terça-feira, 9 de julho de 2013

As putas da minha rua


Este calor dá cabo de mim, mesmo! O não dormir tranquilo e pouco escangalha-me o dia seguinte.

Estou aqui de janela aberta e não vejo uma folha mexer. Lá fora passa gente acalorada, as putas do costume à porta de minha casa, vão-se queixando de que o negócio vai mal. Até o sexo está em crise.

Uma noite destas, com as janelas escancaradas por causa do forno que estava a minha casa, tive de novo que dar um berro que ecoou no quarteirão, mandando-as calar. Álcool, alguma maria joana…, esperas infindas, ciúmes e brigas entre elas, põe-nas aos gritos e a falarem alto.

Nenhum de nós está interessado nas aventuras delas, sobretudo quando estamos desesperados para adormecer…

Dizem-me da Câmara Municipal, do departamento respectivo, que nem o Presidente Sampaio conseguiu mudá-las daqui…foi o Santana Lopes que as trouxe de Monsanto…sempre era mais fresquinho, nas ervas e tudo…

Olham lúbricas e com um ar trocista quando meto a chave à porta: sabem-me como sendo o dos gritos de ordem, vêm-me passar por elas com naturalidade e por isso há um pacto de não agressão…

Um dia estando “de Rodriguez” e entrando mais tarde não resisti a meter dois dedos de conversa com o grupo: foi uma festa, queriam todas dizer-me tudo quanto andava reprimido…ahaha

Desde brejeirices, convites, menus detalhados, tudo me foi proposto sem vergonhas ou pudores e diria até com sensualidade e graça…ordinária, confesso.

E quando lhes disse que era como vizinho que me apetecia trocar uns dedos de conversa, não acreditaram.

A muito custo lá se foram resignando e foi uma sessão de esclarecimentos bem completa.

Olha para o que me havia de dar!

Vou tentar dormir…

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Nem sempre os que estão connosco estão por nós

Gabriel Marcel foi paradoxal ao escrever que «a solidão é essencial à fraternidade».
Mas talvez seja verdade. 
Nem sempre os que estão connosco estão por nós. Nem sempre os que estão junto de nós estão ao nosso lado. 
Há quem esteja longe parecendo que está perto. E há quem esteja perto parecendo que está longe!

João Teixeira.

Deus, às vezes, parece em silêncio.Dá a impressão de não responder.


Deus, às vezes, parece em silêncio. Dá a impressão de não responder. 
E nem falta quem veja nisso a beleza surpreendente da oração. 
Por isso Saint-Exupéry escreveu: «A grandeza da oração reside principalmente no facto de não ter resposta, do que resulta que essa troca não inclui qualquer espécie de comércio». 
Mas a resposta existe. Nem sempre à superfície. Mas sempre a partir da profundidade. 
Não através de palavras sonoras. Mas mediante a palavra da vida. 
De uma vida feita presença e tornada esperança!
João Teixeira

domingo, 7 de julho de 2013

La vie sans musique


La vie sans musique est tout simplement une erreur, une fatigue, un exil. 

 Nietzsche

Carta aberta ao Presidente da República




Sr. Presidente da República
Excelência

Domingo, 7 de Julho de 2013

Posso sugerir-lhe que reflicta em algumas ideias sobre como solucionar a actual crise?

Espero que aceite com simpatia o que abaixo expendo:

1.  V.Exª é, neste momento, a chave da solução.

2.  V.Exª tem, desta vez, que decidir em função de si próprio, dos poderes que a Constituição lhe confere e sobretudo no interesse dos Portugueses.

3.  V.Exª sabe que o poder implica, tantas vezes solidão. Eu próprio e por algumas vezes, no mundo empresarial, fui confrontado com esta constatação: consulta-se, ouve-se, discute-se com quem se tem que estar e depois, só nós temos que decidir em consciência.

4.  V.Exª, como qualquer ser humano, não gosta, fica magoado, ressente-se com os apupos, vaias, insultos, críticas injustas e no geral, com os excessos a que o povo português se tem vindo a habituar. Nunca há justificação para se ser mal educado, desrespeitador de ninguém, sobretudo de um Chefe de Estado, eleito democraticamente, pese embora se possa ser de côr política diferente, monárquico, apático e indiferente. Por isso é duro e tantas vezes intolerável.

5.  V.Exª sabe que quanto menos falar, mais os governados mal interpretam os seus silêncios e as suas posições.

6.  V.Exª tem que dosear as suas intervenções mas deve manter os portugueses informados do que vai fazendo, mesmo que sem entrar em detalhes, prove que está activo e busca as soluções a que um Estadista está obrigado. O dr. Mário Soares, no seu estilo discutível mas eficaz, verberava os jornalistas e mandava-os calar, explicando com veemência que estava a tratar dos assuntos e quando tivesse alguma coisa para dizer, logo saberiam. E todos metiam a “viola no saco”. Há silêncios assassinos e ensurdecedores.

7.  Mas, neste momento, o mais importante é que V.Exª decida bem.

8.  Decidir bem é em primeiro lugar ir ao encontro das expectativas da maioria do povo português e não de partidos no poder ou na oposição, de líderes mais ou menos carismáticos, espertiosos, sedentos de poder, ou sem visão de futuro.

9.  V.Exª tem na sua mão, a decisão histórica de neste momento, reabilitar-se e ao povo português.

10. V.Exª pode, e a benefício de vários passos relevantes que mantém preservar (tais como a estabilidade orçamental, as relações com a troika, com a Europa, a diminuição do desemprego, o retomar da economia), nomear alguém da sua confiança que por sua vez constitua uma equipa de gente séria, competente e capaz para governar o país até ao momento oportuno de haver novas eleições.

11. Tudo se pode fazer e V.Exª terá atrás de si a maioria do povo português com uma alma nova e esperançada. Nada é impossível quando o que está em causa é o BEM do povo português.

E era isto que queria deixar como uma visita, quiçá menos protocolar a V.Exª, mas não menos relevante para mim, como mais uma contribuição para o ajudar a criar forças e tomar as decisões que houver por bem considerar serem as melhores. 

Manuel de Noronha e Andrade

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Os Vis Banqueiros, a Igreja, os Sindicatos e o povo



Os Vis Banqueiros, a Igreja, os Sindicatos e o povo

Vil metal é como se costuma chamar ao dinheiro. Os Bancos vendem dinheiro, logo vil metal. Os donos ou pelo menos os gestores dos bancos que vendem vil metal são os banqueiros.

Já se ouviu alguma palavra de algum banqueiro. Refiro-me a alguma palavra de indignação? Claramente? Chamando as coisas pelos nomes? Não são tão rigorosos na gestão do vil metal, que largam com dificuldade, mesmo a amigalhotes, quanto mais ao empresário médio e honesto que quer ganhar a vida e desenvolver o seu negócio.

Mas isto não é uma vergonha? Porque se vendem ao poder, porque estão forrados de dívida soberana, porque financiam os partidos, porque são vis banqueiros.

E a Igreja em Portugal? Nem uma palavra desde há 3 dias? E o novo Patriarca? Lá porque ainda não tomou posse, não está tolhido de falar.

Assiste-se a este desperdício de dinheiro, a este destruir de esforços dolorosos arrancados com o sangue de todos nós nos últimos tempos, a um descrédito internacional, a feira de vaidades, a redistribuição de tachos e nada se faz?

E as centrais sindicais e patronais, e o povo que se manifestou ruidosa e eficazmente na rua quando foi da TSU?

Está tudo cagalizado? Têm medo de quem e de quê?

Será preciso ser muito clarividente para perceber que a coligação acabou, que os dois líderes, se detestam e jamais poderão governar em conjunto, que é um adiar do fim deste casamento contra natura?

Sempre este conformismo balofo dos portugueses: golpe de Estado no Egipto, quase revolução na Turquia, rebelião no Brasil, e o ror podia continuar sem limite e nós por cá na silly season, sem subsídios, com mais dívida, com o perigo de um novo resgate e com caras e sorrisos alvares, vamos dizendo mal em surdina mas nada acontece!

les imbéciles


Le problème du monde, c’est que les imbéciles sont présomptueux et les gens intelligents bourrés de doutes.

B. Russell


É tarde. Ainda há um momento me apetecia conversar, agora estou outra vez cansado!

É tarde. Ainda há um momento me apetecia conversar, agora estou outra vez cansado!
Reparaste como o Outono este ano veio por outro lado, como se fosse pelo lado de dentro?

Manuel António Pina

quarta-feira, 3 de julho de 2013

UM NOVO PRAGMATISMO E UMA GRANDE COLIGAÇÃO


Antes de mais, carecemos de um novo pragmatismo. E, a partir dele, necessitaremos também de uma grande — de uma enorme — coligação: de uma coligação efectiva entre todos os partidos e de uma coligação efectiva e afectiva entre o poder e o povo.

2. O pragmatismo que tem de nortear a política é a vontade de resolver os problemas das pessoas. Ou, pelo menos, a determinação em não agravar a vida dos cidadãos. É preciso que a cada lar chegue o pão. É imperioso que cada família tenha uma casa. É urgente que ninguém seja impedido de trabalhar.

3. Gostamos da política com ideias e excelsamos a política com ideais. Mas devíamos perceber que o melhor ideal é absolutamente pragmático. Haverá ideal mais elevado do que aquele que concorre para que as pessoas ascendam a uma vida mais digna?

4. O mal é que muitos dos ideais na política não passam de enunciados grandiloquentes. Acresce que há ideais que se atropelam entre si. Cada um procura desmontar os ideais dos outros e alardear a pretensa superioridade dos seus. Nesta disputa, são gastas as energias que bem necessárias seriam na tarefa primordial: ajudar as pessoas em dificuldade.

5. É por aqui que passa a grande carência. Pressentimos que é também por aqui que passa a maior urgência. Receio por isso que, nesta altura, muitos saibam com maior nitidez quem não querem do que quem desejam.

6. Diante de problemas novos, vamos optar pelas soluções habituais e pelos protagonistas de (quase) sempre? Situações excepcionais não deviam gerar opções excepcionais? Porque é que só pode haver uma coligação entre dois partidos? O estado a que chegamos não justificaria uma coligação entre todos os partidos?

7. Porque é que não hão-de ser todos (os partidos) a cuidar de todos (os cidadãos)? O povo elegeu 230 deputados e não somente 132. Os restantes 98 não poderão ser chamados a cooperar numa alternativa?

8. E, já agora, porque é que os partidos têm de ter o exclusivo da acção política? Os partidos são obviamente necessários, importantes, decisivos. Mas serão únicos? A governação de um país não poderá incluir representantes das empresas, dos sindicatos, das universidades?

9. Os partidos crescerão se souberem abrir-se. Continuarão a decair se continuarem a enquistar-se em si, a ensimesmar-se. E, para cúmulo, a desagregar-se.

10. Os partidos deviam estar habilitados para cooperar. Infelizmente, parecem apenas formatados para competir. 
No fundo, falta o sentido do outro. Falta ver a realidade a partir do outro. Ainda estamos muito «ego-centrados», muito «ego-sentados»!
João Teixeira

terça-feira, 2 de julho de 2013

Miguel Sousa Tavares e o Presidente

Nesta pausa Kit Kat do almoço, leio que foi arquivado o processo contra o Miguel Sousa Tavares por ter chamado palhaço ao Presidente da República.

Goste-se ou não do Presidente, ele é o Chefe de Estado do meu País e foi eleito democraticamente.

Se a um qualquer estrangeiro, lhe for perguntado se chama nomes ou insulta ou desmerece o seu Chefe de Estado, creio que diria que não, mas se assim o fizesse não seria mais do que como o Miguel Sousa Tavares: um malcriado sem maneiras, convencido da sua pesporrência e achando que tem sempre razão. Um rapaz insuportável, em suma!

Esta minha embirração já vem detrás, dos tempos da Faculdade aonde militávamos em campos diferentes na Associação Académica. Numa noite e num teatro com um grupo de amigos da Faculdade, no intervalo, aproximei-me e cumprimentei estendendo a mão que foi por todos apertada excepto por ele que afirmou: "não aperto a mão a fascistas!"

Perante a estupefação de todos, recolhi a mão e acrescentei: "e eu a filhos da puta!"

Como vêem edificante!

Só que nenhum de nós era o Venerando Chefe do Estado!

Como nunca fui fascista, e sou justo nas apreciações, gostava imenso da Mãe dele que sempre admirei e li, também do Pai que versátil, foi mudando de opiniões políticas ao longo da vida e finalmente do Miguel a quem reconheço qualidades de inteligência e de escrita.

Mas envelhece mal…e torna-se num ancião embirrento e quezilento! Cáspite!

A saída de Vitor Gaspar

Sou um chato, estou sempre do lado contrário da maioria. 
Acho miserável estes virtuosos pôdres que se alegram pela partida do Ministro Vitor Gaspar, sem darem uma justificação para além da sua total ignorância em tudo quanto diga respeito à governação. 
Não pensam, são os imbecis de riso alvar que votam sem saber em quem e ao sabor dos ventos e que desde os tempos de Cavaco têm dado o apoio a Governos que gastaram mais do que podiam, com o dinheiro deles! Valentes bestas! 
São os dos caracóis ao fim da tarde discorrendo que a "gaja" é do pior que há, e nem sequer sabem dizer nada de nada em inglês, muito menos entenderem de swaps!
Que raio de País é este a que eu tanto quero e me orgulho de ser português, mas com canalha preguiçosa, espertiosa e vingativa e com costas para levar em cima com cangas de outros! 
Gaspar será julgado, com tempo, pela História e tal como cada um de nós terá acertado e errado!
Mas na tarde do primeiro dia, logo assim arrastado no lodo...é obra!

a sinfonia dos pássaros

Vamo-nos aproximando de quem está longe e —importa reconhecê-lo — vamo-nos também afastando de quem está perto.
 João Teixeira

segunda-feira, 1 de julho de 2013