilhar, a acreditar numa Igreja voltada para o essencial e sobretudo com um
rosto humano. Este sorriso do Papa é tão arrebatador e tão verdadeiro.
Por hoje é tudo, Luís
Bernardo, foi-me saindo ao sabor das palavras. Sinto-me melhor!
Um grande e amigo abraço
do teu primo que muito te estima
Manuel
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
O cancro do Manuel Forjaz
Li hoje no facebook este
texto do Manuel Forjaz. Nem sempre estou de acordo com ele, mas se pensar bem o
que às vezes me irrita no seu estilo, esboroa-se perante um testemunho como o
deste que aqui transcrevo. Foi como um murro no estômago.
Que eu saiba não tenho
nada do que ele tem, mas senti-me chocado pela minha e nossa distracção em
relação à vida, às horas e aos minutos “despreocupados” que nos vão sendo
dados, e a este ritmo de rotinas balôfas e sem esforço de mudança que acontece
a uma grande maioria de todos nós.
Todos temos nas nossas
vidas “doenças” físicas e morais, umas mais graves do que outras, umas causando
mais “dores” do que outras, mas este é um texto danado, que se não causar em
cada um de nós um arrepio, é porque estamos já “mortos”!
Quote
...dia
de molhanga hoje, e grande conversa com o meu médico (um dos que me segue) que
adoro (síndrome de Estocolmo - ;.) )...
...falámos do prognóstico e de tempo de vida;
...falámos do prognóstico e de tempo de vida;
...eu nunca perguntei a nenhum médico quanto tempo de vida tenho; a razão é simples, sem bens nem rendimentos, não saberia o que fazer com essa informação, a não ser tirar fotocópias e arrumar papéis; coisa que nunca faria se tivesse duas semanas de vida;
...a ética/deontologia/ escola médicas obrigam o médico à verdade, conceito não absoluto, logo porque pode ser contar tudo ou não dizer mentiras; mas acho estranho que alguém faça a pergunta e mais estranho ainda que o médico dê essa informação por várias razões:
=> não acredito que seja a regra, mas não existirão alguns muito poucos médicos que baixam a esperança de vida para parecerem génios na gestão da doença?
=> além da classe modal, cujas estatísticas estão disponíveis online, só acontecem excepções; quantas vezes não ouvimos alguém que tinha 6 meses durar cinco anos? Na vastíssima maioria dos casos o doente ultrapassa o tempo comunicado; 50% dos cancristas de pulmão morre no primeiro ano; porque normalmente este cancro é insidioso e uando o pciente chega ao hospital já está todo roto; eu já cá vou a caminho dos 5 anos....graças a Deus só soube desta estatística há pouco...
=> a fixação de um prazo de validade retira energia e motivação para o aproveitamento do tempo de vida; ou seja o tempo da morte é trabalho do médico e da medicina, o tempo da vida é do cancrista; eu não preciso de saber quanto tempo vou viver, porque alterarei a minha vida em função do meu prazo; à partida eu calculo que não viverei tanto como os outros, mas cada dia meu tem e deve ser igual a todos os outros, até ao último;
=> A teoria dos bucket lists, popularizada por um lindíssimo filme de Morgan Freeman e Jack Nicholson; tive a graça de viver o meu bucket list desde a minha adolescência, e da maioria das coisas que queria fazer na vida já as ter feito; além disso a maioria das coisas que agora me faz feliz e me energizam não custam dinheiro; mas não as aproveitarei da mesma maneira com um prazo;
Se eu tivesse dinheiro e tivesse vivido uma outra vida, não quereria aproveitar o tempo que me sobra para subir o Himalaia ou uns gang bangs em Las Vegas? Dont think so; até porque não saberia como as poderia aproveitar com o cutelo em cima da cabeça; se alguém tem cancro, não faz a pergunta e se puder e tiver recursos, corra para o seu bucket list, seja essa a opção sem necessidade de saber que são 4 semanas ou 6 meses;
=> certo que certas coisas poderão ficar melhor arrumadas e não deixadas ao descuido, como a educação dos filhos, a questão patrimonial para quem o tenha, o testamento espiritual, os nossos objectos pessoais, etc etc; mas tudo isso pode ser tratado já, sem saberem esse errado prazo!
Portantos:
1 - Não perguntem nunca qual o vosso prazo de validade;
2 - Peçam ao vosso médico para não o dizer;
3 - Organizem-se e bucketizem o que quiserem, já; não como se tivesse medo de não viver para sempre, mas porque isso vos poderá tranquilizar e energizar;
4 - Não leiam as estatísticas, por causa do frango;
5 - Quando alguém vier dramaticamente vos dizer que têm x semanas ou meses, digam-lhes que é mentira, porque eu disse que era mentira e que o prazo será maior; acertarei em mais de 90% dos casos!! nos casos em que falhar faltará decidir para quem vai a cómoda da Tia Mariazinha, o que não é muito grave...
Esqueçam este assunto. o segredo é sempre o mesmo, poderemos morrer da doença, mas a doença numa nos matará, porque viveremos todos os dias como se não a tivéssemos, como se ela não fosse um assunto! (minimizando a dor e desconforto, tentando todas as terapias, rodeando-nos de pessoas boa onda, replicando e repetindo os cassos de sucessos, etc etc etc...)
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