sábado, 9 de dezembro de 2017

Descarada


- Creio estar enganada, minha senhora - disse Artur com uma voz cortês.
- Mas não é a pessoa que me segue desde há anos, mal eu saio de casa até que volto? - perguntou Silvéria que servia a dias em casa do dr. Oliveira.
- Eu não sou nem magala nem polícia e estou por coincidência por aqui, nunca a encontrei antes. - respondeu Artur.
- Pois olhe é pena pois gostei do seu andar e as pisadas soavam exactamente às do homem que me seguia. Finalmente ia conhecê-lo.
- Se lhe posso fazer uma pergunta, nunca teve curiosidade de se voltar para trás e olhar de frente o seu seguidor?
- Se eu tivesse cara talvez o pudesse fazer, mas como vê sou uma descarada!

E Silvéria seguiu pelo passeio fora com um saco de plástico branco cheio de beringelas para o almoço.

In "prosas bárbaras" de Vicente Mais ou Menos de Souza

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