Aqui estão as razões do nome do meu blogue :
Vicente: Latim Vicentius: "aquele que vence".
Eu gosto de vencer, mas como nunca se vence em tudo, acrescentei o
Mais ou Menos
de Souza porque lá para trás tive uma antepassada Souza que não conheci e que podia ser descendente da linha Indígena: na Colónia do Sacramento, regista-se a André de Souza, «índio», casado em 1690, com Clemência.
ou
da linha Africana:
no Rio de Janeiro, entre outras, cabe mencionar a de Teresa de Souza,
«parda», escrava de Tomé de Souza Antunes, que foi casada, 1697, no Rio
de Janeiro, com Manuel de Paiva, «pardo».
Ora cá está, eu sou meio índio e meio mestiço e escravo de todos os prazeres deste mundo e o cara chamava-se Manuel. Encaixa!
terça-feira, 9 de julho de 2013
As putas da minha rua
Este calor dá
cabo de mim, mesmo! O não dormir tranquilo e pouco escangalha-me o dia
seguinte.
Estou aqui de
janela aberta e não vejo uma folha mexer. Lá fora passa gente acalorada, as
putas do costume à porta de minha casa, vão-se queixando de que o negócio vai
mal. Até o sexo está em crise.
Uma noite destas,
com as janelas escancaradas por causa do forno que estava a minha casa, tive de novo
que dar um berro que ecoou no quarteirão, mandando-as calar. Álcool, alguma
maria joana…, esperas infindas, ciúmes e brigas entre elas, põe-nas aos gritos
e a falarem alto.
Nenhum de nós
está interessado nas aventuras delas, sobretudo quando estamos desesperados
para adormecer…
Dizem-me da
Câmara Municipal, do departamento respectivo, que nem o Presidente Sampaio
conseguiu mudá-las daqui…foi o Santana Lopes que as trouxe de Monsanto…sempre
era mais fresquinho, nas ervas e tudo…
Olham lúbricas e
com um ar trocista quando meto a chave à porta: sabem-me como sendo o dos
gritos de ordem, vêm-me passar por elas com naturalidade e por isso há um
pacto de não agressão…
Um dia estando “de
Rodriguez” e entrando mais tarde não resisti a meter dois dedos de conversa com
o grupo: foi uma festa, queriam todas dizer-me tudo quanto andava reprimido…ahaha
Desde
brejeirices, convites, menus detalhados, tudo me foi proposto sem vergonhas ou pudores e diria
até com sensualidade e graça…ordinária, confesso.
E quando lhes
disse que era como vizinho que me apetecia trocar uns dedos de conversa, não
acreditaram.
A muito custo lá
se foram resignando e foi uma sessão de esclarecimentos bem completa.
Olha para o que
me havia de dar!
Vou tentar dormir…
segunda-feira, 8 de julho de 2013
Nem sempre os que estão connosco estão por nós
Gabriel Marcel foi paradoxal ao escrever que «a solidão é essencial à fraternidade».
Mas talvez seja verdade.
Nem sempre os que estão connosco estão por nós. Nem sempre os que estão junto de nós estão ao nosso lado.
Há quem esteja longe parecendo que está perto. E há quem esteja perto parecendo que está longe!
João Teixeira.
Deus, às vezes, parece em silêncio.Dá a impressão de não responder.
Deus, às vezes, parece em silêncio. Dá a impressão de não responder.
E nem falta quem veja nisso a beleza surpreendente da oração.
Por isso Saint-Exupéry escreveu: «A grandeza da oração reside principalmente no facto de não ter resposta, do que resulta que essa troca não inclui qualquer espécie de comércio».
Mas a resposta existe. Nem sempre à superfície. Mas sempre a partir da profundidade.
Não através de palavras sonoras. Mas mediante a palavra da vida.
De uma vida feita presença e tornada esperança!
João Teixeira
domingo, 7 de julho de 2013
Carta aberta ao Presidente da República
Sr. Presidente da
República
Excelência
Domingo, 7 de
Julho de 2013
Posso sugerir-lhe
que reflicta em algumas ideias sobre como solucionar a actual crise?
Espero que aceite
com simpatia o que abaixo expendo:
1. V.Exª é, neste
momento, a chave da solução.
2. V.Exª tem,
desta vez, que decidir em função de si próprio, dos poderes que a Constituição
lhe confere e sobretudo no interesse dos Portugueses.
3. V.Exª sabe que
o poder implica, tantas vezes solidão. Eu próprio e por algumas vezes, no mundo
empresarial, fui confrontado com esta constatação: consulta-se, ouve-se,
discute-se com quem se tem que estar e depois, só nós temos que decidir em
consciência.
4. V.Exª, como
qualquer ser humano, não gosta, fica magoado, ressente-se com os apupos, vaias,
insultos, críticas injustas e no geral, com os excessos a que o povo português
se tem vindo a habituar. Nunca há justificação para se ser mal educado,
desrespeitador de ninguém, sobretudo de um Chefe de Estado, eleito
democraticamente, pese embora se possa ser de côr política diferente,
monárquico, apático e indiferente. Por isso é duro e tantas vezes intolerável.
5. V.Exª sabe que
quanto menos falar, mais os governados mal interpretam os seus silêncios e as
suas posições.
6. V.Exª tem que
dosear as suas intervenções mas deve manter os portugueses informados do que
vai fazendo, mesmo que sem entrar em detalhes, prove que está activo e busca as
soluções a que um Estadista está obrigado. O dr. Mário Soares, no seu estilo
discutível mas eficaz, verberava os jornalistas e mandava-os calar, explicando
com veemência que estava a tratar dos assuntos e quando tivesse alguma coisa
para dizer, logo saberiam. E todos metiam a “viola no saco”. Há silêncios
assassinos e ensurdecedores.
7. Mas, neste
momento, o mais importante é que V.Exª decida bem.
8. Decidir bem é
em primeiro lugar ir ao encontro das expectativas da maioria do povo português
e não de partidos no poder ou na oposição, de líderes mais ou menos
carismáticos, espertiosos, sedentos de poder, ou sem visão de futuro.
9. V.Exª tem na
sua mão, a decisão histórica de neste momento, reabilitar-se e ao povo
português.
10. V.Exª pode, e
a benefício de vários passos relevantes que mantém preservar (tais como a
estabilidade orçamental, as relações com a troika, com a Europa, a diminuição
do desemprego, o retomar da economia), nomear alguém da sua confiança que por
sua vez constitua uma equipa de gente séria, competente e capaz para governar o
país até ao momento oportuno de haver novas eleições.
11. Tudo se pode
fazer e V.Exª terá atrás de si a maioria do povo português com uma alma nova e
esperançada. Nada é impossível quando o que está em causa é o BEM do povo
português.
E era isto que
queria deixar como uma visita, quiçá menos protocolar a V.Exª, mas não menos
relevante para mim, como mais uma contribuição para o ajudar a criar forças e
tomar as decisões que houver por bem considerar serem as melhores.
Manuel de Noronha e Andrade
sexta-feira, 5 de julho de 2013
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Os Vis Banqueiros, a Igreja, os Sindicatos e o povo
Os Vis Banqueiros,
a Igreja, os Sindicatos e o povo
Vil metal é como
se costuma chamar ao dinheiro. Os Bancos vendem dinheiro, logo vil metal. Os
donos ou pelo menos os gestores dos bancos que vendem vil metal são os
banqueiros.
Já se ouviu
alguma palavra de algum banqueiro. Refiro-me a alguma palavra de indignação?
Claramente? Chamando as coisas pelos nomes? Não são tão rigorosos na gestão do
vil metal, que largam com dificuldade, mesmo a amigalhotes, quanto mais ao
empresário médio e honesto que quer ganhar a vida e desenvolver o seu negócio.
Mas isto não é
uma vergonha? Porque se vendem ao poder, porque estão forrados de dívida
soberana, porque financiam os partidos, porque são vis banqueiros.
E a Igreja em
Portugal? Nem uma palavra desde há 3 dias? E o novo Patriarca? Lá porque ainda
não tomou posse, não está tolhido de falar.
Assiste-se a este
desperdício de dinheiro, a este destruir de esforços dolorosos arrancados com o
sangue de todos nós nos últimos tempos, a um descrédito internacional, a feira
de vaidades, a redistribuição de tachos e nada se faz?
E as centrais
sindicais e patronais, e o povo que se manifestou ruidosa e eficazmente na rua
quando foi da TSU?
Está tudo cagalizado?
Têm medo de quem e de quê?
Será preciso ser
muito clarividente para perceber que a coligação acabou, que os dois líderes,
se detestam e jamais poderão governar em conjunto, que é um adiar do fim deste
casamento contra natura?
Sempre este
conformismo balofo dos portugueses: golpe de Estado no Egipto, quase revolução
na Turquia, rebelião no Brasil, e o ror podia continuar sem limite e nós por cá
na silly season, sem subsídios, com mais dívida, com o perigo de um novo
resgate e com caras e sorrisos alvares, vamos dizendo mal em surdina mas nada
acontece!
les imbéciles
Le problème du monde, c’est que les imbéciles sont présomptueux et les gens intelligents bourrés de doutes.
B. Russell
É tarde. Ainda há um momento me apetecia conversar, agora estou outra vez cansado!
É tarde. Ainda há um momento me apetecia conversar, agora estou outra vez cansado!
Reparaste como o Outono este ano veio por outro lado, como se fosse pelo lado de dentro?
Manuel António Pina
quarta-feira, 3 de julho de 2013
UM NOVO PRAGMATISMO E UMA GRANDE COLIGAÇÃO
Antes de mais, carecemos de um novo pragmatismo. E, a partir dele, necessitaremos também de uma grande — de uma enorme —
coligação: de uma coligação efectiva entre todos os partidos e de uma
coligação efectiva e afectiva entre o poder e o povo.
2. O
pragmatismo que tem de nortear a política é a vontade de resolver os
problemas das pessoas. Ou, pelo menos, a determinação em não agravar a
vida dos cidadãos. É preciso que a
cada lar chegue o pão. É imperioso que cada família tenha uma casa. É
urgente que ninguém seja impedido de trabalhar.
3. Gostamos da
política com ideias e excelsamos a política com ideais. Mas devíamos
perceber que o melhor ideal é absolutamente pragmático. Haverá ideal mais elevado do que aquele que concorre para que as pessoas ascendam a uma vida mais digna?
4. O mal é que muitos dos ideais na política não passam de enunciados grandiloquentes. Acresce que há ideais que se atropelam entre si. Cada um procura
desmontar os ideais dos outros e alardear a pretensa superioridade dos
seus. Nesta disputa, são gastas as energias que bem necessárias seriam
na tarefa primordial: ajudar as pessoas em dificuldade.
5. É por aqui que passa a grande carência. Pressentimos que é também por aqui que passa a maior urgência. Receio por isso que, nesta altura, muitos saibam com maior nitidez quem não querem do que quem desejam.
6. Diante de problemas novos, vamos optar pelas soluções habituais e
pelos protagonistas de (quase) sempre? Situações excepcionais não deviam
gerar opções excepcionais? Porque é que só pode haver uma coligação
entre dois partidos? O estado a que chegamos não justificaria uma
coligação entre todos os partidos?
7. Porque é que não hão-de ser todos (os partidos) a cuidar de todos (os cidadãos)? O povo elegeu 230 deputados e não somente 132. Os restantes 98 não poderão ser chamados a cooperar numa alternativa?
8. E, já agora, porque é que os partidos têm de ter o exclusivo da
acção política? Os partidos são obviamente necessários, importantes,
decisivos. Mas serão únicos? A governação de um país não poderá incluir representantes das empresas, dos sindicatos, das universidades?
9. Os partidos crescerão se souberem abrir-se. Continuarão a decair se continuarem a enquistar-se em si, a ensimesmar-se. E, para cúmulo, a desagregar-se.
10. Os partidos deviam estar habilitados para cooperar. Infelizmente, parecem apenas formatados para competir.
No fundo, falta o sentido do outro. Falta ver a realidade a partir do outro. Ainda estamos muito «ego-centrados», muito «ego-sentados»!
João Teixeira
terça-feira, 2 de julho de 2013
Miguel Sousa Tavares e o Presidente
Nesta
pausa Kit Kat do almoço, leio que foi arquivado o processo contra o
Miguel Sousa Tavares por ter chamado palhaço ao Presidente da República.
Goste-se ou não do Presidente, ele é o Chefe de Estado do meu País e foi eleito democraticamente.
Se a um qualquer estrangeiro, lhe for perguntado se chama nomes ou
insulta ou desmerece o seu Chefe de Estado, creio que diria que não, mas
se assim o fizesse não seria mais do que como o Miguel Sousa Tavares: um
malcriado sem maneiras, convencido da sua pesporrência e achando que tem
sempre razão. Um rapaz insuportável, em suma!
Esta minha
embirração já vem detrás, dos tempos da Faculdade aonde militávamos em
campos diferentes na Associação Académica. Numa noite e num teatro com
um grupo de amigos da Faculdade, no intervalo, aproximei-me e
cumprimentei estendendo a mão que foi por todos apertada excepto por ele
que afirmou: "não aperto a mão a fascistas!"
Perante a estupefação de todos, recolhi a mão e acrescentei: "e eu a filhos da puta!"
Como vêem edificante!
Só que nenhum de nós era o Venerando Chefe do Estado!
Como nunca fui fascista, e sou justo nas apreciações, gostava imenso da
Mãe dele que sempre admirei e li, também do Pai que versátil, foi
mudando de opiniões políticas ao longo da vida e finalmente do Miguel a
quem reconheço qualidades de inteligência e de escrita.
Mas envelhece mal…e torna-se num ancião embirrento e quezilento! Cáspite!
A saída de Vitor Gaspar
Sou um chato, estou sempre do lado contrário da maioria.
Acho miserável estes virtuosos pôdres que se alegram pela partida do Ministro Vitor Gaspar, sem darem uma justificação para além da sua total ignorância em tudo quanto diga respeito à governação.
Não pensam, são os imbecis de riso alvar que votam sem saber em quem e ao sabor dos ventos e que desde os tempos de Cavaco têm dado o apoio a Governos que gastaram mais do que podiam, com o dinheiro deles! Valentes bestas!
São os dos caracóis ao fim da tarde discorrendo que a "gaja" é do pior que há, e nem sequer sabem dizer nada de nada em inglês, muito menos entenderem de swaps!
Que raio de País é este a que eu tanto quero e me orgulho de ser português, mas com canalha preguiçosa, espertiosa e vingativa e com costas para levar em cima com cangas de outros!
Gaspar será julgado, com tempo, pela História e tal como cada um de nós terá acertado e errado!
Mas na tarde do primeiro dia, logo assim arrastado no lodo...é obra!
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